ESTUDO
ESPECIAL DE SHAVUOT
Shemot/Ex
19:1–20:23
Vayicra/Lv
23:9-22
Bamidbar/Nm
28:26-31
Haftará
Ez 1:1-28, 3:12; Rt
1:1-4:22
Sinai
e Tsiyon: dois montes e um propósito
Existem
lugares que se tornam muito maiores do que sua geografia. Existem
montanhas que deixam de ser apenas rocha, terra e altitude para se
tornarem marcos eternos na memória de um povo. Alguns lugares são
atravessados; outros atravessam gerações.
Har
Sinai (Monte Sinai) e Har Tsiyon (Monte Sião) são dois desses
lugares. À primeira vista, parecem montes completamente diferentes.
Sinai está no deserto: seco, silencioso, distante da vida urbana.
Tsiyon está ligado a Yerushalayim: cidade, encontro, governo e
esperança. Um parece isolamento; o outro, reunião. Um nasce no
deserto; o outro floresce em meio ao povo. Mas quando olhamos mais
atentamente, percebemos algo extraordinário: as Escrituras não
apresentam Sinai e Tsiyon como rivais. Não são dois caminhos
diferentes, duas alianças opostas ou dois projetos do Eterno
competindo entre si. São dois momentos do mesmo propósito.
Sinai
foi o lugar onde Yisrael ouviu a voz do Eterno e recebeu os
mandamentos, já Tsiyon se torna o lugar de onde essa voz ecoa para o
mundo. Sinai foi o início da caminhada e Tsiyon aponta para o
destino da caminhada.
Shavuot
nos convida a olhar para esses dois montes e perguntar algo muito
pessoal: Estamos
apenas diante do monte ou estamos permitindo que aquilo que recebemos
transforme nossa vida?
Talvez
haja
uma
pergunta ainda
mais
profunda: “Em
qual monte estamos?” Ou
talvez:
“Por
que o Eterno nos chamou até ele?” Não
saia desse estudo, permaneça até o fim e entenderá.
Estudo
da Porção Especial
Muitos
conhecem Shavuot apenas como “Festa das Semanas” ou
“Pentecostes”, vindo do grego “cinquenta”,
mas a palavra possui riqueza maior. Ela vem de Sheva
(שבע)
que
significa
“sete”. Também está ligada à raiz Shavua
(שבוע)
que
significa
“semana”. Mas a mesma raiz está relacionada ao conceito de
juramento ou aliança. Assim, Shavuot não representa apenas contagem
de dias. Representa maturação, um processo completo. Representa a
jornada entre libertação e compromisso, pois
Yisrael
saiu de Mitsrayim em Pessach, mas ainda precisava aprender por que
havia sido libertado. Libertação sem propósito produz apenas novos
tipos de escravidão. E
teremos um aprofundamento nesse assunto na continuação deste
estudo.
A
história começa de maneira aparentemente simples: um
povo recém-liberto caminha pelo deserto. Eles
não
possuíam
exército treinado, não
possuíam
terra, nem
estrutura
política e
nem estabilidade.
Possuíam
apenas uma promessa e
essa
os conduziu
ao pé de uma montanha, o
Har
Sinai.
A
palavra Sinai
(סיני)
gerou
muitas
discussões quanto à sua origem, mas muitos antigos comentaristas a
relacionam ao conceito de seneh,
uma
palavra hebraica para arbusto espinhoso, no caso, tipo a
sarça que
Moshê viu ardendo
com fogo sem ser consumida em
Shemot 3. Outros estudiosos
associaram
Sinai à ideia de humildade, por ser um monte aparentemente menor
entre montanhas maiores. Porém,
independentemente
da origem exata do
termo,
o simbolismo é poderoso.
O
Eterno escolhe aquilo que parece pequeno para manifestar algo grande.
O deserto (Midbar
– מדבר)
também carrega um significado fascinante. A raiz dessa
palavra está ligada a davar
(דבר),
que significa “palavra”. Curiosamente, o lugar sem ruído humano
torna-se o lugar onde a Palavra é ouvida. O deserto não era
ausência, mas
preparação, um lugar onde distrações desapareciam, onde Yisrael
aprenderia que para
viver
não dependia apenas de pão. Como está escrito:
“E
te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com maná, que tu
não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que
o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que procede da boca
do Eterno viverá o homem.”
Devarim
8:3
Mas
Sinai nunca foi o destino final, era o começo, pois
as
Escrituras começam a apontar para outro monte, Tsiyon
(ציון).
Cuja
origem
da palavra possui interpretações diferentes, mas está ligada à
ideia de marco, sinal ou monumento. Tsiyon torna-se um símbolo do
lugar da presença do Eterno, do reinado e da restauração. Enquanto
Sinai representa receber a voz do Eterno, Tsiyon representa levar
essa voz ao mundo.
E
talvez seja aqui que uma
pergunta começa a ganhar força: Se
Sinai foi onde recebemos a Palavra, por que ela precisava sair de
Tsiyon? Porque
o propósito nunca foi apenas chegar ao monte ou
ficar nele,
sempre foi se
tornar
o povo que sai dele para
levar o que recebeu nele, isto é, a Palavra.
1.
Dois Montes, uma mesma jornada
Quando
estudamos
as Escrituras cuidadosamente, podemos
perceber
que o Eterno frequentemente trabalha por processos. Primeiro traz
a
libertação, depois
transformação, e
então, entrega a
missão. Veja,
Yisrael
saiu de Mitsrayim rapidamente, mas
Mitsrayim demorou muito mais para sair de Yisrael.
Por isso, o Eterno não levou o povo diretamente à terra prometida.
Ele os levou ao deserto, lá
seria
como
uma
sala de aula. E
o Sinai
seria a primeira grande lição.
Tsiyon
seria a continuidade dessa história. E a jornada entre os dois
montes revela algo fundamental: o Eterno não chamou Yisrael apenas
para ser um povo livre, mas para ser um povo que refletisse Seu
caráter. E qual é o caráter do Eterno? Sua Torá. No próximo
tópico veremos como os profetas, os sábios de Yisrael, Yeshua e os
talmidim enxergaram essa ligação entre Sinai e Tsiyon.
2.
A ligação entre Sinai e Tsiyon
Ao
chegamos a este ponto do estudo, algumas
perguntas
surgem
naturalmente: se o
Sinai
foi o lugar da revelação do
Eterno,
por que as Escrituras olham
ou apontam
para Tsiyon? Por que os profetas falam tanto sobre ele? Por que
Yeshua sobe tantas vezes a Yerushalayim? E por que os talmidim
permanecem ali esperando algo que havia sido prometido? E
a comparação que o Apóstolo Paulo fez, é realmente negativa?
A
resposta a essas perguntas é profunda, porque o propósito do Eterno
nunca foi apenas entregar palavras escritas em pedras; o propósito
era formar um povo que carregasse essas palavras em sua vida
diariamente. O Sinai foi o lugar do início e no decorrer da história
foi revelado pelo Eterno que Tsiyon se tornou o símbolo da
continuidade, do avanço.
Os
profetas perceberam isso claramente, tanto que Yeshayahu declarou:
“E
acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do
Eterno no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e
concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos e dirão:
Vinde, e subamos ao monte do Eterno, à casa do Elohim de Yaakov,
para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas;
porque de Tsiyon sairá a instrução, e a palavra do Eterno de
Yerushalayim.”
Yeshayahu
2:2–3
Observe
algo importante neste
texto de Yeshayahu,
ele
não diz que de Tsiyon sairia uma nova instrução. O texto fala da
instrução
- Torah
(תורה).
A palavra Torah
vem da raiz yarah
(ירה),
que significa “apontar uma direção”, “instruir”, “indicar
o caminho”. A ideia não é um código jurídico frio; é
orientação dada por um Pai ao Seu povo.
O
Sinai foi o lugar onde a direção foi entregue e Tsiyon tornou-se o
lugar de onde essa direção alcançaria as pessoas das nações
através daqueles que receberam antes. O profeta Mikhah repete
praticamente as mesmas palavras:
“Mas,
nos últimos dias, acontecerá que o monte da casa do Eterno será
estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e
povos afluirão a ele. E muitas nações irão e dirão: Vinde, e
subamos ao monte do Eterno e à casa do Elohim de Yaakov, para que
nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de
Tsiyon sairá a instrução, e a palavra do Eterno de Yerushalayim.”
Mikhah
4:1–2
Os
profetas enxergaram Tsiyon como expansão daquilo que começou no
Sinai. E
os
sábios de Yisrael
também desenvolveram reflexões interessantes sobre isso. Um
conhecido pensamento rabínico constante
no Midrash Bamidbar Rabah e no Talmude Tratado Sotah, afirma
que o Eterno escolheu o
Sinai,
um monte aparentemente pequeno, para ensinar humildade. A ideia
descrita
nesses comentários rabínicos é
que a revelação não acontece onde existe exaltação humana, mas
onde existe disposição para ouvir e
praticar.
Outro
ensinamento rabínico registrado
no Tratado Pesachim 68b:9, chama
Shavuot de Atzeret
(עצרת).
Essa
palavra vem da raiz atzar
(עצר),
relacionada a “reter”, “concluir”, “encerrar” ou
“assembleia final”.
O entendimento é que Shavuot seria o fechamento de um processo
iniciado em Pessach, pois
este não
termina na saída de Mitsrayim, mas
encontra
seu propósito no
Sinai. A libertação encontra seu significado na aliança, isto
é, ser liberto e não entrar em aliança é se manter escravo.
Yeshua
também se move dentro dessa mesma estrutura de
pensamento,
ele
não se apresenta como alguém desconectado do
Sinai, ou
seja, dos mandamentos.
Pelo contrário, quando
é questionado sobre o maior mandamento, responde o
Shemah:
“Amarás
o Eterno teu Elohim de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e
de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. E
o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti
mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Torah e os Profetas.”
Mattityahu
22:37–40
Para
saber mais sobre isso assista no canal Sou Peregrino na Terra no
YouTube, duas Playlist, a de Mateus e a de El Judaísmo de Yeshua.
Observe pelo texto de Mateus que Yeshua não fala sobre abandonar o
Sinai, que é a indicação dos mandamentos. Ele leva o Sinai ao seu
propósito mais profundo. Não reduz a instrução, mas revela sua
essência.
Existe
ainda uma palavra hebraica que pode
nos ajudar
a compreender isso: Devekut
(דבקות).
Ela vem da raiz davaq
(דבק),
que significa “apegar-se”, “unir-se”, “aderir”. Na
Torá
encontramos:
“Ao
Eterno vosso Elohim seguireis, a ele temereis, os seus mandamentos
guardareis, a sua voz ouvireis, a ele servireis e a ele vos
achegareis.”
Devarim
13:4
A
ideia não é proximidade física, é apego de vida, é caminhar de
maneira alinhada ao caráter do Eterno. O Sinai chamou o povo para
ouvir e Tsiyon chama o povo para permanecer unido a Ele no propósito
de ensinar suas palavras.
Os
talmidim parecerão
compreender também
essa
ligação entre
os dois montes e o propósito do Eterno.
Depois da ressurreição de Yeshua, eles não saem imediatamente para
todas as nações. Eles permanecem em Yerushalayim. Yeshua havia
dito:
“E
eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na
cidade de Yerushalayim, até que do alto sejais revestidos de poder.”
Luqas
24:49
E
então, justamente durante a celebração de Shavuot, cinquenta dias
após aquele Pessach, encontramos:
“Cumprindo-se
o dia de Shavuot, estavam todos reunidos no mesmo lugar.”
Maasim
2:1
Isso
não parece acidental parece?
No
Sinai,
Yisrael
estava reunido diante do monte, em
Yerushalayim, durante Shavuot, os discípulos estavam reunidos
igualmente,
mas no monte.
No
Sinai houve voz. Em Yerushalayim houve proclamação. No
Sinai Yisrael
foi chamado. Em Yerushalayim Yisrael
fala às
nações através
dos talmidim do Mashiach Yeshua.
Observe a lista de povos presentes:
“Partos,
medos, elamitas, e os que habitavam a Mesopotâmia, Yehudah,
Capadócia, Ponto e Ásia…”
Maasim
2:9
A
cena parece ecoar Yeshayahu: “...concorrerão
a ele todas as nações…” Yeshayahu
2:2. O
Sinai
não terminou, ele
começou
algo e
Tsiyon
ampliou o
que havia iniciado.
Shavuot parece funcionar como a ponte entre os dois montes. Vimos
toda essa relação e está bem claro até aqui. Mas algumas pessoas
afirmam que o apóstolo Paulo não entendia assim. Será? No próximo
tópico veremos.
3.
O Apóstolo Paulo era contrário a esse entendimento?
Chegamos
agora a uma das passagens mais discutidas dos Escritos Nazarenos e
que guarda muita relação com o que estamos estudando aqui.
Digam-me,
vocês que desejam se sujeitar ao sistema resultante da perversão da
Torá em legalismo: acaso não ouvem o que a própria Torá diz: Ela
afirma que Avraham teve dois filhos, um com uma escrava e um com uma
mulher livre. O filho da escrava nasceu da capacidade limitada dos
seres humanos, mas o filho da mulher livre nasceu do poder miraculoso
de HaShem, no cumprimento de sua promessa. Então extraímos um
midrash destas coisas: as duas mulheres são duas alianças. Uma é
do Sinai e gera filhos para a escravidão – esta é Hagar. Hagar é
o monte Sinai na Arábia; ela corresponde à atual Yerushalayim,
porque serve como escrava com seus filhos. Mas a Yerushalayim do alto
é livre, e ela é nossa mãe; porque o TaNaK diz: Alegre-se a
estéril! Clame e grite, você que não está em trabalho de parto!
Porque a mulher abandonada terá mais filhos do que a acompanhada
pelo marido. Vocês,
irmãos, à semelhança de Yitzchak, são os filhos referidos na
promessa divina. Entretanto, como outrora, o nascido da limitada
capacidade humana persegue o nascido do poder sobrenatural do
Espírito. Mas o que diz o TaNaK? Livre-se da escrava e de seu filho,
porque de forma alguma o filho da escrava herdará com o filho da
mulher livre! Portanto, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da
livre.
Gálatas
4:21–31
Muitas
vezes esse texto foi interpretado como se Rav Shaul, o apóstolo
Paulo, estivesse criando uma oposição:
Sinai
versus promessa
Torah
versus liberdade
Antigo
versus Novo
Mas
será que era isso que ele estava fazendo? A pergunta precisa ser
feita olhando para o contexto original.
Em
primeiro lugar, devemos lembrar que não existe Antigo e Novo
Testamento, isso é invenção do sistema religioso. Depois, as
comunidades nazarenas
da
Galácia estavam enfrentando uma crise, que
pode ser observada nos primeiros versos dessa epístola. Não
era uma discussão sobre abandonar idolatria, nem
sobre negar o Eterno. Era uma discussão sobre identidade. Quem fazia
parte do povo do Eterno? Como alguém entra na aliança? Shaul faz
uma comparação muito específica. E
faz utilizando
Hagar e Sarah como uma figura ou
alegoria,
um
ensino, um midrash, como ele mesmo diz no verso 24 acima, para
explicar dois modos de relacionamento com a aliança.
Nestes
versos Shaul
não está dizendo que o
Sinai
é mau. Ele está usando Sinai como imagem de algo específico: uma
relação com o Eterno baseada apenas em sistemas humanos, status e
confiança na própria capacidade. Seu argumento parece ser: É
possível estar perto da revelação e ainda permanecer preso. É
possível estar diante do monte e não compreender o propósito do
monte. A pergunta não é apenas: “Você recebeu a instrução?”
A pergunta é: “O
que a instrução produziu em você?”
O
ponto principal de Shaul nesse
trecho da carta não
é atacar Har Sinai ou dizer que o
Sinai
foi substituído. Isso entraria
em conflito com muitas declarações das Escrituras como:
“A
instrução do Eterno é perfeita.” (Tehilim 19:7)
“Não
acrescentareis nem diminuireis.” (Devarim 4:2)
Então
o que Shaul está tratando? Leia
o texto novamente! Ele
está discutindo a tentativa de obter justiça diante do Eterno por
meios humanos, algo semelhante ao nascimento de Yishmael, que ocorreu
por iniciativa humana, em contraste com a promessa do Eterno
representada por Yitschak.
É
importante destacar
um detalhe: ele não menciona Har Tsiyon diretamente em
seu texto;
ele fala de Har Sinai e de Yerushalayim. No
entanto, a
relação com Tsiyon surge porque Tsiyon e Yerushalayim
frequentemente aparecem ligados nas Escrituras. Isso
ocorre porque no centro de Yerushalayim está o monte Tsiyon, onde
antes ficava o Beit Hamikdas – Casa da Santidade – Templo
Sagrado.
A
ligação com nosso tema torna-se impressionante: no
Sinai
o
povo recebeu a aliança; recebeu as palavras do Eterno e recebeu
responsabilidade. Os profetas disseram: Porque
de Tsiyon sairá a instrução… (Yeshayahu
2:3). Em Gálatas Paulo pergunta: Como vocês estão vivendo essa
aliança? Vocês
estão vivendo a promessa ou apenas carregando
a memória do monte? Os legalistas dentro da comunidade nazarena
estavam exigindo algo dos gentios que estavam se aproximando, que não
estava dentro dos padrões do Eterno.
O
ensino de Shaul não
é uma oposição entre Sinai e
Tsiyon, era
algo mais próximo de esforço
humano ou
legalismo versus
promessa do Eterno. Ou
escravidão
versus
liberdade na obediência ao Eterno. Isso
se conecta a Shavuot de forma interessante. Pois
em Shavuot,
Yisrael
chega ao
Sinai para ouvir: “Tudo
o
que o Eterno falou faremos.” (Shemot 19:8). Mas Shaul alerta que
alguém pode receber palavras santas e ainda transformar a caminhada
em peso humano, confiança em mérito próprio ou dependência de
homens. Os profetas já falavam de uma transformação futura:
“Porei
minha instrução dentro deles e a escreverei em seus corações.”
(Yirmeyahu 31:33). Assim, a entre os dois montes pode ser vista desta
maneira:
Sinai
— recebimento da aliança
Tsiyon
— expansão da instrução para as pessoas das nações
Galatim
— viver a aliança pela promessa do Eterno, não pela confiança
humana.
O
assunto de Shaul não é rejeitar Sinai ou mandamentos; é advertir
sobre uma relação equivocada com aquilo que foi dado em Sinai.
Concluindo
nosso estudo, retornamos
à pergunta que nos acompanhou desde o início: Por
que existem dois montes e um propósito? Porque
o objetivo nunca foi o monte. O
objetivo sempre foi o povo.
O
Eterno não libertou Yisrael
apenas para tirá-lo de uma terra de servidão, Ele o
fez para
ensinar Yisrael
a viver conforme
sua vontade. E
talvez seja exatamente aqui que encontramos a maior beleza de
Shavuot. Muitos a
conhecem
apenas como a festa das semanas ou como a lembrança da entrega da
Torah. Mas existe algo maior acontecendo, pois
Shavuot
fala de maturidade, fala da jornada entre sair e tornar-se. Não é
apenas uma contagem matemática, mas
uma
transformação progressiva.
Pessach
tira Yisrael
de Mitsrayim. Shavuot procura tirar Mitsrayim de Yisrael
e
de todos que se achegam.
E foi
isso que Rav Shaul estava tentando mostrar aos seus leitores da
Galácia.
Ele não estava destruindo Sinai. Ele estava perguntando a
um grupo
de pessoas que conheciam o significado de
suas palavras:
"Vocês
compreenderam o propósito de Sinai?" Porque
existe uma diferença enorme entre carregar palavras e permitir que
as palavras carreguem nossa vida. Existe uma diferença entre ouvir a
voz do Eterno e caminhar segundo essa voz. Existe uma diferença
entre estar diante do monte e permitir que o monte continue existindo
dentro de nós.
Vivemos
numa época de muito conhecimento e pouca transformação. Temos
acesso a livros, estudos, vídeos, comentários e discussões quase
ilimitadas. Sabemos explicar palavras hebraicas. Sabemos discutir
textos difíceis. Sabemos comparar interpretações. Mas existe uma
pergunta que continua ecoando desde Har Sinai. E
a
pergunta não é: "Quanto
você conhece?" A
pergunta é: "O
quanto do que você conhece se tornou vida?" Ou
seja, de tudo que você aprendeu, o que está em prática na sua
vida, e quantas pessoas aprenderam com você?
Que
o Eterno lhe abençoe.
Moshê
Ben Yosef