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quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Estudo da Parashá Vayigash - A palavra branda e os dois Messias.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 11 – Vayigash (E aproximou)

Bereshit/Gênesis 44:18-47:27

Haftará (separação) Ez 37:15-28 e

B’rit Hadashah (nova aliança) At 7:9-16


Tema: A palavra branda e os dois Messias.


Ao estudar a Parashá Vayigash somos transportados para mais um momento emocionante e significativo da Toráh: a súplica de Yehudah diante do governante egípcio que, sem que ele soubesse, era seu próprio irmão Yosef. Veremos o significado e as implicações do termo Vayigash, "e aproximou-se", que carrega em si a profundidade de ser mais que uma aproximação física. É o ato de alguém que toma para si a responsabilidade, supera divisões e busca restaurar o que foi quebrado. Esse ato não apenas marca a reconciliação de uma família despedaçada pelo ciúme e pelo sofrimento, mas também antecipa um dos temas mais profundos das Escrituras: a unidade final de Yisrael e a redenção universal. Ao analisarmos essa narrativa, aprendemos lições importantes sobre liderança, coragem, convicção e reconciliação, temas que ecoam nas tradições rabínicas que ligam Yehudah e Yosef às figuras messiânicas de Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David. Vayigash é mais do que uma palavra; é um chamado para todos nós nos aproximarmos uns dos outros e do Eterno em busca da restauração completa.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

E Yehudah aproximou-se de Yosef e disse: “Por favor, meu senhor! Permite-me dizer-te algo em particular; e não te ires com teu servo, pois tu és como o próprio faraó. Gn 44:18


A Parashá Vayigash é um tesouro de ensinamentos profundos, envolvendo reconciliação, responsabilidade e redenção. A narrativa da aproximação de Yehudah a Yosef não é apenas um momento dramático de apelo familiar, mas também uma janela profética para a unidade futura de Yisrael e o papel das duas figuras messiânicas: Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David. Este estudo explorará a simbologia do termo Vayigash, a interação entre Yehudah e Yosef, e as implicações dessa história para o plano de redenção do Eterno.

O que levou Yehudah a se aproximar do governador do Egito? Sabemos que ele tentava livrar seu irmão mais novo, Benyamin, mas a forma como ele faz isso é o toque especial nessa passagem. Apesar de ter motivos para fazer guerra, ele age no sentido de alcançar paz. Note que Sh’lomo Hamelech (Rei Salomão) traz esse ensino.


Uma resposta gentil diminui a ira; palavras duras provocam raiva. Pv 15:1


Bruno Summa diz o seguinte a respeito desse assunto: Se perante uma situação de estresse, formos capazes de mantermos nossa cabeça no lugar e responder provocações extremas em um tom calmo e conciliatório, conseguiremos tanto reduzir a ira da pessoa que nos provoca quanto não levá-la à raiva. Por outro lado, como também ressalta o rei Salomão, se nos encontrarmos perante palavras iradas de uma pessoa alheia e, da mesma forma como ela age, também agirmos ao lhe responder em tom elevado, a pessoa irada será levada a um nível de ira ainda maior, o que colocará ambos em risco. Summa, Bruno. SHA'AREI TORAH: Portões da Torah - BERESHIT 5 (SHA'AREI TORAH - PORTUGUES Livro 6) (p. 234). Edição do Kindle.

O citado autor ainda diz que a fala é algo tão poderoso que é o único atributo que nos torna mais sábios do que as bestas do campo e do que as aves dos céus. Através de nossa fala podemos ser sábios ou tolos. Devido a isso, nunca podemos ceder ao uso indiscriminado e libertino de nossa capacidade de fala, das palavras que podem sair de nossa boca, devemos tomar o máximo cuidado com o que sai da nossa boca, pois podemos destruir não apenas a nossa vida, mas a de outros também.

A parashat Vayigash possui esse nome, pois de acordo com o autor já citado, Yehudah YIGASH (יגש) - se aproximou - de Yosef e, com muita sabedoria no uso de suas palavras, mesmo estando ele em uma situação de extremo estresse e irado por estar sendo acusado injustamente, ele se manteve calmo e foi capaz de controlar suas palavras; e por conta de sua sabedoria, ele foi capaz não apenas de apaziguar Yosef, mas como também de livrar seu irmão da falsa acusação e, acima de tudo, foi capaz de quebrar o coração de Yosef ao ponto de fazê-lo finalmente revelar sua identidade aos seus irmãos. O uso correto das palavras não apenas determina a vida e a morte, como também tem o poder de quebrantar qualquer coração; até daqueles que mais nos odeiam. Summa, Bruno. SHA'AREI TORAH: Portões da Torah - BERESHIT 5 (SHA'AREI TORAH - PORTUGUES Livro 6) (p. 237). Edição do Kindle.

O que aconteceu nesse momento do relato da parashá não é de fácil compreensão, apesar de aparentemente simples. É preciso que cavemos um pouco mais fundo, para além do que foi meramente escrito neste texto.


1. Aproximação e fala com propósito

O termo Vayigash (וַיִּגַּשׁ), que significa "e aproximou" ou "e se achegou", carrega uma conotação mais intensa do que simplesmente aproximar fisicamente. Ele pode implicar aproximação com um propósito deliberado, seja para dialogar, confrontar, apelar ou mesmo para buscar uma conexão mais profunda. Carrega ainda um peso simbólico significativo. Nesta narrativa, Yehudah se aproxima de Yosef com coragem e responsabilidade, oferecendo-se como garantia para salvar Binyamin e preservar a vida de seu pai Yaakov, pois sabia que o patriarca não suportaria mais uma perda. Esse ato reflete uma liderança que equilibra força e humildade, características essenciais para a reconciliação e redenção.

Essa palavra aparece em outros contextos no Tanakh, como quando Avraham intercede por Sidom (Gn 18:23), quando Moshê se aproxima da nuvem divina no Sinai (Ex 20:21) e Eliyahu clama pelo povo no Monte Carmel (1Rs 18:36). Em cada caso, Vayigash implica uma aproximação com intenção deliberada, seja para interceder, confrontar ou buscar a verdade. Yehudah exemplifica essa intenção ao confrontar Yosef, não com violência, mas com palavras veículos de apelo emocional e justiça moral.

No relato dos Escritos Nazarenos, os talmidim de Yeshua utilizam termos e colocações que interligam o ensino de "Vayigash" (וַיִּגַּשׁ) em seus escritos. Por exemplo, quando em Mt 14:28-29 é relatado que Kefa/Pedro pede para “se aproximar” de Yeshua, e o faz ao andar sobre as águas. Nesse relato vemos a ação de “se aproximar” um reflexo de confiança, da mesma forma que Yehudah. Outro exemplo, vemos em Yochanan 13:23-25, durante o seder de Pessach, o talmid que Yeshua amava “se aproxima” a ponto de reclinar-se para lhe fazer uma pergunta íntima e de grande relevância.

Na língua hebraica, o verbo LAGUESHET (לגשת) - se aproximar pode também ser utilizado para uma “aproximação” de ideias por exemplo, ou uma “aproximação” entre duas pessoas que se tornam amigas. A possibilidade do uso do verbo “aproximar” em diferentes esferas e dentro de diferentes conceitos, segundo Bruno Summa, levou a muitos sábios a se questionarem se o VAYIGASH (ויגש) entre Yehudah e Yosef realmente trata de uma aproximação física ou trata de uma “aproximação” em um sentido mais conceitual. Sobre as diferentes maneiras de utilizar esse verbo, um Midrash expõe a seguinte interpretação:


E Yehudah se aproximou dele” - está escrito que os propósitos são como águas profundas no coração de um homem. Isso significa que os propósitos de um homem são como águas boas e frescas, mas nenhuma criatura é capaz de bebê-la por causa de seu difícil acesso. Alguém vem e amarra uma corda em uma corda, um atilho em um atilho e um cordão em um cordão, e os amarra em um balde, esse será capaz de beber da fonte. Similarmente, Yehudah não parou de responder as perguntas de Yosef até que ele (Yehudah) compreendesse o que havia em seu coração (de Yosef). Bereshit Rabbah 93:5


Esse midrash requer uma explicação, que o autor citado anteriormente traz. Ele começa citando o seguinte ensino do rei Salomão para basear seu ensino:


As intenções da mente de um homem são como águas profundas, mas um homem de entendimento é capaz de retirá-las. Provérbios 20:5


Nesse versículo, o rei Salomão compara as intenções de um homem com águas profundas de um poço, e diz que o homem que possui entendimento é capaz de tirar as águas do poço. Vamos compreender esse ensino. Águas que são encontradas em poços profundos são mais frescas e puras conforme a profundidade aumenta; quão mais fundo são encontradas, melhor é sua qualidade. Ao comparar os propósitos do coração de um homem às águas profundas, o rei Salomão está dizendo que as intenções do “poço” do coração fornece algo tão valioso quanto águas boas e frescas que existem dentro de um poço profundo. Então o Midrash ressalta um detalhe, por que é difícil obter águas boas e frescas de um poço profundo? Porque o acesso às águas é difícil. O que faz o homem então? Ele amarra uma corda à outra corda, e amarra essa em um atilho, e amarra esse atilho em um cordão amarrado em outro cordão; então finalmente ele ata essa longa corda em um balde.

Dessa forma, ele terá uma ferramenta longa o suficiente para que possa ter acesso às águas mais profundas e retirá-las de lá. Dessa mesma forma, Yehudah foi “amarrando uma corda à outra corda” durante o diálogo que teve com seu irmão. A sabedoria que Yehudah teve em como usar suas palavras perante Yosef e o entendimento que teve sobre o que deveria ser dito, aos poucos, Yehudah foi se tornando capaz de acessar as águas profundas do poço de Yosef. Pela forma como “se aproximou” de Yosef, Yehudah conseguiu extrair as intenções mais profundas do coração de Yosef. Conforme ensinado no início dessa Parashah, Yehudah soube usar suas palavras para forçar Yosef a revelar as intenções mais profundas e verdadeiras de seu coração; e o que isso resultou? Yosef não teve outra escolha a não ser revelar sua verdadeira identidade. Não foi Yosef que decidiu se revelar, foi Yehudah que foi capaz de remover esse segredo do coração de Yosef; e ao removê-lo, Yosef não foi mais capaz de se conter. A sabedoria de Yehudah expressa em suas palavras foi capaz de quebrantar o coração de Yosef. Summa, Bruno. SHA'AREI TORAH: Portões da Torah - BERESHIT 5 (SHA'AREI TORAH - PORTUGUES Livro 6) (pp. 242-243). Edição do Kindle.

Com isso podemos claramente compreender que Vayigash não se trata apenas de uma aproximação física, mas de uma aproximação mental entre Yehudah e Yosef. Yehudah com muita sabedoria foi capaz de entrar na mente de Yosef e com isso teve acesso às intenções mais íntimas e pessoais do coração de seu irmão, levando-o a se revelar. Isso quer dizer que um ato de sabedoria, uma palavra correta e branda pode derrubar barreiras.


2. Yehudah e Yosef: Dois Reis, Dois Caminhos

Vamos aprofundar um pouco mais e observar este relato com mais apontamentos proféticos. Já refletimos sobre o motivo de Yehudah ter pedido para se aproximar, mas há algo mais aqui, e trarei algumas informações que ajudarão a ampliar o entendimento.

A interação que houve entre Yehudah e Yosef reflete mais do que uma disputa entre dois homens, ou entre irmãos. Ela simboliza o futuro de Yisrael e as duas lideranças messiânicas: Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David. Yosef, que preserva a vida de Yisrael e governa o Egito com sabedoria, é frequentemente associado ao papel de Mashiach ben Yosef, que enfrentará desafios para preparar o caminho para a redenção através do sofrimento que leva ao crescimento e exaltação. Yehudah, por sua vez, representa o reino davídico e o papel final de Mashiach Ben David como o rei que traz paz e unidade.

Essa interação também prefigura a união das tribos de Yisrael, conforme descrito em Yechezkel 37:15-22, onde os dois bastões que representam Yehudah e Yosef, se tornam um só nas mãos do Eterno. A reconciliação entre Yehudah e Yosef em Bereshit é um apontamento profético do plano maior do Eterno, que é reunir o povo disperso de Yisrael ao judeus e trazer as nações ao conhecimento do Único e verdadeiro Elohim. Mas vejamos como podemos chegar a esse entendimento, e Bruno Summa junto a outros sábios do povo de Yisrael nos ajudarão.

Por que Yehudah tomou a frente e se posicionou perante Yosef? Por que não Reuben dado que era o filho mais velho? Nada na Torah é por acaso, e o embate entre Yehudah e Yosef e a união formada através desse embate, apontam para profundos mistérios sobre o plano de redenção divino.


Os progenitores das outras tribos disseram entre eles: reis disputam um com o outro. O que nós temos a ver com isso? Bereshit Rabbah 93:5


Esse é mais um Midrash complicado. Está escrito que os progenitores das outras tribos, isso é, os irmãos de Yosef e de Yehudah, enquanto assistiam o embate entre ambos, ficavam dizendo que um rei disputava com outro rei, e se questionavam sobre o que teriam eles a ver com tudo isso. Curioso, por que o Midrash trata Yehudah e Yosef como “reis” sendo que nenhum dos dois eram realmente reis?


Está escrito: “e veja os reis se reunindo, eles se tornaram unidos (Sl 48:5)”. Esse verso alude a Yehudah e Yosef. Bereshit Rabbah 93:2


O Midrash, por algum motivo ainda oculto, trata Yehudah e Yosef como reis e utiliza o versículo de Salmos 48:5 para dizer que não são apenas reis, como eles irão se reunir e se tornarão unidos. Sobre Yehudah ser chamado de rei é de fácil compreensão, dado que de sua tribo os reis de Israel seriam escolhidos, porém o mesmo não é válido sobre Yosef. Mas há um detalhe que poucos conhecem, e é justamente sobre esse detalhe que o Midrash quer que nos atentamos. Toda vez que Yehudah é tratado como REI, no singular, e toda vez que Yosef é tratado como REI, no singular, ambas são alusões ocultas às duas facetas de Mashiach: Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David. Esses são os reis de Yehudah e de Yosef.

Quando ambos se enfrentaram, ambos provaram que deles viriam as duas facetas de Mashiach que moldariam o mundo e que trariam a redenção aos homens. A Parashat Vayigash apresenta duas coisas até então ocultas: Mashiach terá duas facetas e qual seria a origem de cada uma delas. E o que as tribos tem a ver com isso? Tudo a ver, pois a redenção de Mashiach Ben Yosef e de Mashiach Ben David apenas se concretizará quando todas as tribos trabalharem juntas. Mas há uma pergunta, 10 das 12 tribos foram assimiladas e sumiram, e agora?. Realmente sumiram, mas a fagulha que os descendentes dessas tribos possuem, mesmo que esses hoje em dia estejam em diversas partes do mundo e totalmente assimilados por outras religiões, suas fagulhas serão novamente despertadas através da Torah quando a redenção estiver à porta. Por isso que nos dias de hoje vemos muitas pessoas ao redor do mundo, de diferentes credos e sem saberem explicar os porquês, com uma sede nunca vista antes em se achegarem à Torah e aos mandamentos de Hashem. Há um crescente movimento acontecendo mundo a fora de uns anos para cá de pessoas buscando a Torah, as Mitzvot e ao Deus de Israel de uma forma impressionante e sem precedentes. Hoje existe uma sede tão grande que, pessoas em todo o mundo, estão largando suas antigas crenças e aceitando sobre si o jugo da Torah. Isso é um sinal claro que Mashiach está chegando e que essas pessoas que hoje estão se jogando de cabeça na Torah sem motivos aparentes são os descendentes das tribos perdidas de Israel, aos quais foram dada a fagulha divina que é passada de geração em geração, fagulha que conecta a alma de um homem que a possui à Torah e ao Deus de Israel. Com a aproximação de Mashiach, essa fagulha está reacendendo em muitos e é por isso que vemos pessoas se voltando à Torah e se preparando para receber Mashiach quando ele chegar, pois apenas assim, todas as tribos estarão prontas para se submeterem à vontade do rei.

Agora vamos olhar para Yosef. Por que ele foi antes para o Egito? Para preparar o Egito para a chegada de Israel, tanto fisicamente quanto espiritualmente; ou seja, Yosef não apenas foi capaz de dar suporte material à sua família, ele também “purificou” o local. E como Yosef purificou o local? Fazendo com que as pessoas se circuncidassem e lhes ensinando Torah (conforme já estudado anteriormente). E qual foi o resultado disso? Ele foi capaz de reunir todos seus irmãos (tribos de Israel) junto a ele.


A missão de Mashiach Ben Yosef se divide em três frentes: ensino dos mistérios da Torah, remoção do espírito imundo e reunir todas as tribos de Israel. Kol HaTor 1:11


O grande sábio Gaon de Vilna e autor do Kol HaTor, diz que Mashiach Ben Yosef possui três missões distintas: ensinar Torah, remover impureza e reunir as tribos de Israel. Oras, não foi exatamente isso que Yosef fez enquanto no Egito? A missão dada a Yosef depois que se tornou líder representa a formação das três missões de Mashiach em nossa realidade terrena. Por esse mérito, foi dada a Yosef a honra de ter seu nome associado à uma das facetas de Mashiach.


E Yehudah se aproximou de Yosef. Rabbi Yehudah disse: a aproximação foi para guerrear, como está escrito: “Yoav se aproximou (vayigash) para guerrear (II Sm 10:13)”. Rabbi Nechemyah disse: a aproximação foi para convencer, como está escrito: “os filhos de Yehudah se aproximaram (vayigashu) de Yehoshua (Js 14:6)” para lhe convencer. Outros rabinos disseram: a aproximação foi para oração, como está escrito: “Eliyahu, o profeta, se aproximou (vayigash) e etc (I Rs 18:36)”. Rabbi Elazar disse: todas estão corretas. Bereshit Rabbah 93:6


Rabbi Yehudah, Rabbi Nechemyah e outros rabinos começa a debater sobre o significado por trás do termo VAYIGASH (ויגש) - e se aproximou. Rabbi Yehudah, se baseando em II Samuel 10:13, diz que Yehudah se aproximou de Yosef para guerrear com ele, pois no versículo que ele menciona, o Vayigash é utilizado em referência à guerra. Rabbi Nechemiyah descorda e diz que Yehudah se aproximou de Yosef com a intenção de convencê-lo, e cita Josué 14:6, onde está escrito que os filhos de Yehudah “se aproximaram” de Josué para convencê-lo de algo. Então os outro rabinos dizem que, conforme o termo Vayigash aparece em I Reis 18:36, o real intento de Yehudah era a oração, ou seja, Yehudah não se aproximou de Yosef, mas sim de Hashem; Yehudah se aproximou de Hashem pela oração antes de dirigir à palavra ao seu irmão. No fim, Rabbi Elazar diz que todas as interpretações estão corretas.

Oras, como assim todas estão corretas? Se Yehudah se aproximou com a intenção de guerrear, certamente ele não tinha intenção alguma de convencer Yosef a nada, o que está acontecendo? Isso é fácil, apenas nos basta olharmos VAYIGASH (ויגש) de uma maneira mais espiritual. Já vimos as missões de Mashiach Ben Yosef, e agora devemos olhar para as missões de Mashiach Ben David; as quais são: guerrear contra os inimigos de Israel, convencer a todos os homens sobre o único e verdadeiro Deus e por fim, ensiná-los a oração, isso é, Mashiach Ben David ensinará todos homens a como estabelecerem uma conexão intima com Hashem.

VAYIGASH (ויגש) aparece em quatro lugares no Tanakh. O primeiro em Genesis 44:18 que fala sobre Yehudah. O segundo em II Samuel 10:13 que fala sobre guerrear. O terceiro em Josué 14:6 que fala sobre convencimento. E o quarto em I Reis 18:36 que fala sobre aproximação com Hashem. Ou seja, VAYIGASH (ויגש) revela a origem de Mashiach Ben David e suas três missões.

O que isso tudo nos ensina? Que esse foi o momento em que Hashem estabeleceu em nossa realidade as duas facetas de Mashiach, suas origens e suas missões, e que tal não se manifestará até que todos os descendentes das outras 10 tribos não se sujeitem à liderança de Mashiach, isso é, até que não tenham suas fagulhas internas reativadas pela Torah. Quanto mais homens ao redor do mundo se associarem à Torah, mais próxima a Era de Mashiach estará; por isso está escrito:


E então terminará a rivalidade de Efraim (filho de Yosef) e a raiva de Yehudah. Efraim não mais invejará Yehudah e Yehudah não será mais hostil a Efraim. Midrash Tanchuma, Parashat Vayigash


Efraim representa o Reino do Norte, as tribos dispersas, as quais serão reunidas pela obra de Mashiach Ben Yosef; Yehudah representa o reino do Sul, as tribos de Yehudah e Binyamin, de onde virá Mashiach Ben David. Quando Midrash diz que as inimizades acabarão, ele está se dizendo que, pela obra de Mashiach Ben Yosef, ambos os Reinos de Israel e o Reino de Yehudah, que há muitos anos se separaram, serão novamente reunidos, e assim, Mashiach Ben David guerreará e dominará.


Lhes diga: assim diz meu Senhor Adonai, eu tomarei a vara das mãos de Yosef, a qual está na mão de Efraim, e das tribos de Israel associadas a ele, e a colocarei a vara de Yehudah sobre ela e as farei como uma vara; elas serão reunidas pelas minhas mãos. Ezequiel 37:19 Summa, Bruno. SHA'AREI TORAH: Portões da Torah - BERESHIT 5 (SHA'AREI TORAH - PORTUGUES Livro 6) (pp. 244-249). Edição do Kindle.

E há ainda outros comentários rabínicos que comparam Yehudah e Yosef a dois reis e os relacionam aos conceitos proféticos de Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David.

Yehudah: Representa o Reino do Sul, de onde viria a linhagem de David e, futuramente, o Mashiach ben David, que traria o reino final e eterno, conforme a promessa do Eterno a David em Shmuel Bet/2Sm 7:12-16.

Yosef: Representa o Reino do Norte (Efraim), que é associado ao Mashiach ben Yosef. Esse Mashiach desempenha um papel precursor na redenção, enfrentando as nações e preparando o caminho para o reinado de Mashiach Ben David.

Essa visão é baseada na divisão histórica de Israel em dois reinos, mas também reflete aspectos espirituais complementares na redenção futura. Os estudiosos associam os dois mashiachim a funções distintas, mas complementares, na Geulah, ou seja, na redenção.

Mashiach ben Yosef: Representa a luta, a preservação e o papel de preparar Yisrael para o retorno ao Eterno. Assim como Yosef preservou sua família durante a fome e enfrentou o sofrimento pessoal para salvar muitos, o Mashiach ben Yosef é visto como alguém que enfrenta grandes desafios e até mesmo a possibilidade de morrer por Yisrael, conforme descrito em tradições como a de Zacarias 12:10, onde se menciona um "sofrimento" que leva ao arrependimento.

Mashiach ben David: É o rei final, da linhagem de Yehudah, que trará a paz e estabelecerá o reino do Eterno sobre toda a terra, cumprindo profecias como as de Yeshayahu 11:1-10. Ele atualizará a unidade definitiva e restaurará todas as coisas.

Yosef está em posição de poder, mas era com contenção e sabedoria, o que reflete o papel de Mashiach ben Yosef em sustentar e proteger o povo durante tempos de adversidade, preparando o caminho para a redenção final.

Yehudah, em sua liderança vigorosa e disposição para assumir responsabilidade, reflete o papel de Mashiach ben David, que trará unidade e reinará sobre todo Yisrael como um pastor fiel e justo, conforme profetizado em Yechezkel 37:24-25.

O Midrash Bereshit Rabá e outros textos rabínicos sugerem que uma reconciliação entre Yehudah e Yosef na história de Bereshit prefigura uma união das tribos dispersas de Yisrael. Essa unidade será trazida pelo Mashiach, como descrito em Yechezkel 37:15-22 , onde o profeta fala dos dois bastões um para Yehudah e outro para Yosef (Efraim), que se tornarão um só nas mãos do Eterno, simbolizando a reunião de todo Israel como um único povo.

Essa visão é amplamente refletida na ideia de que Mashiach ben Yosef e Mashiach ben David trabalham em conjunto, ainda que suas missões sejam distintas. O Midrash destaca que a reconciliação entre Yosef e seus irmãos foi essencial para garantir a sobrevivência de Yisrael durante a fome, mostrando que a cooperação e a unidade são fundamentais para a redenção futura.

Além disso, a interação entre Yehudah e Yosef no contexto da Parashá Vayigash também aponta para o papel de Yisrael como uma luz para as nações. Yosef, ao governar o Egito, não apenas preserva sua família, mas também sustenta o mundo inteiro durante a fome. Isso reflete a promessa de que, na redenção final, Israel será uma fonte de vitória para todas as nações, conforme dito em Yeshayahu 2:2-3: "De Tsion sairá a instrução, e a palavra do Eterno de Yerushalayim."

Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Um resumo da Parashá (porção) Vayigash (e aproximou) de Bereshit/Gn 44:18-47:27.

 


Um resumo da Parashá (porção) Vayigash (e aproximou) de Bereshit/Gn 44:18-47:27.
A Parashá Vayigash começa com um clímax emocional: Yehudah se aproxima do governante egípcio, que na verdade é Yosef, seu irmão, ainda disfarçado. Yehudah está desesperado para proteger seu irmão mais novo, Binyamin, temendo que a perda dele levaria seu pai, Yaakov, a uma morte de tristeza. Demonstrando sua responsabilidade e amor fraternal, Yehudah se oferece para se tornar escravo no lugar de Binyamin.
A súplica de Yehudah toca profundamente Yosef, que não consegue mais esconder sua identidade. Em uma revelação dramática, ele declara: "Eu sou Yosef, seu irmão, aquele que vocês venderam para o Egito." Em vez de ressentimento, Yosef exibe uma imensa compaixão, explicando que tudo o que aconteceu foi parte do plano do Eterno para salvar vidas durante a fome. Ele perdoa seus irmãos e os conforta, garantindo que o sofrimento deles não foi em vão.
Yosef instrui seus irmãos a retornarem a Yaakov com presentes e a mensagem de que toda a família deve se mudar para o Egito, onde viverão na terra fértil de Gósen. Esta região seria um refúgio seguro durante os anos de fome. Antes da partida, Yaakov tem uma visão divina, na qual o Eterno reafirma Sua promessa: "Eu descerei contigo ao Egito e Eu também te farei retornar."
O reencontro entre Yaakov e Yosef é carregado de emoção e lágrimas, encerrando uma separação dolorosa de 22 anos. Yaakov, ao ver Yosef vivo, declara que agora pode morrer em paz.
A Parashá continua descrevendo como Yosef, com sua habilidade administrativa, gerencia os recursos do Egito durante a fome. Ele adquire quase todas as terras e riquezas para o Faraó, consolidando o poder central do governo. No entanto, apesar do controle rigoroso, Yosef garante a sobrevivência de sua família e do povo, preservando a vida durante a crise.
A lição principal dessa porção é a responsabilidade, a reconciliação e a soberania do Eterno na condução dos eventos para cumprir Suas promessas. Como está escrito em Mishlei 19:21: "Os planos do coração do homem são muitos, mas o conselho do Eterno permanecerá."
Shalom e que o Eterno lhe abençoe.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Estudo da Parashá Vayigash (E aproximou-se) - Você sabe falar?

 


Estudos da Torá

Parashá nº 11Vayigash (E aproximou-se)

Bereshit/Gênesis Gn. 44:18 – 47:27

Haftará (separação) Ez 37:15-28; e

B’rit Hadashah (nova aliança) Atos 7:9-16


Tema: Você sabe falar?


No estudo dessa semana aprenderemos com a atitude de Yehudah que usou o poder da fala com muita sabedoria expressando o que estava em seu coração, a fim de salvar seu irmão Binyamin de se tornar escravo. Veremos que uma palavra sábia pode mudar uma situação. E também compreenderemos o apontamento profético dessa situação vivida por Yehudah,Yosef e os demais irmãos naquele momento. Acompanhe o estudo até o final e tenha uma boa compreensão desse tema, e assim, descubra se você sabe falar.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Vamos iniciar com um resumo, após a nossa leitura de parte da porção semanal. A Parashá começa com a súplica ardorosa de Yehudah ao poderoso governante egípcio, que era Yosef ainda disfarçado, pela vida de Binyamin, alegando que Yaakov certamente morreria de dor se perdesse seu filho mais jovem.

Yehudá se oferece para permanecer no Egito como escravo no lugar do irmão mais novo.

Yosef então decide revelar sua identidade a seus irmãos, perdoando-os por vendê-lo como escravo anos antes, declarando que enviá-lo ao Egito era parte do plano Divino de preparar a sobrevivência na época de escassez.

Yosef então os envia de volta para a Terra de Kenaan carregados de presentes pedindo que tragam Yaakov e sua família para o Egito onde viveriam na província de Goshen. Antes que Yaakov partir, D'us aparece a ele reafirmando-lhe que Ele os acompanhará e que ao final retornarão à Kenaan como uma grande nação.

Após vinte e dois anos de separação, Yaakov finalmente se reúne com seu amado filho Yosef, e juntos vão ao encontro do Faraó.

A parashá termina descrevendo como Yosef usou seus vastos poderes para amealhar quase toda a riqueza do Egito para o tesouro do Faraó.


ESTUDO DO CONTEXTO LITERAL, PRÁTICO E PROFÉTICO

Ao iniciarmos o estudo dessa porção semanal da Torah, onde pretendo me focar na fala de Yehudah com o governador do Egito, que ele ainda não sabia ser Yosef, e refletirmos juntos na importância desse momento, tanto no aspecto histórico como no profético em relação à volta de Yeshua, mas também no nosso momento, é importante retornarmos para o últimos versos da porção passada a fim de conectarmos o contexto.


¹⁴ Quando Yehudah e seus irmãos chegaram à casa de Yosef, ele ainda estava lá. Então eles se lançaram ao chão perante ele. ¹⁵ E Yosef lhes perguntou: "Que foi que vocês fizeram? Vocês não sabem que um homem como eu tem poder para adivinhar? " ¹⁶ Respondeu Yehudah: "O que diremos a meu senhor? Que podemos falar? Como podemos provar nossa inocência? Deus trouxe à luz a culpa dos teus servos. Agora somos escravos do meu senhor, como também aquele que foi encontrado com a taça". ¹⁷ Disse, porém, Yosef: "Longe de mim fazer tal coisa! Somente aquele que foi encontrado com a taça será meu escravo. Os demais podem voltar em paz para a casa do seu pai". Gênesis 44:14-17


Agora observemos abaixo o início da parashá dessa semana.


Então Yehudah se chegou a ele, e disse: Ai senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó.” Gn 44:18


Yehudah e os demais irmãos foram capturados no caminho de volta para Kenaan e e levados para a casa de Yosef, porque os homens de Yosef encontraram na sacola de grãos de Binyamin a taça de prata que Yosef usava. Nos versos 14 a 17, que é o final da parashá passada podemos observar justamente essa chegada na casa de Yosef. E aqui vemos o início da fala de Yeshudah em defesa de seus irmãos, apesar de não ser o primogênito, foi o mais corajoso dentre todos os demais.

É importante notar que eles estavam ali naquele momento, pensando que Yosef, o governador de todo o Egito, achava que eles eram ladrões, já que foi encontrado a taça com seu irmão mais novo. Quando ele começa a falar Yosef estava com sua comitiva de servos e soldados como qualquer alto governante, e como podemos ver no capítulo 43 verso 19, os filhos de Yaakov já haviam lidado com um dos administradores de Yosef.

Agora no entanto, era uma situação diferente, pois para todo caso eles eram considerados ladrões. Esse deveria ser o pensamento que estava na mente de Yehudah, e ele pretendia mostrar que isso não era verdade, e que havia algum erro. Mas principalmente, vemos na atitude desse homem um arrependimento em suas palavras. Leiamos novamente nos versos. Yehudah certamente carregava o peso de ter vendido seu irmão aos midianitas e ter mentido ao seu pai durante tanto tempo. E é aqui o início do nosso estudo sobre o fato de você saber falar ou não.

Na parashá vemos Yehudah usando a fala como uma ferramenta de convencimento muito forte, demonstrando humildade, arrependimento e sabedoria. Ele havia aprendido algumas lições na vida depois de 22 anos. Vamos desenvolver um pouco este aspecto da importância da se saber falar.


O Poder da Fala

A fala é um dom que o Eterno deu ao homem que tem vários aspectos importantes. E mesmo assim, muitas pessoas tem dificuldades em lidar com a fala. Alguns com o aspecto de não saber falar em público, outros tem dificuldade de usar a fala para ensinar, outros tem dificuldades com o falar em momentos inapropriados. Esse é um aspecto muito sério, pois a palavra falada na hora certa pode mudar uma situação ou evitar problemas maiores.

Eu confesso, que o Eterno está tratando comigo pessoalmente nessa parashá. Tenho certa dificuldade em controlar as palavras que falo por ser muito sincero, isso às vezes, dependendo da situação, não é tão bom, pois acabo falando o que penso e como me sinto logo, a fim de resolver o problema. E nem sempre as pessoas toleram a verdade nua e crua. Enfim, esse estudo está primeiramente servindo para mim. Procuro sempre me preservar e falar pouco para não falar nada fora da hora.

É de suma importância que saibamos ligar a sabedoria com o dom da fala, pois isso leva a um poder enorme. Sh’lomo HaMelech ou Rei Salomão no livro de provérbios nos dá uma instrução a esse respeito.


Uma resposta gentil diminui a ira; palavras duras provocam a raiva.” Pv 15:1


Sobre o verso que lemos acima, o sábio Rei, segundo o autor Bruno Summa em seu comentário dessa parashá no livro Shaarei Toráh - portões da Torah, ensina como uma pessoa sábia deve reagir perante a ira e a raiva alheia. Se em uma situação de estresse ou de injustiça, formos capazes de mantermos nossa cabeça no lugar e responder as provocações extremas em um tom calmo e conciliatório, conseguiremos tanto reduzir a ira da pessoa que nos provoca quanto não levá-la à raiva. Da mesma forma, segundo o autor, o Rei Salomão também diz que se nos encontrarmos perante palavras iradas de uma pessoa alheia e, da mesma maneira como ela age, também agirmos ao lhe responder em tom elevado, a pessoa irada será levada a um nível de ira ainda maior, e isso pode colocar ambos em risco.

As palavras possuem poder para trazer resultados positivos, mas também negativos. E segundo o mencionado autor, o dom da fala para um homem é como a fruta é para uma árvore. Se nós, seres humanos, não formos capazes de verbalizar nossos pensamentos e ideias, nos tornaremos tão infrutíferos quanto uma árvore que perde a capacidade de gerar frutos.

O autor do livro mencionado acima nos dá uma dica muito legal ao mostrar um texto da Torah que nos amplia o entendimento para esse poder da fala em nossa vida. Veja, em Bereshit-Gênesis 2:1, diz que “...o homem se tornou um ser vivente…” e perceba que a Torah usa a expressão em hebraico “nefesh chaiah” – “alma vivente’. O interessante nisso é que no Targum Onkelos, uma tradução da Torah traduzida do hebraico para o aramaico contendo comentários, o termo “nefesh chaiah” – “alma vivente” é traduzida como “espírito falante” ou pessoa que fala. E podemos ainda observar outros textos para compreender melhor o que estou falando aqui.


Quem nos dá mais sabedoria do que as bestas da terra, quem nos faz mais sábios que os pássaros dos céus? Jó 35:11


Morte e vida estão no poder da língua. Aqueles que a amam, comerão de seu fruto. Pv 18:21


Podemos perceber com os versos acima que a fala é algo tão poderoso que é o único atributo que nos torna mais sábio do que os animais do campo e do que as aves do céus. A fala é onde as bênçãos que o Eterno nos dá por cumprir seus mandamentos se condensam e se manifestam, por isso, segundo o autor Bruno Summa, o Rei Salomão ensina que o poder da vida e da morte se encontra na língua. A nossa fala ou a forma como falamos é o que nos torna mais sábios ou mais tolos, tudo depende de como manifestamos nosso interior, nossa visão e nosso pensamento em nossa realidade e meios, ou seja, ao nosso redor. Tudo isso só é possível pela palavra que dizemos, como vemos o profeta Yeshayahu-Isaías dizer, “pelo fruto produzido pelos nossos lábios”, observe:


¹⁸ Eu vi os seus caminhos, mas vou curá-lo; eu o guiarei e tornarei a dar-lhe consolo,

¹⁹ criando louvor nos lábios dos pranteadores de Israel. Paz, paz, aos de longe e aos de perto", diz o Senhor. "Quanto a ele, eu o curarei. " ²⁰ Mas os ímpios são como o mar agitado, incapaz de sossegar e cujas águas expelem lama e lodo.

²¹ "Para os ímpios não há paz", diz o meu D´us.” Isaías 57:18-21


Dessa forma, quando olhamos para Yehudah iniciando sua fala ao governador do Egito, vemos exatamente essa sabedoria nas palavras em comparação a 22 anos atrás quando deu a idéia de vender a seu irmão Yosef. A sabedoria ligada a palavras corretas e bem faladas podem trazer excelentes frutos.

Há um midrash entre o povo de Yisrael que mostra primeiramente Yehudah chegando com ira diante do governador do Egito, e puxando a espada para ele, mas de acordo com o midrash Yosef manda seu filho Manashe mostrar a Yehudah que ele também era forte, então Manashe começa a dar pontapés nas paredes da casa, que começa a tremer. Então, Yehudah teria se acalmado e começado a falar de forma branda. Nessa linha de pensamento, a coisa poderia ter ficado muito difícil para Yehudah caso ele se mantivesse irado. E temos confirmação pela Torah oral de que isso realmente tenha acontecido, por isso nosso aprendizado amplia ainda mais, pois é ligado ao que está dito no midrash, na Torah escrita e confirmada pela oral. O Rav Yochanan Ben Yaakov afirma que pela Torah oral, a idéia de Yehudah inicialmente era usar de violência para realmente ter um motivo para ser preso e se tornar escravo no lugar de seu irmão Binyamin, cumprindo o que prometera a seu pai, Yaakov. Mas as circunstâncias fizeram o experiente Yehudah mudar de idéia, e então ele usa outro poder. O poder das palavras ditas com humildade e sabedoria.

O Rav Yochanan também nos diz uma outra coisa interessante que eu ainda não tinha me atentado, ou seja, não tinha ligado. Ele diz que o talmid de Yeshua chamado Kefa ou Pedro, também agiu da mesma forma ao tomar da espada para atacar o soldado do sumo sacerdote, sua intenção era livrar a Yeshua tomando seu lugar. Porém o mestre da Galiléia não permitiu. Falaremos ainda sobre apontamentos proféticos neste estudo, permaneça até o final.

Por isso, é importante destacarmos que nós não devemos ceder ao uso banal de nossas palavras, mas sim, devemos ter o máximo cuidado com o que falamos, porque tudo que sai de nossa boca, conforme mencionamos anteriormente, possui poder de destruir nossas vidas e a de outras pessoas.

O autor Bruno Summa no mencionado livro faz uma pergunta interessante: Mas por que HaShem nos deu tal delicado poder? E ele responde afirmando que Rabbeinu Bahya ensina que o poder da fala serve para expandir o conhecimento da Torah. Ele continua dizendo, que assim como a Torah pode se tornar uma “faca de dois gumes”, por ser tanto benéfica quanto maléfica dependendo de como o homem utiliza seu conhecimento e ensino, a ferramenta que está associada a ela, ou seja, a fala, inevitavelmente tem essa mesma característica. Segundo o comentário, tudo o que o Eterno deu ao homem para expandir o conhecimento Dele, possui as mesmas características desse conhecimento. Assim, se o conhecimento da Torah é passível de ser usado para o bem ou para o mal, da mesma forma tudo o mais que o Eterno deu ao homem também o pode, como as mãos, e principalmente a fala. Por isso, quando compreendemos o poder da fala e a colocamos em bom uso, seremos como o que a Torah ensina: “...seu fruto será fonte de jubilo perante o Eterno.” Lv 19:24

Essa parashá tem uma característica muito forte, pois mostra que Yehuda se aproximou de Yosef para lhe falar, mesmo com toda a dificuldade que poderia haver, devido a grande comitiva que havia com o governador do Egito. Ele começa a falar nos versos 14 a 17 ainda de longe, Yosef deveria estar cercado por seus homens de confiança, mas Yehudah Vayigash – aproxima-se, ou seja, corre o risco e chega mais perto. Isso significa que ele rompe as barreiras tradicionais que havia sobre o contato de um hebreu com um egipcio, pois ainda não sabia que era Yosef. Ele se arriscou e deu alguns passos a frente para se aproximar, pois o que iria falar era importante e não queria falar alto.

Sabe, quando reparei neste trecho da parashá, isso me chamou a atenção! Não deve ter sido fácil para Yehudah. Assim como também não é fácil para mim, e nem para você, tomar certas atitudes e fazer escolhas corretas de atitudes e de palavras em determinados momentos de nossas vidas. Estar cara a cara com uma situação difícil e agir da forma correta e branda é a melhor decisão que tomamos, assim como estamos aprendendo com Yehudah.

A nossa fala ligada com a sabedoria conquistada pelo cumprimento de Torah é a melhor ferramenta que temos em nossas mãos para usar nos momentos críticos. E saibam que para mim isso não é fácil de dizer, pois estou falando comigo mesmo! Ou melhor o Ruach está falando comigo, enquanto escrevo este texto.

Devemos usar com sabedoria a fala para levar a Torah ao escravizados pelo sistema religioso, devemos usar a fala para apaziguar uma situação crítica, devemos usar a fala para ajudar um aflito, devemos usar o dom que o Eterno nos deu para o Reino.

Não podemos usar esse poder da fala aleatoriamente como Yeshua ensina em seu sermão profético em Mt 6:7: “...Eles pensam que por muito falaram serão ouvidos.” Também conforme Yeshua ensina em Mt 10:20: “...pois não serão mais vocês que estarão falando, mas o Ruach do Pai de vocês falará por intermédio de vocês.”

Saber falar é um ato de sabedoria e nós cumpridores de Torah devemos ter em diversos momentos em nossas vidas, mesmo nas redes sociais.


Apontamentos Proféticos

Nesse aspecto da parashá, quando olhamos para os textos devemos comprender algumas coisas, vejamos os textos inicialmente do final da parashá passada:


E veio Judá com seus irmãos à casa de José, pois ele ainda estava ali; e prostraramse em terra diante dele" Gn 44:14


Há dois anos atrás o Rav Yochanan na midrash profética deu alguns apontamentos dessa parashá, e você pode buscar lá no canal da Kahal Teshuvah Brasil. Quando olhanos nesse texto para Yehudah e seus irmãos chegando à casa de José devemos entender algumas coisas de maneira profética.

Primeiro, Yehudah e seus irmãos representam os judeus ou a casa de Yehudah. Yosef representa Yeshua o messias, e a congregação nazarena toraísta composta pela casa de Yisrael, também conhecida como Casa de Efraim ou Casa de Yosef.

Assim, devemos perceber que atualmente, existem esforços tanto dos judeus ortodoxos como dos judeus messiânicos em busca da “casa de José”, as dez tribos perdidas entre as nações. Segundo o site Emunah a fé dos santos, o Eterno leva-os a fazer isso porque aproxima-se o momento em que o Filho de José, ou seja, Yeshua Hamashiach, se dará a conhecer aos seus irmãos. Este texto induz-nos a pensar que os judeus reconhecerão a Yeshua na casa de Yosef. A casa de Yosef são as dez tribos perdidas que estão agora a voltar a casa, e há pessoas que ainda estão entre os cristãos e demais religiões.

Neste texto, também aprendemos que muitos judeus se inclinarão diante de um Messias que para eles é “gentilizado”, num contexto estranho, e não é à toa que há comentários rabínicos no Talmud dizendo que o messias está às portas de Roma. Mas isso não quer dizer que o messias seja romano, mas para os legalistas ele estar às portas de Roma é ser romano.

Segundo o citado site, desde o ano de 1967, cada vez mais judeus se tornaram seguidores da vida justa Yeshua e assim alguns adaptaram costumes “pagãos” que nada têm a ver com a fé hebraica. Reconheceram a Yeshua como o messias enviado mas num ambiente cristianizado, e por isso não o vêm como um judeu praticante da Torá. Eles terão uma grande surpresa quando ele se manifestar como ele realmente é.


Então Judá se chegou a ele, e disse: Ai senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó.” Gn 44:18


Yehudah aproximou-se de Yosef pouco antes deste se dar a conhecer. Da mesma forma sucederá nos últimos tempos, pouco antes do Messias se dar a conhecer ao povo Judeu. Segundo o site Emunah a fé dos santos, estamos vivendo este tempo agora, quando o povo judeu se aproxima cada vez mais de Yeshua para conhecer mais sobre ele, não como o cristianismo o pintou, mas sim como um Judeu praticante da Torá.

Yehudah, o povo judeu – tanto nos tempos apostólicos como ao longo destes últimos dois mil anos, vêem a Yeshua sem reconhecer nele o Messias. E dizem “Tu és como Faraó”. Assim como Yosef não era o Faraó, mas recebeu dele autoridade, Yeshua não é o Eterno e recebe dele autoridade para ser o Messias, o Rei. E Yeshua mencionou isso em João 14:9: “Disse-lhe Yeshua: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” O fato aqui é que muitos pensam que Yeshua é o Eterno por causa dessas palavras, por não entenderem seu significado. Quem olha para Yeshua vê o Pai, porque ele faz tudo o que o Pai manda em sua instrução, ou seja, a Torah.

Assim como quando Yosef se revela a seus irmãos isso não muda o status deles, pois Yosef continuou sendo o governante do Egito e seus irmãos continuaram sendo hebreus e longe da casa de Yosef. Da mesma forma Yeshua continuará sendo o Rei enviado pelo Eterno e muitos judeus não estarão perto da casa de Yeshua, ou seja, na Jerusalém.

Não é uma substituição, pois haverá judeus na casa do Messias, assim como pessoas da casa de Yisrael, e gentios. O que une todos eles é o cumprimento de Torah a exemplo do próprio messias.

Que possamos estar firmes, sabendo como obedecer aos mandamentos, sabendo falar e usando a sabedoria que nos foi dada em prol do Reino do Eterno.


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Pr/Rav Marcelo Peregrino Silva (Marcelo Santos da Silva - Moshê Ben Yosef)