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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Estudo da Parashá Haazinu - V´zot Habrachá - Não é Palavra Vã: O que fazemos com o que aprendemos?

 

Estudos da Torá

Parashá nº 53Haazinu (Ouçam)

Devarim/Deuteronômio 32:1-52

Haftará (separação) 2Sm 22:1-51.

Escritos Nazarenos Rm 10:14-21; 12:14-21

Parashá nº 54V´ezot Habrachá (E esta é a bênção)

Devarim/Deuteronômio 33:1-34:12

Haftará (separação) Js 1:1-18.

Escritos Nazarenos Mt 17:1-9 e Jd 3-10.


Não é Palavra Vã: O que fazemos com o que aprendemos?


Chegamos às últimas palavras de Moshe antes de sua partida. As porções Haazinu e Vezot HaBrachá encerram a Torá com uma combinação muito profunda: de um lado, o alerta para não esquecer o Eterno; de outro, a despedida daquele que conduziu Yisrael durante tantos anos. É um momento de transição.

Moshe está terminando sua caminhada, uma nova geração está diante de um novo tempo e Yisrael precisará continuar sem aquele que durante tanto tempo esteve à frente do povo. Mas, quando Moshe deixa de estar presente, as palavras que ele recebeu do Eterno continuam. E é justamente aqui que este estudo começa.

Ao chegar ao final de um ciclo de estudos, existe uma pergunta que talvez seja mais importante do que perguntar quanto aprendemos: O que estamos fazendo com aquilo que aprendemos?

Porque podemos conhecer muitas palavras das Escrituras e, ainda assim, não permitir que elas alcancem nossas escolhas. Podemos compreender os mandamentos, falar sobre eles, ensiná-los e até defender sua importância, mas existe uma diferença entre conhecer uma instrução e caminhar de acordo com ela. Por isso, ao encerrarmos este ciclo, talvez seja necessário olhar para trás e lembrar o que recebemos, mas também olhar para dentro e perguntar o que realmente mudou. O que permaneceu apenas no conhecimento? O que já se transformou em prática? E qual área da nossa vida ainda precisa que aquilo que aprendemos se torne atitude? Ainda mais nesse período às vésperas de Yom Kipur, devemos refletir em nossas vidas e atitudes. Fique aqui até o final para não perder nada.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Chegamos às últimas porções da Torá. Moshe está no fim de sua caminhada, Yisrael está diante de uma nova etapa e as palavras que foram transmitidas ao longo de Devarim ganham um peso diferente. Já não estamos apenas acompanhando os acontecimentos da caminhada pelo deserto. Estamos diante de um homem que sabe que sua jornada está terminando e de um povo que precisará continuar caminhando sem ele. Haazinu começa levantando uma questão fundamental: é preciso ouvir, lembrar e considerar.

“Lembra-te dos dias antigos, considera os anos de muitas gerações.” — Devarim 32:7

Não é por acaso que Moshe chama Yisrael para olhar para trás. Conforme viemos estudando nas últimas semanas, quem não se lembra de onde veio pode facilmente perder de vista para onde está indo. A memória, nas Escrituras, não é simplesmente uma lembrança sentimental do passado. Ela serve para manter diante dos olhos aquilo que o Eterno fez, aquilo que ele ordenou e aquilo que Yisrael não deveria esquecer. E então chegamos a uma das afirmações mais fortes de todo esse encerramento:

“Aplicai o vosso coração a todas as palavras que hoje testifico entre vós... porque esta não é palavra vã para vós; antes, é a vossa vida.” — Devarim 32:46–47

Talvez seja justamente aqui que Haazinu e Vezot HaBrachá encontrem uma pergunta que continua sendo necessária para nós: O que estamos fazendo com aquilo que aprendemos? Porque existe uma diferença enorme entre conhecer uma palavra e viver segundo ela. Podemos estudar durante anos, conhecer os nomes das porções, saber localizar os textos, memorizar passagens, discutir interpretações e ainda assim permanecer distantes daquilo que o Eterno está nos ensinando.

Podemos aprender muito sobre obediência sem necessariamente obedecer, falar sobre confiança no Eterno e continuar conduzindo nossa vida como se tudo dependesse de nós. Podemos falar sobre justiça, misericórdia, domínio próprio, verdade e fidelidade e, quando chega o momento em que essas coisas precisam aparecer dentro de casa, no trabalho, nos relacionamentos e nas decisões que ninguém está vendo, descobrimos que aquilo que conhecíamos intelectualmente ainda não se tornou parte da nossa maneira de viver. É justamente por isso que Moshe diz que as palavras não são vãs. O que nos leva para o primeiro tópico.


1. A memória como âncora

Haazinu começa olhando para trás porque Yisrael precisava se lembrar. “Lembra-te dos dias antigos…” Existe algo muito humano em esquecer justamente aquilo que deveria permanecer diante de nós. Quando enfrentamos uma dificuldade, lembramos do Eterno. Quando recebemos uma resposta, agradecemos. Mas, quando a vida volta à normalidade, existe o risco de voltarmos também aos antigos padrões. Foi exatamente esse perigo que Moshe apresentou no cântico. Yisrael receberia alimento, prosperidade, segurança e abundância. Mas justamente na abundância poderia surgir o esquecimento.

“E, tendo Jesurum engordado, deu coices; engordaste, engrossaste, estás coberto de gordura; então abandonou o Elohim que o fez.” — Devarim 32:15

A questão nunca foi simplesmente possuir alguma coisa. O problema estava em receber e esquecer aquele que havia concedido. Isso nos leva a uma reflexão importante sobre nossos próprios ciclos. O que o Eterno já nos ensinou que não podemos permitir que seja esquecido? Quais palavras já ouvimos tantas vezes que deixamos de tratá-las como palavras que exigem resposta? Existe uma diferença entre ouvir novamente uma verdade e realmente permanecer nela.

Por isso, a memória deve ser uma âncora. Ela nos impede de tratar cada circunstância como se fosse a primeira vez que encontramos o Eterno. Quando lembramos, percebemos que já recebemos instruções para determinados caminhos. Já sabemos o que fazer em determinadas situações. E já conhecemos palavras que deveriam orientar nossas decisões. O problema muitas vezes não é falta de conhecimento. É esquecimento.


2. Quando transformamos as Escrituras em conhecimento .

Talvez uma das maiores tentações de quem estuda as Escrituras seja transformar aquilo que deveria produzir mudanças em simplesmente mais uma área de conhecimento. Começamos querendo entender o texto e, pouco a pouco, podemos nos acostumar a falar sobre ele sem permitir que ele fale conosco. Conhecemos conceitos, mas não necessariamente desenvolvemos atitudes. Conhecemos palavras, mas não necessariamente mudamos comportamentos. Conhecemos os mandamentos, mas podemos encontrar justificativas para não aplicá-los quando sua aplicação nos custa alguma coisa.

É possível saber muito e continuar vivendo de maneira incoerente com aquilo que sabemos. E aqui precisamos tomar cuidado, porque estudar profundamente as Escrituras é algo precioso. O problema não está no conhecimento. O problema aparece quando o conhecimento se torna um fim em si mesmo. O Eterno não entregou suas palavras a Yisrael para que fossem apenas admiradas, catalogadas ou discutidas. Moshe diz:

“Aplicai o vosso coração a todas as palavras...”

Aplicar o coração significa permitir que aquilo que ouvimos alcance nossas decisões. É nesse ponto que o estudo das Escrituras deixa de ser apenas informação e começa a se tornar caminho. A pergunta deixa de ser somente “o que esse texto significa?” e passa a ser também: “O que esse texto exige de mim?” Essa segunda pergunta é muito mais difícil.

Porque podemos discutir uma passagem durante horas sem precisar mudar nada em nossa própria vida. Mas quando perguntamos o que o Eterno espera de nós, o texto deixa de estar apenas diante dos nossos olhos e começa a confrontar nossas escolhas.


3. O teste acontece no cotidiano

É fácil falar sobre paciência quando ninguém nos contrariou. Falar sobre honestidade quando não temos nada a ganhar mentindo, falar sobre domínio próprio quando tudo está tranquilo, dizer que confiamos no Eterno quando as coisas estão acontecendo exatamente como esperávamos. O verdadeiro teste aparece na dificuldade do cotidiano, é ali que descobrimos o quanto aquilo que aprendemos realmente entrou em nossa vida.

A Escritura não separa a relação com o Eterno da maneira como tratamos as pessoas, administramos nossos recursos, cumprimos nossa palavra, lidamos com nossos desejos ou reagimos quando somos contrariados. O cotidiano revela aquilo que o discurso pode esconder. Talvez por isso as transições sejam tão importantes. Quando um ciclo termina e outro começa, somos colocados diante daquilo que realmente carregamos conosco. Terminamos uma porção, iniciamos outra. Terminamos um ano, começamos outro. Passamos por uma dificuldade e entramos em um período de tranquilidade. Mudamos de trabalho, de casa, de relacionamento, de responsabilidade ou simplesmente entramos em uma nova fase da vida. E então surge a pergunta: O que realmente veio conosco?

Não adianta terminar um ciclo tendo acumulado muitas informações se nenhuma delas se transformou em atitude. Principalmente próximo a Yom Kipur, quando nossas vidas e atitudes devem ser pesadas e analisadas. Podemos carregar livros, anotações, vídeos, estudos e discursos. Mas o que o Eterno deseja encontrar em nós quando atravessamos a próxima etapa? Deseja ver uma kavanah voltada ao arrependimento e mudança de comportamentos.

3. O legado de Moshe não era apenas informação

Vezot HaBrachá nos apresenta Moshe no final de sua jornada.

Ele sobe ao monte, contempla a terra e morre. Yisrael pranteia Moshe, e Yehoshua assume a liderança. Uma geração passa para outra, mas existe algo que não passa, as palavras do Eterno permanecem. Esse detalhe é muito significativo. A continuidade de Yisrael não dependeria da presença permanente de Moshe. Ele havia cumprido sua missão. Agora Yisrael precisaria continuar andando. Isso nos ensina algo que pode ser aplicado também ao nosso próprio caminho.

Não podemos viver eternamente daquilo que aprendemos com outras pessoas. Precisamos aprender a caminhar diante do Eterno. Podemos receber muito de professores, pais, amigos, líderes e pessoas que nos ensinaram as Escrituras. Podemos ser profundamente marcados por seus exemplos. Mas chega um momento em que aquilo que recebemos precisa se tornar nossa própria prática.

Yehoshua precisaria caminhar, Yisrael precisaria caminhar e nós também precisamos caminhar. O aprendizado precisa atravessar a distância entre a cabeça e as mãos, entre aquilo que dizemos e aquilo que fazemos.

Concluindo nosso estudo, podemos perceber que talvez essa seja uma boa pergunta para o encerramento deste ciclo. Não simplesmente: “Quanto aprendemos?” Mas: “Quanto daquilo que aprendemos está sendo vivido?” Talvez tenhamos aprendido sobre perdão, mas exista alguém a quem ainda não conseguimos perdoar.

Talvez tenhamos aprendido sobre verdade, mas exista alguma área em que ainda preferimos esconder a realidade. Talvez tenhamos aprendido sobre contentamento, mas continuemos comparando nossa vida com a vida dos outros. Talvez tenhamos aprendido sobre confiança no Eterno, mas continuemos tentando controlar aquilo que não está em nossas mãos. E talvez tenhamos aprendido sobre os mandamentos, mas ainda exista algum mandamento que conhecemos muito bem e praticamos muito pouco. Não precisamos procurar uma resposta complicada. Podemos começar com uma única área. Devemos refletir se existe alguma coisa que eu já sei que deveria fazer, mas ainda não estou fazendo?

Essa pergunta é desconfortável justamente porque não exige mais conhecimento. Ela exige honestidade. E talvez seja exatamente esse o ponto de Haazinu e Vezot HaBrachá. Moshe não termina dizendo a Yisrael que eles precisavam simplesmente aprender mais alguma coisa. Ele os chama a levar a sério aquilo que já haviam recebido. “Esta não é palavra vã para vós; antes, é a vossa vida.” Que palavra do Eterno já aprendemos, mas ainda precisa se transformar em atitude? Que instrução já conhecemos, mas ainda não colocamos em prática? Que mudança sabemos que precisa acontecer, mas continuamos adiando?

Talvez o encerramento deste ciclo seja uma boa oportunidade para parar de procurar apenas o próximo assunto para estudar e perguntar o que faremos com aquilo que já aprendemos. Porque estudar é importante. Lembrar é importante. Ensinar é importante. Mas existe um momento em que precisamos fechar o livro, levantar-nos e caminhar. E é nesse caminho que aquilo que aprendemos deixa de ser apenas conhecimento e passa a demonstrar se realmente guardamos as palavras do Eterno. Não é palavra vã. É a nossa vida.

Que o Eterno nos conceda entendimento para ouvir suas palavras, firme confiança para permanecer nelas e disposição para transformá-las em atitudes concretas todos os dias.

Que o Eterno os abençoe.

Moshê Ben Yosef


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Estudo da Parashá Especial de Yom Teruá - O Sétimo Mês e o Sétimo Milênio – A Visão Profética

 


ESTUDO ESPECIAL DE YOM TERUÁ

Vayicrá/Levítico 23:23–25

Bamidbar/Números 29:1

Shemot/Êxodo 23:16, 34:22


Yom Teruá: O Sétimo Mês e o Sétimo Milênio – A Visão Profética


Há um dia marcado pelo próprio Eterno que revela um dos segredos mais profundos de Seu plano para a história. Um dia cujo nome original quase foi esquecido, mas cujo significado profético aponta diretamente para o momento em que o Reino do Céu se estabelecerá sobre toda a terra. Esse dia é Yom Teruá — o primeiro dia do sétimo mês.

Muitos o conhecem como Rosh Hashaná, mas há uma distinção essencial que precisamos compreender para não perdermos a mensagem que o Eterno deixou gravada em Suas festas ou moedim. Vamos explorar o que a Torá, os Profetas e a tradição de Yisrael nos ensinam sobre esse dia, sobre o número sete e sobre o futuro que foi marcado desde a Criação. Venha comigo até o final e guarde tudo em seu coração e mente.


1. O Nome e o Tempo: o que diz a Torá

Em minhas redes sociais, durante esse período antes da festa, publiquei vários vídeos curtos falando sobre esta moed do Eterno, vamos aprofundar um pouco mais neste estudo.

Começando pelo texto principal das moedim em Vayicrá 23:24–25, o Eterno fala a Moisés:

"Fala aos filhos de Yisrael dizendo: No sétimo mês, ao primeiro dia do mês, tereis descanso, memorial com som de trombetas, santa convocação. Nenhum trabalho servil fareis; e apresentareis oferta queimada ao Eterno."

E em Bamidbar 29:1:

"No sétimo mês, ao primeiro dia do mês, tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; é dia de toque de trombeta para vós."

Também Shemot 23:16

“E a festa da sega dos primeiros frutos do teu trabalho, que houveres semeado no campo, e a festa da colheita, à saída do ano, quando tiveres colhido do campo o teu trabalho.”

O nome dado pelo Eterno para este encontro é Yom Teruá, literalmente, "Dia do Toque de Trombeta" ou "Dia do Clamor e Alerta". Ele cairá sempre no primeiro dia do sétimo mês, conforme o Eterno determinou. Aqui surge uma questão que gera confusão: se Aviv ou Nisã é o primeiro mês conforme lemos em Shemot (Êxodo) 12:2, por que Tishrei, o sétimo mês, é chamado de Rosh Hashanah ou "cabeça do ano"? Por que dizem que é Ano Novo?

A resposta está na forma de contagem estabelecida pelo Eterno e por Yisrael:

    • Do ponto de vista da saída do Egito e da redençãoAviv ou Nisã = mês 1, início da contagem do ciclo anual das moedim.

    • Do ponto de vista da Criação, do ano civil e do ano agrícola de Yisrael → Tishrei = início do ano, conforme a tradição que remonta à própria Criação

Ou seja: biblicamente, Tishrei é o sétimo mês; na contagem desde a Criação, é o primeiro do ano agrícola. Essa dualidade é proposital: o sétimo mês abre um novo ciclo — o ciclo da plenitude, do repouso e do Reino.

Como estamos vendo há mais de um “início de ano” na tradição dos sábios. A Mishná, no tratado Rosh Hashanah 1:1, começa justamente com essa questão. Ela ensina que existem quatro começos de ano, cada um relacionado a uma finalidade diferente:

- Aviv ou Nisan (mês 1) — início do ano para reis e para as moedim determinadas pelo Eterno;

- Elul (mês 6) — início do ano para o dízimo dos animais;

- Tishrei (mês 7) — início do ano para assuntos civis e agrícolas;

- Shevat (mês 11) — início do ano das árvores, segundo Beit Shammai; Beit Hillel estabelece o décimo quinto de Shevat.

Os sábios não necessariamente entendem “ano” como possuindo uma única função cronológica, como no mundo gentio. Pode haver um início de ano para uma finalidade e outro início para outra finalidade.

Portanto, em relação à Tishrei, devemos considerar o seguinte: Imagine o ciclo agrícola:

semeadura → crescimento → colheita → encerramento da produção agrícola

Sucot ocorre justamente no momento do fim da colheita anual e reunião dos frutos. Por isso Shemot 23:16 pode falar da festa como ocorrendo: “na saída do ano” ou “no final do ano”.

Enquanto Vayicrá 23:34 continua chamando Tishrei de: “o sétimo mês”. Não há contradição. O mês pode ser: o sétimo mês na contagem dos meses, mas simultaneamente o encerramento de um ciclo anual agrícola.



2. O Padrão Divino: O Número Sete como Assinatura do Eterno

Desde o princípio, o Eterno estabeleceu um padrão repetido em tudo quanto fez: o número sete representa conclusão, repouso e plenitude. Observe alguns apontamentos:

- 7 dias → o sétimo dia é Shabat. Após seis dias de obra ou trabalho, vem o repouso e a santificação (Bereshit 2:1–3).

- 7 anos → o sétimo é o ano do Shmitá: a terra descansa, dívidas são perdoadas, liberdade é proclamada (Vayicrá 25:1–7).

- 7 vezes 7 anos → o quinquagésimo ano é o Yovel, o Jubileu: liberdade para todos, retorno às propriedades, restauração total (Vayicrá 25:8–17).

Sete dias, sete anos, sete ciclos, sempre: seis de preparo, seguidos de um sétimo de repouso, restauração e conclusão.

Há uma aplicação profética aqui: Seis Mil Anos de História. A tradição judaica, baseada nas Escrituras, aplica esse padrão aos anos da história humana. O princípio está em Salmos 90:4: "Pois mil anos, aos Teus olhos, são como o dia de ontem que passou". Cada "dia" divino corresponde a mil anos humanos. Assim como a Criação teve seis dias de obra e um sétimo de repouso, a história estende-se por seis mil anos de preparo, ao fim dos quais entraremos no sétimo milênio — o repouso definitivo, o Reino do Mashiach.

O Talmud, Tratado Sanhedrin 97a, registra essa tradição de forma explícita:

"Disse Rabi Katina: Seis mil anos durará o mundo, e um milênio ele estará em desolação... A escola de Eliyahu ensina: Dois mil anos sem Lei; dois mil anos com a Lei; dois mil dias do Messias. O sétimo milênio é totalmente repouso — a Era Vindoura."

E o grande comentarista Rashi explica com clareza:

"Assim como o sétimo dia é Shabat, também o sétimo milênio será repouso e tranquilidade para o mundo."

Ou seja, a história segue um relógio perfeito:

- Anos 0–2000 → Dois mil anos sem Lei entregue formalmente

- Anos 2000–4000 → Dois mil anos com a Lei, desde Abraão e a entrega no Sinai

- Anos 4000–6000 → Dois mil anos de preparo para a vinda do Reino

- A partir do ano 6000 → Entrada no sétimo milênio: repouso, justiça e Reino estabelecido

O ano judaico em que estamos entrando é o 5787 desde a Criação. Estamos, portanto, aproximadamente a 213 anos do limite dos seis mil anos. E é importante destacar que há uma diferença de contagens de mais ou menos 160 anos. Isso, no entanto, não significa que o Mashiach só virá no ano 6000 — os sábios ensinam que, se o povo se preparar, ele pode vir antes, como quem antecipa o Shabat e o recebe com alegria antes do entardecer. O relógio marca o tempo, mas a preparação pode acelerar a chegada. Mas também, olhando para os padrões bíblicos indicados vemos que tudo aponta para a vinda do Mashiach no sétimo milênio.



3. Yom Teruá: O Primeiro Dia do Sétimo Mês – e do Sétimo Milênio

Voltemos ao nosso ponto inicial: Yom Teruá cai exatamente no primeiro dia do sétimo mês. E o sétimo mês aponta, em perfeita harmonia com o padrão divino, para o início do sétimo milênio. Esse dia é, portanto, um sinal profético: o anúncio de que o Rei está chegando para tomar Seu Reino.

O centro de Yom Teruá é o som do Shofar. Mas não é apenas um som ritual: em Yisrael, o Shofar soava para coroar reis. Quando Salomão foi coroado, o sacerdote ordenou: "Tocai a trombeta e dizei: Viva o rei Salomão!" (1 Reis 1:34–39). O som do Shofar é proclamação de Rei. Por isso, em Yom Teruá, o som não é apenas lembrança — é chamado, alerta e anúncio. É como dizer: o Rei está à porta. Preparai-vos.

No Talmud, Tratado Rosh Hashaná 10b–11a, registra-se uma importante discussão:

- Rabi Eliezer ensina: o Mashiach virá em Tishrei, baseado em Isaías 27:13: "Naquele dia soará uma grande trombeta" — conectando diretamente o Shofar de Yom Teruá com a vinda do Rei.

- Rabi Yehoshua ensina: o Mashiach virá em Nisã, associando a redenção futura à saída do Egito como padrão.

Ambos têm fundamento: Nisã fala de redenção e salvação pessoal; Tishrei fala de reinado, julgamento e estabelecimento do Reino sobre toda a terra. Em Yom Teruá, vemos o aspecto da coroação e revelação pública do Rei.



4. O Sétimo Mês e as 3 Festas – Um Roteiro do Futuro

O sétimo mês não se resume a um único dia, isto é, não é apenas Yom Teruá ou Rosh HaShanah. Ele abre um ciclo de três festas que formam, juntas, um roteiro profético completo do que acontecerá quando o sétimo milênio chegar. Observe a tabela:

Festa

Data

Significado

Cumprimento Profético

Yom Teruá

Tishrei 1

Toque de Shofar — Alerta e Coroação

Revelação e vinda do Rei

Yom Kipur

Tishrei 10

Expiação e Jejum — Reconciliação plena

Purificação e reconciliação definitiva entre o Eterno e Seu povo

Sucot

Tishrei 15–21

Habitação em tendas — Alegria e Presença

O Eterno habita com os homens; Reino estabelecido

Assim como o sétimo mês se abre com o som do Shofar e avança rumo à presença plena em Sucot, o sétimo milênio se inicia com a vinda do Rei, passa pela reconciliação definitiva e culmina com a presença do Eterno habitando entre nós para sempre, sendo representado pelo Mashiach.



5. Como será o Sétimo Milênio

Segundo as Escrituras e a tradição de Yisrael, quando entrarmos nesse tempo:

- O conhecimento do Eterno encherá a terra "como as águas cobrem o mar" (Isaías 11:9). Não será mais necessário ensinar cada um ao próximo, pois todos O conhecerão, desde o menor até o maior.

- Justiça e paz reinarão. O juiz fiel se levantará; o Rei governará com retidão. "Não se fará mal nem dano em todo o Meu santo monte" (Isaías 11:9).

- A Aliança Renovada será cumprida em plenitude. Como prometeu o Eterno por meio de Jeremias: "Colocarei Minha Torá no íntimo deles e a escreverei no coração deles" (Jeremias 31:33). E não estamos falando aqui do chamado Novo Testamento. Não é uma aliança nova que anula a anterior — é a mesma Torá, agora vivida de dentro para fora.

- A criação inteira será restaurada. A terra produzirá em abundância; os povos se reunirão ao Monte do Eterno; e a paz cobrirá tudo.

É fundamental compreender que não estamos falando de uma religião nova substituindo Yisrael ou a Torá. Estamos falando da aliança original sendo restaurada e cumprida. O Eterno não anulou o que estabeleceu no Sinai — Ele prometeu escrever aquela mesma Lei no coração do povo.

O calendário, os meses, as festas e os números não são invenções humanas. Foram estabelecidos pelo próprio Eterno como sinais e relógio profético. Yom Teruá não é apenas uma festa judaica antiga — é o anúncio que o Eterno deixou gravado no tempo, para que, ao ouvirmos o som do Shofar no sétimo mês, lembremos: o Reino está chegando.

Vivemos hoje no ano 5787 da Criação. Caminhamos pelas últimas centenas de anos do sexto milênio. O som do Shofar de Yom Teruá continua soando, ano após ano, como um alerta e uma promessa: O sétimo mês aponta para o sétimo milênio. O som da trombeta anuncia que o Rei está vindo. E quando Ele vier, estabelecerá o Reino definitivo — de justiça, de paz e de presença plena do Eterno entre os homens.

Que ao ouvirmos o som do Shofar, não apenas ouçamos um som bonito, mas compreendamos o chamado: preparai-vos. O tempo se aproxima. O Reino vem.

Que o Eterno lhe abençoe!



Moshê Ben Yosef


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Estudo da Parashá Nitsavim-Vayelech - Retorne ao Eterno: O Caminho da Restauração, da Teshuvá e da Vida

 


Estudos da Torá

Parashá nº 51Nitsavim (Encontram-se)

Devarim/Deuteronômio 29:9-30:20

Haftará (separação) Is 61:10-63:9.

Escritos Nazarenos Rm 9:30-10:13; Hb 12:14-15.

Parashá nº 52Vayelech (Ele foi)

Devarim/Deuteronômio 31:1-30

Haftará (separação) Os 14:1-10, Mq 7:18-20 e Jl 2:15-27.

Escritos Nazarenos Hb 13:5-8.


Retorne ao Eterno: O Caminho da Restauração, da Teshuvá

e da Vida



A parashá Nitsavim nos coloca diante de uma das declarações mais profundas de Moshê: o caminho de retorno ao Eterno não está distante do ser humano. A palavra está perto, na boca e no coração, para ser praticada. Essa afirmação ganha ainda mais força quando lemos Hoshea 14:1–10, onde o profeta chama Yisra'el diretamente:

“Retorna, Yisra'el, até HaShem, teu Elohim, porque tropeçaste na tua iniquidade.”

As duas porções nos apresentam uma verdade essencial: o afastamento do Eterno não precisa ser o destino final de uma pessoa ou de um povo. Existe um caminho de retorno. Mas esse retorno não pode ser apenas uma emoção, uma declaração ou um momento de arrependimento. Nas Escrituras, retornar ao Eterno envolve reconhecer o caminho errado, abandonar a iniquidade, voltar a ouvir sua voz e viver de acordo com seus mandamentos. Por isso, o tema desta reflexão é simples e direto: Retorne ao Eterno. Assim, sugiro que você fique comigo até o final.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

O retorno começa quando reconhecemos que nos afastamos. Existe algo muito humano no que encontramos em Nitsavim. Muitas vezes sabemos que precisamos mudar, sabemos que determinado caminho não está correto, mas adiamos a mudança.

Devarim 30 mostra que Moshê não apresenta o retorno ao Eterno como algo impossível ou inacessível:

“Pois isto está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para o cumprires.”

Antes disso, Moshê havia anunciado que, quando o povo retornasse ao Eterno e ouvisse sua voz, HaShem teria compaixão e reuniria novamente seu povo. Portanto, o contexto é fundamental: Devarim 30 fala de retorno, mudança e restauração.

Hoshea utiliza uma linguagem igualmente direta. Ele não diz simplesmente para Yisra'el sentir tristeza por seus erros. Ele diz:

“Retorna, Yisra'el, até HaShem, teu Elohim.”

E depois ensina o que deveria ser levado ao Eterno:

“Levai convosco palavras e retornai a HaShem.”

Isso nos ensina algo importante para nossa vida: reconhecer o erro é o começo, mas retornar significa mudar a direção. Literalmente, é fazer teshuvá. E levando em conta que estamos no shabat anterior à Yom Teruá, um momento muito propício para retornar ao Eterno, pois estamos em período de juízo. Nesse período o Eterno está preparando nosso próximo ano. Então façamos teshuvá.


1. O retorno ao Eterno está perto de nós

Apoiando-se na leitura clássica de Cohêlet 7:29, compreende-se que "...o Criador fez o ser humano reto, porém eles buscaram muitas astúcias". Existe em cada pessoa uma inclinação natural voltada para sua origem divina. O que desvia o ser humano não é a falta de capacidade inata, mas sim o acúmulo de influências e distrações do cotidiano.

Para ilustrar a acessibilidade da teshuvá, podemos utilizar a analogia do sono. O sono é um hábito fisiológico diário que restaura as forças do corpo de forma natural; ninguém o encara como um feito heroico ou uma conquista extraordinária. Da mesma forma, a teshuvá deve ser compreendida como uma atividade de manutenção regular e saudável da vida espiritual, e não como um evento raro reservado exclusivamente para grandes crises existenciais ou litúrgicas.

Devarim 30:11–14 apresenta uma imagem muito poderosa. Moshê afirma que o mandamento não está nos céus, nem além do mar. Não é algo que dependa de alguém subir ou atravessar grandes distâncias para trazê-lo. A palavra está perto. Está na boca e no coração, para ser praticada.

Isso desmonta uma desculpa muito comum: “Eu não consigo”, “é difícil demais”, “um dia eu vou mudar”, “preciso primeiro resolver muitas coisas”. Moshê coloca a questão de maneira diferente. O Eterno não colocou seu caminho em um lugar inacessível. E existe uma sequência muito importante no próprio capítulo:

“Quando voltares para HaShem, teu Elohim, e ouvires a sua voz conforme tudo o que hoje te ordeno...” (Devarim 30:8)

Depois:

“Porque ouvirás a voz de HaShem, teu Elohim, para guardares os seus mandamentos…” (Devarim 30:10)

E então:

“Pois isto está muito perto de ti...” (Devarim 30:14)

Percebemos que o retorno não é apresentado como uma experiência abstrata. Ele está ligado a ouvir, guardar e praticar. É aqui que a mensagem de Nitsavim se torna extremamente atual. Talvez alguém esteja esperando uma grande manifestação para começar a obedecer. Talvez esteja esperando o momento perfeito para mudar. Mas Moshê diz: a palavra está perto de você.

A questão não é a distância do caminho. A questão é se estamos dispostos a caminhar nele. Hoshea confirma essa ideia. O profeta não diz a Yisra'el: “Procurem um caminho desconhecido.” Ele diz: “Retorna, Yisra'el, até HaShem.” Retornar significa que o caminho já é conhecido. O problema não é descobrir quem é HaShem, mas voltar-se novamente para Ele.


2. Teshuvá não é apenas reconhecer o erro, é abandonar o caminho errado.

O comentário dessa parashá, no livro “Nos caminhos da Eternidade” destaca três elementos: abandonar o pecado, arrepender-se do passado e confessar a transgressão.

O significado prático de voltar para Deus afasta-se de sentimentos abstratos e de remorsos puramente passivos. Ele se manifesta em ações diárias e concretas:

- Mudar de direção (Abandono Real): Sentir remorso sem mudar de rumo não constitui o retorno. Se alguém percebe que caminha na direção errada, mas continua avançando por ela, não houve teshuvá. A prática exige o abandono real do pecado e dos pensamentos nocivos.

- Deixar os falsos apoios: Hoshea 14:4 detalha que o povo deve confessar que não confiará na Assíria, nem em cavalos (força militar), nem chamará as obras de suas mãos de "nossos deuses". Na vida moderna, isso equivale a retirar nossa segurança existencial de elementos materiais, status ou realizações próprias, recolocando nossa confiança inteiramente no Criador.

- Trazer palavras sinceras: O profeta insta o povo a "levar consigo palavras". Trata-se da necessidade da expressão verbal sincera do erro, que serve de fundamento para o viduy (confissão).

Podemos encontrar o fundamento disso diretamente nas Escrituras. O profeta Yeshayahu declara:

“Abandone o perverso o seu caminho, e o homem de iniquidade os seus pensamentos; e retorne a HaShem, que terá compaixão dele.” (Yeshayahu 55:7)

Observe a força dessas palavras: abandonar o caminho errado e retornar a HaShem. Isso significa que o retorno não consiste simplesmente em dizer “eu errei”. Se uma pessoa reconhece que está caminhando para o norte, mas continua andando para o norte, ela não mudou de direção. Da mesma forma, reconhecer uma transgressão sem abandonar o caminho que conduz à transgressão não representa uma mudança completa.

É por isso que Hoshea é tão direto. Depois de chamar Yisra'el ao retorno, ele apresenta palavras que deveriam ser levadas ao Eterno:

“Perdoa toda iniquidade e recebe o que é bom.” (Hoshea 14:3)

E o povo deveria abandonar sua confiança em poderes humanos:

“Não nos salvará Ashur; não montaremos em cavalos; e nunca mais diremos à obra das nossas mãos: nossos elohim.” (Hoshea 14:4)

Aqui encontramos um princípio muito profundo. Retornar ao Eterno também significa abandonar aquilo em que colocávamos nossa confiança no lugar dEle. O retorno exige mudança. Yisra'el precisava abandonar seus caminhos, abandonar seus falsos apoios e voltar a HaShem. E essa mensagem também aparece em Devarim 30. Depois de falar sobre o retorno, Moshê coloca diante do povo uma escolha: “A vida e o bem, a morte e o mal.” E então faz seu chamado: “Escolhe, pois, a vida.”

A teshuvá, portanto, não é simplesmente olhar para trás e lamentar. É olhar para o caminho em que estamos, reconhecer quando ele está errado e escolher novamente o caminho da vida.


3. O retorno produz restauração e aproximação do Eterno

Talvez essa seja a parte mais bonita de Nitsavim e Hoshea. O Eterno não chama Yisra'el ao retorno simplesmente para condená-lo pelo passado. O chamado ao retorno abre diante do povo uma possibilidade de restauração. Devarim 30 declara:

“Então HaShem, teu Elohim, te fará voltar do teu cativeiro, e terá compaixão de ti.”


E acrescenta:

“HaShem, teu Elohim, circuncidará o teu coração e o coração da tua descendência, para amares HaShem, teu Elohim, com todo o teu coração e com toda a tua alma.” (Devarim 30:3,6)


Aqui vemos que a restauração começa com o próprio retorno a HaShem e conduz a uma vida de amor e obediência. Hoshea 14 apresenta a mesma esperança de maneira muito bonita. Depois do chamado: “Retorna, Yisra'el, até HaShem…” o Eterno responde:

“Eu curarei a sua apostasia; Eu os amarei livremente.” (Hoshea 14:5)

E então aparecem imagens de crescimento: “Serei como o orvalho para Yisra'el; ele florescerá como o lírio…” Aquele que estava afastado volta a florescer. Aquele que havia perdido sua direção volta a produzir fruto. Isso mostra que o objetivo do retorno não é simplesmente apagar o passado. É voltar a viver corretamente diante do Eterno. Hoshea termina apresentando dois caminhos:

“Porque os caminhos de HaShem são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles tropeçarão.” (Hoshea 14:10)


Para pintar o cenário de restauração após o retorno, o texto bíblico faz uso de ricas metáforas agrícolas e naturais de florescimento:

- O orvalho divino: O Eterno promete ser como o orvalho para Yisrael.

- Florescimento do lírio: Símbolo de beleza e renovação espiritual.

- Raízes firmes: Símbolo de estabilidade e solidez espiritual.

- Fragrância de oliveiras: Uma vida que volta a exalar vitalidade e a produzir frutos espirituais saudáveis na presença do Criador.

Esse processo marca a transição espiritual de um estado de מובדל - "Muvdal", que em hebraico significa separado de D’us pelas iniquidades, para um estado de מוּדְבָּק – "Mudbak", que significa próximo, colado e intimamente conectado ao Eterno. O arrependimento reconstrói a ponte destruída pelo erro, restabelecendo a intimidade perdida.

Essa conclusão é fundamental. O retorno precisa continuar sendo uma caminhada. Não basta retornar hoje e abandonar amanhã. Não basta reconhecer o erro e depois voltar ao mesmo caminho. O propósito é permanecer nos caminhos de HaShem.

Concluindo nosso estudo, vimos que Nitsavim e Hoshea 14 nos colocam diante de uma decisão. O Eterno chama: Retorne.

Não é um chamado distante. Não é algo reservado para algumas pessoas. Não depende de atravessar os mares ou subir aos céus. Como diz o texto da parashá: A palavra está perto, na boca e no coração. Mas existe uma finalidade: “Para que a cumpras.”

O retorno verdadeiro começa quando reconhecemos nosso afastamento, mas continua quando abandonamos o caminho errado e voltamos a ouvir a voz de HaShem. Por isso, a mensagem de Nitsavim não deve produzir apenas reflexão. Ela deve produzir decisão. Mosheh diz:

“Chamo hoje os céus e a terra como testemunhas contra vós: pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e tua descendência, amando HaShem, teu Elohim, ouvindo a sua voz e apegando-te a Ele.” (Devarim 30:19–20)

E Hoshea nos mostra como esse retorno começa:

“Retorna, Yisra'el, até HaShem, teu Elohim.”

Essa é a grande mensagem para nós. Não importa apenas onde estivemos ontem. Importa para onde estamos caminhando hoje. Se nos afastamos, retornemos. Se tropeçamos, levantemo-nos. Se abandonamos um mandamento, voltemos a obedecer. Se colocamos nossa confiança em algo que não seja HaShem, abandonemos esse apoio e voltemos nosso coração para Ele.

O caminho está perto. A escolha está diante de cada um de nós. Retorne ao Eterno, escolha a vida. Ame HaShem, ouça sua voz e apegue-se a Ele.


Que o Eterno os abençoe.

Moshê Ben Yosef