Páginas

Boas Vindas

Seja Bem Vindo e Aproveite ao Máximo!
Curta, Divulgue, Compartilhe e se desejar comente.
Que o Eterno o abençoe!!

Mostrando postagens com marcador parashá shemot. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador parashá shemot. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Estudo da Parashá Shemot - De Yaakov a Yisrael, quem estamos nos tornando?

 


Estudos da Torá

Parashá nº 13 – Shemot (Nomes)

Shemot/Êxodo 1:1-6:1

Haftará (separação) Is 27:6-28:13 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mt 22:23-33, 41-46


De Yaakov a Yisrael, quem estamos nos tornando?


A Parashá Shemot não começa com sofrimento, decretos ou escravidão. Ela começa com nomes. O texto no primeiro verso declara: “E estes são os nomes dos filhos de Yisrael que desceram ao Egito com Yaakov” (Shemot 1:1). Essa escolha de palavras aqui não é casual. O Eterno poderia dizer apenas “os filhos de Yaakov”, ou apenas “os filhos de Yisrael”. Mas Ele une os dois nomes do patriarca em uma mesma frase, revelando um princípio profundo sobre identidade, processo e escolha. Aqui não estamos diante apenas de uma história antiga, mas de um espelho que reflete o caminho de todo aquele que deseja servir ao Eterno de forma íntegra. Fique nesse estudo até o final e não perca nada!


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Na Parashá Shemot, somos conduzidos ao início de um tempo de grande dor, mas também de preparação para a redenção. O texto começa lembrando os nomes dos filhos de Yisrael que desceram ao Egito com Yaakov. Aquela família pequena se torna um povo numeroso, forte e visível. Esse crescimento desperta o temor de um novo Faraó, que não reconhece Yosef nem tudo o que havia sido feito por meio dele. O medo leva à opressão, e a opressão se transforma em escravidão dura, planejada para quebrar o corpo e apagar a identidade dos filhos de Yisrael.

Mesmo assim, quanto mais eram oprimidos, mais se multiplicavam. O Eterno mostra que nenhum decreto humano pode impedir aquilo que Ele determinou. Faraó então avança em sua crueldade e ordena a morte dos meninos hebreus, mas mulheres simples e tementes ao Eterno, como as parteiras, escolhem obedecer ao que é correto diante d’Ele, e não às palavras de um rei humano. Nesse cenário de morte e medo, nasce Moshe. Sua mãe o esconde, depois o coloca no rio, e o Eterno conduz cada detalhe para que o menino seja preservado, criado dentro do palácio do próprio opressor, sem perder sua ligação com seu povo.

Moshe cresce dividido entre dois mundos. Ele vê a aflição dos seus irmãos e não consegue permanecer indiferente. Ao tentar agir por conta própria, acaba fugindo para Midyan, onde passa anos no anonimato, cuidando de rebanhos. É ali, longe do poder e da pressa, que o Eterno o chama. A sarça que arde e não se consome revela que o sofrimento de Yisrael não passou despercebido. O Eterno declara que viu, ouviu e desceu para libertar o Seu povo, lembrando-se da aliança feita com Avraham, Yitzchak e Yaakov.

A Parashá Shemot nos mostra que a redenção não começa com sinais grandiosos, mas com o clamor do povo e com a decisão do Eterno de agir no tempo certo. Moshe não se vê capaz, questiona, teme, mas aprende que não é pela força humana que Yisrael será liberto, e sim pela fidelidade do Eterno às Suas promessas. A porção termina com Moshe e Aharon retornando ao Egito, levando a palavra do Eterno a um povo cansado e a um Faraó endurecido, dando início a um confronto que não é apenas político, mas profundamente ligado à obediência e ao reconhecimento de quem governa sobre tudo.

Shemot nos ensina que a escravidão tenta apagar nomes, histórias e identidade, mas o Eterno chama cada um pelo nome e jamais abandona a aliança que fez.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

“E estes são os nomes dos filhos de Yisrael que desceram ao Egito com Yaakov”. Shemot 1:1

Quando a parashá Shemot inicia com o verso que lemos acima, o texto não está apenas localizando pessoas no tempo e no espaço. Ele está nos convidando a refletir sobre quem é Yaakov, quem é Yisrael, e por que o Eterno faz questão de usar ambos os nomes juntos.

Shemot marca o nascimento de um povo dentro do exílio. Os filhos ou descendentes são chamados de filhos de Yisrael, mas descem ao Egito acompanhando Yaakov. Isso revela uma tensão intencional: a identidade prometida já existe, mas a formação ainda está em curso. Observe que a Torá nos apresenta Yaakov, um homem marcado pela caminhada, pela fragilidade e pelo processo. Desde o ventre, Yaakov é descrito como aquele que segura o calcanhar, aquele que segue, aprende, cai, levanta e persevera. Sua vida é marcada por conflitos, fugas, enganos, medo e amadurecimento. Em Bereshit, vemos Yaakov lidando com Lavan, com Esav, com perdas e com responsabilidades. E isso não é diferente de muitas pessoas na atualidade. Yaakov representa o servo do Eterno em formação, que ainda luta consigo mesmo e com as circunstâncias, mas que não abandona o caminho. Está vendo algo em comum com sua vida?

Agora vejamos um pouco sobre o outro nome, Yisrael, que por outro lado, é o nome que o Eterno concede após Yaakov “lutar” a noite inteira e não desistir, como está escrito: “Não se chamará mais o teu nome Yaakov, mas Yisrael, pois lutaste com Elohim e com homens e prevaleceste” (Bereshit 32:28). Yisrael não substitui Yaakov, mas revela o propósito final da caminhada, uma identidade transformada. Yisrael indica aquele que permanece firme, que não solta o Eterno, mesmo quando manca, mesmo quando sai marcado. É o nome da identidade alinhada à missão, não à perfeição.

Então, podemos entender que, Yaakov representa o homem em processo, moldado pela disciplina do Eterno; Yisrael representa o resultado desse processo, aquele que permanece, resiste e carrega uma missão. Esse contraste é essencial para entendermos por que o Eterno escolhe, disciplina e conduz Seu povo antes de libertá-lo. Não há redenção sem formação, e não há Yisrael sem o caminho de Yaakov, como resultado não pode haver “filhos de Yisrael” sem a devida disciplina do Eterno. Não pode haver um povo de D’us, sem o processo, a instrução que vem antes.


1. Yaakov: o homem da disciplina e do processo

De acordo com o que já vimos, Yaakov é aquele que aprende por meio de confronto, correção e perseverança. Sua vida não é marcada por facilidade, mas por formação. Ele foge, trabalha duramente, é enganado, luta e sai mancando, mas não solta o Eterno. Em Bereshit 32, Yaakov luta durante a noite inteira e diz: “Não te deixarei ir, se não me abençoares”. Aqui está o fundamento da disciplina: permanecer mesmo quando dói. Como está escrito: “Porque o Eterno repreende a quem ama” (Mishlei 3:12). Em Sha’arei Torá Shemot 1, Bruno Summa acerta ao afirmar que a disciplina é parte da expressão de amor. Yaakov não é rejeitado por suas falhas; ele é trabalhado por causa do chamado que carrega. Esse princípio é sério e ainda hoje ele deve ser seguido.

Esse princípio ecoa nos escritos nazarenos quando está menciona: “A quem o Eterno ama, Ele disciplina” (Ivrim/Hb 12:6). Não se trata de punição vazia, mas de preparo e instrução. Yaakov é o homem que aceita ser moldado. Por isso ele pode gerar filhos que atravessam o Egito sem perder sua identidade.


2. Yisrael: identidade formada, não apenas herdada

Yisrael não é apenas um novo nome, é uma nova responsabilidade. “Porque lutaste com Elohim e com homens e prevaleceste” (Bereshit 32:28). Yisrael é aquele que permanece fiel mesmo em ambientes hostis. É por isso que os filhos de Yaakov, educados sob disciplina, não se dissolvem no Egito. Como apontado no livro Sha’arei Torah, eles evitam imoralidade, idolatria e assimilação total. Isso não acontece por acaso, mas por educação transmitida de pai para filho, conforme Devarim 6:7.

A brit milah e o Shabat aparecem como sinais visíveis dessa identidade. O Eterno diz: “O Meu Shabat guardareis, porque é sinal entre Mim e vós” (Shemot 31:13). Esses sinais não tornam alguém especial por si mesmos, eles revelam uma vida submetida à vontade do Eterno. É por isso que o texto de Shemot enfatiza os nomes, pois representam missão, memória e promessa. Yisrael não é um título honorífico, mas o resultado de uma vida disciplinada.


3. De número contado a valor reconhecido

Bruno Summa, no livro já citado, destaca um ponto essencial: há diferença entre ser apenas contado e ser digno de ser contado. O Egito transforma pessoas em números, o Eterno chama cada um pelo nome. “Não temas, porque Eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és Meu” (Yeshayahu 43:1). Os filhos de Yisrael entram no Egito como Yaakov, vulneráveis, em processo, mas saem como Yisrael, um povo formado pela disciplina e pela confiança na instrução do Eterno. Lembre-se que já ensinei antes que nem todos que saíram do Egito eram filhos de Yisrael, mesmo os que eram hebreus, isso ocorre justamente, por alguns não aceitarem a disciplina do Eterno.

Nos escritos nazarenos, isso ecoa quando Yeshua diz: “Se permanecerdes na Minha palavra, sois verdadeiramente Meus discípulos” (Yochanan 8:31). Permanecer é o sinal do Yisrael. Não é o início do caminho, mas a constância nele. O Egito revela quem foi educado apenas para conforto e quem foi formado para permanecer fiel.

Por isso, o fato de Shemot dizer que os filhos são de Yisrael, mas descem ao Egito com Yaakov, é profundamente significativo. Eles carregam a promessa, o nome e a identidade de Yisrael, mas entram no exílio acompanhando Yaakov, o homem do processo. O Egito não é o lugar do Yisrael plenamente revelado, é o lugar onde Yaakov ainda é trabalhado, agora em escala coletiva. Nunca deixamos de ser moldados por HaShem. O Eterno permite que Yisrael nasça como povo justamente dentro da opressão, para que aprendam que não é a força, o número ou o poder humano que os define, mas a fidelidade do Eterno à Sua palavra.

O paralelo com todos que servem ao Eterno é claro. Todos começam como Yaakov, isto é, em crescimento, em conflitos internos, aprendendo a confiar e a obedecer. O Eterno não chama os prontos, Ele chama os dispostos. Ele chama aqueles que mesmo em meio a dificuldade, quando todos costumam perder a identidade, o fiel se mantém íntegro. Ao longo da caminhada, por meio de lutas, quedas e dependência, o Eterno nos conduz ao lugar de Yisrael, não como título, mas como responsabilidade. Servir ao Eterno é aceitar o processo de Yaakov sem rejeitar o chamado de Yisrael.

Assim, Shemot começa nos lembrando que a redenção não começa quando somos Yisrael em plenitude, mas quando, mesmo ainda sendo Yaakov, seguimos descendo, caminhando e confiando no Eterno. Ele é fiel para transformar o Yaakov que anda em exílio no Yisrael que sai liberto.

Concluindo assim nosso estudo, devemos entender que ser Yaakov, é aceitar o processo. Ser Yisrael é carregar a identidade que nasce desse processo. A Parashá Shemot nos ensina que o Eterno não liberta um povo sem antes formá-lo, e não chama Yisrael sem antes permitir o caminho de Yaakov. Todos os que servem ao Eterno passam por esse mesmo percurso, disciplina antes da libertação, formação antes da promessa manifesta. A pergunta que fica não é apenas “quem somos”, mas quem estamos nos tornando.


Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef


sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Estudo da Parashá Shemot - Ouça a disciplina do Eterno.

 


Estudos da Torá


Parashá nº 13 – Shemot (Nomes)


Shemot/Êxodo 1:1-6:1


Haftará (separação) Is 27:6-28:13 e


B’rit Hadashah (nova aliança) Mt 22:23-33, 41-46.


Tema: Ouça a disciplina do Eterno.

No estudo desta semana, a Parashá Shemot marca o início de uma narrativa dramática e transformadora da história do povo de Yisrael, sua opressão no Egito e o chamado do Eterno para a libertação. Porém, antes que a redenção ocorresse, o período de escravidão revelou muitos desafios quanto aos atos de obediência e fidelidade ao Eterno. Nesse cenário de opressão generalizada, surgem questões importantes: Como os filhos de Yisrael mantiveram sua conexão com o Eterno? Que papel a sua obediência desempenhou em sua preservação enquanto povo? E como a tribo de Levi se destacou em meio às tribulações?
Este estudo busca explorar essas perguntas, examinando o relato das Escrituras, as reflexões dos rabinos e as contribuições de pensadores contemporâneos, como Bruno Summa. Através de uma análise cuidadosa, veremos como a preservação da identidade cultural e espiritual dos filhos de Yisrael foi crucial para sua sobrevivência e redenção. Também refletiremos sobre as lições que este período oferece para nossa própria vida, especialmente sobre a importância da fidelidade ao Eterno em tempos de adversidade. Ao longo deste estudo, convido você a observar como pequenos atos de obediência e santidade podem ser instrumentos de grande transformação, e como o exemplo de Levi e outros líderes do povo continuam ecoando como um chamado para nos mantermos firmes ouvindo a disciplina, seguindo em nossa confiança e dedicação ao Eterno.

RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA
A Parashá Shemot nos introduz uma nova fase na história do povo de Yisrael. O livro começa nos lembrando da família de Yaakov, que desceu ao Egito com Yosef. Com o passar do tempo, Yosef e sua geração morreram, e um novo Faraó, que não conhecia Yosef, ascendeu ao trono. Esse governante, temendo o crescimento do povo hebreu, decide escravizá-los e oprimi-los com trabalho pesado. Ainda assim, quanto mais os hebreus eram oprimidos, mais eles cresciam.

O Faraó, então, decreta que todos os meninos hebreus recém-nascidos deveriam ser lançados ao Nilo, mas as parteiras hebreias, Shifrá e Puáh, movidas pelo temor ao Eterno, desobedecem à ordem. Nesse tempo, nasce um menino da tribo de Levi, filho de Anram e Yocheved, que é escondido por sua mãe durante três meses. Quando não pôde mais escondê-lo, ela o colocou dentro de um cesto no rio. A filha de Faraó o encontra, tem compaixão e decide criá-lo como seu próprio filho, dando-lhe o nome de Moshê.
Moshê cresce no palácio, mas não se esqueceu do sofrimento do seu povo. Um dia, ele vê um egípcio maltratando um hebreu e intervém, matando o egípcio. Com medo, Moshê foge para Midyan, onde encontra refúgio. Lá, ele se casa com Tziporah e começa uma nova vida como pastor.

Enquanto Moshê cuidava das ovelhas do sogro em Midyan, ele tem um encontro transformador com o Eterno. Ele vê uma sarça ardente que não se consumia, e o Eterno fala com ele de dentro do fogo, chamando-o para voltar ao Egito e libertar os filhos de Yisrael. Apesar de suas hesitações e questionamentos, Moshê aceitou o chamado, com a promessa de que o Eterno estaria com ele.

A Parashá termina com Moshê retornando ao Egito, acompanhado por seu irmão Aharon. Eles se apresentam a Faraó com a mensagem do Eterno: "Deixe o Meu povo ir!" Embora Faraó reaja com dureza, essa é apenas a primeira etapa de uma grande jornada de redenção.
Esta parashá nos lembra que, mesmo em meio ao sofrimento, o Eterno está atento ao clamor do Seu povo e trabalha para cumprir Suas promessas. Moshê nos ensina a importância de responder ao chamado do Eterno, mesmo quando parece desafiador.

ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ
Enquanto os filhos de Yisrael estavam no Egito, antes de serem libertados, o texto da Torah não menciona diretamente sua prática de obediência aos mandamentos do Eterno como algo proeminente. O foco está mais em sua multiplicação, escravidão e clamor ao Eterno por libertação, como está escrito:

E ouviu Elohim o seu gemido, e lembrou-se da sua aliança com Avraham, com Yitzchak e com Yaakov. Shemot 2:24.

Como não há menção explícita de que todas as 12 tribos seguiam os princípios do Eterno corretamente enquanto estavam no Egito, isso pode indicar que parte do povo havia sido assimilado pelos costumes egípcios, o que é sugerido em outros textos do TaNaK, conforme veremos neste estudo. Observemos como a disciplina do Eterno pode influenciar na vida dos que são chamados e o que acontece com quem a ouve.

Em primeiro lugar, devemos entender o significado de disciplina e observar o contexto das Escrituras. Disciplina é um termo que pode ter diferentes significados dependendo do contexto em que é utilizado. No geral, de acordo com o dicionário, podemos entender a disciplina com os seguintes aspectos:
- Obediência a regras: É o ato de seguir um conjunto de normas ou leis estabelecidas, seja em um ambiente escolar, profissional ou social.
- Autocontrole: É a capacidade de controlar seus próprios impulsos e comportamentos, a fim de alcançar um objetivo específico.
- Treinamento constante: É a prática regular e dedicada de uma habilidade ou atividade, visando a melhoria contínua.

Em diferentes contextos, a disciplina pode se manifestar de diversas formas, tais como à obediência às regras da escola, ao cumprimento das tarefas e à participação nas aulas. No trabalho, a disciplina está relacionada à pontualidade, à organização, à capacidade de seguir instruções e à entrega de resultados. Na vida pessoal, envolve a criação de hábitos saudáveis, a gestão do tempo, a perseverança em alcançar metas e o controle emocional. A disciplina é uma habilidade fundamental para o sucesso em qualquer área da vida. Pessoas disciplinadas tendem a ser mais produtivas, organizadas, confiáveis e capazes de alcançar seus objetivos.

Nas Escrituras Sagradas, a disciplina vai além do simples ato de seguir regras. Ela é um processo de aprendizado, crescimento e correção, conduzido pelo Eterno com o objetivo de nos moldar à imagem do Messias. A disciplina divina pode ser entendida de algumas formas, tais como:
- Instrução: HaShem nos ensina através de seus mandamentos e princípios, guiando-nos para um caminho de vida abundante.
- Correção: Quando nos desviamos do caminho, o Eterno nos disciplina para nos trazer de volta ao Seu propósito.
- Purificação: A disciplina remove as impurezas do nosso caráter, nos tornando mais próximos ao Eterno e consequentemente semelhantes ao Messias.
- Fortalecimento: Através da disciplina, HaShem nos torna mais fortes espiritualmente, ou seja, mais aptos a obedecer aos mandamentos, preparando-nos para enfrentar os desafios da vida.

Talvez você possa se perguntar o por que o Eterno disciplina? E podemos destacar três motivos. O amor, pois a disciplina é um sinal do amor do Eterno pelo seu povo, da mesma forma que um pai amoroso disciplina seus filhos. O segundo motivo é a santificação, pois HaShem deseja que sejamos santos, separados do pecado e do sistema mundano. A disciplina é, portanto, um meio de alcançar a santidade. E o terceiro motivo, a herança, pois aqueles que perseveram na disciplina do Eterno se tornarão herdeiros das promessas do Eterno. Veremos na continuação desse estudo como isso pode ocorrer, através dos exemplos deixados para nós pelo Eterno em sua Torah e nos demais textos das Escrituras, bem como nos Escritos Nazarenos, conhecido como Novo Testamento.

1. A condição dos Hebreus no Egito: Lições de perseverança e fidelidade ao Eterno.
O período de escravidão no Egito foi marcado por extrema opressão, mas também por um afastamento parcial de muitos hebreus em relação ao Eterno e aos seus mandamentos. No entanto, textos como Yechezkel 20:7-11 sugerem que parte do povo adotou os ídolos egípcios, conduzindo à uma ruptura na obediência. Veja o texto:

7 E eu lhes disse: "Desfaçam-se, todos vocês, das imagens repugnantes em que vocês puseram os seus olhos, e não se contaminem com os ídolos do Egito. Eu sou o Senhor, o seu Deus.
8 ‘Mas eles se rebelaram contra mim e não quiseram ouvir-me; não se desfizeram das imagens repugnantes em que haviam posto os seus olhos, nem abandonaram os ídolos do Egito. Por isso eu disse que derramaria a minha ira sobre eles e que lançaria a minha indignação contra eles no Egito.
9 Mas, por amor do meu nome, eu agi, evitando que o meu nome fosse profanado aos olhos das nações entre as quais estavam e à vista de quem eu tinha me revelado aos israelitas para tirá-los do Egito.
10 Por isso eu os tirei do Egito e os trouxe para o deserto.
11 Eu lhes dei os meus decretos e lhes tornei conhecidas as minhas leis, pois aquele que lhes obedecer viverá por elas. Ez 20:7-11

Contudo, o clamor a HaShem mencionado em Shemot 2:23-25 ​​revela que, em meio aos que abandonaram ao Eterno, à transgressão e à dor, alguns remanescentes permaneciam guardando a memória da aliança dos patriarcas com HaShem. O clamor deste remanescente fiel foi suficiente para que o Eterno lembrasse Sua aliança, mostrando que a conexão com seu povo não havia sido completamente perdida.

2. A tribo de Levi: o remanescente fiel.
Entre as doze tribos, Levi é frequentemente destacado por sua maior dedicação à preservação da identidade hebraica. De acordo com os sábios, os levitas não foram sujeitos à mesma escravidão que as outras tribos, possivelmente devido ao seu papel como guardiões dos ensinamentos recebidos dos patriarcas. Isso reflete um esforço de resistência cultural que os preparou para assumir um papel central no serviço ao Eterno após a libertação.

De acordo com essas interpretações rabínicas, uma razão pela qual a tribo de Levi não foi escravizada como outras tribos foi sua posição de liderança adquirida devido ao testemunho de justiça que apresentavam. Eles se dedicaram ao serviço ao Eterno e, por isso, não participaram do trabalho físico imposto por Faraó. Por exemplo, Moshê e Aharon, que eram da tribo de Levi, não são descritos como tendo sido escravizados. Isso é usado como evidência de que Levi manteve uma separação distinta durante o período de escravidão.
Além disso, muitos rabinos associaram a dedicação de Levi à preservação do uso da língua hebraica, dos nomes tradicionais e de costumes que impediam a assimilação completa ao estilo de vida egípcio. Essa fidelidade, segundo eles, ajudou a manter viva a conexão entre o povo e o Eterno, mesmo em meio às trevas da opressão.

Os sábios do povo de Yisrael veem na experiência no Egito uma mistura de fraqueza e força espiritual, ou seja, em relação à obediência. Enquanto alguns membros do povo cederam à influência egípcia de várias formas, outros se destacaram pela sua obediência implícita ao Eterno. Atos como a preservação dos nomes hebraicos e a recusa de parteirass hebreias em obedecer à ordem de Faraó (Shemot 1:17) são exemplos de como a fidelidade foi mantida em momentos críticos. Eles argumentaram que esses atos, ainda que pequenos, foram suficientes para sustentar a conexão entre Yisrael e o Eterno.

Vemos exemplos de textos sobre essa disciplina que os levitas seguiam, o princípio que vinha do Eterno. Sh’lomoh/Salomão fala sobre isso:

Meu filho, não rejeite a disciplina do Senhor, nem se canse de sua repreensão; pois o Senhor disciplina aquele a quem ama, como um pai faz com o filho de quem se agrada. Pv 3:11-12

Nos Escritos Nazarenos também vemos referência a esse tipo de comportamento.
Meu filho, não rejeite a disciplina do Senhor, nem se canse de sua repreensão; pois o Senhor disciplina aquele a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho. Hb 12:5-6

3. O povo que deu ouvidos à disciplina de Hashem
Bruno Summa, em sua obra Sha'arei Torá – Shemot 1, enfatiza que a obediência ao Eterno, mesmo em situações de grande adversidade, é uma manifestação de confiança firme na aliança. Ele argumenta que a preservação da identidade espiritual do povo foi essencial para a redenção. Segundo Summa, o exemplo da tribo de Levi demonstra que a dedicação ao Eterno não apenas protege o povo da assimilação, mas também o prepara para servir de maneira plena. 
O mencionado autor, faz referência a mais um texto de Provérbios que está intimante ligado com nosso assunto.

Como um anel de ouro, um ornamento dourado, é a disciplina de um homem sábio à um ouvido que a ouve. Pv 25:12

O autor diz que nesse verso do rei Salomão é ensinado a respeito da virtude de saber receber reprovação e disciplina, e a compara à um anel de ouro, um ornamento de realeza; assim como a autoridade de um rei demanda um anel para demonstrá-la, a Torah demanda a virtude da disciplina para que possa se tornar viva e eficaz na vida de um homem, ou seja, exige que o homem seja disciplinado para demonstrar a justiça em seus atos. Ele diz que talvez, a maior virtude que um homem possa demonstrar, é estar aberto a receber e aceitar a disciplina de HaShem, pois rejeitá-la é a prova cabal de uma visão egoísta e egocêntrica da vida. Não há meios de um homem fechado à disciplina se colocar sob o jugo da Torah e muito menos se engajar no serviço divino de maneira propícia. O rei Salomão, segundo o mencionado autor, é categórico ao ensinar que a disciplina é como um adorno que embeleza a alma de um ser humano.

Essa parashá inicia o relato da libertação do povo que o Eterno escolheu, e se estivermos atentos poderemos entender os motivos dessa escolha, e porque atendeu ao clamor dos remanescentes. Bruno Summa afirma que o foco principal do livro de Shemot/Êxodo não não é relatar milagres, escravidão e fatos históricos de um povo, mas sim ensinar como um homem se torna apto a se engajar na vontade de HaShem e a se tornar um filho legítimo de Yisrael, independente de sua nação ou origem. Isso é importante, porque no meio da tribo de Levi, os remanescentes, haviam pessoas que deixaram suas tribos para viver a justiça e o cumprimento aos mandamentos, bem como, haviam pessoas de outras nações que se aproximaram de Yisrael e de HaShem, seu Elohim, e esses remanescentes ficaram conhecidos como filhos de Yisrael, conforme já ensinei em vídeos no meu canal no YouTube, nos vídeos “Como se tornar filhos do Eterno” e na live da parashá Beshalach do ano passado, cujo tema foi “Você é povo ou filho?”

Summa ainda diz que, o passo inicial, e o principal de todos, para que um homem se torne um filho de Yisrael é ouvir a voz de HaShem e saber receber a disciplina vinda dessa voz. Todo o resto, como o estudo da Torah, observância dos mandamentos, temor aos céus e amor ao Eterno são consequências do passo inicial. A kavanah/intenção verdadeira de desejar servir ao Eterno de coração é o início da sua jornada. Para o autor, e eu concordo com ele, a Torah é um livro de disciplina, seus mandamentos visam educar e estabelecer o estilo de vida de uma pessoa, se caso a pessoa não esteja disposta, ou se caso ela considere sua concepção de mundo como a correta, ela jamais fará parte do povo escolhido por mais que acredite ou ame a HaShem. Ele conclui que a fidelidade e agfd disciplina, mesmo em pequenas ações, é capaz de sustentar a esperança e a identidade de um povo.

Concluindo nosso estudo, o período que o povo hebreu viveu no Egito revela tanto a vulnerabilidade humana quanto a força de uma aliança com o Eterno. A assimilação das tribos dos filhos de Yisrael foi errada, com momentos de fraqueza e resiliência. A tribo de Levi, no entanto, desponta como um exemplo de santidade e fidelidade, bem como de ouvir a disciplina do Eterno. Os ensinamentos de rabinos e autores contemporâneos, como Bruno Summa, reforçam que a preservação da identidade e a prática constante de atos de obediência, mesmo em tempos difíceis, são fundamentais para a redenção e continuidade do povo do Eterno. Este estudo nos convida a uma reflexão sobre o papel da resistência obediente e cultural em nossas próprias vidas, especialmente em tempos de opressão.
Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!

Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Estudo da Parashá Shemot - Os erros dos homens de D'us

 



Estudos da Torá

Parashá nº 13 – Shemot (Nomes)

Shemot/Êxodo Ex 1:1 – 6:1

Haftará (separação) Is 27:6 – 28:13; 29:22-23; Jr 1:1-2:3 e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mt 22:23-33; 41-46; Hb 11:23-26


Tema: Os erros dos homens de D’us.


No estudo dessa semana veremos através dos erros de alguns homens de D’us que apesar de muitos os colocarem em altares de incorruptibilidade ou em patamares elevadíssimos de caráter, eles eram homens e como tal eram falhos e cometiam pecados e erros diante de D’us. Teremos a oportunidade de entender que mesmo sendo servos do Eterno e tentando cumprir seus mandamentos da melhor forma possível, ainda somos passíveis de erros e isso não era diferente com nenhum dos Patriarcas ou profetas anteriores a nós. No entanto, a diferença está na kavanah que temos de sempre tentar acertar, e ao cometer algum pecado como um acidente de percurso, nos arrepender e corrigir nosso caminhar, pois o Eterno vê e nos sonda a todo momento.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

De acordo com o site Chabad e Emunah a fé dos santos, a parashá Shemot, inicia o segundo livro da Torá, e começa citando os nomes dos filhos de Yaakov. Os que foram para o Egito são doze, cada um foi com a sua família. A Torah nos informa que de Yaakov saíram no total 70 almas, enfatizando suas gerações por terem se conservado fiéis aos ensinamentos dos Patriarcas, apesar de habitarem no Egito, uma nação idólatra. No entanto, conforme temos visto em vários estudos anteriores, os descendentes dos que entraram no Egito não se mantiveram totalmente fiéis aos ensinos da Toráh Oral que lhe fora passado, ao ponto de perderem um pouco dela.

Ainda segundo o site, o faraó governa o Egito, esquecendo os benefícios que trouxe Yosef para o país, que o tornou rico e próspero. Leis cruéis que visavam o enfraquecimento do Povo de Israel através da aflição e sofrimento foram decretadas pelo seu impiedoso poder.

Duas parteiras hebréias, Shifrá e Puá negam-se a cumprir o plano do faraó de matar todo menino hebreu recém-nascido, dispostas a sacrificar a própria vida. Foram recompensadas em sua descendência formada por cohanim, leviim e reis.

Nasce Moshê que é lançado por sua mãe nas águas do Rio Nilo para que sua vida fosse poupada. A filha do faraó, Batia, estende seu braço e salva o menino. Moshê sofre com o trabalho escravo do povo judeu e acaba matando um egípcio em um episódio onde este golpeava covardemente um judeu. Moshê foge para Midian e acaba conhecendo Yitrô e casa-se com sua filha, Tsipora.

D’us se revela para Moshê através do fogo na sarça ardente e lhe incumbe a missão de libertar o povo judeu do Egito. D’us promete a Moshê que estenderá Sua mão e ferirá o Egito e por haver ainda temor por parte de Moshê, D’us lhe mostra Seu poder através de milagres; transforma um bastão em cobra e novamente em bastão; a mão de Moshê fica com a doença de tsaraát e torna a ficar sã, novamente.

Moshê, acompanhado de sua família, segue para o Egito a fim de salvar seu povo. Mas ao ver que tornou-se ainda maior a ira do faraó impondo mais intensamente sua crueldade sobre os hebreus, Moshê clama a D’us que lhe responde que com mão forte ferirá todo o Egito.


ESTUDO DO CONTEXTO LITERAL, PRÁTICO E PROFÉTICO

Não apenas nessa parashá, mas em todas elas, podemos ter plena certeza de que o Eterno cumpre as suas promessas, mas nessa porção a promessa feita a Avraham a respeito de multiplicar a descendência é vista de forma muito plena. Aqui vemos no verso 7 o texto dizer que:


“E os filhos de Yisrael frutificaram, aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles.” Ex 1:7


Mesmo Yisrael sendo a menor das nações no mundo com o passar do tempo ele se tornou muito numeroso, vemos o Faraó falando sobre isso no verso 9:


“O qual [faraó] disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós.” Ex 1:9


Por isso, quando analisamos profeticamente a situação, podemos entender que no final o povo de Yisrael será maior que o resto do mundo. E isso nos referindo aos que formam realmente o povo de Yisrael, ou seja, judeus, e os que sendo casa de Yisrael espalhados pelo mundo retornam aos caminhos do Eterno, ex-gentios, e todos por meio de Yeshua são enxertados neste povo santo.

Compreendemos que os que fazem parte do povo do Eterno são poucos, os que seguem os passos do messias Yeshua são um pequeno grupo, mas apenas se olharmos para uma geração isolada, porém quando olhamos para todas as gerações esse número cresce muito, pois muitos serão ressuscitados ou transformados os que estiverem vivos na época.

No entanto, esses servos de D’us de todas as épocas são pessoas que cometeram transgressões contra a Toráh enquanto tentavam acertar. Erraram mesmo caminhando no caminho da verdade do Eterno, assim como hoje nós também erramos. E é justamente isso que vamos falar nesse estudo.

Para iniciarmos no tema desse estudo, vamos aos versos 1 e 2 do capítulo 2 dessa porção.


“E foi um homem da casa de Levi e casou com uma filha de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que ele era formoso, escondeu-o três meses.” Ex 2:1 e 2


Aqui nesses versos a Torah nos mostra os pais de Moshê sem mencionar seus nomes e nem dar detalhes sobre eles. Será que há algo aqui para vermos? O que estava acontecendo nesse momento histórico? Porque falar que um homem da casa de Levi se casou com uma filha de Levi? Isso não seria a mesma coisa? O significado não seria o mesmo?

Com certeza, já temos mostrados através de vários estudos anteriores que sempre podemos aprender algo a mais com a Torah, ainda mais quando ela faz algum tipo de mistério com um assunto. E esse texto aqui é mais um desses momentos em que a Torah quer que nós nos debrucemos sobre o assunto e nos aprofundemos um pouco mais.


Um pouco de contexto histórico...

Os nomes dos pais de Moshê somente aparecerão mais à frente, na próxima parashá, em Ex 6:20.


E tomou Amram a Yochéved, sua tia, por mulher, e deu à luz, para ele, a Aarão e a Moshê, e foram os anos da vida de Amram cento e trinta e sete anos.


Amram era neto de Levi filho de Yaakov, e segundo o comentário de rodapé da Torah da editora Sefer, era o líder espiritual de sua geração. Já a mulher a quem ele toma por esposa era Yochéved, a filha de Levi, e segundo o texto nos conta, tia de Amram.

Encontramos no texto hebraico a palavra דֹּדָתוֹ - dodato, que significa “tia dele” ou “sua tia”. O termo hebraico “dod” é tio. E a palavra doda é tia, e é exatamente “dodato” que aparece no texto acima.

Porque será que a Toráh nos relata que ela era tia dele? Há um erro nesse relacionamento, já que sabemos que a Toráh afirma ser pecado esse tipo de relacionamento proibindo-o em Lv 18:12-14.


¹² "Não se envolva sexualmente com a irmã do seu pai; ela é parenta próxima do seu pai.

¹³ "Não se envolva sexualmente com a irmã da sua mãe; ela é parenta próxima da sua mãe.

¹⁴ "Não desonre o irmão do seu pai aproximando-se da sua mulher para com ela se envolver sexualmente; ela é sua tia.

Levítico 18:12-14


O que estava acontecendo? Afinal, se anos mais tarde, no Sinai, a Toráh escrita ao sera dada o povo de Yisrael fazia essa proibição, com toda a certeza a Toráh Oral já mencionava isso. Por qual motivo Amram desobedeceu então um mandamento sério desses? Será que a Toráh antes não falava sobre isso?

Com certeza a Torah Oral já mencionava o assunto, pois sabemos que a Toráh escrita é complementada pela Toráh Oral e vice e versa. Vou falar algo que muitos podem não concordar, mas o que falo está de acordo com a Torah, e não com os pensamentos humanos. O judaísmo criou uma série de informações a respeito da história de Amram e Yochéved e seu casamento, a fim de justificarem algo que eles sabem ser errado, tudo para não manchar a imagem de um de seus mais proeminentes líderes no Egito. Porém, cabe a nós analisarmos os fatos frios e entender o que a Toráh deseja que saibamos, a fim de vivermos segundo a vontade de HaShem.

Quando dizemos para ter cuidado com alguns ensinos do midrash é por isso, ele afirma que quatro tsadikim ou justos morreram sem pecar e suas mortes foram decretos do Todo Poderoso, que havia decretado a morte da humanidade depois do pecado de Adam, são eles: Binyamin, filho de Yaakov; Amram, o pai de Moshê; Yishai, pai de David e Kilav, filho de David com Abigail. No entanto, sabemos que eles não foram totalmente justos, por exemplo, o pai de David se envolveu com uma prostituta que gerou a David. E temos também Amram, que falaremos agora.

A Toráh Oral diz que depois que os filhos de Yaakov morreram seus descendentes foram se perdendo no Egito, e começaram a abandonar os mandamentos do Eterno. A tribo de Levi resistiu por algum tempo, mas também acabou cedendo às práticas pecaminosas permanecendo então, apenas alguns remanescentes. Amram era de fato o líder religioso, mas já havia se esquecido de muito dos mandamentos que lhe fora ensinado.

Devido ao nível de transgressão daquela geração dos filhos de Yisrael a escravidão se agravou muito, até que chegasse o tempo determinado pelo Eterno. E por essas transgressões o cordeiro precisou ser sacrificado e seu sangue colocado no umbrias das portas de todos os hebreus, os que não obedeceram perderam seus primogênitos.

Mas voltando a Amram e Yochéved. Ela era sua tia, irmã de seu pai, filha de seu avô Levi. Amram não poderia se casar com ela, mas eles cometem transgressão e se casam. E desse casamento nasce Miriam, Aharom e Moshê. Há toda uma história contada pelo midrash acerca disso, mas não mencionaremos isso aqui.

Mesmo dessa união pecadora, o Eterno levanta aqueles que seriam os líderes dom povo durante a libertação do Egito e a chegada a Kenaam. É importante que destaquemos que isso não os condena totalmente, claro que pecaram diante do Eterno e sua vontade, mas a remissão desses erros foi retornar ao caminho correto e seus filhos viverem uma vida de obediência. E mesmo os filhos deles também erraram no caminhar dessa vida.

Vemos Miriam que em determinado tempo falou contra a liderança de Moshê. Também vemos Aharon que constrói forçadamente ou não o bezerro de ouro, que levou muitos à idolatria no deserto. Ambos se arrependeram e obtiveram o perdão do Eterno e continuaram a viver em justiça.


Outros homens de D’us que pecaram

- Noach se embriagou com o fruto de sua vinha e fez coisas que geraram problemas familiares (Gn 9:20-26);

- Avraham aceitou dormir com Hagar, a serva de sua mulher Sarah (Gn 16:1-4);

- Yitschak permitia que seu filho Esav lhe subjugasse com palavras e fazia distinção entre ele e Yaakov;

- Yaakov enganou seu pai e teve mais de uma esposa;

- Moshê não circuncidou seus filhos e obedeceu ao Eterno no caso da Meriváh;

- David matou seu amigo Urias por ter adulterado com a mulher dele;

- O rei Shlomoh teve tantas mulheres que caiu em idolatria para agradá-las;

- Elias perdeu a confiança no Eterno quando a rainha Izevel lhe fez ameaças e fugiu para se esconder;

Há um infinidade de outros personagens que as Escrituras relatam seus erros e todos eles eram homens justos, que erraram tentando acertar.


O mais importante...

Depois de tudo o que vimos até aqui, devemos destacar o que é mais importante nessa parashá e nesse tema de hoje. O mais importante não é olhar para os erros dos homens de D’us, mas sim buscar entender o que eles fizeram errado e corrigir o nosso rumo, para que não venhamos cometer ou permanecer nos erros. Errar enquanto buscamos acertar é algo normal e faz parte da caminhada. E nossas vidas o pecado é um acidente de percurso. O mais importante é reconhecer o erro, se arrepender, pedir o perdão ao Eterno corrigindo seus passos e seguir em frente.

O Eterno estava agora levantando Moshê para libertar o povo de Yisrael do Egito não porque o povo merecesse ou porque eles estavam arrependidos, mas em primeiro lugar para cumprir a parte na aliança com Avraham, e em segundo lugar, porque havia um remanescente justo arrependido entre a tribo de Levi e alguns dentre outras tribos que buscavam viver segundo os preceitos do Eterno. Por isso a redenção estava chegando!

O TaNaK nos diz que quem confessa o pecado e deixa, alcança misericórdia! Veja:


Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia. Pv 28:13


Por isso, mesmo que todos esses homens de D’us tenham transgredido algum mandamento, eles encontraram a misericórdia do Eterno porque se arrependeram e confessaram. E esse mesma prática devemos nós fazer.


Apontamentos proféticos

Conversei com o Rav Yochanan sobre esse tema, e em nossa conversa mencionamos que essa passagem clara do erro de Amram é uma profecia a respeito do casamento das pessoas com os sábios do judaísmo, ou com os dogmas criados por eles. E assim, como o Eterno aproveitou os filhos desse casamento errado para libertar o povo, nós somos aproveitados pelo Eterno e geramos também libertação.

Não estou dizendo que não podemos usar os comentários dos sábios e nem ler o que eles escreveram, mas devemos balizar tudo pela Torah e pelo profetas, e rejeitar o que não está de acordo.


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Pr/Rav Marcelo Peregrino Silva (Marcelo Santos da Silva - Moshê Ben Yosef)