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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Estudo da Parashá Yitro - Servir ao Eterno com verdade, não com religiosidade.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 17 – Yitro (Yitro)

Shemot/Êxodo 18:1-20:23

Haftará (separação) Is 6:1-7:6; 9:5-6 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mt 5:21-30; Rm 2:17-29


Servir ao Eterno com verdade, não com religiosidade.


Ao longo das gerações, muitos desejaram servir ao Eterno, mas nem sempre O serviram da forma que Ele mesmo estabeleceu em sua Torá. Com o tempo, o serviço simples e obediente foi sendo revestido por estruturas humanas, regras acumuladas, sistemas rígidos e discursos que aparentam santidade, mas que afastam o coração daquilo que o Eterno realmente definiu. A parashá Yitro nos confronta diretamente com essa realidade, pois nela o Eterno Se revela com poder, mas ensina que a aproximação correta não acontece por meio de artifícios humanos, sofisticação, controle ou exaltação religiosa, e sim por simplicidade, reverência e obediência. Este estudo convida o leitor a distinguir entre servir ao Eterno com verdade e apenas praticar religiosidade. Fique até o final deste estudo para compreender mais um pouco sobre servir ao Eterno.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Yitro relata um momento decisivo na caminhada de Bnei Yisrael após a saída do Egito. Yitro, sacerdote de Midian e sogro de Moshe, ouve tudo o que o Eterno fez por Yisrael e reconhece que o Eterno é maior do que todos os poderosos da terra, bendizendo o Seu Nome. Ao observar Moshe julgando o povo sozinho, desde a manhã até a noite, Yitro discerne que esse peso não poderia ser sustentado por um único homem. Ele aconselha Moshe a estabelecer líderes capazes, tementes ao Eterno e amantes da verdade, para julgar o povo em níveis menores, deixando os casos mais difíceis para si. Moshe ouve o conselho, mostrando que a liderança segundo o Eterno não se baseia em poder absoluto, mas em humildade e discernimento.

Em seguida, Bnei Yisrael chega ao deserto do Sinai e acampa diante do monte. O Eterno chama Moshe e declara Seu propósito, que é fazer de Yisrael um tesouro especial entre todos os povos, um reino de sacerdotes e uma nação santa, se ouvirem a Sua voz e guardarem Sua aliança. O povo responde juntos que “Tudo o que o Eterno falou, faremos.” O Eterno então ordena que o povo se prepare, se santifique e estabeleça limites ao redor do monte, pois Sua manifestação seria intensa e temível.

No terceiro dia, o Monte Sinai se enche de trovões, relâmpagos, nuvem espessa e o som crescente do shofar. O monte fuma, porque o Eterno desce sobre ele em fogo, e todo o povo treme. É nesse cenário que o Eterno proclama as Asseret HaDibrot, estabelecendo as bases do relacionamento entre Ele e o homem, e entre o homem e o seu próximo: reconhecer o Eterno como único, rejeitar ídolos, honrar Seu Nome, guardar o Shabat, honrar pai e mãe, preservar a vida, a fidelidade, a justiça e o domínio do coração.

Diante da intensidade da revelação, o povo teme e pede que Moshe fale com eles em lugar do Eterno. Moshe os exorta a não temer, explicando que aquela manifestação veio para que o temor do Eterno estivesse diante deles, a fim de que não se desviassem. Moshe então se aproxima da nuvem espessa onde o Eterno está, assumindo o papel de transmissor das palavras divinas ao povo.

A parashá se encerra com instruções claras sobre como o povo deve se aproximar do Eterno, enfatizando que o culto não deve ser baseado em artifícios humanos, sofisticação ou exaltação do homem, mas em simplicidade, reverência e obediência aos mandamentos. A porção nos ensina que liderança exige humildade e organização; o Sinai nos ensina que o Eterno é próximo, mas também temível; e as Asseret HaDibrot revelam que o verdadeiro relacionamento com o Eterno se manifesta em uma vida de obediência prática.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

A parashá Yitro começa com um olhar sábio e externo. Yitro o sogro de Moshe o observa em suas atividades na liderança do povo, e percebe que o excesso de peso sobre um único homem não produz vida, mas desgaste. Ele aconselha a Moshe revelando um princípio fundamental, ou seja, o serviço ao Eterno não é sustentado por centralização, exaltação humana ou peso excessivo, mas por responsabilidade compartilhada, organização saudável e sabedoria. Conforme lemos em Shemot 18:17-23. (Leia o texto)

Logo depois, Bnei Yisrael chega ao Sinai. O Eterno se revela ao terceiro dia com trovões, relâmpagos, nuvem espessa e o som do shofar, conforme lemos em Shemot 19:16–19. Porém, após essa manifestação extraordinária, o Eterno surpreende ao instruir o povo sobre como se aproximar dEle, pois demonstra que é pela simplicidade. Eles estavam acostumados com muitos rituais nos cultos pagãos. HaShem não ordena altares sofisticados, nem construções que engrandeçam o homem. Pelo contrário, estabelece limites claros para que o povo não tente controlar, reproduzir ou “domesticar” a revelação. Assim, desde o início, o Eterno deixa claro nesta parashá, que o verdadeiro serviço não deve ser baseado em artifícios humanos, mas em submissão e obediência aos mandamentos de HaShem.


1. Obediência simples e coração inteiro

Servir ao Eterno com verdade significa viver de acordo com os mandamentos de HaShem, sem acrescentar exigências humanas que Ele nunca ordenou e substituam Sua vontade. No Sinai, o Eterno deixa claro que Sua presença não deve ser acessada por meios criados pelo homem. Está escrito em Shemot 20 que o altar não deveria ser elevado nem adornado, para que o homem não fosse exaltado. Logo após a entrega das Asseret HaDibrot, o Eterno declara:


Não fareis outros elohim comigo… Um altar de terra farás para Mim… E se fizeres um altar de pedras, não o edificarás de pedras lavradas; porque, se levantares o teu instrumento sobre ele, profana-lo-ás... Shemot 20:22–25

Aqui, o Eterno ensina que quanto mais o homem tenta embelezar o culto, mais ele corre o risco de profaná-lo. O foco não é a forma, mas a obediência. Isso revela que o Eterno rejeita qualquer serviço que coloque o foco na habilidade, autoridade ou criatividade humana. E fica claro, que as criações de leis e dogmas são opostas à obediência verdadeira.

Os profetas reafirmam esse princípio. Shemuel declara que obedecer é melhor do que qualquer oferta, veja:


Tem, porventura, o Eterno tanto prazer em ofertas e sacrifícios como em que se obedeça à Sua voz? Eis que obedecer é melhor do que sacrificar. Shemuel Alef 15:22


Hoshea transmite a palavra do Eterno dizendo que Ele deseja misericórdia e conhecimento, e não rituais vazios, conforme lemos abaixo:


Pois misericórdia quero, e não sacrifício; e o conhecimento do Eterno, mais do que holocaustos. Hoshea 6:6


Mikha resume o serviço verdadeiro como justiça, misericórdia e humildade, de acordo com o texto:


Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Eterno pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Elohim? Mikha 6:8


Em todos esses textos, a mensagem é a mesma, ou seja, o Eterno não se impressiona com formas externas ou legalistas, mas com um coração submisso. Em resumo, o Eterno rejeita a substituição da obediência por práticas religiosas externas.


2. Religiosidade, legalismo e dogmas: quando o homem substitui o mandamento.

Antes de continuar, vejamos alguns conceitos importantes que ajudarão na compreensão do assunto. Em primeiro lugar observe o termo “religiosidade”, que é a prática externa de devoção baseada em rituais, costumes, repetições e comportamentos padronizados, que não nascem da obediência direta aos mandamentos do Eterno. Ela se concentra mais na forma do que no conteúdo, mais na aparência do que no coração. A religiosidade pode existir mesmo sem transformação interior. É possível cumprir práticas religiosas, falar palavras corretas e manter uma imagem de santidade, enquanto o coração permanece distante do Eterno, como advertido em Yeshayahu 29:13. Em essência, a religiosidade substitui relacionamento e obediência por hábito e sistema. Ela nasce quando o homem transforma o serviço ao Eterno em um sistema controlável, previsível e mensurável, cria regras não ordenadas, práticas repetidas sem entendimento e padrões que passam a definir quem é aceito ou rejeitado. Infelizmente ainda temos visto muito isso atualmente de ambos os lados. Tanto do lado judaico ortodoxo, onde alguns se prestam ao papel de ficarem atacando as pessoas que desejam se achegar ao Eterno e ao povo por meio da Torá. Como também do lado cristão, que por rejeitarem a Torá achando que ela foi anulada pela tal graça, acusam os que procuram cumprir os mandamentos de desviados e legalistas, o que nos leva ao próximo termo.

O “legalismo” é a distorção da obediência, onde regras humanas passam a ser tratadas como critério de justiça diante do Eterno. Ele ocorre quando o foco deixa de ser cumprir os mandamentos de HaShem e passa a ser cumprir normas, interpretações e exigências criadas por homens, muitas vezes com rigidez e punição. O legalismo mede a fidelidade pela aparência externa e não pelo coração obediente. Ele gera peso, culpa e comparação entre pessoas, e frequentemente produz orgulho espiritual em quem acha que está certo. Foi esse problema que Yeshua confrontou ao dizer que os homens invalidavam os mandamentos do Eterno por causa de suas tradições, conforme Mattityahu 15:6. O legalismo surge quando essas regras humanas passam a ter o mesmo peso, ou mais, do que os mandamentos do Eterno, gerando culpa, medo e orgulho.

Outro termo importante nesse estudo é o Dogma, que é uma afirmação ou conjunto de ideias humanas, baseadas em filosofia, que são elevadas à condição de verdade absoluta, sem possibilidade de questionamento, mesmo quando não estão claramente fundamentadas nas Escrituras. Dogmas criam fronteiras rígidas, isto é, quem concorda “pertence”, quem questiona é rejeitado. Eles dão segurança institucional, mas frequentemente sufocam a responsabilidade individual diante do Eterno. Quando um dogma contradiz ou substitui os mandamentos do Eterno, ele se torna um obstáculo ao serviço verdadeiro, pois transfere a autoridade :da Palavra para o sistema humano. Os dogmas são conclusões humanas elevadas à condição de verdade absoluta, mesmo quando não estão fundamentadas nas palavras do Eterno. Eles criam uma aparência de santidade, mas produzem distanciamento, pois ensinam o homem a confiar em sistemas em vez de confiar no Eterno.

E por último, o termo “halachá”, que significa “caminho” ou “modo de andar” e se refere ao conjunto de interpretações e aplicações práticas desenvolvidas por sábios ao longo do tempo sobre como viver os mandamentos no dia a dia. Em sua origem, a halachá buscava orientar a vida prática. O problema surge quando ela é colocada acima das Escrituras, tratada como obrigatória para todos, ou quando suas cercas e detalhes passam a ter mais peso do que os próprios mandamentos do Eterno. Quando isso acontece, a halachá deixa de ser orientação e passa a ser substituição da vontade revelada do Eterno por instruções humanas, algo que os profetas e os Escritos Nazarenos constantemente advertiram. Atualmente, o excesso de halachá é um grande impeditivo para as pessoas que desejam se aproximar de Yisrael e do Eterno.

Os profetas denunciaram duramente esse desvio. Yeshayahu declara que o povo honrava o Eterno com os lábios, mas O temia com mandamentos ensinados por homens, conforme lemos em Yeshayahu 29:13.


Este povo se aproxima de Mim com a sua boca e Me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de Mim; e o seu temor para Comigo consiste em mandamentos ensinados por homens. Yeshayahu 29:13


O problema não era a falta de atividade religiosa, mas o excesso dela sem obediência verdadeira. O cerne do problema são os mandamentos humanos ensinados como se fossem mandamentos do Eterno. Isso gera aparência de santidade, mas não produz obediência verdadeira.

O fato é que apesar do que dizem alguns, o Eterno nunca pediu sistemas religiosos complexos. Ele pediu obediência, justiça, misericórdia e humildade. Tudo o que ultrapassa isso e passa a substituir os mandamentos deve ser examinado com cuidado.


3. Confirmação nos Escritos Nazarenos: retorno ao caminho simples

Nos dias de Yeshua, esse mesmo desvio, este cenário estava presente. Ele não confrontava os mandamentos do Eterno, mas tudo o que os homens acrescentaram a eles, as cercas excessivas, pois muitos haviam transformado os mandamentos em um fardo pesado, acrescentando camadas de instruções humanas que o Eterno nunca ordenou. Yeshua cita diretamente o profeta Yeshayahu e diz:


Bem profetizou Yeshayahu a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim; em vão, porém, Me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Mattityahu 15:7–9

E ainda declara:


Assim invalidais o mandamento do Eterno por causa da vossa tradição. Mattityahu 15:6


Yeshua chama o povo de volta à essência do Sinai, ou seja, amar o Eterno e viver em obediência. Ele ensina que o verdadeiro serviço começa no interior e se manifesta em atitudes justas, simples e coerentes. Shimon Kefa, o apóstolo Pedro, escreveu aos dispersos:


Sede praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Yaakov 1:22


O que Yeshua e os talmidim ensinaram não aponta para a criação de um novo sistema religioso, como o cristianismo, mas para um retorno ao caminho antigo revelado no Sinai, como o Eterno sempre quis.

Concluindo nosso estudo, servir ao Eterno com verdade é caminhar no que Ele ordenou, sem acrescentar, sem retirar e sem substituir mandamentos por tradições e sem transformar o serviço em um sistema religioso. E como vimos a religiosidade oferece segurança aparente, mas rouba a responsabilidade pessoal. O legalismo cria controle, mas não transforma o coração. Os dogmas oferecem identidade, mas afastam da simplicidade da obediência. Desde o Sinai até os profetas, e dos profetas até os dias de Yeshua, a mensagem permanece imutável, isto é, o Eterno deseja um povo que O sirva com reverência, simplicidade e fidelidade aos Seus mandamentos. Não somos chamados a entrar, nos converter ou construir sistemas religiosos, mas a viver uma vida alinhada à vontade do Eterno em cada detalhe do cotidiano. Não importa o que digam aqueles que estão em um sistema religioso, o que importa é viver a vontade do Eterno como Ele espera de nós.

Que cada um de nós examine seu caminho, abandone o que é apenas aparência e retorne ao que é verdadeiro.

Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef


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