Estudos da Torá
Parashá nº 02 – Noach (Noach)
Bereshit/Gênesis 6:9-11:32
Haftará (separação) Is 54:1-55:5 e
B’rit Hadashah (Aliança Renovada) Lc 17:26-37; 1Pe 3:18-22
Quando a união pode gerar separação.
Você já parou para pensar que nem toda união é sinal de justiça e que nem todo projeto coletivo representa algo bom diante do Eterno? É possível que pessoas se unam, compartilhem os mesmos objetivos, trabalhem com eficiência e construam algo grandioso, mas, ainda assim, estejam caminhando na direção errada.
A narrativa da Torre de Babel na Parashá Noach nos apresenta exatamente esse desafio. Em Bereshit 11, encontramos uma humanidade que fala a mesma língua, possui capacidade de organização e decide construir uma cidade e uma torre cujo topo alcance os céus. O objetivo declarado é fazer um nome para si e impedir que seus habitantes sejam espalhados pela terra. Entretanto, aquilo que parecia ser um grande projeto de unidade termina em confusão e dispersão.
Por que o Eterno interrompeu essa construção? Será que o problema estava na união das pessoas, na altura da torre ou na intenção que orientava aquele empreendimento? E o que essa narrativa tem a nos ensinar sobre o conhecimento, a religião, a busca por reconhecimento e a maneira como nos organizamos em sociedade?
Mais do que compreender por que a geração de Babel foi dispersa, precisamos perguntar a nós mesmos: estamos construindo algo que serve aos propósitos do Eterno ou apenas tentando tornar nossos próprios projetos inabaláveis? Não deixe de acompanhar este estudo.
ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ
O relato de Babel começa com uma declaração que, isoladamente, poderia parecer positiva:
“E era toda a terra de uma mesma língua e de mesmas palavras” (Bereshit 11:1).
A humanidade compartilhava uma única língua e conseguia se comunicar. Em seguida, os habitantes encontraram uma planície na terra de Shinar, estabeleceram-se ali e começaram a fabricar tijolos. Então disseram uns aos outros:
“Vamos construir para nós uma cidade e uma torre cujo topo alcance os céus; façamos um nome para nós, para que não sejamos dispersados sobre a face de toda a terra” (Bereshit 11:4).
Observe que o texto apresenta três elementos importantes: a capacidade de trabalhar em conjunto, o desejo de fazer um nome para si e a intenção de impedir a dispersão. A Torá não declara que construir cidades seja errado, que a cooperação humana seja condenável ou que toda obra monumental represente rebeldia. O problema precisa ser examinado a partir do propósito declarado pelos próprios construtores e da resposta do Eterno ao empreendimento.
Em Bereshit 9:1, depois do dilúvio, o Eterno havia abençoado Noach e seus filhos, ordenando-lhes que fossem fecundos, se multiplicassem e enchessem a terra. Em Babel, porém, os habitantes declaram que desejam evitar justamente a dispersão pela terra. Eles queriam permanecer ali, no mesmo lugar. Existe, portanto, uma tensão narrativa entre a responsabilidade recebida e o projeto que a humanidade decide estabelecer. Essa tensão se torna ainda mais significativa quando observamos a expressão “façamos um nome para nós”. A busca por reconhecimento parece acompanhar o desejo de construir uma estrutura que garanta permanência, segurança e identidade àquela coletividade.
Em Bereshit 11:5-8, o Eterno intervém, confunde a linguagem dos construtores e os dispersa. O empreendimento é interrompido, e o lugar recebe o nome de Bavel, relacionado no próprio relato ao verbo hebraico balal, confundir.
O que podemos aprender com isso? No capítulo 11 do livro Sha'arei Torah: Portões da Torah – Bereshit 1, de Bruno Summa, que comenta esta porção da Torá, encontramos uma abordagem que vai além da explicação tradicional sobre o orgulho humano, acrescenta uma dimensão mística à interpretação. O autor relaciona a linguagem, o conhecimento espiritual, a intenção dos construtores e a possibilidade de uma futura reparação. Em sua leitura, a questão não se limita à união humana: envolve também a finalidade para a qual as capacidades e os conhecimentos são utilizados.
Precisamos no entanto, saber distinguir, o que a Torá declara diretamente daquilo que os comentaristas desenvolvem por meio de interpretações rabínicas e místicas. Essa distinção não impede o aprofundamento; ao contrário, permite que compreendamos melhor tanto o texto bíblico quanto a tradição interpretativa. A partir disso, vamos desenvolver o estudo através de quatro princípios fundamentais para a compreensão do assunto desse estudo e sua aplicação à nossa vida.
1. A UNIDADE PRECISA DE DIREÇÃO MORAL
“E era toda a terra de uma mesma língua e de mesmas palavras” (Bereshit 11:1).
A primeira característica da geração de Babel é a unidade linguística. Todos conseguem se comunicar, compreender as propostas apresentadas e participar de um empreendimento comum. Essa capacidade permite que a sociedade organize o trabalho e alcance objetivos que seriam difíceis de realizar individualmente. Entretanto, a narrativa nos mostra que a capacidade de agir em conjunto não determina, por si só, a justiça de uma ação.
Uma comunidade pode ser organizada, disciplinada e eficiente, mas utilizar essas qualidades para objetivos inadequados. Um grupo pode compartilhar uma crença, uma identidade ou uma visão de mundo e, ainda assim, tomar decisões que desrespeitam a vontade do Eterno estabelecida na Torá, podendo assim, prejudicar outras pessoas. O problema de Babel não pode ser reduzido à existência de uma língua comum. O próprio versículo 6 reconhece que aquela humanidade era um só povo e possuía uma só língua, mas a sequência do relato associa essa unidade a um projeto que acaba sendo interrompido. A pergunta fundamental não é apenas se estamos unidos, mas para que estamos unidos.
No primeiro tópico de seu capítulo, Bruno Summa relaciona a expressão safah achat, “uma só língua”, à tradição judaica que identifica o hebraico com Lashon HaKodesh, a língua santa. O autor também recorre a tradições místicas do Zohar sobre conhecimentos antigos relacionados aos mistérios da língua hebraica. Entretanto, apesar do texto bíblico não ser explícito a respeito disso, a reflexão que emerge dessas leituras é relevante, pois podemos ver que o conhecimento espiritual precisa estar acompanhado de responsabilidade moral.
O fato é que, conhecer palavras hebraicas, estudar a Torá, compreender comentários rabínicos ou dominar conceitos teológicos não significa, automaticamente, que alguém esteja vivendo de maneira justa. O conhecimento pode contribuir para a transformação da pessoa, mas também pode ser utilizado para alimentar a vaidade, controlar outras pessoas ou construir uma imagem de superioridade. A questão não está apenas no que sabemos, mas naquilo que fazemos com o que sabemos. A geração de Babel queria construir uma cidade e uma torre, fazer um nome para si e evitar a dispersão. O projeto possuía uma finalidade coletiva, mas essa finalidade não foi aprovada pelo Eterno.
Isso nos ensina a não confundir consenso com justiça. Uma decisão não se torna correta apenas porque muitas pessoas concordam com ela. Uma prática religiosa não se torna fiel à Torá apenas porque uma comunidade inteira a repete. Um projeto não se torna justo simplesmente porque todos trabalham para realizá-lo. Precisamos examinar os frutos, as intenções e a compatibilidade das nossas ações com os mandamentos do Eterno. A Torá estabelece parâmetros para a justiça, a honestidade, o cuidado com o próximo e a responsabilidade coletiva. Portanto, a unidade que buscamos deve ser avaliada à luz desses princípios, e não apenas pela força do grupo ou pela grandeza de suas realizações.
2. O CONHECIMENTO AUMENTA NOSSA RESPONSABILIDADE
“Vamos construir para nós uma cidade e uma torre cujo topo alcance os céus; façamos um nome para nós” (Bereshit 11:4).
A geração de Babel possuía conhecimento técnico suficiente para fabricar tijolos, preparar materiais e organizar a construção de uma cidade. O texto descreve a fabricação de tijolos queimados e o uso de betume como argamassa, demonstrando a capacidade de planejamento e execução dos construtores. A Torá não condena essas habilidades. O conhecimento técnico pode servir à preservação da vida, à construção de moradias e ao desenvolvimento de uma sociedade organizada. O que merece atenção é a maneira como os construtores decidem utilizar suas capacidades e o propósito declarado para o empreendimento.
A expressão “façamos um nome para nós” revela o desejo de estabelecer uma identidade coletiva duradoura. Eles querem construir algo que lhes proporcione reconhecimento e impeça a dispersão. Queriam ir contra as instruções do Criador. Entenda que o texto não precisa ser interpretado como uma condenação de toda forma de ambição ou de toda busca por reconhecimento. A questão é quando a realização humana passa a ocupar o lugar de finalidade absoluta, sem consideração pelos limites e responsabilidades estabelecidos pelo Eterno.
No segundo tópico, “Venha, façamos um nome”, Summa aprofunda a narrativa a partir da ideia de que os habitantes de Babel teriam procurado utilizar conhecimentos espirituais para atingir objetivos próprios. Essa interpretação acrescenta uma dimensão à leitura do orgulho humano: o problema não seria somente desejar reconhecimento, mas procurar utilizar o conhecimento como instrumento de poder e autonomia.
O conhecimento, nessa perspectiva, não é moralmente neutro no sentido de dispensar uma avaliação sobre seu uso. A capacidade de realizar algo precisa ser acompanhada da responsabilidade de perguntar se aquilo deve ser realizado e quais serão suas consequências. Essa reflexão é particularmente importante quando tratamos do conhecimento da Torá.
Uma pessoa pode conhecer muitos mandamentos e ser capaz de explicar seus significados, mas continuar tratando o próximo com arrogância. Pode dominar a linguagem religiosa e utilizá-la para constranger, manipular ou desqualificar outras pessoas. Pode defender publicamente a obediência enquanto se recusa a corrigir a própria conduta. Nessas situações, o conhecimento não está cumprindo sua finalidade de orientar a vida para a justiça. A Torá não foi entregue para alimentar a vaidade intelectual. Ela deve orientar as escolhas, corrigir comportamentos e ensinar o ser humano a viver de maneira responsável diante do Eterno e do próximo.
Deve haver uma diferença entre somente conhecer e conhecer e praticar. Em Devarim 10:12-13, Moshê pergunta a Yisrael o que o Eterno requer de seu povo e apresenta a resposta: temer o Eterno, andar em Seus caminhos, amá-Lo e servi-Lo, guardando Seus mandamentos. O texto relaciona o conhecimento da vontade divina a uma maneira concreta de viver. Não basta reconhecer que os mandamentos existem; é necessário orientar as ações de acordo com eles. Isso nos ajuda a compreender o contraste entre a geração de Babel e Noach. Noach recebe uma instrução e a executa, conforme Bereshit 6:22. Os construtores, por sua vez, apresentam seus próprios objetivos e organizam suas capacidades para realizá-los. O contraste não está entre conhecimento e ignorância, mas entre a capacidade humana submetida à responsabilidade e a capacidade humana orientada pela própria pretensão.
3. A BUSCA POR SEGURANÇA PODE SE TRANSFORMAR EM RESISTÊNCIA À VONTADE DO ETERNO
“Façamos um nome para nós, para que não sejamos dispersados sobre a face de toda a terra” (Bereshit 11:4).
A segunda parte da declaração dos construtores revela algo ainda mais profundo: o desejo de evitar a dispersão. Depois do dilúvio, o Eterno havia abençoado Noach e seus filhos e lhes ordenado que se multiplicassem e enchessem a terra (Bereshit 9:1). Entretanto, em Babel, os habitantes expressam a intenção de construir uma cidade para não serem espalhados. A narrativa apresenta uma tensão entre a orientação divina e a intenção humana. Em vez de aceitar a responsabilidade de se espalhar pela terra, os construtores procuram estabelecer uma estrutura que lhes permita permanecer unidos em um mesmo lugar. É importante não exagerar a conclusão. O texto não afirma que toda cidade seja contrária à vontade do Eterno, nem que toda forma de organização social seja uma rebeldia. O problema está no propósito declarado e na maneira como o empreendimento se relaciona com a ordem apresentada anteriormente.
Buscar segurança não é errado. É legítimo construir uma casa, organizar uma família, desenvolver uma comunidade e planejar o futuro. O problema surge quando a segurança deixa de ser um recurso necessário à vida e se transforma em um absoluto que não admite limites. Os construtores de Babel desejavam assegurar sua permanência e construir um nome para si. Seu projeto procurava oferecer uma solução coletiva para o medo da dispersão.
Podemos refletir sobre quantas vezes fazemos algo semelhante. Tentamos controlar todas as circunstâncias, garantir que nada mude e construir estruturas que nos protejam de qualquer incerteza. Em algumas situações, chegamos a defender nossos planos mesmo quando percebemos que eles estão produzindo injustiça. O desejo de segurança pode se transformar em resistência quando nos recusamos a reconhecer que a vida humana exige responsabilidade, flexibilidade e submissão à vontade do Eterno. A questão não é abandonar o planejamento, mas reconhecer que nossos planos não estão acima dos mandamentos.
Essa reflexão também alcança a maneira como organizamos nossa vida religiosa. Uma comunidade pode desenvolver tradições, estruturas de liderança e formas de organização que, inicialmente, existem para favorecer o estudo e a prática da Torá. Entretanto, essas mesmas estruturas podem se transformar em instrumentos de autopreservação. Quando a reputação de uma liderança se torna mais importante do que a verdade, quando a manutenção de uma instituição vale mais do que a justiça e quando o pertencimento a um grupo é utilizado para impedir qualquer correção, a estrutura deixa de servir à finalidade para a qual deveria existir. O perigo não está em possuir uma organização, mas em transformar sua preservação no objetivo principal.
4. A RUPTURA NÃO PRECISA SER O FIM DA HISTÓRIA: O CONCEITO DE REPARAÇÃO
“Assim, o Eterno os dispersou dali sobre a face de toda a terra, e cessaram de construir a cidade” (Bereshit 11:8).
A intervenção divina interrompe a construção e dispersa os habitantes de Babel. A narrativa enfatiza a confusão das línguas e a dispersão, encerrando o projeto que pretendia preservar a humanidade reunida em um único lugar.
No terceiro tópico do capítulo 11 de Sha'arei Torah, Bruno Summa desenvolve uma leitura intitulada “O conserto”. O autor relaciona a narrativa de Babel a interpretações rabínicas sobre a palavra hebraica migdal, “torre”, e a passagens associadas ao rei David e à esperança messiânica. A partir de comentários de Rabbi Isaiah Horowitz e do Shney Luchot Habrit, Summa propõe uma relação entre a ruptura de Babel e uma futura reparação, associada à missão do Mashiach, filho de David.
Precisamos reconhecer que essa conexão é uma interpretação mística e messiânica construída a partir de diferentes textos. Bereshit 11 não menciona diretamente o Mashiach nem descreve a dispersão como uma etapa explicitamente destinada a preparar uma restauração messiânica, mas não significa que não esteja nos planos do Eterno. O autor chega a essa conclusão mediante as fontes interpretativas que utiliza.
A ideia de reparação, expressa pelo termo hebraico tikkun, está relacionada a corrigir, restaurar ou colocar algo em ordem. Aplicada à reflexão sobre Babel, ela permite considerar que a história da humanidade não precisa terminar na fragmentação. A narrativa mostra que um projeto coletivo pode ser interrompido quando se afasta da direção adequada. Contudo, a interrupção de um projeto não significa que toda possibilidade de transformação tenha sido eliminada.
A dispersão de Babel é seguida pela genealogia de Shem e pela apresentação da família de Terach, preparando a narrativa de Avraham, que começa em Bereshit 12. Essa transição é significativa. Em Babel, os habitantes dizem: “Façamos um nome para nós” (Bereshit 11:4). Mais adiante, o Eterno promete a Avraham: “Engrandecerei o teu nome” (Bereshit 12:2). O contraste merece atenção. Em Babel, o nome é buscado por iniciativa de uma coletividade que deseja assegurar sua própria permanência. Na narrativa de Avraham, o nome é apresentado dentro de uma promessa divina, acompanhada de um chamado e de responsabilidades, ou seja, a vontade do Eterno.
A esperança de restauração também nos permite refletir sobre a diferença entre unidade e uniformidade. A uniformidade exige que todos sejam iguais em sua expressão, identidade ou organização. A unidade pode existir entre pessoas diferentes que compartilham um propósito justo e respeitam suas responsabilidades. A narrativa de Babel apresenta a humanidade reunida em torno de um único projeto. A interpretação profética messiânica de Summa acrescenta a esperança de uma futura restauração das nações sob o reinado do Mashiach, filho de David.
Uma comunidade não precisa controlar todos os seus integrantes para viver em unidade. Uma família não precisa eliminar toda diferença de opinião para permanecer unida. Uma comunidade de estudo não precisa transformar seus costumes em instrumentos de dominação para preservar sua identidade. A unidade verdadeira precisa de justiça, responsabilidade e disposição para corrigir o que está errado. A reparação começa no presente.
Concluindo nosso estudo, a parashá Noach nos apresenta uma humanidade que sobrevive ao dilúvio, recebe uma aliança e, pouco depois, enfrenta novamente o desafio de orientar corretamente suas escolhas. A narrativa de Babel mostra que um novo começo não garante, por si só, uma transformação moral. A humanidade continua precisando aprender a utilizar suas capacidades de maneira responsável.
Com tudo que dissemos até aqui percebemos que o relato da Torá pode ser estudado a partir de diferentes dimensões: a linguagem, o conhecimento, a unidade, a busca por reconhecimento e a necessidade de reparação. Essas perspectivas nos conduzem a uma pergunta essencial: como podemos viver corretamente em nossa geração?
A resposta começa pelo reconhecimento de que a Torá não foi entregue apenas para ser estudada como um conjunto de informações. Ela deve orientar a maneira como tratamos as pessoas, utilizamos o conhecimento, organizamos nossas comunidades e tomamos decisões. O primeiro passo é examinar nossas motivações. O segundo passo é transformar o conhecimento em prática. O terceiro passo é aprender a reconhecer os limites. E o quarto passo é praticar a teshuvá.
Não precisamos construir torres para provar nosso valor, nem utilizar o conhecimento para demonstrar superioridade. Precisamos aprender a construir uma vida marcada pela justiça, pela humildade, pela responsabilidade e pela fidelidade aos mandamentos. Que nossas palavras, nossos conhecimentos e nossos projetos sejam orientados pela justiça, e que nossa união seja construída não sobre a exaltação humana, mas sobre a responsabilidade de viver segundo a Torá.
Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!
Moshê Ben Yosef
.png)
.png)