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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Estudo da Parashá Tazria e Metsorá - A Tzaraat pode ser uma bênção!

 


Estudos da Torá

Parashá nº 27 e 28Tazria-Metsorá

(Conceber-Afligida com Tzaraat)

Vayicrá/Levítico 12:1-15:33

Haftará (separação) 2Rs 4:42-7:20

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mt 8:1-4; 11:2-6.


A Tzaraat pode ser uma bênção!


À primeira vista, falar sobre tzaraat pode parecer algo distante da nossa realidade. Manchas na pele, roupas contaminadas, casas sendo examinadas… tudo isso pode soar como algo antigo, quase sem conexão com nossos dias.

Mas a Torá não é um livro de histórias antigas, ela é instrução viva.

Quando olhamos com mais profundidade, percebemos que tzaraat não se trata apenas de algo físico, mas de algo muito mais profundo: o estado interior do homem sendo revelado externamente.

E aqui está algo que pode surpreender: Aquilo que muitos veem como maldição, pode ser, na verdade, uma bênção disfarçada. Sim… a tzaraat pode ser um sinal da misericórdia do Eterno.

Continue aqui até o final e compreenda esse impressionante ensino antigo por trás de das palavras da Torá.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Nesta semana, ao estudarmos as porções Tazria e Metsorá em Vayicrá, fomos conduzidos a um entendimento profundo sobre pureza, separação e o cuidado que o homem deve ter diante do Eterno. Acompanhe este resumo das duas porções.

Em Tazria, vemos primeiro as instruções relacionadas ao nascimento. A mulher que dá à luz entra em um período de separação, conforme o Eterno ordenou a Moshê. Isso nos ensina que até os processos naturais da vida exigem discernimento e respeito pelas instruções do Eterno. Tudo deve ser conduzido com consciência de que Ele é santo, e nós também devemos ser.

Em seguida, a Torá nos apresenta a tzaraat, uma aflição que pode atingir a pele do homem. Mas não te enganes pensando que se trata apenas de algo físico. O homem é examinado pelo cohen, e sua condição determina se ele está puro ou impuro. Quando declarado impuro, ele é separado do acampamento. Isso nos mostra que a impureza afasta o homem da comunhão e exige reflexão, arrependimento e retorno ao caminho correto.

A tzaraat também pode aparecer nas roupas, revelando que até aquilo que está ao nosso redor pode carregar sinais de impureza. Nada está oculto diante do Eterno.

Já em Metsorá, vemos o caminho de volta. O homem que foi afligido, uma vez restaurado, passa por um processo detalhado de purificação. Há מים חיים (chayim mayim - águas vivas), aves, madeira de cedro e hissopo, tudo isso apontando que o retorno ao Eterno não é superficial, mas exige transformação verdadeira.

A Torá também revela algo ainda mais profundo: a tzaraat pode atingir as casas na terra de Kena’an. Isso mostra que até o ambiente onde o homem habita pode ser afetado por sua conduta. Se houver contaminação, pedras são removidas; se persistir, a casa é destruída. E aprendemos que é melhor remover o mal do que permitir que ele permaneça e corrompa tudo.

Além disso, são dadas instruções sobre fluxos do corpo, tanto do homem quanto da mulher. O Eterno ensina que a santidade não está apenas em grandes atos, mas também nos detalhes da vida diária. Tudo importa diante dEle.

Assim aprendemos que a tzaraat não é apenas uma marca na pele, é um sinal. Assim como Miryam foi afligida em Bamidbar 12 por falar contra Moshê, vemos que atitudes do coração se tornam visíveis. O Eterno revela o oculto para que haja arrependimento. Assim, o homem não deve apenas cuidar do exterior, mas vigiar seu coração, suas palavras e seus caminhos. Pois a impureza começa dentro e, se não for tratada, se manifesta fora.



ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Logo no início de Vayicrá 13, lemos as seguintes palavras:


Quando um homem tiver na pele da sua carne inchação, ou pústula, ou mancha lustrosa, que se torne na pele da sua carne como praga de tzaraat, então será levado a Aharon, o cohen, ou a um de seus filhos, os cohanim.” Vayicrá 13:2


Você consegue perceber um detalhe importante? O homem não deve ignorar o sinal. Ele não deve escondê-lo. Ele deve se apresentar diante ao cohen.

A tzaraat exige reconhecimento, aceitação e exposição. Ela obriga o homem a lidar com aquilo que talvez ele preferisse esconder. E é aqui que começamos a entender o tema proposto para esse estudo: A tzaraat não é apenas punição, é revelação.

Ao estudar essas porções da Torá, depois da leitura e meditação em seus textos, fui ler outras fontes sobre estes assuntos em busca de compreender melhor e enriquecer o entendimento. No Chumash Plaut, na introdução da parashá Tazria, o autor diz que, quase todo o sefer Vayicrá se apresenta como passado no deserto do Sinai, no acampamento dos israelitas. Ali, em seu santuário, o Eterno falou com Moshê, seu líder, e ocasionalmente com Aharon, o sumo sacerdote. O Eterno deu instruções para que eles as transmitissem ao povo de Yisrael. O objetivo dessas instruções é permitir que o povo, como indivíduos e como comunidade, mantenha uma relação estreita e permanente com HaShem. Esta porção consiste em uma parte dessas instruções.

Na Torá da Editora Sefer, o comentário de rodapé nos diz que o ensino sobre as instruções acerca da tzaraat são para separar o puro do impuro, e que isso era feito pelo sacerdote.

Então, fui também até o livro Sha’arei Toráh – Vayicrá 2, de Bruno Summa, que trata da parashá Tazria. Em dois capítulos sobre essa porção o autor desenvolve a ideia de que a tzaraat não é uma doença comum, mas um fenômeno vindo do Eterno como resposta ao estado interior do homem.

Primeiro, é explicado que as três formas de Tzaraat descritas em Vayicrá 13 — seet, sapachat e baheret — não são apenas variações físicas, mas apontam para níveis de manifestação de impureza. Ele diz que os sábios relacionam isso a processos internos que se tornam visíveis. Depois, o texto traz um ensinamento profundo a partir de um midrash sobre os ventos que aparecem na vida de Iyov, Yonah e Eliyahu. Esses ventos representam forças invisíveis que se tornam visíveis no mundo físico, assim como a tzaraat: algo oculto que se manifesta.

A explicação segue mostrando que:

    • O vento simboliza algo invisível que ganha forma.

    • A tzaraat segue o mesmo princípio: uma condição interior que se revela externamente.

Bruno Summa também relaciona as três formas de tzaraat com três corrupções principais:

    • Altivez (orgulho);

    • Conformidade com o mal;

    • Maledicência (lashon hará).

E afirma claramente: a maledicência é a raiz mais grave, pois contamina não apenas o indivíduo, mas outros ao seu redor. Outro ponto importante destacado é que, a tzaraat é apresentada como um ato de misericórdia do Eterno, pois revela ao homem sua condição antes que a destruição seja maior.

Sendo assim, vamos então entrar um pouco mais nesse aspecto da parashá e descobrir o que o Eterno quer nos ensinar. Vamos ao primeiro ponto.


1- A tzaraat como revelação do oculto

A tzaraat não pode ser reduzida a uma doença comum. Ela é um sinal espiritual, isto é, de desobediência, visível. Os sábios perceberam algo profundo: há um processo progressivo:

    • primeiro na casa;

    • depois nas roupas;

    • por fim na pele.

Vemos que o Eterno alerta antes de atingir o próprio homem. Assim, vemos que a tzaraat não é apenas uma marca na pele, uma doença, ela é um sinal dado pelo Eterno. Talvez você possa perguntar: o Eterno sinaliza quando alguém está no erro? A resposta é um grande sim! Vemos isso no TaNaK através dos profetas, que são enviados pelo Eterno para alertar o povo sobre seus erros, a fim de que se corrijam e se arrependam. E isso está plenamente de acordo com o que está escrito:


Porque os olhos de HaShem estão sobre os caminhos do homem, e vê todos os seus passos. Não há trevas nem sombra de morte onde possam esconder-se os que praticam o mal.” Iyov 34:21-22


Os olhos de HaShem estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons.” Mishlei 15:3


E também:


Eu, HaShem, esquadrinho o coração, Eu provo os pensamentos.” Yirmeyahu 17:10


A raiz da tzaraat está ligada a corrupções internas como:

    • lashon hará (לשון הרע) - língua má, palavras destrutivas;

    • gaavá (גאווה) - orgulho.

    • corrupção moral.

Por isso, ela não começa fora, começa dentro. E o que está escondido no coração do homem não permanece oculto para sempre. Se não houver arrependimento, o Eterno faz com que isso venha à luz.

Exemplo claro e prático do que estou falando que pode ser extraído do TaNaK, lemos em Bamidbar 12:


E a ira de HaShem se acendeu contra eles, e ele foi embora. Contudo, quando a nuvem foi removida de cima da tenda, Miryan teve tzaraat, tão branca quanto a neve. Aharon olhou e eis que Miryam estava com tzaraat, branca como a neve.” Bamidbar 12:9-10


Isso ocorreu por causa de palavras contra Moshê. Aqui está o princípio:

- a boca revela o coração;

- e o Eterno torna visível o erro para correção.

Assim, devemos ainda ver o que os servos do Eterno continuaram falando sobre esse assunto.


2 – A Palavra dos Profetas, de Yeshua e dos Talmidim

Vimos antes que a Torá nos mostra claramente o que ocorreu com Miryam. Qual o motivo? Por causa de palavras. Os profetas reforçam esse princípio:


Eu, HaShem, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos.” Yirmeyahu 17:10


Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o Eterno, e assim é toda obra das suas mãos, e tudo o que oferecem é impuro.” Chagai 2:14


E o profeta Hoshea declara: “Semeastes vento e colherão tempestade.” Hoshea 8:7

Aquilo que começa invisível (vento) se torna destruição visível. E o objetivo é gerar mudança de atitude, caso não haja, gera morte.

Yeshua como sempre, ensina a Torá e os profetas confirma esse princípio:


Porque do coração procedem maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem.” Matityahu 15:19-20


E ainda: “A boca fala do que está cheio o coração.” Matityahu 12:34

Note o ensino de Yeshua:

- O interior gera o exterior;

- A contaminação começa dentro.

Por isso, sempre afirmamos que Yeshua não ignorou a Torá, ele revelou sua profundidade.

Os talmidim também ensinaram: “A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo sheol.” Yaakov/Tg 3:6

Kefa disse o seguinte: Sede santos em todo o vosso procedimento. Kefa Alef/1Pe 1:15. E tudo isso está em perfeita harmonia com o que o Eterno disse em Vayicrá: “Sede santos, porque Eu sou santo.” Vayicrá 11:45.

Os sábios de Yisrael identificaram que a principal causa da tzaraat era o uso errado da língua, a lashon hará. E a Torá já havia dito: “A morte e a vida estão no poder da língua.” Mishlei 18:21. Com isso, aprendemos, a língua constrói ou destrói, purifica ou contamina. Ou seja, a impureza interior contamina tudo ao redor, exatamente como a tzaraat nas casas e roupas. E com isso vamos ao último tópico.


3 – Como a tzaraat pode ser uma bênção?

Depois de vermos tudo o que dissemos nos tópicos anteriores, vamos agora entender como a tzaraat pode ser uma bênção. Agora entende o segredo: A tzaraat é uma bênção porque revela o pecado oculto, interrompe o caminho de destruição, força o homem a refletir, conduz ao arrependimento (teshuváh) e restaura o relacionamento com o Eterno. Como está escrito:


Antes de ser afligido eu andava errado, mas agora guardo a Tua palavra.” Tehilim 119:67


E ainda: “Fiel é HaShem que corrige aquele a quem ama.” Mishlei 3:12.

Hoje não vemos casas sendo destruídas por manchas como no texto destas porções da Torá. Mas vemos algo pior:

- lares destruídos por palavras;

- relacionamentos contaminados;

- corações endurecidos.

Apesar das pessoas pensarem que ela não existe mais hoje, a tzaraat continua existindo, apenas mudou sua forma de manifestação. E O Eterno continua revelando o oculto. Por isso, a prática hoje é clara:

- Vigiar o coração;

- Guardar a língua;

- Santificar o lar.

Como está escrito: Quem subirá ao monte de HaShem? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração.” Tehilim 24:3-4

E ainda: “Antes de ser afligido eu andava errado, mas agora guardo a Tua palavra.” Tehilim 119:67.

Se a impureza permanece escondida, ela destrói. Mas se ela é revelada, ela pode ser tratada. A tzaraat é o Eterno dizendo: olha para dentro de ti, corrija teus caminhos e volte para mim. A disciplina do Eterno não destrói, ela corrige. Como está escrito: Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e voltai a HaShem. Yoel 2:13.

Concluindo este estudo, te pergunto: agora entende por que a tzaraat pode ser uma bênção? Porque ela revela o que está escondido, impede a destruição maior, conduz ao arrependimento e restaura o homem ao caminho do Eterno. Se há mancha, há tratamento. Se há revelação, há esperança. Tudo depende da escolha. Ignorar o sinal ou responder com arrependimento. Que nossas casas sejam puras, nossas palavras sejam limpas e nossos corações sejam retos diante de HaShem.


Que o Eterno lhes abençoe.

Moshê Ben Yosef


Nascer de novo é uma invenção ou um princípio do TaNaK?




Nascer de novo é uma invenção ou um princípio do TaNaK?

Temos visto cada vez mais pessoas demonstrarem incapacidade de entender claramente o fundamento da Torá e dos profetas e isso nos ensinos e palavras de Yeshua. Por este motivo preferem desvirtuar textos dos escritos nazarenos. Neste pequeno artigo pretendo mostrar através da forma correta de se entender as Escrituras, o contexto original, que as palavras de Yeshua ao dizer que, é preciso nascer de novo, já estava previsto no TaNaK.

Infelizmente, alguns ditos estudiosos das Escrituras, pensam que tudo precisa estar escrito de forma clara, para ser entendido logo no nível Pshat, o primeiro nível do PaRDeS, a interpretação judaica. No entanto, as Escrituras e os métodos de interpretação do povo de Israel, não seguem meios tão simplistas de pensamento. O Eterno estabeleceu princípios em sua Palavra e diferentes níveis de conhecimento escondidos nos textos. Possibilitando apenas aos mais dedicados, humildes e famintos estudiosos a entenderem.

No caso em questão, o encontro de Yeshua e o fariseu, há um desses exemplos de assunto profundo que é mal interpretado.

Quando Yeshua falou a Nakdimon sobre a necessidade de “nascer de novo”, muitos interpretam essa expressão como algo novo ou até mesmo como uma ideia criada posteriormente por homens. No entanto, ao examinarmos cuidadosamente as Escrituras, vemos que essa verdade já havia sido revelada pelo próprio Eterno desde muito antes.

O ponto central não está na expressão em si, ou se ela está literalmente escrita no TaNaK ou não, mas no princípio que ela carrega: a transformação interior do ser humano.

Na Torá, já encontramos esse fundamento estabelecido de forma bem clara. Em Devarim 30:6, está escrito que o Eterno circuncidaria o lev (coração) do homem. Isso não se refere a algo físico, já que o coração não tem prepúcio para ser retirado, mas a uma mudança profunda no interior do homem, que levaria a pessoa a amar ao Eterno e andar em Seus caminhos. Essa ideia também aparece em Devarim 10:16, quando somos chamados a circuncidar o lev — ou seja, remover a dureza interior que impede a obediência.

Os Neviim (profetas) reforçam ainda mais esse entendimento. Em Yechezqel 36:26-27, o Eterno declara que daria ao homem um lev chadash (coração renovado) e colocaria dentro dele um novo ruach (espírito, mover, atitude), capacitando-o a andar em Seus mandamentos. Aqui vemos claramente que não se trata apenas de comportamento externo, mas de uma transformação que vem de dentro para fora. Um compromisso de viver segundo a vontade do Eterno.

Da mesma forma, em Yirmeyahu 31:33, o Eterno afirma que colocaria Sua Torá no interior do homem e a escreveria em seu lev. Isso revela um relacionamento em que a obediência deixa de ser algo imposto externamente e passa a fazer parte da própria natureza da pessoa. O indivíduo cria compromisso com HaShem.

Diante dessas passagens, fica evidente que o conceito apresentado por Yeshua não era novo. Pelo contrário, ele estava chamando atenção para algo que já havia sido dito, mas que muitos não haviam compreendido plenamente. Infelizmente, muitos ainda não entendem.

Agora, pense o seguinte:
Se o homem recebe um novo lev, se o Eterno coloca dentro dele algo novo, se a Torá passa a estar dentro dele, por ele ter começado a se voltar ao Eterno, isso não é como começar uma nova vida? Isso é o que Yeshua chamou de “nascer de novo”.

“Nascer de novo”, portanto, é uma forma de descrever essa renovação completa do interior do homem, um novo começo, uma nova condição de vida, onde o coração é transformado e alinhado com as instruções do Eterno.

Por isso, quando alguém afirma que essa ideia não vem do Eterno, basta retornar às Escrituras, à Torá e aos profetas. Elas mostram, de forma consistente, que o homem precisa de uma mudança profunda em seu interior para realmente viver segundo os caminhos do Eterno.

Não é simplesmente algo que o Eterno faça pelo homem, mas algo que ao começar a trilhar o caminho da verdade passa a acontecer no homem. Não se trata de uma invenção, mas de uma continuidade daquilo que já foi revelado desde o início como um princípio estabelecido.

O Eterno sempre buscou um povo que O obedecesse de lev íntegro, não apenas por aparência, mas com sinceridade interior.

Que possamos buscar mais sinceridade e verdade ao estudar as Escrituras Sagradas, pois elas são a verdade.

Shalom a todos.

Moshê Ben Yosef

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Estudo da Parashá Shemini - O Eterno é importante para você?

 


Estudos da Torá

Parashá nº 26Shemini (Oitavo)

Vayicrá/Levítico 9:1-11:47

Haftará (separação) 2Sm 6:1-19

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mc 7:1-23; Gl 2:11-16.


O Eterno é importante para você?


Vivemos dias em que muitos dizem amar o Eterno, muitos falam sobre Ele, muitos até se aproximam dEle. Mas a parashá Shemini nos confronta com uma pergunta profunda, desconfortável e absolutamente necessária: O Eterno é realmente importante para você?

Não estou falando do que dizemos. Nem das palavras que usamos. Nem mesmo da aparência de devoção. Estou falando daquilo que sustenta nossas decisões, nossas prioridades e nossas ações no dia a dia.

Essa não é uma pergunta para ser respondida com palavras, mas com vida. Pois há uma grande diferença entre se aproximar do Eterno e santificá-Lo ao se aproximar. Nas parashiot anteriores aprendemos a nos aproximarmos do Eterno. Nesta o Eterno nos revela que nossa aproximação deve santificá-Lo e isso não pode ser de qualquer jeito. E é exatamente isso que aprendemos com Aharon, com seus filhos, e com o fogo que tanto revela quanto consome, mostrados nessa porção.

Venha comigo até o final e descubra informações importantes que te ajudarão a ampliar seu relacionamento com o Eterno e mostrarão se HaShem é importante para você.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A porção em Vayicrá capítulos 9–11 começa com grande expectativa. É o oitavo dia, o dia em que Aharon e seus filhos iniciam seu serviço como kohanim. Após dias de preparação, finalmente o povo testemunha algo extraordinário: quando os sacrifícios são feitos conforme as instruções, a kavod do Eterno se manifesta, e fogo sai de diante dEle para consumir a oferta sobre o altar. O povo vê, se alegra e se prostra. Aqui aprendemos algo essencial: quando há obediência, a presença do Eterno se revela.

Mas, a alegria é interrompida por algo terrível. Nadav e Avihu, filhos de Aharon, se aproximam trazendo “fogo estranho”, algo que o Eterno não ordenou. E então, do mesmo lugar de onde saiu fogo para aceitar a oferta, sai fogo para consumi-los. O mesmo Eterno, a mesma presença que trouxe aceitação e alegria, agora trouxe julgamento e punição.

E então vem um dos momentos mais profundos de toda a Torá: Aharon se cala diante do que o Eterno proclamou. Esse silêncio fala mais do que muitas palavras. Ele não questiona, não murmura. Ele reconhece que o Eterno é justo. Como está escrito: “Serei santificado naqueles que se aproximam de Mim.” (Vayicrá 10:3)

Depois disso, o Eterno estabelece instruções importantes para os kohanim: discernir entre o santo e o comum, entre o puro e o impuro. E então, no capítulo 11, Ele amplia esse princípio para todo o povo, ensinando quais animais são alimentos e próprios para consumo e quais não são.

E o Eterno declara: “Sede santos, porque Eu sou santo.” (Vayicrá 11:44). Veja, não é apenas um chamado aos kohanim, mas a todo Yisrael. A santidade não é opcional, é a identidade do povo que pertence ao Eterno.

Assim, a parashá Shemini nos deixa três marcas profundas:

    • A obediência traz a manifestação da kavod do Eterno

    • A desobediência, mesmo de quem está próximo, traz juízo

    • A santidade deve permear toda a vida, até os detalhes mais simples


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

A parashá começa com alegria, expectativa e manifestação da kavod (glória) do Eterno. Tudo foi feito conforme Suas instruções e por isso Sua presença se revelou. Porém, o contraste é imediato: os mesmos que estavam próximos, Nadav e Avihu, erram não por rejeitar o Eterno, mas por não obedecer exatamente ao que Ele ordenou. Eles não seguiram o princípio estabelecido, olharam para a aparência. Há interessantes discussões rabínicas sobre essa situação que mostram claramente a importância que se deve dar ao Eterno e aos seus mandamentos na prática.

Assim, esse contraste entre a alegria da presença do Eterno com a tristeza gerada pela falta de zelo na presença, nos conduz ao tema central: Não basta se aproximar do Eterno, é necessário santificá-Lo ao nos aproximarmos. Nossa vida como servos deve elevar mais a santidade de HaShem diante das pessoas. Afinal, sabemos que o Eterno é santo e não precisa do homem para isso.

Resta-nos portanto, responder sinceramente uma pergunta: O Eterno é importante para você? Porque a forma como nos aproximamos responde essa pergunta.


1 – Santificar o Eterno ao se aproximar

Serei santificado nos que se aproximam de Mim e serei glorificado na presença de todo o povo. Vayirá 10:3

Vemos nessas palavras o peso da responsabilidade de se achegar ao Eterno. Não pode ser de qualquer jeito. Então vamos refletir um pouco na palavra usada para “aproximar-se” (קָרַב – karav) é a mesma raiz da palavra “oferta” (קרבן - korban). Ou seja, aproximar-se do Eterno não é algo comum, é um ato de entrega, de alinhamento, de submissão.

Outra palavra usada no verso acima para “santificado” vem da raiz hebraica קָדַשׁ (kadosh), que significa: separar, distinguir, tratar como diferente, consagrar como exclusivo. Podemos então perceber que “Santidade” (kedushá) não é apenas pureza moral. É separação absoluta do comum.

Assim, devemos compreender que santificar o Eterno significa:

    • Reconhecer que Ele não é comum;

    • Não tratá-Lo como qualquer coisa;

    • Não servi-Lo segundo nossos padrões humanos.

Nadav e Avihu falharam exatamente aqui: “trouxeram fogo estranho perante o Eterno, o que Ele não lhes ordenara.” Vayicrá 10:1. Eles não rejeitaram o Eterno. Eles apenas fizeram algo no serviço, que HaShem não pediu. E isso foi suficiente.

O TaNaK dá testemunho, mostrando a verdade de que o Eterno não aceita aproximação leviana. Encontramos esse assunto em Shmuel Beit/2Sm 6:6-7, quando Uzah toca na arca para “ajudar” e morre. Sugiro dar uma lida nesse relato. Aprendemos nesse contexto que boa intenção não substitui obediência. O Eterno não precisa da criatividade humana para ser servido. E foi exatamente isso que levou à morte de Uzah.

Outro importante texto, já mencionado em estudos passados é:


E eis que obedecer é melhor do que sacrificar, e atender melhor é do que a gordura de carneiros.” Shmuel Alef 15:22.


O Rei Shaul desejou “fazer algo para o Eterno”, porém, desobedecendo às instruções dadas por Ele. Quis fazer do seu próprio jeito e isso levou à um resultado triste: rejeição por parte do Eterno.

também um texto do Rei Shlomoh que posso mencionar aqui: “Guarda o teu pé quando entrares na casa do Eterno…” Qohelet/Ec 5:1. Aproximar-se do Eterno exige cuidado, consciência, temor e submissão.

Os sábios do povo de Yisrael também tremeram diante deste assunto, o Midrash Vayicra Rabá 12:2 mostra Moshê falando a Aharon que pensava que o Eterno seria santificado por ele ou por Aharon, mas foram seus filhos. Demonstrando que os rabinos entenderam que quanto mais próximo, mais exigido é da pessoa. No Talmud tratado Eruvin 63a é ensinado que Nadav e Avihu erraram ao decidir por si mesmos, tomaram iniciativa espiritual sem instrução. O que, segundo os rabinos, mostra que servir ao Eterno não é por meio de improvisos. E ainda Rashi, comentando esse verso diz que, o silêncio de Aharon foi aceitação da justiça do Eterno, e por isso ele foi honrado. Segundo o rabino, o verdadeiro temor não questiona a santidade do Eterno.

Com tudo isso, fica claro que HaShem não diz apenas que será glorificado, Ele diz que será santificado naqueles que se aproximam. Portanto, significa que:

- Quem se aproxima dEle carrega responsabilidade maior.

- A proximidade exige pureza, obediência e temor.

Nadav e Avihu não estavam longe, estavam perto demais, entretanto, sem temor suficiente.


2 – Yeshua e os Talmidim o mesmo Princípio

Yeshua a quem consideramos o Mashiach por diversas razões, nunca ensinou um caminho diferente da Torá. Pelo contrário, ele sempre confirmou as instruções do Eterno como válidas para seu povo e para quem deseja servir à HaShem, com mais profundidade. Matityahu em seu relato da vida e das palavras de Yeshua, no capítulo 7:21, mostram o mestre dizendo: “Nem todo o que me diz: ‘Adon, Adon’, entrará no reino, mas aquele que faz a vontade de meu Pai…”. Muitos fazem coisas “em nome” do Eterno ou dizendo que é para Ele, mas não fazem a vontade dEle.

Outro relato das palavras do Mashiach, foi quando ele disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.”, relatado por Yochanan 14:15. Quais eram os mandamentos dele? Os que o Eterno havia dado, a Torá. E aprendemos que o amor não é emoção, é obediência.

Os talmidim também ensinaram esse princípio da Torá. O escritor da carta aos Ivrim (Hebreus) disse: “Sirvamos ao Eterno de modo agradável, com reverência e temor; porque o nosso Elohim é fogo consumidor.” Ivrim 12:28-29. O mesmo fogo que desceu em Vayicra 9 para aceitar o sacrifício, desceu em Vayicrá 10 para julgar e consumir Nadav e Avihu. O Eterno não mudou.

O ponto central é que não é do nosso jeito. Como já disse no início, o grande erro dos filhos de Aharon foi este: Serviram ao Eterno do jeito deles. Talvez com emoção, com entusiasmo e querendo algo novo, mas o texto é claro: ...o que Ele não lhes ordenara. Não é necessário rejeitar o Eterno para errar, basta não obedecer exatamente ao que Ele disse.

Dizer que o Eterno é importante é fácil. Muitos dizem isso. Mas a parashá Shemini está nos ensinando que a verdadeira resposta não está no que falamos, e no que demonstramos, mas em como nos aproximamos dEle. Nadav e Avihu também se aproximaram. Eles não estavam longe. Eles estavam dentro do serviço, vestidos como kohanim, participando daquilo que o Eterno havia estabelecido. E ainda assim erraram. E por quê? Porque se aproximaram sem santificá-Lo. Então como fazer isso? A resposta a esta pergunta vem no próximo tópico.


3 – Santificando o Eterno hoje

Quando o Eterno diz: “Serei santificado naqueles que se aproximam de Mim” Ele está declarando que Sua santidade deve ser reconhecida, respeitada e refletida por aqueles que chegam perto dEle. Santificar o Eterno não é apenas falar que Ele é santo. É tratá-Lo como santo. Isso envolve:

    • Não agir de forma comum diante dEle

    • Não trazer aquilo que Ele não pediu

    • Não substituir Suas instruções por nossas ideias

Santificar o Eterno é não reduzir o Santo ao nível do homem. Quando o Eterno não é tão importante assim, não ocupa o lugar devido no coração, e surgem sinais claros: a pessoa faz do seu jeito, busca emoção em vez de obediência, quer experiências, mas não transformação e valoriza manifestações, mas não mandamentos e princípios. E então ocorre o mesmo erro de Nadav e Avihu, ou seja, aproximação sem santificação.

Hoje, muitos se aproximam do Eterno com emoções, com ideias próprias, com práticas não ordenadas ou com muita aparência. Mas a pergunta permanece: Estamos santificando o Eterno ao nos aproximar? Se o Eterno é importante para você, isso deve se manifestar de forma clara:

- Você busca conhecer Suas instruções. Leva as Palavras do Eterno a sério. Não seleciona o que deseja obedecer.

- Você rejeita fazer do seu jeito. Não improvisa no serviço, criando fogo próprio, nem adapta conforme sua vontade. Não inventa formas de se aproximar, que o Eterno não ensinou.

- Você vive os mandamentos no cotidiano. Busca cumprir na sua vida diária os mandamentos e seus princípios, conforme são aplicáveis a você.

- Você teme desobedecer mais do que deseja sentir algo. Tem temor verdadeiro, por isso não trata o Eterno como comum e não banaliza o que é santo.

Santidade prática é no que você fala, no que você consome, em como você vive, em como você decide. Não é sobre momentos, é sobre a sua vida inteira.

Quanto mais alguém se aproxima do Eterno, maior é a responsabilidade. Foi assim com os filhos de Aharon, com Uzah, com os líderes nos dias dos profetas e continua sendo assim. Como está escrito: “Sirvamos ao Eterno com temor… pois Ele é fogo consumidor” Ivrim 12:28-29.

Concluindo nosso estudo e refletindo em tudo que foi dito, percebemos que há uma resposta que o Eterno espera de cada um de nós. Devemos voltar à pergunta: O Eterno é importante para você? Se a resposta for sim, então isso será visível:

    • Na forma como você vive;

    • Na forma como você decide;

    • Na forma como você se aproxima.

Porque quem considera o Eterno importante: santifica o Nome dEle com sua vida; obedece mesmo quando não entende; teme desagradar mais do que deseja agradar a si mesmo. Aharon entendeu isso. E por esse motivo se calou. Ele reconheceu que o Eterno é santo, e que não se pode tratar o Santo de forma comum.

Lembre-se, não é sobre o que sentimos, não é sobre o que pensamos, nem sobre o que queremos oferecer. É sobre o que o Eterno ordenou, seus mandamentos e princípios.


Que o Eterno lhes abençoe.

Moshê Ben Yosef