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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Os concílios ecumênicos - Nicéia 1

 


Os concílios ecumênicos - Nicéia 1


Vamos ver um pouco de História para compreendermos como o cristianismo chegou onde está.

Primeiro é preciso entender que Yeshua não fundou religião alguma, nem mesmo os apóstolos. Eles eram servos do Eterno de Israel assim como foram Moisés, Elias e tantos outros Israelitas. Eles viviam e praticavam judaísmo. Yeshua é judeu, assim como eram os seus apóstolos. Eles continuaram sua vida toda praticando o judaísmo, para entender isso basta ler o livro de Atos e as epístolas de Paulo, da forma correta é claro.

Os apóstolos e os seguidores do Messias Yeshua continuaram celebrando a páscoa conforme a bíblia descreve, continuaram indo ao templo conforme os escritos da aliança renovada nos mostram, continuaram celebrando as demais festas bíblicas e acima de tudo obedecendo aos mandamentos do Eterno, quanto à circuncisão, comidas impuras, forma de viver e outras. Os gentios que se achegavam por crerem em Yeshua, começavam a viver tudo isso aos poucos, conforme vemos em Atos 15:19-21.

Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue. Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados.

Os apóstolos decidiram instruir aos ex-gentios que estavam sendo perturbados por uma classe muito legalista de seguidores do messias, que eles não eram obrigados a se circuncidarem para começar a seguir o messias, mas que eles iriam aprender tudo com o tempo, pois a Torá era ensinada todos os sábados, ele deveriam apenas iniciar com a obediência de alguns mandamentos, até alcançarem o entendimento pleno. E assim, eles viveram durante o primeiro século.

Temos testemunhos disso na história eclesiástica de Eusébio de Cesaréia. No entanto, quando os apóstolos foram morrendo e os seguidores imediatos também, as doutrinas estranhas começam a entrar no seio da comunidade messiânica.

A perseguição por parte do império romano se intensificou muito, não apenas aos seguidores do messias, mas aos judeus em si. Devido ao longo histórico de revoltas que culminaram na destruição de Jerusalém no ano 70 DC, e a consequente diáspora total do judeus, que onde chegavam eram muito mal vistos. Internamente houve também divisão entre o povo, entre os que criam em Yeshua e os que não criam, e Roma perseguia-os a ambos, porém muito mais aos seguidores do rabino da galiléia que foi morto em Jerusalém e seus adeptos morriam afirmando que ele tinha sido ressuscitado pelo Eterno.

Pois bem, o tempo passou, até que um imperador romano, supostamente se converte, mas não ao Deus de Israel através de seu messias enviado, mas ao que naquela época já estava se transformando o messias. Agora, as perseguições cessam e há uma certa liberdade de culto, e segundo Alister E. McGrath agora havia liberdade para se iniciarem debates teológicos, que até então não se tinham. Ou seja, os dogmas que depois dos apóstolos estavam se infiltrando aos poucos, agora estavam fluindo com mais liberdade. E com isso heresias enormes adentravam o seio da comunidade, que agora era formada muito mais por gentios que tinham se afastado totalmente dos seguidores de Yeshua originais, chamados de netsarym ou nazarenos.

Então, depois de muitas discussões e debates por dogmas, que até aquela época nenhum judeu havia debatido, pois entendiam os textos da Torá e dos profetas, agora estavam adentrando e iriam virar dogmas legais e exigidos, pois Constantino em 325 convoca o Primeiro Concílio Ecumênico, na cidade de Nicéia. Nele nenhum judeu participou.

Esse concílio foi realizado em 325, foi o primeiro dos concílios a ter lugar em Niceia (atual Iznik), na Ásia Menor. Contou com a participação de bispos católicos romanos, católicos ortodoxos e da Igreja Assíria do Oriente.

Nesse concílio decidiu-se algumas coisas que estão em voga até o dia de hoje dentro da religião, por considerarem relevantes no cristianismo, pois dizem respeito à definição de crenças essenciais e ao calendário das festas religiosas. Também condenou o Arianismo como heresia exilando Ário, proclamou a igualdade de natureza entre o Pai e o Filho e redigiram o credo que é copiado e recitado em muitos lugares até hoje.

- A data dos principais feriados, especialmente a Páscoa, foi fixada nesta ocasião. Foi quando a religião deixou de vez de celebrar o que as Escrituras definem como páscoa, adotando a forma cristã não bíblica.

- O Credo passou a ser a profissão de fé cristã, resumindo suas principais crenças: entre elas que Jesus é Deus, contrariando assim, a todo o contexto das Escrituras Sagradas, que apontam para um único D'us. Esse credo é resumido abaixo:

1 - a crença num Deus em três pessoas da mesma natureza: Deus Pai, Jesus Cristo, seu Filho; e o Espírito Santo;

2 - a crença na encarnação humana de Jesus, sua morte e ressurreição;

3 - a crença num julgamento final no fim do mundo;

4 - a crença na santidade da Igreja e no batismo para o perdão dos pecados.

Concluindo aqui esse mínimo resumo de história, na próxima postagem continuaremos, esteja atento.

Volte-se para a verdade, seja um ser pensante. Restauração já!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

ENTENDA O QUE ACONTECEU DEPOIS DA MORTE DOS APÓSTOLOS.

ENTENDA O QUE ACONTECEU DEPOIS DA MORTE DOS APÓSTOLOS.

Às vezes as pessoas chegam e me perguntam: "Se a fé messiânica é judaica, então o que aconteceu com o judaísmo na igreja ? Onde ele foi parar ? Onde está o judaísmo que Yeshua e os seus emissários ensinaram ?" Eu vou tentar aqui explicar um pouco do que aconteceu com esse judaísmo. Abaixo estão alguns fatos que contribuíram para que o judaísmo de Yeshua e dos apóstolos fosse extirpados da igreja.

O que aconteceu depois da morte dos emissários ? Vejamos:

"Até aquele período (98 DC), a Assembléia havia permanecido como uma virgem pura e incorrompida: pois, se havia quaisquer pessoas dispostas a alterar a regra completa da proclamação da salvação, elas ainda vagavam em um lugar obscuro oculto ou outro. Mas, quando o bando sagrado de Emissários havia de várias formas findado suas vidas, e a geração dos homens havia sido confiado ouvir à Sabedoria inspirada com seus próprios ouvidos passou, então a confederação do erro da iniquidade tomou ascenção através da infidelidade dos falsos mestres que, vendo que nenhum dos emissários ainda sobrevivia, levantaram suas cabeças para se opor à proclamação da verdade, proclamando algo falsamente chamado de conhecimento." (Hegésipo, o Nazareno; c. 98 DC; citado por Eusébio em Hist. Ecl. 3:32)

Originalmente, os ‘bispos’ eram líderes das congregações, que respondiam diretamente ao concílio nazareno. Com os nazarenos sendo perseguidos, surgiu a oportunidade para que alguns bispos buscassem a independência, alimentando sua sede de poder. Dentre esses bispos, estava Inácio, bispo de Antioquia. Nascia uma Igreja controlada pelo poder dos bispos. Sobre o poder dos bispos, Inácio escreve:

"sujeitando-se ao seu bispo... andem juntos conforme a vontade do Eterno. Jesus... é enviado pela vontade do Pai; Assim como os bispos... são [enviados] pela vontade de Jesus Cristo." (Carta de Inácio aos Ef. 1:9,11)

"...seu bispo... penso que felizes são vocês que se unem a ele, assim como a igreja o é a Jesus Cristo e Jesus Cristo o é ao Pai... Vamos portanto cuidar para que não nos coloquemos contra o bispo, para que nos sujeitemos ao Eterno. Devemos olhar para o bispo tal como olharíamos para o próprio S-nhor." (Carta de Inácio aos Ef. 2:1-4)

"...obedeça ao seu bispo..." (Carta de Inácio aos Mag. 1:7)"Seu bispo está presidindo no lugar do Eterno... unam-se ao seu bispo..." (Carta de Inácio aos Mag. 2:5,7)

"...aquele...que faz qualquer coisa sem o bispo... não é puro em sua consciência..." (Carta de Inácio aos Tral. 2:5)

"...Não faça nada sem o bispo." (Carta de Inácio aos Fil. 2:14)

"Cuidem para que vocês sigam o seu bispo, Assim como Jesus Cristo ao Pai..." (Carta de Inácio aos Esm. 3:1)

Até então, os nazarenos sempre se sentiram parte de Israel (Jer. 31:31). Para consolidar a separação do concílio de Jerusalém, bem como para se dissociar da perseguição a Israel e estabelecer o seu poder, Inácio e outros bispos passaram a propor a separação entre “Igreja” e “Israel.”E para combater tudo o que era israelita, era preciso ir contra o cerne da identidade de Israel: A Torá.Inácio começa a pregar contra a observância da Torá:

"Não sejam enganados por doutrinas estranhas; nem por fábulas antigas sem valor. Pois se continuarmos a viver conforme a Lei Judaica, estamos confessando que não recebemos a graça..." (Carta de Inácio aos Mag. 3:1)

"Mas se alguém pregar a Lei Judaica a vocês, não lhe dêem ouvidos..." (Carta de Inácio aos Fil. 2:6)

Com Inácio e outros bispos, começa a surgir o Cristianismo como religião distinta daseita judaica original dos nazarenos.Com a remoção de tudo o que era judaico das ‘igrejas’ dos bispos supracitados, surge a necessidade de incorporar um novo sistema de prática religiosa na vida das igrejas. Esse sistema veio a partir da adaptação de rituais pagãos.

Uma das primeiras a adotar tais práticas foi a Igreja de Alexandria, que adotou elementos da adoração egípcia à Isis, a rainha do céu e a seu filho. Acerca dela, o historiador Samuel Dill escreve:

"O ritual diário de Isis, que aparentemente era tão regular e complicado quanto o da Igreja Católica, produziu um imenso efeito na mente romana. Todos os dias, havia dois serviços solenes, nos quais sacerdotes com tonsuras e vestes brancas, com acólitos e assistentes dos mais variados níveis oficiavam. A litania da manhã e o sacrifício era um serviço impressionante. A multidão de adoradores lotava o lugar perante a capela logo ao amanhecer. O sacerdote, subindo por uma escada oculta, levantava o véu do santuário e adorava à imagem santa. Então ele circulava os altares, recitando a litania [ie. palavras místicas de línguas estranhas], aspergindo água benta de uma fonte secreta" (Roman Socitey from Nero to Marcus Aurelius, páginas 577-578)

Nascimento do império religioso:

O primeiro passo: Alexandre Severo constrói (entre 220 e 230DC) um “santuário paraJesus”, junto aos santuários dos deuses pagãos romanos.Começa a proliferar uma espécie de sincretismo com o politeísmo romano, onde o Pai é associado a Dyeus, chefe do panteão romano (equivalente a Zeus no panteão grego), e Jesus e o Espírito Santo são tidos como deuses cristãos. Jesus é associado à figura do deus-sol.Gaivs Flavivs Valerivs Avrelivs Constantinvs (Constantino I – 280DC a 337DC): a conversão do primeiro papa. Constantino, adorador confesso do deus-sol, tem uma visão antes de uma batalha. Alega ter visto a cruz e o “sol invictus”Na realidade, Constantino I enxerga o Cristianismo como uma grande oportunidadepolítica de unificar um império fadado á divisão.Constantino promove a fusão da adoração romana pagã com o Cristianismo, fazendoum sincretismo entre o que sobrou da fé original de Yeshua, e a adoração ao deus-sol. Surge o Catolicismo Romano.

"Ele [Constantino I] continuou a usar linguagem monoteísta vaga que qualquer pagão aceitaria. Durante os primeiros anos de sua supremacia, ele realizou pacientemente todo o cerimonial que dele era requerido por ser o Pontifex Maximvs do tradicional culto [pagão]. Ele restaurou templos pagãos [posteriormente transformados em igrejas]… Ele usou tanto ritos cristãos quanto pagãos na dedicação de Constantinopla. Ele usava fórmulas mágicas para proteger a colheita e curar doenças." (Will Durant, historiador, na obra "Caesar and Christ", página 656)

A adoração ao deus-sol não era novidade no Império Romano. Veja a cronologia abaixo:

- Entre 138 e 161, o imperador Antoninvs Pivs ergueu um templo a Mitra em Ostai, uma cidade próxima a Roma. Mitra recebeu o título oficial de Sol Dominus Imperil Romani (“O Sol, Senhor do Império Romano”) e o seu dia, domingo no calendário romano, foi declarado “Dominus Dei”, o “Dia do Senhor”. Obs: Qual é o Dia do Senhor da Bíblia? A própria Bíblia responde: - Ex. 20:10; Lev. 23:3; Dt. 5:14; Is. 58:13

- Entre 270 e 275, o imperador Aurelivs, cuja mãe era uma sacerdotiza do deus-sol,tornou o mitraísmo a religião oficial do império.

- Em 321 DC, Constantino proclamou o seu famoso édito acerca do “Dominus Dei” (“Dia do Senhor”): “Que todos os juízes e cidadãos e ocupações de todos os negócios descansem no venerável dia do Sol…”Cinco outras leis acerca do Dominus Dei foram proclamadas nos anos seguintes parareforçar a questão.

"Ele [Constantino I] enviou às legiões, para ser recitado naquele dia [Dominus Dei] uma forma de oração que poderia ser emprega por um adorador de Mitra, ou de Serapis, ou de Apolo, bem como por qualquer crente cristão. Esta foi a sanção oficial do velho costume de fazer uma prece ao sol nascente." (Victor Duruy, historiador, na obra “History of Rome”, vol. 7, pg. 489)

Para os cristãos, Constantino I transferiu a adoração no Shabat definitivamente para o domingo. Sobre esta transferência, Eusébio, bispo de Cesaréia e consultor pessoal de Constantino I, escreveu:

"Todas as coisas que se faziam no Shabat, estas nós [líderes de Roma] transferimos para o Dia do Senhor" (Comentário sobre os Salmos, em Migne, patrologia graeca, vol. 23, col. 1171.)

O primeiro concílio cristão ocorreu em Nicéia, 325DC, a mando do imperador Constantino I. Nele, já não houve a participação nazarena.Nele, foram estabelecidas os seguintes principais pontos doutrinários:- A Santíssima Trindade- A Fórmula Batismal Católica- A Mudança da Páscoa Bíblica para a Páscoa Católica

A Fórmula Batismal CatólicaEm todas as instâncias de batismo no NT, encontramos sempre o mesmo feito “em nome de Jesus”, exceto em Mt. 28:19, que foi usado pelo Concílio de Nicéia paradeterminar a fórmula católicaAntes do Concílio de Nicéia, Eusébio (265DC a 339DC) cita Mt. 28:19 sete vezes. Em nenhuma delas, aparece a fórmula trinitária. Sobre Mt. 28:19, a Bíblia de Jerusalém (edição católica) admite abertamente:

"É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula reflita influência do uso litúrgico posteriormente fixado na comunidade primitiva.Sabe-se que o livro dos Atos fala em batizar 'em nome de Jesus' (cf.At 1,5+;2,38+). Mais tarde deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade..." (Bíblia de Jerusalém - Nova edição, revista e ampliada, pg. 1758 - comentário sobre Mt. 28:19)

Creio que esse texto dá uma boa noção do que aconteceu depois da morte dos líderes judeus da igreja. Agora vejamos um testemunho sobre os crentes que permaneceram na origem judaica:

"Mas estes sectários... não se chamavam de cristãos - mas de 'nazarenos'... contudo, são simplesmente judeus completos. Eles não só usam o Novo Testamento como também o Antigo Testamento, como o fazem os judeus... Eles não possuem diferentes idéias, mas confessam tudo exatamente como a Torá descreve e na forma judaica - exceto, porém, por sua crença no Messias. Pois eles reconhecem tanto a ressurreição dos mortos quanto a criação divina de todas as coisas, e declaram que Elohim é Um, e que o Seu Filho é Yeshua o Messias. Eles são bem treinados no hebraico. Pois dentre eles a Torá inteira, os Nevi'im (Profetas) e... os Ketuvim (Escritos)... são lidos em hebraico, como certamente o são entre os judeus. Eles são diferentes dos judeus, e diferentes dos cristãos, apenas no seguinte: Eles discordam dos judeus porque chegaram à fé no Messias; mas como eles ainda estão na Torá -- circuncisão, o Shabat, e o restante -- eles não estão de acordo com os cristãos... eles não são nada mais do que judeus... Eles possuem as Boas Novas de acordo com Matitiyahu completamente em hebraico. Pois está claro que eles ainda preservam-nas no alfabeto hebraico, tal qual foram escritas originalmente." (Epifânio; Panarion 29)
Shalom Aleichem ( que a plenitude da paz esteja sobre todos)

Por Yochanan Ben Yaakov
Extraído do Grupo DISCIPULADO DA RESTAURAÇÃO do Facebook.