Páginas

Boas Vindas

Seja Bem Vindo e Aproveite ao Máximo!
Curta, Divulgue, Compartilhe e se desejar comente.
Que o Eterno o abençoe!!

Mostrando postagens com marcador mateus 5. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mateus 5. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de agosto de 2022

Estudo de Mateus 5 - Parte Final

 


Estudo de Mateus 5 – Parte Final


Mt 5:33-48


O propósito desse estudo é continuar trazendo entendimento a respeito do que o messias Yeshua ensinou e mostrar que todos os seus ensinos tinham como base as Escrituras Sagradas, ou seja, em sua época o TaNaK (Torá, Neviím-profetas e os Ketuvim-escritos). Por isso mostraremos aqui os princípios claros e escriturísticos das palavras do mestre da Galil (Galiléia), Yeshua Natseret, HaMashiach.


Se você ainda não viu os estudos anteriores recomendo buscar e acessá-los para maior absorção do conteúdo, principalmente em relação ao capítulo 5, que estamos estudando, as partes 1, 2, 3 e 4 trouxeram muitos entendimentos importantes.


Recapitulando

Vimos nos estudos anteriores o Sermão do Monte, as “bem-aventuranças”, e que elas são apenas o começo do ensino de Yeshua naquela ocasião, o ensino abrange do capítulo 5 ao 7. Vimos também como os servos do Eterno devem viver, e como é ser desse reino e quais as obrigações e responsabilidades com as pessoas deste mundo. Estudamos também que Yeshua mencionou mandamentos das 10 palavras e clareou o entendimento a respeito deles. Vimos também a respeito do adultério, do divórcio e do assassinato.


Ainda estamos na terceira seção, e temos observado que Yeshua deu aos talmidim uma profunda perspectiva sobre a Torá de HaShem. Esta seção é muito mal compreendida no sistema religioso, pois conforme já falei antes, muitos acham que Yeshua está trazendo ensinamentos contrários à Torá, devido às supostas “antíteses (oposições)” ao apresentar casos que aparentemente são contraditórios, mas estamos vendo que ele estava na verdade ensinando a mais pura Torá do Eterno.


Leitura do Texto

Façamos a leitura do Evangelho de Mateus 5:33-48 e depois, como sempre fazemos comentaremos os versos específicos com seus entendimentos corretos.


Os Juramentos

“E, ainda, vocês ouviram que foi dito aos nossos pais: ‘Não descumpra um juramento’, e ‘Cumpra todos os seus votos feitos a Adonai’. Mas eu lhes digo que não jurem de jeito nenhum – nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o apoio dos pés dele; nem por Yerushalayim, por ser a cidade do grande rei. E não jurem pela cabeça de vocês, porque não podem tornar branco ou preto um único fio de cabelo. Mas que o ‘sim’ de vocês signifique apenas ‘sim’, e o ‘não’ seja ‘não’; qualquer coisa além disso tem origem no maligno.” Mt 5:33-37


Temos visto uma série de aparentes contradições e antíteses, como as duas primeiras que vimos antes, que falaram de assassinato e adultério, onde sua base estava nas Dez palavras. Perceba que a antítese do divórcio e as que lhe sucedem são retiradas de seções da Torá, incluindo esta sobre jurar falsamente e fazer votos ao Eterno.


E aqui, mais uma suposta contradição entre o que a Torá diz e o que Yeshua ensina. Para os ensinos do sistema religioso Yeshua proíbe os juramentos e a Torá os permite, no entanto não é bem assim, e podemos conferir de acordo com os seguintes textos:


"Não furtem. Não mintam. Não enganem uns aos outros. Não jurem falsamente pelo meu nome, profanando assim o nome do seu D’us. Eu sou o Eterno.” Lv 19:11 e 12


“Quando um homem fizer um voto ao Eterno ou um juramento que o obrigar a algum compromisso, não poderá quebrar a sua palavra, mas terá que cumprir tudo o que disse.” Nm 30:2


“Temam o Eterno, o seu D’us, e sirvam-no. Apeguem-se a ele e façam os seus juramentos somente em nome dele.” Dt 10:20.


“Se um de vocês fizer um voto ao Eterno, ao seu D’us, não demore a cumpri-lo, pois o Eterno, o seu D’us, certamente lhe pedirá contas, e você será culpado de pecado se não o cumprir.” Dt 23:21


Será que aqui Yeshua está realmente sendo contra ao que a Torá prescreve como instrução? Será que esse é um ensino realmente contraditório? Bom, vejamos algumas informações importantes que muito nos ajudarão no entendimento do contexto geral desse ensino de Yeshua.


A parte da Torá que Yeshua está mencionando em seu ensino é localizada em uma seção de Lv 19:11-13, que condena práticas enganosas, assim como os demais versos citados. E podemos notar que a preocupação de Yeshua é com a “kavanáh” ou seja, as intenções. Pois está implícito que qualquer pessoa que faz uma promessa sem a intenção de cumprir tomou a decisão consciente de pecar. E mesmo que a primeira ordem contra o falso juramento tenha a ver com as promessas feitas a outra pessoa, a segunda ordem envolve promessas feitas a D’us.


Ao lermos o texto de Dt 23:21, percebemos que tem plena ligação com as palavra de Yeshua em Mt 5:33-37, e mais ainda, tem também ligação com a situação de Ananias e Safira em Atos 5:1-11, onde agiram justamente com a intenção de enganar.


O fato é que a Torá não impede os juramentos, mas proíbe os falsos juramentos, conforme pode ser visto em Lv 19:12. Partindo deste entendimento o judaísmo desenvolveu um conceito de que não seria necessário firmar um voto, uma vez que o indivíduo deve ter uma idoneidade ilibada a ponto de que suas palavras já valessem como juramento.


De acordo com Filo de Alexandria, um filósofo judeu contemporâneo de Yeshua (25 A.EC a 50 D.E.C), “a palavra de um homem bom… deveria ser um juramento, firme, inabalável, completamente livre de falsidade, firmemente plantado na verdade.” (Decálogo, 84).


De acordo com o documento chamado Regra de Damasco, os Essênios diziam: “Não jurará pelo Álef e o Lamed, nem pelo Álef e o Dálet” (Col. XIV, 1). Álef, Lamed e Dálet são letras do alfabeto hebraico. Álef e Lamed são as letras que formam a palavra “EL”, uma das designações do Eterno, e o Álef e Dálet são as iniciais de “Adonai”, que significa “meu Senhor”. Assim, o que podemos ver é que os essênios, da mesma forma que Yeshua, não recomendavam que fossem proferidos juramentos usando o nome do Eterno. E isso pode ser confirmado por Flávio Josefo, o historiador judeu, que também viveu no primeiro século, e escreveu sobre a abstenção de juramentos por parte dos essênios dizendo: “...e cumprem tão inviolavelmente o que prometem que se pode prestar fé às suas simples palavras, como a juramentos. Eles os consideram mesmo como perjúrios, porque não podem crer que um homem não seja um mentiroso quando tem necessidade, para que nele se creia, de tomar a Deus por testemunha.” (História dos Hebreus, CPAD, 8ª edição, página 1130).


Com o que mostramos até aqui, podemos notar que os essênios pensavam que a palavra de um homem deveria ter naturalmente, a força de um juramento, por isso não seria necessário invocar o nome do Eterno. Assim como semelhantemente, o Talmud, em uma de suas passagens em que os rabinos discutem se um contrato verbal teria força obrigatória entre as partes, quer dizer, a palavra deveria ser cumprida, veja:


“O rabino Yosef filho de Yehudá disse: ...é para ensinar-lhe que o seu ‘sim’ deve ser apenas sim e que seu ‘não’ deveria ser apenas não. Abaye disse: Isso significa que não se deve falar uma coisa com a boca e outra com o coração.” (Talmud Bavli, m. Bava Metsia, 49a).


Com isso podemos perceber que o ensino de Yeshua a respeito dos juramentos é compatível principalmente com a Torá, mas também com a interpretação dos principais mestres de sua época.


Yeshua queria ensinar com essas palavras, que é proibido, dentro do contexto dos mencionados versos da Torá, a pessoa falar algo que não vá cumprir, ou falar uma palavra à toa, pois segundo esse entendimento o Eterno é testemunha de tudo o que se diz, conforme vimos no estudo da Parashá Matot, recentemente. Exatamente por isso, o mestre diz no verso 37: “Seja, porém, o vosso sim, sim e o vosso não, não, pois o que passa disso é de procedência maligna (Yestser Hará – Carnalidade).”


Olho por olho

“Vocês ouviram o que foi dito aos nossos pais: ‘Olho por olho e dente por dente’, mas eu lhes digo: não se oponham a quem age errado contra vocês. Ao contrário, se alguém bater na sua face direita do seu rosto, permita-lhe bater também na esquerda! Se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a camisa, deixe-lhe também o casaco! E se um soldado forçar você a carregar a sua carga por um quilômetro e meio, carregue-a por mais três quilômetros! Quando alguém lhe pedir alguma coisa, dê o que foi pedido; quando alguém quiser pedir algo emprestado a você, empreste.” Mt 5:38-42


Será que o justo mestre da Galiléia, Yeshua Natzeret, estava aqui de forma amorosa anulando uma lei tão rígida, que permitia as pessoas se vingarem daqueles que lhes faziam mal?


Aprendemos no sistema religioso, com os que são adeptos da graça sem a lei, como também um dia fomos, que “Yeshua anulou a lei, pondo fim à crueldade dela, que preconizava olho por olho e dente por dente”. Mas vejamos o que realmente Yeshua estava dizendo e de onde ele tirou seu ensino.


De fato, a Torá do Eterno, conhecida também como Lei de Moisés ou ainda Lei Mosaica, contém uma cláusula ou instrução conhecida nos meios teológicos como Lei de Talião, o famoso “olho por olho, e dente por dente”, conforme podemos verificar em um de seus textos, veja Shemot/Êxodo 21:23-25:


“Mas, se houver danos graves, a pena será vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão.”


Note que, aqueles que pensam ser isto uma instrução para a vingança ou paga na mesma moeda, está cometendo um erro, pois não compreendem o contexto cultural e textual, do que significa o “olho por olho e dente por dente”. De forma equivocada, pensam que na época de Moshê o Eterno teria autorizado que alguém arrancasse o olho de outra pessoa, de forma selvagem e vingativa.


O “olho por olho e dente por dente” não pode ser interpretado na sua literalidade, pois dentro do contexto onde ele se encontra textualmente e culturalmente, trata-se de uma expressão idiomática para dizer que, se alguém causar um dano qualquer a outro, deverá compensá-lo por meio de uma indenização que seja proporcional ao prejuízo causado. Ou seja, se em uma discussão acalorada que leve a uma briga, um indivíduo arranca o dente do outro, este terá o direito de receber a compensação financeira devida e correspondente ao dano que lhe foi causado.


E há entendimentos rabínicos acerca desse assunto que vem da Torá oral, observe:


“Segundo o Talmud, na verdade, o Legislador não quis dizer ‘olho por olho’, e aqui vamos dar dois exemplos para demonstrar que sua aplicação nem sempre é possível. Supondo que Simão tenha só um olho e que, numa briga com Rubem, este o tire, ficando Simão completamente cego, não se faria justiça tirando um olho de Rubem; o castigo seria insuficiente, pois cegou completamente um homem e ele (o que cegou) não ficou cego. Vejamos o caso contrário: Simão, que tem um olho só, tira um olho de Rubem. Se, para castigar Simão, Rubem lhe tira o seu único olho, ele ficará cego, e desta forma o castigo não terá a mesma proporção do delito, porque simão não cegou completamente Rubem. Portanto, essa lei chamada de ‘Lei de Talião’ não tem o sentido que se lhe atribui, senão que é uma questão de danos e prejuízos, na qual aquele que danifica sofre ou paga segundo o critério dos juízes.” (Torá – A Lei de Moisés, Editora Sêfer, 2001, página 222).


Há ainda menções sobre essa compensação monetária em caso de dano causado por um indivíduo, por Flávio Josefo, e também na Mishná.


Com isso, podemos reler o texto dos versos 38-40, e ver as palavras do mashiach entendendo que ele ensinou na verdade, que seus discípulos quando fossem injustiçados deveriam, no lugar de exigir a compensação financeira do dano sofrido, “oferecer a outra face”, ou seja, demonstrar bondade a seus agressores e nunca buscar a vingança.


Portanto, Yeshua não estava abolindo o sistema judicial de reparação de danos do “olho por olho”, mas estava instruindo aos seus talmidim que não buscassem se vingar daqueles que lhes ofendesse, da mesma forma que também diz a Torá:


“Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Eterno.” Vayicrá/Levítico 19:18


Segundo o rabino John Fischer, o ponto que Yeshua enfatiza é a resposta adequada para o insulto de ‘levar um tapa da face’. Uma pessoa não deve buscar a reparação ou retaliação, mas suportar o insulto com humildade. Assim, os rabinos concordam e aconselham que se alguém recebeu um golpe na face deve perdoar o ofensor, mesmo que ele não peça perdão. E o Talmud elogia a pessoa que aceita ofensa sem retaliação e se submete ao sofrimento e ao insulto alegremente, no Yoma 23a.


Finalmente, dar a outra face não é um ensino novo de Yeshua, uma vez que essa instrução já constava no TaNak, conforme lemos em Eikhah/Lamentações 3:30:


“Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta.”


Mais uma vez, vimos que Yeshua não anulou a Torá, pelo contrário, clareou seu entendimento com lições fundamentadas também no restante do TaNaK e nos midrashim dos sábios.


Ame o próximo

“Vocês ouviram o que foi dito aos nossos pais: ‘Ame seu próximo – e odeie seu inimigo’. Mas eu lhes digo: amem seus inimigos; orem por quem os persegue! Então vocês se tornarão filhos do Pai celestial. Porque ele faz seu sol brilhar, da mesma forma, sobre pessoas boas e más e envia chuva, igualmente, para justos e injustos. Que recompensa obterão se amarem só quem ama vocês? Por que a teriam, se até os coletores de impostos agem assim? E se vocês forem amáveis só com seus amigos, o que há de extraordinário? Até os goyim fazem isso! Portanto, sejam perfeitos, como o Pai celestial de vocês é perfeito.” Mt 5:43-48


E aqui neste ensino, será que Yeshua estava mesmo trazendo um ensino contrário ao da Torá?

Quando os teólogos do sistema religioso leem este trecho do ensino de Yeshua, afirmam que a Torá ensinava tanto o amor ao próximo como também o ódio aos inimigos, e que por isso, Yeshua veio para mudar esta situação, ensinando que seus discípulos (talmidim) amassem a todas as pessoas, incluindo os inimigos. E aqui está o erro destes “doutores da lei” modernos. A Torá de HaShem mandou amar a todos os homens, e nunca mandou odiar aos inimigos. Essa parte do ódio não é vindo da Torá, mas da tradição, da halachá, das cercas levantadas pelos religiosos da época que deturparam as palavras do Eterno descumprindo o que Moshê falou em Dt 4:2, que diz:


“A fim de obedecer às mitsvot de Adonai, o seu Deus, que estou dando a vocês, não acrescentem nada ao que digo, e nada subtraiam delas.”


Vejamos o que a Torá realmente instrui sobre o amor e o ódio nos versos abaixo:


“Não odeiem seu irmão no seu coração, e repreendam seu vizinho com franqueza, para não incorrerem em pecado por causa dele. Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o Eterno. (…) O estrangeiro residente que viver com vocês deverá ser tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito. Eu sou o Eterno, o Elohim de vocês.” Vayicrá/Levitico 19:17,18 e 34


Podemos notar com isso, que a Torá ensina a amar o próximo como a si mesmo e proíbe o ódio. Assim, compreendemos claramente que Yeshua queria mostrar o erro que os religiosos cometeram ao deturpar algo que a Torá dava instrução contrária.


Então as palavras de Yeshua poderiam ser lidas assim: “Vocês ouviram o que foi dito aos nossos pais: ‘Ame seu próximo (conforme consta na Torá em Lv 19:17,18 e 34), e odeie seu inimigo’(isto não está na Torá, porque foi ensinado erroneamente como se fosse um mandamento, mas é uma tradição de homens, e não do Eterno). Mas eu lhes digo: amem seus inimigos; orem por quem os persegue!(porque estes mandamentos estão no TaNak, em Lv 19:34 e Pv 20:22) Então vocês se tornarão filhos do Pai celestial. Porque ele faz seu sol brilhar, da mesma forma, sobre pessoas boas e más e envia chuva, igualmente, para justos e injustos. Que recompensa obterão se amarem só quem ama vocês? Por que a teriam, se até os coletores de impostos agem assim? E se vocês forem amáveis só com seus amigos, o que há de extraordinário? Até os goyim fazem isso! Portanto, sejam perfeitos, como o Pai celestial de vocês é perfeito.”


Observe agora, que este ensino de Yeshua sobre o amor ao próximo, tirado da Torá conforme mostramos acima, se assemelha com o ensino do grupo farisaico de Hilel, que viveu entre 60 A.E.C a 9 D.E.C, pois ele ensinava o amor a todos os seres humanos, incluindo os inimigos, de acordo com o que podemos ver na passagem da Mishná abaixo:


“Hilel dizia: procurai ser como os discípulos de Aharon, amai a paz, procurai a paz, amai as pessoas e aproximai-as da Torá.” Avot 1:12


Outra coisa, de acordo com Filo de Alexandria, já mencionado aqui, o judaísmo praticado pelos essênios também davam ênfase ao amor, conforme podemos perceber no trecho abaixo:


“Nisso usam uma regra e uma definição tríplice, isto é: amor a Deus, amor à virtude e amor à humanidade” (Philonis Opera, Ed. Mangey, London, 1742).


Segundo o rabino Mario Javier Saban (El judaísmo de Jesus), Yeshua jamais confrontou com sua própria opinião a “palavra de D’us”. Esta conclusão é uma argumentação típica do cristianismo, que querem nos fazer acreditar e tentam comprovar que Yeshua estava criando uma nova lei. Posso demonstrar, diz o mencionado rabino, que Yeshua disse o que disse, baseando-se no texto da Torá. Se você estiver atento poderá comprovar ao ler os versos de Mateus 5:48 e de Lucas 6:36 que cito abaixo.


O mencionado autor continua em seu livro, no texto de Mateus 5:48, Yeshua diz: “Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.” E no texto de Lucas 6:36, Yeshua diz: “Sede misericordiosos, como vosso Pai celestial é misericordioso.” Tanto o texto de Mt 5:48 como o de Lc 6:36 são equivalências rabínicas do texto da Torá contido no livro de Levítico 19:2, que diz: “Sereis santos, porque eu sou santo, eu Adonai, vosso D’us”.


Finalmente, mais uma vez, vimos que os ensinos de Yeshua sobre o amor ao próximo como a si mesmo possui respaldo na Torá, e se desenvolveu doutrinariamente, mesmo antes do período à vinda do Mashiach, destacando-se nas lições da casa de Hilel e dos essênios. Por isso, após termos analisado cada um desses ensinos de Yeshua, podemos chegar ao entendimento de que as palavras do mestre não violaram ou aboliram a Lei de Moisés, a Torá do Eterno, mas as explicaram de maneira clara e limpa para mostrar qual era a vontade de HaShem.


Os versos finais, 45-48, são a explicação de Yeshua sobre a consequência de se viver no caminho da verdade e o que o Eterno deu justamente para todos indistintamente, mas os que obedecem tornam-se filhos do Pai Celestial, que é perfeito.


Estude as Escrituras corretamente, afaste-se dos dogmas e entenderá corretamente os princípios bíblicos.


Que o Eterno lhes abençoe! Até o próximo.


Pr. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yossef)

domingo, 7 de agosto de 2022

Estudo de Mateus 5 - Parte 4

 


Estudo de Mateus 5 – Parte 4


Mt 5:27-32


O propósito desse estudo é continuar a trazer mais entendimento a respeito do que o messias Yeshua ensinou e mostrar que todos os seus ensinos tinham como base as Escrituras Sagradas, ou seja, em sua época o TaNaK (Torá, Neviím-profetas e os Ketuvim-escritos). Mostrar que nada era meramente inventado para um suposto Novo Testamento que anularia os mandamentos do Eterno trazendo novos. Esses pensamentos advém de ensinos errados criados para dar base a dogmas inventados que nada tem com as Escrituras. Por isso mostraremos aqui os princípios claros e escriturísticos das palavras do mestre da Galil (Galiléia), Yeshua Natseret, HaMashiach.


Se você ainda não viu os estudos anteriores recomendo buscar e acessá-los para maior absorção do conteúdo, principalmente em relação ao capítulo 5, que estamos estudando, as partes 1, 2 e 3 trouxeram muitos entendimentos importantes.


Recapitulando

Vimos nos estudos anteriores que ao lermos ou ouvirmos sobre o Sermão do Monte lembramos das “bem-aventuranças”, e que é apenas o começo do ensino de Yeshua naquela ocasião, o ensino abrange do capítulo 5 ao 7. Vimos também como os servos do Eterno, que desejam fazer parte do Reino devem viver, e como é ser desse reino e quais as suas obrigações e responsabilidades com as pessoas deste mundo. Estudamos também que Yeshua mencionou o mandamento de “não assassinar” e ampliou o entendimento a respeito desse mandamento tornando-o mais claro. Agora veremos mais uma parte do ensino de Yeshua, em mais alguns versos desse sermão de Yeshua, junto com o que ele pretendia ensinar aos talmidim e aos ouvintes, e também a nós que o seguimos.


Façamos a leitura do Evangelho de Mateus 5:27-32 e depois, como sempre fazemos comentaremos os versos específicos com seus entendimentos corretos.


Ainda estamos na terceira seção, e estamos observando que Yeshua deu aos talmidim uma profunda perspectiva sobre a Torá de HaShem. Esta seção é muito mal compreendida no sistema religioso, pois muitos acham que Yeshua aqui está trazendo ensinamento contrário à Torá devido às supostas “antíteses (oposições)” mencionadas pelo messias ao apresentar casos que aparentemente são contraditórios, mas veremos que ele estava na verdade ensinando a mais pura Torá do Eterno.


Nos versos que estudamos na semana passada, vimos Yeshua falando: “Vocês ouviram que foi dito a nossos pais: Não assassine...Mas eu lhes digo…” Para as pessoas dentro do sistema religioso o que Yeshua está fazendo aqui é contradizer a Torá, eles pensam que o mestre está dando um mandamento melhor, uma vez que para eles os mandamentos são antiquados e muito legalistas. No entanto, essa forma que Yeshua usa fazendo contrapontos comparativos é uma técnica rabínica de ensino que era muito utilizada pelos rabinos e pelos fariseus em sua época. O propósito dessa forma de ensino, ao contrário do que se pensa, é mostrar com clareza o mandamento, mostrar de forma prática e limpa. A comparação serve para ampliar o entendimento e não anular o que foi falado.


Vejamos os versos 27 e 28:


“Vocês ouviram o que foi dito aos nossos pais: Não adultere. Mas eu lhes digo: o homem que até mesmo olhar para uma mulher desejando-a ardentemente já cometeu adultério com ela no coração.”


O exemplo que Yeshua apresentou nesse ensino envolve os mandamentos referentes ao adultério e à cobiça. E aparentemente Yeshua contrapõe o mandamento do adultério com a cobiça, como se essa não estivesse na Torá. De modo geral, muitos que estão no sistema religioso cristão entendem que Yeshua criou um novo mandamento, uma vez que a Lei proibia o adultério e o Mashiach trouxe uma novidade ao proibir a simples cobiça com os olhos. Porém, esse raciocínio está completamente errado. A Torá do Eterno condena o adultério e do mesmo modo a mera cobiça. O primeiro cita o sétimo mandamento, “Não adulterarás”, registrado em Shemot/Êxodo 20:14. O segundo trata da cobiça, “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o ser servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”, registrado em Shemot/Êxodo 20:17.


O que ocorria então, para que Yeshua falasse dessa forma?

Na Torá, o adultério ocorria quando uma pessoa casada se envolvia sexualmente com outra pessoa além do cônjuge. E muitos se prendiam somente ao ato físico em si. Vejamos outro texto:


“Se um homem cometer adultério com a mulher de outro homem, com a mulher do seu próximo, tanto o adúltero quanto a adultera terão que ser executados.” Vayicrá/Levitico 20:10


A lei era muito clara quanto ao fato de que ambas as partes, culpadas de adultério, deveriam ser condenadas á morte. Tal como fez com o sexto mandamento, Yeshua apresentou as implicações mais profundas deste mandamento em particular.


Yeshua estava corrigindo a falsa instrução haláchica de que somente o adultério é pecado, e que a cobiça com os olhos não consistia em transgressão aos mandamentos de HaShem. Esse ensino correto de Yeshua demonstra que ambas as condutas (o dultério e a cobiça) são desaprovadas pela Torá do Eterno.


O adultério começa frequentemente muito tempo antes de os atos serem cometidos. Do mesmo modo que o assassinato começa com a intenção de infligir dano permanente a um indivíduo, conforme vimos na semana passada, também o adultério tem início no momento em que um indivíduo lascivamente deseja outra pessoa, casada ou não com quem não está casado.


De acordo com os essênios, cujas ideias possuem profunda relação os ensinos de Yeshua, desejar ou cobiçar com os olhos já é um sinal de transgressão.


Os ensinos rabínicos, que derivam dos fariseus, da mesma forma equipara a cobiça ao adultério, podemos confirmar isso pelo Talmud Bavli:


“Aquele que olha com cobiça para o pequeno dedo de uma mulher casada é como se já tivesse cometido adultério com ela.” Kalá, capítulo 1


O Midrash diz o seguinte:


“Não é somente o que peca com seu corpo que é chamado de adúltero, mas aquele que peca com seu olho também é assim chamado” Midrash Rabá de Vayicrá/Levítico XXIII, 12.


Assim, o ensino que Yeshua estava passando sobre o adultério através da cobiça ou do olhar malicioso é harmônico com a Torá e também com os ensinos dos rabinos anteriores a ele.


“Se seu olho direito fizer você pecar, arranque-o e jogue-o fora! É melhor você perder uma parte do corpo que ser lançado inteiro no Gei-Hinnom. E se sua mão direita fizer você pecar, corte-a e jogue-a fora! É melhor você perder uma parte do corpo que ser lançado inteiro no Gei-Hinnom.” Mt 5:29-30


Yeshua poderia ter sido mais claro na sua descrição sobre os perigos do pecado?

O mestre aqui estava falando o que se deveria fazer com os desejos carnais. Não era uma orientação para arrancar seus membros. Ele faz uma metáfora entre os membros do corpo com os desejos carnais, ou seja a Yetser Hará. Note que o Rav Shaul (apóstolo Paulo) faz algo idêntico, veja Romanos 7:24:


“Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?”


Repare que Yeshua está trazendo um conceito bem claro de como agir. Assim, ele aponta uma maneira real e instantânea para aqueles pecados que foram mencionados. A solução é arrancar de si cada ponto da Yetser Hará que os faz pecar, como uma cirurgia. Utilizando metáforas muito fortes, Yeshua aconselha quem tem algum problema com desejos carnais que faça o que for necessário, se quiser entrar no Reino. Na prática, isto pode significar literalmente fugir da aparência do mal, seja tomando um caminho diferente para o trabalho, por fim a uma amizade muito querida, não se permitir estar em uma situação complicada, e outras coisas, isso ajudará a garantir a entrada na eternidade.


Como vimos antes, Moisés ou seja a Torá permitiu o divórcio, ainda que soubesse que o mesmo não fazia parte do plano original do Eterno. Depois de se dirigir aqueles homens casados com olhos vadios e de admoestá-los no sentido de controlarem os seus impulsos, Yeshua encoraja uma fidelidade matrimonial para a vida inteira.


“Foi dito: Quem se divorciar da mulher deve dar a ela um get. Mas eu lhes digo: Quem se divorciar da mulher, exceto por causa de fornicação, transforma-a em adúltera; e quem se casar com a divorciada comete adultério.” Mt 5:31 e 32


Aqui nesse verso é importante destacar uma coisa, a palavra traduzida para divórcio na verdade significa repúdio, separação ou mandar embora. Houve um certo erro de tradução aqui, por causa do entendimento errado do contexto e por causa da sustentação da inviolabilidade do casamento. Não defendo o divórcio de forma alguma, mas preciso ser fiel ao contexto do ensino da Torá e de Yeshua.


Então, observando pelo contexto correto vejamos como este verso 31 seria: “Foi dito: quem repudiar sua mulher deve dar a ela um get (carta de divórcio). Mas eu lhes digo: quem repudiar sua mulher, exceto por causa de fornicação, transforma-a em adúltera, e quem se casar com a mulher repudiada comete adultério.”


Aparentemente há uma contradição entre a Torá e o ensino de Yeshua. Os que defendem que Yeshua revogou a Torá dizem que a Lei permitia o divórcio, mas o mestre proibiu, com exceção do caso de adultério. E há outro texto nesse evangelho que fala sobre o mesmo assunto, em Mt 19:3-9, que é interpretado do mesmo jeito. Porém não é bem assim, o contexto da Torá, a qual Yeshua estava mostrando. Assim, vejamos qual o ensino do mestre.


Os fariseus e os homens na época de Yeshua sustentavam a ideia de que o divórcio é permitido pela Torá, o que é verdade, de acordo com o texto de Dt 24:1:


“Se um homem casar-se com uma mulher e depois não a quiser mais por encontrar nela algo que ele reprova, dará certidão de divórcio à mulher e a mandará embora.”

O grande problema que estava havendo na época de Yeshua era que, os homens estavam repudiando suas esposas por qualquer motivo. Repúdio é mandar embora, mas para fazer isso era necessário dar o get (carta de divórcio), para que a mulher não ficasse comprometida com aquele homem. O get era o documento que anulava a ketubá, ou seja o contrato de casamento. E os homens estavam mandando as mulheres de volta a casa de seus pais sem lhes dar o get. Isso levava-as a se tornarem adúlteras, caso se relacionassem com outro homem. Ao dar o get o homem a libertava e precisava pagar certa quantia para o pai da mulher, mas eles preferiam não pagar, por isso apenas mandavam embora.


Uma vez que este era o pensamento da época, defender o repúdio pela Torá, Yeshua usa também a Torá para demonstrar que o Eterno não aprova o repúdio, exceto por causa de fornicação. Mas o fato de isso não ser aprovável pelo Eterno, não significa que ele proíbe o divórcio, uma vez que está na Torá. Retornaremos a este assunto quando vermos o capítulo 19 de Mateus.


Estude as Escrituras corretamente, afaste-se dos dogmas e entenderá corretamente os princípios bíblicos.


Que o Eterno lhes abençoe! Até o próximo.


Pr. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yossef)

domingo, 31 de julho de 2022

Mateus 5 - Parte 3

 


Estudo de Mateus 5 – Parte 3


Mt 5:17-26


O propósito desse estudo é continuar a trazer mais entendimento a respeito do que o messias Yeshua ensinou e mostrar que todos os seus ensinos tinham como base as Escrituras Sagradas, ou seja, em sua época o TaNaK (Torá, Neviím-profetas e os Ketuvim-escritos). Mostrar que nada era meramente inventado para um suposto Novo Testamento que anularia os mandamentos do Eterno trazendo novos. Esses pensamentos advém de ensinos errados criados para dar base a dogmas inventados que nada tem com as Escrituras. Por isso mostraremos aqui os princípios claros e escriturísticos das palavras do mestre da Galil (Galiléia), Yeshua Natseret, HaMashiach.


Se você ainda não viu os estudos anteriores recomendo buscar e acessá-los para maior absorção do conteúdo, principalmente em relação ao capítulo 5, que estamos estudando, as partes 1 e 2 trouxeram muitos entendimentos importantes.


Recapitulando

Vimos nos estudos anteriores que ao lermos ou ouvirmos sobre o Sermão do Monte lembramos das chamadas “bem-aventuranças”, mas ensinamos que esta parte é apenas o começo do ensino de Yeshua naquela ocasião, e que ele abrange do capítulo 5 ao 7, e que tradicionalmente, se divide em seções de ensinos. As “ bem-aventuranças” são apenas a primeira das 5 seções mencionadas anteriormente, a segunda seção vemos Yeshua comparar os talmidim com o sal e com a luz. E vimos como os servos do Eterno, que desejam fazer parte do Reino devem viver, bem como também as consequências de ser desse reino e as suas obrigações e responsabilidades para com as pessoas deste mundo. Agora vejamos a próxima seção, a terceira, que vai de Mt 5:17-48, em mais alguns versos desse sermão ou ensino de Yeshua, junto com o que ele pretendia ensinar aos talmidim e aos ouvintes, e também a nós que o seguimos.


Façamos a leitura do Evangelho de Mateus 5:17-26 e depois, como sempre fazemos comentaremos os versos específicos com seus entendimentos corretos.


Nesta terceira seção, Yeshua deu aos talmidim uma profunda perspectiva sobre a Torá de HaShem. Esta seção é também muito mal compreendida no sistema religioso, pois muitos acham que Yeshua aqui está trazendo ensinamento contrário à Torá devido às supostas “antíteses (oposições)” mencionadas pelo messias ao apresentar casos que aparentemente são contraditórios, mas veremos que ele estava na verdade ensinando a mais pura Torá do Eterno.


Nem um Yud ou um traço da Torá


“Não pensem que vim abolir a Torah ou os Profetas. Não vim abolir, mas completar. Sim, é verdade! Digo a vocês: até que os céus e a terra passem, nem mesmo um yud ou um traço da Torah passará – não até que todas as coisas que precisam acontecer tenham ocorrido. Portanto, quem desobedecer à menor dessas mitzvot e ensinar outras pessoas a agirem da mesma forma será chamado ‘menor’ no Reino do Céu. Mas quem obedecer a elas e ensinar dessa forma será chamado ‘maior’ no Reino do Céu. Pois eu lhes digo: a menos que sua justiça seja muito maior que a dos Mestre da Torá (escribas) e dos p’rushim (fariseus), vocês não entrarão no Reino do Céu!” Mattityahu/Mateus 5:17 e 20, Bíblia Judaica Completa – BJC.


Qual é o ensinamento que Yeshua queria passar com essa declaração? O que Yeshua estava sugerindo sobre as atitudes dos fariseus em relação à Torá?


O mestre estava ensinando sobre a verdadeira obediência à Torá. Veja, Yeshua inicia dando a certeza de que ele não veio “abolir a Torá e os profetas” (Mt 5:17). Para muitos estudiosos das Escrituras Sagradas a menção “Torá e Profetas” é uma referência direta a todo o TaNaK, ou seja, as Escrituras da época, conhecida hoje como Antigo Testamento (ver Mat. 7:12; 11:13; 22:40; Lucas 16:16; Atos 13:15; 24:14; Rom. 3:21).


Essa é uma das maiores declarações do messias, mostrando que a Torá permanece em vigor. Yeshua deixa claro que não veio abolir, mas para cumpri-la ou para torná-la plena. Acontece que muitos não compreendem o que Yeshua está falando, por não conhecerem a cultura da época. Ao falar desse jeito ele estava utilizando expressões idiomáticas de sua época e região. No primeiro século, quando um indivíduo ensinava a Torá de forma incorreta, era dito que este indivíduo estava “abolindo” a Torá. E de fato, se alguém distorce a Palavra de HaShem aponto de mudar seu sentido, ele a está invalidando. Não quer dizer que ela tenha realmente perdido seu valor e sentido, mas que para o indivíduo sim. E isso acontece também atualmente, vários líderes religiosos ensinam erroneamente muitas coisas que são contrárias às Escrituras. Como por exemplo, ensinar que a Bíblia autoriza a prática homossexual, e este ensino antibíblico termina invalidando, na prática, o preceito da Torá que proíbe tais práticas encontradas em Vayikrá/Levítico 18:22 e 20:13. Assim, nessa passagem de Mateus que estamos estudando, a palavra “abolir” significa ensinamento contrário à Torá, tornando-a inválida, por outro lado, “cumprir” carrega o sentido de instruir corretamente de acordo com a Torá, e confirmaremos isso no restante do discurso de Yeshua.


Cabe ressaltar que essa dicotomia “cumprir” e “abolir” é explicada pelo rabino James Trimm, conforme podemos notar a seguir:

“Para começar, deve-se saber que essa referência a ‘cumprir a Torá versus ‘destruir’ a Torá é realmente uma utilização comum de uma expressão hebraica usada ainda hoje por rabinos nas yeshivot (escolas rabínicas). ‘Cumprir’ a Torá é uma expressão que significa ensinar o significado da Torá e observá-lo corretamente, este é o verdadeiro significado para se cumprir. Enquanto ‘destruir’ a Torá é uma expressão que significa ensinar de forma incorreta o significado da Torá e/ou violar a Torá. Isto é destruir o verdadeiro significado da Torá. Ainda hoje nas yeshivot e nos Batei Midrash, os rabinos entram em debates acalorados um com outro, batendo um punho na mesa e declarando: ‘você destruiu a Torá’, ou elogiando outro rabino dizendo: ‘você cumpriu a Torá’. Vale ressaltar que nos próximos versículos Yeshua pesa sobre as controvérsias sobre a interpretação de vários mandamentos da Torá e nos dá o seu significado verdadeiro e correto, então, o uso de Yeshua do termo ‘cumprir a lei’ versus ‘destruir a lei’ é totalmente de acordo com o normal uso idiomático da língua hebraica para esses termos.” (What do you Mean...Yeshua “Fulfilled the Law”? - O que você quer dizer... Yeshua “cumpriu a Lei”? (Mt 5:17).


Podemos então inferir que, as palavras de Yeshua poderiam ser interpretadas da seguinte forma: “Não vim ensinar incorretamente a Torá, mas para ensinar a Torá de forma correta.” Por isso, apesar de que seus opositores afirmavam e ainda afirmam que Yeshua ensinava contra a Torá, o livro que revela a vontade de seu Pai, vemos que isso não é verdade. E que era justamente o oposto, ele ensinava a cumprir. E isso estava de acordo com uma das profecias messiânicas em Isaías:


"Eis o meu servo, a quem sustento, o meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e ele trará justiça às nações. Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça;” Is 42:1-3


Veja como Isaías deixa claro o caráter e fidelidade do messias. A referência ao caniço rachado e ao pavio fumegante é uma alusão à Torá e aos profetas, respectivamente. Caniço é apontamento para régua de medir que é a Torá, e pavio fumegante é um apontamento para os profetas.

A palavra usada para “cumprir” (plerosai) utilizada na maioria das versões, significa literalmente, “preencher” ou “completar”, como a versão Judaica Completa traduz. Tem em si o sentido de “encher até borda”. Há duas maneiras de compreender este uso do verbo cumprir. Uma é colocar a ênfase em Yeshua como sendo o cumprimento das Escrituras conforme vimos na profecia mencionada antes. No entanto, a chave para se entender este texto encontra-se no seu contexto imediato, que mostra que Yeshua não veio para destruir as Escrituras Hebraicas, mas para revelar a sua essência interior, conforme já falamos.


Depois de ter esclarecido a sua intenção principal, Yeshua passou a ênfase da Torá e do TaNaK em geral para as Asserat HaDevarim, conhecido como os Dez Mandamentos, em particular, veja que a partir do verso 21 o texto mostra o mestre sendo bem específico. Pois sabia que um dia, as pessoas iriam acusá-lo de abolir ao Decálogo. Ele advertiu que, enquanto existissem Céu e Terra, a Lei continuaria a existir até que “tudo seja cumprido”, conforme Mt. 5:18. Com esta afirmação, Yeshua confirmou a perpetuidade da Lei em todos os seus aspectos, veja o contexto que segue, e o cumprimento profético/messiânico na Pessoa do Mashiach, dizendo: “até que todas as coisas que precisam acontecer tenham ocorrido”, no verso 18.


Realmente, a Lei é tão importante que todos os que violam os seus preceitos serão chamados “os menores no reino”, conforme lemos no verso 19. Esta é apenas uma maneira profética de dizer que esses chamados menores não estarão ou não serão vistos no Reino. Assim como, aqueles que vivem pela Lei estarão ou serão vistos no Reino. Yeshua estava salientando que não estava promovendo a justiça oca e cheia de dogmas ou halachot dos escribas e Fariseus, mas, em vez disso, ensinava uma justiça que brota de um coração que ama a D’us, e que procura fazer a Sua vontade, o primeiro dos mandamentos.


Assassinato


“Vocês ouviram o que foi aos nossos pais: ‘Não assassine’, e quem cometer assassinato estará sujeito a julgamento. Mas eu lhes digo: quem demonstrar ira contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Quem chamar seu irmão de ‘imprestável’ será trazido perante o Sanhedrin; e quem disser ‘tolo’ incorre na penalidade de queimar no fogo do Gei-Hinnom! Portanto, se você apresentar uma oferta no altar do templo e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta junto do altar e faça as pazes com seu irmão. Então, volte e apresente sua oferta. Se alguém processar você, chegue rapidamente a um acordo com ele, enquanto ambos estão a caminho do tribunal; caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz, ao oficial do tribunal, e você será lançado na cadeia! Sim, é verdade! Digo-lhe que você certamente não sairá até pagar o último centavo.” Mt 5:21-26


Depois de mostrar aos talmidim que suas intenções eram defender a Torá, Yeshua começou a explicar como a justiça de alguém excede a dos escribas e Fariseus. Iniciou citando o sexto mandamento conforme lemos nos seguintes textos


“Não assassinarás”. Sh’mot/Êxodo. 20:13, assim como também em D’varim/Deuterômio 5:17.


Yeshua resumiu, com base em outros textos da Torá, ligou com um midrash (ensino), sobre o castigo dessa transgressão como lemos nos textos a seguir:


"Quem ferir um homem, vindo a matá-lo, terá que ser executado.” Sh’mot/Êxodo 21:12, assim como também em Vaicrá/Lev. 24:17.


O sexto mandamento não abrange todos os casos em que uma pessoa mata outra. Há casos de assassinato acidental, e nesse caso era possível uma pessoa fugir para uma cidade de refugio até obter asilo temporário, conforme lemos no texto a seguir:


“Todavia, se não o fez intencionalmente, mas D’us o permitiu, designei um lugar para onde poderá fugir.” Sh’mot/Êxodo 21:13, assim como também em B’midbar/Números 35:12.


Entretanto, se alguém intencionalmente tirasse a vida de outra pessoa seria alvo de um rápido castigo, conforme vimos anteriormente. Em seu ensinamento Yeshua não se focou no ato em si, mas no motivo e nas intenções daquele que comete o ato. Uma pessoa poderia tirar uma vida acidentalmente, mas aquele que de propósito tira a vida de alguém, primeiro passou por um período de preparação, deliberando como fazer. O pecado aconteceu antes mesmo de executar o seu terrível intento.


Ao ler Mattityahu/Mateus 5:22. podemos nos perguntar a que compara Yeshua o assassinato?

Qual a verdadeira questão Yeshua procura salientar, e o que nos diz isso acerca do verdadeiro alcance da Torá de D’us?


Embora seja frequentemente referido na Bíblia sobre o poder das palavras, Yeshua nesta passagem, leva-o a um nível mais profundo. Acontece muitas vezes que o único objetivo de palavras depreciativas ou de insultos é despertar sentimentos negativos na vítima. O ponto que Yeshua se refere é tão claro quanto a água. Não só apenas aqueles que praticam o crime que são culpados de assassinato, mas também aqueles que dirigem palavras ríspidas aos outros ou que até nutrem pensamentos assassinos. Yeshua aconselha as pessoas que dão guarida a esses pensamentos que se reconciliem com as suas vítimas antes de comparecerem diante do altar, de acordo com Mat. 5:23-26. E esse texto também aponta para o fato de alguém ter algo contra você, mesmo assim vcoê precisa tentar se reconciliar. Medite sobre as implicações das palavras de Yeshua nos textos estudados hoje. Como se tem comportado neste aspecto? O que um padrão tão elevado nos diz a respeito da necessidade de se estar permanentemente coberto pela justiça do Mashiach?


Estude as Escrituras corretamente, afaste-se dos dogmas e entenderá corretamente os princípios bíblicos.


Que o Eterno lhes abençoe! Até o próximo.


Pr. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yossef)