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quarta-feira, 18 de março de 2026

Estudo da Parashá Vayicrá - O Eterno ensina a nos aproximarmos Dele

 


Estudos da Torá

Parashá nº 24 – Vayicrá (E chamou)

Vayicrá/Levítico 1:1-5:26

Haftará (separação) Is 43:21-44:23 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Rm 8:1-13.


O Eterno ensina a nos aproximarmos Dele


Entre todas as porções da Torá, Vayicrá é uma das mais desafiadoras para o leitor moderno. Muitos, ao iniciar sua leitura, se confundem, pois encontram uma sequência detalhada de ofertas, animais, farinha, azeite e procedimentos do Mishkan. À primeira vista, pode parecer um texto distante da nossa realidade.

Mas quando olhamos com atenção, percebemos algo profundamente humano escondido nessas instruções. O livro não começa com um mandamento rígido ou uma advertência severa. Ele começa com um chamado. Está escrito: “E chamou o Eterno a Moshe, e falou com ele desde a Tenda do Encontro.” (Vayicrá 1:1). Essa simples frase revela uma verdade poderosa: o Eterno chama o ser humano para perto Dele.

A Parashá Vayicrá não é apenas sobre sacrifícios. Ela é, na verdade, um ensino divino sobre como restaurar a proximidade entre o homem e o Criador. Quando olhamos para os ensinamentos dos profetas, dos sábios de Israel, de Yeshua e de seus talmidim, percebemos que todos apontam para a mesma direção, pois o Eterno deseja um povo que se aproxime Dele com um coração sincero, vivendo em obediência às Suas instruções.

Este estudo nos convida a olhar para Vayicrá com novos olhos e compreender uma mensagem que atravessa toda a Escritura: O Eterno nos ensina a nos aproximarmos Dele.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Vayicrá abre o terceiro livro da Torá e foca quase inteiramente no sistema de sacrifícios no Tabernáculo. Para quem olha de fora, pode parecer um manual técnico e antigo, mas o pensamento judaico enxerga aqui a base da nossa relação com HaShem.

O nome da parashá, Vayicrá, significa E Ele chamou. O Eterno chama Mos antes de falar com ele. Os sábios explicam que esse chamado é um gesto de carinho e intimidade. Não é uma ordem seca, mas um convite.

Um detalhe famoso no rolo da Torá é que a última letra da palavra Vayicrá (o Aleph) é escrita em tamanho menor. Isso simboliza a humildade de Moshê. Mesmo sendo o maior profeta, ele se via como alguém pequeno diante da grandeza de HaShem, e essa é a postura necessária para qualquer crescimento espiritual.

No pensamento judaico, o objetivo do ritual não era "dar um presente" ao Eterno ou "acalmar uma divindade", pois HaShem não precisa de nada material. O objetivo era fazer com que a pessoa que oferece o sacrifício se aproximasse de sua própria essência e do Criador. O animal ali representava os instintos animais do homem que precisavam ser refinados e elevados.

A parashá detalha cinco categorias principais de ofertas:

Olah (Ascensão): Era totalmente queimada no altar. Representa a entrega total e o desejo de se elevar acima do egoísmo.

Minchá (Refeição): Feita de farinha e azeite. Era a oferta do pobre. O Talmud diz que Deus considera essa oferta como se a pessoa estivesse oferecendo a própria alma, pois, para quem tem pouco, um punhado de farinha é muito valioso.

Shelamim (Paz): Uma oferta de gratidão partilhada. Parte ia para o altar, parte para os sacerdotes e parte para quem a trazia. Simboliza a harmonia entre o sagrado e o cotidiano.

Chatat (Pecado) e Asham (Culpa): Eram trazidas por erros cometidos sem intenção. Isso ensina uma lição psicológica poderosa: o erro não define quem você é, ele pode ser corrigido e a conexão pode ser restaurada.

A Torá exige que o sal esteja presente em todas as ofertas. O sal é o que preserva e nunca estraga. Ele simboliza a Aliança de Sal, a ideia de que o vínculo entre o ser humano e o Divino é eterno e imutável, independentemente das oscilações da vida.

Vayicrá nos ensina que o ritual externo só tem valor se houver uma intenção interna (Kavaná). Sem o arrependimento sincero ou a vontade real de conexão, o sacrifício seria apenas um ato mecânico. A lição que fica para hoje, onde não temos mais o Templo, é que nossas orações e atitudes justas ocupam o lugar desses sacrifícios como ferramentas de aproximação.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Quando olhamos para a Parashá Vayicrá, percebemos algo muito profundo, pois o Eterno não apenas dá instruções sobre ofertas, Ele ensina o ser humano a voltar para perto Dele.

Após a saída de Yisrael do Egito, o povo caminhou pelo deserto até chegar ao momento em que o Mishkan foi estabelecido. No final do livro de Shemot, a presença do Eterno encheu o Mishkan de tal forma que nem mesmo Moshê podia entrar. Isso levantava uma pergunta inevitável: Como o ser humano pode se aproximar do Eterno?

A resposta começa no primeiro versículo de Vayicrá. O Eterno chama Moshê e passa a ensinar como o povo pode se aproximar Dele através dos korbanot. Aqui encontramos um conceito hebraico essencial para compreender essa parashá. A palavra korban (קרבן) vem da raiz karav (קרב), que significa aproximar-se. Portanto, um korban não é simplesmente um “sacrifício”. Ele é, essencialmente, um meio de aproximação.

Dentro desse entendimento, podemos perceber também como essa parashá se conecta com a missão do Mashiach de Yisrael, conforme anunciado pelos profetas, vivido por Yeshua, e ensinado pelos shaliachim.

Os korbanot descritos em Vayicrá eram meios dados pelo Eterno para restaurar a proximidade quando algo quebrava o relacionamento entre o homem e Ele. Cada oferta descrita revela um aspecto do relacionamento entre o homem e o Eterno:

    • entrega

    • arrependimento

    • gratidão

    • responsabilidade

    • comunhão

Por exemplo:

    • Chatat tratava de erros involuntários.

    • Asham tratava de culpa quando alguém prejudicava outra pessoa.

    • Shelamim expressava comunhão e paz.

Assim, vemos que tudo isso mostra algo essencial, pois o problema central não era apenas o erro em si, mas a distância que ele criava entre o homem e o Eterno. Por isso o Eterno diz em Yeshayahu 59:2: “As vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Elohim.”

Portanto, Vayicrá não trata apenas de rituais. Ela revela o caminho pelo qual o ser humano pode restaurar sua proximidade com o Eterno.


1. O contexto da aproximação na Torá

A Parashá Vayicrá apresenta cinco tipos principais de ofertas:

    • Olah

    • Minchá

    • Shelamim

    • Chatat

    • Asham

Cada uma delas revela uma dimensão da aproximação ao Eterno, e mais adiante voltaremos a esse ponto ao relacioná-las com o Mashiach.

Assim, o sistema dos korbanot ensinava uma jornada espiritual:

    1. reconhecer o erro

    2. retornar ao Eterno

    3. restaurar a comunhão


2. O ensino dos profetas, dos sábios, de Yeshua e dos talmidim

Os profetas de Yisrael deixaram claro que os korbanot nunca foram um fim em si mesmos. O Eterno sempre desejou algo mais profundo, isto é, um coração transformado.

O profeta Shmuel declarou: “Tem porventura o Eterno tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à voz do Eterno? Eis que obedecer é melhor do que sacrificar.” (Shmuel Alef 15:22). Dentro do contexto em que essas palavras foram ditas, a mensagem profética fica ainda mais forte.

O profeta Hoshea também afirmou: “Pois misericórdia quero e não sacrifício, e o conhecimento do Eterno mais do que holocaustos.” (Hoshea 6:6).

Essas palavras mostram que o verdadeiro propósito das ofertas era conduzir o homem a um relacionamento verdadeiro com o Eterno. Esse mesmo entendimento aparece nos ensinamentos de Yeshua. Em certo momento ele fez um midrash diretamente de Hoshea: “Ide, porém, e aprendei o que significa: misericórdia quero e não sacrifício.” (Mattityahu 9:13).

Yeshua estava chamando o povo a voltar ao coração da Torá. Ele ensinava que a verdadeira aproximação ao Eterno envolve amar ao próximo, viver em justiça e obedecer às instruções divinas. Ele declarou: “Amarás o Eterno teu Elohim de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento… e amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mattityahu 22:37–39).

Os talmidim continuaram ensinando esse mesmo princípio. Shaul escreveu: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia do Eterno, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável ao Eterno.” (Romim 12:1). A ideia permanece a mesma: a vida do homem deve tornar-se uma oferta ao Eterno.

Até mesmo os sábios de Israel reconheceram essa verdade. Na obra chamada Avot de Rabbi Natan, no capítulo 4, seção 5, está registrado o ensino de Rabban Yochanan ben Zakkai que diz: “Temos outro meio de expiação que é como os sacrifícios: os atos de bondade.” Isso ecoa a mensagem dos profetas.


3. A Relação dos Korbanot com a missão do Mashiach

Quando observamos os korbanot da Parashá Vayicrá, percebemos, conforme vimos acima, que cada um deles revela um aspecto da jornada humana de retorno ao Eterno. Ao mesmo tempo, esses elementos ajudam a compreender melhor a missão do Mashiach de Yisrael, que chama o povo ao arrependimento, à retidão e à aproximação verdadeira com HaShem.

Observemos três conexões profundas entre os korbanot e a missão do Mashiach conforme revelado nas Escrituras.

- Olah – entrega total ao Eterno

A Olah era uma oferta totalmente consumida pelo fogo do altar. Nada era guardado para o ofertante. Isso simbolizava entrega completa ao Eterno. A pessoa que trazia essa oferta declarava, de forma prática: “Minha vida pertence ao Eterno.”

Os profetas já ensinavam que essa entrega deveria ser interior. Em Tehilim 40:8–9 está escrito: “Agrada-me fazer a Tua vontade, meu Elohim; as Tuas instruções estão dentro do meu coração.”

A missão do Mashiach também aponta para esse mesmo caminho. Yeshua viveu completamente dedicado ao Eterno, ensinando que o verdadeiro servo deve buscar primeiro fazer a vontade de HaShem. Ele disse: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou.” (Yochanan 4:34).

Assim, a Olah nos ensina que seguir o Mashiach significa viver uma vida entregue ao Eterno.

- Chatat – reconhecimento do erro e retorno

A oferta Chatat tratava de erros cometidos sem intenção. Isso revela uma verdade profunda sobre a natureza humana: mesmo quando desejamos fazer o bem, muitas vezes falhamos. A Torá ensina que, quando isso acontece, o caminho não é esconder o erro, mas reconhecê-lo e retornar ao Eterno.

Os profetas reforçaram isso. Em Mishlei 28:13: “O que encobre suas transgressões não prosperará, mas o que as confessa e abandona alcançará misericórdia.”

A missão do Mashiach também envolve chamar o povo a esse retorno. Desde o início de seu ministério, Yeshua proclamava a teshuvá, convidando as pessoas a se voltarem novamente ao Eterno. Ele se aproximava de pessoas que sabiam que tinham errado e lhes dizia para mudarem de caminho e viverem em justiça. Assim, a Chatat nos lembra que o Eterno sempre abre um caminho de retorno para quem se humilha diante Dele.

- Shelamim – comunhão e paz

A oferta Shelamim era muito especial. Parte dela era oferecida no altar, parte era comida pelos sacerdotes e parte pelo ofertante. Era uma refeição de celebração. Ela simbolizava shalom, isto é, paz, harmonia e comunhão com o Eterno. Isso nos lembra o que está escrito em Tehilim 85:10: “A bondade e a verdade se encontraram, a justiça e a paz se beijaram.”

A missão do Mashiach também envolve restaurar essa shalom entre o homem e o Eterno, e também entre as pessoas. Por isso Yeshua ensinou: “Bem-aventurados os que promovem a paz.” (Mattityahu 5:9).

Seguir o Mashiach significa viver reconciliado com o Eterno e buscar paz com o próximo. E quando colocamos essas três ofertas lado a lado, vemos um caminho espiritual muito claro:

- Olah – dedicar a vida ao Eterno.

- Chatat – reconhecer erros e fazer teshuvah.

- Shelamim – viver em paz e comunhão.

Esse é exatamente o caminho que o Mashiach de Yisrael deveria ensinar, e de fato ensinou ao povo, já que entendemos ser Yeshua. Assim, os korbanot nessa parashá, não tratam apenas de rituais, mas de apontamentos para transformação da vida.


4. A aplicação para a atualidade

Hoje não temos o Mishkan nem o altar físico e local em Yerushalayim. Mas a mensagem de Vayicrá continua viva. O Eterno ainda chama o ser humano para perto. E o messias que ele enviou ensinou as pessoas a seguirem este padrão. A aproximação ao Eterno hoje acontece quando vivemos as Suas instruções com sinceridade, da mesma forma que o Mashiach viveu e ensinou. O profeta Mikhah resume isso de forma extraordinária: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom: praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com teu Elohim.” (Mikhah 6:8).

Isso significa que a aproximação ao Eterno acontece no cotidiano:

    • quando escolhemos a justiça

    • quando tratamos o próximo com bondade

    • quando obedecemos aos mandamentos com sinceridade

Cada ato de obediência é, de certa forma, um korban vivo. A vida inteira se torna uma oferta de dedicação ao Eterno.

Concluindo nosso estudo, vimos que a Parashá Vayicrá começa com um chamado: “E chamou o Eterno a Moshê…”(Vayicrá 1:1). Esse chamado não foi apenas para Moshê. Ele ecoa através das gerações.

O Eterno continua chamando cada pessoa a se aproximar Dele. Os ensinos de Yeshua ecoam até hoje, nos mostrando o caminho pavimentado pela Torá a fim de nos direcionar a presença de HaShem. Vayicrá nos ensina que a aproximação ao Eterno não acontece apenas por rituais, mas por uma vida transformada. Os profetas ensinaram isso. Os sábios reconheceram isso. Yeshua reafirmou isso. Os talmidim viveram isso.

A verdadeira aproximação acontece quando o coração humano responde ao chamado do Eterno. E então a pergunta que fica para cada um de nós é simples, mas profunda: Estamos apenas observando as instruções do Eterno à distância ou estamos realmente nos aproximando Dele?

Pois como está escrito em Devarim 11:1: Quem ama o Eterno guarda os Seus mandamentos.

E aquele que se aproxima do Eterno encontra vida, restauração e shalom.

Que o Eterno lhes abençoe.

Moshê Ben Yosef


A Mentira não combina com a Torá

 


A Mentira não combina com a Torá

Entre todas as instruções do Eterno reveladas nas Escrituras, poucas são tão claras quanto o chamado para viver na verdade. A mentira não é tratada apenas como um erro moral ou social, mas como algo profundamente incompatível com o caráter do próprio Eterno. Quando alguém afirma servir a HaShem, estudar a Torá e seguir Seus mandamentos, mas mantém o hábito de mentir, surge uma contradição grave. Este estudo busca examinar, à luz das Escrituras, o contraste entre verdade e mentira, compreender os conceitos hebraicos envolvidos e refletir sobre por que a mentira não pode coexistir com uma vida de obediência ao Eterno. Pense na seguinte frase: A mentira é abominação diante do Eterno.

Desde sempre, a verdade é parte do caráter do Eterno. Vemos isso escrito na Torá:

Midvar sheker tirchak.” – Afaste-se de palavras falsas. Shemot 23:7

O Eterno não disse apenas para não mentir, mas para nos afastarmos da mentira. Não é apenas evitar falar falsidade, é manter distância dela.

Em outras partes das Escrituras, como os profetas, a verdade não é apenas uma qualidade desejável, ela é parte da própria essência do Eterno. O profeta declara:

Mas HaShem é Elohim emet; Ele é Elohim vivo e Rei eterno.” (Yirmeyahu 10:10)

Para compreendermos bem o que as Escrituras nos instruem sobre a verdade a mentira e sua relação com a Torá, precisamos entender o conceito das palavras na sua língua original. A palavra hebraica usada para verdade é emet (אמת), que carrega o sentido de firmeza, fidelidade e confiabilidade. Pelos significados dessa palavra podemos inferir que, algo que é emet é estável, sólido e digno de confiança. Por isso, quando as Escrituras afirmam que o Eterno é emet, estão revelando que tudo o que procede Dele é verdadeiro, firme, estável, fiel, confiável e perfeito.

Por outro lado, a mentira é descrita com a palavra sheker (שקר), que significa falsidade, engano e distorção da realidade. Da mesma forma, pelos significados dessa palavra notamos que, aquilo que é sheker é falso, enganoso, ludibriador, infiel e indigno de confiança. Esse contraste aparece repetidamente nas Escrituras, demonstrando que verdade e mentira representam caminhos opostos. O servo do Eterno é chamado a escolher o caminho da verdade, como declarou o salmista:

Escolhi o caminho da verdade, coloquei diante de mim os teus juízos.” (Tehilim 119:30)

A raiz da mentira nas Escrituras

Em Bereshit vemos que a serpente distorceu as palavras do Eterno (Bereshit 3). A mentira entrou como distorção daquilo que HaShem havia dito. O problema nunca foi apenas a fala incorreta, mas a rebelião contra a Palavra.

A Torá estabelece um princípio claro: a mentira não deve sequer se aproximar da vida de quem serve ao Eterno. Conforme vimos acima em Shemot está escrito:

Da palavra de mentira te afastarás.” (Shemot 23:7)

Observe que a instrução não diz apenas para não mentir, mas para se afastar da mentira. Isso revela que a falsidade possui um poder contaminador. Quando alguém começa a tolerar pequenas distorções da verdade, gradualmente o coração se acostuma ao engano, e a mentira passa a fazer parte da forma de viver. O Eterno é descrito assim:

El emunah ve’ein avel tsadik veyashar hu.” - Ele é fiel e não há injustiça Nele, verdadeiro e justo de fato. Devarim 32:4

Dessa forma, quem serve ao Eterno deve refletir esse caráter.



A mentira é abominação

O livro de Mishlei mostra como o Eterno vê essa prática:

Os lábios mentirosos são abominação para HaShem, mas os que agem fielmente são o seu prazer.” (Mishlei 12:22)

Aqui vemos que a mentira não é apenas um comportamento inadequado, mas algo que o Eterno rejeita. Em contraste, aqueles que vivem em fidelidade e verdade agradam ao Eterno. Isso mostra que falar a verdade não é apenas uma questão ética, mas uma expressão de fidelidade ao Criador.

E temos um mandamento nas Asserat Hadevarim (As dez palavras) que é muito claro.

Lo ta’aneh vereacha ed shaker.” – Não preste falso testemunho contra seu próximo. Shemot 20:13

O mandamento não é apenas sobre falso testemunho formal, revela o valor absoluto da verdade na vida do povo. Quem vive na mentira quebra confiança, destrói relacionamentos e profana o Nome do Eterno.

Outro aspecto importante é que a verdade nas Escrituras não se limita às palavras faladas, isto é, não é apenas quando se fala, mas também quando se intenciona. Ela começa no interior do ser humano. O salmista reconhece isso quando declara:

Eis que amas a verdade no íntimo.” (Tehilim 51:6)

O Eterno não busca apenas pessoas que falem corretamente em público, mas pessoas cujo coração seja verdadeiro. A mentira constante revela um coração desalinhado com as instruções do Eterno, pois quem vive no engano precisa sustentar uma realidade falsa, criando máscaras para esconder a verdade.

As Escrituras também mostram que a verdade está diretamente ligada aos mandamentos do Eterno. O salmista afirma:

Todos os teus mandamentos são verdade.” (Tehilim 119:151)

E também declara:

A soma da tua palavra é verdade.” (Tehilim 119:160)

Isso significa que viver na verdade é viver alinhado com a Palavra do Eterno. Não se trata apenas de evitar mentiras evidentes, mas de permitir que toda a vida seja moldada pelas instruções reveladas na Torá. Quem caminha nesse caminho reflete o caráter do próprio Eterno.

Por fim, as Escrituras descrevem o tipo de pessoa que pode permanecer na presença do Eterno:

HaShem, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda em integridade, pratica a justiça e fala a verdade no seu coração.” (Tehilim 15:1–2)

A verdade, portanto, não é um detalhe secundário da vida do servo do Eterno. Ela é um requisito fundamental para quem deseja viver em retidão diante Dele.

O problema grave

Se alguém diz que serve ao Eterno, mas pratica mentira continuamente, há um conflito interno grave. Está escrito:

Quem pode subir ao monte do Eterno?... Aquele que fala verdade em seu coração. Tehilim 15

Não é apenas falar verdade externamente, mas no interior. A mentira constante revela que o coração está desalinhado. O profeta Yirmeyahu diz:

O coração é enganoso… Jr 17:9

Por isso o servo do Eterno precisa vigiar suas palavras e intenções, conforme já mencionei acima. Quando alguém mente repetidamente, começa a justificar seus próprios enganos. Isso fortalece o yetzer harah. A pessoa passa a construir uma identidade falsa. Moshê disse:

Seja íntegro com HaShem. Devarim 18:13

Integridade não é aparência externa, é coerência entre o que se fala, o que se pensa e o que se faz.

Consequências no juízo do Eterno

O salmista escreveu:

Nenhum enganador habitará em minha casa; nenhum mentiroso será meu conselheiro. Tehilim 101:7

Quem pratica engano não permanecerá diante dos olhos do Eterno. Isso é sério. Um suposto servo que vive na mentira não está apenas cometendo um erro social, está se afastando da presença do Eterno. Mas então qual o caminho?

A Teshuvah é o caminho.

Mas o Eterno é misericordioso. O caminho não é esconder mais mentiras. É confessar e abandonar.

Quem encobre suas transgressões não prosperará; quem as confessa e abandona alcança misericórdia.” Mishlei 28:13

Mentira constante revela ausência de temor verdadeiro. A verdade pode doer, mas purifica. A mentira parece proteger, mas destrói por dentro.

A mentira nunca pode coexistir com uma vida dedicada à Torá. Enquanto o Eterno é descrito nas Escrituras como Elohim de verdade, a mentira é chamada de abominação. A verdade, ou emet, representa firmeza, fidelidade e alinhamento com a Palavra do Eterno, enquanto a mentira, sheker, representa distorção e engano.

Por isso, quem deseja servir verdadeiramente ao Eterno precisa examinar não apenas suas palavras, mas também o estado do próprio coração. A Torá nos chama a viver com integridade, afastando-nos da mentira e escolhendo o caminho da verdade. Como declarou o salmista: “Escolhi o caminho da verdade”.

E entre esses caminhos, a verdade sempre será o caminho que conduz à vida diante de HaShem.

Que o Eterno os abençoe!


quarta-feira, 11 de março de 2026

Estudo da Parashá Vayakhel e Pekudei - Organize sua vida.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 22 – Vayakhel (Ele reuniu)

Shemot/Êxodo 35:1-38:20

Haftará (separação) 1Rs 7:13-50 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) 2Co 9:1-15.

Parashá nº 23 – Pekudei (Regsitros)

Shemot/Êxodo 38:21-40:38

Haftará (separação) 1Rs 7:51-8:21 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Ap 15:5-8.


Organize sua vida.


Vivemos em uma geração marcada pela pressa. As pessoas frequentemente dizem: “Não tenho tempo para nada.” As tarefas se acumulam, as responsabilidades aumentam e o dia parece sempre menor do que deveria ser. Contudo, ao observarmos atentamente as Escrituras, percebemos que o problema raramente é a falta de tempo. O problema geralmente está na falta de ordem.

As parashiot Vayakhel e Pekudei, que encerram o livro de Shemot, apresentam um dos exemplos mais profundos de organização encontrados em toda a Torá. O Mishkan, a morada separada para o Nome do Eterno no meio do povo de Yisrael, não foi construído de maneira improvisada ou desordenada. Cada detalhe seguiu uma ordem precisa: materiais, funções, pessoas, posições e tempos.

Da mesma forma, a haftará, retirada de Melachim Alef/1Rs 7, descreve a construção da casa edificada por Shlomo, também marcada por ordem, precisão e propósito.

Esses textos não falam apenas sobre construções sagradas. Eles revelam um princípio fundamental: quando a vida é organizada segundo as instruções do Eterno, ela se torna um lugar onde Sua presença pode habitar.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Nas parashiot Vayakhel e Pekudei, vemos Moshê reunindo todo o povo de Yisrael para transmitir exatamente aquilo que o Eterno havia ordenado. Como está escrito: “Vayakhel Moshê et kol adat bnei Yisrael” - Moshê reuniu toda a assembleia de Yisrael (Shemot 35:1). A primeira instrução reafirmada diante de todo o povo é sobre o Shabat, pois o Eterno declarou que durante seis dias o trabalho pode ser feito, mas o sétimo dia é separado como descanso dedicado ao Eterno. Assim vemos que antes mesmo de falar da construção do Mishkan, o Eterno estabelece novamente a importância do Shabat.

Depois disso, Moshê transmite o chamado para que o povo traga ofertas voluntárias para a construção do Mishkan, a morada separada para o Nome do Eterno entre o povo. Está escrito que todo aquele cujo coração era movido trouxe ouro, prata, cobre, tecidos, madeira de shittim, óleo e pedras preciosas. Isso revela um princípio que já aparece no TaNaKh: o Eterno olha para a disposição do coração. Assim também vemos em Divrei HaYamim Alef 29:9, quando o povo se alegra por contribuir voluntariamente para a casa do Eterno.

Entre os homens escolhidos para a obra estavam Betzalel ben Uri ben Chur, da tribo de Yehudah, e Oholiav ben Achisamach, da tribo de Dan. O Eterno lhes concedeu habilidade e entendimento para realizar toda a obra do Mishkan. Com eles trabalharam muitos outros de coração sábio. O povo trouxe tanto material que os artesãos disseram a Moshê que já havia mais do que o necessário.

A porção continua descrevendo a construção de tudo o que o Eterno havia ordenado anteriormente: as cortinas do Mishkan, as tábuas, o Parochet, o Aron, a mesa, a Menorah, o altar do incenso, o altar das ofertas e a pia de cobre. Nada foi feito segundo invenção humana; tudo foi feito conforme o que o Eterno havia mostrado a Moshê. O mesmo princípio aparece em Devarim 4:2: “Não acrescentareis à palavra que vos ordeno, nem diminuireis dela.”

Então chegamos à parashá Pekudei, onde é apresentado o registro de tudo o que foi usado na obra do Mishkan. Cada material é contabilizado: o ouro, a prata e o cobre trazidos pelos filhos de Yisrael. Isso demonstra fidelidade e responsabilidade na administração daquilo que foi dedicado ao Eterno.

Também são descritas as vestes separadas para Aharon e seus filhos: o efod, o peitoral com as doze pedras representando as tribos de Yisrael, o manto, a túnica e o turbante com a inscrição “Kodesh LaHaShem”. Tudo foi feito exatamente como o Eterno havia ordenado a Moshê.

Quando toda a obra foi concluída, o Mishkan e todos os seus utensílios foram trazidos diante de Moshê. Ele examinou o trabalho e viu que tudo havia sido feito conforme o mandamento do Eterno; então Moshê abençoou o povo.

Por fim, o Mishkan foi levantado no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano após a saída de Mitsrayim. Moshê colocou cada objeto em seu lugar, ungiu e separou tudo conforme as instruções do Eterno. Quando tudo foi estabelecido, está escrito: “Então a nuvem cobriu a Ohel Moed, e a glória do Eterno encheu o Mishkan.” (Shemot 40:34)

A nuvem do Eterno permanecia sobre o Mishkan durante o dia e fogo aparecia nela durante a noite, diante de toda a casa de Yisrael em todas as suas jornadas.

Assim termina o livro de Shemot, mostrando que o Eterno habita no meio de um povo que ouve Sua voz e guarda Seus mandamentos. Como também está escrito em Vayicrá 26:12: “Andarei no meio de vós, serei vosso Elohim, e vós sereis Meu povo.”

Portanto, quando o povo caminha em obediência, a presença do Eterno permanece entre eles.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

A parashá inicia com Moshê reunindo todo o povo de Yisrael para transmitir novamente os mandamentos recebidos do Eterno. Está escrito:

Então Moshê reuniu toda a congregação dos filhos de Yisrael e lhes disse: Estas são as palavras que o Eterno ordenou que se cumprissem: seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, Shabat de descanso ao Eterno.” Shemot 35:1–2

É significativo que antes de falar da construção do Mishkan, Moshê reafirme o que o Eterno havia ordenado sobre o Shabat. Isso mostra que até mesmo algo tão elevado como a construção da morada do Eterno precisava respeitar uma ordem estabelecida.

Depois disso, o povo traz ofertas voluntárias e inicia-se a obra do Mishkan. Em Shemot 39 a 40 vemos que toda a obra do Mishkan foi feita cuidadosamente e depois apresentada a Moshê. Ao longo da narrativa, um detalhe se repete diversas vezes:

Conforme tudo o que o Eterno ordenou a Moshê, assim fizeram os filhos de Yisrael.” Shemot 39:32

Depois disso, Moshê examina cada parte da obra e no final da porção, quando tudo estava pronto, o Mishkan foi levantado e organizado. Nada foi feito de forma apressada ou desorganizada. Primeiro houve:

    1. - Instrução do Eterno;

      - Execução cuidadosa;

      - Verificação;

      - Estabelecimento da ordem;

      - A presença do Eterno enchendo o Mishkan.

Somente depois que tudo estava na ordem correta aconteceu algo extraordinário:

Então a nuvem cobriu o Ohel Moed, e a glória do Eterno encheu o Mishkan.” Shemot 40:34

A presença do Eterno veio depois da ordem.

No site Chabad, a mensagem da parashá Pekudei, escrita por Joshua Gittlieb, reflete sobre a ordem no Tabernáculo, e o autor diz que o texto de Shemot 38:22 provoca uma dúvida, pois como Betsalel poderia ter feito tudo que o Eterno ordenou a Moshê, se ele não estava presente quando HaShem instruiu a Moshê? No decorrer de seu texto ele traz argumentos de Rashi e Kli Yakar mostrando que o Eterno o revelou através de seu Ruach HaKodesh, enquanto o segundo afirma que Moshê falou tudo na ordem para o jovem. Porém, o cerne da questão é: Por que é importante saber se a estrutura do Mishkan ou os utensílios foram feitos em primeiro lugar? E a resposta vem com outro rabino. Segundo o autor, Rabi Yerucham Levovitz explica que, assim vemos a importância de colocarmos tudo em sua ordem correta. Jamais teremos tempo suficiente a cada dia para cumprir tudo aquilo que gostaríamos. Portanto, devemos estabelecer prioridades em nossa vida, para que possamos realizar tanto quanto possível com o tempo que nos foi reservado.

Isso revela um princípio claríssimo. Quando a casa está em ordem segundo os mandamentos do Eterno, Sua presença repousa sobre ela. Esse princípio conduz ao tema central deste estudo: organizar a vida segundo as instruções do Eterno. E começaremos a ver no primeiro tópico.


1. Organização como princípio do Eterno

De acordo com uma das definições do dicionário, organização é a função administrativa que consiste em dispor recursos e atividades de forma ordenada para facilitar o funcionamento de algo. Também pode ser entendida como colocar cada coisa em seu lugar correto para cumprir um propósito. Nas Escrituras, esse termo é revelado como um princípio que aparece desde o início da criação. Em Bereshit, o Eterno cria o mundo separando e ordenando tudo: luz e trevas, águas e terra, tarde e manhã, tempos e estações.

Esse mesmo padrão aparece na construção do Mishkan. A parashá Pekudei começa com um registro detalhado dos materiais utilizados:

Estas são as contas do Mishkan, o Mishkan do testemunho, que foram contadas por ordem de Moshê.” Shemot 38:21

Tudo foi contado, registrado e administrado com responsabilidade. Não havia confusão nem improvisação. Depois, quando os artesãos terminaram o trabalho, a obra foi apresentada a Moshê:

Assim foi concluída toda a obra do Mishkan da Ohel Moed; e os filhos de Yisrael fizeram conforme tudo o que o Eterno ordenara a Moshê.” Shemot 39:32

Somente após verificar que tudo estava correto, Moshê ergueu o Mishkan.

A haftará, em Melachim Alef/1Rs 7, mostra um paralelo impressionante. Ali é descrita a construção da casa do Eterno nos dias de Shlomoh. Assim como no Mishkan, cada utensílio foi preparado com precisão. Está escrito:

E fez Hiram as pias, as pás e as bacias; assim terminou Hiram toda a obra que fazia para o rei Shlomoh na casa do Eterno.” Melachim Alef 7:40

O mesmo princípio aparece naquela ocasião, isto é, ordem, precisão e conclusão cuidadosa da obra. Dessa forma, tanto no Mishkan quanto na casa construída por Shlomoh, vemos que aquilo que é dedicado ao Eterno é feito com organização e responsabilidade. Não deve haver desleixo, interesses escusos ou mentiras. E isso nos leva ao próximo ponto, pois esse princípio foi ensinado pelos profetas e pelo Mashiach Yeshua.


2. O que os profetas, os sábios de Yisrael, Yeshua e os talmidim ensinam

Os profetas, homens chamados pelo Eterno para repreender, instruir e conduzir Yisrael ao caminho de obediência, frequentemente chamaram o povo a reorganizar suas prioridades. Eles repetem muitas vezes que a vida do povo deve ser organizada colocando o Eterno em primeiro lugar.

O profeta Hagai, conhecido como Ageu, repreendeu o povo porque eles trabalhavam, plantavam e construíam suas próprias casas, mas a casa do Eterno estava abandonada:

Assim diz o Eterno dos exércitos: Considerai os vossos caminhos.” Hagai 1:5

O profeta então mostra que a desordem das prioridades traz confusão para a vida. O povo trabalhava muito, mas sem ordem espiritual, ou seja, sem observar os mandamentos corretamente. O resultado foi frustração e falta de satisfação. Também em Yirmeyahu 7:23 está escrito:

Ouvi a Minha voz, e Eu serei vosso Elohim, e vós sereis Meu povo; andai em todo o caminho que vos ordenei.”

Devemos primeiro ouvir, depois andar no caminho. Essa é a ordem correta. Outro texto importante está em Tehilim:

Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” Tehilim 90:12

Contar os dias significa administrar o tempo com sabedoria. Entre os sábios de Yisrael há um ensino antigo em Pirkei Avot 3:21 que expressa esse mesmo princípio observe o texto:

Rabi Elazar ben Azariah disse: Onde não há Torá, não há conduta correta; onde não há conduta correta, não há Torá. Onde não há sabedoria, não há temor a Deus; onde não há temor a Deus, não há sabedoria. Onde não há entendimento, não há conhecimento; onde não há conhecimento, não há entendimento. Onde não há pão, não há Torá; onde não há Torá, não há pão.

Sabemos que a Torá é o que estabelece a ordem no mundo. Sem essa estrutura (ordem/lei), a sabedoria não teria onde se apoiar, e sem sabedoria, o entendimento profundo da realidade seria impossível. Com isso, podemos fazer uma releitura resumida deste texto do Pirkei Avot da seguinte forma:

Se não há ordem, não há sabedoria; e sem sabedoria não há entendimento.”

Assim, vemos que a nossa vida precisa de estrutura.

Quando observamos os ensinamentos de Yeshua, encontramos a mesma direção. Ele ensinou que a vida deve ter prioridades claras:

Buscai primeiro o reino do Eterno e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mattityahu 6:33

A palavra “primeiro” dita por Yeshua revela ordem de prioridade. O mestre também disse:

Onde está o teu tesouro, ali estará também o teu coração.” Mattityahu 6:21

O coração segue aquilo que colocamos como prioridade. Entre os talmidim também foi ensinado a importância da organização na comunidade. Quando a comunidade começou a crescer em Yerushalayim, surgiu uma dificuldade na distribuição de alimentos. Então foi necessário organizar responsabilidades. Está registrado no livro de Atos:

Não é razoável que deixemos a Palavra do Eterno para servir às mesas. Escolhei, pois, irmãos, entre vós, sete homens de boa reputação, cheios de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço.” Maasim 6:2–3

Isso não significava que servir às mesas fosse menor, mas que cada tarefa precisa estar em seu lugar correto, permitindo que tudo fosse feito com ordem. Tendo então entendido, vejamos no próximo tópico a aplicação em nosso cotidiano.


3. A aplicação para a vida atual: viver os mandamentos com ordem

A mensagem da parashá e da haftará permanece extremamente atual. Muitas pessoas vivem cansadas, confusas e ansiosas porque suas vidas estão cheias de atividades, mas vazias de direção.

As Escrituras nos mostram alguns princípios práticos:

1. Colocar o Eterno em primeiro lugar

“Confia no Eterno de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento; reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas.” Mishlei 3:5–6

Quando o Eterno ocupa o primeiro lugar, o restante da vida encontra equilíbrio.

2. Viver segundo prioridades corretas

O rei Shlomoh escreveu:

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo dos shamaym.” Kohelet 3:1

A vida não é sobre fazer tudo ao mesmo tempo, mas fazer cada coisa no tempo correto.

3. Praticar os mandamentos no cotidiano

Organizar a vida segundo o Eterno inclui práticas simples e profundas:

- separar o Shabat

- dedicar tempo à leitura das Escrituras

- agir com justiça e bondade

- administrar bem os recursos recebidos

Quando esses princípios são vividos diariamente, a vida começa a refletir a ordem do Mishkan.

Concluindo nosso estudo, vemos a Parashá Pekudei encerrando o livro de Shemot com uma imagem poderosa: o Mishkan erguido, cada utensílio em seu lugar, cada tarefa concluída.

Então acontece algo extraordinário:

Porque a nuvem do Eterno estava sobre o Mishkan de dia, e o fogo estava nele de noite, perante os olhos de toda a casa de Yisrael em todas as suas jornadas.” Shemot 40:38

Quando tudo foi colocado em ordem segundo as instruções do Eterno, a presença do Eterno permaneceu no meio do povo. Esse é o grande ensinamento desta parashá. Organizar a vida não é apenas administrar tempo ou tarefas. É ordenar o coração, as prioridades e as ações segundo os mandamentos do Eterno. Quando isso acontece:

    • o coração encontra paz

    • a vida ganha direção

    • as decisões se tornam mais claras

E então nossa própria vida começa a se tornar, assim como o Mishkan, um lugar preparado para a presença do Eterno.

Que o Eterno lhes abençoe.

Hazak, hazak, v’nit’chazek!

Seja forte, seja forte, e sejamos fortalecidos!


Moshê Ben Yosef