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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Estudo da Parashá Nitsavim-Vayelech - Retorne ao Eterno: O Caminho da Restauração, da Teshuvá e da Vida

 


Estudos da Torá

Parashá nº 51Nitsavim (Encontram-se)

Devarim/Deuteronômio 29:9-30:20

Haftará (separação) Is 61:10-63:9.

Escritos Nazarenos Rm 9:30-10:13; Hb 12:14-15.

Parashá nº 52Vayelech (Ele foi)

Devarim/Deuteronômio 31:1-30

Haftará (separação) Os 14:1-10, Mq 7:18-20 e Jl 2:15-27.

Escritos Nazarenos Hb 13:5-8.


Retorne ao Eterno: O Caminho da Restauração, da Teshuvá

e da Vida



A parashá Nitsavim nos coloca diante de uma das declarações mais profundas de Moshê: o caminho de retorno ao Eterno não está distante do ser humano. A palavra está perto, na boca e no coração, para ser praticada. Essa afirmação ganha ainda mais força quando lemos Hoshea 14:1–10, onde o profeta chama Yisra'el diretamente:

“Retorna, Yisra'el, até HaShem, teu Elohim, porque tropeçaste na tua iniquidade.”

As duas porções nos apresentam uma verdade essencial: o afastamento do Eterno não precisa ser o destino final de uma pessoa ou de um povo. Existe um caminho de retorno. Mas esse retorno não pode ser apenas uma emoção, uma declaração ou um momento de arrependimento. Nas Escrituras, retornar ao Eterno envolve reconhecer o caminho errado, abandonar a iniquidade, voltar a ouvir sua voz e viver de acordo com seus mandamentos. Por isso, o tema desta reflexão é simples e direto: Retorne ao Eterno. Assim, sugiro que você fique comigo até o final.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

O retorno começa quando reconhecemos que nos afastamos. Existe algo muito humano no que encontramos em Nitsavim. Muitas vezes sabemos que precisamos mudar, sabemos que determinado caminho não está correto, mas adiamos a mudança.

Devarim 30 mostra que Moshê não apresenta o retorno ao Eterno como algo impossível ou inacessível:

“Pois isto está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para o cumprires.”

Antes disso, Moshê havia anunciado que, quando o povo retornasse ao Eterno e ouvisse sua voz, HaShem teria compaixão e reuniria novamente seu povo. Portanto, o contexto é fundamental: Devarim 30 fala de retorno, mudança e restauração.

Hoshea utiliza uma linguagem igualmente direta. Ele não diz simplesmente para Yisra'el sentir tristeza por seus erros. Ele diz:

“Retorna, Yisra'el, até HaShem, teu Elohim.”

E depois ensina o que deveria ser levado ao Eterno:

“Levai convosco palavras e retornai a HaShem.”

Isso nos ensina algo importante para nossa vida: reconhecer o erro é o começo, mas retornar significa mudar a direção. Literalmente, é fazer teshuvá. E levando em conta que estamos no shabat anterior à Yom Teruá, um momento muito propício para retornar ao Eterno, pois estamos em período de juízo. Nesse período o Eterno está preparando nosso próximo ano. Então façamos teshuvá.


1. O retorno ao Eterno está perto de nós

Apoiando-se na leitura clássica de Cohêlet 7:29, compreende-se que "...o Criador fez o ser humano reto, porém eles buscaram muitas astúcias". Existe em cada pessoa uma inclinação natural voltada para sua origem divina. O que desvia o ser humano não é a falta de capacidade inata, mas sim o acúmulo de influências e distrações do cotidiano.

Para ilustrar a acessibilidade da teshuvá, podemos utilizar a analogia do sono. O sono é um hábito fisiológico diário que restaura as forças do corpo de forma natural; ninguém o encara como um feito heroico ou uma conquista extraordinária. Da mesma forma, a teshuvá deve ser compreendida como uma atividade de manutenção regular e saudável da vida espiritual, e não como um evento raro reservado exclusivamente para grandes crises existenciais ou litúrgicas.

Devarim 30:11–14 apresenta uma imagem muito poderosa. Moshê afirma que o mandamento não está nos céus, nem além do mar. Não é algo que dependa de alguém subir ou atravessar grandes distâncias para trazê-lo. A palavra está perto. Está na boca e no coração, para ser praticada.

Isso desmonta uma desculpa muito comum: “Eu não consigo”, “é difícil demais”, “um dia eu vou mudar”, “preciso primeiro resolver muitas coisas”. Moshê coloca a questão de maneira diferente. O Eterno não colocou seu caminho em um lugar inacessível. E existe uma sequência muito importante no próprio capítulo:

“Quando voltares para HaShem, teu Elohim, e ouvires a sua voz conforme tudo o que hoje te ordeno...” (Devarim 30:8)

Depois:

“Porque ouvirás a voz de HaShem, teu Elohim, para guardares os seus mandamentos…” (Devarim 30:10)

E então:

“Pois isto está muito perto de ti...” (Devarim 30:14)

Percebemos que o retorno não é apresentado como uma experiência abstrata. Ele está ligado a ouvir, guardar e praticar. É aqui que a mensagem de Nitsavim se torna extremamente atual. Talvez alguém esteja esperando uma grande manifestação para começar a obedecer. Talvez esteja esperando o momento perfeito para mudar. Mas Moshê diz: a palavra está perto de você.

A questão não é a distância do caminho. A questão é se estamos dispostos a caminhar nele. Hoshea confirma essa ideia. O profeta não diz a Yisra'el: “Procurem um caminho desconhecido.” Ele diz: “Retorna, Yisra'el, até HaShem.” Retornar significa que o caminho já é conhecido. O problema não é descobrir quem é HaShem, mas voltar-se novamente para Ele.


2. Teshuvá não é apenas reconhecer o erro, é abandonar o caminho errado.

O comentário dessa parashá, no livro “Nos caminhos da Eternidade” destaca três elementos: abandonar o pecado, arrepender-se do passado e confessar a transgressão.

O significado prático de voltar para Deus afasta-se de sentimentos abstratos e de remorsos puramente passivos. Ele se manifesta em ações diárias e concretas:

- Mudar de direção (Abandono Real): Sentir remorso sem mudar de rumo não constitui o retorno. Se alguém percebe que caminha na direção errada, mas continua avançando por ela, não houve teshuvá. A prática exige o abandono real do pecado e dos pensamentos nocivos.

- Deixar os falsos apoios: Hoshea 14:4 detalha que o povo deve confessar que não confiará na Assíria, nem em cavalos (força militar), nem chamará as obras de suas mãos de "nossos deuses". Na vida moderna, isso equivale a retirar nossa segurança existencial de elementos materiais, status ou realizações próprias, recolocando nossa confiança inteiramente no Criador.

- Trazer palavras sinceras: O profeta insta o povo a "levar consigo palavras". Trata-se da necessidade da expressão verbal sincera do erro, que serve de fundamento para o viduy (confissão).

Podemos encontrar o fundamento disso diretamente nas Escrituras. O profeta Yeshayahu declara:

“Abandone o perverso o seu caminho, e o homem de iniquidade os seus pensamentos; e retorne a HaShem, que terá compaixão dele.” (Yeshayahu 55:7)

Observe a força dessas palavras: abandonar o caminho errado e retornar a HaShem. Isso significa que o retorno não consiste simplesmente em dizer “eu errei”. Se uma pessoa reconhece que está caminhando para o norte, mas continua andando para o norte, ela não mudou de direção. Da mesma forma, reconhecer uma transgressão sem abandonar o caminho que conduz à transgressão não representa uma mudança completa.

É por isso que Hoshea é tão direto. Depois de chamar Yisra'el ao retorno, ele apresenta palavras que deveriam ser levadas ao Eterno:

“Perdoa toda iniquidade e recebe o que é bom.” (Hoshea 14:3)

E o povo deveria abandonar sua confiança em poderes humanos:

“Não nos salvará Ashur; não montaremos em cavalos; e nunca mais diremos à obra das nossas mãos: nossos elohim.” (Hoshea 14:4)

Aqui encontramos um princípio muito profundo. Retornar ao Eterno também significa abandonar aquilo em que colocávamos nossa confiança no lugar dEle. O retorno exige mudança. Yisra'el precisava abandonar seus caminhos, abandonar seus falsos apoios e voltar a HaShem. E essa mensagem também aparece em Devarim 30. Depois de falar sobre o retorno, Moshê coloca diante do povo uma escolha: “A vida e o bem, a morte e o mal.” E então faz seu chamado: “Escolhe, pois, a vida.”

A teshuvá, portanto, não é simplesmente olhar para trás e lamentar. É olhar para o caminho em que estamos, reconhecer quando ele está errado e escolher novamente o caminho da vida.


3. O retorno produz restauração e aproximação do Eterno

Talvez essa seja a parte mais bonita de Nitsavim e Hoshea. O Eterno não chama Yisra'el ao retorno simplesmente para condená-lo pelo passado. O chamado ao retorno abre diante do povo uma possibilidade de restauração. Devarim 30 declara:

“Então HaShem, teu Elohim, te fará voltar do teu cativeiro, e terá compaixão de ti.”


E acrescenta:

“HaShem, teu Elohim, circuncidará o teu coração e o coração da tua descendência, para amares HaShem, teu Elohim, com todo o teu coração e com toda a tua alma.” (Devarim 30:3,6)


Aqui vemos que a restauração começa com o próprio retorno a HaShem e conduz a uma vida de amor e obediência. Hoshea 14 apresenta a mesma esperança de maneira muito bonita. Depois do chamado: “Retorna, Yisra'el, até HaShem…” o Eterno responde:

“Eu curarei a sua apostasia; Eu os amarei livremente.” (Hoshea 14:5)

E então aparecem imagens de crescimento: “Serei como o orvalho para Yisra'el; ele florescerá como o lírio…” Aquele que estava afastado volta a florescer. Aquele que havia perdido sua direção volta a produzir fruto. Isso mostra que o objetivo do retorno não é simplesmente apagar o passado. É voltar a viver corretamente diante do Eterno. Hoshea termina apresentando dois caminhos:

“Porque os caminhos de HaShem são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles tropeçarão.” (Hoshea 14:10)


Para pintar o cenário de restauração após o retorno, o texto bíblico faz uso de ricas metáforas agrícolas e naturais de florescimento:

- O orvalho divino: O Eterno promete ser como o orvalho para Yisrael.

- Florescimento do lírio: Símbolo de beleza e renovação espiritual.

- Raízes firmes: Símbolo de estabilidade e solidez espiritual.

- Fragrância de oliveiras: Uma vida que volta a exalar vitalidade e a produzir frutos espirituais saudáveis na presença do Criador.

Esse processo marca a transição espiritual de um estado de מובדל - "Muvdal", que em hebraico significa separado de D’us pelas iniquidades, para um estado de מוּדְבָּק – "Mudbak", que significa próximo, colado e intimamente conectado ao Eterno. O arrependimento reconstrói a ponte destruída pelo erro, restabelecendo a intimidade perdida.

Essa conclusão é fundamental. O retorno precisa continuar sendo uma caminhada. Não basta retornar hoje e abandonar amanhã. Não basta reconhecer o erro e depois voltar ao mesmo caminho. O propósito é permanecer nos caminhos de HaShem.

Concluindo nosso estudo, vimos que Nitsavim e Hoshea 14 nos colocam diante de uma decisão. O Eterno chama: Retorne.

Não é um chamado distante. Não é algo reservado para algumas pessoas. Não depende de atravessar os mares ou subir aos céus. Como diz o texto da parashá: A palavra está perto, na boca e no coração. Mas existe uma finalidade: “Para que a cumpras.”

O retorno verdadeiro começa quando reconhecemos nosso afastamento, mas continua quando abandonamos o caminho errado e voltamos a ouvir a voz de HaShem. Por isso, a mensagem de Nitsavim não deve produzir apenas reflexão. Ela deve produzir decisão. Mosheh diz:

“Chamo hoje os céus e a terra como testemunhas contra vós: pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e tua descendência, amando HaShem, teu Elohim, ouvindo a sua voz e apegando-te a Ele.” (Devarim 30:19–20)

E Hoshea nos mostra como esse retorno começa:

“Retorna, Yisra'el, até HaShem, teu Elohim.”

Essa é a grande mensagem para nós. Não importa apenas onde estivemos ontem. Importa para onde estamos caminhando hoje. Se nos afastamos, retornemos. Se tropeçamos, levantemo-nos. Se abandonamos um mandamento, voltemos a obedecer. Se colocamos nossa confiança em algo que não seja HaShem, abandonemos esse apoio e voltemos nosso coração para Ele.

O caminho está perto. A escolha está diante de cada um de nós. Retorne ao Eterno, escolha a vida. Ame HaShem, ouça sua voz e apegue-se a Ele.


Que o Eterno os abençoe.

Moshê Ben Yosef


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