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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Estudo da Parashá Beshalach - Deserto, a escola do Eterno.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 16 – Beshalach (Depois de ter deixado)

Shemot/Êxodo 13:17-17:16

Haftará (separação) Jz 4:4-5:31 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Lc 2:22-24 e 1Co10:1-13


Deserto, a escola do Eterno.


Muitos desejam a redenção, servir ao Eterno, mas poucos compreendem o caminho de aprendizado e prática que ela exige. Há uma ideia amplamente difundida pelo sistema religioso, de que ser resgatado pelo Eterno significa entrar imediatamente em descanso, estabilidade e facilidade. No entanto, a parashá Beshalach desmonta essa expectativa e nos apresenta uma verdade mais profunda, mostrando que o Eterno não conduz Seu povo diretamente a um lugar confortável, mas a um lugar formador. Esse lugar é o deserto. É ali que a redenção deixa de ser apenas um evento ou o final e se torna um processo vivo, diário e transformador, que chamamos de teshuvah. Siga nesse estudo até o fim e entenda mais sobre o processo do Eterno na nossa preparação para o futuro.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Beshalach descreve o início da caminhada de Yisrael como um povo livre, logo após sair do Egito, e revela como o Eterno educa, conduz e prova aqueles que Ele redime. O texto começa mostrando que o Eterno não levou o povo pelo caminho mais curto, para que não se arrependessem ao enfrentar guerra, mas os conduziu pelo deserto, manifestando Sua presença constante por meio da coluna de nuvem durante o dia e da coluna de fogo durante a noite, para guiá-los e protegê-los, conforme está escrito em Shemot.

Quando Faraó decide perseguir Yisrael, o povo se vê encurralado entre o exército egípcio e o Yam Suf. Diante do medo e da murmuração, o Eterno ordena a Moshe que avance, e o mar se abre, permitindo que Yisrael atravesse em terra seca. As águas, porém, se fecham sobre os egípcios, mostrando que o mesmo caminho de livramento para os que confiam no Eterno se torna juízo para os que O desafiam. Após essa grande salvação, Yisrael entoa o cântico ao Eterno, reconhecendo Sua força, Seu domínio e Sua fidelidade. Miryam conduz as mulheres em celebração, marcando um momento de gratidão coletiva e reconhecimento público das obras do Eterno.

Logo em seguida, a parashá mostra que a liberdade não elimina os desafios. No deserto, Yisrael enfrenta a escassez de água em Marah, onde o Eterno transforma águas amargas em potáveis, ensinando que Ele é quem cura e sustenta. Em Elim, o povo encontra descanso, mas pouco depois volta a murmurar por causa da fome. O Eterno então envia o maná, alimento diário vindo dos shamaym, estabelecendo um padrão de dependência e obediência, inclusive com a separação do sétimo dia, no qual o maná não cai. O povo aprende que não vive de acúmulo, mas da provisão diária do Eterno.

Em Refidim, novamente falta água, e o Eterno faz jorrar água da rocha, mostrando que Ele supre mesmo quando o povo questiona Sua presença. A parashá termina com o ataque de Amaleq, quando Yisrael precisa lutar. Yehoshua vai à batalha, enquanto Moshé permanece com as mãos erguidas; quando suas mãos estão levantadas, Yisrael prevalece, e quando se abaixam, o inimigo avança. Aharon e Hur sustentam os braços de Moshe até o pôr do sol, ensinando que a vitória vem da dependência contínua do Eterno e da unidade do povo.

Beshalach revela que a redenção não é apenas sair do Egito, mas aprender a caminhar com o Eterno no deserto, confiando em Sua direção, obedecendo aos Seus mandamentos e reconhecendo que toda provisão, proteção e vitória vêm dEle.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Logo no início de Beshalach, o texto declara que o Eterno não levou Yisrael pelo caminho mais curto, embora fosse o mais lógico do ponto de vista humano, observe:

Agora que o Faraó deixou o povo ir, Elohim não o reconduziu pelo caminho da terra dos filisteus, embora fosse mais perto; pois Elohim disse: O povo pode se arrepender quando vir a guerra e voltar ao Egito. Assim, Elohim levou o povo a rodear pelo caminho do deserto, pelo Mar de Juncos. Shemot 13:17-18


O Chumash Plaut, no comentário de introdução dessa parashá afirma, no tópico "No deserto", que o povo de Yisrael, agora estavam seguros contra a perseguição egípcia e finalmente livres no sentido físico, e assim, os israelitas empreendem sua viagem. Daqui em diante, até que finalmente adentrem a Terra Prometida, o deserto será o palco de sua história. Aqui no deserto as pessoas receberão a instrução divina; aqui eles vão proclamar sua fé e presenciar a autorrevelação de D'us; e aqui eles cairão em apostasia ao moldar o bezerro de ouro. O deserto é o campo de provas de Israel, o lugar onde D'us conquista um povo.

O Eterno escolhe o deserto como o palco da história do povo até a entrada na Terra Prometida. Essa escolha não é acidental. O deserto se torna o espaço onde Yisrael recebe instrução, conhece o Eterno, proclama sua confiança, mas também onde falha, murmura e cai em rebeldia. Desde o início da porção, somos conduzidos a entender que sair do Egito não é o fim da redenção, mas apenas o começo do caminho com o Eterno.

Como estamos vendo, essa parashá nos ensina que redenção não é apenas sair do Egito, mas aprender a andar com o Eterno depois da libertação. Muitos pensam que ser redimido significa entrar imediatamente em descanso, facilidade e abundância. Porém, o texto revela o oposto, relatando que o Eterno leva Seu povo para o deserto, não por abandono, mas por cuidado. O deserto é o lugar onde o coração é revelado, onde a confiança é formada e onde a obediência deixa de ser discurso e se torna prática diária.


1. O deserto como lugar de teshuvah e desapego do Egito

A fim de compreendermos bem o assunto, devemos observar a forma de estudar os textos, dentro do contexto original. Dessa forma, é importante notar que o Egito representa mais do que um lugar geográfico, ele simboliza um sistema de escravidão, de dependência, controle e falsa segurança. Através do relato da parashá e de entendimentos proféticos podemos aprender que, quando o servo do Eterno é resgatado desse sistema, seja ele mundano ou religioso, inicia-se um processo de teshuvah, um retorno consciente ao Eterno. Esse retorno não conduz imediatamente a uma estabilidade, a uma vida de “bênçãos”, no sentido do que o cristianismo costuma ensinar, mas conduz ao deserto, onde as pessoas tem a oportunidade de aprender e começar a viver o que aprende com o Eterno.

No deserto, os antigos referenciais deixam de funcionar. Ali não há celeiros, não há previsibilidade, não há controle humano. No Egito havia comida previsível, estrutura, rotina, mesmo que fosse escravidão. No deserto não há segurança humana. Tudo depende do Eterno. E o mesmo ocorre com quem está iniciando a teshuvah, pois deixam tudo que viviam para trás sem perspectiva alguma, sem saber o que e como irão viver. É exatamente por isso que o Eterno escolhe o deserto como palco da história de Yisrael e como ambiente de formação do Seu povo. Tudo passa a depender da provisão diária do Eterno, como o maná que não podia ser acumulado, conforme lemos em Shemot 16. Isso ensina que a vida diante do Eterno não se sustenta por acúmulos, mas por confiança diária baseada na obediência.

O profeta Yirmeyahu expressa essa realidade ao dizer que Yisrael seguiu o Eterno no deserto, numa terra não semeada (Yirmeyahu 2:2). O deserto revela se o coração realmente deseja o Eterno ou apenas os benefícios da libertação.


2. O Sinai: revelação, instrução e início das provas

Ao saírem do Egito em direção ao Sinai, além dos hebreus saíram muitos povos que viviam ali, conforme lemos em Shemot 12:38. Muitas dessas pessoas apenas queriam sair do Egito, não queriam uma relação com o D’us dos hebreus, apenas aproveitaram a oportunidade, mas o Eterno busca servos sinceros. E para isso, HaShem estabelece um princípio levando-os para o deserto. É no deserto que ocorre a entrega da Torah no Sinai. Isso não é um detalhe, mas uma mensagem poderosa. A instrução do Eterno não é dada no Egito nem na Terra Prometida, mas no ambiente onde não há distrações nem estruturas humanas de apoio. O Sinai representa a autorrevelação do Eterno e o estabelecimento de Sua instrução como fundamento da vida.

A partir da revelação, a vida do povo passa a ser provada. Como está escrito:


Para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os Seus mandamentos. Devarim 8:2


As provas não criam o caráter, elas o revelam. Atitudes de obediência aproximam do Eterno e produzem justiça. Enquanto atitudes de murmuração, impaciência e substituição da confiança produzem afastamento e rebeldia. O bezerro de ouro nasce exatamente nesse contexto, a revelação havia sido recebida, mas confiança ainda era imatura. Isso mostra que conhecer a verdade não impede a queda, somente a obediência perseverante sustenta o caminhar mesmo em meio às tribulações.

Yeshua ensinou o mesmo princípio que vemos dessa parashá ao afirmar que não basta ouvir suas palavras, é necessário praticá-las, veja:


Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Mateus 7:24-26


O deserto expõe se a instrução foi apenas ouvida ou realmente acolhida no viver diário, é o que veremos no próximo tópico.


3. O deserto como campo de provas e lugar onde o Eterno conquista um povo

O comentário do Chumash Plaut afirma que o deserto é o lugar onde o Eterno conquista um povo. Essa conquista não se dá pela força, mas pela fidelidade. No deserto, Yisrael aprende que a presença do Eterno não remove as dificuldades, mas as atravessa junto com o povo. A coluna de nuvem e a coluna de fogo não tiram o deserto, mas revelam que HaShem está presente em todo o caminho de acordo com Shemot 13:21. Há dez anos atrás, ainda no início da minha teshuvah, quando ainda estava no sistema religioso cristão, escrevi um texto em meu blog (https://souperegrinonaterra.blogspot.com/search?q=deserto), cujo título era “Não morra no deserto”, dois anos depois gravei um vídeo no canal do YouTube com o mesmo título. Naquele artigo já falava sobre o deserto como local de aprendizado.

Quando Amaleq ataca, Yisrael aprende que a caminhada com o Eterno inclui oposição. A vitória não vem da força militar, mas da dependência contínua do Eterno, simbolizada pelas mãos de Moshe erguidas, como vemos em Shemot 17. Assim também é com o servo do Eterno, pois a caminhada não é um “mar de rosas”, mas um caminho de aprendizado, onde cada decisão revela a quem o coração está realmente submetido.

O profeta Hoshea confirma que é no deserto que o Eterno fala ao coração e restaura a relação com o Seu povo, observe o que diz Hoshea 2:14–15:


Portanto, agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e vou falar-lhe com carinho. Ali devolverei a ela as suas vinhas, e farei do vale de Açor uma porta de esperança. Ali ela me responderá como nos dias de sua infância, como no dia em que saiu do Egito.


O deserto não é rejeição, é formação.


Concluindo nosso estudo, vemos que a parashá Beshalach nos conduz a uma compreensão madura e sem religiosidade da redenção. Ser resgatado do Egito ou dos sistemas é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio é andar com o Eterno no deserto, onde não há garantias humanas, apenas a direção divina. É nesse ambiente que aprendemos a confiar, a obedecer e a reconhecer que toda provisão, proteção e vitória vêm de HaShem, mesmo que haja desafios e dificuldades a enfrentar.

O deserto revela quem deseja apenas sair do Egito e quem realmente quer caminhar com o Eterno. Ele expõe o coração, prova as atitudes e forma um povo que não vive de sistemas, mas da Palavra do Eterno, dia a dia. Esse entendimento nos chama à seguinte reflexão: como temos respondido às provas do caminho? Com justiça ou com rebeldia?

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Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef


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