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quinta-feira, 26 de março de 2026

Estudo da Parashá Tsav - Cuidado com Palavras Falsas

 


Estudos da Torá

Parashá nº 25 – Tsav (Ordena)

Vayicrá/Levítico 6:1-8:36

Haftará (separação) Jr 7:21-8:3 e 9:22-24

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mc 12:28-34; Rm 12:1,2.


Cuidado com Palavras Falsas


Vivemos dias em que palavras são abundantes, mas nem todas carregam verdade. Há discursos religiosos, declarações de devoção, práticas externas que parecem corretas, mas será que correspondem a um coração verdadeiramente alinhado com o Eterno?

Na parashá Tsav, o Eterno nos ensina sobre o fogo que nunca deve se apagar no altar. Já na haftará em Yirmeyahu 7, somos confrontados com um povo que mantinha o culto, mas havia se afastado da obediência verdadeira. Entre esses dois textos, surge um alerta poderoso: É possível manter o altar aceso… e ainda assim viver sustentado por palavras falsas.

Este estudo é um chamado à sinceridade, à obediência e à vigilância.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Nesta semana meditamos na parashá Tsav onde o Eterno aprofunda as instruções dadas anteriormente sobre o serviço no altar e a consagração daqueles que ministram diante d’Ele.

O texto começa com uma ênfase muito forte na responsabilidade contínua dos kohanim em relação às ofertas. Diferente da porção anterior, aqui o foco não está apenas no ofertante, mas principalmente naquele que serve no altar. O Eterno ordena que Aharon e seus filhos cuidem diligentemente de cada detalhe do serviço, mostrando que aquilo que é consagrado exige zelo constante.

Um dos pontos centrais é a instrução de que a oferta queimada, a oláh ou holocausto, deve permanecer sobre o altar durante toda a noite até a manhã, e o fogo não pode se apagar. Todas as manhãs, o kohen deve colocar lenha nova e organizar o altar novamente. Isso revela que o serviço ao Eterno não é algo momentâneo, mas contínuo, exigindo disciplina, constância e vigilância diária.

Também são detalhadas as instruções sobre a minchá, a oferta de cereais, que deveria ser apresentada sem fermento, sendo parte queimada ao Eterno e parte consumida pelos kohanim em lugar santo. O mesmo ocorre com as ofertas pelo erro, a chatat, e pela culpa, a asham, que são consideradas santíssimas e devem ser tratadas com extremo cuidado. O texto deixa claro que aquilo que toca o que é santo também se torna santo, mostrando a seriedade da proximidade com o altar.

A porção ainda aborda a oferta de paz, o zevach shelamim, trazendo instruções sobre como e quando ela deve ser consumida, reforçando a importância da pureza e da obediência.

Outro ponto importante é a ênfase nas vestes dos kohanim e na forma correta de lidar até mesmo com as cinzas do altar. Nada é tratado como comum; tudo é feito com reverência, ordem e santidade. Isso nos ensina que não há “pequenos detalhes” quando se trata do serviço ao Eterno.

Na segunda parte da parashá, vemos a consagração de Aharon e seus filhos. Moshe, conforme ordenado, reúne toda a congregação e inicia o processo: eles são lavados com água, vestidos com as vestes sagradas, ungidos com óleo e apresentados diante do Eterno por meio de ofertas. O sangue das ofertas é colocado sobre partes específicas do corpo de Aharon e seus filhos, sendo elas orelha, polegar e pé, indicando que todo o seu ser deveria estar dedicado ao serviço: ouvir, agir e andar segundo as instruções do Eterno.

Esse processo de consagração dura sete dias, durante os quais eles permanecem à entrada da tenda da congregação, guardando o encargo do Eterno. Isso demonstra que servir ao Eterno não é algo leviano, mas exige preparação, separação e total entrega.

Ao meditarmos em Tsav, percebemos que o Eterno não busca apenas atos externos, mas um coração comprometido com a obediência contínua. O fogo no altar, que nunca deve se apagar, nos ensina que nosso zelo, nossa dedicação e nosso compromisso com as instruções do Eterno também devem ser constantes.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Ao estudarmos a Torá com mais atenção, temos a grata oportunidade de perceber que, o início da parashá apresenta um princípio essencial: o fogo deve ser mantido aceso continuamente. E isso não é opcional, não é ocasional. Esse fogo é um apontamento profético, ele representa:

    • A presença do Eterno;

    • A continuidade do serviço ou culto; e

    • A responsabilidade humana.

Entretanto quando olhamos para a haftará, encontramos um cenário preocupante, vemos uma oposição. O povo ainda oferecia os sacrifícios, conforme lemos no início do capítulo dessa haftará, mas estava acontecendo algo que não devia, e por isso o Eterno declara:


Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Eterno, Templo do Eterno, Templo do Eterno é este.” Yirmeyahu 7:4.


Aqui entramos no tema central: o perigo de viver sustentado por palavras falsas enquanto se mantém uma aparência de devoção. Então na sequência, referida a esta porção, vemos o Eterno usando o profeta para falar algo extremamente forte:


Assim diz o Eterno dos Exércitos, o Elohim de Yisrael: Juntem os seus holocaustos aos outros sacrifícios e comam a carne vocês mesmos! Quando tirei do Egito os seus antepassados, nada lhes falei nem lhes ordenei quanto a holocaustos e sacrifícios. Dei-lhes, entretanto, esta ordem: Obedeçam-me, e eu serei o seu Elohim e vocês serão o meu povo. Vocês andarão em todo o caminho que eu lhes ordenar, para que tudo lhes vá bem. Jeremias 7:21-23


Nesse texto há uma aparente contradição com a Torá, no entanto, ao estudar o texto desde o início, vemos que o Eterno está mostrando a importância de se ouvir suas palavras. O que o Eterno está dizendo é claro: os sacrifícios nunca foram o fim em si mesmos. Eles sempre dependeram de um fundamento maior, isto é, ouvir e obedecer à Sua voz. O povo estava mantendo o “fogo aceso” externamente, mas o coração estava apagado.

Os sábios do povo de Israel entenderam claramente que os korbanot nunca foram o objetivo final. No Talmud, é dito que:


O Santo, Bendito seja Ele, busca o coração, e o barômetro da grandeza é a devoção do coração e não a quantidade de Torá que se estuda, como está escrito: Mas o Eterno olha para o coração.” Tratado Sanhedrin 106b


O Talmud explica que, embora alguém seja brilhante e conheça profundamente a Torá, pode faltar-lhe a intenção correta e a pureza de sentimentos. A ideia central é que o estudo acadêmico ou a prática externa não valem tanto quanto a sinceridade e a devoção interna. Para o pensamento talmúdico, a conexão com o divino não é apenas um exercício de lógica ou de rituais mecânicos, mas algo que deve nascer de uma intenção genuína. E para o Messias, o “coração” não é apenas sentimento, mas a sede da vontade e das decisões.

Isso ecoa diretamente o que já está escrito em Shemuel Alef 15:22: “Eis que obedecer é melhor do que sacrificar.” Ou seja, a haftará em Yirmeyahu 7 não está anulando os sacrifícios de Vayicrá, mas recolocando-os no seu devido lugar. Os sábios ensinam que o sacrifício só é aceito quando vem acompanhado de teshuvá (arrependimento/retorno) e obediência.


1. O altar ativo e o coração distante

Na parashá, o Eterno fala a Moshê estabelecendo como deve funcionar: o altar, o fogo, os sacrifícios. Tudo é descrito em detalhes, como oferecer, quando oferecer, quem pode comer, como se consagrar. O foco está na obediência precisa às instruções do Eterno. O altar não é apenas um lugar de sacrifício, mas de relacionamento baseado em submissão e fidelidade, conforme vimos a semana passada. Sendo assim, o povo sabia a vontade do Eterno, mas em Yirmeyahu, o Eterno o usa para denunciar como o povo estava vivendo, conforme já lemos acima:


Porque não falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, acerca de holocaustos e sacrifícios; mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à Minha voz…” Yirmeyahu 7:22-23


O problema não era o altar, nem o ritual ou as ofertas. Era o coração. A relação entre Tsav e essa haftará é um alerta, pois na parashá aprendemos como acender e manter o fogo, ou seja, como nos aproximarmos do Eterno. Já em Yirmeyahu, aprendemos que de nada adianta o fogo aceso se não houver obediência verdadeira.

O povo nos dias de Yirmeyahu oferecia sacrifícios mas vivia em desobediência. Praticavam injustiça, não ouviam a voz do Eterno, por isso, o Eterno rejeitou o culto deles.


2. O que ensinam os profetas, os sábios, Yeshua e os talmidim

Podemos observar o que alguns homens do Eterno através do tempo disseram a respeito desse assunto. Os profetas sendo usados por HaShem foram diretos:


Eis que obedecer é melhor do que sacrificar.” Shemuel Alef 15:22


Ele te declarou, ó homem, o que é bom: praticar justiça, amar a bondade e andar humildemente com o teu Elohim.” Mikha 6:8


Os sábios de Israel ensinaram que o Eterno deseja o coração alinhado com Suas instruções, não apenas ações externas, conforme diz o Talmud tratado Tamid 29b, vemos:


Todas as árvores são apropriadas para o altar… assim, o fruto salva a árvore.”


Isso aponta para a responsabilidade pessoal. Yeshua reforça esse mesmo ensino:


Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” Matityahu 7:19-20


E ainda:

Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim.” Yeshua citando Yeshayahu 29:13 em Matityahu 15:8, ao responder aos fariseus que o questionaram sobre seus talmidim não fazerem a Netilat Yadayim cerimonial antes de comer. Os líderes religiosos estavam dando mais importância à halachá criada do que a Torá em si. Muitas vezes, a tradição humana (Halachá) acabou se tornando um peso maior do que a própria essência da Torá. Yeshua nos chama de volta ao fundamento: a obediência que nasce do amor, e não apenas do costume.

Os talmidim também ensinam: “Não extingais o fogo.” 1 Tessalonicenses 5:19. Aqui vemos que o padrão estabelecido pela Torá, ainda era seguido:

- Palavra sem prática = sheker (mentira) = hipocrisia

- Obediência com verdade = Palavra com prática = emet (verdade)

Observe o conceito hebraico de “palavras falsas”, essa expressão vem da ideia de “divrei sheker” - דברי שקר.

- Sheker - שקרindica falsidade, mentira, ilusão, algo sem fundamento real. Em sua raiz hebraica, isso carrega a ideia de algo instável, sem sustentação, desconectado da verdade – emet – אמת.

- Emet - אמתindica verdade firme, aquilo que permanece, que é fiel ao Eterno. Por falar nisso, no blog eu postei um estudo ensinando que “A mentira não combina com a Torá, veja neste link: https://souperegrinonaterra.blogspot.com/2026/03/a-mentira-nao-combina-com-tora.html

Por isso, quando analisamos esses pormenores percebemos que palavras falsas não são apenas mentiras explícitas, são também discursos religiosos que não correspondem à prática.


3. Como viver isso hoje

Atualmente, o perigo do esfriamento e da hipocrisia continua o mesmo:

- Falar do Eterno e de sua Palavra, mas não obedecer.

- Participar do serviço, mas não ser transformado.

- Conhecer as Palavras do Eterno, mas não praticar.

Contudo, alguém pode se perguntar: Como viver corretamente? E a resposta é bem prática, veja:

- Alimentando o fogo diariamente: “Antes tem o seu prazer na Torá do Eterno, e na sua Torá medita de dia e de noite.” Tehilim 1:2

- Guardando o coração: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração…” Mishlei 4:23

- Praticando justiça: “Repartas o teu pão com o faminto…” Yeshayahu 58:7

- Vivendo com verdade: Não apenas palavras, mas uma vida coerente.

É muito pertinente a relação dessa parashá com a haftará, pois elas são um alerta direto para nossas vidas ainda hoje, a fim de nos ensinar como servir e como não corromper esse serviço. Percebemos que os sábios resumem essa relação mostrando que o altar sem obediência é rejeitado e o fogo sem justiça é apagado pelo próprio Eterno.

Concluindo nosso estudo, aprendemos que o ensino da Torá e dos profetas, incluindo Yeshua e seus talmidim, são um só: O Eterno não busca apenas ações corretas, ele busca corações alinhados com Suas instruções. Somos alertados a manter o fogo aceso e não vivermos de palavras falsas.

O Eterno não se agrada de aparência. Ele busca verdade, como está escrito:


Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em Me entender e Me conhecer, que Eu sou o Eterno, que faço bondade, juízo e justiça na terra.” Yirmeyahu 9:24


Portanto, a pergunta permanece: O seu fogo está aceso? Ou você está sustentando sua vida com palavras sem prática? Que abandonemos todo divrei sheker (palavra mentirosa) e vivamos em emet (verdade) diante do Eterno.

Que o Eterno lhes abençoe.

Moshê Ben Yosef


quarta-feira, 25 de março de 2026

A TORÁ E OS RUDIMENTOS DO MUNDO

 


A TORÁ E OS RUDIMENTOS DO MUNDO


É importante entender que devemos separar a verdade da Torá do Eterno das interpretações humanas. Vamos comparar com clareza o que o sistema cristão tradicional ensina sobre Galatim (Gálatas) 4 e o que realmente o texto ensina à luz do contexto hebraico das Escrituras.


Como sempre ensino, existe uma forma de interpretar, não somente os textos de Paulo, mas as epístolas em geral. Claro que, cada autor tem particularidades que precisam ser exploradas, mas a forma judaica de pensar da época, e portanto, a interpretação é geral dentro do contexto original judaico. Para isso, precisamos aplicar alguns níveis do PaRDeS e seguir os métodos de interpretação que o povo do Eterno usa há muito tempo.


Existem 3 pontos importantes para analisar um escrito de Paulo, assim em primeiro lugar vamos ver esses três pontos para compreendermos melhor o texto.


Primeiro Ponto - Quem é o destinatário da Carta;

Segundo Ponto - Qual era o motivo do envio da carta ou do texto; e

Terceiro Ponto - Qual era o contexto histórico que envolvia a situação.


Primeiro devemos descobrir para quem é a carta, e nesse texto está bem clara. Ela é destinada aos nazarenos da comunidade da galácia, formada por judeus, prosélitos, remanescentes de Israel e ex-gentios em sua maioria.


Depois devemos entender o motivo do envio da carta, que segundo o texto é por causa de ensinos errados, desvio de conduta e perseguições que estavam ocorrendo na comunidade. O motivo central está declarado logo no início da carta (Galatim 1:6-7), onde Shaul diz:


“Estou admirado de que tão depressa estejais passando daquele que vos chamou na graça do Mashiach para outro evangelho, que na verdade não é outro; mas há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho do Mashiach.”

Ele escreveu para corrigir uma confusão: alguns estavam exigindo que os ex-gentios se submetessem a práticas legalistas, como por exemplo, fazer a brit milá antes de entenderem a Torá e suas práticas, como condição para serem considerados parte do povo do Eterno.

Shaul não rejeita os mandamentos, como alguns falsamente afirmam. Ele apenas defende que a justificação diante do Eterno vem pela obediência fiel e firme confiança, não por obras exteriores que não partem de um coração renovado. Como está escrito em Hoshea 6:6:

"Porque Eu quero misericórdia, e não sacrifício, e o conhecimento do Eterno mais do que os holocaustos."

Shaul, como um verdadeiro servo do Eterno, zelava para que os das nações não fossem sobrecarregados com fardos criados por homens, isto é, os excessos de halachá, mas aprendessem a andar na Torá conforme o Espírito de obediência que também esteve em Yeshua.


E terceiro, analisar o contexto histórico que envolvia a situação do texto da carta e devemos ter um vislumbre da forma de vida da cidade e da comunidade. Os da Galatia eram, em sua maioria, povos das nações (ex goim), que ouviram a palavra da obediência ao Eterno e aceitaram seguir os mandamentos ensinados por Yeshua e seus emissários. Eles não vieram de uma formação tradicional da casa de Yisrael, mas foram enxertados por meio da teshuvá (arrependimento), conforme o chamado de Yeshayahu (Isaías) 56:6-7, onde o Eterno diz que estrangeiros que se apegarem ao Seu pacto terão lugar em Sua Casa.


A carta foi escrita provavelmente por volta do ano 50 a 55, logo após a visita de Rav Shaul àquelas comunidades durante suas jornadas, como relatado em Maasim (Atos) capítulos 13 e 14. A urgência da carta indica que não se passou muito tempo entre a formação da comunidade e o desvio que ocorreu.


Outra coisa importante a ser observada é que nas suas cartas o Rabino Sha'ul (apóstolo Paulo) usa alguns pronomes para identificar com quem ele está falando. Assim, quando ele usa os pronomes "nós, nosso ou nossos", está falando dele e dos judeus. E quando usa "você, vocês, vosso ou vossos", está falando dos ex-gentios que agora fazem parte do povo do Eterno.


Tendo todas essas coisas em mente, vamos ao texto. Separado em blocos de versos para ficar mais fácil o entendimento.


1. Filhos sob tutela até o tempo determinado (versos 1-3)

“¹ Digo porém que, enquanto o herdeiro é menor de idade, em nada difere de um escravo, embora seja dono de tudo. ² No entanto, ele está sujeito a guardiães e administradores até o tempo determinado por seu pai. ³ Assim também nós, quando éramos menores, estávamos escravizados aos princípios elementares do mundo. Gálatas 4:1-3”

Shaul ensina que os filhos, mesmo sendo herdeiros, vivem como servos até que chegue o tempo marcado pelo pai, o tempo do amadurecimento. E vemos no TaNaK ligação com essas palavras de Paulo. Assim como o povo foi "ensinado" por meio de figuras e sombras (como o Mishkan, os sacrifícios, etc.), agora eram chamados à maturidade de entendimento. “A Torá do Eterno é perfeita e restaura a alma...” (Tehilim 19:7), mas exige maturidade espiritual.

2. A vinda de Yeshua como libertação (versos 4-7)

“⁴ Mas, quando chegou a plenitude do tempo, o Eterno enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Torá, ⁵ a fim de redimir os que estavam sob a Torá, para que recebêssemos a adoção de filhos. ⁶ E, porque vocês são filhos, o Eterno enviou o Ruach de seu Filho aos seus corações, o qual clama: "Aba, Pai". ⁷ Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, o Eterno também o tornou herdeiro. Gálatas 4:4-7”

Shaul mostra que Yeshua, sendo obediente ao Eterno, veio cumprir e ensinar as instruções corretas, mostrando o caminho de libertação dos fardos criados por homens. No TaNaK encontramos a referência que mostra a ligação com as palavras do apóstolo: Yeshayahu 61:1 que diz: “O Espírito do Eterno está sobre mim... para proclamar liberdade aos cativos.” Ele veio como servo obediente (Yeshayahu 42:1), não para abolir a Torá, mas para viver conforme ela.

3. Advertência contra retorno à escravidão (versos 8-11)

“⁸ Antes, quando vocês não conheciam ao Eterno, eram escravos daqueles que, por natureza, não são deuses. ⁹ Mas agora, conhecendo a D’us, ou melhor, sendo por ele conhecidos, como é que estão voltando àqueles mesmos princípios elementares, fracos e sem poder? Querem ser escravizados por eles outra vez? ¹⁰ Vocês estão observando dias especiais, meses, ocasiões específicas e anos! ¹¹ Temo que os meus esforços por vocês tenham sido inúteis. Gálatas 4:8-11”
Shaul alerta que voltar aos sistemas religiosos humanos e calendários de ritos inventados por homens é cair de novo na escravidão. Aqui não é uma menção as datas festivas da Torá, mas a práticas e rituais pagãos que os gálatas praticavam antes de fazerem teshuvah. E também dar ouvidos ao que os extremistas ou legalistas estavam exigindo deles. Em Yirmeyahu 2:13, o Eterno diz: “O Meu povo cometeu dois males: a Mim me deixaram, fonte de águas vivas, e cavaram para si cisternas rotas...”

4. Apelo pessoal de Shaul (versos 12-20)

“¹² Eu lhes suplico, irmãos, que se tornem como eu, pois eu me tornei como vocês. Em nada vocês me ofenderam; ¹³ como sabem, foi por causa de uma doença que lhes preguei o evangelho pela primeira vez. ¹⁴ Embora a minha doença lhes tenha sido uma provação, vocês não me trataram com desprezo ou desdém; pelo contrário, receberam-me como se eu fosse um anjo de D’us, como o próprio Mashiach Yeshua. ¹⁵ Que aconteceu com a alegria de vocês? Tenho certeza que, se fosse possível, vocês teriam arrancado os próprios olhos para dá-los a mim. ¹⁶ Tornei-me inimigo de vocês por lhes dizer a verdade? ¹⁷ Os que fazem tanto esforço para agradá-los, não agem bem, mas querem isolá-los a fim de que vocês também mostrem zelo por eles. ¹⁸ É bom sempre ser zeloso pelo bem, e não apenas quando estou presente. ¹⁹ Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que o Mashiach seja formado em vocês. ²⁰ Eu gostaria de estar com vocês agora e mudar o meu tom de voz, pois estou perplexo quanto a vocês. Gálatas 4:12-20”

Shaul lembra da afeição e zelo que os gálatas tinham por ele, mostrando tristeza ao ver que foram enganados por falsos mestres. Assim como Moshê, que intercedia pelo povo mesmo quando este errava (Shemot 32:32), Shaul roga com ternura, como um pai que sofre por seus filhos.

5. Sara e Hagar como alegoria (versos 21-31)

“²¹ Digam-me vocês, os que querem estar debaixo da lei: Acaso vocês não ouvem a Torá? ²² Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. ²³ O filho da escrava nasceu de modo natural, mas o filho da livre nasceu mediante promessa. ²⁴ Isso é usado aqui como uma ilustração; estas mulheres representam duas alianças. Uma aliança procede do monte Sinai e gera filhos para a escravidão: esta é Hagar. ²⁵ Hagar representa o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à atual cidade de Jerusalém, que está escravizada com os seus filhos. ²⁶ Mas a Jerusalém do alto é livre, e essa é a nossa mãe. ²⁷ Pois está escrito: "Regozije-se, ó estéril, você que nunca teve um filho; grite de alegria, você que nunca esteve em trabalho de parto; porque mais são os filhos da mulher abandonada do que os daquela que tem marido". ²⁸ Vocês, irmãos, são filhos da promessa, como Isaque. ²⁹ Naquele tempo, o filho nascido de modo natural perseguia o filho nascido segundo o Ruach. O mesmo acontece agora. ³⁰ Mas o que diz a Escritura? "Mande embora a escrava e o seu filho, porque o filho da escrava jamais será herdeiro com o filho da livre". ³¹ Portanto, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da livre. Gálatas 4:21-31”

Shaul usa a figura de Hagar (escravidão) e Sara (liberdade) para mostrar que os da confiança obediente são filhos da promessa, livres, e não escravos das tradições humanas. Bereshit 21:10 diz: “Lança fora esta escrava e seu filho, porque o filho da escrava não herdará com o filho da livre.” Aqui, ele mostra que os que se apegam ao Eterno pela obediência verdadeira, como Yitzchak, são filhos da promessa.

Para mais detalhes verso a verso sobre este capítulo assista ao vídeo no link: https://youtube.com/live/EnyDrcOwFqI?feature=share


Rav Shaul exorta os gálatas a não retornarem à escravidão de ritos vazios e mandamentos de homens, isto é uma referência ao legalismo que estava sendo imposto. Ele lembra que os ex-gentios aproximados foram feitos filhos e herdeiros por meio da confiança obediente, como Yitzchak, e não como Ismael. Aqueles que seguem Yeshua com fidelidade à Torá são filhos da promessa, chamados à liberdade de servir ao Eterno com coração puro, fazendo teshuvah.

Portanto, irmãos, somos filhos da livre, e não da escrava.” (Galatim 4:31) Como está escrito: “O justo viverá pela sua confiança.” (Chavakuk 2:4)

SOBRE A TORÁ E OS "RUDIMENTOS DO MUNDO"

Agora que entendemos um pouco o contexto do capítulo 4 da epístola aos Gálatas, vamos ao tema proposto, a Torá e os rudimentos do mundo. Observe o texto do verso 3:


³ Assim também nós, quando éramos menores, estávamos escravizados aos princípios elementares do mundo.

O texto em negrito em algumas versões traz “rudimentos do mundo.” Vamos ver o contexto original dessa fala de Rav Shaul, que é mal interpretada por muitos.


O ENSINO CRISTÃO COMUM

“Shaul está dizendo que a Torá (chamada de 'lei') era uma escravidão, e que agora os cristãos estão livres dela. Ele usa Hagar como símbolo da velha aliança (a Torá), e Sara como símbolo da nova aliança (a graça). Portanto, seguir a Torá é ser escravo.”

Isso é o que é normalmente ensinado e pregado. Mas agora vejamos a forma correta de entender essas palavras.

O ENSINO VERDADEIRO DAS ESCRITURAS

A Torá nunca foi escravidão. Shaul está falando de “princípios elementares do mundo” ou "rudimentos do mundo", não da Torá do Eterno. Os rudimentos são os sistemas religiosos humanos, rituais impostos pelos homens, seja de origem pagã ou de tradições criadas fora da Torá.

“Porque dois males cometeu o Meu povo: a Mim me deixaram, fonte de águas vivas, e cavaram para si cisternas rotas...” Yirmeyahu 2:13

Shaul, em momento algum, chama a Torá de escravidão. Ele mesmo disse em Romiyim (Romanos) 7:12:

“A Torá é santa, e o mandamento é santo, justo e bom.”

Portanto, a escravidão que Shaul condena é o abandono do Eterno e o retorno aos sistemas humanos e suas práticas exteriores que não transformam o coração.

SOBRE A LIBERDADE E O “FILHO DA PROMESSA

O ENSINO CRISTÃO COMUM

“Todos que seguem os mandamentos do Antigo Testamento são como Ismael, filhos da escrava. Os cristãos são como Yitzchak, livres, porque vivem pela graça e não pelas obras.

Vejamos então o verdadeiro ensino.

O ENSINO DAS ESCRITURAS

Yitzchak era filho da promessa, nascido segundo a palavra do Eterno, e não conforme o esforço humano. A liberdade aqui não significa "não guardar os mandamentos", mas viver conforme a promessa, ou seja, pela obediência que nasce da confiança.

“Guardareis os Meus estatutos e os Meus juízos, os quais, observando-os o homem, viverá por eles.” – Vayicrá 18:5

Shaul argumenta contra aqueles que queriam obrigar os ex-gentios a adotar rituais exteriores sem primeiro terem um coração transformado. Ele usa Hagar para representar os que confiam nas obras da lei (legalismo) sem transformação interior e Sara para representar os que andam conforme o Eterno prometeu, pela renovação do coração (Yechezkel 36:26-27).

SOBRE OS TEMPOS E DIAS QUE ESTÃO GUARDANDO

O ENSINO CRISTÃO COMUM:

“Os gálatas estavam começando a guardar o Shabat e festas judaicas, e Shaul os repreende por isso.”

O ENSINO VERDADEIRO DAS ESCRITURAS

Shaul não repreende por guardarem os tempos do Eterno, pois ele mesmo os guardava (Atos 18:21, Atos 20:16). O que ele denuncia é a guarda de dias e tempos pagãos ou ritualísticos sem base na Torá e a práticas meramente legalistas. Muitos da Galatia vieram de cultos idolátricos e estavam caindo novamente em práticas antigas misturadas com ensinos distorcidos. Bem como alguns estavam sendo forçados a práticas extremamente legalistas judaicas.

Não vos voltareis aos ídolos, nem fareis para vós deuses de fundição.” – Vayicrá 19:4

Guardar os tempos do Eterno nunca foi erro. O erro é substituir a confiança e obediência verdadeira por rituais e tradições vazias.

“O Eterno é o mesmo, ontem, hoje e para sempre.” (Malachi 3:6)

Shaul nunca ensinou contra a Torá. Ele ensinou contra os homens que distorciam a Torá. Devemos voltar ao Eterno com coração puro e firme confiança, obedecendo com alegria.

Espero que este estudo lhes ajude a compreender as palavras de Paulo.

Moshê Ben Yosef