Páginas

Boas Vindas

Seja Bem Vindo e Aproveite ao Máximo!
Curta, Divulgue, Compartilhe e se desejar comente.
Que o Eterno o abençoe!!

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Estudo da Parashá Especial de Pessach - Pessach a Porta

 


Estudos da Torá

Parashá Especial – Pessach (Passagem)

Shemot 12

Bamidbar 28:16-25

Haftará (separação) Js 5:2-6:1; 6:27

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Jo 14:6; 1Co 5:7-8


Pessach: A Porta


Há momentos na vida em que tudo depende de uma decisão: entrar ou ficar do lado de fora. Pessach é exatamente isso, uma porta aberta pelo Eterno. Não é apenas uma lembrança da saída de Mitsrayim. É um chamado contínuo: Quem entra pela porta do Eterno vive. Quem ignora, permanece em escravidão.

Ao longo das Escrituras, vemos um padrão que se repete: uma porta; um caminho e uma escolha. E é nesse contexto que palavras como as de Yeshua e Rav Sha’ul ganham peso, não como ideias novas, mas como continuidade do que sempre esteve escrito.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

O Eterno fala a Mosheh e Aharon na terra de Mitsrayim e estabelece um novo começo para Yisrael, dizendo em Shemot 12:2“: Este mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.”

Então o Eterno ordena que cada família de Yisrael separasse um cordeiro sem defeito, no décimo dia do mês, e o guardasse até o décimo quarto dia. Nesse dia, ao entardecer, todo o povo deve imolar o cordeiro e tomar do seu sangue, colocando-o nos umbrais e na verga das portas das casas onde o comerem.

O cordeiro deveria ser assado ao fogo e comido naquela noite com matsot e ervas amargas, sem que nada fique para o dia seguinte. Devem comê-lo apressadamente, pois é a Pessach do Eterno.

Em Shemot 12:13 diz: “E o sangue vos será por sinal nas casas onde estiverdes; vendo Eu o sangue, passarei por cima de vós...”

Naquela noite, o Eterno passa pela terra de Mitsrayim e fere todos os primogênitos, desde o homem até o animal. Porém, nas casas onde há o sinal do sangue, não há destruição.

Levanta-se grande clamor em Mitsrayim, e Faraó chama Mosheh e Aharon e ordena que o povo saia imediatamente. Assim, os filhos de Yisrael partem apressadamente, levando suas massas antes que fermentassem, e por isso fazem pães matsot. Shemot 12:39 diz: “...cozeram bolos de massa que não se levedou, porque não teve tempo de levedar...”

O povo de Yisrael habita em Mitsrayim por muitos anos, e ao final desse tempo, o Eterno os faz sair com mão forte. Então Ele estabelece que esse dia deve ser guardado por todas as gerações como memorial, e ordena a celebração de Pessach e da Festa dos Hamatzot, com a retirada completa do fermento das casas por sete dias.

Após isso, em Shemot 13, o Eterno ordena: Shemot 13:2: “Santifica-me todo primogênito...”

Os primogênitos passam a ser consagrados ao Eterno, como lembrança de que Ele poupou os primogênitos de Yisrael na noite da saída.

Mosheh então instrui o povo a guardar esse memorial todos os anos, lembrando-se do que o Eterno fez ao tirá-los de Mitsrayim. Shemot 13:8: “E naquele dia farás saber a teu filho, dizendo: Isto é pelo que o Eterno me fez, quando saí de Mitsrayim.”

A Festa dos Hamatzot deve ser guardada como sinal constante, e essa lembrança deve estar presente na vida do povo, como um memorial contínuo do poder e da redenção do Eterno. Shemot 13:9: “E te será por sinal sobre tua mão e por memorial entre teus olhos...”

O Eterno não conduz o povo pelo caminho mais curto, para que não voltem atrás ao ver guerra, mas os guia pelo deserto em direção ao Yam Suf. Mosheh leva consigo os ossos de Yosef, conforme o juramento feito.

E o Eterno vai adiante deles: Shemot 13:21 - “E o Eterno ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar...”

Assim começa a jornada de Yisrael, não apenas uma saída física, mas um caminho guiado pelo próprio Eterno.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Desde o início da Parashá, o Eterno não apenas liberta, Ele ensina como sair. A libertação não foi automática. Cada casa precisava: escolher o cordeiro, prepará-lo conforme instrução e Marcar a porta.

Para compreendermos bem o contexto profético aqui nesse contexto vejamos alguns significados originais:

A palavra porta (em hebraico דֶּלֶת — delet) representa: acesso, transição, decisão.

Já Pessach (פסח) vem da raiz que significa: passar por cima, poupar, preservar da destruição.

E o “caminho” (דֶּרֶךְ — derech) nas Escrituras é: modo de viver, conduta, direção da vida.

Assim, Pessach não é só um evento. É a abertura de uma porta que conduz a um caminho. Dessa forma vamos ao primeiro ponto, o contexto do nosso estudo.


1. Pessach como porta de saída

As moedim de Pessach e Hamatzot são celebrações fundamentais estabelecidas pelo Eterno para recordar a libertação de Mitsrayim. Naquela época o povo estava preso, escravizado, sofrendo muito nas mãos do Faraó e dos egípcios. Mas ali, o Eterno não apenas quebrou correntes, Ele estabeleceu um padrão, um princípio estabelecido. Observe o texto em Shemot 12:22-24 diz:


Molhem um feixe de hissopo no sangue que estiver na bacia e passem o sangue na viga superior e nas laterais das portas. Nenhum de vocês poderá sair de casa até o amanhecer. Quando o Eterno passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta; e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los. Guardem isso como lei, vocês e seus descendentes, para sempre.


Pessach nos ensina sobre a importância da emunah (fé, confiança), da redenção e da responsabilidade de transmitir nossa herança para as futuras gerações. É um tempo de renovação e reconhecimento da libertação que o Eterno concede a Seu povo. Vemos nos versos acima que o sangue do cordeiro teve que ser colocado nas vigas superiores e nas laterais das portas. E ninguém podia sair de casa.

A porta marcada separava vida e morte, obediência e desobediência, dentro e fora. Ou seja, mostrava a escolha. As pessoas tinham que escolher obedecer e marcar a porta ou não. Tinham que escolher ficar dentro de casa e ser protegido ou sair e correr o risco. O Eterno deu a escolha obedecer e passar da porta marcada para dentro ou passar da porta para fora.

A redenção começa com um ato simples, mas profundo: ficar do lado certo da porta. E após isso? Começa o caminho. Para os que ficaram do lado certo da porta a liberdade chegou. Entraram no caminho em direção ao Eterno e sua palavra.


2. O Ensino Ampliado

Os profetas reforçaram, em seu tempo, que o Eterno sempre busca conduzir o povo de volta ao caminho observe por exemplo Yirmeyahu 6:16:


Eis o que o Eterno diz: Parem de nas encruzilhadas e observem; perguntem acerca dos caminhos antigos: Qual é o bom caminho? Sigam-no, e vocês acharão descanso para a alma. Mas eles dizem: Nós não iremos por ele.


Outro texto está em Yeshayahu 26:19:


Os teus mortos viverão, os cadáveres ressuscitarão; despertem e cantem vocês que habitam no pó; pois teu orvalho é como o orvalho da manhã, e a terra trará as pessoas à vida.


A vida sempre está ligada ao retorno ao caminho do Eterno, tanto de forma profética como literal. Os textos que lemos acima nos mostram exatamente isso. O primeiro em Yirmeyahu 6:16 mostra que a intenção do Eterno é que seu povo se volte para seu caminho. Isso é bem interessante, guarde esse termo “caminho” que o Eterno quer que as pessoas sigam. Depois lemos em Yeshayahu 26:19 que os mortos viverão e cadáveres ressuscitarão, pois a terra trará espíritos à vida. São intenções e promessas do Eterno para seu povo, a Casa de Yisrael, a casa de Yehudah e aos que se achegam.

Agora observe algo interessante nas palavras de Yeshua mencionada por Matitiahu 11:28-30:


Venham a mim, todos os que passam por lutas e estão sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para vossas almas. Pois meu jugo é suave e minha carga é leve.


Yeshua neste ensino está mostrando que seu ensino de Torá pode libertar das cargas, como o povo estava no Egito, pois ele traria descanso para as almas. Ele está mostrando as características do que fez o cordeiro de Pessach, e mostraremos mais à frente. Porém, de onde ele tira essa fala? Se você voltar um pouco acima, no verso de Yirmeyahu 6:16, perceberá que lá o Eterno usando o profeta fala: “...e vocês acharão descanso para a alma… a mesma forma que Yeshua usou. E isso mostra com clareza que Yeshua não falava dele mesmo, pois como Mashiach era profeta e, portanto, usado como instrumento do Eterno. O verbo falava pela boca de Yeshua também. Suas palavras não eram invenção e nem estavam desligadas do TaNaK.

Encontramos outra palavra de Yeshua ligada a esse assunto, Yochanan o shaliach em seu relato das palavras de Yeshua mostra algo importante, observe:


Então Yeshua lhes disse de novo: Sim, afirmo que eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não lhes deram ouvidos. Eu sou a Porta; se alguém entrar por mim, estará seguro; entrará e sairá, e encontrará pastagem.” Jo 10:7-9


Yochanan também registra uma outra fala de Yeshua no capítulo 14:6, que está intimamente ligada com nosso assunto, veja:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida...”


Uma tradução mais fiel deste texto seria: “Eu sou o caminho que leva à verdade e à vida.” Mas será que ele fala isso desconectado do Eterno e de sua Palavra, o TanaK? É muito claro que não, e sempre temos visto que Yeshua sempre se refere ao TaNaK. Se buscarmos entender corretamente seus ensinos no contexto original, compreenderemos:

  • Caminho → Torá (Tehillim 119:1)

  • Verdade → Torá (Tehillim 119:142)

  • Vida → vem do Eterno (Devarim 30:20)

Então Yeshua não está criando algo novo, ele está mostrando que como mashiach ensinando a Torá:

- vive o caminho.

- ensina o caminho.

- chama outros para entrar por essa “porta”, que leva ao caminho.

Matitiahu também relata um ensino de Yeshua sobre a porta que está relacionado ao nosso assunto, observe:


Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem. Mt 7:13-14

o Shaliach Sha’ul diz em sua epístola aos Corítios, em Qorintiyim Alef 5:6-8:


Sua vanglória não é boa. Vocês não conhecem o ditado: é necessário apenas uma pitada de hametz para fermentar toda a massa? Livrem-se do velho hametz, para poderem ser uma nova massa, porque na verdade vocês estão sem fermento. Pois nosso cordeiro de Pessach, o mashiach, foi sacrificado. Dessa forma, celebremos o seder sem qualquer vestígio de hametz da impiedade e do mal, mas com a matzah da pureza e da verdade.


Algumas pessoas, por falta de uma interpretação correta, no contexto original, afirmam que aqui é uma demonstração de que Sha’ul não estava falando corretamente, pois diz que o mashiach foi o cordeiro de pessach, e em algumas traduções diz: “...o mashiach, nosso pessach…”. Contudo, se eu parar e entender essa fala de Sha’ul dessa forma é literal e o mashiach foi sacrificado sendo um cordeiro, então preciso também entender literalmente, que da mesma forma, ele estava dizendo que os crentes em Corinto eram uma massa de pão quando ele diz: “...vocês estão sem fermento…”. Isso é a simples interpretação judaica chamada Kal V’homer, ou seja, leve e pesado, que diz: se uma coisa é verdade no nível menor será verdade no maior e vice e versa. Assim, se Sha’ul não estava dizendo que as pessoas de Corinto eram uma massa de pão, então também não estava dizendo que o mashiach era o cordeiro de pessach. Ele estava seguindo o padrão do TaNaK.

Aqui está a chave:

    • Pessach → libertação

    • Matsá → pureza

    • Vida → sem fermento (sem corrupção)

Sha’ul usa Pessach como linguagem viva para dizer: “Vivam como quem já atravessou a porta.” Isso é muito importante! O princípio estabelecido em Pessach foi ampliado pelos profetas, por Yeshua e seus talmidim. Está tudo muito claro quando se estuda corretamente e com boa vontade. Agora, vamos para o último ponto deste estudo compreender o Pessach na prática hoje.


3. Como viver Pessach na prática

Tudo que vimos até aqui é muito bem ligado pelas Escrituras e pelos escritos nazarenos, mas estamos falando de algo que não se enquadra mais na atualidade. O Pessach e as demais festas foram estabelecidos para uma época que tinha o Mishkan e o Beit Hamikdash posteriormente, mas hoje não temos mais. Como entender Pessach na atualidade?

Sim, realmente, desde o ano 70 d.EC, quando Roma destruiu o templo e os judeus foram espalhados pelo mundo antigo, até hoje não se tem mais o templo. No entanto, isso só prova que os korbanot estabelecidos nunca foram o fim em si mesmos. Como já dissemos em parashiot anteriores, o Eterno estabeleceu princípios através dos mandamentos dos korbanot. E talvez você pergunte: Quando não há o Beit HaMikdash, o que resta?

O Eterno já havia declarado pelos profetas que haveria tempos sem altar visível, veja em Hoshea 3:4:


Pois o povo de Yisrael permanecerá recluso por um longo tempo sem rei, príncipe, sacrifício, coluna, roupa ritual ou deuses domésticos.”


E ainda assim, o povo não seria abandonado leia o verso seguinte:


Mais tarde, o povo de Yisrael se arrependerá e buscará o Eterno, seu Elohim, e David, seu rei; eles virão tremendo até o Eterno e sua bondade no acharit-hayamim (fim dos dias ou últimos dias). Hoshea 3:5


Interessante aqui é a clara demonstração dos níveis de uma profecia. Quando essas palavras foram faladas pelo profeta, a Casa de Yisrael ainda não tinha sido deportada pelos assírios. E nem a Casa de Yehudah pelos babilônios. Então no devido tempo histórico ambos foram deportados e com o tempo a Casa de Yehudah retornou, mas não a Casa de Yisrael, ou seja, a profecia ainda não tinha se cumprido totalmente. Mais tarde, Yehudah foi expulsa de sua terra pelos romanos, e hoje muitos já voltaram à terra mas ainda há muitos yhudim pelo mundo e os remanescentes da Casa de Yisrael ainda estão sendo despertados. A profecia em sua completude ainda irá se cumprir.

Ele mesmo nos mostra o caminho: Hoshea 14:2-3 - “Tomai convosco palavras, e convertei-vos ao Eterno... e ofereceremos os novilhos dos nossos lábios.”

Observe não há novilhos físicos mas há palavras, confissão e retorno. O que fazemos neste tempo sem templo é descrito em Tehillim 51:16-17 “Porque não Te comprazes em sacrifício...Os sacrifícios para o Eterno são um coração quebrantado…”. E também: Tehillim 34:18 “Perto está o Eterno dos quebrantados de coração…”. O princípio nunca mudou, mesmo quando havia o templo, isto já era verdade, como lemos em Shmuel Alef 15:22: “Eis que obedecer é melhor do que sacrificar...” e Micha 6:6-8: “...foi-te declarado o que é bom: fazer justiça, amar misericórdia e andar humildemente com o Eterno.”

As festas hoje são memoriais, pois não temos o templo para oferecer os sacrifícios. Assim, embora hoje não haja Beit HaMikdash, mas ainda há porta. E a pergunta permanece: Onde você está, dentro ou fora? Viver Pessach hoje é:

  • Fazer teshuvah (Hoshea 14:2)

    Abandonar o fermento (pecado)

    Escolher o caminho do Eterno diariamente

Em Yeshayahu 1:16-17 lemos:


Lavem-se! Afastem seu mau procedimento da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Procurem a justiça, aliviem os oprimidos, defendam os órfãos, pleiteiem pela viúva.


Hoje buscamos perdão e purificação conforme estamos vendo pelas Escrituras, pois mostram o caminho claro:

- Teshuvah (retorno verdadeiro).

- Confissão sincera.

- Abandono da transgressão.

- Obediência aos mandamentos.

E o próprio Eterno mostra em Yeshayahu 1:18: “Venham, então diz o Eterno, conversemos sobre isso. Ainda que seus pecados sejam como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, eles se tornarão como lã.

A porta continua aberta. Mas não se entra apenas com palavras, entra-se com decisão. E qual o papel do mashiach nesse tempo? Através de seus ensinos ele chama ao arrependimento, ensina a obedecer e guia o povo de volta ao Eterno, que perdoa o povo e os recebe como seus servos. Não há sacrifícios físicos mas há coração quebrantado e retorno verdadeiro. E isso o Eterno aceita.

Concluindo nosso estudo, vimos que Pessach não é apenas passado. É uma realidade que se repete em cada geração. O Eterno ainda marca portas, chama para sair e aponta o caminho. Faz isso através de sua palavra ensinada pelo mashiach. E o homem ainda precisa escolher.

O cordeiro aponta para obediência, entrega, confiança no Eterno. O caminho continua sendo o mesmo que lemos lá Devarim 30:19: “Escolhe, pois, a vida para que vivas…”. A porta está diante de ti. A questão não é se ela existe. A questão é: Você vai entrar?

Que o Eterno lhes abençoe.

Moshê Ben Yosef



quinta-feira, 26 de março de 2026

Estudo da Parashá Tsav - Cuidado com Palavras Falsas

 


Estudos da Torá

Parashá nº 25 – Tsav (Ordena)

Vayicrá/Levítico 6:1-8:36

Haftará (separação) Jr 7:21-8:3 e 9:22-24

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mc 12:28-34; Rm 12:1,2.


Cuidado com Palavras Falsas


Vivemos dias em que palavras são abundantes, mas nem todas carregam verdade. Há discursos religiosos, declarações de devoção, práticas externas que parecem corretas, mas será que correspondem a um coração verdadeiramente alinhado com o Eterno?

Na parashá Tsav, o Eterno nos ensina sobre o fogo que nunca deve se apagar no altar. Já na haftará em Yirmeyahu 7, somos confrontados com um povo que mantinha o culto, mas havia se afastado da obediência verdadeira. Entre esses dois textos, surge um alerta poderoso: É possível manter o altar aceso… e ainda assim viver sustentado por palavras falsas.

Este estudo é um chamado à sinceridade, à obediência e à vigilância.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Nesta semana meditamos na parashá Tsav onde o Eterno aprofunda as instruções dadas anteriormente sobre o serviço no altar e a consagração daqueles que ministram diante d’Ele.

O texto começa com uma ênfase muito forte na responsabilidade contínua dos kohanim em relação às ofertas. Diferente da porção anterior, aqui o foco não está apenas no ofertante, mas principalmente naquele que serve no altar. O Eterno ordena que Aharon e seus filhos cuidem diligentemente de cada detalhe do serviço, mostrando que aquilo que é consagrado exige zelo constante.

Um dos pontos centrais é a instrução de que a oferta queimada, a oláh ou holocausto, deve permanecer sobre o altar durante toda a noite até a manhã, e o fogo não pode se apagar. Todas as manhãs, o kohen deve colocar lenha nova e organizar o altar novamente. Isso revela que o serviço ao Eterno não é algo momentâneo, mas contínuo, exigindo disciplina, constância e vigilância diária.

Também são detalhadas as instruções sobre a minchá, a oferta de cereais, que deveria ser apresentada sem fermento, sendo parte queimada ao Eterno e parte consumida pelos kohanim em lugar santo. O mesmo ocorre com as ofertas pelo erro, a chatat, e pela culpa, a asham, que são consideradas santíssimas e devem ser tratadas com extremo cuidado. O texto deixa claro que aquilo que toca o que é santo também se torna santo, mostrando a seriedade da proximidade com o altar.

A porção ainda aborda a oferta de paz, o zevach shelamim, trazendo instruções sobre como e quando ela deve ser consumida, reforçando a importância da pureza e da obediência.

Outro ponto importante é a ênfase nas vestes dos kohanim e na forma correta de lidar até mesmo com as cinzas do altar. Nada é tratado como comum; tudo é feito com reverência, ordem e santidade. Isso nos ensina que não há “pequenos detalhes” quando se trata do serviço ao Eterno.

Na segunda parte da parashá, vemos a consagração de Aharon e seus filhos. Moshe, conforme ordenado, reúne toda a congregação e inicia o processo: eles são lavados com água, vestidos com as vestes sagradas, ungidos com óleo e apresentados diante do Eterno por meio de ofertas. O sangue das ofertas é colocado sobre partes específicas do corpo de Aharon e seus filhos, sendo elas orelha, polegar e pé, indicando que todo o seu ser deveria estar dedicado ao serviço: ouvir, agir e andar segundo as instruções do Eterno.

Esse processo de consagração dura sete dias, durante os quais eles permanecem à entrada da tenda da congregação, guardando o encargo do Eterno. Isso demonstra que servir ao Eterno não é algo leviano, mas exige preparação, separação e total entrega.

Ao meditarmos em Tsav, percebemos que o Eterno não busca apenas atos externos, mas um coração comprometido com a obediência contínua. O fogo no altar, que nunca deve se apagar, nos ensina que nosso zelo, nossa dedicação e nosso compromisso com as instruções do Eterno também devem ser constantes.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Ao estudarmos a Torá com mais atenção, temos a grata oportunidade de perceber que, o início da parashá apresenta um princípio essencial: o fogo deve ser mantido aceso continuamente. E isso não é opcional, não é ocasional. Esse fogo é um apontamento profético, ele representa:

    • A presença do Eterno;

    • A continuidade do serviço ou culto; e

    • A responsabilidade humana.

Entretanto quando olhamos para a haftará, encontramos um cenário preocupante, vemos uma oposição. O povo ainda oferecia os sacrifícios, conforme lemos no início do capítulo dessa haftará, mas estava acontecendo algo que não devia, e por isso o Eterno declara:


Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Eterno, Templo do Eterno, Templo do Eterno é este.” Yirmeyahu 7:4.


Aqui entramos no tema central: o perigo de viver sustentado por palavras falsas enquanto se mantém uma aparência de devoção. Então na sequência, referida a esta porção, vemos o Eterno usando o profeta para falar algo extremamente forte:


Assim diz o Eterno dos Exércitos, o Elohim de Yisrael: Juntem os seus holocaustos aos outros sacrifícios e comam a carne vocês mesmos! Quando tirei do Egito os seus antepassados, nada lhes falei nem lhes ordenei quanto a holocaustos e sacrifícios. Dei-lhes, entretanto, esta ordem: Obedeçam-me, e eu serei o seu Elohim e vocês serão o meu povo. Vocês andarão em todo o caminho que eu lhes ordenar, para que tudo lhes vá bem. Jeremias 7:21-23


Nesse texto há uma aparente contradição com a Torá, no entanto, ao estudar o texto desde o início, vemos que o Eterno está mostrando a importância de se ouvir suas palavras. O que o Eterno está dizendo é claro: os sacrifícios nunca foram o fim em si mesmos. Eles sempre dependeram de um fundamento maior, isto é, ouvir e obedecer à Sua voz. O povo estava mantendo o “fogo aceso” externamente, mas o coração estava apagado.

Os sábios do povo de Israel entenderam claramente que os korbanot nunca foram o objetivo final. No Talmud, é dito que:


O Santo, Bendito seja Ele, busca o coração, e o barômetro da grandeza é a devoção do coração e não a quantidade de Torá que se estuda, como está escrito: Mas o Eterno olha para o coração.” Tratado Sanhedrin 106b


O Talmud explica que, embora alguém seja brilhante e conheça profundamente a Torá, pode faltar-lhe a intenção correta e a pureza de sentimentos. A ideia central é que o estudo acadêmico ou a prática externa não valem tanto quanto a sinceridade e a devoção interna. Para o pensamento talmúdico, a conexão com o divino não é apenas um exercício de lógica ou de rituais mecânicos, mas algo que deve nascer de uma intenção genuína. E para o Messias, o “coração” não é apenas sentimento, mas a sede da vontade e das decisões.

Isso ecoa diretamente o que já está escrito em Shemuel Alef 15:22: “Eis que obedecer é melhor do que sacrificar.” Ou seja, a haftará em Yirmeyahu 7 não está anulando os sacrifícios de Vayicrá, mas recolocando-os no seu devido lugar. Os sábios ensinam que o sacrifício só é aceito quando vem acompanhado de teshuvá (arrependimento/retorno) e obediência.


1. O altar ativo e o coração distante

Na parashá, o Eterno fala a Moshê estabelecendo como deve funcionar: o altar, o fogo, os sacrifícios. Tudo é descrito em detalhes, como oferecer, quando oferecer, quem pode comer, como se consagrar. O foco está na obediência precisa às instruções do Eterno. O altar não é apenas um lugar de sacrifício, mas de relacionamento baseado em submissão e fidelidade, conforme vimos a semana passada. Sendo assim, o povo sabia a vontade do Eterno, mas em Yirmeyahu, o Eterno o usa para denunciar como o povo estava vivendo, conforme já lemos acima:


Porque não falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, acerca de holocaustos e sacrifícios; mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à Minha voz…” Yirmeyahu 7:22-23


O problema não era o altar, nem o ritual ou as ofertas. Era o coração. A relação entre Tsav e essa haftará é um alerta, pois na parashá aprendemos como acender e manter o fogo, ou seja, como nos aproximarmos do Eterno. Já em Yirmeyahu, aprendemos que de nada adianta o fogo aceso se não houver obediência verdadeira.

O povo nos dias de Yirmeyahu oferecia sacrifícios mas vivia em desobediência. Praticavam injustiça, não ouviam a voz do Eterno, por isso, o Eterno rejeitou o culto deles.


2. O que ensinam os profetas, os sábios, Yeshua e os talmidim

Podemos observar o que alguns homens do Eterno através do tempo disseram a respeito desse assunto. Os profetas sendo usados por HaShem foram diretos:


Eis que obedecer é melhor do que sacrificar.” Shemuel Alef 15:22


Ele te declarou, ó homem, o que é bom: praticar justiça, amar a bondade e andar humildemente com o teu Elohim.” Mikha 6:8


Os sábios de Israel ensinaram que o Eterno deseja o coração alinhado com Suas instruções, não apenas ações externas, conforme diz o Talmud tratado Tamid 29b, vemos:


Todas as árvores são apropriadas para o altar… assim, o fruto salva a árvore.”


Isso aponta para a responsabilidade pessoal. Yeshua reforça esse mesmo ensino:


Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” Matityahu 7:19-20


E ainda:

Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim.” Yeshua citando Yeshayahu 29:13 em Matityahu 15:8, ao responder aos fariseus que o questionaram sobre seus talmidim não fazerem a Netilat Yadayim cerimonial antes de comer. Os líderes religiosos estavam dando mais importância à halachá criada do que a Torá em si. Muitas vezes, a tradição humana (Halachá) acabou se tornando um peso maior do que a própria essência da Torá. Yeshua nos chama de volta ao fundamento: a obediência que nasce do amor, e não apenas do costume.

Os talmidim também ensinam: “Não extingais o fogo.” 1 Tessalonicenses 5:19. Aqui vemos que o padrão estabelecido pela Torá, ainda era seguido:

- Palavra sem prática = sheker (mentira) = hipocrisia

- Obediência com verdade = Palavra com prática = emet (verdade)

Observe o conceito hebraico de “palavras falsas”, essa expressão vem da ideia de “divrei sheker” - דברי שקר.

- Sheker - שקרindica falsidade, mentira, ilusão, algo sem fundamento real. Em sua raiz hebraica, isso carrega a ideia de algo instável, sem sustentação, desconectado da verdade – emet – אמת.

- Emet - אמתindica verdade firme, aquilo que permanece, que é fiel ao Eterno. Por falar nisso, no blog eu postei um estudo ensinando que “A mentira não combina com a Torá, veja neste link: https://souperegrinonaterra.blogspot.com/2026/03/a-mentira-nao-combina-com-tora.html

Por isso, quando analisamos esses pormenores percebemos que palavras falsas não são apenas mentiras explícitas, são também discursos religiosos que não correspondem à prática.


3. Como viver isso hoje

Atualmente, o perigo do esfriamento e da hipocrisia continua o mesmo:

- Falar do Eterno e de sua Palavra, mas não obedecer.

- Participar do serviço, mas não ser transformado.

- Conhecer as Palavras do Eterno, mas não praticar.

Contudo, alguém pode se perguntar: Como viver corretamente? E a resposta é bem prática, veja:

- Alimentando o fogo diariamente: “Antes tem o seu prazer na Torá do Eterno, e na sua Torá medita de dia e de noite.” Tehilim 1:2

- Guardando o coração: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração…” Mishlei 4:23

- Praticando justiça: “Repartas o teu pão com o faminto…” Yeshayahu 58:7

- Vivendo com verdade: Não apenas palavras, mas uma vida coerente.

É muito pertinente a relação dessa parashá com a haftará, pois elas são um alerta direto para nossas vidas ainda hoje, a fim de nos ensinar como servir e como não corromper esse serviço. Percebemos que os sábios resumem essa relação mostrando que o altar sem obediência é rejeitado e o fogo sem justiça é apagado pelo próprio Eterno.

Concluindo nosso estudo, aprendemos que o ensino da Torá e dos profetas, incluindo Yeshua e seus talmidim, são um só: O Eterno não busca apenas ações corretas, ele busca corações alinhados com Suas instruções. Somos alertados a manter o fogo aceso e não vivermos de palavras falsas.

O Eterno não se agrada de aparência. Ele busca verdade, como está escrito:


Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em Me entender e Me conhecer, que Eu sou o Eterno, que faço bondade, juízo e justiça na terra.” Yirmeyahu 9:24


Portanto, a pergunta permanece: O seu fogo está aceso? Ou você está sustentando sua vida com palavras sem prática? Que abandonemos todo divrei sheker (palavra mentirosa) e vivamos em emet (verdade) diante do Eterno.

Que o Eterno lhes abençoe.

Moshê Ben Yosef