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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Estudo da Parashá Vaetchanan - O Amor nos leva além da letra.

 

Estudos da Torá

Parashá nº 45 – Vaetchanan (Supliquei)

Devarim/Deuteronômio 3:23-7:11

Haftará (separação) Is 40:1-26 e

B’rit Hadashah (Aliança Renovada) Mt 4:1-11, 22:33-40, Rm 3:27-31.


O Amor nos leva além da letra.


Entre os muitos tesouros encontrados na Torá, nesta porção há um que muitas vezes é lido, mas raramente é compreendido em sua profundidade: “E farás o que é reto e bom aos olhos de HaShem”. Esta frase, tão simples em aparência, carrega dentro de si um chamado poderoso, ou seja, não apenas cumprir as palavras do Eterno, mas de viver conforme a intenção e o coração dEle. Não basta seguir os mandamentos como quem segue uma lista de tarefas, é preciso se deixar transformar por eles. Temos que fazer mais do que a literalidade. Isso é andar no caminho do amor, pois é o amor que nos leva além da letra.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Nesta porção, Moshê relembra ao povo de Yisrael suas súplicas diante do Eterno, rogando permissão para atravessar o Yarden e entrar na terra prometida. Contudo, HaShem, em sua justiça, não concedeu o pedido, mas ordenou que Moshê preparasse Yehoshua para conduzir o povo.

Moshê então ergue sua voz com firmeza e ternura, exortando Yisrael a obedecer plenamente às instruções do Eterno, sem acrescentar nem retirar delas, pois a vida na terra prometida depende de fidelidade absoluta. Ele recorda ao povo a revelação única no Monte Horev, quando ouviram a voz do Eterno do meio do fogo, uma experiência que deve ser guardada no coração e ensinada diligentemente às gerações futuras.

O povo é advertido sobre os perigos da idolatria, da autossuficiência e da negligência espiritual, sendo avisado de que o afastamento dos mandamentos traria exílio e sofrimento. No entanto, Moshê também anuncia a misericórdia do Eterno, se, mesmo no exílio, buscarem ao Eterno de todo o coração e alma, Ele os ouvirá e os trará de volta.

Após designar as três cidades de refúgio além do Yarden, Moshê proclama novamente as Dez Palavras (Dez Mandamentos), reafirmando sua centralidade na aliança entre HaShem e Yisrael. Ele reforça a necessidade de temer, amar e servir ao Eterno com inteireza de coração.

Moshe ensina então o Shemah: “Ouve, Yisra’el, HaShem é nosso Elohim, HaShem é um”, e o mandamento de amar HaShem com todo o coração, alma e força. Ele ordena que estas palavras sejam guardadas no coração, ensinadas aos filhos, faladas no lar, no caminho, ao deitar e ao levantar, e gravadas nas portas das casas.

A porção conclui com exortações claras, para não se esquecerem que foi o Eterno quem os tirou de Mitsrayim (Egito) com sinais e poder, e que a prosperidade futura pode se tornar armadilha se não for acompanhada de gratidão e temor. Moshê instrui que os filhos devem ser ensinados sobre os feitos do Eterno, para que a memória da redenção e os mandamentos jamais se apaguem de Yisrael.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

O povo de Yisrael foi instruído a guardar fielmente os mandamentos do Eterno, os estatutos, juízos e preceitos que moldam a vida. No entanto, a Parashá Va’etḥanan, ao reafirmar as Dez Palavras e destacar o Shemah Yisrael, apresenta algo além da simples obediência externa: “Farás o que é reto e bom aos olhos de HaShem” (Devarim 6:18). Esta frase exige reflexão. Encontramos o Eterno falando algo parecido a Avram em Bereshit (Gênesis) 17:1:


“E sendo Avram da idade de noventa e nove anos, apareceu HaShem a Avram, e disse-lhe: Anda na minha presença e sê perfeito.”


O que é “reto e bom”? O que é ser perfeito? Se a Torá já contém as instruções detalhadas, por que Moshê adiciona essa expressão aparentemente vaga?

Antes de seguir em frente em nosso estudo, vamos refletir um pouco sobre esses questionamentos. Muitos acreditam que ser perfeito é não ter erros, e que ser reto e bom é nunca falhar e sempre agir com bondade. Mas e o que realmente as Escrituras dizem dentro do contexto original? Começando pelo que o Eterno falou a Avram, precisamos entender que nas Escrituras, “andar na presença do Eterno” significa viver com integridade, consciência constante de que Ele vê todas as ações, e obediência fiel aos Seus mandamentos. E o termo “perfeito” aqui não se refere à ausência de erro humano, mas à inteireza de coração, ou seja, um coração não dividido, que serve a HaShem com sinceridade e sem duplicidade. O contexto é muito importante, pois o Eterno está estabelecendo uma aliança com Avram, e como parte dessa aliança, o patriarca é instruído a viver de uma maneira específica. No verso original em transliteração direta temos: ...hithalekh lefanay vehyei tamim.

Observe o significado de cada parte:

- “Anda na minha presença” – התהלך לפני (hithalekh lefanai)

A raiz da palavra התהלך hithalekh é הלך halakh, que significa literalmente “andar”, e o modo reflexivo usado aqui sugere um andar contínuo e voluntário. O termo לפני lefanai (na minha presença ou diante de mim) indica uma vida vivida abertamente, sem disfarce, perante o Eterno. Isso não é uma metáfora mística, o Eterno estava dizendo a Avram para que viva constantemente consciente de Sua presença e sob Sua autoridade. É um convite para uma relação de intimidade e proximidade com HaShem. Encontramos outros textos que demonstram esse entendimento, comprovando um princípio das Escrituras:


“Minha presença irá contigo, e te darei descanso.” Shemot (Êxodo) 33:14


“Bem-aventurados os íntegros no caminho, que andam na Torá de HaShem.” Tehilim (Salmos) 119:1


- “Se tamim” - וֶהְיֵה תָמִים

A palavra tamim (תָמִים), em toda a Torá, carrega um significado muito claro e objetivo, como algo que está completo, inteiro, sem defeito ou mácula. Nas Escrituras, essa palavra é usada principalmente para sacrifícios sem defeito (Vayicrá 22:21), Caminho reto diante do Eterno (Tehilim 18:13) e Coração indiviso, inteiro (Devarim 18:13). Portanto, dizer que “tamim” apenas significa “sincero” ou “moralmente íntegro” reduz sua real importância. Tamim é completude diante de HaShem, ou seja, sem divisão, dúvidas, não vacilante, sem partes ocultas ou reservas. Tamim não significa perfeição no sentido de ser impecável ou sem erros, como costumam entender. Avram não estava sendo instruído a ser impecável, mas a ser completo em sua kavanáh (intenção) em servir ao Eterno.

Devemos aplicar o mesmo entendimento ao texto da Parashá: 'Farás o que é reto e bom aos olhos de HaShem' (Devarim 6:18). O termo hebraico Yashar significa reto, direto, íntegro, alguém que anda corretamente diante do Eterno. Já Tov significa bom, aquilo que é moralmente correto. Juntos, esses termos apontam para um viver íntegro e coerente com a vontade de HaShem. Não é à toa que aprendemos na Torá que o amor ao Eterno é a fonte de todo o princípio encontrado nas Escrituras, conforme lemos em Dt 6:5 e Mc 12:30, em um midrash feito por Yeshua:


...Amarás o Eterno teu Elohim de todo o teu coração, de toda a tua vida e de todas as tuas forças...


Este princípio nos leva a viver agradando ao nosso criador. Podemos expandir a ideia de andar com HaShem relacionando com outros personagens que foram chamados “tamim” ou “yashar”. Veja por exemplo:

- Noach – “Noach era homem justo (tzadik) e íntegro (tamim) entre os seus contemporâneos” (Bereshit 6:9).

- Iyov (Jó) – “Havia um homem na terra de Uz... íntegro (tam v’yashar), temente a HaShem e que se desviava do mal” (Iyov 1:1).


Com isso, podemos reforçar a universalidade do princípio, pois confirmamos que não é uma exceção ou uma doutrina nova de Yeshua, mas algo que existe desde os primórdios. Assim, torna-se claro que a resposta para as perguntas feitas acima é que o Eterno deseja mais do que ações mecânicas, Ele busca corações moldados pela compaixão, pelo amor e pela justiça verdadeira. Avancemos então um pouco mais o assunto explorando a profundidade do mandamento e vejamos como o amor nos leva além da letra.


1. A Torá como caminho de vida, não apenas de regras

É impressionante como a visão da maioria das pessoas que de alguma forma conhecem algo sobre a Bíblia acreditam que as leis do Eterno são regras que não podem ser obedecidas devido ao seu elevado número. E também acreditam que não devem ser obedecidas, pois era para um tempo e um povo do passado. No entanto isso é um grandioso engano, a Torá não é um código seco, nem é um conjunto de leis que não conseguimos obedecer, tão pouco é um peso. Você acredita que o criador do universo iria dar um conjunto de leis impossíveis de serem cumpridas para o homem? A troco de quê ele faria isso? Faz algum sentido para você?

Cada mandamento, regra e instrução na Torá é uma expressão da vontade viva do Eterno. Em Devarim 4:6, Moshê afirma que ao Yisrael guardar os mandamentos, os povos diriam: “Certamente este povo é sábio e entendido”. A sabedoria não está apenas em fazer meramente o que está escrito, mas em discernir o momento, a intenção e a aplicação. Quer dizer por exemplo, que não basta não trabalhar no shabat, não é apenas seguir regras ou ficar parado sem se mexer nesse dia. É entender que esse é um dia que deve ser dedicado para o Eterno, onde você não vai pensar em nada que indique as coisas comuns do dia a dia que envolvem trabalho. Isso exige o coração, ou seja, uma kavanáh (intenção) verdadeira. O amor é a lente que dá vida às palavras do Eterno, não é sentimentalismo, mas prática com razão. No tópico a seguir veremos que fazer o que é reto e bom não é algo subjetivo, é além.


2. Fazer o que é “reto e bom” não é subjetivo

Quando Moshê disse para o povo fazer o que é “reto e bom” não era para o povo escolher como fazer as coisas do jeito deles, pois o Eterno já definiu em suas palavras, a Torá, o que é “reto e bom”. Fazer o que é “reto e bom” não é subjetivo, ou seja, os conceitos de retidão e bondade não se baseiam em opiniões pessoais ou culturais, mas em um padrão moral objetivo estabelecido previamente, isso é coerente com o caráter de HaShem demonstrado na Torá.

Moshê exorta: “Guarda-te para que não te esqueças” (Devarim 4:9). O esquecimento não é apenas mental, mas também moral. A idolatria, por exemplo, é muitas vezes o resultado de corações endurecidos que ainda obedecem externamente, mas se afastaram internamente. Agir com retidão é refletir o caráter de HaShem que é justo, misericordioso e paciente entre muitas coisas. É não usar a Torá como escudo para o ego ou a indiferença. É refletir em tudo que se vai fazer e em cada decisão relacionada aos mandamentos. Veremos que Yeshua viveu e ensinou dessa maneira.


3. Yeshua e a intensificação da Torá no coração

Yeshua HaNotzri (o nazareno), ao ensinar, não revogou nenhum mandamento, mas revelou seu alcance mais profundo. Em toda a sua vida ele obedeceu a cada mandamento que lhe cabia, sempre de maneira racional e ampliada ou melhorada. Isto quer dizer que ele não agia como muitos religiosas de sua época, que davam mais ênfase em leis humanas do que nas próprias leis divinas. Em Devarim, está dito: “Não matarás” e Yeshua mostra que a raiva ou uma palavra mal falada contra o irmão já fere esse princípio conforme lemos em Matityahu (Mateus) 5. Isso não é criar nova lei, e nem é torná-la legalista por uma cerca, mas é mostrar que a Torá exige pureza de intenção verdadeira. Não é só evitar ou prevenir o ato, mas o veneno que o antecede. O mesmo vale para o adultério e a questão do divórcio, onde ele chama o povo de volta à pureza da aliança original. Em relação ao divórcio, mesmo quando a Torá o permite por causa da dureza de coração das pessoas, conforme Devarim 24:1 e Matityahu 19:8, se há meios possíveis de reconciliação, isso é muito melhor.


4. Amor e justiça caminham juntos na prática dos mandamentos

De acordo com o que já vimos até aqui, podemos compreender firmemente que o amor e a justiça, ou seja, a obediência, caminham juntos na prática dos mandamentos de forma plena. Devarim 6:5 manda amar HaShem com todo o coração, alma e força. E em 6:18 vem a ordem de fazer o que é “reto e bom”. O amor é a base sobre a qual todo o edifício da obediência se sustenta. Um mandamento cumprido sem amor pode se tornar opressivo e legalista. Mas quando o amor está presente, mesmo o mais difícil dos mandamentos se transforma em alegria. O amor nos faz considerar o próximo, buscar a reconciliação antes da oferta conforme Matityahu 5:24, e agir com justiça mesmo quando temos direito ao contrário.

Há pessoas que se apegam aos mandamentos por legalismo ou por religiosidade não por amor a que os deu. Há outros que se apegam tanto ao mandamento que criam cercas para protegê-lo e o torna pesado de se obedecer. Isso é uma coisa desnecessária. Existem cercas ou halachá que são boas, mas são as que não tornam o mandamentos pesados. Esse equilíbrio em saber discernir como cumprir os mandamentos além da letra sem ficar preso a uma cerca ou legalismo é obtido através do amor verdadeiro ao Eterno e a seu caráter.

Concluindo nosso estudo, vemos que o coração que busca agradar ao Eterno obedece além da letra sem extremismos ou religiosidade. A Parashá Vaetcḥanan não é apenas um chamado à lembrança dos mandamentos, mas uma convocação à maturidade espiritual. Fazer o que é “reto e bom” significa andar no caminho do Eterno com discernimento, misericórdia, humildade e verdade. É entender que a Torá não é um fim em si mesma, mas um meio para que vivamos como povo santo, entendendo que não precisamos seguir leis criadas ou acrescentadas para agradar ao Eterno.

Quem ama HaShem não se contenta com o mínimo, vai além da letra. Busca o centro da instrução ou mandamento e age com a razão e com a kavaná verdadeira no coração. Serve com alegria. Perdoa com generosidade. Guarda o shabat com reverência e amor. Cuida dos pais, dos pobres, da justiça, da verdade, tudo de forma plena, como Yeshua ensinou. O amor é o fio que tece todos os mandamentos num só manto de retidão. Por isso foi dito para os servos do Eterno fazerem o que é “reto e bom”, e por isso eu digo que o amor nos leva além da letra. Portanto, quem ama a HaShem: Conhece os seus mandamentos, discerni seu espírito, e cumpre com inteireza de coração. Isso é fazer o que é reto e bom. Isso é viver além da letra. Isso é andar com o Eterno.

Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!

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Moshê Ben Yosef


quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Estudo da Parashá Chayei Sará - 2023-2024 - Amor, um sentimento ou uma prática de justiça?

 


Estudos da Torá

Parashá nº 5 - Chayêi Sará (A vida de Sara)

Bereshit/Gênesis Gn.23:1-25:18

Haftará (separação) 1Rs. 1:1-31 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Mt 8:19-22; 27:3-10, Lc 9:57-62


Tema: Amor, um sentimento ou uma prática de justiça?


Neste estudo falaremos sobre o amor e o que ele é. O amor é meramente um sentimento, uma emoção, uma afeição ou é algo proveniente da razão? Será que o amor é uma prática de obediência aos mandamentos do Eterno, e assim é um ato de justiça? E qual a ligação do amor com a relação que há entre Yitschak e Rivka e Yeshua e a Congregação Nazarena? Vejamos todas as coisas neste estudo, permaneça até o final deste estudo.


A PARASHÁ DA SEMANA

Em resumo, a parashá dessa semana começa com a morte de Sara na idade de 127, e a busca de Avraham por um local apropriado que fosse digno de sua grandeza. O patriarca recusa-se a aceitar a generosa oferta de Efron, um membro da nação hitita que vivia na terra de Kena’am, de dar-lhe Mearat Hamachpela – a caverna de Macpela, na cidade de Hebron, sem custo algum, e Avraham termina por pagar uma enorme soma de dinheiro pelo lote, onde finalmente sepulta sua amada esposa.

Avraham envia seu fiel servo, Eliezer, de volta a seu país de origem e à sua família, a fim de encontrar uma esposa conveniente para Yitschak. Chegando à cidade de Charam, Eliezer alinhava um plano pelo qual conseguiria selecionar uma moça recatada e generosa, apropriada para o filho de seu amo.

Eliezer ora a D'us para que Ele lhe conceda sucesso nesta missão, fazendo o plano funcionar. Decide ficar à beira do poço da cidade, esperando que uma moça lhe ofereça e a seus camelos, água para beber. Esta pessoa, que dar-se-ia ao trabalho de puxar água para um estranho e seus dez camelos, indo além do cumprimento do dever, certamente possuiria um grande caráter.

Rivka passa pelo teste, e após receber presentes enviados por Avraham, ela leva Eliezer à casa de seu pai. Eliezer conta os eventos do dia à família da moça e pede a Rivca que volte com ele para desposar Yitschak. Ela aceita, e eles se casam.

Com o papel de Avraham como pai do povo judeu completado, e o manto da liderança passado à próxima geração, a porção se encerra com uma breve genealogia dos outros filhos de Avraham com sua esposa Keturá, que alguns comentaristas afirmam ser Hagar, enquanto outros são contrários a essa idéia. Apesar de alguns sábios do nosso povo afirmarem que Kuetura era Hagar, isso é improvável, pois Ketura não era Hagar, já que o nome de Ismael não está na lista de seus filhos, veja o o texto de Gênesis‬ ‭25:1‭-‬2‬ ‭"E Abraão tomou outra mulher; o seu nome era Ketura. E gerou-lhe Zinrã, e Jocsã, e Medã, e Midiã, e Isbaque, e Suá." Ismael não está na lista, logo Ketura não era Hagar. Sem falar que a Torá oral afirma que o Eterno proibira Abraão de voltar ao Egito desde o episódio em que o Faraó ficou doente por causa de Sará. E tem também a própria vontade de Sará confirmada pelo Eterno de mandar a egípcia embora, que Abraão respeitou a decisão e a memória de Sará não voltando a ter contato com Hagar. Por esses motivos cremos não serem a mesma pessoa. Avraham morre com a idade de 175. Ele é enterrado ao lado de Sara pelos seus dois filhos mais velhos, Yitschac e Ismael.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Depois de vermos o resumo vamos ao estudo específico dessa parashá. Esse estudo irá te ajudar a entender o verdadeiro significado do “amor” nas Escrituras Sagradas e desconstruir o entendimento enganoso a respeito desse termo.

Primeiramente, vamos ao dicionário Oxford, que nos diz o seguinte:

Amor – substantivo masculino.

1. Forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações sociais.

2. Atração baseada no desejo sexual.

No Wikipédia encontramos a seguinte definição: Amor é uma emoção ou sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa. O uso do vocábulo, contudo, lhe empresta outros tantos significados, quer comuns, quer conforme a ótica de apreciação, tal como nas religiões, na filosofia e nas ciências humanas.

O Dicionário Bíblico Wycliff nos informa que em várias versões da bíblia o substantivo utilizado é, frequentemente, “caridade”. E o principal verbo hebraico para amor é “aheb”, aparecendo cerca de 225 vezes no TaNaK, embora apareça 18 outras palavras de significado semelhante, que aparecem cerca de 30 vezes no total.

Há ainda diversa informações sobre a palavra amor vindo do grego e de termos como “phileo”, “agapao” e “eros”, mas em muitos casos esses termos acabam não traduzindo o sentido bíblico correto, pois estão carregados da filosofia e da teologia cristã que estão distantes do contexto original. Entretanto, quando olhamos para a Torah, para os profetas e para os escritos encontramos o contexto correto e o ensino perfeito do Eterno a respeito desse termo. Vejamos então em relação à Toráh.


O que é amor?

Encontramos no site Chabad, a informação de que, na porção da Torá desta semana, ouvimos que Yitschak casou-se com Rivka e então ele a amou. Isso é dito por causa do texto de Bereshit/Gênesis 24:67:


⁶⁷ Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.


Parece que o amor está fora da sequência a que estamos acostumados. Não seria mais lógico para Yitschak primeiro amar Rivka e depois casar-se com ela?

Talvez possamos aprender pela Toráh, uma lição sobre o amor das ações de Yitschak e Rivka. Na sociedade atual, dizemos a palavra "amor" de forma tão informal e banal. Usamos o termo indiscriminadamente, tornando-o sem sentido. Conte o número de vezes que você diz a palavra "amor" durante um dia, e ficará surpreso. Frases do tipo: "Amei aquele vestido" ou "Amo sorvete de chocolate com calda quente" são ouvidas a todo momento, segundo o mencionado site. Mas na verdade, pode-se amar um objeto inanimado? Mesmo se dizemos amar uma pessoa, outro ser humano, nós o amamos realmente pelas razões certas? Ou idealizamos nossa própria definição de amor ao pensar: amo-a porque é linda", ou "amo-o pelo dinheiro que tem"?

A Toráh pela atitude de Yitschak e de Rivka está nos mostrando o verdadeiro significado do amor. Muitas vezes, as pessoas se apaixonam, casam-se, e o relacionamento começa a azedar a partir daí. Segundo o Chabad, a parashá nos ensina que ao invés de sermos apanhados pelo amor, deveríamos construir o amor. Um relacionamento entre marido e mulher deveria ser dinâmico. Não deveríamos "mergulhar" no amor, e depois vê-lo cair de intensidade. Este versículo nos diz que quando Yitschak se casou, o amor estava apenas começando. Seu amor por Rivka crescia a cada dia, não conhecendo amarras ou limitações. Seu amor era real; não era estático, nem tornou-se murcho, dependendo do que Rivka estava vestindo ou das circunstâncias em que estivessem. Era um amor duradouro, um amor que deveríamos tentar imitar.


Começando a Entender

Vamos agora aprofundar um pouco mais nosso entendimento. No site Emunah a fé dos santos, no comentário dessa parashá, o autor diz que o capítulo 24 de Bereshit narra a história da procura de uma mulher para o filho de Avraham. E Adotando o segundo nível do PaRDeS, a interpretação judaica, o Remez (o nível alegórico), podemos destacar o seguinte:

- Avraham representa o Pai Celestial, como está escrito em Mateus 22:2:

“O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho;”


- O servo enviado por Avraham, El’azar, cujo nome significa “Meu Elohim me consola”, representa o Ruach (Espírito) do Eterno, como está escrito em João 15:26: “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.”


- Yitschak representa o Filho de Elohim, como está escrito em Provérbios 30:4b: “Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?”


E em Mateus 3:17:

“E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”


- Os demais servos que acompanhou a El’azar guarnecendo os camelos com as provisões e presentes representam os anjos, os profetas, como está escrito em Hebreus 1:1:

“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas,”


E Hebreus 1:14:

“Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”


- Rivka representa a noiva do Messias, a Nação de Yisrael, a Congregação Nazarena, como está escrito em Isaías 62:5:

“Assim como um jovem se casa com sua noiva, os seus filhos se casarão com você; assim como o noivo se regozija por sua noiva, assim o seu Deus se regozija por você.”


Cânticos 4:12:

“Você é um jardim fechado, minha irmã, minha noiva; você é uma nascente fechada, uma fonte selada.”


E Apocalipse 19:7:

“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.”


O Eterno enviou o Seu Ruach (Espírito, sopro, mover, poder) à terra para encontrar e selar todos aqueles que com os seus corações, ou seja com kavanah (intenção) verdadeira desejam entregar-se a Ele, como está escrito em 2 Crônicas 16:9a:

“Porque, quanto ao Eterno, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele;”


Assim como o damasceno El’Azar (Eliezer) deu testemunho da existência do filho de Avraham que lhe tinha nascido e todas as riquezas que Avraham entregara ao seu filho (Gn 24:36), da mesma forma o Espírito do Eterno dá testemunho acerca do Filho, e que recebeu tudo o que é do Pai, incluindo a autoridade no céu e na terra, como está escrito em João 17:10a:

“E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas;”


E em Mateus 28:18:

“E, chegando-se Yeshua falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.”


Como Rivka era uma virgem pura, assim também de igual modo deve ser a noiva do Messias, que não se contaminou com outros, como está escrito em 2 Coríntios 11:2: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Elohim; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, ao Messias.”


E em Apocalipse 14:4-5 está escrito:

“Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para D’us e para o Cordeiro. E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de D’us.”


Nos versos 10-14 do capítulo 24 de Bereshit, vemos El’Azar no cumprimento da promessa firmada com seu senhor Avraham, orar ao Eterno entregando em suas mãos a escolha da mulher para Yitschak. Como um bom servo ele desejava atender a solicitação de seu senhor, no entanto, não era uma tarefa muito fácil. E a emunah de Avraham tocou profundo na vida de El’Azar de tal forma, que isso o fez também confiar que o Eterno o guiaria no caminho certo. Agora perceba o apontamento profético nesse ato do servo de Avraham. Assim como El’Azar entregou nas mãos do Eterno o ato de escolher a esposa para o filho de seu senhor, é o Eterno quem escolhe através das ações do Ruach aqueles que farão parte da Congregação Nazarena, tocando-os para decidirem seguir o caminho.

Compaixão, Empatia e Amor na prática.

“E sucedeu que, antes que ele acabasse de falar, eis que Rebeca, que havia nascido a Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, saía com o seu cântaro sobre o seu ombro. E a donzela era mui formosa à vista, virgem, a quem homem não havia conhecido; e desceu à fonte, e encheu o seu cântaro e subiu. Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Peço-te, deixa-me beber um pouco de água do teu cântaro.” Gn 24:15-17


Aqui encontramos o servo de Avraham pedindo água à Rivka para testá-la. E ver se seria ela a que o Eterno havia de tocar. Mas antes de seguir, observe uma semelhança dessa passagem com uma outra em que há a participação de Yeshua.

A frase encontrada no vs. 17 de Bereshit/Gn, que lemos acima, é semelhante à frase que lemos em Yochanan/Jo 4:7 que diz:

“Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Yeshua: Dá-me de beber.”


Ainda, observando novamente, a segunda regra de interpretação do PaRDeS, a regra Remez, que também aponta para a similaridade de expressões, podemos comparar estes dois eventos distintos e distantes no tempo, e chegar a conclusões interessantes. E comprovar o que sempre dizemos que deve ser feito ao se estudar os textos do chamado Novo Testamento, ou seja, as passagens espelho na Torah e nos profetas.

Observe que, da mesma forma que o servo de Avraham procurava uma noiva para o filho, o servo do Eterno, o Messias, procurava pessoas entre os samaritanos que poderiam também ser parte da noiva do Filho de Elohim. Dessa forma, já aprendemos que os que não são judeus (Samaria era a capital do Reino do Norte, cujas tribos estão dispersas – ‘as dez tribos perdidas’), também têm a oportunidade de fazer parte da Noiva do Messias, abandonando seu povo e se tornando povo do Eterno, como está escrito, no Salmo 45:10-11:

“Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pai. Então o rei se afeiçoará da tua formosura, pois ele é teu Senhor; inclina-te diante dele.”


Repare que fato interessante a respeito deste Salmo, ele é lido em Yom Teruáh, a Festa das Trombetas, uma das festas solenes do Eterno. Justamente a festa que é o apontamento profético para a vinda do Messias para Reinar. Este Salmo fala das bodas do rei em alusão à boda do Messias com a sua Noiva. O interessante é que essa noiva é apresentada como proveniente de fora do povo de Yisrael. É uma convertida, não à religião, mas ao Eterno. Isso mostra-nos que a maioria das pessoas que fazem parte da noiva, são de origem gentia, ou seja, israelitas, membros da Casa de Yisrael, que perderam a sua identidade ao longo dos séculos, os chamados não judeus. Entretanto, são verdadeiros judeus, pois já aprendemos também, que judeu é uma condição e não meramente ser parte de uma linhagem de descendência sanguínea.

É importante destacar que isso não exclui o judeu natural, mas sim, mostra-nos que infelizmente, o povo judeu está em minoria. A maior parte da congregação, isto é, da noiva, vem dos gentios convertidos, que como Casa de Yisrael, estão cumprindo a profecia de retorno ao Eterno.

Nas Escrituras podemos encontrar várias personagens quando se fala nas bodas do Messias: O Noivo, a Noiva, as virgens e os demais convidados. Nem todos são parte da noiva. Entre os servos de D’us, há três categorias: os convidados, as virgens e a Noiva. Estes são os três níveis de crentes que aparecem nas Escrituras. Para subir de nível deve-se obedecer à Toráh, como disse o Messias Yeshua em Mateus 5:19:


“Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.”


Neste texto podemos ver três categorias de pessoas:

1- Aqueles que estão dentro do Reino mas não guardam todos os mandamentos da Toráh do Eterno, esse é chamado de muito pequeno/menor.

2- Aqueles que estão dentro do Reino e guardam os mandamentos, porém não os ensina aos outros, esses não são chamados nem pequenos, nem grandes.

3- Os que estão dentro do Reino, guardam os mandamentos e ensinam aos outros, esses serão chamados de grandes no Reino dos céus.

Para se casar, é necessário ser grande, ou seja adulto. Uma criança pequena não pode se casar. Para ser noiva é preciso guardar e ensinar os mandamentos aos outros, isso demonstra maturidade.

A mensagem que é dada à noiva no Salmo 45, que lemos acima, é que deve esquecer o seu povo e a casa de seu pai, assim como o patriarca e pai da emunah, o qual implica uma total dedicação ao noivo. É exatamente essa mesma mensagem que o Eterno deu a Avraham, dizendo: “saia da sua terra e da sua parentela”, para viver uma vida totalmente focada no Eterno, isto é, por amor verdadeiro. Atendendo às instruções daquele que os chama, obedecendo aos mandamentos, não por medo, não por interesse material, mas simplesmente por amor. Basta olhar o que o Eterno fala ao povo no Sinai:


¹ E D’us falou todas estas palavras:

² "Eu sou o Eterno, o teu D’us, que te tirou do Egito, da terra da escravidão.

³ "Não terás outros deuses além de mim.

⁴ "Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra.

⁵ Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Eterno teu D’us, sou D’us zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam,

⁶ mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e guardam os meus mandamentos. Êxodo 20:1-6


Podemos perceber que, o caminho para ser noiva, passa por três fases, expressadas no Salmo 45:10-11, que já lemos, veja:


“Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pai. Então o rei se afeiçoará da tua formosura, pois ele é teu Senhor; inclina-te diante dele.”


1- “Ouve filha…” – É um apontamento para o “Ouve Yisrael”, de Devarim/Dt 6:4. A palavra hebraica que é traduzida como “ouve” é “shemi”, a forma feminina de “shemá”. Esta palavra significa duas coisas; ouve e obedece. Mas não um simples “ouvir”, e sim “capta isto”, “entenda isto” e “internalize isto”.

2- “…olha…” – É uma indicação da observação de como viver uma vida segundo a instrução da Toráh e que veio a ser confirmada e aprofundada pelo testemunho de Yeshua.

3- “…inclina o teu ouvido…” – Tem a ver com a humildade de coração para poder receber a Toráh ensinada por um povo com uma cultura, forma de pensar, e de se comportar, muito diferente. Especialmente, no que diz respeito aos mandamentos, que não tem uma explicação humana lógica, ou seja, é necessário que a noiva se humilhe e aceite os mandamentos mesmo que não entenda o seu propósito. Da mesma forma como vemos Rivka fazer nessa parashá, isto é, por amor. Esses mandamentos são os que definem mais intensamente o carácter, porque exigem mais humildade que os mandamentos que têm uma explicação lógica. E essas três categorias de crentes estão expressas em vários textos em toda a Bíblia.

Muitas pessoas que dizem estar em teshuvah ficará no átrio, ou seja, do lado de fora da cidade santa. Outro grupo grande estará no Lugar Santo, mas um pequeno grupo, que será a Noiva, entrará no lugar santíssimo, como está escrito em Mateus 22:14: “Muitos serão chamados, mas poucos serão escolhidos.”


E no livro de Cantares 1:4b está escrito: “O rei conduziu-me aos seus aposentos”. Entre os remidos existirão vários tipos de galardão, os que tiverem a benção de fazer parte da noiva, receberão o maior galardão, são esses que farão parte da primeira ressurreição.


“E apressou-se, e despejou o seu cântaro no bebedouro, e correu outra vez ao poço para tirar água, e tirou para todos os seus camelos. E o homem estava admirado de vê-la, calando-se, para saber se o Eterno havia prosperado a sua jornada ou não.” Gn 24:20-21


Segundo o site Emunah a fé dos santos, um camelo pode armazenar mais de 54 litros de água em seu organismo. Os recipientes que eram usados na época para transportar água, levavam cerca de 10 litros cada. Isso significa que Rivka, para atender ao pedido do homem, teve que fazer várias viagens de ida e volta para saciar os camelos. Por essa razão o servo de Avraham, El’azar ficou “admirado”, pelo seu excelente trabalho e dedicação.

Essa atitude de amor incondicional a um estrangeiro capacitou-a para ser a esposa de Yitschak. Avrahm e Sará destacavam-se pela sua generosidade e amor por ajudar pessoas, e esta jovem seria um bom complemento para que o casamento entre ela e Yitschak pudesse seguir o mesmo rumo. Com isso devemos aprender que nossa disposição em ajudar, apoiar, dar suporte, ensinar, etc é por amor. Sempre falamos aqui, mas é bom relembrar, o amor é a base da Toráh. São as colunas que sustentam os demais mandamentos.

Dos versos 27 ao 52, toda a história é repetida. E como sempre repetimos nada na Toráh é por acaso. A importância é dobrada pois há claramente um apontamento profético a ser considerado. Primeiro o momento histórico referente ao messias e seu povo, e depois o que ocorrerá no futuro, quando vier a encontrar com a Congregação Nazarena que deu água (Toráh) ao seu próximo.


Casar antes de amar ou amar e depois casar?

“E Isaque trouxe-a para a tenda de sua mãe Sara, e tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe.” Gn 24:67


No início deste estudo mencionamos este verso, e agora retornamos a ele. Primeiro vejamos a respeito do que o texto fala sobre a tenda de Sará. A tenda de Sará é uma representação da nova Jerusalém que é nossa mãe, como está dito por Rav Sha’ul (Paulo) e escrito em Gálatas 4:26:

“Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós.”


E em Apocalipse 21:2 diz-nos:

“E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Elohim descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.”


Observe que assim como Rivka, nessa mesma tenda será introduzida a noiva do Messias, como está escrito nos Cantares 1:4:

“O rei conduziu-me aos seus aposentos”.


Ao contrário do ocidente, que primeiro se ama uma mulher para depois se casar, no povo de Yisrael, primeiro se assume o compromisso com a mulher, casam-se e depois vem o amor. Isso é claramente um apontamento para algumas coisa importantes. Vejam que no Sinai o povo disse a Moshê ao receber a Toráh escrita:


Em seguida, leu o Livro da Aliança e o leu para o povo; e eles responderam: “Tudo o que o Eterno ordenou, nós o faremos e obedeceremos!” Ex 24:7


Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele". João 14:21


"Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada. Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. Estas palavras que vocês estão ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou. João 14:23,24


Primeiro se pratica para depois obedecer, assim como na passagem de Yitschak e Rivka, primeiro veio a união para depois o amor. No âmbito profético, em relação ao nosso relacionamento com o Eterno e o noivo que ele estabeleceu, também é assim, pois primeiro ouvimos o chamado e como Rivka seguimos sem saber como é o caminho, mas somos conduzidos pelas instruções do Eterno através do noivo, e entramos na câmara nupcial, ou seja, passamos a viver para o Eterno vivendo conforme a Toráh de mashiach. E só então vem o amor, ou seja, o entendimento pleno da Toráh, que é a prática da justiça.


O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se beijarão. Salmos 85:10


Eu me casarei com você para sempre; eu me casarei com você com justiça e retidão, com amor e compaixão. Oséias 2:19


Se vocês sabem que ele é justo, saibam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele. 1 João 2:29


Filhinhos, não deixem que ninguém os engane. Aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. 1 João 3:7


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Pr/Rav Marcelo Peregrino Silva (Marcelo Santos da Silva - Moshê Ben Yosef)