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sábado, 20 de dezembro de 2025
A Sabedoria de Yosef é visto como um prenúncio do Mashiach.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2024
Estudo da Parashá Miketz - Conceito de Autoridade: O poder que vem do Eterno.
Estudos da Torá
Parashá nº 10 – Miketz (Ao fim)
Bereshit/Gênesis 41:1-44:17
Haftará (separação) 1Rs 3:15-4:1 e
B’rit Hadashah (nova aliança) At 7:9-16
Tema: Conceito de Autoridade: O poder que vem do Eterno.
No estudo desta semana, exploraremos a elevação de Yosef como governador do Egito, descrita em Bereshit 41:40 em diante, e como essa passagem aponta para o plano do Eterno em relação ao Mashiach. Veremos os paralelos entre a autoridade recebida por Yosef, sua justiça e papel de provedor, com as profecias sobre o Mashiach nos Profetas e sua aplicação nos registros dos Escritos Nazarenos a respeito de Yeshua e seus talmidim. Observaremos também alguns pontos interessantes a respeito desse que encontrei no livro de Bruno Summa, no qual faz os comentários dessa parashá. A história de Yosef nos ensina sobre o perdão, a reconciliação e a soberania do Eterno, revelando como Ele transforma adversidades em redenção.
RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA
A Parashá Mikets nos traz a continuação da história de Yosef, revelando como o Eterno guia os acontecimentos para cumprir Seu propósito. A narrativa começa com o Faraó perturbado por dois sonhos enigmáticos: sete vacas gordas são devoradas por sete vacas magras, e sete espigas cheias são consumidas por sete espigas secas. Nenhum dos conselheiros do Faraó consegue interpretar o significado dos sonhos. Então, o copeiro-mor, lembrando-se de Yosef, que havia interpretado seus próprios sonhos na prisão, recomenda-o ao Faraó.
Yosef é chamado da prisão e, com humildade, declara que a interpretação pertence ao Eterno. Ele explica que os sonhos revelam um plano divino: sete anos de fartura no Egito serão seguidos por sete anos de fome severa. Yosef aconselhou Faraó a nomear alguém seguro para gerenciar a coleta de alimentos durante os anos de abundância, garantindo provisões para os tempos de escassez.
Impressionado pela sabedoria de Yosef, o Faraó o nomeia vice-rei do Egito, concedendo-lhe grande autoridade. Yosef se casa com Asnat e tem dois filhos, Menashê e Efraym. Como predito, os anos de fartura chegam, e Yosef supervisiona o armazenamento de suprimentos em grande escala. Quando os anos de fome começam, o Egito se torna o centro de provisões para muitas nações, incluindo Kenaan, onde Yaacov e seus filhos também sofrem com a escassez.
Os irmãos de Yosef descem ao Egito para comprar alimentos, mas não o autorizam. Yosef, agora no poder, aproveita a oportunidade para testar seus irmãos e avaliar se eles mudaram desde o dia em que o venderam como escravo. Ele os acusa de espionagem e exige que tragam Binyamin, o irmão mais novo, como prova de sua sinceridade, mantendo Shimeon como refém.
Relutante em enviar Binyamin, Yaacov resiste, mas, pressionado pela fome crescente, finalmente concorda. Os irmãos retornam ao Egito com Binyamin, e Yosef os recebe calorosamente, mas testa novamente sua lealdade. Ele manda colocar sua taça de prata na acomodação de Binyamin e, ao encontrá-la, acusa-o de roubo, ameaçando fazê-lo escravo.
A porção termina em suspense, com os irmãos diante de Yosef, enfrentando a possibilidade de perder Binyamin e, com isso, trazendo grande sofrimento a Yaacov. Este capítulo da história destaca o tema do arrependimento e da reconciliação, mostrando a mão do Eterno conduzindo tudo para o bem.
ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ
Tu estarás sobre minha casa, e por teu dito se governará todo meu povo; somente no trono serei maior que tu. E disse o Faraó a Yosef: Vê, coloquei-te sobre toda a terra do Egito. Bereshit/Gn 41:40 e 41.
Esse texto, bem como outros que veremos adiante, nos apresentam o tema central de nosso estudo, a elevação de Yosef como governador do Egito, sua relação com a autoridade do Eterno e o papel do Mashiach conforme revelado nas Escrituras. Esta elevação de Yosef, narrada no texto acima, é um dos momentos mais significativos e emocionantes de sua história. Ele, era um jovem hebreu vendido injustamente como escravo e posteriormente foi preso por causa de acusações falsas, e depois de dois é tirado da prisão para interpretar os sonhos do Faraó. Sua ascensão repentina a uma posição de extrema autoridade, não apenas na terra do Egito, revela a mão do Eterno, que exalta aqueles que seguem Seus caminhos e cumprem Seu propósito. Yosef não apenas ganha poder, mas se torna o instrumento principal para salvar muitas vidas.
1. Yosef como Tipo do Mashiach: Elevação e Autoridade Divinamente Concedida
O papel de Yosef na narrativa bíblica é profético, apontando para o Mashiach. Assim como Yosef foi elevado à autoridade máxima no Egito, estando logo abaixo do Faraó, o Mashiach será exaltado pelo Eterno para governar sobre toda a humanidade, conforme descrito em Yeshayahu 52:13: "O Meu servo será bem sucedido; será elevado, exaltado, e muito sublime." Yosef não buscou a própria exaltação; sua promoção foi resultado de sua obediência ao Eterno e sua humildade, qualidades essenciais também atribuídas ao Mashiach nos textos proféticos e em comentários rabínicos.
Observe na transcrição em inteiro teor abaixo, o que Bruno Summa, em um de seus livros sobre comentários das parashiot diz:
A AUTORIDADE SOBRE HASHEM
Você terá autoridade sobre minha corte, e pelo seu comando todo meu povo será guiado; apenas por respeito ao trono eu serei superior a ti. Genesis 41:40
“E fale à congregação de Israel e lhes diga: vocês devem ser santos (Lv 19:2)”. Nesse verso é como se o Santo, Bendito Seja, estivesse dizendo: “sejam santos como Eu sou Santo". Porém no final do verso está escrito: “pois Eu sou Santo, Hashem, vosso Elohim". Isso indica que o Santo, Bendito Seja, está dizendo: “Minha santidade está acima de vossa santidade”. Aprendemos a mesma coisa pelo faraó, o ímpio, quando diz a Yosef: “eu sou o faraó, e sem você nenhum homem poderá levantar sua mão ou seu pé em toda terra do Egito (Gn 41:44)”. Aqui é como se faraó estivesse lhe dizendo: “minha grandeza é maior que sua grandeza”, porém como se ao mesmo tempo lhe dissesse: “seja grande como eu sou grande". Do EU do ser humano, aprendemos uma lição sobre o EU do Santo, Bendito Seja. Bereshit Rabbah 90:2
Esse é um Midrash extremamente difícil, mas com um forte ensino sobre a personalidade de Hashem; por esse simples fato, é vital que o entendamos. Ele inicia comparando dois versículos da Torah, um na presente Parashá e outro que se encontra no Livro de Levítico:
Faraó disse a Yosef: EU sou faraó, e sem você nenhum homem poderá levantar sua mão ou seu pé em toda terra do Egito. Genesis 41:44
E fale aos filhos de Israel e lhes diga: vocês devem ser santos, pois EU sou Santo, Eu sou Adonai, vosso Elohim. Levítico 19:2
A princípio ambos não possuem conexão alguma, mas se os separarmos em duas partes e conectarmos as duas partes de um verso com as duas partes do outro verso, veremos que há certas semelhanças curiosas.
1) SEJAM SANTOS COMO EU SOU SANTO - SEM VOCÊ, NENHUM HOMEM PODERÁ LEVANTAR SUA MÃO OU PÉ EM TODA TERRA DO EGITO
2) EU SOU HASHEM - EU SOU FARAÓ
Primeiramente vamos olhar para Genesis 41:44. Faraó diz a Yosef que NENHUM HOMEM poderá levantar sua mão ou seu pé sem que ele, Yosef, permita, ou seja, NENHUM HOMEM poderá fazer nada em toda terra do Egito sem que Yosef saiba e autorize; e quando faraó diz NENHUM HOMEM, ele está incluindo absolutamente TODOS OS HOMENS, e como faraó é um homem, fica implícito que ele incluí a si mesmo. Em outras palavras, a autoridade dada a Yosef pelo faraó incluía ao próprio faraó; faraó se torna sujeito à autoridade dada por ele mesmo a Yosef. O faraó se sujeita a Yosef e Yosef se torna tão grande e poderoso quanto o próprio faraó. O mesmo é visto em Levítico 19:2 quando Hashem diz ao Povo de Israel para ser santo como Ele é Santo; dessa ordem entendemos que Hashem diz ao Povo de Israel para que seja Santo como Ele é Santo da mesma forma que faraó dá autoridade a Yosef para que seja tão poderoso quanto ele é poderoso. Isso é, a ordem de Hashem mostra que o homem pode se tornar tão santo quanto Ele.
E como faraó dá essa autoridade a Yosef? Da mesma forma que Hashem ordena ao Seu povo ser santo. Faraó diz: “eu sou faraó” e Hashem diz: “Eu sou Hashem”. Esse EU do faraó é como o EU de Hashem, e através desse EU faraó torna Yosef como o próprio faraó e Hashem torna Seu povo tão santo quanto o próprio Criador. A autoridade é a característica primordial de faraó, e ela foi dada a Yosef, a santidade é a característica primordial de Hashem, e ela foi dada ao povo, portanto, entendemos por meio de comparação que assim como o faraó fez de Yosef um faraó, Hashem ordena ao Seu povo para que se torne como Ele; e da mesma forma que se tornar como um faraó colocou faraó sob a autoridade de Yosef, se tornar santo como Hashem é Santo, também O coloca sob a autoridade de Seu povo.
Essa é uma afirmação pesada de se fazer, pois como pode Hashem se colocar sob a autoridade de Seu povo? Não faz sentido! Mas antes que possamos entender, existe um porém que deve ser ressaltado. No versículo 44 faraó se coloca sob a autoridade de Yosef, porém, no versículo 40, ele lhe diz: “apenas meu trono estará sobre ti”, e isso significa que mesmo que o faraó esteja se colocando sob a autoridade de Yosef, Yosef estará sob a autoridade do trono, e a autoridade do trono representa o julgamento; em outras palavras, faraó se colocou sob a autoridade de Yosef, mas não permitiu que Yosef o julgasse de forma alguma. O mesmo é visto nas palavras de Hashem ao Povo de Israel, quando diz: “Eu sou Hashem, VOSSO ELOHIM”. O nome Elohim representa o “trono do faraó”, o julgamento, a autoridade representada pelo trono, portanto, assim como faraó não permitiu que Yosef o julgasse, Hashem, ao dizer ELOHIM, está deixando claro que Ele está se colocando sob a autoridade de Israel, porém Israel não deve, e não pode, de maneira alguma julgá-lo.
Agora voltemos nossa atenção ao conceito de Hashem se subordinar à autoridade de Seu povo. Todo homem nasce sob a influência de decretos, tanto bons quanto ruins, que existem no mundo de Yetzira, os quais definem e determinam como será a vida de todos que nascem sob os céus. Tais decretos foram determinados por Hashem e colocados sob a autoridade do mundo de Yetzira; porém também foi estabelecido pelo Mestre que se o homem seguir uma vida segundo à vontade Dele, esse estilo de vida dará poder a esse homem de quebrar todos os decretos negativos previamente determinados em sua vida. Em outras palavras, a Torah na vida de uma pessoa lhe dará autoridade maior que a autoridade de Hashem, pois essa pessoa será capaz de anular algo que foi decretado pelo Mestre. Também existem situações nas quais Hashem diz que fará algo de ruim contra alguém, e o que esse alguém deve fazer em uma situação complicada como essa? Ele deve orar, e orar muito, pois através do poder da oração, lhe será dado autoridade para que Hashem não faça aquilo que disse que ia fazer, ou seja, o homem, através da oração, é capaz de anular algo que Hashem disse que faria. Isso é visto em Moises; quando Hashem lhe disse que destruiria Israel, Moises orou e anulou esse decreto dito por Hashem, e Hashem se colocou sob a autoridade que Ele mesmo deu a Moises. Tal também é visto em todos os livros dos profetas; toda vez que um profeta profetiza algo negativo contra Israel e Israel se arrepende, o que acontece? A profecia não se cumpre. Isso faz de Hashem um mentiroso? De forma alguma, que Ele não permita! O que acontece é que o arrependimento dá ao homem autoridade sobre a profecia de Hashem, e através dessa autoridade o homem anula a profecia negativa. Se Hashem não se colocasse sob a autoridade de Seu povo, nenhum decreto negativo, nenhuma profecia negativa e nenhum aviso negativo de Hashem seriam anulados.
Agora a pergunta é: sob a autoridade de que homem Hashem se coloca? Existiu um grande profeta que conhecia bem esse segredo e que escreveu a seu respeito:
O Elohim de Israel disse, a Rocha de Israel falou para mim: líder de homens; o Tzadik reinará através do temor de Elohim. II Samuel 23:3
O profeta Samuel começa dizendo que Hashem, a Rocha de Israel, pessoalmente lhe revelou esse mistério e lhe disse que existem duas condições para que um homem reine, isso é, para que Hashem se submeta à autoridade de um homem. Primeiro, ele deve ser um Tzadik, isso é, ele deve viver uma vida de Torah, pela qual todos os decretos negativos serão extintos. Segundo, ele deve temer Elohim (trono), e isso deixa implícito que ele deve orar e se arrepender; através de ambos, esse homem anulará todas as profecias e promessas negativas de Hashem. Ao homem que vive Torah, que ora e que vive em arrependimento, lhe será dado por Hashem autoridade sobre Ele mesmo, e Ele se colocará sob a autoridade dada a esse homem, e através dessa autoridade, ele será capaz de anular, cancelar e quebrar todos os decretos, promessas e profecias negativas de Hashem, e Hashem aceitará com grande alegria os resultados dessa autoridade dada a esse homem. Porém, assim como faraó colocou um porém, Hashem não autoriza absolutamente ninguém a julgá-lo, isso é, a ninguém é dada a autoridade de dizer que Ele está certo ou errado ou de julgar a forma como Ele definiu Sua criação como certa ou errada. Isso significa que ninguém está autorizado, por mais autoridade que lhe foi dada, a definir como sua própria existência deve ser vista e compreendida.
Esse forte mistério sobre Hashem é fantástico, pois ele quebra conceitos muito comuns sobre ideias errôneas que definem o “Deus do antigo testamento” como um Deus autoritário, vingativo e impetuoso, pois como poderia um Deus que possua todas essas características se sujeitar à autoridade de Seu próprio povo? Não faz o menor sentido! Deuses autoritários, vingativos e impetuosos jamais se sujeitariam à vontade de ninguém, sejam eles seus servos ou não. Hashem, em toda sua misericórdia, bondade e por livre e espontânea vontade, se colocou sob a vontade de Seu povo e permitiu que a vontade de Israel anulasse a vontade Dele, algo incompatível a um “deus mal e autoritário” como muitos O definem. Quando Hashem permite o homem a se elevar acima Dele, Ele está dizendo que Ele ajudará o homem que atingir esse nível espiritual a carregar o próprio fardo e que esse homem jamais estará sozinho e desamparado, e tudo de negativo que houver sobre a vida desse homem, será anulado e cancelado.
E Sua nação será toda de Tzadikim. Isaías 60:21
Isaías ainda ressalta um detalhe. Israel será formada apenas por Tzadikim, isso significa que Hashem só se coloca sob a autoridade do homem que faz parte de Israel e que é um Tzadik.
O presente versículo esconde esse profundo mistério com vestimentas de um diálogo entre Yosef e o faraó. Por trás do EU do faraó, aprendemos mais sobre o EU do Santo, Bendito Seja e como Ele opera nesse mundo e a maneira que estabeleceu seu Modos Operandos. Quando vivemos Torah, oramos e nos arrependemos, nos será dada a autoridade sob a qual Hashem se colocará e, através dessa autoridade, atingiremos o ápice dos planos que Hashem tinha para o homem antes do pecado de Adam. Hoje em dia vemos muitas pessoas sofrendo com os infortúnios da vida ou por se tornarem vítimas de promessas e decretos negativos; isso mostra o quão longe do Santo estão e o quão limitada sua sabedoria sobre o mundo espiritual é. A Torah ensina com perfeição como levarmos uma vida elevada e de sucesso, mas esse é um ensino que não é dado de mão beijada e muito menos ao homem tolo. Portanto, infortúnios estão fortemente associados à tolice do homem.
Esse não é um estudo simples e de fácil compreensão. Bendito seja aquele que for capaz de absorvê-lo. Summa, Bruno. SHA'AREI TORAH: Portões da Torah - BERESHIT 5 (SHA'AREI TORAH - PORTUGUÊS Livro 6) (pág. 60-66).
Com tudo o que dissemos até aqui, creio que você já entendeu um pouco do que realmente a história de Yosef representa no contexto profético. No Tanakh, a autoridade do Mashiach é frequentemente relacionada ao governo, para trazer paz e restauração. Por exemplo, em Tehilim 110:1-2, o Eterno declara: “Assenta-te à Minha direita, até que Eu coloque os Teus inimigos como estrado dos Teus pés.” Este salmo enfatiza a soberania do Mashiach, que, assim como Yosef, exercerá uma autoridade inquestionável concedida diretamente pelo Eterno.
Nos Escritos Nazarenos, esse paralelo se torna ainda mais claro. Em Fl 2:9-10, é dito que o Mashiach foi exaltado pelo Eterno "para que ao nome dele se dobre todo joelho." A submissão a Yosef no Egito, ordenada por Faraó ("Somente no trono serei maior que você"), antecipa a autoridade universal do Mashiach, que governará todas as nações com justiça e retidão.
A história de Yosef também destaca o papel de um mediador entre os governantes e o povo. Yosef era o canal pelo qual o Faraó comunicava sua vontade e garantia o sustento do povo. Da mesma forma, o Mashiach será o mediador entre o Eterno e a humanidade, estabelecendo um Reino de paz e justiça na terra.
Assim como Yosef não apenas recebeu autoridade, mas também assumiu a responsabilidade de provar e governar com sabedoria, o Mashiach também exercerá o papel de provedor e juiz. No próximo tópico, exploraremos como Yosef garantiu a sobrevivência física do Egito e como isso reflete a função do Mashiach como sustentador e juiz justo para toda a humanidade.
2. A Função de Governador: Justiça e Provisão Sob a Liderança Divina
No Egito, a fome que se reduziu após os sete anos de abundância revelou o verdadeiro propósito da exaltação de Yosef. Mais do que apenas ocupar uma posição de autoridade, ele foi nomeado pelo Eterno através de Faraó para prover sustento e garantir a sobrevivência de muitas vidas, inclusive de fora do Egito, de outras nações. Conforme descrito em Bereshit/Gn 41:55, o Faraó declarou ao povo: “Ide a Yosef; o que ele vos disser, fazei.” Yosef, portanto, tornou-se o mediador das necessidades do povo, o responsável por administrar com sabedoria os recursos armazenados durante os anos de fartura.
Esse papel de Yosef como provedor e juiz reflete aspectos fundamentais do governo do Mashiach. Não foi à toa que em pelo menos três momentos Yeshua também deu pão para multidões famintas. Assim como Yosef foi incumbido de alimentar tanto o Egito quanto as nações ao redor, o Mashiach será o sustentador e juiz que trará provisão e justiça para toda a humanidade. Yeshayahu 11:4 descreve o Mashiach como aquele que "julgará com justiça os pobres e decidirá com retidão pelos mansos da terra." A fome física no Egito aponta para uma realidade mais ampla: a fome espiritual, isto é, de estar debaixo da autoridade do Eterno, que o Mashiach saciará, trará redenção e plenitude.
A liderança de Yosef foi caracterizada pela sabedoria divina. Ele organizou os recursos durante os anos de abundância e garantiu sua distribuição justa nos anos de fome. Esse aspecto de seu governo também é profético. O Mashiach, segundo Tehilim 72:12-14, será o Rei justo que cuidará dos necessitados, livrará os oprimidos e estabelecerá a paz. Parte dessa profecia se cumpriu de forma local e reduzida, mas no futuro isso será amplo e universal. Assim como Yosef foi o canal pelo qual o sustento chegou ao povo, o Mashiach será a fonte pela qual a plenitude do Eterno se manifestará na terra.
Nos Escritos Nazarenos, Yosef encontra um paralelo no Mashiach como provedor e mediador. Em Yochanan 6:35, o Mashiach declara: "Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim jamais terá fome." Assim como o povo do Egito foi ao encontro de Yosef para receber alimento físico, a humanidade é convidada a buscar no Mashiach o sustento da Torah que provém do Eterno. Além disso, Yosef agiu com imparcialidade, forneceu alimento não apenas ao Egito, mas também às nações vizinhas. Isso reflete o papel universal do Mashiach, que traz justiça e provisão para todos os povos, desde que se enquadrem nos mandamentos de HaShem.
Outro ponto relevante é a confiança que o Faraó e o povo depositaram em Yosef. Ele era o único com acesso ao fornecimento necessário, e suas decisões eram finais. Isso ecoa o papel exclusivo do Mashiach como mediador e juiz. Fl 2:10 afirma que todo joelho se dobrará diante dele, regularizando sua autoridade concedida pelo Eterno.
3. Reconciliação e Redenção: O Plano do Eterno em Meio à Adversidade
Em Bereshit 45:5-7 “Não vos entristeçais, nem vos pese aos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para preservação da vida Elohim me enviou adiante de vós. Porque já ouve dois anos de fome na terra, e ainda durante cinco anos não haverá lavoura nem ceifa. E mandou-me Elohim adiante de vós, para dar-vos uma descendência sobre a terra, e para fazer-vos viver por uma grande salvação”
A história de Yosef culmina em um poderoso ato de reconciliação. Apesar de ter sido traído e vendido por seus próprios irmãos, ele reconhece que tudo fazia parte do plano do Eterno para salvar vidas, conforme declarado nos versos acima. Yosef não apenas perdoa seus irmãos, mas os reúne, restaurando a unidade da família. Esse ato aponta para o papel do Mashiach, que traz reconciliação entre a casa de Yisrael, bem como a todos os gentios que desejarem e o Eterno, como predito em Yeshayahu 53:5: "O castigo que nos traz a paz estava sobre ele."
Assim como Yosef testou arrependimento de seus irmãos antes de revelar sua identidade, o Mashiach também testa os que se aproximam instrui e leva os que se arrependeram a uma relação restaurada com o Pai. Em Romanos 5:10, vemos o Rav Sha’ul dizer: “fomos reconciliados com o Eterno pela morte de Seu Filho”. A trajetória de Yosef ilustra a soberania do Eterno em transformar adversidade em redenção, antecipando o maior ato de salvação conduzido pelo Mashiach.
Concluindo nosso estudo, vimos que o Eterno se coloca a disposição da autoridade do justo a quem ele estabelece, a fim de eliminar decretos de destruição e morte para os que se arrependem, assim como o Faraó se colocou sob autoridade de Yosef no sentido do cuidado, armazenamento e distribuição do alimento. Por isso, nessa pequena análise, pudemos entender que os eventos que se apresentaram na vida de Yosef são, na verdade, apontamentos proféticos, como uma figura que aponta para o Mashiach. Assim como Yosef foi exaltado por Faraó para salvar o Egito e sua família, o Mashiach será elevado pelo Eterno para governar com justiça e trazer reconciliação para toda a humanidade.
Os paralelos entre Yosef e o Mashiach Yeshua mostram a fidelidade do Eterno em cumprir Suas promessas por meio de situações inesperadas, desenvolvendo muitas vezes pelo sofrimento, e transformando em salvação e redenção. O plano divino não apenas preserva a vida física, mas também garante a redenção final. Em Tehilim 103:19 – "O Eterno circula o Seu trono nos céus, e o Seu Reino domina sobre tudo." Assim como Yosef foi colocado em posição de autoridade, o Mashiach, escolhido pelo Eterno, também o foi e governará com justiça e redenção para aqueles que buscam a HaShem.
Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!
Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)
quinta-feira, 21 de dezembro de 2023
Estudo da Parashá Vayigash (E aproximou-se) - Você sabe falar?
Estudos da Torá
Parashá nº 11 – Vayigash (E aproximou-se)
Bereshit/Gênesis Gn. 44:18 – 47:27
Haftará (separação) Ez 37:15-28; e
B’rit Hadashah (nova aliança) Atos 7:9-16
Tema: Você sabe falar?
No estudo dessa semana aprenderemos com a atitude de Yehudah que usou o poder da fala com muita sabedoria expressando o que estava em seu coração, a fim de salvar seu irmão Binyamin de se tornar escravo. Veremos que uma palavra sábia pode mudar uma situação. E também compreenderemos o apontamento profético dessa situação vivida por Yehudah,Yosef e os demais irmãos naquele momento. Acompanhe o estudo até o final e tenha uma boa compreensão desse tema, e assim, descubra se você sabe falar.
RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA
Vamos iniciar com um resumo, após a nossa leitura de parte da porção semanal. A Parashá começa com a súplica ardorosa de Yehudah ao poderoso governante egípcio, que era Yosef ainda disfarçado, pela vida de Binyamin, alegando que Yaakov certamente morreria de dor se perdesse seu filho mais jovem.
Yehudá se oferece para permanecer no Egito como escravo no lugar do irmão mais novo.
Yosef então decide revelar sua identidade a seus irmãos, perdoando-os por vendê-lo como escravo anos antes, declarando que enviá-lo ao Egito era parte do plano Divino de preparar a sobrevivência na época de escassez.
Yosef então os envia de volta para a Terra de Kenaan carregados de presentes pedindo que tragam Yaakov e sua família para o Egito onde viveriam na província de Goshen. Antes que Yaakov partir, D'us aparece a ele reafirmando-lhe que Ele os acompanhará e que ao final retornarão à Kenaan como uma grande nação.
Após vinte e dois anos de separação, Yaakov finalmente se reúne com seu amado filho Yosef, e juntos vão ao encontro do Faraó.
A parashá termina descrevendo como Yosef usou seus vastos poderes para amealhar quase toda a riqueza do Egito para o tesouro do Faraó.
ESTUDO DO CONTEXTO LITERAL, PRÁTICO E PROFÉTICO
Ao iniciarmos o estudo dessa porção semanal da Torah, onde pretendo me focar na fala de Yehudah com o governador do Egito, que ele ainda não sabia ser Yosef, e refletirmos juntos na importância desse momento, tanto no aspecto histórico como no profético em relação à volta de Yeshua, mas também no nosso momento, é importante retornarmos para o últimos versos da porção passada a fim de conectarmos o contexto.
¹⁴ Quando Yehudah e seus irmãos chegaram à casa de Yosef, ele ainda estava lá. Então eles se lançaram ao chão perante ele. ¹⁵ E Yosef lhes perguntou: "Que foi que vocês fizeram? Vocês não sabem que um homem como eu tem poder para adivinhar? " ¹⁶ Respondeu Yehudah: "O que diremos a meu senhor? Que podemos falar? Como podemos provar nossa inocência? Deus trouxe à luz a culpa dos teus servos. Agora somos escravos do meu senhor, como também aquele que foi encontrado com a taça". ¹⁷ Disse, porém, Yosef: "Longe de mim fazer tal coisa! Somente aquele que foi encontrado com a taça será meu escravo. Os demais podem voltar em paz para a casa do seu pai". Gênesis 44:14-17
Agora observemos abaixo o início da parashá dessa semana.
“Então Yehudah se chegou a ele, e disse: Ai senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó.” Gn 44:18
Yehudah e os demais irmãos foram capturados no caminho de volta para Kenaan e e levados para a casa de Yosef, porque os homens de Yosef encontraram na sacola de grãos de Binyamin a taça de prata que Yosef usava. Nos versos 14 a 17, que é o final da parashá passada podemos observar justamente essa chegada na casa de Yosef. E aqui vemos o início da fala de Yeshudah em defesa de seus irmãos, apesar de não ser o primogênito, foi o mais corajoso dentre todos os demais.
É importante notar que eles estavam ali naquele momento, pensando que Yosef, o governador de todo o Egito, achava que eles eram ladrões, já que foi encontrado a taça com seu irmão mais novo. Quando ele começa a falar Yosef estava com sua comitiva de servos e soldados como qualquer alto governante, e como podemos ver no capítulo 43 verso 19, os filhos de Yaakov já haviam lidado com um dos administradores de Yosef.
Agora no entanto, era uma situação diferente, pois para todo caso eles eram considerados ladrões. Esse deveria ser o pensamento que estava na mente de Yehudah, e ele pretendia mostrar que isso não era verdade, e que havia algum erro. Mas principalmente, vemos na atitude desse homem um arrependimento em suas palavras. Leiamos novamente nos versos. Yehudah certamente carregava o peso de ter vendido seu irmão aos midianitas e ter mentido ao seu pai durante tanto tempo. E é aqui o início do nosso estudo sobre o fato de você saber falar ou não.
Na parashá vemos Yehudah usando a fala como uma ferramenta de convencimento muito forte, demonstrando humildade, arrependimento e sabedoria. Ele havia aprendido algumas lições na vida depois de 22 anos. Vamos desenvolver um pouco este aspecto da importância da se saber falar.
O Poder da Fala
A fala é um dom que o Eterno deu ao homem que tem vários aspectos importantes. E mesmo assim, muitas pessoas tem dificuldades em lidar com a fala. Alguns com o aspecto de não saber falar em público, outros tem dificuldade de usar a fala para ensinar, outros tem dificuldades com o falar em momentos inapropriados. Esse é um aspecto muito sério, pois a palavra falada na hora certa pode mudar uma situação ou evitar problemas maiores.
Eu confesso, que o Eterno está tratando comigo pessoalmente nessa parashá. Tenho certa dificuldade em controlar as palavras que falo por ser muito sincero, isso às vezes, dependendo da situação, não é tão bom, pois acabo falando o que penso e como me sinto logo, a fim de resolver o problema. E nem sempre as pessoas toleram a verdade nua e crua. Enfim, esse estudo está primeiramente servindo para mim. Procuro sempre me preservar e falar pouco para não falar nada fora da hora.
É de suma importância que saibamos ligar a sabedoria com o dom da fala, pois isso leva a um poder enorme. Sh’lomo HaMelech ou Rei Salomão no livro de provérbios nos dá uma instrução a esse respeito.
“Uma resposta gentil diminui a ira; palavras duras provocam a raiva.” Pv 15:1
Sobre o verso que lemos acima, o sábio Rei, segundo o autor Bruno Summa em seu comentário dessa parashá no livro Shaarei Toráh - portões da Torah, ensina como uma pessoa sábia deve reagir perante a ira e a raiva alheia. Se em uma situação de estresse ou de injustiça, formos capazes de mantermos nossa cabeça no lugar e responder as provocações extremas em um tom calmo e conciliatório, conseguiremos tanto reduzir a ira da pessoa que nos provoca quanto não levá-la à raiva. Da mesma forma, segundo o autor, o Rei Salomão também diz que se nos encontrarmos perante palavras iradas de uma pessoa alheia e, da mesma maneira como ela age, também agirmos ao lhe responder em tom elevado, a pessoa irada será levada a um nível de ira ainda maior, e isso pode colocar ambos em risco.
As palavras possuem poder para trazer resultados positivos, mas também negativos. E segundo o mencionado autor, o dom da fala para um homem é como a fruta é para uma árvore. Se nós, seres humanos, não formos capazes de verbalizar nossos pensamentos e ideias, nos tornaremos tão infrutíferos quanto uma árvore que perde a capacidade de gerar frutos.
O autor do livro mencionado acima nos dá uma dica muito legal ao mostrar um texto da Torah que nos amplia o entendimento para esse poder da fala em nossa vida. Veja, em Bereshit-Gênesis 2:1, diz que “...o homem se tornou um ser vivente…” e perceba que a Torah usa a expressão em hebraico “nefesh chaiah” – “alma vivente’. O interessante nisso é que no Targum Onkelos, uma tradução da Torah traduzida do hebraico para o aramaico contendo comentários, o termo “nefesh chaiah” – “alma vivente” é traduzida como “espírito falante” ou pessoa que fala. E podemos ainda observar outros textos para compreender melhor o que estou falando aqui.
“Quem nos dá mais sabedoria do que as bestas da terra, quem nos faz mais sábios que os pássaros dos céus? Jó 35:11
“Morte e vida estão no poder da língua. Aqueles que a amam, comerão de seu fruto. Pv 18:21
Podemos perceber com os versos acima que a fala é algo tão poderoso que é o único atributo que nos torna mais sábio do que os animais do campo e do que as aves do céus. A fala é onde as bênçãos que o Eterno nos dá por cumprir seus mandamentos se condensam e se manifestam, por isso, segundo o autor Bruno Summa, o Rei Salomão ensina que o poder da vida e da morte se encontra na língua. A nossa fala ou a forma como falamos é o que nos torna mais sábios ou mais tolos, tudo depende de como manifestamos nosso interior, nossa visão e nosso pensamento em nossa realidade e meios, ou seja, ao nosso redor. Tudo isso só é possível pela palavra que dizemos, como vemos o profeta Yeshayahu-Isaías dizer, “pelo fruto produzido pelos nossos lábios”, observe:
“¹⁸ Eu vi os seus caminhos, mas vou curá-lo; eu o guiarei e tornarei a dar-lhe consolo,
¹⁹ criando louvor nos lábios dos pranteadores de Israel. Paz, paz, aos de longe e aos de perto", diz o Senhor. "Quanto a ele, eu o curarei. " ²⁰ Mas os ímpios são como o mar agitado, incapaz de sossegar e cujas águas expelem lama e lodo.
²¹ "Para os ímpios não há paz", diz o meu D´us.” Isaías 57:18-21
Dessa forma, quando olhamos para Yehudah iniciando sua fala ao governador do Egito, vemos exatamente essa sabedoria nas palavras em comparação a 22 anos atrás quando deu a idéia de vender a seu irmão Yosef. A sabedoria ligada a palavras corretas e bem faladas podem trazer excelentes frutos.
Há um midrash entre o povo de Yisrael que mostra primeiramente Yehudah chegando com ira diante do governador do Egito, e puxando a espada para ele, mas de acordo com o midrash Yosef manda seu filho Manashe mostrar a Yehudah que ele também era forte, então Manashe começa a dar pontapés nas paredes da casa, que começa a tremer. Então, Yehudah teria se acalmado e começado a falar de forma branda. Nessa linha de pensamento, a coisa poderia ter ficado muito difícil para Yehudah caso ele se mantivesse irado. E temos confirmação pela Torah oral de que isso realmente tenha acontecido, por isso nosso aprendizado amplia ainda mais, pois é ligado ao que está dito no midrash, na Torah escrita e confirmada pela oral. O Rav Yochanan Ben Yaakov afirma que pela Torah oral, a idéia de Yehudah inicialmente era usar de violência para realmente ter um motivo para ser preso e se tornar escravo no lugar de seu irmão Binyamin, cumprindo o que prometera a seu pai, Yaakov. Mas as circunstâncias fizeram o experiente Yehudah mudar de idéia, e então ele usa outro poder. O poder das palavras ditas com humildade e sabedoria.
O Rav Yochanan também nos diz uma outra coisa interessante que eu ainda não tinha me atentado, ou seja, não tinha ligado. Ele diz que o talmid de Yeshua chamado Kefa ou Pedro, também agiu da mesma forma ao tomar da espada para atacar o soldado do sumo sacerdote, sua intenção era livrar a Yeshua tomando seu lugar. Porém o mestre da Galiléia não permitiu. Falaremos ainda sobre apontamentos proféticos neste estudo, permaneça até o final.
Por isso, é importante destacarmos que nós não devemos ceder ao uso banal de nossas palavras, mas sim, devemos ter o máximo cuidado com o que falamos, porque tudo que sai de nossa boca, conforme mencionamos anteriormente, possui poder de destruir nossas vidas e a de outras pessoas.
O autor Bruno Summa no mencionado livro faz uma pergunta interessante: Mas por que HaShem nos deu tal delicado poder? E ele responde afirmando que Rabbeinu Bahya ensina que o poder da fala serve para expandir o conhecimento da Torah. Ele continua dizendo, que assim como a Torah pode se tornar uma “faca de dois gumes”, por ser tanto benéfica quanto maléfica dependendo de como o homem utiliza seu conhecimento e ensino, a ferramenta que está associada a ela, ou seja, a fala, inevitavelmente tem essa mesma característica. Segundo o comentário, tudo o que o Eterno deu ao homem para expandir o conhecimento Dele, possui as mesmas características desse conhecimento. Assim, se o conhecimento da Torah é passível de ser usado para o bem ou para o mal, da mesma forma tudo o mais que o Eterno deu ao homem também o pode, como as mãos, e principalmente a fala. Por isso, quando compreendemos o poder da fala e a colocamos em bom uso, seremos como o que a Torah ensina: “...seu fruto será fonte de jubilo perante o Eterno.” Lv 19:24
Essa parashá tem uma característica muito forte, pois mostra que Yehuda se aproximou de Yosef para lhe falar, mesmo com toda a dificuldade que poderia haver, devido a grande comitiva que havia com o governador do Egito. Ele começa a falar nos versos 14 a 17 ainda de longe, Yosef deveria estar cercado por seus homens de confiança, mas Yehudah Vayigash – aproxima-se, ou seja, corre o risco e chega mais perto. Isso significa que ele rompe as barreiras tradicionais que havia sobre o contato de um hebreu com um egipcio, pois ainda não sabia que era Yosef. Ele se arriscou e deu alguns passos a frente para se aproximar, pois o que iria falar era importante e não queria falar alto.
Sabe, quando reparei neste trecho da parashá, isso me chamou a atenção! Não deve ter sido fácil para Yehudah. Assim como também não é fácil para mim, e nem para você, tomar certas atitudes e fazer escolhas corretas de atitudes e de palavras em determinados momentos de nossas vidas. Estar cara a cara com uma situação difícil e agir da forma correta e branda é a melhor decisão que tomamos, assim como estamos aprendendo com Yehudah.
A nossa fala ligada com a sabedoria conquistada pelo cumprimento de Torah é a melhor ferramenta que temos em nossas mãos para usar nos momentos críticos. E saibam que para mim isso não é fácil de dizer, pois estou falando comigo mesmo! Ou melhor o Ruach está falando comigo, enquanto escrevo este texto.
Devemos usar com sabedoria a fala para levar a Torah ao escravizados pelo sistema religioso, devemos usar a fala para apaziguar uma situação crítica, devemos usar a fala para ajudar um aflito, devemos usar o dom que o Eterno nos deu para o Reino.
Não podemos usar esse poder da fala aleatoriamente como Yeshua ensina em seu sermão profético em Mt 6:7: “...Eles pensam que por muito falaram serão ouvidos.” Também conforme Yeshua ensina em Mt 10:20: “...pois não serão mais vocês que estarão falando, mas o Ruach do Pai de vocês falará por intermédio de vocês.”
Saber falar é um ato de sabedoria e nós cumpridores de Torah devemos ter em diversos momentos em nossas vidas, mesmo nas redes sociais.
Apontamentos Proféticos
Nesse aspecto da parashá, quando olhamos para os textos devemos comprender algumas coisas, vejamos os textos inicialmente do final da parashá passada:
“E veio Judá com seus irmãos à casa de José, pois ele ainda estava ali; e prostraramse em terra diante dele" Gn 44:14
Há dois anos atrás o Rav Yochanan na midrash profética deu alguns apontamentos dessa parashá, e você pode buscar lá no canal da Kahal Teshuvah Brasil. Quando olhanos nesse texto para Yehudah e seus irmãos chegando à casa de José devemos entender algumas coisas de maneira profética.
Primeiro, Yehudah e seus irmãos representam os judeus ou a casa de Yehudah. Yosef representa Yeshua o messias, e a congregação nazarena toraísta composta pela casa de Yisrael, também conhecida como Casa de Efraim ou Casa de Yosef.
Assim, devemos perceber que atualmente, existem esforços tanto dos judeus ortodoxos como dos judeus messiânicos em busca da “casa de José”, as dez tribos perdidas entre as nações. Segundo o site Emunah a fé dos santos, o Eterno leva-os a fazer isso porque aproxima-se o momento em que o Filho de José, ou seja, Yeshua Hamashiach, se dará a conhecer aos seus irmãos. Este texto induz-nos a pensar que os judeus reconhecerão a Yeshua na casa de Yosef. A casa de Yosef são as dez tribos perdidas que estão agora a voltar a casa, e há pessoas que ainda estão entre os cristãos e demais religiões.
Neste texto, também aprendemos que muitos judeus se inclinarão diante de um Messias que para eles é “gentilizado”, num contexto estranho, e não é à toa que há comentários rabínicos no Talmud dizendo que o messias está às portas de Roma. Mas isso não quer dizer que o messias seja romano, mas para os legalistas ele estar às portas de Roma é ser romano.
Segundo o citado site, desde o ano de 1967, cada vez mais judeus se tornaram seguidores da vida justa Yeshua e assim alguns adaptaram costumes “pagãos” que nada têm a ver com a fé hebraica. Reconheceram a Yeshua como o messias enviado mas num ambiente cristianizado, e por isso não o vêm como um judeu praticante da Torá. Eles terão uma grande surpresa quando ele se manifestar como ele realmente é.
“Então Judá se chegou a ele, e disse: Ai senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó.” Gn 44:18
Yehudah aproximou-se de Yosef pouco antes deste se dar a conhecer. Da mesma forma sucederá nos últimos tempos, pouco antes do Messias se dar a conhecer ao povo Judeu. Segundo o site Emunah a fé dos santos, estamos vivendo este tempo agora, quando o povo judeu se aproxima cada vez mais de Yeshua para conhecer mais sobre ele, não como o cristianismo o pintou, mas sim como um Judeu praticante da Torá.
Yehudah, o povo judeu – tanto nos tempos apostólicos como ao longo destes últimos dois mil anos, vêem a Yeshua sem reconhecer nele o Messias. E dizem “Tu és como Faraó”. Assim como Yosef não era o Faraó, mas recebeu dele autoridade, Yeshua não é o Eterno e recebe dele autoridade para ser o Messias, o Rei. E Yeshua mencionou isso em João 14:9: “Disse-lhe Yeshua: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” O fato aqui é que muitos pensam que Yeshua é o Eterno por causa dessas palavras, por não entenderem seu significado. Quem olha para Yeshua vê o Pai, porque ele faz tudo o que o Pai manda em sua instrução, ou seja, a Torah.
Assim como quando Yosef se revela a seus irmãos isso não muda o status deles, pois Yosef continuou sendo o governante do Egito e seus irmãos continuaram sendo hebreus e longe da casa de Yosef. Da mesma forma Yeshua continuará sendo o Rei enviado pelo Eterno e muitos judeus não estarão perto da casa de Yeshua, ou seja, na Jerusalém.
Não é uma substituição, pois haverá judeus na casa do Messias, assim como pessoas da casa de Yisrael, e gentios. O que une todos eles é o cumprimento de Torah a exemplo do próprio messias.
Que possamos estar firmes, sabendo como obedecer aos mandamentos, sabendo falar e usando a sabedoria que nos foi dada em prol do Reino do Eterno.
Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!
Pr/Rav Marcelo Peregrino Silva (Marcelo Santos da Silva - Moshê Ben Yosef)

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