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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Estudo da Parashá Ki Tetse - Limpeza e Organização: O Eterno anda na sua casa.

 



Estudos da Torá

Parashá nº 49Ki Tetse (Quando você sair)

Devarim/Deuteronômio 21:10-25:19

Haftará (separação) Is 54:1-10.

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mc 10:2-12; 12:18-27;


Limpeza e Organização: O Eterno anda na sua casa.


Imagine entrar em uma casa onde não há limpeza. Há sujeira por todo lado, objetos acumulados, coisas quebradas que nunca são consertadas e entulhos que foi se acumulando aos poucos. Talvez ninguém perceba imediatamente, talvez até nos acostumemos com aquela situação. Mas existe algo interessante: aquilo que vemos ao nosso redor quase sempre revela alguma coisa sobre a maneira como estamos cuidando daquilo que recebemos.

Agora imagine que o Eterno lhe dissesse: “Eu ando no meio da sua casa.” Essa frase muda tudo. O Eterno não se preocupa somente com aquilo que fazemos diante de uma assembleia. Ele também se importa com aquilo que fazemos quando ninguém está olhando. Ele se importa com a maneira como tratamos nossa casa. Com a maneira como cuidamos das nossas coisas. Com a sujeira que permitimos acumular. Com a desordem que poderia ser evitada. Com a responsabilidade que transferimos para outra pessoa. E, acima de tudo, com aquilo que existe dentro de nós.

O Eterno anda no meio do acampamento. E se Ele anda no nosso acampamento, então nossas pequenas tarefas também podem se tornar uma expressão de amor, responsabilidade e temor. Hoje vamos olhar para aquilo que normalmente consideramos pequeno e descobrir que, nas Escrituras, as pequenas coisas também revelam o coração. Por isso, não saia daí para não perder nada desse estudo.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Há algo muito significativo em uma parte dessa parashá. Em Devarim 23:12–14, no meio de uma porção cheia de assuntos que consideramos grandes como guerra, casamento, justiça, pobreza, herança e relações sociais, o Eterno ensina algo aparentemente pequeno: onde o homem deveria fazer suas necessidades e como deveria deixar o local depois de usá-lo.

O texto diz que deveria haver um lugar fora do acampamento, que cada homem deveria levar consigo uma ferramenta para cavar e que, depois de fazer suas necessidades, deveria cobri-las. A razão apresentada pelo próprio texto é ainda mais importante: “porque o Eterno, teu Elohim, anda no meio do teu acampamento” (Devarim 23:14). O cuidado com aquilo que normalmente escondemos dos olhos dos outros fazia parte da maneira como Yisrael deveria viver diante do Eterno.

Isso nos ensina algo muito humano: há coisas que ninguém vê, mas que o Eterno vê. E justamente por isso, não devemos cuidar apenas daquilo que aparece para os outros. O acampamento precisava estar limpo mesmo quando ninguém estivesse olhando. A casa também precisa ser cuidada quando não haverá visitas. Nossas coisas precisam ser organizadas mesmo quando ninguém irá elogiá-las. Nossa vida precisa ser colocada em ordem mesmo quando não existe plateia.


1 - O Eterno se importa com os detalhes

O texto original fala especificamente do acampamento de guerra, em Devarim 23:10 o verso começa dizendo que: "...quando saíres ao acampamento contra teus inimigos...", não da casa em geral. É uma lei de pureza do campo de batalha, ligada à presença de Elohim indo com o exército. A transição para "sua casa" é um drash, uma aplicação homilética válida, mas não é o pshat, isto é, o sentido literal do texto.

Às vezes imaginamos que o Eterno só se preocupa com aquilo que consideramos grandioso. Pensamos em oração, culto, estudo das Escrituras, grandes decisões, grandes acontecimentos. Mas Devarim 23 nos lembra de algo muito diferente. O Eterno se preocupa até com aquilo que fazemos depois de usar o banheiro. Isso é extraordinariamente simples e, ao mesmo tempo, profundo. Yisrael estava no deserto, vivendo em um acampamento. Milhares de pessoas compartilhavam aquele espaço. Se cada um fizesse suas necessidades onde quisesse, rapidamente o ambiente se tornaria insalubre. Por isso o Eterno estabelece uma instrução prática: tenha um lugar, leve uma ferramenta, cave, cubra e mantenha o acampamento em condições adequadas. Não é apenas uma questão de aparência. É responsabilidade. E podemos transportar esse princípio para a vida cotidiana sem transformar o texto em uma alegoria que ele, originalmente, não pretendia ser. O mandamento fala literalmente sobre o acampamento, mas o princípio de responsabilidade que ele revela pode nos ensinar muito sobre nossa maneira de viver.

Quem cuida das pequenas coisas demonstra quem é. É muito fácil querer cuidar de grandes coisas enquanto negligenciamos as pequenas. Queremos uma grande missão, mas não conseguimos manter nossa própria casa em ordem. Queremos ensinar outras pessoas, mas não conseguimos cuidar das coisas que o Eterno colocou sob nossa responsabilidade. Queremos falar sobre santidade, mas deixamos desordem, desperdício e negligência acumularem-se ao nosso redor. A Escritura nos chama para algo mais simples: comece pelo que está diante de você.


2 - Nossa casa também revela nossa responsabilidade

Contemplando o TaNaK, vemos Mishlei 31 apresentando uma mulher que não é admirada simplesmente por sua aparência, mas por sua capacidade de cuidar daquilo que está sob sua responsabilidade. Esse texto está inserido na Ode à mulher virtuosa, que declaramos para as esposas todo shabat. O texto diz:

Cuida do bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça.” Mishlei 31:27

Esse verso é muito prático. Ele fala de uma pessoa que observa a casa, percebe o que precisa ser feito e não espera que tudo se resolva sozinho.

Pouco antes, a mesma mulher é apresentada levantando-se cedo, providenciando alimento para sua casa, trabalhando com as próprias mãos, examinando uma propriedade, plantando uma vinha e administrando aquilo que possui (Mishlei 31:13–19). Ela não é apresentada como alguém obcecado por aparência, mas como alguém responsável. Isso muda nossa maneira de enxergar a organização da casa. Cuidar da casa não é simplesmente deixar tudo bonito para receber visitas. É cuidar daquilo que o Eterno colocou em nossas mãos, lavar aquilo o que está sujo, consertar aquilo que está quebrado, guardar o que precisa ser guardado, jogar fora aquilo que não serve mais e saber onde estão nossas coisas. Não podemos permitir que a desordem se transforme em um modo permanente de viver. E isso vale tanto para homens quanto para mulheres. A responsabilidade pelo ambiente em que vivemos não deve ser colocada sobre uma única pessoa. Uma casa é compartilhada por pessoas, e cada uma deve aprender a cuidar do que usa.

- Cuidar das coisas também é uma forma de gratidão

Existe outro princípio importante nas Escrituras: não devemos tratar com desprezo aquilo que recebemos, conforme vimos na semana passada. Devarim 22:1–3 ordena que, quando alguém encontrar o boi, a ovelha ou qualquer coisa perdida de seu irmão, não deve simplesmente ignorar. Deve guardar e devolver. Isso exige cuidado. Se algo não nos pertence, cuidamos porque pertence ao nosso próximo. Se algo nos pertence, devemos igualmente aprender a administrá-lo.

Há uma diferença entre possuir coisas e ser possuído pelas coisas. O Eterno nunca condenou o fato de uma pessoa possuir bens. Avraham tinha rebanhos e riquezas; Yitschak prosperou; Yaakov possuía muitos bens; Yosef administrou enormes recursos no Egito. O problema não está simplesmente nas coisas. O problema começa quando as coisas passam a governar o coração. Por isso, Devarim 8:17–18 adverte Yisrael para que, ao prosperar, não diga: “A minha força e o poder da minha mão me adquiriram estas riquezas.” O homem deveria lembrar-se de quem lhe dava capacidade para produzir.

Quando entendemos isso, cuidar de nossas coisas deixa de ser mera preocupação material. Passa a ser boa administração. Se o Eterno colocou uma casa em nossas mãos, cuidemos dela. Se colocou ferramentas, cuidemos delas. Se colocou roupas, alimentos, móveis, livros ou recursos financeiros em nossas mãos, não sejamos desperdiçadores. Não precisamos transformar uma casa simples em uma vitrine. Uma casa pode ser humilde e muito bem cuidada. Pode haver móveis antigos, objetos simples e pouca riqueza, mas, ainda assim, existir ordem, limpeza e respeito.

- A Escritura não despreza o trabalho doméstico

Isso aparece com muita força em Mishlei 31. A mulher virtuosa descrita ali compra, vende, trabalha, prepara alimento, produz roupas, administra propriedades e cuida de sua casa. Seu valor não está em ostentar riqueza, mas em sua diligência. E há um verso muito bonito:

Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida.”Mishlei 31:12

A casa deveria ser um lugar onde as pessoas fazem bem umas às outras. Isso significa que limpeza e organização também precisam ser acompanhadas de consideração. Uma casa perfeitamente organizada pode ser um lugar terrível se todos vivem brigando. E uma casa muito simples pode ser um lugar maravilhoso se existe respeito, cuidado e amor. Portanto, não devemos transformar a mensagem de Devarim 23 em uma obsessão por limpeza. O objetivo não é ter uma casa perfeita. É ter uma casa responsável.

Há pessoas que vivem angustiadas porque nunca conseguem manter tudo impecável. Há crianças, idosos, trabalho, doença, imprevistos, dificuldades financeiras. A Escritura não está exigindo uma casa de revista. Ela nos ensina responsabilidade. Faça o que puder. Não deixe deliberadamente aquilo que pode ser cuidado. Não transforme negligência em estilo de vida. E não despreze aquilo que o Eterno colocou em suas mãos.


3 - Os sábios também perceberam que a limpeza comunica caráter

Os sábios de Yisrael trataram a limpeza e o cuidado pessoal como aspectos importantes da conduta de alguém que representa a Torah. Não por acaso criaram diversas halachot.

Em Shabbat 114a, Rabbi Yishmael ensina, a partir da troca de vestimentas dos kohanim, que a Torah ensina que as roupas usadas para determinada tarefa não deveriam necessariamente ser usadas para outra tarefa mais honrosa. A ideia apresentada é muito simples: quando uma roupa ficou suja em determinado trabalho, é apropriado trocar antes de realizar outra atividade. Na mesma passagem, Rabbi Yochanan afirma que um talmid chacham deveria cuidar de sua aparência e de suas roupas. A preocupação não era luxo. O problema era permitir que a aparência desleixada trouxesse desprezo sobre aquele que estudava Torah. A passagem chega a dizer que um sábio deveria ser reconhecido também pelo cuidado com sua roupa.

Isso é muito interessante porque mostra que os sábios não enxergavam uma oposição entre conhecimento das Escrituras e cuidado com coisas aparentemente pequenas. Estudar muito e cuidar pouco daquilo que está ao nosso redor não é sinal de grandeza. A Mishná e a Gemara estão cheias de discussões complexas, mas os sábios também falavam de roupas, sapatos, banho, alimentação, higiene e organização. A vida real não acontece apenas quando estamos estudando um texto. Ela acontece quando levantamos da cadeira, vamos para a cozinha, trabalhamos, cuidamos dos filhos, limpamos a casa e colocamos as coisas de volta no lugar.

Mas existe um perigo no outro extremo. É justamente aqui que as palavras de Yeshua são muito importantes.

Yeshua conhecia a preocupação dos fariseus com purezas externas e utilizou a imagem de um recipiente para mostrar que não adianta limpar somente aquilo que aparece. Ele disse:

Primeiro limpa o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.” Mattityahu 23:26

O ensinamento nesse verso é poderoso. O mashiach deixa claro que o Eterno realmente se importa com o exterior. E Devarim 23 prova isso. O acampamento deveria ser limpo. Mas o Eterno também se importa com o que está dentro. Podemos ter a casa impecável e o coração cheio de rancor. Podemos organizar perfeitamente os armários e não conseguir organizar nossos relacionamentos, ter roupas limpas e palavras sujas, lavar pratos enquanto alimentamos conflitos dentro da família, cuidar da aparência enquanto escondemos injustiça. Portanto, vemos que Yeshua não anulou o cuidado exterior. Ele mostrou que o exterior sozinho não é suficiente. A limpeza verdadeira precisa começar no interior e alcançar o exterior.

Uma casa limpa não precisa ser uma casa cara. É importante que isso seja dito, porque vivemos em uma época em que organização e limpeza muitas vezes foram transformadas em mercadoria. Não precisamos comprar tudo novo, não precisamos ter móveis caros, não precisamos possuir dezenas de recipientes organizadores nem copiar casas de revistas. O princípio bíblico é muito mais acessível do que se pensa. Uma pessoa pobre pode ter uma casa limpa e uma pessoa rica pode ter uma casa desorganizada. A diferença não está necessariamente na quantidade de recursos, mas na maneira como tratamos aquilo que temos.

Mishlei 21:20 diz que há tesouro desejável e azeite na habitação do sábio, enquanto o insensato os devora. A questão é apenas uma boa administração. Quem cuida conserva, mas quem desperdiça precisa constantemente substituir. Quem organiza encontra, mas quem acumula sem critério perde espaço, tempo e tranquilidade. E aqui podemos perceber uma aplicação muito prática de Luka 16:10: Yeshua ensina que aquele que é fiel no pouco também será fiel no muito. A maneira como tratamos uma pequena coisa revela muito sobre nós.

E com isso aprendemos que a nossa casa é uma escola de caráter. Talvez essa seja uma das aplicações mais importantes nesse contexto. As crianças aprendem muito mais observando do que ouvindo. Se dizemos: “Não deixe lixo no chão”, mas jogamos nossas próprias coisas em qualquer lugar, elas aprendem mais com nosso comportamento do que com nossas palavras. Quando ensinamos gratidão, mas desperdiçamos comida, existirá uma contradição e ela perceberá. Ao falarmos sobre cuidado, mas quebrarmos objetos e simplesmente os substituímos, ensinamos outra coisa. Se ensinamos responsabilidade, mas sempre deixamos para outra pessoa aquilo que nós mesmos poderíamos fazer, nossos filhos percebem.

A casa é uma pequena escola, ali aprendemos paciência, responsabilidade, aprendemos a compartilhar, a guardar, a limpar. Ali aprendemos a reparar, a pedir perdão, a respeitar o trabalho do outro. E, principalmente, aprendemos que ninguém deveria considerar qualquer tarefa digna demais para suas mãos.


4 - A casa de um homem também fala sobre sua capacidade de cuidar

Os escritos dos talmidim trazem um princípio muito direto. Shaul escreve que aquele que não sabe cuidar de sua própria casa terá dificuldade para cuidar de uma responsabilidade maior (1 Timotheo 3:5). Isso não significa que uma casa precise ser perfeita. Significa que a maneira como administramos nossa própria vida importa. Antes de querer administrar grandes coisas, precisamos aprender a cuidar das pequenas. Antes de querer ensinar outros sobre responsabilidade, precisamos aprender responsabilidade. E antes de querer corrigir a desordem dos outros, precisamos olhar para aquilo que está debaixo de nosso próprio teto. E isso vale para todos nós.

Até mesmo o rei Hizkiyahu nos dá uma advertência. Há um episódio muito interessante na vida desse monarca. Quando os mensageiros da Babilônia foram visitá-lo, Hizkiyahu mostrou-lhes seus tesouros, sua prata, seu ouro, suas especiarias, seu azeite, suas armas e tudo o que havia em sua casa e em seu domínio. Yeshayahu então veio repreendê-lo e anunciou que chegaria o dia em que aquilo que estava em sua casa seria levado para Babilônia. O problema não era possuir tesouros. O problema estava naquilo que aquela exposição revelava sobre sua confiança e sua relação com os recursos que possuía. Isso nos ensina que devemos cuidar das nossas coisas, mas não transformar nossas coisas em nossa identidade.

Podemos ter uma casa bonita sem fazer dela um ídolo, ter um carro bom sem fazer dele nossa glória, possuir ferramentas, livros, roupas, dinheiro e outros bens sem permitir que eles dominem nossa vida. As coisas devem estar em nossas mãos, não nossos corações nas coisas. A parashá diz: “O Eterno anda no meio do teu acampamento.” E voltamos ao ponto de partida.

Devarim 23 não termina dizendo simplesmente: “Cubra suas fezes porque isso é mais higiênico”. O Eterno dá uma razão muito mais profunda:

Porque o Eterno, teu Elohim, anda no meio do teu acampamento.” Devarim 23:14.

Yisrael deveria lembrar que sua vida acontecia diante do Eterno. Isso transforma o modo como enxergamos até as tarefas mais insignificantes como limpar um chão, um banheiro ou lavar louças. Quando ninguém está olhando, ainda assim cuidamos. Quando ninguém vai elogiar, ainda assim fazemos. Mesmo se ninguém souber quem limpou, ainda assim limpamos. Mesmo que ninguém perceba que colocamos algo de volta no lugar, ainda assim colocamos. Não fazemos isso para parecer melhores diante das pessoas. Fazemos porque o Eterno vê. E talvez essa seja a beleza escondida em um mandamento tão simples.

Concluindo nosso estudo, aprendemos com essa parashá que o Eterno não está distante das pequenas coisas da nossa existência. Ele está interessado na maneira como vivemos todos os nossos dias. Ele se importou com o acampamento dos israelitas, se importa com a nossa casa, com a maneira como tratamos aquilo que recebemos, com o nosso próximo, com as nossas palavras. HaShem se importa com aquilo que ninguém vê. E, justamente por isso, nossa casa pode se tornar um lugar de ensino. Não uma casa perfeita, uma casa de aparência, mas uma casa onde as pessoas aprendem que cuidar é uma forma de amar.

Quando recolhemos algo do chão, lavamos um prato, consertamos uma porta, guardamos uma ferramenta, não desperdiçamos comida, cuidamos de uma roupa, ensinamos uma criança a limpar o que sujou, estamos praticando algo muito maior do que organização. Estamos ensinando responsabilidade, gratidão, domínio próprio e consideração pelo próximo. E estamos lembrando, nas pequenas coisas, aquilo que Yisrael deveria lembrar no acampamento: o Eterno anda no meio da nossa vida.

Por isso, que nosso acampamento esteja limpo, que nossa casa seja bem cuidada, que nossas coisas sejam administradas com sabedoria e, acima de tudo, que aquilo que está dentro de nós também seja colocado em ordem. Afinal, não basta limpar o lugar onde vivemos; precisamos permitir que nossas atitudes, nossas palavras e nossos relacionamentos também reflitam o temor do Eterno. Pois quem ama o Eterno cuida daquilo que recebeu de suas mãos, inclusive das coisas pequenas.


Que o Eterno os abençoe.

Moshê Ben Yosef



quinta-feira, 18 de junho de 2026

Estudo da Parashá Korach - A verdadeira função do dízimo


 

Estudos da Torá

Parashá nº 38Korach (Korach)

Bamidbar/Números 16:1-18:32

Haftará (separação) 1Sm 11:14-12:22.

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) 2Tm 2:8-21.


A verdadeira função do dízimo


Ao estudar a porção dessa semana, entre fatos seríssimos ocorridos, encontramos instruções a respeito do dízimo. E este é um ponto muito importante que carrega sérios problemas de má interpretação. Com isso encontramos a diferença entre o sistema de dízimos estabelecido na Torá e a prática que se vê em muitos sistemas religiosos atuais.

Na Parashá Korach, o dízimo não era uma forma de enriquecimento pessoal dos líderes espirituais, ele tinha uma função comunitária e justa. Vamos analisar biblicamente o verdadeiro contexto e função do dízimo e compreender o que o Eterno espera de seus servos. Fique até o final e compreenda este assunto para nunca mais ser enganado.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Quando estudamos a questão dos dízimos apenas por meio de tradições posteriores ou criadas pelo sistema religioso, muitas vezes tudo é reduzido a uma única contribuição destinada a líderes religiosos, que supostamente seriam considerados os sacerdotes. O dízimo é um dos mandamentos que se tem mais ênfase no âmbito religioso atual. O descumprimento deste mandamento é visto como algo abominável de acordo com algumas denominações religiosas. Porém, ao examinarmos a Torá, percebemos que o assunto é muito mais amplo, rico e socialmente equilibrado.

Portanto, para compreendermos bem o assunto devemos ir para a fonte, o contexto original. Na prática, encontramos três finalidades distintas para o מעשר - ma'aser, que traduzido literalmente do hebraico éa décima parte” ou “dízimo”, e todas estão ligadas à aliança, à gratidão, à celebração e ao cuidado comunitário.

O dízimo não era um imposto religioso, também não era uma oferta voluntária, era parte da estrutura da aliança. Conforme veremos à frente, Yisrael reconhecia que toda a terra pertencia ao Eterno. E ao separar a décima parte da produção, o povo reconhecia que tudo vinha dEle. O dízimo era um ato de gratidão e submissão.

Assim, de acordo com a Torá, o ma´aser não é um dízimo único, como normalmente vemos nas igrejas, ele se divide em três mandamentos específicos:

- O Ma´aser Rishon (primeiro dízimo) – O dízimo dos levitas.

O primeiro dízimo aparece claramente em Bamidbar 18.

"E aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Yisrael por herança, pelo serviço que executam..." (Bamidbar 18:21).

Este dízimo tinha uma função específica:

  • sustentar os levitas;

  • permitir que se dedicassem ao serviço do Mishkan;

  • compensar a ausência de herança territorial.

Os levitas não receberam uma porção da terra como as demais tribos. O próprio Eterno declara: "Eu sou tua porção e tua herança." (Bamidbar 18:20). No entanto, existe um detalhe frequentemente esquecido: Os levitas também dizimavam. "Tomareis dos filhos de Yisrael os dízimos... e deles oferecereis uma oferta ao Eterno, o dízimo dos dízimos." (Bamidbar 18:26).

Assim, o sistema não criava uma classe privilegiada. Todos participavam da mesma dinâmica de reconhecimento da provisão do Eterno, que ia desde o povo, ou seja, os agricultores e criadores de animais, e todos os outros ofícios, até a tribo sacerdotal. Todos demonstravam dependência e reconhecimento.

- Ma'aser Sheni (segundo dízimo) - O dízimo das festas.

Muitas pessoas sequer sabem que este dízimo existe. Em Devarim lemos:

"Certamente darás os dízimos de toda a tua colheita, que cada ano se recolher do campo. E comerás perante HaShem teu Elohim, no lugar que Ele escolher para ali fazer habitar seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos da tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Eterno teu Elohim todos os dias." (Devarim 14:22-23).

Aqui ocorre algo surpreendente. O ofertante não entregava esse dízimo aos levitas. Ele o utilizava para si e sua família durante as celebrações diante do Eterno. O texto continua:

E gastarás esse dinheiro em tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; e ali comerás perante HaShem teu Elohim, e te alegrarás, tu e a tua casa.” (Devarim 14:26).

Observe que existe um princípio. O Eterno não instituiu apenas um sistema de contribuição, Ele também instituiu um sistema de celebração. O povo deveria separar recursos para comparecer às festas, alegrar-se, comer, compartilhar e lembrar-se da bondade do Eterno. Isso revela um aspecto maravilhoso da Torá. O Eterno não deseja apenas obediência, Ele deseja que Seu povo aprenda a celebrar Sua presença de coração grato.

- O Ma'aser Ani (dízimo do pobre) – O dízimo dos pobres, viúvas e necessitados.

A cada três anos, havia um destino diferente para o dízimo, como diz o texto:

"Ao fim de cada três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita daquele ano e os recolherás dentro das tuas portas." (Devarim 14:28).

Para quem era destinado?

"Então virão o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Eterno teu Elohim te abençoe em toda a obra que as tuas mãos fizerem." (Devarim 14:29).

Aqui encontramos uma das dimensões mais belas da Torá. O sistema do Eterno nunca foi centrado apenas no culto, pois Ele também era profundamente social. O pobre não era abandonado, a viúva não era esquecida, o órfão não era ignorado e o estrangeiro não era excluído. A prosperidade individual deveria produzir benefício coletivo, e dessa forma reduzir-se-ia a desigualdade social.

Em resumo, observe o equilíbrio extraordinário da Torá de HaShem. O primeiro dízimo sustenta os levitas. O segundo dízimo permite que a própria família celebre diante do Eterno e o terceiro dízimo sustenta os vulneráveis da sociedade. Isso revela algo profundo. O sistema estabelecido pelo Eterno não concentra todos os recursos em uma única instituição. Ele distribui responsabilidades instruindo provisão para o serviço do Mishkan, a celebração das festas e os necessitados.

Outro aspecto importante é: o que eles dizimavam? Muitas vezes se pensa apenas em dinheiro, mas na Torá o dízimo era principalmente:

  • grãos

  • vinho

  • azeite

  • rebanhos

  • frutos da terra

A economia de Yisrael era primordialmente agrícola. O dízimo estava ligado à produção da terra que o Eterno havia concedido. Por isso a linguagem da Torá é sempre ligada aos frutos da terra e aos rebanhos. Porém, como vimos acima em Devarim 14:25 e 26, caso fosse difícil para alguém de longe levar seus dízimos para o local que o Eterno escolheu, eles poderiam vender e carregar o dinheiro, e quando chegasse no local, comprariam o necessário para cumprir o mandamento.

É importante destacar, no entanto, que dois desses três dízimos ainda devem ser aplicados em nossas vidas, isto é: o ma´ase sheni e o ma´ase ani. E aqui aproveito para te perguntar, você cumpre esses mandamentos? Reflita sobre isso.

Aprofundando um pouco mais o assunto, é muito significativo que a discussão dos dízimos apareça logo após a rebelião de Korach, que almejava posição e destaque. O Eterno responde falando de responsabilidade. O povo poderia imaginar que os levitas haviam recebido privilégios. Mas o Eterno mostra que toda a estrutura foi criada para servir ao Eterno e ao próximo. Os levitas servem ao povo, que sustenta os levitas, as famílias celebram diante do Eterno e os necessitados são amparados. E assim, cada parte da comunidade contribui para o bem da outra. Esse é um modelo muito diferente de sistemas onde os recursos fluem apenas em uma direção. Onde os fiéis entregam o que possuem aos líderes, enquanto pobres e necessitados muitas vezes dentro da própria igreja estão desamparados, às vezes sem alimentos ou remédios. Líderes tem vida farta enquanto os fiéis padecem necessidade. Seria isso que o Eterno tinha em mente? Claro que não!

Na Torá, os dízimos não foram instituídos para enriquecer homens, mas para preservar a aliança, sustentar o serviço, promover a alegria nas festas e garantir que os vulneráveis fossem cuidados. Em outras palavras, o sistema dos dízimos revela que o Eterno não está apenas formando indivíduos obedientes. Ele está formando uma comunidade onde adoração, gratidão, celebração e misericórdia caminham juntas. Vejamos agora o primeiro tópico.


1 – Privilégio ou Responsabilidade

O final da parashá Korach é extremamente significativo, pois após a rebelião de Korach, o Eterno não encerra o assunto apenas com juízo, Ele faz algo muito importante: define claramente as responsabilidades, os limites e o sustento daqueles que foram separados para o serviço do Mishkan. Aqui é instituído o ma´aser, como já vimos. Isso não foi uma mudança de assunto, pelo contrário, é a resposta do Eterno à rebelião.

Korach havia questionado: "Por que Aharon? Por que os levitas?" O Eterno responde não apenas confirmando quem Ele escolheu, mas também explicando qual era o propósito dessa escolha e quais eram as responsabilidades envolvidas. Muitas pessoas leem Bamidbar 18 e imaginam que os sacerdotes e levitas receberam privilégios especiais.

O texto, no entanto, mostra exatamente o contrário. Logo no início do capítulo, o Eterno diz a Aharon: "Tu e teus filhos e a casa de teu pai levareis sobre vós a iniquidade do santuário..." (Bamidbar 18:1)

O sacerdócio não era um caminho para enriquecimento. Era um chamado para carregar responsabilidade. Enquanto as demais tribos cultivariam terras, construiriam propriedades e desenvolveriam sua herança familiar, os sacerdotes passariam suas vidas dedicados ao serviço do Mishkan.

O Eterno declara: "Na terra deles nenhuma herança terás... Eu sou tua porção e tua herança no meio dos filhos de Yisrael." (Bamidbar 18:20). Esse é um dos versículos mais profundos da Torá. As outras tribos receberiam terras, mas os levitas receberiam algo diferente. O próprio serviço ao Eterno seria sua herança e isso não significava uma vida confortável, mas dependência total. Enquanto um agricultor dependia de sua colheita, os levitas dependiam da fidelidade de todo Yisrael. Se o povo deixasse de obedecer, os levitas sofreriam imediatamente as consequências. Como vemos em Tehilim 73, de Asafe, um salmo que mostra o sofrimento do levita quando o povo deixa de cumprir esse mandamento. O que nos leva ao próximo tópico.


2 – Os levitas também davam dízimo

Conforme mencionamos na introdução ao falar sobre o ma´aser rishon, o fato de os levitas também entregarem o dízimo do que recebiam é um detalhe que costuma passar despercebido aos leitores menos atentos. Eles recebiam o dízimo do povo, de acordo com o que já foi dito, mas não ficavam com tudo. O Eterno ordenou:

"Também falarás aos levitas... quando receberdes dos filhos de Yisrael os dízimos que eu lhes dei por herança, deles oferecereis uma oferta alçada a HaShem, o dízimo dos dízimos." (Bamidbar 18:26).

Isso significa que os levitas também participavam da mesma dinâmica de submissão. Eles não estavam acima da instrução, também precisavam separar a melhor parte e entregar aos sacerdotes. O texto insiste várias vezes: "De toda a sua gordura oferecereis a melhor parte..." (Bamidbar 18:29).

A palavra "gordura" aqui representa a porção mais excelente do que foi recebido. O princípio é claro: O Eterno não recebe sobras, Ele recebe as primícias. Isso pode ser visto desde Hevel em Bereshit 4. Assim, entendemos que a questão nunca foi quantidade, sempre foi honra. O que se tem no coração, ou seja, a intenção.

Além disso, os sacerdotes recebiam outras porções sagradas como as ofertas (terumá), partes dos sacrifícios e ofertas específicas, que garantiam sua subsistência.


3 – Um paralelo com os profetas

Séculos depois, o problema não seria a ausência de dízimos apenas. O problema seria um coração distante. Por exemplo, em Yeshayahu:

"Este povo se aproxima de Mim com a boca, mas seu coração está longe de Mim." (Yeshayahu 29:13)

Os profetas nunca separaram contribuição financeira de obediência. Entregar dízimos enquanto se pratica injustiça não agrada ao Eterno, assim como, levar ofertas enquanto se oprime o próximo não restaura a aliança.

Existe uma conexão muito interessante, que na verdade, mostra uma inversão do propósito estabelecido pelo Eterno aqui nessa porção da Torá. A parashá Korach nos fornece uma lente poderosa para entender parte da crise espiritual que existia na classe sacerdotal em Yerushalayim no século I, época de Yeshua. Observando este período vemos a distinção, os saduceus haviam transformado o sacerdócio em uma instituição de poder político, algo muito distante do modelo estabelecido em Bamidbar 18. Claro, não podemos generalizar, devia haver sacerdotes fiéis no século I, mas o fato é que, já não eram mais da família de Aharon. Assista aos vídeos curtos sobre o assunto no canal ou no Facebook/Instagram.

Após a rebelião de Korach, o Eterno deixa claro que o sacerdócio é uma designação divina, que o sacerdote é servo, não governante, a função sacerdotal envolve responsabilidade e prestação de contas, que os dízimos existiam para sustentar o serviço do Mishkan e que o sacerdote não recebe herança territorial porque o próprio Eterno é sua herança. Em outras palavras, o sacerdócio foi estabelecido para servir ao povo diante do Eterno, e não para dominar o povo. Vê a diferença do que se percebe na maioria das igrejas?

O que aconteceu séculos depois? Durante o período do Segundo Templo, especialmente após a influência dos impérios grego e romano, o sacerdócio passou por profundas transformações. No século I, a aristocracia sacerdotal estava amplamente associada ao grupo dos saduceus, que historicamente, controlavam o Templo, grande parte da administração sacerdotal, o Sinédrio em diversos períodos e as relações políticas com Roma.

O historiador Flavius Josephus descreve os saduceus como uma elite ligada às famílias sacerdotais mais influentes. Tornaram-se uma classe social privilegiada, muito ligada à aristocracia de Jerusalém e, frequentemente, aos interesses políticos romanos. Enquanto o sistema sacerdotal na Torá visava a sustentação da comunidade, o sistema saduceu, no século I, era visto por grande parte da população como um mecanismo de exploração financeira. O resultado foi que muitos dos sumos sacerdotes deixaram de ser escolhidos segundo o ideal da Torá e passaram a ser nomeados ou removidos por autoridades políticas estrangeiras, como os romanos.

Observe a diferença fundamental:

Em Bamidbar 18: Aharon recebe responsabilidade.

No século I: Muitos líderes sacerdotais buscavam influência.

Em Bamidbar:

  • o sacerdote depende do Eterno;

  • o sacerdote serve;

  • o sacerdote intercede.

No século I:

  • o sacerdócio estava frequentemente ligado ao poder econômico;

  • havia alianças políticas com Roma;

  • o Templo movimentava enormes recursos financeiros.

Isso criou uma ironia impressionante. Korach desejava uma posição que não lhe havia sido dada. Séculos depois, muitos disputavam exatamente as posições sacerdotais que deveriam ser encaradas como serviço e não como prestígio.

Assim, quando Yeshua entra no Templo e derruba as mesas dos cambistas em Matityahu 21:12-13 e Yochanan 2:13-16, ele não está atacando o sistema sacrificial estabelecido pelo Eterno, Ele estava na verdade, denunciando sua corrupção. O local destinado à oração e ao arrependimento havia se tornado um centro de exploração econômica. A crítica de Yeshua lembra fortemente a dos profetas. Como Yirmeyahu já havia advertido: "Tornou-se esta casa, que se chama pelo meu nome, um covil de ladrões aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Eterno." (Yirmeyahu 7:11). A questão não era o Templo ou os mandamentos sobre sacrifícios, era o coração daqueles que o administravam.

Concluindo nosso estudo, devemos guardar uma grande lição, a parashá Korach termina falando dos dízimos e do sustento sacerdotal porque o Eterno está definindo o que significa liderança em seu Reino, isto é, serviço ou ministério. Ele mostra que não se trata de líderes ganharem dinheiro, nem de status, de prestígio e muito menos de influência. O sacerdócio existe para carregar responsabilidade diante do Eterno e servir ao povo.

Quando olhamos para parte da liderança sacerdotal do século I, percebemos como Yisrael havia se afastado desse ideal. O problema não era a existência do sacerdócio, mas a transformação do serviço em instrumento de poder. E atualmente, isso não é diferente, pois homens se beneficiam, erroneamente diga-se de passagem, por não serem sacerdotes, enquanto vidas passam necessidades próximo a eles. É por isso que a mensagem de Korach continua tão atual: o foco principal do capítulo não é o dízimo em si. O foco é o serviço. A parashá Korach começou com homens desejando posição e termina mostrando o peso dessa posição.

O Eterno praticamente diz: "Vocês veem a honra do sacerdócio, mas não veem sua responsabilidade." Os sacerdotes:

  • carregavam a responsabilidade do santuário;

  • respondiam pelos erros ligados ao serviço;

  • dedicavam suas vidas integralmente ao Mishkan.

O sustento existia porque havia uma função específica ordenada pelo Eterno. O problema surge quando se cria uma equivalência automática. Muitas vezes, no sistema religioso, se ensina: "Os pastores de hoje são equivalentes aos sacerdotes levíticos." Mas essa afirmação além de muito errada, encontra dificuldades quando comparada diretamente com a Torá. Em Bamidbar 18:

  • o sacerdócio era hereditário;

  • os levitas pertenciam a uma tribo específica;

  • o serviço acontecia no Mishkan e posteriormente no Templo, até o surgimento dos saduceus;

  • as responsabilidades eram definidas pelo Eterno.

E nem adianta ninguém dizer que Yeshua mudou isso, pois não é verdade. Nenhum desses elementos corresponde exatamente ao modelo religioso de dízimo moderno. Por isso, uma simples substituição de "levita" por "pastor" não combina com o texto da Torá. E o propósito do dízimo segundo é ensinado pelo sistema está totalmente fora dos padrões das Escrituras. E eu te pergunto: Você obedece ao Eterno ou a homens?


Que o Eterno lhes abençoe.

Moshê Ben Yosef