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sábado, 19 de fevereiro de 2022

Estudo da Parashá Ki Tissá (Quando fizeres)

 

Estudos da Torá


Parashá nº 21 – Ki Tissá (Quando fizeres)

Shemôt/Êxodo Ex 30:11 – 34:35,

Haftará (Separação) 1Rs 18:1-39, e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mc 7:1-8:38 e 1Co 8:4-13


1 - INTRODUÇÃO

Vamos ao resumo da parashá Ki Tissá, que começa com a ordem de D'us a Moshê para fazer um recenseamento, coletando uma contribuição igual de uma moeda de meio-shêkel de cada adulto do sexo masculino entre as idades de 20 e 60 anos, e estes valores iriam para o Mishkan (Tabernáculo).

O Eterno descreve a Moshê o kiyor de cobre (lavatório e base) na qual os Cohanim santificarão suas mãos e pés antes de servirem no Mishkan. É também discutido o azeite para unção que seria usado para santificar os vários utensílios para uso normal. A isso segue-se a receita para o ketoret, insenso aromático a ser queimado duas vezes ao dia. D'us designa Betsalel, da tribo de Yehudá, e Oholiyav, da tribo de Dan, para supervisionar a construção do Mishkan, que estava para ser iniciada. A mitsvá do Shabat é então repetida para advertir a nação de que mesmo a construção do Mishkan não suplanta a observância do dia semanal de descanso.

A Torá retorna à narrativa da Revelação no Monte Sinai, e descreve o terrível pecado do bezerro de ouro. D'us aceita as preces de Moshê para que os filhos de Israel sejam poupados da aniquilação por sua grave transgressão, e Moshê desce da montanha com as duas Tábuas dos Dez Mandamentos.

Ao testemunhar uma parcela da população dançando ao redor do Bezerro de Ouro, Moshê quebra as Tábuas e queima o ídolo, iniciando o processo de arrependimento, teshuvah do povo. Como resultado da queda do povo de seu patamar espiritual elevado, D'us anuncia que Sua presença não pode residir entre eles.

Moshê é forçado a mudar temporariamente a tenda para fora do acampamento, para que D'us continue a se comunicar com ele. Moshê novamente sobe à montanha para rezar a D'us para que perdoe o povo judeu, e lhes devolva o status de povo escolhido. Moshê finalmente retorna com o segundo conjunto de tábuas e um pacto renovado com D'us; sua face aparece resplandecente como resultado da revelação Divina.

Vejamos então, alguns dos muitos aprendizados que essa parashá nos traz.


2 – ESTUDO DAS PALAVRAS

Vimos nos estudos das duas porções passadas, a porção Terumá e a Tetsavê, que a Torá se concentrou em dar a descrição do tabernáculo, dos mobiliários e vestuário dos sacerdotes. Na porção dessa semana continuam as instruções de HaShem para Moshê no monte Sinai. Veremos também sobre o resgate de uma vida e sobre o pecado do povo que não aguentou esperar pela volta de Moshê, que estava recebendo as instruções do Eterno a fim de conduzi-los no caminho de santidade e vida. Infelizmente muitos querem resultados imediatos, mas não é assim com o Eterno.


“Então o Eterno disse a Moshe:” Quando você toma um censo dos israelitas para conectá-los, cada um deve pagar ao Eterno um resgate por sua vida no momento em que ele é contado. Então nenhuma praga virá sobre eles quando você os numerará.” (Êx 30:11-12)


Nosso estudo tem início com os versos acima, o povo de Israel deveriam dar um “resgate”, que em hebraico é koper trazendo o significado de “resgate, dádiva para obter favor”. Ela vem da raiz que traz o significado de “cobrir, ocultar. E a palavra seguinte no texto é “alma”, que vem do hebraico nephesh significando “vida, alma, criatura, mente”. O apontamento disso é que cada israelita deveria trazer o valor para resgatar a sua própria vida perante o Eterno. Mas espere que veremos um midrash explicando bem o motivo de eles terem que efetuar resgate. Porém, profeticamente, isso aponta para o fato que a pessoa precisa pagar seu resgate, e que o Eterno aceita esse resgate desde que seja feito seguindo um padrão igual para todos.

Note bem, que ninguém deveria pagar mais ou menos pelo resgate, pois há igualdade diante do Eterno que não pode ser quebrada, pois para HaShem, todo ser humano tem o mesmo valor, independente de quem seja, quanto dinheiro tenha, sua nacionalidade, cor da pele, etc.

Esse resgate evitaria que a praga lhes atingissem. Percebam que não estou dizendo, que a pessoa pode comprar seu resgate, e nem a Torá ensina isso. O que está sendo dito aqui, é que através deste ato, que é um apontamento profético, o homem pecador teria seu pecado coberto, e sua vida, que se compõe da alma e também dos seus sentimentos, poderia ser restaurada. Ou seja, o Eterno mostra que havia providenciado o meio de resgate, de redenção. Fazendo um apontamento para o messias, que viveria uma vida justa de forma a tê-la comparada ao meio shekel, que resgatava a vida dos israelitas

É interessante notar que a Torá traz essa parte antes de acontecer um motivo para que os israelitas precisassem de um resgate. O pecado do bezerro de ouro está registrado depois dessa parte, mas deveria estar antes, porém o Eterno queria nos ensinar algo, e inverteu a ordem. Vejamos o que um midrash fala sobre isso.

A Contagem do Povo de Israel

Após o pecado do bezerro de ouro, o povo judeu é contado. D'us ordenou a Moshê que contasse o povo de Israel.

A mitsvá de contá-los foi, na verdade, dada a Moshê mais tarde, após o pecado do bezerro de ouro. No entanto, é recordada na Torá antes da narrativa do pecado.

Muitos judeus morreram na praga ocorrida logo após o pecado do bezerro de ouro e D'us queria determinar o número dos sobreviventes.

Um fazendeiro apreciava muito o seu bem cuidado e maravilhoso rebanho. Porém, um dia, uma peste atingiu as ovelhas e muitas delas pereceram. Depois da devastação ter se aplacado, o proprietário ordenou aos seus pastores: "Contem minhas ovelhas para ver quantas sobreviveram!"

Apesar de que D'us certamente sabia o número de sobreviventes e, portanto, não precisava de um censo, Ele estabeleceu a mitsvá (preceito) para o benefício do povo judeu.

Após o pecado do bezerro de ouro, os povos zombaram: "Vejam esta nação que, quarenta dias após terem pronunciado 'faremos e ouviremos,' no monte Sinai, fabricaram um bezerro de ouro! Seu pecado é imperdoável; D'us nunca mais os aceitará como Seu povo!" Para refutar esta afirmação, D'us ordenou: "Contem as cabeças do povo de Israel!" D'us empregou a palavra 'seú', que significa também "Levante as cabeças!" Ele explicou a Moshê que através da contribuição de uma moeda para o tesouro do Tabernáculo (através das quais eles seriam contados), os judeus resgatariam suas vidas, que foram perdidas no pecado do bezerro de ouro. Assim, o procedimento de contagem mediante moedas doadas "levantaria suas cabeças" - isto é, concederia a eles o perdão pelo pecado.

Quando Moshê ouviu as ordens de D'us, ficou apreensivo, achando que cada judeu teria de contribuir com uma moeda muito valiosa.

"Não é como você pensa, Moshê", D'us assegurou-lhe. "Vocês não terão que Me pagar com moedas que valem cem, cinqüenta, nem mesmo trinta pedaços de prata. Tudo o que peço de cada judeu é que doe uma pequena moeda que valha meio-shekel!"

D'us produziu uma moeda de meio-shekel, demonstrando a Moshê seu tamanho e sua forma, instruindo-o: "Este é o tipo de moeda que eles devem dar!"

As moedas de meio-shekel deste censo foram fundidas e moldadas como encaixes, que foram usados para suportar as vigas do Tabernáculo.

A doação de meio-shekel de cada judeu não foi uma mitsvá instituída unicamente para aquela vez, em consequência do pecado, mas sim, foi estabelecido como uma doação anual permanente. Destas coletas eram comprados os animais para as oferendas da comunidade, para que todo o povo de Israel pudesse ter uma parte nelas.

Quando o Templo Sagrado existia, era realizada uma proclamação a cada ano no primeiro dia de Adar em todas as cidades de Israel, recordando a todos para que preparassem um meio-shekel para o Templo Sagrado. A coleta em si ocorria entre 1 de Adar e 1 de Nissan. Por que o mês de Adar foi escolhido como época de coleta dos shekalim do povo de Israel?

D'us previu que o malvado Haman daria para o rei Achashverosh dez mil kikar de prata em troca da permissão para exterminar os judeus em Adar. Disse D'us: "Que as doações dos Meus filhos precedam-no, para que sejam salvos das mãos dele."

Os shekalim atendiam a dois propósitos: como renda para o Tabernáculo e o Templo Sagrado, e como meio de fazer o censo, pois D'us proibiu contar os judeus diretamente, dizendo a Moshê: "Não conte o povo de Israel diretamente, pois a bênção Divina não paira sobre algo que foi contado ou medido."

Quando os reis judeus costumavam fazer o censo da população, cuidavam para não transgredir a proibição de contar pessoas diretamente. O rei Shaul, no começo do seu reinado, quando eram pobres, contou o povo através de pedrinhas. Mais tarde, quando o reinado tornou-se rico, foram substituídas por uma ovelha por cada judeu.

Tudo isso que vimos é parte do entendimento dos estudiosos judeus a respeito dos versos 11 e 12.

Segundo a promessa feita a Avraham, não se poderiam contar os filhos de Israel, de tão numerosos que seriam, conforme Gênesis 15:5. Aqui a questão de não poder, implica “impossibilidade de”, devido ao tão grande número, contudo, este texto mostra que, não se podia fazer também no contexto de “não permissão para” contar os filhos de Israel. Quando o rei David o tentou fazer, veio uma praga sobre o povo, cf. 2 Samuel 24:1-10; 1 Crônicas 21:1-7. Os filhos de Israel teriam que fazer duas coisas para evitar a praga. A primeira coisa é que cada um desse uma moeda e assim se poderiam contar as moedas em vez de contar o povo diretamente. A segunda coisa é que essa moeda de prata serviria como um preço de resgaste, uma expiação para que não viesse a praga ao serem contados.

Conforme já mencionamos antes, este trecho da parashá é um apontamento profético para o resgate que o Eterno providenciara por meio do messias nos 3 milênios seguintes ao seu nascimento e ministério.

Ainda sobre esse mandamento a respeito da contagem do povo através da moedas de meio shekel, podemos aprender mais algumas coisas práticas para nossas vidas. No site Chabad, encontramos um artigo do Rab. Yosef Y. Jacobson, dizendo que duas mensagens, aparentemente, estão sendo transmitidas aqui:


1 - Qual é o seu valor?

Primeiro, a Torá está sugerindo que você seja contado não com base naquilo que é, mas naquilo que você dá. Seu valor genuíno vem da sua contribuição para outra alma, do amor e bondade que você entrega a outro coração. O autor diz que Sir Moses Montefiore, um diplomata e filantropo judeu do Século 19, certa vez foi indagado sobre quanto valia. O homem milionário pensou por um instante e disse um número. O outro respondeu: “Isso não pode estar certo. Pelos meus cálculos você deve valer muito mais.” A resposta de Moses Montefiore foi: “Você não me perguntou quanto eu possuo. Portanto, calculei a quantia que doei para caridade este ano e foi este número que lhe forneci. Veja,” disse ele, “você vale aquilo que está disposto a dividir com os outros.”


2 - Avaliando um povo

Porém, parece haver uma mensagem mais vital apresentada aqui, que parece reverberar através da história. Para avaliar o valor e grandeza de um povo, a Torá está sugerindo, você deve estudar não o número de corpos, mas a profundidade de suas contribuições. O que mais importa não é a quantidade de seus adeptos, mas sim seu comprometimento em fazer uma diferença e sua inspiração e ânimo para fazer sacrifícios por seus valores e ideais. Números podem ser desapontadores. Grandes grupos de pessoas com frequência mal deixam um vestígio. Por outro lado, há vezes em que pequenos grupos, quando empenharam alma e coração em seu sistema de valores, causaram um enorme impacto, totalmente desproporcional aos seus números. Para avaliar a importância da existência judaica, a Torá está nos dizendo, você deve estudar não os seus números: os judeus jamais constituíram mais de um por cento da sociedade. Em vez disso, você deve examinar o impacto que este pequeno grupo monoteísta tem causado no mundo. Outras nações, culturas e civilizações tiveram números muito maiores, territórios mais vastos e exércitos mais poderosos. Mas ninguém deixou uma impressão no próprio tecido da civilização como os relativamente poucos e perseguidos descendentes de Avraham, Yitschac e Yaacov.

O autor continua, como escreveu o escritor católico Thomas Cahill em seu bestseller “Os Presentes dos Judeus: Como uma Tribo de Nômades do Deserto Mudou a Maneira de Todos Pensarem e Sentirem”: “A maioria de nossas melhores palavras na verdade – novo, aventura, surpresa; indivíduo singular, pessoa, vocação; tempo, história, futuro; liberdade, progresso, espírito; fé, esperança e justiça – são presentes dos judeus… Mal conseguimos levantar pela manhã ou atravessar uma rua sem sermos judeus. Sonhamos sonhos judeus e esperamos esperanças judaicas.” Aqui está uma passagem do historiador contemporâneo Paul Johson em seu bestseller “História dos Judeus”:

“Todas as grandes descobertas conceituais do intelecto parecem óbvias e inescapáveis depois que foram reveladas, mas é preciso um gênio especial para formulá-las pela primeira vez. O judeu tem este dom. A eles devemos a ideia de igualdade perante a lei, tanto divina quanto humana; da santidade da vida e da dignidade da pessoa humana; da consciência individual e da redenção pessoal; da consciência coletiva e da responsabilidade social; da paz como uma ideia abstrata e amor como o alicerce da justiça, e muitos outros itens que constituem a mobília básica moral da mente humana. Sem os judeus, isso poderia ter sido um lugar muito mais vazio.”

O Poder do Amor

O rabino Jacobson, no referido artigo, ainda continua, e diz que, assim como isso tudo é verdadeiro a respeito da nossa identidade nacional, é verdadeiro no que concerne a cada pessoa individualmente. Às vezes você poderia pensar consigo mesmo: “Não tenho valor; não valho nada.” Vem a Torá e diz que você por si mesmo, enclausurado em sua vaidade e egoísmo, pode de fato representar uma criatura pequena, fútil, indigna de ser contada. “Se eu for somente para mim mesmo, o que sou eu.” Hilel é citado como dizendo isto em Ética dos Pais. No entanto, cada um de nós tem o poder de contribuir com algo para o mundo, de buscar uma pessoa em necessidade. Cada um de nós tem a capacidade de tocar um coração, elevar um espírito, acender uma alma, olhar um ser humano nos olhos e dizer “Eu te amo.” Você pode na verdade ser pequeno, mas o amor e luz que você pode levar a outra vida através de um simples gesto, um “bom dia” sincero, ou um ato de bondade e gentileza, não pode ser contado o suficiente.

Aprendemos mais uma vez, que a Torá estabelece o amor como o princípio básico para uma vida de obediência ao Eterno.


“O rico não dará mais, e o pobre não dará menos da metade do siclo, quando derem a oferta alçada ao Eterno, para fazer expiação por vossas almas.” Ex 30:15


De acordo com o site Emunah a fé dos santos, cada alma tinha um preço de resgate de meio siclo. Os ricos não pagavam mais nem os pobres pagavam menos. Isto ensina-nos que cada alma tem o mesmo valor diante do Eterno, não importa qual a condição econômica. A Torá nos ensina que diante do Eterno todos tem o mesmo valor, tanto que a vida justa de Yeshua serve para todos os que desejam e vivem segundo a Torá.

“Farás também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar; e nela deitarás água” Ex 30:18


Vamos agora falar um pouco da “pia de cobre”. O site Shema Ysrael diz que, esta pia tem um simbolismo muito forte, pois ela nos fala que após o homem ter se convertido (passado pela porta do Tabernáculo – que é Yeshua), após o homem ter morrido para o pecado (passando pelo altar de sacrifícios), agora ele precisa ter sua vida purificada, “E Aharon e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés” Êx 30:19, e para isso é necessário passar pela pia de cobre, a fim de que, através do batismo, sejamos inseridos num outro contexto em nossa caminhada com o Eterno e que estejamos dando nosso testemunho público de que nossa fé está embasada no D-us verdadeiro! A pia de cobre nos fala sobre uma nova vida que morre para o mundo e ressurge já transformada para D-us! E vemos o apóstolo Paulo falando sobre isso:


“De sorte que fomos sepultados com ele pela imersão na morte; para que, como o Ungido foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6:4).


D’us ordenou que uma grande pia especial de cobre fosse construída e colocada no pátio do Tabernáculo, entre o Ohel Moed (Côdesh) e o altar exterior. Este lavatório era enchido com água a cada manhã para que os cohanim pudessem lavar suas mãos e seus pés antes de iniciar o serviço Divino.

Por que D’us ordenou aos cohanim que lavassem mãos e pés antes de iniciar seu trabalho no Santuário?

Poderíamos responder que D’us queria assegurar-se de que suas mãos e pés estivessem limpos. Esta explicação é verdadeira, mas também existe uma outra razão mais profunda para esta ordem.

Ao verter água de uma vasilha sagrada sobre suas mãos e pés antes do serviço Divino, tais partes do corpo se santificavam. Será que não era necessário santificar também o resto do corpo? O corpo dos cohanim já se tornavam sagrados ao vestirem suas roupas sacerdotais. A água, então era utilizada para santificar mãos e pés que ficavam descobertos.

Vemos esse contexto de iniciar serviço ao Eterno de mãos e pés purificados também na vida de Yeshua, que em seu ministério deu um ensinamento exatamente com base no que a Torá ensina, vejamos:


“Chegou-se a Simão Pedro, que lhe disse: "Senhor, vais lavar os meus pés? " Respondeu Yeshua: "Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá". Disse Pedro: "Não; nunca lavarás os meus pés". Yeshua respondeu: "Se eu não os lavar, você não terá parte comigo". Respondeu Simão Pedro: "Então, Senhor, não apenas os meus pés, mas também as minhas mãos e a minha cabeça! " Respondeu Yeshua: "Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo está limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos". João 13:6-10


Aqui Yeshua estava passando a autoridade para os talmidim (discípulos) levarem adiante o ensino do reino, e para isso eles precisariam estar purificados. Yeshua faz essa purificação dos pés com água, e Pedro não entende o que o mestre estava fazendo, até que Yeshua explica.

O princípio é o mesmo que vemos nessa parashá. Purificar para servir. Servir para purificar a outros, seguindo o exemplo do nosso mestre Yeshua.

Que possamos seguir ao Eterno, seguindo o exemplo de nosso mestre Yeshua, vivendo em obediência a Torá e levando a verdade a outros que estão na escuridão.


Que HaShem lhes abençoe!


Bibliografia:


- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer

- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/

- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/

- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/771028/jewish/Resumo-da-Parash.htm

- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/21-_ki_tis_quando_fizeres.pdf

- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1152760/jewish/Procurando-sua-Auto-Estima.htm

- https://shemaysrael.com/parasha-ki-tissa/

- https://shemaysrael.com/parasha-ki-tisa-de-pe-na-brecha/

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Estudo da Parashá Tetsavê (Ordena)

 

Estudos da Torá


Parashá nº 20 – Tetsavê (Ordena!)

Shemôt/Êxodo Ex 27:20-30:10,

Haftará (Separação) Ez 43:10-27, e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mc 5:1-6:56 e Hb 13:10-16


1 - INTRODUÇÃO

Encontramos no site chabad.org o seguinte resumo: Seguindo-se aos mandamentos detalhados da porção da última semana a respeito da construção do Mishkan, a parasha Tetsavê começa com a mitsvá diária dada a Aharon e seus filhos de abastecer a menorá no Mishkan com puro azeite de oliva.

D'us descreve a Moshê as vestes especiais que devem ser usadas pelos Cohanim durante o serviço, tecidas e adornadas com materiais doados pelo povo. Os Cohanim comuns envergavam quatro vestimentas especiais, ao passo que quatro vestes adicionais deveriam ser vestidas exclusivamente pelo Cohen Gadol.

  1. O ketonet – uma túnica longa de linho;

  2. Michnasayim – calções de linho;

  3. Mitznefet ou migba’at – um turbante de linho;

  4. Aynet – uma longa faixa ao redor da cintura. Além disso, o Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) vestia:

  5. O efod, uma veste similar a um avental, feita de lã azul, roxa e vermelha, linho e fios de ouro;

  6. O choshen – um peitoral contendo doze pedras preciosas inscritas com os nomes das doze tribos de Israel;

  7. Me’il – uma capa de lã azul, com sinos de ouro e romãs decorativas na barra;

  8. O tsit – uma placa de ouro usada sobre a testa, com a inscrição "Sagrado para D’us".


A porção da Torá então transfere sua atenção aos mandamentos de D'us referentes ao melu'im, inauguração ritual para o Mishkan recentemente construído, a ser realizada exclusivamente por Moshê por sete dias.

Tetsavê também inclui as instruções detalhadas de D’us para a iniciação de sete dias de Aharon e seus quatro filhos – Nadav, Avihu, Elazar e Itamar – no sacerdócio, e pela construção do Altar de Ouro sobre o qual o ketoret (incenso) era queimado. Todas estas ordens são na verdade realizadas na porção conclusiva de Shemot, a Parashat Pekudê.


Conforme já mencionamos, na parashá (porção) passada, pudemos estudar sobre as instruções detalhadas sobre como construir o santuário e pedir as ofertas dos israelitas para construí-lo. A parashá desta semana começa com o mandamento para os filhos de Israel para trazer o azeite puro de oliva para a menorá no mishkan (santuário), e elas queimam continuamente. Fala também sobre o azeite da unção, Aharon (Arão), seus filhos e suas vestimentas sacerdotais. Poderemos aprender os motivos pelos quais os sacerdotes receberam tantos itens que eram colocados sobre seu corpo. E tudo isso aponta, através destas figuras, o ministério de Yeshua nas vestes sacerdotais.

Vejamos então algumas informações sobre isso.


2 – ESTUDO DAS PALAVRAS

A parashá dessa semana inicia com o familiar proclamar de D’us a Seu servo Moshê:


“Ordenarás aos filhos de Israel que eles lhe tragam azeite puro e prensado de oliva para iluminação, para abastecer continuamente a lamparina” (Shemot / Ex 27:20).


Mencionamos na introdução desse estudo sobre o óleo para a menorá e para a unção, ele é feito a partir do fruto da oliveira. E segundo o site Emunah a fé dos santos, a oliveira é um símbolo do povo de Israel, conforme podemos ler em Jer 11:16:


“Denominou-te o Eterno oliveira verde, formosa por seus deliciosos frutos...”


Ainda de acordo com o referido site, uma oliveira não morre. É uma árvore que não deixa de dar frutos. Quando alguns ramos se tornam velhos e deixam de dar fruto, são cortados e brotam novos que continuam a dar frutos. A oliveira necessita de dez anos para começar a dar frutos, mas o seu maior rendimento não chega antes dos 40 anos. A sua folha mantém-se sempre verde, e é uma árvore que não precisa de muita água. Ela aguenta um clima muito quente e seco. É impressionante o paralelo dessa árvore com nossa vida diante do Eterno, Baruch HaShem, pois o tempo inicial dela antes de dar fruto aponta para necessidade de encontrarmos com o Eterno verdadeiramente, e o nosso maior rendimento depois que o encontramos, é quando estamos vivendo nos passos da vida de Yeshua que veio no quarto milênio, que passamos a produzir mais frutos de justiça. E também, se estamos verdadeiramente firmados no Eterno, suportamos períodos de escassez e provas, devido a profundidade de nossas raízes, que é a nossa emunáh (fé, confiança, firmeza).

Interessante é notar que nessa porção o nome de Moshê não é mencionado nenhuma vez. Na verdade, desde o nascimento de Moisés até o final da Torá, esta é a única porção da Torá na qual o nome de Moisés não consta. Os rabinos entendem que esta omissão resultou do que Moshê proferiu sobre si mesmo. Após o pecado do bezerro de ouro, ele disse a D’us:


“Se não perdoares o povo deste pecado, imploro-te, apague-me de Teu livro, que Tu escreveste!”


Apesar de o Eterno ter perdoado os israelitas, a punição que Moshê invocou sobre si foi parcialmente realizada. D’us apagou o nome dele da parashá Tetsavê. Então, fica um entendimento antigo para nós, que as palavras de um justo realizam-se mesmo se a condição vinculada a ela não tiverem efeito. Vejamos alguns textos:


“Do fruto da boca enche-se o estômago do homem; o produto dos lábios o satisfaz. A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto.” Provérbios 18:20-21


“Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de D’us. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim!” Tiago3:9-10


Devemos então perceber, que a fala é uma arma poderosa, que pode infligir feridas mortais a grandes distâncias. Assim como palavras ásperas podem ferir quando dirigidas contra outra pessoa; também podem ser autodestrutivas. O talmud adverte que uma pessoa não deve falar mal até mesmo de si próprio. Se alguém denigre a si mesmo, outros também poderiam denegri-lo.

Então, a falta de menção do nome de Moisés nesta porção da Torá, tem um importante significado para quem o estuda. Se uma maldição condicional, que faz parte de uma apelação passional por perdão ao povo de Israel, pode ter consequências desfavoráveis, quão mais não o é quando as palavras são proferidas com raiva e hostilidade, seja contra si, seja contra outros.

Voltando ao verso inicial da porção em Ex 27:20, ainda temos mais instruções para receber da Torá. Após diversas instruções referentes à construção do Mishkan (Tabernáculo) e seus utensílios sagrados, o Eterno deu uma nova mitsvá. Segundo o site “ShemaYsrael”, a palavra “ordena” em hebraico é “tsawa”, que significa “ordenar, incumbir”. A raiz dela designa a instrução de um pai para seu filho, de um fazendeiro a seus lavradores, de um rei a seus servos. Isso reflete uma sociedade firmemente estruturada em que as pessoas tinham de prestar contas a D’us pelo direito de mandar! Ou seja, cada ato feito pelas pessoas está refletido nesta ordem! Vemos aqui os dois lados da questão: do lado do Eterno a bondade e o carinho no trato com seus filhos; de outro a responsabilidade de quem tem autoridade, pois ser-lhe-á cobrado no futuro, como essa pessoa exerceu aquilo que lhe foi confiado pelo Eterno. Esta palavra de ordem nos mostra também, a obrigatoriedade e a necessidade de haver o azeite puro para alimentar a menorá! O que veremos logo abaixo.

Sem o azeite a menorá não dá luz, e consequentemente não ilumina! O azeite representa nossas obras de justiça, ou seja, obediência aos mandamentos. Conforme vimos semana passada, a menorá aponta para Yeshua. E com isso, o Eterno aqui nos ensina, que a menorá com azeite é indispensável em nossa caminhada com Ele! Alguns tem a menorá, porém sem azeite; outros tem o azeite, porém sem a menorá! Temos aqui demonstrada a interdependência daquilo que recebemos de D’us: precisamos do ruach (espírito, mover, poder), que é a vida justa de Yeshua, mas também da obediência! (veja Mateus 25:1-13 e Hebreus 1:9) Não adianta queremos ter somente Yeshua, sem atuarmos em comunhão e sob a direção do exemplo da vida justa dele. Isso seria algo extremamente danoso para o Corpo do Messias. Mas infelizmente, é isso que geralmente estamos vendo dentro deste corpo! Falta a instrução a fim de entendermos quais são os processos usados pelo Eterno a fim de caminharmos com Ele!


Agora, sobre o mandamento de trazer o azeite de oliveira puro, batido para a Menorá (Candelabro).


O azeite é o produto da oliva ou azeitona. A árvore que produz oliva é a oliveira, e ela é um símbolo do povo de Israel, como lemos em Jeremias 11:16a:


“Denominou-te o Eterno oliveira verde, formosa por seus deliciosos frutos”


Segundo o site “Emunáh a fé dos santos”, no estudo desta porção:


“Uma Oliveira não morre. É uma árvore que não deixa de dar fruto. Quando alguns ramos se tornam velhos e deixam de dar frutos, são cortados e brotam novos que continuam a dar fruto. A oliveira necessita de dez anos para começar a dar fruto, mas o seu maior rendimento não chega antes dos 40 anos. A sua folha mantém-se sempre verde, e é uma árvore que não precisa de muita água. Pode aguentar um clima muito quente e seco.”


O azeite é um produto muito saudável para o corpo humano, e tem várias utilidades, como por exemplo fritar, misturar em farinha e fazer bolos, para temperar, misturar saladas e até para servir como combustível para as lâmpadas de azeite, como no caso da menoráh (candelabro) do tabernáculo.

O mencionado site, também diz que o azeite é produzido através de fortes pressões. De igual modo os filhos de Israel purificam os seus corações e retornam ao Eterno quando estão sob a pressão (opressão, tribulações) das nações. Todos os demais líquidos podem misturar-se, mas o azeite não se mistura com os demais, assim, o povo de Israel é a única nação na história que não foi totalmente assimilada pelas nações sem perder a sua identidade. A identidade hebraica permanecerá para sempre. Veja que as dez tribos, foram se assimilando e perderam a sua identidade, embora vêm recuperando-a ao longo dos últimos dois mil anos, e nós somos exemplos e testemunhas disso, e tudo isso para cumprir o que o Eterno disse a Avraham, que através da descendência dele as famílias da terra seriam abençoadas. Porém, ainda assim, houve um remanescente de Israel que nunca perdeu a sua identidade, o povo judeu (Judá, e parte de Levi e Benjamim).

Qual a importância do azeite ser puro e batido? O que isso significa e o que podemos aprender com isso?

Segundo a tradição judaica, Moisés teria explicado ao povo o seguinte:


“Somente as primeiras gotas extraídas da azeitona podem ser utilizadas para a Menorá. As primeiras gotas são perfeitamente claras e sem sedimentos, e produzem luz mais brilhante. O resto do azeite pode ser utilizado nas oferendas de minchá (sacrifícios da tarde), ofertas de farinha que são levadas ao altar, mas não para a Menorá.”


Observe também o que o comentário de rodapé da Torá da Editora Sefer nos diz: “Batido ou Macerado, produto da primeira pressão. A Torá prescreve que o azeite mais puro é o que deve ser usado para a Menorá, e o Midrash (ensino ou interpretação) comenta que, regra geral, o azeite que se utiliza para os alimentos costuma ser melhor, deixando a sobra para iluminação. Aqui acontece, entretanto, tudo ao contrário. As primeiras e mais puras gotas do azeite são as que se destinam à Menorá, e as demais, às oferendas de cereais. Esta é uma peculiaridade do povo judeu; as necessidades corporais consideram-se como de segundo plano em relação às espirituais.”


Assim, aprendemos uma grande lição do fato de que se utilizava somente as primeiras gotas de azeite para o acendimento da Menorá, enquanto que, para as oferendas, o azeite da segunda prensagem era permitido. Uma pessoa que observe a Torá, geralmente, procura garantir que o alimento que sua família consome seja casher (puro). No entanto, muitas vezes está menos preocupado com o “alimento intelectual” que entra em sua casa na forma de literaturas ou outras mídias diversas. E de acordo com o ponto de vista da Torá, o “azeite para a Menorá”, que representa o intelecto, deve ser o mais puro possível. Esse azeite é superior ao da oferenda (simboliza nutrição). A Torá insiste que nossa mente deve ser nutrida apenas com as informações mais puras e refinadas. Por isso, devemos ter cuidado com o que lemos, assistimos ou ouvimos.

Em um estudo do site Chabad.org, encontra-se o seguinte:


Porque o azeite de oliva foi escolhido por Hashem?

Por que Hashem escolheu o azeite de oliva para o acendimento, em vez de qualquer outro tipo de óleo? A resposta é que Benê Yisrael são comparados à oliva.

De que forma o povo judeu é similar à oliva?

√ A oliva emana seu precioso líquido apenas depois de ter sido processada através de prensagem e batidas. Similarmente, como resultado de terem sido banidos de um lugar para outro pelos outros povos e serem perseguidos, Benê Yisrael purificaram seus corações e retornaram a Hashem. A essência interior de um judeu é pura. É só sua má inclinação (yêtser hará) que o impede de servir a Hashem. Uma vez que a camada exterior é removida por pressão externa, sua natureza de santidade se reafirma.

√ Todos os líquidos, quando misturados, mesclam-se numa mistura homogênea. O óleo é uma exceção, não se mistura, mantém-se separado. Assim também, Benê Yisrael é a única nação na história que não foi engolida pelos povos mas guardou, e continuará guardando para sempre, sua identidade distinta.

Antes de terminarmos o estudo desta porção, que também fala das vestes sacerdotais, é preciso lembrar que em Ex 28.1-3; 43 nos diz:


“E farás vestidos de santidade para Aarão, teu irmão, para glória e formosura (esplendor).”


Observe que o texto fala “vestes de santidade” (vigdei kodesh) “para glória e esplendor” (lekavod uletiferet), essas vestes sagradas concediam a eles uma proteção espiritual para que não levassem iniquidade. Arão não podia entrar em pecado no santuário, e as vestes lembravam e faziam que ele se separasse ou santificasse. Assim como os “tsitsiot” lembram aos homens dos mandamentos. Essas vestes significam separação, veja o que está escrito em Ap 19:7-8:


“Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou. Foi-lhe dado para vestir-se linho fino, brilhante e puro". O linho fino são os atos justos dos santos.”


E este texto é análogo ao que o Rav. Sha’ul (Apóstolo Paulo) fala em Ef. 6.10-17 quando faz comparação com a armadura de Deus, veja:


“Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder. Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz. Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.” Efésios 6:10-17


Podemos então perceber, que as roupas refletem o que está dentro de nós, mostram nosso caráter, ou seja, o que estamos fazendo e como estamos vivendo. A verdadeira batalha espiritual se combate com atos de justiça, conforme Tg 2.14-26:


“De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: "Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se", sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras. Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem! Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil? Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras. Cumpriu-se assim a Escritura que diz: "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça", e ele foi chamado amigo de Deus. Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas pela fé. Caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho? Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta.” Tiago 2:14-26


Aquelas roupas mostravam para o povo a seriedade daquilo que o sacerdote iria fazer, interagir com D’us pelo povo. Atualmente, nós interagimos com o Eterno por nós e pelas pessoas ao nosso redor, através das vestes novas que Yeshua nos legou por meio de seu sacrifício. As roupas são importantes? Sim. Basta ler Mt 22:2-14, a parábola das Bodas.

As vestes sacerdotais deveriam compor-se dos seguintes materiais:


“E tomarão o ouro, e o azul, e a púrpura, e o carmesim e o linho fino” Ex 28.5.


Todos estes materiais nos falam sobre o caráter de Yeshua:

- Ouro – representa a divindade. O ouro é o mais nobre dos materiais e o único que é incorruptível. Por isso ele nos fala sobre a representatividade daqueles que possuem autoridade delegada pelo Eterno. Yeshua recebeu essa autoridade.

- Azul – essa cor nos fala sobre Yeshua, o Filho de D-us. O azul nos fala sobre o céu, que é a habitação do D-us Eterno. O usar o azul nos diz a procedência daqueles que o usam e a quem representam.

- Púrpura – Yeshua, o Rei. A púrpura era a cor da qual os reis se utilizavam a fim de demonstrarem sua realeza. Essa cor era muito difícil de ser conseguida e era portanto, muito cara. Somente os reis a usavam!

- Carmesim – Yeshua, o Salvador. O carmesim nos fala sobre sangue, sobre sacrifício, sobre vida. Ele nos lembra que este homem deveria sacrificar-se a si mesmo a fim de nos trazer a salvação (que está expressa em seu próprio nome!).

- O linho fino – Yeshua, o homem perfeito! Aqui parece haver uma contradição, pois nós não conhecemos um homem perfeito. Só o fato de ser homem já nos fala sobre sua falibilidade e imperfeição. Mas foi justamente esse o desafio de Yeshua: nascer e viver como o homem perfeito, obedecendo aos mandamentos de HaShem, a fim de resgatar o imperfeito homem! Por isso o linho nos diz que Ele seria o único a Ter essa condição em sua vida e caráter aqui na terra!

E é justamente por esse motivo (o de estar representando alguém e também o de estar buscando algo) que o sacerdote vestia-se diariamente com suas vestes especiais, a fim de apontar para o futuro e para Aquele que viria a fim de cumprir em sua vida todos os requisitos do perfeito Sacerdote do Altíssimo!

Também é importante destacar que, o fato de que os cohanim (sacerdotes) só poderiam realizar o serviço trajando as vestimentas sagradas indicava a santidade de seus atos. Isto nos ensina que quando um servo do Eterno ora ou cumpre uma mitsvá deve ser cuidadoso no vestir, e conduzir-se com dignidade perante o Eterno. Todas as nossas ações devem ser muito bem ponderadas e refletidas à luz da Torá.

E ainda um último aspecto a ser observado no estudo dessa semana é o seguinte:


“E vestirás com eles a Aharon teu irmão, e também seus filhos: e os ungirás e consagrarás, e os santificarás, para que me administrem o sacerdócio” Ex 28.41.


A palavra “ungir” em hebraico é “mashah” e significa “ungir, espalhar um líquido”. Isso aponta para o fato de que após se proceder o determinado no texto, o sacerdote se tornaria um ungido ou messias (mashiach). Esta unção é que distinguia aquele homem e seu caráter a fim de oficiar ou celebrar diante do Eterno. Para que o sacerdote fosse ungido seria necessário um componente muito importante: o óleo. E já vimos neste estudo o que o óleo significa. Ou seja, assim como para um homem da tribo de Levi, da família de Aharon precisava do óleo para capacitá-lo a ser um sacerdote aceito pelo Eterno, nossas vidas também precisam do óleo, que são os atos de justiça e boas obras, para sermos aceitos diante do Eterno como sacerdotes.

Assim, o ungido somente seria um homem especial, de acordo com o site ShemaYsrael, se recebesse a unção com o azeite (que é um símbolo dos atos de justiça). Este azeite deveria ser derramado sobre ele. Isto nos fala de dois aspectos: o primeiro é que o que é derramado vem sempre em grande quantidade! A unção que o Eterno nos dá é sempre em grande quantidade. Quanto mais obedecemos, mais condições recebemos para obedecer. Nós não recebemos do Senhor uma “pequena” quantidade de óleo, mas sim um derramar de sua presença e uma grande unção a fim de que possamos vencer o nosso inimigo. O segundo é que este “derramar” vem do alto! Não pode-se derramar algo sobre alguém sem estar sobre, ou acima da pessoa em quem se derrama! Percebemos então que o azeite nos é dado, nos é derramado pelo próprio D-us, que de cima nos dá a unção necessária a fim de cumprimos nosso chamado.

Que o Eterno continue a nos capacitar e dar condições de sermos obedientes e fiéis servos, levando pessoas ao encontro da verdade e da justiça de D’us, trilhando sempre o caminho que ele preparou para cada um de nós, ou seja a sua Torá.

Que HaShem lhes abençoe!


Bibliografia:


- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer

- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/

- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/

- http://shaareishalom.net.br/bo-o-nome-diz-tudo/

- http://chumash.escolajudaicavirtual.org/31.html

- http://shemaysrael.com/parasha-tetzaveh/

- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/771027/jewish/Resumo-da-Parash.htm

- https://shemaysrael.com/tetsave-ordena/

- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/913190/jewish/O-Nome-de-Mosh.htm

- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/20-_tetsav_ordenars.pdf