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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Estudo da Parashá Yitro - Servir ao Eterno com verdade, não com religiosidade.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 17 – Yitro (Yitro)

Shemot/Êxodo 18:1-20:23

Haftará (separação) Is 6:1-7:6; 9:5-6 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mt 5:21-30; Rm 2:17-29


Servir ao Eterno com verdade, não com religiosidade.


Ao longo das gerações, muitos desejaram servir ao Eterno, mas nem sempre O serviram da forma que Ele mesmo estabeleceu em sua Torá. Com o tempo, o serviço simples e obediente foi sendo revestido por estruturas humanas, regras acumuladas, sistemas rígidos e discursos que aparentam santidade, mas que afastam o coração daquilo que o Eterno realmente definiu. A parashá Yitro nos confronta diretamente com essa realidade, pois nela o Eterno Se revela com poder, mas ensina que a aproximação correta não acontece por meio de artifícios humanos, sofisticação, controle ou exaltação religiosa, e sim por simplicidade, reverência e obediência. Este estudo convida o leitor a distinguir entre servir ao Eterno com verdade e apenas praticar religiosidade. Fique até o final deste estudo para compreender mais um pouco sobre servir ao Eterno.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Yitro relata um momento decisivo na caminhada de Bnei Yisrael após a saída do Egito. Yitro, sacerdote de Midian e sogro de Moshe, ouve tudo o que o Eterno fez por Yisrael e reconhece que o Eterno é maior do que todos os poderosos da terra, bendizendo o Seu Nome. Ao observar Moshe julgando o povo sozinho, desde a manhã até a noite, Yitro discerne que esse peso não poderia ser sustentado por um único homem. Ele aconselha Moshe a estabelecer líderes capazes, tementes ao Eterno e amantes da verdade, para julgar o povo em níveis menores, deixando os casos mais difíceis para si. Moshe ouve o conselho, mostrando que a liderança segundo o Eterno não se baseia em poder absoluto, mas em humildade e discernimento.

Em seguida, Bnei Yisrael chega ao deserto do Sinai e acampa diante do monte. O Eterno chama Moshe e declara Seu propósito, que é fazer de Yisrael um tesouro especial entre todos os povos, um reino de sacerdotes e uma nação santa, se ouvirem a Sua voz e guardarem Sua aliança. O povo responde juntos que “Tudo o que o Eterno falou, faremos.” O Eterno então ordena que o povo se prepare, se santifique e estabeleça limites ao redor do monte, pois Sua manifestação seria intensa e temível.

No terceiro dia, o Monte Sinai se enche de trovões, relâmpagos, nuvem espessa e o som crescente do shofar. O monte fuma, porque o Eterno desce sobre ele em fogo, e todo o povo treme. É nesse cenário que o Eterno proclama as Asseret HaDibrot, estabelecendo as bases do relacionamento entre Ele e o homem, e entre o homem e o seu próximo: reconhecer o Eterno como único, rejeitar ídolos, honrar Seu Nome, guardar o Shabat, honrar pai e mãe, preservar a vida, a fidelidade, a justiça e o domínio do coração.

Diante da intensidade da revelação, o povo teme e pede que Moshe fale com eles em lugar do Eterno. Moshe os exorta a não temer, explicando que aquela manifestação veio para que o temor do Eterno estivesse diante deles, a fim de que não se desviassem. Moshe então se aproxima da nuvem espessa onde o Eterno está, assumindo o papel de transmissor das palavras divinas ao povo.

A parashá se encerra com instruções claras sobre como o povo deve se aproximar do Eterno, enfatizando que o culto não deve ser baseado em artifícios humanos, sofisticação ou exaltação do homem, mas em simplicidade, reverência e obediência aos mandamentos. A porção nos ensina que liderança exige humildade e organização; o Sinai nos ensina que o Eterno é próximo, mas também temível; e as Asseret HaDibrot revelam que o verdadeiro relacionamento com o Eterno se manifesta em uma vida de obediência prática.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

A parashá Yitro começa com um olhar sábio e externo. Yitro o sogro de Moshe o observa em suas atividades na liderança do povo, e percebe que o excesso de peso sobre um único homem não produz vida, mas desgaste. Ele aconselha a Moshe revelando um princípio fundamental, ou seja, o serviço ao Eterno não é sustentado por centralização, exaltação humana ou peso excessivo, mas por responsabilidade compartilhada, organização saudável e sabedoria. Conforme lemos em Shemot 18:17-23. (Leia o texto)

Logo depois, Bnei Yisrael chega ao Sinai. O Eterno se revela ao terceiro dia com trovões, relâmpagos, nuvem espessa e o som do shofar, conforme lemos em Shemot 19:16–19. Porém, após essa manifestação extraordinária, o Eterno surpreende ao instruir o povo sobre como se aproximar dEle, pois demonstra que é pela simplicidade. Eles estavam acostumados com muitos rituais nos cultos pagãos. HaShem não ordena altares sofisticados, nem construções que engrandeçam o homem. Pelo contrário, estabelece limites claros para que o povo não tente controlar, reproduzir ou “domesticar” a revelação. Assim, desde o início, o Eterno deixa claro nesta parashá, que o verdadeiro serviço não deve ser baseado em artifícios humanos, mas em submissão e obediência aos mandamentos de HaShem.


1. Obediência simples e coração inteiro

Servir ao Eterno com verdade significa viver de acordo com os mandamentos de HaShem, sem acrescentar exigências humanas que Ele nunca ordenou e substituam Sua vontade. No Sinai, o Eterno deixa claro que Sua presença não deve ser acessada por meios criados pelo homem. Está escrito em Shemot 20 que o altar não deveria ser elevado nem adornado, para que o homem não fosse exaltado. Logo após a entrega das Asseret HaDibrot, o Eterno declara:


Não fareis outros elohim comigo… Um altar de terra farás para Mim… E se fizeres um altar de pedras, não o edificarás de pedras lavradas; porque, se levantares o teu instrumento sobre ele, profana-lo-ás... Shemot 20:22–25

Aqui, o Eterno ensina que quanto mais o homem tenta embelezar o culto, mais ele corre o risco de profaná-lo. O foco não é a forma, mas a obediência. Isso revela que o Eterno rejeita qualquer serviço que coloque o foco na habilidade, autoridade ou criatividade humana. E fica claro, que as criações de leis e dogmas são opostas à obediência verdadeira.

Os profetas reafirmam esse princípio. Shemuel declara que obedecer é melhor do que qualquer oferta, veja:


Tem, porventura, o Eterno tanto prazer em ofertas e sacrifícios como em que se obedeça à Sua voz? Eis que obedecer é melhor do que sacrificar. Shemuel Alef 15:22


Hoshea transmite a palavra do Eterno dizendo que Ele deseja misericórdia e conhecimento, e não rituais vazios, conforme lemos abaixo:


Pois misericórdia quero, e não sacrifício; e o conhecimento do Eterno, mais do que holocaustos. Hoshea 6:6


Mikha resume o serviço verdadeiro como justiça, misericórdia e humildade, de acordo com o texto:


Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Eterno pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Elohim? Mikha 6:8


Em todos esses textos, a mensagem é a mesma, ou seja, o Eterno não se impressiona com formas externas ou legalistas, mas com um coração submisso. Em resumo, o Eterno rejeita a substituição da obediência por práticas religiosas externas.


2. Religiosidade, legalismo e dogmas: quando o homem substitui o mandamento.

Antes de continuar, vejamos alguns conceitos importantes que ajudarão na compreensão do assunto. Em primeiro lugar observe o termo “religiosidade”, que é a prática externa de devoção baseada em rituais, costumes, repetições e comportamentos padronizados, que não nascem da obediência direta aos mandamentos do Eterno. Ela se concentra mais na forma do que no conteúdo, mais na aparência do que no coração. A religiosidade pode existir mesmo sem transformação interior. É possível cumprir práticas religiosas, falar palavras corretas e manter uma imagem de santidade, enquanto o coração permanece distante do Eterno, como advertido em Yeshayahu 29:13. Em essência, a religiosidade substitui relacionamento e obediência por hábito e sistema. Ela nasce quando o homem transforma o serviço ao Eterno em um sistema controlável, previsível e mensurável, cria regras não ordenadas, práticas repetidas sem entendimento e padrões que passam a definir quem é aceito ou rejeitado. Infelizmente ainda temos visto muito isso atualmente de ambos os lados. Tanto do lado judaico ortodoxo, onde alguns se prestam ao papel de ficarem atacando as pessoas que desejam se achegar ao Eterno e ao povo por meio da Torá. Como também do lado cristão, que por rejeitarem a Torá achando que ela foi anulada pela tal graça, acusam os que procuram cumprir os mandamentos de desviados e legalistas, o que nos leva ao próximo termo.

O “legalismo” é a distorção da obediência, onde regras humanas passam a ser tratadas como critério de justiça diante do Eterno. Ele ocorre quando o foco deixa de ser cumprir os mandamentos de HaShem e passa a ser cumprir normas, interpretações e exigências criadas por homens, muitas vezes com rigidez e punição. O legalismo mede a fidelidade pela aparência externa e não pelo coração obediente. Ele gera peso, culpa e comparação entre pessoas, e frequentemente produz orgulho espiritual em quem acha que está certo. Foi esse problema que Yeshua confrontou ao dizer que os homens invalidavam os mandamentos do Eterno por causa de suas tradições, conforme Mattityahu 15:6. O legalismo surge quando essas regras humanas passam a ter o mesmo peso, ou mais, do que os mandamentos do Eterno, gerando culpa, medo e orgulho.

Outro termo importante nesse estudo é o Dogma, que é uma afirmação ou conjunto de ideias humanas, baseadas em filosofia, que são elevadas à condição de verdade absoluta, sem possibilidade de questionamento, mesmo quando não estão claramente fundamentadas nas Escrituras. Dogmas criam fronteiras rígidas, isto é, quem concorda “pertence”, quem questiona é rejeitado. Eles dão segurança institucional, mas frequentemente sufocam a responsabilidade individual diante do Eterno. Quando um dogma contradiz ou substitui os mandamentos do Eterno, ele se torna um obstáculo ao serviço verdadeiro, pois transfere a autoridade :da Palavra para o sistema humano. Os dogmas são conclusões humanas elevadas à condição de verdade absoluta, mesmo quando não estão fundamentadas nas palavras do Eterno. Eles criam uma aparência de santidade, mas produzem distanciamento, pois ensinam o homem a confiar em sistemas em vez de confiar no Eterno.

E por último, o termo “halachá”, que significa “caminho” ou “modo de andar” e se refere ao conjunto de interpretações e aplicações práticas desenvolvidas por sábios ao longo do tempo sobre como viver os mandamentos no dia a dia. Em sua origem, a halachá buscava orientar a vida prática. O problema surge quando ela é colocada acima das Escrituras, tratada como obrigatória para todos, ou quando suas cercas e detalhes passam a ter mais peso do que os próprios mandamentos do Eterno. Quando isso acontece, a halachá deixa de ser orientação e passa a ser substituição da vontade revelada do Eterno por instruções humanas, algo que os profetas e os Escritos Nazarenos constantemente advertiram. Atualmente, o excesso de halachá é um grande impeditivo para as pessoas que desejam se aproximar de Yisrael e do Eterno.

Os profetas denunciaram duramente esse desvio. Yeshayahu declara que o povo honrava o Eterno com os lábios, mas O temia com mandamentos ensinados por homens, conforme lemos em Yeshayahu 29:13.


Este povo se aproxima de Mim com a sua boca e Me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de Mim; e o seu temor para Comigo consiste em mandamentos ensinados por homens. Yeshayahu 29:13


O problema não era a falta de atividade religiosa, mas o excesso dela sem obediência verdadeira. O cerne do problema são os mandamentos humanos ensinados como se fossem mandamentos do Eterno. Isso gera aparência de santidade, mas não produz obediência verdadeira.

O fato é que apesar do que dizem alguns, o Eterno nunca pediu sistemas religiosos complexos. Ele pediu obediência, justiça, misericórdia e humildade. Tudo o que ultrapassa isso e passa a substituir os mandamentos deve ser examinado com cuidado.


3. Confirmação nos Escritos Nazarenos: retorno ao caminho simples

Nos dias de Yeshua, esse mesmo desvio, este cenário estava presente. Ele não confrontava os mandamentos do Eterno, mas tudo o que os homens acrescentaram a eles, as cercas excessivas, pois muitos haviam transformado os mandamentos em um fardo pesado, acrescentando camadas de instruções humanas que o Eterno nunca ordenou. Yeshua cita diretamente o profeta Yeshayahu e diz:


Bem profetizou Yeshayahu a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim; em vão, porém, Me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Mattityahu 15:7–9

E ainda declara:


Assim invalidais o mandamento do Eterno por causa da vossa tradição. Mattityahu 15:6


Yeshua chama o povo de volta à essência do Sinai, ou seja, amar o Eterno e viver em obediência. Ele ensina que o verdadeiro serviço começa no interior e se manifesta em atitudes justas, simples e coerentes. Shimon Kefa, o apóstolo Pedro, escreveu aos dispersos:


Sede praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Yaakov 1:22


O que Yeshua e os talmidim ensinaram não aponta para a criação de um novo sistema religioso, como o cristianismo, mas para um retorno ao caminho antigo revelado no Sinai, como o Eterno sempre quis.

Concluindo nosso estudo, servir ao Eterno com verdade é caminhar no que Ele ordenou, sem acrescentar, sem retirar e sem substituir mandamentos por tradições e sem transformar o serviço em um sistema religioso. E como vimos a religiosidade oferece segurança aparente, mas rouba a responsabilidade pessoal. O legalismo cria controle, mas não transforma o coração. Os dogmas oferecem identidade, mas afastam da simplicidade da obediência. Desde o Sinai até os profetas, e dos profetas até os dias de Yeshua, a mensagem permanece imutável, isto é, o Eterno deseja um povo que O sirva com reverência, simplicidade e fidelidade aos Seus mandamentos. Não somos chamados a entrar, nos converter ou construir sistemas religiosos, mas a viver uma vida alinhada à vontade do Eterno em cada detalhe do cotidiano. Não importa o que digam aqueles que estão em um sistema religioso, o que importa é viver a vontade do Eterno como Ele espera de nós.

Que cada um de nós examine seu caminho, abandone o que é apenas aparência e retorne ao que é verdadeiro.

Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Posição do Canal Sou Peregrino na Terra e Kahal Beit Teshuvah sobre a ressurreição.

 


Posição do Canal Sou Peregrino na Terra e páginas referentes sobre a ressurreição.


O canal Sou Peregrino na Terra, as páginas do Facebook ligadas a ele e a Congregação Kahal Beit Teshuvah, na pessoa de Moshe Ben Yosef vem por meio deste demonstrar o nosso posicionamento referente o entendimento da ressurreição geral no futuro e de mashiach de forma antecipada como sinal do Eterno.

A esperança da ressurreição dentre os mortos está firmemente estabelecida no TaNak. E isso não é novidade, e nem é ensino tardio. Yov declarou: “Eu sei que o meu redentor vive, e por fim se levantará sobre o pó” Yov 19:25. O profeta Dani’el anunciou: “Muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” Dani’el 12:2. E há muitos outros textos, mas o fato é que a ressurreição é promessa futura do Eterno para os justos. E talvez você tenha ouvido que essas são promessas apenas para uma ressurreição geral e futura, não envolvendo uma anterior, isto é, a do mashaich.

Quanto ao Mashiach e sua missão como Ben Yosef, o TaNaK não o nomeia explicitamente, porém descreve sua função, sofrimento, morte e continuação de vida, conforme temos demonstrado reiteradamente, inclusive através de comentários rabínicos. E da mesma forma que o TaNaK não traz em seu nível pshat ou literal a menção do nome Mashiach Ben Yosef, mas isso é compreendido através de forma judaica de interpretar e pelo estudo dos textos em seus diversos níveis, o mesmo ocorre com diversos tópicos de assuntos na emunah e da teshuvah, especialmente com referência à ressurreição prévia de mashiach. As profecias, sempre foram passadas em níveis e fora de ordem, a fim de que somente os que o Eterno revelar possam compreender. Isso por si só, depende de algo mais que o texto literal, depende de uma compreensão que só o Eterno pode dar. Há informações nas Escrituras Sagradas, o TaNaK, que não podem ser compreendidas meramente pelo contexto literal e isso é muito ensinado há muito tempo em meus canais.

Yeshayahu 53 é um texto profético claro, deve ser entendido em níveis, não apenas no literal. Ele escreveu sobre o servo do Eterno: “Ele foi cortado da terra dos viventes” Yeshayahu 53:8, mas logo depois o profeta declara em seu texto: “Quando fizer da sua vida uma oferta… verá descendência, prolongará os dias, e a vontade do Eterno prosperará em sua mão” Yeshayahu 53:10. Sabemos que o texto fala de Yisrael no pshat, mas também fala de Mashiach e da congregação nazarena em níveis mais profundos de interpretação. Quem é cortado da terra dos viventes e depois prolonga dias não permanece na morte. O texto não fala de outro servo, mas do mesmo. Isso aponta para retorno à vida após a morte, pela vontade do Eterno. Isso ocorre em tempos futuros ou logo depois de sua morte, como sinal? Para isso se precisa entender outros textos.

Em Tehilim 16 David disse: “Pois não abandonarás a minha alma no Sheol, nem permitirás que o teu fiel veja corrupção” Tehilim 16:10. Sabemos que sheol é sepultura e que no contexto, corrupção se refere ao apodrecimento do corpo. Este salmo ultrapassa a experiência de David, pois seu corpo conheceu corrupção. Aqui o Eterno revela que o seu fiel não permaneceria na morte. Eis o entendimento de porque o Eterno ressuscitaria o mashiach, o justo, antes dos demais, para deixar um sinal claro de sua fidelidade com o mashiach e com seu remanescente.

Desde Bereshit, Yosef é rejeitado por seus irmãos, lançado como morto, e depois retorna vivo para governar e salvar, como lemos em Bereshit 37–45. Isso não é acaso é um apontamento profético. O Eterno declara o fim desde o princípio. Yosef é sinal do Mashiach que sofre, é rejeitado, “morre” aos olhos do pai e dos irmãos, mas retorna com vida e autoridade.

Entendo que pensamentos que se levantam contra o que o Eterno revelou se combate com retorno constante às Escrituras, no entendimento correto e original, conforme Mashiach ensinou. As ideias devem ser julgadas pela Palavra do Eterno, da forma como o povo do Eterno que obedecem à Torá e segue o mashiach devem julgar. Está escrito: “À Torá e ao testemunho! Se não falarem segundo esta palavra, jamais verão a luz” Yeshayahu 8:20. Qualquer pensamento que negue a possibilidade da ressurreição antecipada do Mashiach como sinal deve ser colocado diante do que já está escrito. Se o Eterno faz viver os mortos, negar isso é limitar o Eterno, e não podemos colocá-lo em uma caixinha. Não podemos endurecer o coração contra o que está revelado. O Eterno advertiu: “Não endureçais o vosso coração” Tehilim 95:8. Rejeitar o que está claramente revelado e demonstrado nas Escrituras, ainda que não literalmente, pois é assim que se entende as Palavras do Eterno, não é zelo, é endurecimento. O Mashiach sofredor está revelado, ainda que muitos não queiram ver, da mesma forma a sua ressurreição antecipada.

Se negarmos as ressurreições relatadas nos escritos nazarenos o que faremos com as ressurreições relatadas no TaNaK? Já que os profetas foram usados pelo Eterno e nesse tempo alguns ressuscitaram mortos. Assim, é preciso compreender que o Eterno revela seus segredos por partes, não por imposição. Está escrito: “Os segredos pertencem ao Eterno, mas as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos” Devarim 29:29. Nem tudo é entendido de uma só vez. O correto é permanecer no que foi revelado, sem forçar conclusões, mas também sem negar o que o Eterno mostrou.

A ressurreição é obra exclusiva do Eterno que diz: “Eu faço morrer e eu faço viver” Devarim 32:39. Se alguém aceita a ressurreição futura dos justos, mas rejeita que o Eterno possa ressuscitar o Mashiach, cria uma contradição que não vem das Escrituras. Devemos confiar no Eterno, não na aprovação dos homens, conforme lemos: “Maldito o homem que confia no homem” Yirmeyahu 17:5. Pensamentos contrários muitas vezes vêm do desejo de aceitação ou do medo de rejeição. Mas quem ama o Eterno permanece no que está escrito, ainda que fique só.

Temos exemplo nos escritos dos profetas, Eliyahu e Elisha foram usados para trazer vida aos mortos, conforme já citei acima, registrado em Melakhim Alef 17 e Melakhim Bet 4. Se o Eterno fez isso antes da ressurreição geral, por meio de servos, quanto mais com aquele a quem Ele separou desde o ventre. Por isso, é importante seguir o caminho prático segundo às Escrituras, devemos retornar sempre ao texto das Escrituras da forma certa de entendê-los, meditar dia e noite, não contender, mas afirmar o que está escrito, conforme Mishlei 26:4-5 e confiar que o Eterno confirma sua palavra no tempo certo, conforme Habakuk 2:3.

Tudo que já estudamos e aprendemos no contexto original não deve ser jogado fora somente porque alguém diz o contrário. Sigamos firme no caminho que o Eterno nos colocou e na emunah a qual fomos despertados, sem esperar reconhecimento de ninguém que não seja o próprio Eterno.

Shalom



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Estudo da Parashá Beshalach - Deserto, a escola do Eterno.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 16 – Beshalach (Depois de ter deixado)

Shemot/Êxodo 13:17-17:16

Haftará (separação) Jz 4:4-5:31 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Lc 2:22-24 e 1Co10:1-13


Deserto, a escola do Eterno.


Muitos desejam a redenção, servir ao Eterno, mas poucos compreendem o caminho de aprendizado e prática que ela exige. Há uma ideia amplamente difundida pelo sistema religioso, de que ser resgatado pelo Eterno significa entrar imediatamente em descanso, estabilidade e facilidade. No entanto, a parashá Beshalach desmonta essa expectativa e nos apresenta uma verdade mais profunda, mostrando que o Eterno não conduz Seu povo diretamente a um lugar confortável, mas a um lugar formador. Esse lugar é o deserto. É ali que a redenção deixa de ser apenas um evento ou o final e se torna um processo vivo, diário e transformador, que chamamos de teshuvah. Siga nesse estudo até o fim e entenda mais sobre o processo do Eterno na nossa preparação para o futuro.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Beshalach descreve o início da caminhada de Yisrael como um povo livre, logo após sair do Egito, e revela como o Eterno educa, conduz e prova aqueles que Ele redime. O texto começa mostrando que o Eterno não levou o povo pelo caminho mais curto, para que não se arrependessem ao enfrentar guerra, mas os conduziu pelo deserto, manifestando Sua presença constante por meio da coluna de nuvem durante o dia e da coluna de fogo durante a noite, para guiá-los e protegê-los, conforme está escrito em Shemot.

Quando Faraó decide perseguir Yisrael, o povo se vê encurralado entre o exército egípcio e o Yam Suf. Diante do medo e da murmuração, o Eterno ordena a Moshe que avance, e o mar se abre, permitindo que Yisrael atravesse em terra seca. As águas, porém, se fecham sobre os egípcios, mostrando que o mesmo caminho de livramento para os que confiam no Eterno se torna juízo para os que O desafiam. Após essa grande salvação, Yisrael entoa o cântico ao Eterno, reconhecendo Sua força, Seu domínio e Sua fidelidade. Miryam conduz as mulheres em celebração, marcando um momento de gratidão coletiva e reconhecimento público das obras do Eterno.

Logo em seguida, a parashá mostra que a liberdade não elimina os desafios. No deserto, Yisrael enfrenta a escassez de água em Marah, onde o Eterno transforma águas amargas em potáveis, ensinando que Ele é quem cura e sustenta. Em Elim, o povo encontra descanso, mas pouco depois volta a murmurar por causa da fome. O Eterno então envia o maná, alimento diário vindo dos shamaym, estabelecendo um padrão de dependência e obediência, inclusive com a separação do sétimo dia, no qual o maná não cai. O povo aprende que não vive de acúmulo, mas da provisão diária do Eterno.

Em Refidim, novamente falta água, e o Eterno faz jorrar água da rocha, mostrando que Ele supre mesmo quando o povo questiona Sua presença. A parashá termina com o ataque de Amaleq, quando Yisrael precisa lutar. Yehoshua vai à batalha, enquanto Moshé permanece com as mãos erguidas; quando suas mãos estão levantadas, Yisrael prevalece, e quando se abaixam, o inimigo avança. Aharon e Hur sustentam os braços de Moshe até o pôr do sol, ensinando que a vitória vem da dependência contínua do Eterno e da unidade do povo.

Beshalach revela que a redenção não é apenas sair do Egito, mas aprender a caminhar com o Eterno no deserto, confiando em Sua direção, obedecendo aos Seus mandamentos e reconhecendo que toda provisão, proteção e vitória vêm dEle.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Logo no início de Beshalach, o texto declara que o Eterno não levou Yisrael pelo caminho mais curto, embora fosse o mais lógico do ponto de vista humano, observe:

Agora que o Faraó deixou o povo ir, Elohim não o reconduziu pelo caminho da terra dos filisteus, embora fosse mais perto; pois Elohim disse: O povo pode se arrepender quando vir a guerra e voltar ao Egito. Assim, Elohim levou o povo a rodear pelo caminho do deserto, pelo Mar de Juncos. Shemot 13:17-18


O Chumash Plaut, no comentário de introdução dessa parashá afirma, no tópico "No deserto", que o povo de Yisrael, agora estavam seguros contra a perseguição egípcia e finalmente livres no sentido físico, e assim, os israelitas empreendem sua viagem. Daqui em diante, até que finalmente adentrem a Terra Prometida, o deserto será o palco de sua história. Aqui no deserto as pessoas receberão a instrução divina; aqui eles vão proclamar sua fé e presenciar a autorrevelação de D'us; e aqui eles cairão em apostasia ao moldar o bezerro de ouro. O deserto é o campo de provas de Israel, o lugar onde D'us conquista um povo.

O Eterno escolhe o deserto como o palco da história do povo até a entrada na Terra Prometida. Essa escolha não é acidental. O deserto se torna o espaço onde Yisrael recebe instrução, conhece o Eterno, proclama sua confiança, mas também onde falha, murmura e cai em rebeldia. Desde o início da porção, somos conduzidos a entender que sair do Egito não é o fim da redenção, mas apenas o começo do caminho com o Eterno.

Como estamos vendo, essa parashá nos ensina que redenção não é apenas sair do Egito, mas aprender a andar com o Eterno depois da libertação. Muitos pensam que ser redimido significa entrar imediatamente em descanso, facilidade e abundância. Porém, o texto revela o oposto, relatando que o Eterno leva Seu povo para o deserto, não por abandono, mas por cuidado. O deserto é o lugar onde o coração é revelado, onde a confiança é formada e onde a obediência deixa de ser discurso e se torna prática diária.


1. O deserto como lugar de teshuvah e desapego do Egito

A fim de compreendermos bem o assunto, devemos observar a forma de estudar os textos, dentro do contexto original. Dessa forma, é importante notar que o Egito representa mais do que um lugar geográfico, ele simboliza um sistema de escravidão, de dependência, controle e falsa segurança. Através do relato da parashá e de entendimentos proféticos podemos aprender que, quando o servo do Eterno é resgatado desse sistema, seja ele mundano ou religioso, inicia-se um processo de teshuvah, um retorno consciente ao Eterno. Esse retorno não conduz imediatamente a uma estabilidade, a uma vida de “bênçãos”, no sentido do que o cristianismo costuma ensinar, mas conduz ao deserto, onde as pessoas tem a oportunidade de aprender e começar a viver o que aprende com o Eterno.

No deserto, os antigos referenciais deixam de funcionar. Ali não há celeiros, não há previsibilidade, não há controle humano. No Egito havia comida previsível, estrutura, rotina, mesmo que fosse escravidão. No deserto não há segurança humana. Tudo depende do Eterno. E o mesmo ocorre com quem está iniciando a teshuvah, pois deixam tudo que viviam para trás sem perspectiva alguma, sem saber o que e como irão viver. É exatamente por isso que o Eterno escolhe o deserto como palco da história de Yisrael e como ambiente de formação do Seu povo. Tudo passa a depender da provisão diária do Eterno, como o maná que não podia ser acumulado, conforme lemos em Shemot 16. Isso ensina que a vida diante do Eterno não se sustenta por acúmulos, mas por confiança diária baseada na obediência.

O profeta Yirmeyahu expressa essa realidade ao dizer que Yisrael seguiu o Eterno no deserto, numa terra não semeada (Yirmeyahu 2:2). O deserto revela se o coração realmente deseja o Eterno ou apenas os benefícios da libertação.


2. O Sinai: revelação, instrução e início das provas

Ao saírem do Egito em direção ao Sinai, além dos hebreus saíram muitos povos que viviam ali, conforme lemos em Shemot 12:38. Muitas dessas pessoas apenas queriam sair do Egito, não queriam uma relação com o D’us dos hebreus, apenas aproveitaram a oportunidade, mas o Eterno busca servos sinceros. E para isso, HaShem estabelece um princípio levando-os para o deserto. É no deserto que ocorre a entrega da Torah no Sinai. Isso não é um detalhe, mas uma mensagem poderosa. A instrução do Eterno não é dada no Egito nem na Terra Prometida, mas no ambiente onde não há distrações nem estruturas humanas de apoio. O Sinai representa a autorrevelação do Eterno e o estabelecimento de Sua instrução como fundamento da vida.

A partir da revelação, a vida do povo passa a ser provada. Como está escrito:


Para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os Seus mandamentos. Devarim 8:2


As provas não criam o caráter, elas o revelam. Atitudes de obediência aproximam do Eterno e produzem justiça. Enquanto atitudes de murmuração, impaciência e substituição da confiança produzem afastamento e rebeldia. O bezerro de ouro nasce exatamente nesse contexto, a revelação havia sido recebida, mas confiança ainda era imatura. Isso mostra que conhecer a verdade não impede a queda, somente a obediência perseverante sustenta o caminhar mesmo em meio às tribulações.

Yeshua ensinou o mesmo princípio que vemos dessa parashá ao afirmar que não basta ouvir suas palavras, é necessário praticá-las, veja:


Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Mateus 7:24-26


O deserto expõe se a instrução foi apenas ouvida ou realmente acolhida no viver diário, é o que veremos no próximo tópico.


3. O deserto como campo de provas e lugar onde o Eterno conquista um povo

O comentário do Chumash Plaut afirma que o deserto é o lugar onde o Eterno conquista um povo. Essa conquista não se dá pela força, mas pela fidelidade. No deserto, Yisrael aprende que a presença do Eterno não remove as dificuldades, mas as atravessa junto com o povo. A coluna de nuvem e a coluna de fogo não tiram o deserto, mas revelam que HaShem está presente em todo o caminho de acordo com Shemot 13:21. Há dez anos atrás, ainda no início da minha teshuvah, quando ainda estava no sistema religioso cristão, escrevi um texto em meu blog (https://souperegrinonaterra.blogspot.com/search?q=deserto), cujo título era “Não morra no deserto”, dois anos depois gravei um vídeo no canal do YouTube com o mesmo título. Naquele artigo já falava sobre o deserto como local de aprendizado.

Quando Amaleq ataca, Yisrael aprende que a caminhada com o Eterno inclui oposição. A vitória não vem da força militar, mas da dependência contínua do Eterno, simbolizada pelas mãos de Moshe erguidas, como vemos em Shemot 17. Assim também é com o servo do Eterno, pois a caminhada não é um “mar de rosas”, mas um caminho de aprendizado, onde cada decisão revela a quem o coração está realmente submetido.

O profeta Hoshea confirma que é no deserto que o Eterno fala ao coração e restaura a relação com o Seu povo, observe o que diz Hoshea 2:14–15:


Portanto, agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e vou falar-lhe com carinho. Ali devolverei a ela as suas vinhas, e farei do vale de Açor uma porta de esperança. Ali ela me responderá como nos dias de sua infância, como no dia em que saiu do Egito.


O deserto não é rejeição, é formação.


Concluindo nosso estudo, vemos que a parashá Beshalach nos conduz a uma compreensão madura e sem religiosidade da redenção. Ser resgatado do Egito ou dos sistemas é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio é andar com o Eterno no deserto, onde não há garantias humanas, apenas a direção divina. É nesse ambiente que aprendemos a confiar, a obedecer e a reconhecer que toda provisão, proteção e vitória vêm de HaShem, mesmo que haja desafios e dificuldades a enfrentar.

O deserto revela quem deseja apenas sair do Egito e quem realmente quer caminhar com o Eterno. Ele expõe o coração, prova as atitudes e forma um povo que não vive de sistemas, mas da Palavra do Eterno, dia a dia. Esse entendimento nos chama à seguinte reflexão: como temos respondido às provas do caminho? Com justiça ou com rebeldia?

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Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef