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sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Estudo da Parashá Bo - Libertação e o Enfrentamento dos Sistemas Opressivos.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 15 – Bo (Vá)

Shemot/Êxodo 10:1-13:16

Haftará (separação) Jr 46:13-28 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Lc 2:22-24; Jo 19:31-37 e Ap 8:6-9:12.


Tema: Libertação e o Enfrentamento dos Sistemas Opressivos.


Imagine viver em um mundo onde tudo ao seu redor dita como você deve pensar, agir e até no que acreditar. Um sistema que te faz sentir seguro, mas, na verdade, te mantém escravizado. É como uma matrix onde parece estar correto, mas na verdade não está. Parece algo distante? Não é. Mitsrayim/Egito e Bavel/Babilônia não são apenas lugares do passado, eles são apontamentos proféticos claros de sistemas que continuam aprisionando pessoas até hoje.

Na Parashá Bo, o Eterno libertou Yisrael de Mitsrayim com mão poderosa. Mas será que essa libertação foi apenas um evento histórico, ou ela carrega um significado muito mais profundo para nós hoje? E o que Bavel tem a ver com tudo isso?

Se você sente que algo no mundo te prende, te afasta do Eterno e te impede de viver plenamente segundo os princípios de HaShem, então este estudo é para você. Está na hora de entender como esses sistemas ainda funcionam e como podemos sair deles!

Saí dela, povo Meu, para que não sejais participantes dos seus pecados! Ap 18:4. Prepare-se para uma jornada de entendimento e libertação!


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Bo relata os acontecimentos finais antes da saída dos filhos de Yisrael da terra de Mitsrayim/Egito. Nesta porção, o Eterno envia as últimas três últimas pragas contra Mitsrayim: gafanhotos, escuridão e a morte dos primogênitos. É também nesta parashá que o Eterno institui o chag HaMatzot (festa dos pães sem fermento) e o korban Pesach (sacrifício de Pesach), marcando o início do êxodo, ou seja, a saída do Egito.

O Eterno permite o endurecimento do coração de Faraó para mostrar Seu poder e sinais. Gafanhotos cobrem a terra, consumindo tudo o que restou das colheitas após a praga de granizo. Apesar da súplica emocionada de Faraó, ele volta a endurecer seu coração. Uma densa escuridão cobre Mitsrayim por três dias. Apenas os filhos de Yisrael tinha luz em suas habitações. Faraó oferece permitir que os homens de Yisrael saiam para servir ao Eterno, mas as mulheres, crianças e rebanhos permaneceriam como garantia. Mosheh recusa óbviamente.

O Eterno avisa que a última praga seria a morte de todos os primogênitos em Mitsrayim, tanto de homens quanto de animais. Essa praga alcança grande clamor em toda a terra, mas os filhos de Yisrael seriam poupados, se obedecessem aos mandamentos que o Eterno estaria lhes passando. O Eterno estabelece o mês de Aviv como o primeiro mês do ano. Cada família de Yisrael deve separar um cordeiro sem defeito, sacrificá-lo no dia 14 ao entardecer e colocar seu sangue nas ombreiras e na verga das portas. A carne deve ser assada e comida com matzot e ervas amargas, em preparação para a saída apressada. À meia-noite, o Eterno executaria o julgamento anunciado, e todos os primogênitos de Mitsrayim morreriam, desde o filho de Faraó até o dos prisioneiros e os primogênitos dos animais. Há um grande clamor em Mitsrayim, e Faraó finalmente ordena que os filhos de Yisrael saiam imediatamente. O povo de Yisrael, obedecendo às instruções do Eterno, toma empréstimos de prata e ouro dos egípcios.

Cerca de 600 mil homens, além de mulheres e crianças, deixam Mitsrayim em direção ao deserto. Eles levam matzot, pois não houve tempo de preparo do pão fermentado. Esse evento marca o cumprimento da promessa feita pelo Eterno a Avraham, de que seus descendentes seriam libertos da escravidão após 400 anos da promessa feita a Avraham. O Eterno estabelece regras previstas para a celebração de Pesach: somente os membros do povo de Yisrael podem participar; nenhum estrangeiro, servo não circuncidado ou pessoa que não pertença à comunidade pode comer do korban Pesach. Todo o sacrifício deve ser consumido em uma única noite, sem sobras, e nenhum osso de cordeiro deve ser quebrado. Essas instruções são perpétuas para todas as gerações. O Eterno ordena que todos os primogênitos de Yisrael, tanto de homens quanto de animais, sejam consagrados a Ele, como um sinal de redenção que Ele fez ao poupar os primogênitos de Yisrael durante a décima praga. A celebração de chag HaMatzot é instituída como um memorial perpétuo, para lembrar que o povo foi libertado apressadamente de Mitsrayim e saiu da escravidão pela mão poderosa do Eterno. Este evento deve ser transmitido à todas as gerações como um sinal de fidelidade do Eterno.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Ao lermos essa parashá junto com as duas anteriores devemos ver Mitsrayim não apenas como um lugar ou uma situação que ocorreu na história do povo de HaShem, mas como um apontamento profético de um sistema que escraviza e afasta as pessoas do Eterno. Nesse sentido, é possível observar uma relação ou comparação entre Mitsrayim/Egito e Bavel/Babilônia como símbolos proféticos de sistemas opressores e corruptos que escravizam o povo do Eterno e os afasta de Seus caminhos. Ambos representam poderes mundanos que contrariam os mandamentos e vontades do Eterno e tentam manter Seu povo cativo, seja fisicamente ou espiritualmente, ou seja, em relação à obediência aos mandamentos. Esse conceito é sustentado pelas Escrituras, tanto na Toráh quanto nos Nevi'im/profetas, e também é refletido nos ensinos de Yeshua e dos emissários.

A libertação de Mitsrayim é, de fato, um evento central na história do povo de Yisrael e possui diversas camadas de significado espiritual e moral. Esse evento é um marco que revela o poder, a justiça e a misericórdia do Eterno, e deve ser lembrado em todas as gerações, como enfatizado em Shemot/Ex 12:14:


Este dia vos será por memorial, e o celebrareis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.


Mitsrayim como Símbolo de Opressão e Pecado

A Toráh frequentemente descreve Mitsrayim como um lugar de severa aflição e opressão. Em Shemot/Ex 3:7-8, HaShem diz:


"De fato, tenho visto a opressão sobre o meu povo no Egito. Ouvi os seus lamentos por causa dos seus feitores, e sei quanto estão sofrendo."


Outro texto na Toráh que mostra o Egito como um lugar de opressão e afastamento do Eterno é em Shemot/Ex 20:2


Eu sou o Eterno, teu Elohim, que te tirei da terra de Mitsrayim, da casa da servidão.


O próprio Eterno define Mitsrayim como um lugar de servidão, da qual Ele resgata Seu povo. Assim como Yisrael estava preso lá, muitos hoje estão presos a sistemas que os afastam da verdade. Isso ilustra Mitsrayim como um sistema que inflige sofrimento e tenta aprisionar o povo do Eterno através do medo e do engano. Além disso, em Devarim/Dt 4:20, Mitsrayim é chamado de "fornalha de ferro", simbolizando um lugar de purificação através da adversidade, onde o Eterno prova e prepara seu povo, mas também representa aflição e opressão, das quais o Eterno livrou seu povo para que viva conforme seus mandamentos.


Mas o Eterno vos tomou e vos tirei da fornalha de ferro, de Mitsrayim, para que sejais para Ele um povo por herança, como hoje se vê. Dt: 4:20


A opressão de Mitsrayim pode ser entendida como uma metáfora para qualquer sistema ou ambiente que desvirtua as pessoas do caminho do Eterno e as aprisiona em uma existência de pecado e idolatria. A libertação do Egito, portanto, não é apenas a libertação física de um povo, mas também uma libertação espiritual de um sistema corrupto e opressivo.

Os profetas, Nevi’im em hebraico, também usam Mitsrayim como apontamentos proféticos de sistemas opressores e corrompidos. Veja um exemplo:


Ai dos filhos rebeldes, diz o Eterno, que tomam conselho, mas não de Mim, e fazem aliança, mas não pelo Meu Espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado! Que descem a Mitsrayim sem Me consultarem, para se fortalecerem com a força de Faraó e confiarem na sombra de Mitsrayim! Yeshayahu 30:1-2


Também vemos em Yechezkel 23:27:


Assim farei cessar a tua perversidade de Mitsrayim, e não levantarás mais os teus olhos para eles, nem mais te lembrarás de Mitsrayim.


O profeta fala de Mitsrayim como um símbolo de corrupção e do afastamento do Eterno. O objetivo do Eterno é libertar Seu povo não apenas fisicamente, mas espiritualmente, para que não volte a buscar segurança ou influência em sistemas corrompidos.

Aqui nestes textos, Mitsrayim representa um lugar de falsa segurança. Assim como muitos no passado confiaram em Mitsrayim ao invés de confiar no Eterno, hoje há aqueles que defendem os sistemas deste mundo e rejeitam a verdade do Eterno.

Entretanto, o Egito não é o único apontamento profético para um sistema que oprime, corrompe e aprisiona, veremos no próximo tópico mais um lugar que exerceu um papel semelhante e que o faz até os dias atuais.


Bavel como Representação de Corrupção e Influência Negativa

Bavel, ou Babilônia, é outra metáfora poderosa para um sistema pecaminoso. Os profetas frequentemente condenam Babilônia por sua corrupção e influência nefasta. Isaías 47:1-3 profetiza a queda de Babilônia:


Desce, assenta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão, não há mais trono.


Essa profecia destaca Babilônia como uma força opressora que será inevitavelmente derrubada. De forma semelhante, Yirmeyahu/Jr 51:6-7 descreve Babilônia como "um copo de ouro na mão do Senhor, que embriagava toda a terra."


Fujam da Babilônia! Cada um por si! Não sejam destruídos por causa da iniqüidade dela. É hora da vingança do Senhor; ele pagará a ela o que ela merece. A Babilônia era um cálice de ouro nas mãos do Senhor; ela embriagou a terra toda. As nações beberam o seu vinho; por isso agora, enlouqueceram.


Babilônia é frequentemente associada com a arrogância, a idolatria e a busca desenfreada por poder e riqueza. Essas características são contrastadas com os valores do Eterno, que enfatizam a justiça, a misericórdia e a humildade. Assim como Mitsrayim, Bavel representa um sistema que desvia as pessoas do verdadeiro caminho de HaShem e as corrompe. Atualmente muitos estão presos a ela por meio de sistemas religiosos corrompidos e distantes da verdade, mas que mascarados e vestidos de meias verdades ou sofismas enganam e corrompem pessoas mantendo-as afastadas do Eterno e de seus mandamentos de vida.


Ensinos de Yeshua e dos Apóstolos sobre Sistemas Opressivos

Yeshua e os apóstolos também abordaram temas relacionados a sistemas mundanos e pecaminosos. Em Mateus 23:13, Yeshua critica os líderes religiosos que desviavam as pessoas do verdadeiro caminho:


Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando.


Yeshua frequentemente confrontava aqueles que, com suas práticas corruptas e hipócritas, desviavam as pessoas da verdadeira devoção ao Eterno.

Em João 8:34, Yeshua fala sobre o pecado como uma forma de escravidão:


Em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.


Pecado é qualquer transgressão ou desobediência à Toráh, de acordo com o que diz 1Jo 3:4. Essa ideia de escravidão ao pecado ecoa a condição do povo de Yisrael em Mitsrayim, onde estavam fisicamente e espiritualmente oprimidos, pois muitos tinham se deixado dominar pelas práticas egípcias. Assim como os filhos de Yisrael foram libertos da escravidão no Egito, Yeshua ensina que a verdadeira escravidão é a do pecado, a transgressão à Toráh, que mantém as pessoas presas longe do Eterno. O mestre compara essa condição com a de um servo que não tem liberdade dentro da casa do seu senhor. Assim como o Eterno tirou Yisrael de Mitsrayim, Yeshua aponta para uma libertação mais profunda, a do coração e da mente, para que o povo viva verdadeiramente segundo os caminhos do Eterno.


"Vós sois de vosso pai, aquele que se opõe, e quereis satisfeitos os desejos dele. Ele foi homicida desde o princípio e não encontrou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele fala mentira, fala do que Ele é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” Jo 8:44


Aqui, Yeshua mostra que há um sistema de engano no mundo, que prende as pessoas na mentira e as mantém afastadas do Eterno, assim como Faraó manteve Yisrael cativo em Mitsrayim. Esse "Mitsrayim moderno" tenta desviar as pessoas da verdade, tornando-as escravas de falsas doutrinas e práticas que não vêm do Eterno.

Os apóstolos reforçam essa visão de que há um sistema de escravidão que prende as pessoas, da mesma forma que o Egito aprisionou o povo.


Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça? Mas, graças ao Eterno, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça. Rm 6:16-18


Sha’ul ensina que há dois senhores, ou a pessoa serve ao pecado e está escravizado pelo sistema que se opõe ao Eterno, ou serve à justiça, vivendo conforme os mandamentos do Eterno. Da mesma forma como Yisrael foi tirado do Mitsrayim para servir ao Eterno, aquele que abandona o sistema de corrupção e o pecado passa a caminhar em obediência. É simples e não tem mistério algum! Se você vive longe da Toráh está em pecado, portanto preso ao sistema, e precisa se libertar.

Paulo também exorta os crentes a não se conformarem com os sistemas mundanos. Em Romanos 12:2, Sha’ul/Paulo escreve:


E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Elohim.


Essa exortação é um chamado à resistência contra a conformidade com os valores pecaminosos do mundo. Ainda encontramos exortações em Gl 4:3-5, onde o apóstolo compara a escravidão de Mitsrayim com a servidão aos rudimentos do mundo, ou seja, os sistemas e padrões que foram excluindo as pessoas do Eterno. Assim como Yisrael foi libertado, aqueles que seguem os Caminhos do Eterno e as palavras de Yeshua são chamados para sair dessa servidão e viver como filhos d'Ele. Semelhantemente, em Ef 2:1-2, Sha’ul ensina que o "curso deste mundo" é semelhante ao Mitsrayim: um sistema que mantém as pessoas afastadas da vontade do Eterno e presas na desobediência. A libertação desse "Mitsrayim" vem pela obediência aos mandamentos e pela confiança firme no Eterno. Porque será que os sistemas cristãos sempre dizem que não precisam obedecer aos mandamentos do Eterno, que basta viver a graça? Será que não estão te enganando? Buscando te manter preso em suas teias e distantes do Eterno como Yeshua e os apóstolos falaram? Pense nisso!

Em 1 João 2:15-17, Yochanan/João adverte contra a atração dos sistemas mundanos que desviam as pessoas de HaShem:


Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo. O mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Elohim permanece para sempre.


Essas passagens reforçam a necessidade de buscar a vontade de Elohim e resistir às influências corruptoras do mundo, incluídos aqui estão os sistemas religiosos. Em Revelações, conhecido como Apocalipse, encontramos uma mensagem clara para todos que estão presos conscientes ou inconscientes no sistema.


E ouvi outra voz do céu, dizendo: Saí dela, povo Meu, para que não sejais participantes dos seus pecados e para que não recebais das suas traduções. Ap 18:4


Assim como Yisrael foi chamado a sair de Mitsrayim, ainda há um chamado para que o povo do Eterno abandone os sistemas corrompidos que aprisionam e afastam da verdade. Esse “Mitsrayim moderno” pode ser visto como qualquer estrutura de poder, ideologia ou cultura que se oponha aos Caminhos do Eterno e prenda as pessoas na desobediência.

Voltando ao TaNaK, o rei Sh’lomoh/Salomão nos deixou uma orientação clara sobre isso.


Confia no Eterno de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas. Não seja seguro a seus próprios olhos; teme ao Eterno e aparta-te do mal. Pv 3:5-7


Esse ensino do sábio Salomão reforça que a verdadeira libertação não vem pela força humana ou pelo próprio entendimento, mas sim pela confiança firme no Eterno e pela obediência aos Seus mandamentos. Assim como Yisrael foi libertado de Mitsrayim para seguir nos caminhos do Eterno, cada um deve abandonar os sistemas e influências que lhes afastaram da verdade e assim, caminhar conforme as Escrituras.


A Comparação entre Mitsrayim e Bavel

Tanto Mitsrayim quanto Bavel servem como metáforas para qualquer sistema que se opõe à vontade de HaShem e tenta aprisionar as pessoas em pecados e idolatrias, conforme demonstramos acima. Mitsrayim simboliza a escravidão, enquanto Bavel representa a corrupção e a influência negativa que leva à idolatria e desvio do caminho do Eterno. Essas comparações são consistentes nas Escrituras e nos ensinamentos de Yeshua e dos apóstolos, ressaltando a importância de buscar a libertação obedecendo aos mandamentos e permanecer fiel ao Eterno.

A libertação de Mitsrayim é, portanto, mais do que um evento histórico, mas um modelo profético pata todas as gerações. É também um símbolo eterno da redenção divina e um lembrete contínuo da luta contra os sistemas opressivos e pecaminosos de todas as épocas. Hoje o Egito e a Babilônia representam qualquer sistema, religioso ou não, que escraviza, corrompe e afaste as pessoas do Eterno. Assim, todas as gerações são desafiadas a sair de Mitsrayim, rejeitando tudo o que nos afasta de HaShem e andando em Sua verdade, com obediência e confiança nele. O chamado do Eterno é constante: Saia de Mitsrayim e Bavel! Viva para ele!


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Estudo da Parashá Va'era - Não há outro além do Eterno.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 14 – Va’era (E apareci)

Shemot/Êxodo 6:2-9:35

Haftará (separação) Ez 28:25-29:21 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Rm 9:14-17; 2Co 6:14-7:1.


Tema: Não há outro além do Eterno.


A Parashá Va’era nos transporta para um momento muito significativo na história de Yisrael enquanto nação: a revelação do poder e da fidelidade do Eterno na libertação da escravidão no Mitzrayim/Egito. Mais do que um relato de sinais e pragas, esta porção das Escrituras nos mostra quem é o Eterno – Aquele que se revelou a Avraham, Yitzhak e Yaakov como El Shadai e que agora manifesta Seu Nome completo, através do tetragrama, por meio de ações poderosas e inquestionáveis. Tudo isso de maneira profética, apontando para o futuro e para a redenção final de seu povo.

Com mão forte e braço estendido, o Eterno demonstra que Ele é o único Elohim, acima de todos os deuses de Mitzrayim e das forças humanas. Este mesmo poder é refletido na Haftará, onde Yechezkel profetiza a futura redenção de Yisrael e a humilhação dos inimigos do povo, e ecoa nos testemunhos dos talmidim de Yeshua, que enfatizam Sua soberania e o chamado à santidade para aqueles que pertencem a Ele.

Ao explorar esta parashá, veremos como o Eterno não apenas livra, mas separa e transforma Seu povo para que eles sejam testemunhas vivas de Sua santidade e glória. Seremos desafiados a refletir: estamos confiando no único Elohim verdadeiro? Estamos vivendo de forma separada e íntegra, como Ele nos chamou?

Prepare-se para mergulhar em uma jornada que nos ensina que, em tempos de adversidade ou calmaria, não há outro além do Eterno.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Na parashá Va’era, o Eterno reafirma Sua aliança com os filhos de Yisrael, lembrando a Moshê que Ele havia Se revelado a Avraham, Yitzchak e Yaakov como El Shadai, mas que agora estava revelando Seu Nome completo, falando a Moshê o Tetragrama, que por respeito chamamos HaShem (o nome), cujo significado demonstra Seu poder e fidelidade. Moshê é instruído a liderar os filhos de Yisrael para fora do Egito, mas o povo, sofrendo sob a opressão dos egípcios, não ouve Moshê por causa do desânimo e do duro trabalho.

O Eterno começa a executar Seus julgamentos contra Mitzrayim/Egito para mostrar que Ele é o único verdadeiro Elohim. As pragas iniciam com Moshê e Aharon indo ao faraó, pedindo que ele deixe o povo partir. Quando ele se recusa, o Eterno transforma as águas do Nilo em sangue, seguido de pragas de rãs, piolhos e enxames de animais voadores, trazendo caos ao Egito, mas poupando a terra de Goshen, onde viviam os filhos de Yisrael.

Mesmo assim, o coração do faraó continua endurecido. O Eterno envia pragas ainda mais devastadoras: a morte dos animais dos egípcios, feridas dolorosas em homens e animais, e uma chuva de granizo misturada com fogo, que destrói plantações e abate qualquer pessoa ou animal que não esteja abrigado. Cada praga revela o poder do Eterno e a futilidade dos deuses egípcios.

Ao longo da narrativa, vemos a luta entre a obstinação do faraó e o propósito divino de libertar Yisrael. Apesar do sofrimento, o Eterno protege Seu povo e demonstra que Ele é fiel às Suas promessas. Este é um relato que não apenas nos ensina sobre a libertação do Egito, mas também sobre o poder do Eterno em cumprir Suas palavras e a necessidade de reconhecê-lo como o único Elohim.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

A Parashá Va’era registrada na Torah no Sêfer/Livro de Shemot/Êxodo nos apresenta o início de uma poderosa narrativa de redenção, onde o Eterno reafirma Sua aliança com os filhos de Yisrael e inicia o processo de libertação de Mitzrayim. Acompanhando essa porção, a Haftará em Yechezkel e os textos da B’rit Hadashah complementam a mensagem central, nos confirmando que o Eterno é soberano, fiel às Suas promessas e nos chama a viver separados para Ele, como um testemunho vivo de Sua santidade.

É impressionante vermos nos textos da Torah como o Eterno usa de meios humanos de comunicar uma idéia, confirmado assim sua fidelidade. Note que no comentário de rodapé da Torah da editora Sêfer, acerca do verso 8, sobre o Eterno dizer “levantei Minha mão”. Veja o que diz o referido comentário:


Antigamente fazia-se um juramento solene levantando-se a mão. Avraham levantou a mão para jurar que não se aproveitaria de nada que não lhe pertencesse (Gn 14:22). O Eterno, empregando na Torah a linguagem dos homens, disse também “Nassati et Iadi” – levantei minha mão. Torah a Lei de Moisés, Editora Sêfer, Página 168.


Com isso, percebemos claramente, a fidelidade do Eterno em cumprir a aliança feita aos patriarcas. Continuemos então, através de alguns pontos a observar a soberania do Eterno e o seu chamado a cada um de nós à uma vida santa, para que sejamos participantes da aliança.


1. A Fidelidade do Eterno: Sua Aliança é Eterna

O Eterno inicia esta porção reafirmando Sua aliança com Avraham, Yitzchak e Yaakov, conforme lemos em Shemot 6:2-8. Ele promete tirar o povo das cargas de Mitzrayim/Egito com mão forte, demonstrando Seu Nome, o Tetragrama, que revela Sua essência eterna e imutável. Essa promessa reflete o cuidado do Eterno em cumprir o que prometeu, mesmo em tempos de aparente esquecimento.

Na Haftará ou porção dos profetas, que está em Yechezkel 28:25-29:21, o Eterno promete congregar os exilados de Yisrael e restaurá-los em segurança. Assim como libertou o povo do Egito, Ele novamente os livrará dos inimigos e lhes dará paz na terra que prometeu. Esse ciclo de redenção reafirma que Ele nunca abandona Seu povo, mesmo em meio ao sofrimento.

O sofrimento pode nos fazer duvidar da presença do Eterno, mas a porção Va’era nos lembra que Ele é fiel. Sua palavra não falha. Como talmidim de Yeshua o messias, somos chamados a confiar nessa fidelidade e permanecer firmes em meio às provações, sabendo que a redenção é certa.


2. A Soberania do Eterno: Não há outro além d’Ele

As pragas enviadas ao Egito não foram apenas castigos, mas também uma demonstração do poder do Eterno sobre crença das pessoas nos deuses egípcios. Cada praga desafiava uma divindade, mostrando que não há outro Elohim além do Eterno. A declaração em Shemot 9:16 é impactante:


Para isso te mantive, para mostrar em ti o Meu poder, e para que o Meu Nome seja anunciado em toda a terra.


Perceba que os shaliachim/apóstolos compreendiam acerca da soberania do Eterno, tanto que podemos observar o paralelo em Rm 9:14-17, onde Shaul cita este versículo para explicar que o Eterno age soberanamente para manifestar Sua glória. Assim como endureceu o coração do faraó para demonstrar Seu poder, Ele usa até mesmo as escolhas humanas para cumprir Seus propósitos.

Os sábios do povo de Yisrael comentam que o endurecimento do coração do faraó não negava seu livre-arbítrio, mas revelava que, mesmo diante da clareza dos sinais divinos, o orgulho e a rebeldia podem dominar o ser humano, vemos isso no Midrash Shemot Rabbah 13:3.

Precisamos reconhecer que o Eterno é soberano sobre todas as coisas. Mesmo quando não entendemos Seus caminhos, Ele está no controle. A grande questão é: estamos dispostos a nos submeter à Sua vontade? Ou permitimos que nosso coração se endureça como o do faraó?


3. Um Chamado à Separação e à Santidade

Enquanto as pragas devastavam o Egito, o povo de Yisrael, em Goshen, foi poupado. Isso reflete a separação que o Eterno faz entre os que Lhe pertencem e o restante do mundo. Mas é importante lembrar que nem todos ali eram realmente separados para o Eterno, apenas o pequeno remanescente fiel, que através de suas vidas justas, clamavam ao Eterno e beneficiavam aos demais que viviam em Goshem. Essa separação não é apenas física, mas espiritual, ou seja, refere-se à obediência aos mandamentos, como Shaul nos ensina em 2Co 6:14-7:1:


Que comunhão tem a luz com as trevas? Que relação há entre justiça e iniquidade?


Os talmidim de Yeshua são chamados a viver de maneira distinta, como um reflexo da santidade do Eterno. Assim como o povo de Yisrael foi separado em Goshen, somos separados através das nossas ações, palavras e escolhas. O Midrash Tanchuma (Va’era 14) ensina que o povo foi liberto não apenas por clamar ao Eterno, mas por se afastar das práticas idólatras do Egito.

Vivemos em um mundo em que as pessoas valorizam o que o Eterno reprova. A separação que Ele nos chama a viver não é para isolamento, mas para sermos um testemunho vivo de quem Ele é. O Eterno espera que nossas práticas revelem sua santidade e grandeza às pessoas, a fim de levá-las ao arrependimento e mudança de vida. Nosso comportamento deve apontar para a santidade do Eterno e inspirar outros a buscá-Lo.

A Parashá Va’era nos ensina que o Eterno é fiel, soberano e nos chama à santidade. Ele liberta Seu povo com mão forte e braço estendido, e nos convida a confiar n’Ele mesmo quando as circunstâncias são desafiadoras. Assim como Ele revelou Seu poder no Egito, Ele continua agindo em nossas vidas hoje.

Pare um pouco e reflita nessas três perguntas abaixo:

- Em quais áreas de sua vida você precisa confiar mais no Eterno e em Suas promessas?

- Você tem refletido a santidade do Eterno em suas ações e escolhas diárias?

- O que impede você de se separar das "práticas de Mitzrayim" e se aproximar mais do Eterno?

Concluindo nosso estudo, notamos que ao percorrermos a Parashá Va’era, a Haftará em Yechezkel e os textos da B’rit Hadashah mencionados, uma mensagem clara emerge: o Eterno é soberano, fiel e único. Ele não apenas libertou Yisrael das garras de Mitzrayim, mas também demonstrou Seu poder absoluto sobre todas as forças que tentam rivalizar com Sua autoridade. Mais do que redimir, Ele chama Seu povo para uma vida separada e dedicada a Ele, como testemunhas de Sua santidade e glória.

Essa mensagem continua falando através das gerações, e nos desafia hoje a refletir sobre nossas próprias vidas. Como estamos respondendo ao chamado do Eterno? Reconhecemos que Ele é o único Elohim, ou ainda confiamos em "Mitzrayim" – as forças do mundo, nossas próprias capacidades ou ídolos modernos? Estamos dispostos a viver como um povo separado, ou deixamos que os valores do mundo nos afastem de nosso propósito maior?

Assim como Yisrael foi poupado e separado em Goshen, somos chamados a ser luz no meio das trevas, vivendo de forma que o Nome do Eterno seja exaltado através de nós. Essa é a essência do testemunho de Yeshua e dos talmidim: não apenas confiar no poder redentor do Eterno, mas também caminhar em Sua santidade, como um reflexo de quem Ele é.

Lembrem-se: não há outro além do Eterno. Ele é o mesmo que ouviu os clamores dos remanescentes de Yisrael, que desafiou os deuses do Egito e que nos chama hoje para confiar, obedecer e viver como Seu povo escolhido. Que essa mensagem inspire mudanças profundas em sua vida e o leve a caminhar mais próximo do Eterno. Permita que este estudo transforme sua perspectiva. O Eterno é fiel e soberano, e Seu chamado para nós é viver como povo redimido e santo.


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Estudo da Parashá Shemot - Ouça a disciplina do Eterno.

 


Estudos da Torá


Parashá nº 13 – Shemot (Nomes)


Shemot/Êxodo 1:1-6:1


Haftará (separação) Is 27:6-28:13 e


B’rit Hadashah (nova aliança) Mt 22:23-33, 41-46.


Tema: Ouça a disciplina do Eterno.

No estudo desta semana, a Parashá Shemot marca o início de uma narrativa dramática e transformadora da história do povo de Yisrael, sua opressão no Egito e o chamado do Eterno para a libertação. Porém, antes que a redenção ocorresse, o período de escravidão revelou muitos desafios quanto aos atos de obediência e fidelidade ao Eterno. Nesse cenário de opressão generalizada, surgem questões importantes: Como os filhos de Yisrael mantiveram sua conexão com o Eterno? Que papel a sua obediência desempenhou em sua preservação enquanto povo? E como a tribo de Levi se destacou em meio às tribulações?
Este estudo busca explorar essas perguntas, examinando o relato das Escrituras, as reflexões dos rabinos e as contribuições de pensadores contemporâneos, como Bruno Summa. Através de uma análise cuidadosa, veremos como a preservação da identidade cultural e espiritual dos filhos de Yisrael foi crucial para sua sobrevivência e redenção. Também refletiremos sobre as lições que este período oferece para nossa própria vida, especialmente sobre a importância da fidelidade ao Eterno em tempos de adversidade. Ao longo deste estudo, convido você a observar como pequenos atos de obediência e santidade podem ser instrumentos de grande transformação, e como o exemplo de Levi e outros líderes do povo continuam ecoando como um chamado para nos mantermos firmes ouvindo a disciplina, seguindo em nossa confiança e dedicação ao Eterno.

RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA
A Parashá Shemot nos introduz uma nova fase na história do povo de Yisrael. O livro começa nos lembrando da família de Yaakov, que desceu ao Egito com Yosef. Com o passar do tempo, Yosef e sua geração morreram, e um novo Faraó, que não conhecia Yosef, ascendeu ao trono. Esse governante, temendo o crescimento do povo hebreu, decide escravizá-los e oprimi-los com trabalho pesado. Ainda assim, quanto mais os hebreus eram oprimidos, mais eles cresciam.

O Faraó, então, decreta que todos os meninos hebreus recém-nascidos deveriam ser lançados ao Nilo, mas as parteiras hebreias, Shifrá e Puáh, movidas pelo temor ao Eterno, desobedecem à ordem. Nesse tempo, nasce um menino da tribo de Levi, filho de Anram e Yocheved, que é escondido por sua mãe durante três meses. Quando não pôde mais escondê-lo, ela o colocou dentro de um cesto no rio. A filha de Faraó o encontra, tem compaixão e decide criá-lo como seu próprio filho, dando-lhe o nome de Moshê.
Moshê cresce no palácio, mas não se esqueceu do sofrimento do seu povo. Um dia, ele vê um egípcio maltratando um hebreu e intervém, matando o egípcio. Com medo, Moshê foge para Midyan, onde encontra refúgio. Lá, ele se casa com Tziporah e começa uma nova vida como pastor.

Enquanto Moshê cuidava das ovelhas do sogro em Midyan, ele tem um encontro transformador com o Eterno. Ele vê uma sarça ardente que não se consumia, e o Eterno fala com ele de dentro do fogo, chamando-o para voltar ao Egito e libertar os filhos de Yisrael. Apesar de suas hesitações e questionamentos, Moshê aceitou o chamado, com a promessa de que o Eterno estaria com ele.

A Parashá termina com Moshê retornando ao Egito, acompanhado por seu irmão Aharon. Eles se apresentam a Faraó com a mensagem do Eterno: "Deixe o Meu povo ir!" Embora Faraó reaja com dureza, essa é apenas a primeira etapa de uma grande jornada de redenção.
Esta parashá nos lembra que, mesmo em meio ao sofrimento, o Eterno está atento ao clamor do Seu povo e trabalha para cumprir Suas promessas. Moshê nos ensina a importância de responder ao chamado do Eterno, mesmo quando parece desafiador.

ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ
Enquanto os filhos de Yisrael estavam no Egito, antes de serem libertados, o texto da Torah não menciona diretamente sua prática de obediência aos mandamentos do Eterno como algo proeminente. O foco está mais em sua multiplicação, escravidão e clamor ao Eterno por libertação, como está escrito:

E ouviu Elohim o seu gemido, e lembrou-se da sua aliança com Avraham, com Yitzchak e com Yaakov. Shemot 2:24.

Como não há menção explícita de que todas as 12 tribos seguiam os princípios do Eterno corretamente enquanto estavam no Egito, isso pode indicar que parte do povo havia sido assimilado pelos costumes egípcios, o que é sugerido em outros textos do TaNaK, conforme veremos neste estudo. Observemos como a disciplina do Eterno pode influenciar na vida dos que são chamados e o que acontece com quem a ouve.

Em primeiro lugar, devemos entender o significado de disciplina e observar o contexto das Escrituras. Disciplina é um termo que pode ter diferentes significados dependendo do contexto em que é utilizado. No geral, de acordo com o dicionário, podemos entender a disciplina com os seguintes aspectos:
- Obediência a regras: É o ato de seguir um conjunto de normas ou leis estabelecidas, seja em um ambiente escolar, profissional ou social.
- Autocontrole: É a capacidade de controlar seus próprios impulsos e comportamentos, a fim de alcançar um objetivo específico.
- Treinamento constante: É a prática regular e dedicada de uma habilidade ou atividade, visando a melhoria contínua.

Em diferentes contextos, a disciplina pode se manifestar de diversas formas, tais como à obediência às regras da escola, ao cumprimento das tarefas e à participação nas aulas. No trabalho, a disciplina está relacionada à pontualidade, à organização, à capacidade de seguir instruções e à entrega de resultados. Na vida pessoal, envolve a criação de hábitos saudáveis, a gestão do tempo, a perseverança em alcançar metas e o controle emocional. A disciplina é uma habilidade fundamental para o sucesso em qualquer área da vida. Pessoas disciplinadas tendem a ser mais produtivas, organizadas, confiáveis e capazes de alcançar seus objetivos.

Nas Escrituras Sagradas, a disciplina vai além do simples ato de seguir regras. Ela é um processo de aprendizado, crescimento e correção, conduzido pelo Eterno com o objetivo de nos moldar à imagem do Messias. A disciplina divina pode ser entendida de algumas formas, tais como:
- Instrução: HaShem nos ensina através de seus mandamentos e princípios, guiando-nos para um caminho de vida abundante.
- Correção: Quando nos desviamos do caminho, o Eterno nos disciplina para nos trazer de volta ao Seu propósito.
- Purificação: A disciplina remove as impurezas do nosso caráter, nos tornando mais próximos ao Eterno e consequentemente semelhantes ao Messias.
- Fortalecimento: Através da disciplina, HaShem nos torna mais fortes espiritualmente, ou seja, mais aptos a obedecer aos mandamentos, preparando-nos para enfrentar os desafios da vida.

Talvez você possa se perguntar o por que o Eterno disciplina? E podemos destacar três motivos. O amor, pois a disciplina é um sinal do amor do Eterno pelo seu povo, da mesma forma que um pai amoroso disciplina seus filhos. O segundo motivo é a santificação, pois HaShem deseja que sejamos santos, separados do pecado e do sistema mundano. A disciplina é, portanto, um meio de alcançar a santidade. E o terceiro motivo, a herança, pois aqueles que perseveram na disciplina do Eterno se tornarão herdeiros das promessas do Eterno. Veremos na continuação desse estudo como isso pode ocorrer, através dos exemplos deixados para nós pelo Eterno em sua Torah e nos demais textos das Escrituras, bem como nos Escritos Nazarenos, conhecido como Novo Testamento.

1. A condição dos Hebreus no Egito: Lições de perseverança e fidelidade ao Eterno.
O período de escravidão no Egito foi marcado por extrema opressão, mas também por um afastamento parcial de muitos hebreus em relação ao Eterno e aos seus mandamentos. No entanto, textos como Yechezkel 20:7-11 sugerem que parte do povo adotou os ídolos egípcios, conduzindo à uma ruptura na obediência. Veja o texto:

7 E eu lhes disse: "Desfaçam-se, todos vocês, das imagens repugnantes em que vocês puseram os seus olhos, e não se contaminem com os ídolos do Egito. Eu sou o Senhor, o seu Deus.
8 ‘Mas eles se rebelaram contra mim e não quiseram ouvir-me; não se desfizeram das imagens repugnantes em que haviam posto os seus olhos, nem abandonaram os ídolos do Egito. Por isso eu disse que derramaria a minha ira sobre eles e que lançaria a minha indignação contra eles no Egito.
9 Mas, por amor do meu nome, eu agi, evitando que o meu nome fosse profanado aos olhos das nações entre as quais estavam e à vista de quem eu tinha me revelado aos israelitas para tirá-los do Egito.
10 Por isso eu os tirei do Egito e os trouxe para o deserto.
11 Eu lhes dei os meus decretos e lhes tornei conhecidas as minhas leis, pois aquele que lhes obedecer viverá por elas. Ez 20:7-11

Contudo, o clamor a HaShem mencionado em Shemot 2:23-25 ​​revela que, em meio aos que abandonaram ao Eterno, à transgressão e à dor, alguns remanescentes permaneciam guardando a memória da aliança dos patriarcas com HaShem. O clamor deste remanescente fiel foi suficiente para que o Eterno lembrasse Sua aliança, mostrando que a conexão com seu povo não havia sido completamente perdida.

2. A tribo de Levi: o remanescente fiel.
Entre as doze tribos, Levi é frequentemente destacado por sua maior dedicação à preservação da identidade hebraica. De acordo com os sábios, os levitas não foram sujeitos à mesma escravidão que as outras tribos, possivelmente devido ao seu papel como guardiões dos ensinamentos recebidos dos patriarcas. Isso reflete um esforço de resistência cultural que os preparou para assumir um papel central no serviço ao Eterno após a libertação.

De acordo com essas interpretações rabínicas, uma razão pela qual a tribo de Levi não foi escravizada como outras tribos foi sua posição de liderança adquirida devido ao testemunho de justiça que apresentavam. Eles se dedicaram ao serviço ao Eterno e, por isso, não participaram do trabalho físico imposto por Faraó. Por exemplo, Moshê e Aharon, que eram da tribo de Levi, não são descritos como tendo sido escravizados. Isso é usado como evidência de que Levi manteve uma separação distinta durante o período de escravidão.
Além disso, muitos rabinos associaram a dedicação de Levi à preservação do uso da língua hebraica, dos nomes tradicionais e de costumes que impediam a assimilação completa ao estilo de vida egípcio. Essa fidelidade, segundo eles, ajudou a manter viva a conexão entre o povo e o Eterno, mesmo em meio às trevas da opressão.

Os sábios do povo de Yisrael veem na experiência no Egito uma mistura de fraqueza e força espiritual, ou seja, em relação à obediência. Enquanto alguns membros do povo cederam à influência egípcia de várias formas, outros se destacaram pela sua obediência implícita ao Eterno. Atos como a preservação dos nomes hebraicos e a recusa de parteirass hebreias em obedecer à ordem de Faraó (Shemot 1:17) são exemplos de como a fidelidade foi mantida em momentos críticos. Eles argumentaram que esses atos, ainda que pequenos, foram suficientes para sustentar a conexão entre Yisrael e o Eterno.

Vemos exemplos de textos sobre essa disciplina que os levitas seguiam, o princípio que vinha do Eterno. Sh’lomoh/Salomão fala sobre isso:

Meu filho, não rejeite a disciplina do Senhor, nem se canse de sua repreensão; pois o Senhor disciplina aquele a quem ama, como um pai faz com o filho de quem se agrada. Pv 3:11-12

Nos Escritos Nazarenos também vemos referência a esse tipo de comportamento.
Meu filho, não rejeite a disciplina do Senhor, nem se canse de sua repreensão; pois o Senhor disciplina aquele a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho. Hb 12:5-6

3. O povo que deu ouvidos à disciplina de Hashem
Bruno Summa, em sua obra Sha'arei Torá – Shemot 1, enfatiza que a obediência ao Eterno, mesmo em situações de grande adversidade, é uma manifestação de confiança firme na aliança. Ele argumenta que a preservação da identidade espiritual do povo foi essencial para a redenção. Segundo Summa, o exemplo da tribo de Levi demonstra que a dedicação ao Eterno não apenas protege o povo da assimilação, mas também o prepara para servir de maneira plena. 
O mencionado autor, faz referência a mais um texto de Provérbios que está intimante ligado com nosso assunto.

Como um anel de ouro, um ornamento dourado, é a disciplina de um homem sábio à um ouvido que a ouve. Pv 25:12

O autor diz que nesse verso do rei Salomão é ensinado a respeito da virtude de saber receber reprovação e disciplina, e a compara à um anel de ouro, um ornamento de realeza; assim como a autoridade de um rei demanda um anel para demonstrá-la, a Torah demanda a virtude da disciplina para que possa se tornar viva e eficaz na vida de um homem, ou seja, exige que o homem seja disciplinado para demonstrar a justiça em seus atos. Ele diz que talvez, a maior virtude que um homem possa demonstrar, é estar aberto a receber e aceitar a disciplina de HaShem, pois rejeitá-la é a prova cabal de uma visão egoísta e egocêntrica da vida. Não há meios de um homem fechado à disciplina se colocar sob o jugo da Torah e muito menos se engajar no serviço divino de maneira propícia. O rei Salomão, segundo o mencionado autor, é categórico ao ensinar que a disciplina é como um adorno que embeleza a alma de um ser humano.

Essa parashá inicia o relato da libertação do povo que o Eterno escolheu, e se estivermos atentos poderemos entender os motivos dessa escolha, e porque atendeu ao clamor dos remanescentes. Bruno Summa afirma que o foco principal do livro de Shemot/Êxodo não não é relatar milagres, escravidão e fatos históricos de um povo, mas sim ensinar como um homem se torna apto a se engajar na vontade de HaShem e a se tornar um filho legítimo de Yisrael, independente de sua nação ou origem. Isso é importante, porque no meio da tribo de Levi, os remanescentes, haviam pessoas que deixaram suas tribos para viver a justiça e o cumprimento aos mandamentos, bem como, haviam pessoas de outras nações que se aproximaram de Yisrael e de HaShem, seu Elohim, e esses remanescentes ficaram conhecidos como filhos de Yisrael, conforme já ensinei em vídeos no meu canal no YouTube, nos vídeos “Como se tornar filhos do Eterno” e na live da parashá Beshalach do ano passado, cujo tema foi “Você é povo ou filho?”

Summa ainda diz que, o passo inicial, e o principal de todos, para que um homem se torne um filho de Yisrael é ouvir a voz de HaShem e saber receber a disciplina vinda dessa voz. Todo o resto, como o estudo da Torah, observância dos mandamentos, temor aos céus e amor ao Eterno são consequências do passo inicial. A kavanah/intenção verdadeira de desejar servir ao Eterno de coração é o início da sua jornada. Para o autor, e eu concordo com ele, a Torah é um livro de disciplina, seus mandamentos visam educar e estabelecer o estilo de vida de uma pessoa, se caso a pessoa não esteja disposta, ou se caso ela considere sua concepção de mundo como a correta, ela jamais fará parte do povo escolhido por mais que acredite ou ame a HaShem. Ele conclui que a fidelidade e agfd disciplina, mesmo em pequenas ações, é capaz de sustentar a esperança e a identidade de um povo.

Concluindo nosso estudo, o período que o povo hebreu viveu no Egito revela tanto a vulnerabilidade humana quanto a força de uma aliança com o Eterno. A assimilação das tribos dos filhos de Yisrael foi errada, com momentos de fraqueza e resiliência. A tribo de Levi, no entanto, desponta como um exemplo de santidade e fidelidade, bem como de ouvir a disciplina do Eterno. Os ensinamentos de rabinos e autores contemporâneos, como Bruno Summa, reforçam que a preservação da identidade e a prática constante de atos de obediência, mesmo em tempos difíceis, são fundamentais para a redenção e continuidade do povo do Eterno. Este estudo nos convida a uma reflexão sobre o papel da resistência obediente e cultural em nossas próprias vidas, especialmente em tempos de opressão.
Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!

Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)