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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Posição do Canal Sou Peregrino na Terra e Kahal Beit Teshuvah sobre a ressurreição.

 


Posição do Canal Sou Peregrino na Terra e páginas referentes sobre a ressurreição.


O canal Sou Peregrino na Terra, as páginas do Facebook ligadas a ele e a Congregação Kahal Beit Teshuvah, na pessoa de Moshe Ben Yosef vem por meio deste demonstrar o nosso posicionamento referente o entendimento da ressurreição geral no futuro e de mashiach de forma antecipada como sinal do Eterno.

A esperança da ressurreição dentre os mortos está firmemente estabelecida no TaNak. E isso não é novidade, e nem é ensino tardio. Yov declarou: “Eu sei que o meu redentor vive, e por fim se levantará sobre o pó” Yov 19:25. O profeta Dani’el anunciou: “Muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” Dani’el 12:2. E há muitos outros textos, mas o fato é que a ressurreição é promessa futura do Eterno para os justos. E talvez você tenha ouvido que essas são promessas apenas para uma ressurreição geral e futura, não envolvendo uma anterior, isto é, a do mashaich.

Quanto ao Mashiach e sua missão como Ben Yosef, o TaNaK não o nomeia explicitamente, porém descreve sua função, sofrimento, morte e continuação de vida, conforme temos demonstrado reiteradamente, inclusive através de comentários rabínicos. E da mesma forma que o TaNaK não traz em seu nível pshat ou literal a menção do nome Mashiach Ben Yosef, mas isso é compreendido através de forma judaica de interpretar e pelo estudo dos textos em seus diversos níveis, o mesmo ocorre com diversos tópicos de assuntos na emunah e da teshuvah, especialmente com referência à ressurreição prévia de mashiach. As profecias, sempre foram passadas em níveis e fora de ordem, a fim de que somente os que o Eterno revelar possam compreender. Isso por si só, depende de algo mais que o texto literal, depende de uma compreensão que só o Eterno pode dar. Há informações nas Escrituras Sagradas, o TaNaK, que não podem ser compreendidas meramente pelo contexto literal e isso é muito ensinado há muito tempo em meus canais.

Yeshayahu 53 é um texto profético claro, deve ser entendido em níveis, não apenas no literal. Ele escreveu sobre o servo do Eterno: “Ele foi cortado da terra dos viventes” Yeshayahu 53:8, mas logo depois o profeta declara em seu texto: “Quando fizer da sua vida uma oferta… verá descendência, prolongará os dias, e a vontade do Eterno prosperará em sua mão” Yeshayahu 53:10. Sabemos que o texto fala de Yisrael no pshat, mas também fala de Mashiach e da congregação nazarena em níveis mais profundos de interpretação. Quem é cortado da terra dos viventes e depois prolonga dias não permanece na morte. O texto não fala de outro servo, mas do mesmo. Isso aponta para retorno à vida após a morte, pela vontade do Eterno. Isso ocorre em tempos futuros ou logo depois de sua morte, como sinal? Para isso se precisa entender outros textos.

Em Tehilim 16 David disse: “Pois não abandonarás a minha alma no Sheol, nem permitirás que o teu fiel veja corrupção” Tehilim 16:10. Sabemos que sheol é sepultura e que no contexto, corrupção se refere ao apodrecimento do corpo. Este salmo ultrapassa a experiência de David, pois seu corpo conheceu corrupção. Aqui o Eterno revela que o seu fiel não permaneceria na morte. Eis o entendimento de porque o Eterno ressuscitaria o mashiach, o justo, antes dos demais, para deixar um sinal claro de sua fidelidade com o mashiach e com seu remanescente.

Desde Bereshit, Yosef é rejeitado por seus irmãos, lançado como morto, e depois retorna vivo para governar e salvar, como lemos em Bereshit 37–45. Isso não é acaso é um apontamento profético. O Eterno declara o fim desde o princípio. Yosef é sinal do Mashiach que sofre, é rejeitado, “morre” aos olhos do pai e dos irmãos, mas retorna com vida e autoridade.

Entendo que pensamentos que se levantam contra o que o Eterno revelou se combate com retorno constante às Escrituras, no entendimento correto e original, conforme Mashiach ensinou. As ideias devem ser julgadas pela Palavra do Eterno, da forma como o povo do Eterno que obedecem à Torá e segue o mashiach devem julgar. Está escrito: “À Torá e ao testemunho! Se não falarem segundo esta palavra, jamais verão a luz” Yeshayahu 8:20. Qualquer pensamento que negue a possibilidade da ressurreição antecipada do Mashiach como sinal deve ser colocado diante do que já está escrito. Se o Eterno faz viver os mortos, negar isso é limitar o Eterno, e não podemos colocá-lo em uma caixinha. Não podemos endurecer o coração contra o que está revelado. O Eterno advertiu: “Não endureçais o vosso coração” Tehilim 95:8. Rejeitar o que está claramente revelado e demonstrado nas Escrituras, ainda que não literalmente, pois é assim que se entende as Palavras do Eterno, não é zelo, é endurecimento. O Mashiach sofredor está revelado, ainda que muitos não queiram ver, da mesma forma a sua ressurreição antecipada.

Se negarmos as ressurreições relatadas nos escritos nazarenos o que faremos com as ressurreições relatadas no TaNaK? Já que os profetas foram usados pelo Eterno e nesse tempo alguns ressuscitaram mortos. Assim, é preciso compreender que o Eterno revela seus segredos por partes, não por imposição. Está escrito: “Os segredos pertencem ao Eterno, mas as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos” Devarim 29:29. Nem tudo é entendido de uma só vez. O correto é permanecer no que foi revelado, sem forçar conclusões, mas também sem negar o que o Eterno mostrou.

A ressurreição é obra exclusiva do Eterno que diz: “Eu faço morrer e eu faço viver” Devarim 32:39. Se alguém aceita a ressurreição futura dos justos, mas rejeita que o Eterno possa ressuscitar o Mashiach, cria uma contradição que não vem das Escrituras. Devemos confiar no Eterno, não na aprovação dos homens, conforme lemos: “Maldito o homem que confia no homem” Yirmeyahu 17:5. Pensamentos contrários muitas vezes vêm do desejo de aceitação ou do medo de rejeição. Mas quem ama o Eterno permanece no que está escrito, ainda que fique só.

Temos exemplo nos escritos dos profetas, Eliyahu e Elisha foram usados para trazer vida aos mortos, conforme já citei acima, registrado em Melakhim Alef 17 e Melakhim Bet 4. Se o Eterno fez isso antes da ressurreição geral, por meio de servos, quanto mais com aquele a quem Ele separou desde o ventre. Por isso, é importante seguir o caminho prático segundo às Escrituras, devemos retornar sempre ao texto das Escrituras da forma certa de entendê-los, meditar dia e noite, não contender, mas afirmar o que está escrito, conforme Mishlei 26:4-5 e confiar que o Eterno confirma sua palavra no tempo certo, conforme Habakuk 2:3.

Tudo que já estudamos e aprendemos no contexto original não deve ser jogado fora somente porque alguém diz o contrário. Sigamos firme no caminho que o Eterno nos colocou e na emunah a qual fomos despertados, sem esperar reconhecimento de ninguém que não seja o próprio Eterno.

Shalom



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Estudo da Parashá Beshalach - Deserto, a escola do Eterno.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 16 – Beshalach (Depois de ter deixado)

Shemot/Êxodo 13:17-17:16

Haftará (separação) Jz 4:4-5:31 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Lc 2:22-24 e 1Co10:1-13


Deserto, a escola do Eterno.


Muitos desejam a redenção, servir ao Eterno, mas poucos compreendem o caminho de aprendizado e prática que ela exige. Há uma ideia amplamente difundida pelo sistema religioso, de que ser resgatado pelo Eterno significa entrar imediatamente em descanso, estabilidade e facilidade. No entanto, a parashá Beshalach desmonta essa expectativa e nos apresenta uma verdade mais profunda, mostrando que o Eterno não conduz Seu povo diretamente a um lugar confortável, mas a um lugar formador. Esse lugar é o deserto. É ali que a redenção deixa de ser apenas um evento ou o final e se torna um processo vivo, diário e transformador, que chamamos de teshuvah. Siga nesse estudo até o fim e entenda mais sobre o processo do Eterno na nossa preparação para o futuro.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Beshalach descreve o início da caminhada de Yisrael como um povo livre, logo após sair do Egito, e revela como o Eterno educa, conduz e prova aqueles que Ele redime. O texto começa mostrando que o Eterno não levou o povo pelo caminho mais curto, para que não se arrependessem ao enfrentar guerra, mas os conduziu pelo deserto, manifestando Sua presença constante por meio da coluna de nuvem durante o dia e da coluna de fogo durante a noite, para guiá-los e protegê-los, conforme está escrito em Shemot.

Quando Faraó decide perseguir Yisrael, o povo se vê encurralado entre o exército egípcio e o Yam Suf. Diante do medo e da murmuração, o Eterno ordena a Moshe que avance, e o mar se abre, permitindo que Yisrael atravesse em terra seca. As águas, porém, se fecham sobre os egípcios, mostrando que o mesmo caminho de livramento para os que confiam no Eterno se torna juízo para os que O desafiam. Após essa grande salvação, Yisrael entoa o cântico ao Eterno, reconhecendo Sua força, Seu domínio e Sua fidelidade. Miryam conduz as mulheres em celebração, marcando um momento de gratidão coletiva e reconhecimento público das obras do Eterno.

Logo em seguida, a parashá mostra que a liberdade não elimina os desafios. No deserto, Yisrael enfrenta a escassez de água em Marah, onde o Eterno transforma águas amargas em potáveis, ensinando que Ele é quem cura e sustenta. Em Elim, o povo encontra descanso, mas pouco depois volta a murmurar por causa da fome. O Eterno então envia o maná, alimento diário vindo dos shamaym, estabelecendo um padrão de dependência e obediência, inclusive com a separação do sétimo dia, no qual o maná não cai. O povo aprende que não vive de acúmulo, mas da provisão diária do Eterno.

Em Refidim, novamente falta água, e o Eterno faz jorrar água da rocha, mostrando que Ele supre mesmo quando o povo questiona Sua presença. A parashá termina com o ataque de Amaleq, quando Yisrael precisa lutar. Yehoshua vai à batalha, enquanto Moshé permanece com as mãos erguidas; quando suas mãos estão levantadas, Yisrael prevalece, e quando se abaixam, o inimigo avança. Aharon e Hur sustentam os braços de Moshe até o pôr do sol, ensinando que a vitória vem da dependência contínua do Eterno e da unidade do povo.

Beshalach revela que a redenção não é apenas sair do Egito, mas aprender a caminhar com o Eterno no deserto, confiando em Sua direção, obedecendo aos Seus mandamentos e reconhecendo que toda provisão, proteção e vitória vêm dEle.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Logo no início de Beshalach, o texto declara que o Eterno não levou Yisrael pelo caminho mais curto, embora fosse o mais lógico do ponto de vista humano, observe:

Agora que o Faraó deixou o povo ir, Elohim não o reconduziu pelo caminho da terra dos filisteus, embora fosse mais perto; pois Elohim disse: O povo pode se arrepender quando vir a guerra e voltar ao Egito. Assim, Elohim levou o povo a rodear pelo caminho do deserto, pelo Mar de Juncos. Shemot 13:17-18


O Chumash Plaut, no comentário de introdução dessa parashá afirma, no tópico "No deserto", que o povo de Yisrael, agora estavam seguros contra a perseguição egípcia e finalmente livres no sentido físico, e assim, os israelitas empreendem sua viagem. Daqui em diante, até que finalmente adentrem a Terra Prometida, o deserto será o palco de sua história. Aqui no deserto as pessoas receberão a instrução divina; aqui eles vão proclamar sua fé e presenciar a autorrevelação de D'us; e aqui eles cairão em apostasia ao moldar o bezerro de ouro. O deserto é o campo de provas de Israel, o lugar onde D'us conquista um povo.

O Eterno escolhe o deserto como o palco da história do povo até a entrada na Terra Prometida. Essa escolha não é acidental. O deserto se torna o espaço onde Yisrael recebe instrução, conhece o Eterno, proclama sua confiança, mas também onde falha, murmura e cai em rebeldia. Desde o início da porção, somos conduzidos a entender que sair do Egito não é o fim da redenção, mas apenas o começo do caminho com o Eterno.

Como estamos vendo, essa parashá nos ensina que redenção não é apenas sair do Egito, mas aprender a andar com o Eterno depois da libertação. Muitos pensam que ser redimido significa entrar imediatamente em descanso, facilidade e abundância. Porém, o texto revela o oposto, relatando que o Eterno leva Seu povo para o deserto, não por abandono, mas por cuidado. O deserto é o lugar onde o coração é revelado, onde a confiança é formada e onde a obediência deixa de ser discurso e se torna prática diária.


1. O deserto como lugar de teshuvah e desapego do Egito

A fim de compreendermos bem o assunto, devemos observar a forma de estudar os textos, dentro do contexto original. Dessa forma, é importante notar que o Egito representa mais do que um lugar geográfico, ele simboliza um sistema de escravidão, de dependência, controle e falsa segurança. Através do relato da parashá e de entendimentos proféticos podemos aprender que, quando o servo do Eterno é resgatado desse sistema, seja ele mundano ou religioso, inicia-se um processo de teshuvah, um retorno consciente ao Eterno. Esse retorno não conduz imediatamente a uma estabilidade, a uma vida de “bênçãos”, no sentido do que o cristianismo costuma ensinar, mas conduz ao deserto, onde as pessoas tem a oportunidade de aprender e começar a viver o que aprende com o Eterno.

No deserto, os antigos referenciais deixam de funcionar. Ali não há celeiros, não há previsibilidade, não há controle humano. No Egito havia comida previsível, estrutura, rotina, mesmo que fosse escravidão. No deserto não há segurança humana. Tudo depende do Eterno. E o mesmo ocorre com quem está iniciando a teshuvah, pois deixam tudo que viviam para trás sem perspectiva alguma, sem saber o que e como irão viver. É exatamente por isso que o Eterno escolhe o deserto como palco da história de Yisrael e como ambiente de formação do Seu povo. Tudo passa a depender da provisão diária do Eterno, como o maná que não podia ser acumulado, conforme lemos em Shemot 16. Isso ensina que a vida diante do Eterno não se sustenta por acúmulos, mas por confiança diária baseada na obediência.

O profeta Yirmeyahu expressa essa realidade ao dizer que Yisrael seguiu o Eterno no deserto, numa terra não semeada (Yirmeyahu 2:2). O deserto revela se o coração realmente deseja o Eterno ou apenas os benefícios da libertação.


2. O Sinai: revelação, instrução e início das provas

Ao saírem do Egito em direção ao Sinai, além dos hebreus saíram muitos povos que viviam ali, conforme lemos em Shemot 12:38. Muitas dessas pessoas apenas queriam sair do Egito, não queriam uma relação com o D’us dos hebreus, apenas aproveitaram a oportunidade, mas o Eterno busca servos sinceros. E para isso, HaShem estabelece um princípio levando-os para o deserto. É no deserto que ocorre a entrega da Torah no Sinai. Isso não é um detalhe, mas uma mensagem poderosa. A instrução do Eterno não é dada no Egito nem na Terra Prometida, mas no ambiente onde não há distrações nem estruturas humanas de apoio. O Sinai representa a autorrevelação do Eterno e o estabelecimento de Sua instrução como fundamento da vida.

A partir da revelação, a vida do povo passa a ser provada. Como está escrito:


Para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os Seus mandamentos. Devarim 8:2


As provas não criam o caráter, elas o revelam. Atitudes de obediência aproximam do Eterno e produzem justiça. Enquanto atitudes de murmuração, impaciência e substituição da confiança produzem afastamento e rebeldia. O bezerro de ouro nasce exatamente nesse contexto, a revelação havia sido recebida, mas confiança ainda era imatura. Isso mostra que conhecer a verdade não impede a queda, somente a obediência perseverante sustenta o caminhar mesmo em meio às tribulações.

Yeshua ensinou o mesmo princípio que vemos dessa parashá ao afirmar que não basta ouvir suas palavras, é necessário praticá-las, veja:


Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Mateus 7:24-26


O deserto expõe se a instrução foi apenas ouvida ou realmente acolhida no viver diário, é o que veremos no próximo tópico.


3. O deserto como campo de provas e lugar onde o Eterno conquista um povo

O comentário do Chumash Plaut afirma que o deserto é o lugar onde o Eterno conquista um povo. Essa conquista não se dá pela força, mas pela fidelidade. No deserto, Yisrael aprende que a presença do Eterno não remove as dificuldades, mas as atravessa junto com o povo. A coluna de nuvem e a coluna de fogo não tiram o deserto, mas revelam que HaShem está presente em todo o caminho de acordo com Shemot 13:21. Há dez anos atrás, ainda no início da minha teshuvah, quando ainda estava no sistema religioso cristão, escrevi um texto em meu blog (https://souperegrinonaterra.blogspot.com/search?q=deserto), cujo título era “Não morra no deserto”, dois anos depois gravei um vídeo no canal do YouTube com o mesmo título. Naquele artigo já falava sobre o deserto como local de aprendizado.

Quando Amaleq ataca, Yisrael aprende que a caminhada com o Eterno inclui oposição. A vitória não vem da força militar, mas da dependência contínua do Eterno, simbolizada pelas mãos de Moshe erguidas, como vemos em Shemot 17. Assim também é com o servo do Eterno, pois a caminhada não é um “mar de rosas”, mas um caminho de aprendizado, onde cada decisão revela a quem o coração está realmente submetido.

O profeta Hoshea confirma que é no deserto que o Eterno fala ao coração e restaura a relação com o Seu povo, observe o que diz Hoshea 2:14–15:


Portanto, agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e vou falar-lhe com carinho. Ali devolverei a ela as suas vinhas, e farei do vale de Açor uma porta de esperança. Ali ela me responderá como nos dias de sua infância, como no dia em que saiu do Egito.


O deserto não é rejeição, é formação.


Concluindo nosso estudo, vemos que a parashá Beshalach nos conduz a uma compreensão madura e sem religiosidade da redenção. Ser resgatado do Egito ou dos sistemas é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio é andar com o Eterno no deserto, onde não há garantias humanas, apenas a direção divina. É nesse ambiente que aprendemos a confiar, a obedecer e a reconhecer que toda provisão, proteção e vitória vêm de HaShem, mesmo que haja desafios e dificuldades a enfrentar.

O deserto revela quem deseja apenas sair do Egito e quem realmente quer caminhar com o Eterno. Ele expõe o coração, prova as atitudes e forma um povo que não vive de sistemas, mas da Palavra do Eterno, dia a dia. Esse entendimento nos chama à seguinte reflexão: como temos respondido às provas do caminho? Com justiça ou com rebeldia?

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Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Estudo da Parashá Bo - Chamados ao Amanhecer e ao Entardecer.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 15 – Bo (Vá)

Shemot/Êxodo 10:1-13:16

Haftará (separação) Jr 46:13-28 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mt 20:1-16; Lc 2:22-24 e Atos 13:16,17


Chamados ao Amanhecer e ao Entardecer.


relatos nas Escrituras que nunca envelhecem. Eles atravessam gerações porque falam diretamente ao coração humano através de assuntos como poder, opressão, justiça, inveja, misericórdia e propósito. A parashá Bo, a haftará em Yirmeyahu, que estamos estudando essa semana, e a parábola dos trabalhadores da vinha, ensinada por Yeshua, pertencem a esse grupo. À primeira vista, parecem textos distintos, separados por séculos e contextos diferentes. Mas, quando colocados lado a lado, e estudados da maneira correta, revelam uma única mensagem, isto é, o Eterno liberta, chama para o serviço e exige um coração alinhado com Sua justiça, não com o orgulho humano.

Através deste estudo convido você a caminhar desde a saída de Mitsrayim até a vinha do dono justo, entendendo que o mesmo Eterno que julgou Faraó continua ensinando como viver em Sua aliança hoje. O Eterno chama ao amanhecer e ao entardecer, traz libertação, justiça e misericórdia na Parashá Bo. Fique até o final para não perder nada.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Nesta semana lemos a parashá Bo, que descreve os atos finais do Eterno para libertar os filhos de Yisrael da servidão em Mitsrayim e estabelecer um memorial eterno dessa libertação.

O Eterno envia as três últimas pragas sobre Mitsrayim: Arbeh (gafanhotos), que consomem tudo o que restou da terra; Choshech (escuridão densa), que cobre Mitsrayim por três dias, enquanto os filhos de Yisrael têm luz em suas habitações; e, por fim, o anúncio da morte dos primogênitos.

O coração de Faraó permanece endurecido. Mesmo quando admite momentaneamente o erro, ele tenta negociar a obediência, permitindo apenas uma libertação parcial. Mosheh rejeita qualquer concessão, pois o serviço ao Eterno exige entrega completa.

Antes da última praga, o Eterno estabelece Pesach. Cada casa de Yisrael deveria separar um cordeiro sem defeito, abatê-lo no décimo quarto dia do mês de Aviv, colocar o sangue nos umbrais e na verga da porta, e comer a carne assada com matzot e ervas amargas, prontos para partir. O sangue é o sinal de obediência que distingue as casas de Yisrael em meio ao juízo.

À meia-noite, o Eterno fere todos os primogênitos de Mitsrayim, do palácio à prisão. Há grande clamor na terra, e Faraó finalmente ordena que Yisrael saia imediatamente. O povo parte apressadamente, levando matzot, pois não houve tempo para a massa fermentar, e sai com bens concedidos pelos mitsrim.

Cerca de seiscentos mil homens, além de mulheres e crianças, deixam Mitsrayim. Assim se cumpre a palavra dita a Avraham, de que seus descendentes seriam libertos após longo tempo de aflição.

A parashá Bo ensina que a libertação vem pela obediência aos mandamentos do Eterno, que não há redenção parcial, e que Yisrael foi tirado da servidão para servir somente a Ele. A saída de Mitsrayim não é apenas um fato histórico, mas um memorial vivo para todas as gerações, pois “...Com mão forte o Eterno nos tirou de Mitsrayim, da casa da servidão.”


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

A parashá Bo se inicia com palavras firmes do Eterno a Mosheh:

à presença de Faraó, porque Eu endureci o seu coração.” Shemot 10:1

O cenário é de confronto direto entre duas forças:

– de um lado, Mitsrayim, com seu poder, economia e opressão;

– do outro, o Eterno, chamando Seu povo para sair e servi-lo.

Desde o início da porção, fica claro que a libertação não é apenas sair fisicamente de um lugar, mas romper com um sistema que se opõe à vontade do Eterno. Eles deveriam mudar sua kavanah e mentalidade para serem verdadeiramente livres. Esse mesmo tema reaparece na haftará, quando Yirmeyahu anuncia o juízo definitivo contra Mitsrayim, e ecoa nos ensinos de Yeshua que falou sobre quem é chamado primeiro, quem chega depois e como o Eterno distribui Sua recompensa, na parábola dos trabalhadores da vinha.

No Chumash Plaut, há um comentário introdutório da parashá Bo, onde o autor afirma que Moshê confrontou repetidamente o Faraó com a alegação de que é D’us, e não o Faraó, quem possui Yisrael. No entanto, o governante do Egito insistiu em manter o controle do povo escravizado, apesar dos custos crescentes para a nação, por uma série de sete catástrofes até aquele momento. Infelizmente há pessoas que não entendem os sinais, situações que ocorrem a sua volta e que muitas vezes são instrumentos do Eterno para nos colocar no caminho certo, e no caso do Faraó, para julgá-lo, por suas atitudes imprudentes. Vejamos nos tópicos a seguir um pouco mais de como o Eterno chama e desperta seu povo.


1. Mitsrayim: o sistema que escraviza e será julgado

Sempre falo que no estudo das Escrituras é preciso se ater a forma judaica de interpretar os textos, entender as palavras chaves, as representações e etc. Na parashá Bo, Mitsrayim representa mais do que uma terra, ela é chamada de “Casa da servidão”, conforme lemos em Shemot 20:2.

Faraó simboliza um poder que resiste à palavra do Eterno até o fim. Mesmo diante de sinais claros, ele tenta negociar, ceder parcialmente, manter controle. Porém, a libertação só acontece quando o Eterno executa Seu juízo e isso ocorre sempre no tempo certo, determinado por HaShem. Quando isso ocorre o Eterno liberta seu povo.

A haftará em Yirmeyahu 46:13–28 mostra que esse julgamento não ficou restrito ao passado, ela traz uma profecia clara e direta contra Mitsrayim, anunciando sua queda definitiva diante do juízo do Eterno. Esse texto dialoga profundamente com a parashá que estamos estudando, pois revela que o poder que oprimiu Yisrael no passado não permanece para sempre diante da soberania do Eterno. Séculos depois dos eventos relatados na parashá, o Eterno declara que Mitsrayim cairá novamente, agora pelas mãos de Bavel, que naquele momento era instrumento de julgamento de HaShem. O texto é direto, mostra que força militar, sabedoria humana e ídolos não sustentam um sistema que se levanta contra o Eterno, mesmo que supostamente afirme servir ao Eterno, como foi o caso do reino do sul, que buscou se aliar ao Egito.

O profeta Yirmeyahu anuncia a palavra do Eterno contra Mitsrayim no tempo da invasão de Nevuchadnetsar, rei de Bavel. Mitsrayim, que se via como forte, organizada e protegida por seus exércitos, é descrita como incapaz de resistir ao decreto do Eterno.

A haftará nos mostra Mitsrayim confiando em sua força militar, em seus guerreiros, em seus ídolos, e em sua própria sabedoria. Contudo, todas essas coisas falham, e o Eterno declara que os valentes tropeçam, os mercenários fogem, o orgulho do Egito é humilhado e seus deuses são julgados.

Ao mesmo tempo, o profeta traz consolo a Yisrael, à casa de Yehudá, mesmo julgando e punindo-os lhes diz:


Não tenha medo, ó Yaakov, meu servo, porque Eu estou com você! Diz o Eterno. Eu darei um a rodas as nações a cujas terras o levei; mas não darei um fim a você. Ainda que Eu não permita que fique impune, Eu o castigarei com justiça. Yirmeyahu 46:28


O perdão divino atenua, mas não anula o castigo, pois a justiça divina deve ser cumprida, diz o comentário de rodapé do Chumash Plaut. E neste texto que acabamos de ler, está um princípio essencial, o Eterno julga os sistemas opressores, e até mesmo os seus escolhidos, se errarem, mas preserva Seu povo para cumprir Seu propósito e para trazê-los de volta ao caminho da teshuvah.

O Egito é comparado a uma bela novilha, mas o destruidor vem do norte. Nenhum plano humano consegue impedir o juízo do Eterno. A terra que antes oprimia agora se torna objeto de terror. HaShem, através do profeta, declara que Yisrael, no caso Judá, será disciplinado com justiça, mas não destruído. Há juízo para as nações opressoras, mas preservação e esperança para o povo do Eterno.

O pensamento rabínico antigo observa que Mitsrayim é lembrada repetidamente nas Escrituras não apenas como um lugar, mas como um modelo de arrogância humana que precisa ser confrontado geração após geração.

Olhando para essa porção e sua haftará, vemos o reforço de um tema essencial mencionado pelos profetas, ou seja, não buscar segurança nos sistemas que o Eterno já julgou. Assim como em Bo o Eterno tira Yisrael de Mitsrayim, em Yirmeyahu Ele mostra que o Egito e outros como Bavel, não é refúgio, mas armadilha. A parashá Bo nos mostra o nascimento da libertação e a haftará mostra que essa libertação continua válida ao longo da história. O Egito cai, os sistemas opressores passam, mas o Eterno permanece fiel à sua palavra. O chamado é o mesmo em todas as gerações, isto é, não confiar no Egito, não temer Bavel e permanecer firme nos caminhos do Eterno. Vejamos no tópico seguinte que o Eterno continua chamando para a libertação e para servir, e utiliza o mashiach e seus ensinos.


2. A vinha, a aliança e o chamado para servir

Ao estudar as Escrituras, ou seja, a Torá e a haftará, notamos que há uma evolução da revelação das Palavras do Eterno. Os princípios da Torá são mantidos e ampliados pelos profetas, mas se olharmos para os escritos nazarenos, vemos que Yeshua também repetiu os mesmos ensinos. E fez isso de forma prática, clara e ainda mais ampla, assim, podemos perceber uma relação direta e profunda entre a parashá Bo e a parábola contado por Yeshua em Matituahu 20:1-16, quando lidas à luz das Escrituras e do propósito do Eterno revelado desde o início.

Mais uma vez, para entender bem o que uma parábola quer dizer, é preciso analisar pelo contexto original, utilizando de métodos judaicos de interpretação. E sendo assim, vamos separar os elementos da parábola:

- o dono da vinha;

- a vinha;

- o contrato de trabalho;

- os trabalhadores contratados primeiro;

- os trabalhadores da última hora.

Quando Yeshua conta a parábola dos trabalhadores da vinha, Ele estava falando a um povo que conhece bem a história do Êxodo. A parábola começa com um dono de vinha que chama, desde cedo, trabalhadores em diferentes horas do dia. Isso não é novo nas Escrituras, a vinha não é uma imagem nova, pois o profeta Yeshayahu já havia falado sobre isso, observe:


Porque a vinha do Eterno dos Exércitos é a casa de Yisrael, e os homens de Yehudah são a planta das suas delícias; e esperou que exercesse juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor. Yeshayahu 5:7


Também encontramos referência em Tehilim:


Trouxeste uma vinha do Egito; lançaste fora os gentios, e a plantaste. Tehilim 80:8


Dessa forma, quando Yeshua falou de uma vinha, ele estava falando do projeto do Eterno na terra, iniciado com o povo de Yisrael. A vinha é o povo de Yisrael.

Os primeiros trabalhadores, chamados ao amanhecer, representam Yisrael, retirado de Mitsrayim e colocado em aliança no Sinai. Eles receberam o “contrato”: a Torá, os mandamentos, a responsabilidade de viver como povo separado.

Os últimos trabalhadores, chamados na última hora do dia, sem negociação prévia e confiando apenas na justiça do dono da vinha, eles representam as pessoas das nações, que se achegam mais tarde ao mesmo propósito do Eterno. E apesar de não terem a promessa do contrato formal, como os primeiros chamados, o contrato vale para estes também, desde que entrem no campo e se juntem aos demais trabalhadores. O ponto central da parábola não é a quantidade de trabalho, mas o caráter do dono da vinha.

Isso se conecta diretamente com a parashá Bo. Yisrael não saiu de Mitsrayim por mérito próprio, mas porque o Eterno havia feito uma aliança com os patriarcas e decidiu libertá-los. Da mesma forma, ninguém entra na vinha por justiça própria. O Eterno liberta do sistema pecaminoso, depois dá o contrato, a Torá, e então se passa a viver em justiça.

Os trabalhadores da última hora não substituem Yisrael, mas são ajuntados à mesma vinha, ou seja, são ajuntados à Yisrael, como Rav Shaul disse, são enxertados.

O ensino rabínico reconhece que o mérito maior não está em ter sido chamado primeiro, mas em permanecer fiel até o fim.

Mas, assim como vemos hoje, os primeiros trabalhadores murmuraram, reclamaram que os últimos estavam recebendo a mesma coisa que eles. No entanto, Yeshua alerta que aqueles que foram chamados primeiro não devem se escandalizar quando o Eterno demonstra misericórdia aos que chegam depois, como vemos em Mt 20:15.


3. Murmuração, justiça e transformação do coração

Na parábola, os primeiros trabalhadores murmuram. Esse detalhe não é acidental. Ele ecoa o comportamento de Yisrael logo após sair de Mitsrayim:


E murmurou toda a congregação. Shemot 16:2


Yeshua não está acusando Yisrael, mas advertindo, pois o chamado antigo não autoriza arrogância. Isso acontece atualmente também, muitos judeus rejeitas os nazarenos, seguidores do mashiach. Porém o princípio é claro, quem conhece mais, responde por mais.

O Eterno não é injusto por ser misericordioso com quem chega depois. Ele permanece fiel ao que prometeu. A verdadeira questão é o coração de quem já está na vinha. O pensamento rabínico ensina que o Eterno mede o homem não pelo tempo de serviço, mas pela intenção do coração e pela obediência constante.

Fica claro um ensino prático, uma regra do Reino do Eterno, isto é, ordem não é hierarquia. Observe o que Yeshua disse em Mt 20:16:


Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros, últimos.


Isso não anula Yisrael, pelo contrário corrige o orgulho de alguns. O profeta Amós falou algo ligado a isso, observe:


De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniquidades. Amós 3:2.


Quem é chamado primeiro é mais responsável, não mais privilegiado. Por isso, podemos compreender que a parashá Bo marca o início do chamado, a haftará e a parábola contada por Yeshua mostram a ampliação do chamado, isso porque a vinha é a mesma, o dono é o mesmo e o propósito também é o mesmo. De acordo com Ml 3:6, o Eterno não muda. Assim, podemos claramente entender, que o Eterno tirou Yisrael de Mitsrayim para servir. Depois, chamou também a casa de Yisrael que se perdeu e pessoas das nações, para andar no mesmo caminho, não sem Torá, mas sendo ensinadas nela.

Concluindo o estudo, a parashá Bo, a haftará de Yirmeyahu e a parábola dos trabalhadores da vinha revelam uma única linha contínua, isto é, o Eterno liberta para servir, julga sistemas opressores e chama Seu povo a viver sem orgulho. Mitsrayim cai. Bavel cai. A vinha permanece. Mas a pergunta que fica não é: quando fomos chamados? Mas sim: como estamos servindo?

Quem saiu de Mitsrayim não pode desejar voltar. Quem entrou na vinha não pode desprezar quem chegou depois. O chamado do Eterno continua ecoando em todas as gerações, e diz: andar em Seus caminhos, guardar Seus mandamentos e refletir Sua justiça e misericórdia.

Não é por tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o Eterno teu Elohim as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o Eterno jurou a teus pais, Avraham, Yitschak e Yaakov. Devarim 9:5

Que cada um de nós examine o próprio coração, abandone toda forma de Mitsrayim e sirva ao Dono da vinha com humildade e fidelidade, aproveitando a liberdade que HaShem nos deu.


Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef