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sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Estudo da Parashá Lech Lechá - A influência do ambiente na nossa vida

 


Estudos da Torá

Parashá nº 3 – Lech Lechá (Vá por ti)

Bereshit/Gênesis 12.1-17.27

Haftará (separação) Is 40.27-41.16 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Mt 5.1-48; At 7:1-8



Tema: A influência do ambiente na nossa vida


Sabemos que o Eterno chamou Avram desde Ur dos Caldeus, a fim de sair do meio de um ambiente de idolatria e de todo o sistema pecaminoso que havia naquela região, para ir em direção à uma terra que o próprio D’us lhe mostraria. Mas interessante é que, nesta nova terra, também havia idolatria e um sistema pecaminoso. Qual a diferença de ambiente então? Esta terra, a chamada terra de Kenaan seria dada ao patriarca e a seus descendentes como herança, à partir de uma aliança com o criador, e isso tinha e tem apontamentos proféticos importantes. E neste estudo vamos tratar um pouco a respeito do ambiente que circunda o servo de D’us e a influência desse ambiente em nossa vida.


A PARASHÁ DA SEMANA

Observamos na parashá passada que o Eterno viu a vida reta que Nôach escolheu viver, em obediência à vontade divina. Também falamos sobre as leis de Nôach e sua verdadeira compreensão que deve ser tirada de toda a Escritura.

Agora, entraremos na terceira parashá, onde iniciaremos o estudo sobre a vida de Avraham, nosso pai na emunáh (fé, confiança, firmeza), que na época ainda era chamado de Avram. Essa parashá é considerada uma das porções mais importantes da Torá, pois ela trata do chamado de Avram(Abrão), o primeiro patriarca da nação de Yisrael. E nela temos a oportunidade de aprender muitas coisas a respeito da promessa que o Eterno fez a este patriarca e de sua repercussão para as nações do mundo, através de seus descendentes, e principalmente de Yeshua HaMashiach, que iniciou a concretização dessas promessas.

Assim, para uma visão mais ampla da parashá, antes do estudo do tema, vamos ao resumo da porção, com base no resumo do site Chabad. O Eterno fala a Avram, ordenando: “Sai da tua terra, do teu local de nascimento e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei.” Ali, D'us diz, ele será transformado numa grande nação. Avram e sua esposa, Sarai, acompanhados pelo seu sobrinho Lot, viajam para a terra de Kenaan, onde Avram constrói um altar e continua a divulgar a mensagem de um único D'us.

Uma fome regional força o patriarca a partir para o Egito, onde a linda Sarai é levada ao palácio do faraó; Avram escapa da morte porque eles se apresentam como irmão e irmã. Uma praga impede o rei egípcio de tocá-la, e o convence a devolvê-la a Avram e a compensar o irmão – revelado como marido – com ouro, prata e rebanho.

De volta à terra de Kenaan, Lot se separa de Avram e se instala na perversa cidade de Sodoma, onde se torna cativo dos poderosos exércitos de Kedorlaomer e seus três aliados conquistam as cinco cidades do Vale de Sodoma. Avram vai com um pequeno grupo para resgatar seu sobrinho, derrota os quatro reis, e é abençoado por Malki-Tsedek, o rei de Shalem (cidade que muito tempo depois será chamada de Yerushalém).

O Eterno D'us sela o Pacto entre as Partes com Avram, no qual o exílio e a perseguição (galut) do povo de Israel é profetizada, e a Terra Santa é entregue a eles como seu eterno legado. Ainda sem filhos dez anos após sua chegada na Terra, Sarai diz a Avram para dormir com sua criada Hagar. Esta concebe, torna-se insolente com sua patroa, e então foge quando Sara a trata duramente; um anjo a convence a retornar, e diz a ela que seu filho será pai de uma populosa nação. Yishmael nasce quando Avram tem oitenta e seis anos.

Trinta anos depois, D'us muda o nome de Avram para Avraham (“pai das multidões”) e Sarai para Sara (“princesa”), e promete que um filho nascerá para eles; deste filho, que eles deveriam chamar de Yitschac (“vai rir”), nascerá uma grande nação com a qual D'us estabelecerá Seu vínculo especial. Avraham é ordenado a circuncidar a si mesmo e a seus descendentes como um “sinal do pacto entre Eu e você”, segundo o Eterno. Avraham obedece imediatamente, circuncidando a si mesmo e a todos os homens de sua família.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Enquanto viveu em Ur, Avram não se misturava com a idolatria daquele lugar, os rabinos através de vários midrashim e de passagens da Torá Oral nos informam o comportamento do patriarca ali. Claro que ele não era perfeito, mas o Eterno viu sua intenção em não se misturar com aquelas coisas, não se contaminar com o ambiente ao seu redor, mesmo que ainda não conhecesse o D’us Altíssimo, pois ainda não o havia chamado. Entretanto, quando foi chamado, logo atendeu e partiu na direção indicada pelo Eterno. E nessa parashá, a Torah escrita nos relata o início dessa caminhada do patriarca com o Eterno em meio a ambientes diferenciados, e nem sempre propícios a ele. Vejamos o texto:


Partiu Avram, como lhe ordenara o Eterno, e Lót foi com ele. Avram tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Levou sua mulher Sarai, seu sobrinho Lót, todos os bens que haviam acumulado e os seus servos, comprados em Harã; partiram para a terra de Kenaan e lá chegaram. Avram atravessou a terra até o lugar do Carvalho de Manre, em Shiquém. Naquela época os cananeus habitavam essa terra. Gênesis 12:4-6


O Eterno havia dado uma ordem ao chamar Avram. Ele deveria sair da terra e da parentela, ou seja, abandonar o país de nascimento e deixar os parentes. Mas ainda assim, vemos que ele era um bom homem, e não poderia abandonar seu sobrinho, ao qual se sentia responsável. Isso muitas vezes pode ser um problema ao seguir o caminho em que o Eterno nos coloca, ou seja, desejar ser mais amoroso do que o Eterno. Ao levar consigo seu sobrinho Lót, o patriarca levava consigo ainda o ambiente de sua terra natal, para um ambiente em que ele não sabia como iria encontrar.

Quando falamos de ambiente devemos levar em consideração alguns aspectos importantes. O primeiro deles é o ambiente que ele deixou para trás, depois o que ele ainda carrega consigo, ou seja, seus próprios erros, vícios, medos, problemas, e seu parente que o acompanhava. E também o ambiente do lugar em que ele estará conhecendo. Cada um desses ambientes podem exercer influência sobre sua vida e sua caminhada. E isso ocorre conosco também, por isso o estudo da Torah e sua prática é importante, a fim de manter um ambiente propício à sabedoria divina.

Nesse aspecto do assunto que estamos tratando, o rabino Isaac Dichi, autor de “Nos caminhos da Eternidade I”, segunda edição, ao comentar sobre a parashá Lech Lechá, discorre sobre a importância do meio ambiente, e começa dizendo o seguinte, observe a transcrição abaixo:

“Vashem berach et Avraham bacol” (Bereshit 24:1) – “E D’us abençoou Avraham em tudo.”

O Midrash Rabá (57:1) diz que esta bênção se refere ao fato de Hashem não ter voltado a testá-lo. Como se sabe, Avraham foi testado pelo Todo-Poderoso dez vezes e saiu-se bem em todos os testes que lhe foram impostos, principalmente no último, que foi levar seu filho Yitschac à akedá (sacrifício), depois de tantos anos de ansiedade por ter um filho.

É evidente, que se Avraham fosse testado novamente pelo Criador, iria sair-se da melhor forma, pois sua crença, fé e dedicação ao Todo-Poderoso não tinham limites ou barreiras.

Não obstante, vemos que pelo ponto de vista de nossos sábios, o fato de Avraham não ser novamente submetido à prova, foi considerado uma berachá – uma bênção.

Por outro lado, nesta parashá vemos que Lot, o sobrinho e cunhado de Avraham, estava disposto a abandonar a companhia de Avraham e unir-se às pessoas de Sedom, as quais a Torá denomina de “raim vechataim Lashem meod” (Bereshit 13:13) – más e pecadoras a D’us em demasia.

Em que situação colocou-se Lot? A quem uniu-se e quais difíceis testes teve de enfrentar, a ponto de nossos sábios associarem a ele o seguinte versículo (Mishlê 13:20): “Holech et chachamim yechcam veroê kessilim yeroa” – Aquele que acompanha os sábios acrescenta sabedoria e aquele que lidera os tolos passa a fazer o mal com eles?

Enquanto Lot estava em companhia de Avraham, estava na situação de “Holech et chachamim yechcam” e no momento que dispensou esta companhia, passou de uma situação nobre e honrada para a situação vexatória e baixa de “roê kessilim yerôa”. Daqui inferimos, o quanto o meio ambiente em que o indivíduo vive é importante, para que ele se mantenha em situação espiritual estável, com possibilidades de ascensão.

O simples fato de colocar-se em teste, já é considerado uma decadência, principalmente quando os motivos são materiais e os interesses, pessoais – que muitas vezes cegam o indivíduo. Ambições materiais levaram Lot a se separar de Avraham, pois percebeu que o Jordão era rico em água para poder abastecer seu rebanho.

Ao afastar-se dos sábios da Torá, a propensão do ser humano é afastar-se também do Criador e de seus mandamentos.

Tende a conformar-se e a convencer-se de que sua situação espiritual não é tão ruim, porque as pessoas que o rodeiam são piores do que ele. Porém se estivesse em um ambiente de Torá, em companhia de sábios e estudiosos, estaria sempre atento quanto a seu nível espiritual e a sua elevação, carregando consigo o título de “Holech et chachamim yechcam” - Aquele que acompanha os sábios acrescenta sabedoria.

Esta parashá comprova que ao afastar-se dos sábios da Torá, o indivíduo afasta-se também de D’us, conforme diz a Torá: “Vayissá Lot mikedem” (Bereshit 13:11). A explicação deste passuc – Vayissá Lot Micadmonô shel olam – e afastou-se Lot do Antecessor do Universo. Rashi explica, que Lot manifestou-se assim: “Não me interessa Avraham, nem o seu D’us!” Ou seja: Lot afastaria-se de Avraham, um grande sábio, e conseqüentemente afastaria-se também de D’us.

Mesmo que o indivíduo planeje separar-se de um ambiente sadio apenas por algum tempo, o simples fato de desligar-se deste meio já é considerado uma decadência. Isso deixa no indivíduo uma nódoa negativa cuja recuperação torna-se difícil.

Para demonstrar a importância do meio em que vivemos, nossos sábios trazem no Pirkê Avot um acontecimento que se passou com Rabi Yossef ben Kismá.

Certa vez, Rabi Yossef ben Kismá encontrou um indivíduo no caminho que o saudou, dizendo-lhe shalom e lhe perguntando de que lugar era ele. Rabi Yossef ben Kismá respondeu que vinha de uma grande cidade de sábios e escrivãos. Esse indivíduo, então, convidou-o para morar em sua cidade, oferecendo-lhe muitas riquezas. Rabi Yossef ben Kismá respondeu-lhe, que mesmo que lhe fossem dadas todas as riquezas do mundo, somente moraria em lugares onde houvesse Torá, porque após o falecimento não são as pedras preciosas, o ouro e a prata que nos acompanham, mas somente a Torá e suas mitsvot. (Páginas 28 - 31)


O QUE ESTÁ AO REDOR

Conforme disse acima os diversos tipos de ambientes podem exercer influência sobre sua vida e sua caminhada. E repetindo o que já mencionei isso pode ocorrer conosco também, ou seja, nossas experiências anteriores ao caminho, as pessoas ao nosso redor e outras tantas coisas, por isso o estudo da Torah e sua prática é importante, a fim de manter um ambiente propício à sabedoria divina e as consequentes bênçãos da obediência.

Na psicologia há uma área de estudo chamada Psicologia Ambiental e ela afirma que o ambiente afeta o comportamento, assim como o comportamento afeta o ambiente. Essa é uma das principais proposições da psicologia ambiental, área que estuda a inter-relação entre o comportamento humano e o ambiente que o circunda, seja ele construído ou natural. Através de observações os especialistas estudam como o ambiente afeta a personalidade do indivíduo e também como esse indivíduo afeta o ambiente ao seu redor.

No contexto do nosso estudo nessa parashá, teremos a oportunidade de aprender que o Eterno prepara o caminho e nos encaminha para fazermos a diferença onde formos, e o ambiente, como estamos vendo deve ser afetado também.

A reflexão que desejo que tenhamos é que:

- Avram e Lot influenciaram ou foram influenciados pelo ambiente ao seu redor?

- Faz alguma diferença para aquele que foi chamado pelo Eterno a seguir no caminho da Torah, o ambiente em que ele está inserido?

- Nós na atualidade sofremos essa influência do ambiente? E como devemos agir?

Quando olhamos para essa porção da Torah e para a próxima, podemos perceber como o ambiente pode influenciar e ser influenciado, conforme vimos na transcrição citada anteriormente. Na verdade, entendo que o propósito do Eterno ao transmitir sua Torah ao homem e mandar que ele leve-a aos outros, é exatamente que ele exerça influência divina pela luz da palavra nas pessoas e no ambiente como consequência. Esse é o propósito que vemos em toda a Escritura. Não é à toa que os textos da Toráh são tão proféticos e com apontamentos tão profundos perpassando a história em diversos níveis desde o passado até o futuro, quando o messias e rei ungido pelo criador vier e estabelecer o Reino de D’us.


A VONTADE DE D’US

Até ser reconhecido como “pai da emunah” Avram passou por várias provações em sua vida. E a maioria delas à partir do ambiente que o cercava. Ano passado no estudo dessa parashá eu disse que, o Eterno sempre procura pessoas que possam viver de forma justa e seguir a seus mandamentos fazendo parte de uma nação separada e obediente. No “El Midrash Dice”, que está em espanhol, diz que o Eterno encontrou Avram depois de aguardar dez gerações desde Shem. Este filho de Noach, foi fiel a D’us em toda a sua vida, mas alguns de seus descendentes não, até que veio Avram, mesmo vivendo em uma terra e no meio de um povo pagão, não se misturava com os costumes daquelas pessoas.

O mencionado midrash também diz que, quando Adam e Chavah pecaram, eles fizeram com que a shekhinah se afastasse do primeiro céu, mas Avram trouxe a shekhinah de volta a terra. Adam trouxe morte para a humanidade, mas Avram deu vida ao mundo ao ser hospitaleiro e ao por as pessoas debaixo dessa shekhinah. Percebemos como o patriarca é um apontamento profético para o caráter e ministério de Yeshua Hamashiach ao levar a presença do Eterno pela Torah às pessoas.

Disse também naquela ocasião que, o que podemos ver com o midrash é que a vida de Avram tinha propósito, ao ser chamado pelo Eterno, viver uma vida de justiça e mostrar às pessoas que ele servia ao único D’us. E ele sabia o que isso significava, já que ele viveu em uma terra muito idólatra e padeceu por viver de forma justa naquele lugar. O citado midrash mostra as provas que o Eterno permitiu que Avram passasse, a fim de provar sua fidelidade. Algumas dessas provas aconteceram enquanto ele ainda vivia em Ur dos caldeus, esse patriarca foi contemporâneo de Ninrod, e dentre as provas que passou estava o fato de Avram ser jogado em uma fornalha, ser preso, entre outras. Com isso, devemos entender que quando o Eterno chama Avram em Bereshit 12, ele havia passado por várias provas, mas ainda não todas. E depois de sua saída de Haran de vez, deixando tudo para trás, apesar de ainda levar seu sobrinho Lot, o que lhe custou alguns momentos de problemas e a necessidade de enfrentar uma batalha para salvá-lo, Avram continuou a ser provado pelo Eterno, pois isso o faria crescer em justiça até que alcançou o que lemos em Gn 24:1. E como disse, o ambiente ao redor sempre tentou influenciar, mas o que precisamos observar são as atitudes certas e erradas desse patriarca para aprendermos a agir de forma correta. Afinal, o propósito maior de o Eterno nos dá a Torah, que é instrução, direção e ensino, é nos instruir no caminho correto em meio a um ambiente hostil em que vivemos.

Nossa vida é que deve ser uma influência ao ambiente e nunca o contrário. Aprendemos isso com Avram, e mesmo com todo o problema, também aprendemos com Lót, pois veremos na próxima parashá que mesmo em um ambiente tão corrupto, não deixou de lado o que aprendeu com seu tio Avram acerca dos mandamentos do Eterno. E precisamos agir da mesma forma a cada dia de nossas vidas.

E antes de finalizar vejamos o contexto profético desse assunto que estamos estudando dentro da haftará em Is 40:27-41:16.


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Pr/Rav Marcelo Peregrino Silva (Marcelo Santos da Silva - Moshê Ben Yosef)

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Estudo da Parashá Lech Lechá (Vá por ti) - 2022-2023

 


Estudos da Torá


Parashá nº 3 – Lech Lechá (Vá por ti)

Bereshit/Gênesis 12.1-17.27

Haftará (separação) Is 40.27-41.16 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Mt 5.1-48; At 7:1-8


Tema: Saindo da idolatria


RELEMBRANDO


No final da Parashá Noach vemos uma breve descrição da ascendência familiar de Avram e sua saída de Ur em direção a Kena’an parando porém no caminho (Gn 11:26-32). O Eterno o havia chamado já em Ur, mas ele procrastinou e deu ouvidos ao seu pai Terah parando, conforme dissemos, em uma cidade ainda na região da caldéia. Vemos ali também a união de Avram e Sarai, e a informação de que ela era estéril.


A PARASHÁ DA SEMANA


Vimos no estudo da parashá passada que o Eterno viu a vida reta que Nôach escolheu viver, em obediência a sua vontade. Também falamos sobre as leis de Noach e sua verdadeira compreensão que deve ser tirada de toda a bíblia.

Agora, entraremos na terceira parashá, onde iniciaremos o estudo sobre a vida de Avraham, nosso pai na emunáh (fé, confiança, firmeza), quena época ainda era chamado de Avram. Essa parashá é considerada uma das porções mais importantes da Torá, pois ela trata do chamado de Avram(Abrão), o primeiro patriarca da nação de Israel. E nela temos a oportunidade de aprender muitas coisas a respeito da promessa que o Eterno fez a este patriarca e de sua repercussão para as nações do mundo, através de seus descendentes, e principalmente de Yeshua HaMashiach, que iniciou a concretização dessas promessas.

Assim, para uma visão mais ampla da parashá, antes do estudo do tema, vamos ao resumo da porção, com base no resumo do site Chabad. O Eterno fala a Avram, ordenando: “Sai da tua terra, do teu local de nascimento e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei.” Ali, D'us diz, ele será transformado numa grande nação. Avram e sua esposa, Sarai, acompanhados pelo seu sobrinho Lot, viajam para a terra de Canaan, onde Avram constrói um altar e continua a divulgar a mensagem de um único D'us.

Uma fome força o patriarca a partir para o Egito, onde a linda Sarai é levada ao palácio do faraó; Avram escapa da morte porque eles se apresentam como irmão e irmã. Uma praga impede o rei egípcio de tocá-la, e o convence a devolvê-la a Avram e a compensar o irmão – revelado como marido – com ouro, prata e rebanho.

De volta à terra de Canaan, Lot se separa de Avram e se instala na perversa cidade de Sodoma, onde se torna cativo dos poderosos exércitos de Kedorlaomer e seus três aliados conquistam as cinco cidades do Vale de Sodoma. Avram vai com um pequeno grupo para resgatar seu sobrinho, derrota os quatro reis, e é abençoado por Malki-Tsedek, o rei de Salem (Jerusalém).

O Eterno D'us sela o Pacto entre as Partes com Avram, no qual o exílio e a perseguição (galut) do povo de Israel é profetizada, e a Terra Santa é entregue a eles como seu eterno legado. Ainda sem filhos dez anos após sua chegada na Terra, Sarai diz a Avram para casar com sua criada Hagar. Esta concebe, torna-se insolente com sua patroa, e então foge quando Sara a trata duramente; um anjo a convence a retornar, e diz a ela que seu filho será pai de uma populosa nação. Ishmael nasce quando Avram tem oitenta e seis anos.

Trinta anos depois, D'us muda o nome de Avram para Avraham (“pai das multidões”) e Sarai para Sara (“princesa”), e promete que um filho nascerá para eles; deste filho, que eles deveriam chamar de Yitschac (“vai rir”), nascerá uma grande nação com a qual D'us estabelecerá Seu vínculo especial. Avraham é ordenado a circuncidar a si mesmo e a seus descendentes como um “sinal do pacto entre Eu e você”. Avraham obedece imediatamente, circuncidando a si mesmo e a todos os homens de sua família.


Estudo do Texto da Parashá


Saindo da idolatria, o tema dessa semana, ao estudarmos a parashá Lech Lechá, é muito apropriado para o tempo em que estamos vivendo, ou seja, tempos de teshuvah. Muitas pessoas tem se aproximado ao D’us criador dos céus e da terra, declarando-o como único e verdadeiro D’us, e através dos méritos da vida justa de Yeshua, adentrado ao povo da aliança, Yisrael. A isso chamamos teshuvah, um movimento de retorno, de arrependimento, de conversão, de correção de rumos, de mudança de direção e de atitudes. Apesar disto, muitos dizem servir a D’us, mas não estão vivendo em teshuvah, vivem no engano.

Essa conversão literalmente faz o indivíduo sair de onde estava ou da forma em que estava vivendo, para o caminho de obediência ao Eterno, abandonando a idolatria em que se encontrava antes. Uma multidão estão presas no sistema, dormentes na idolatria do sistema religioso, acreditando verdadeiramente que estão conseguindo agradar ao Eterno. Porém, ao viverem nesse sistema com o paganismo instalado em seu meio, não podem agradá-lo, pois HaShem abomina a idolatria. Por isso o Eterno chama as pessoas ao arrependimento, dizendo para “saírem por si mesmos”.

Lech Lechah foi o que o Eterno falou a Avram, lemos isso logo no início dessa parashá em Bereshit 12:


Vayomer HaShem el-Avram lech lechah meartsecha…

“E disse o Eterno a Avram saia por ti mesmo da sua terra...”


Isso que acabamos ler acima, é o que literalmente a tradução feita direto do hebraico nos diz. No entanto, a maioria das traduções dizem apenas: “E disse o Eterno a Avram saia de sua terra...”. E para compreendermos bem essa chamada e essa ordem do Eterno para este que se tornaria o “pai de multidões”, e entendermos porque precisamos sair da idolatria, devemos olhar para trás. E buscar o que o povo de Yisrael diz a esse respeito, sobre como Avram vivia antes, e que exemplos podemos tirar para nossas vidas e como aplicar em nossa caminhada.

É importante destacar que sempre devemos olhar todo o contexto que há envolvido na passagem que estamos estudando. Assim, antes de seguirmos para a vida pregressa de Avram, vejamos um ponto na história que algumas pessoas acabam desprezando e assim, deixam informações importantes de lado por causa disso. Já dissemos em estudos anteriores que a Torá não é somente escrita, ela também é oral, e isso para os judeus é algo muito comum, pois as informações são passadas de pais para filhos, bem como as técnicas de estudar os textos sagrados.

Pois bem, sabendo disso, encontramos algumas lacunas nos textos escritos que são complementados com a Torá oral, e também com partes dos escritos nazarenos, uma vez que seus autores eram judeus, e por sua vez, receberam também a Torá oral. E talvez você se pergunte, onde estou querendo chegar ao falar isso?

Repare que, conforme mencionei bem no início desse estudo, o Eterno já havia chamado Avram em Ur, a capital da antiga Mesopotâmia, mas ele procrastinou e deu mais ouvidos ao seu pai Terah, apesar de tudo o que já tinha acontecido a ele, falaremos ainda sobre isso, e por causa de seu pai, parou em uma cidade ainda na região da caldéia chamada Haran. Mas isso não está claro nos últimos versos do capítulo 11, e nem nos primeiros versos do capítulo 12, que é o início dessa porção. Aparentemente, a chamada de Avram se dá no capítulo 12, mas temos informações na Torá oral de que ele realmente já tinha sido chamado deste antes de chegar com seu pai em Haran, inclusive podemos confirmar isso através de um texto no livro de Atos, veja:


“Então o sumo sacerdote perguntou a Estêvão: "São verdadeiras estas acusações? " A isso ele respondeu: "Irmãos e pais, ouçam-me! O D’us glorioso apareceu a Abraão, nosso pai, estando ele ainda na Mesopotâmia, antes de morar em Harã, e lhe disse: ‘Saia da sua terra e do meio dos seus parentes e vá para a terra que eu lhe mostrarei’. "Então, ele saiu da terra dos caldeus e se estabeleceu em Harã. Depois da morte de seu pai, Deus o trouxe a esta terra, onde vocês agora vivem.” Atos 7:1-4


Vemos neste trecho Estevão ao ser questionado pelo sumo sacerdote a respeito, a respeito do testemunho de Yeshua, pois alguns religiosos da época estavam se levantando contra isso. E ele começa lembrando o chamado de Avram, e diz que o Eterno o chamou quando ele ainda estava na Mesopotâmia, antes de chegar em Haran. É importante destacar que Ur fazia parte da Mesopotâmia. E sabemos que isso vem da Torá oral, pois no texto da Torá escrita vemos que Avram estava em Haran, e essa informação é aceita pelo sacerdote e pelos que ali estavam, pois eles já conheciam esse fato histórico.

Mas temos ainda outros relatos nos profetas que corroboram com esse relato de Estevão, veja:


“Abrão creu no Eterno, e isso lhe foi creditado como justiça. Disse-lhe ainda: "Eu sou o Eterno, que o tirei de Ur dos caldeus para dar-lhe esta terra como herança".” Gênesis 15:6,7


“Josué disse a todo o povo:Assim diz o Eterno, o D’us de Yisrael: Há muito tempo, os seus antepassados, inclusive Terah, pai de Avrahan e de Nachor, viviam além do Eufrates e prestavam culto a outros deuses.” Js 24:2


“Tu és o Eterno, o D’us que escolheu Avram, trouxe-o de Ur dos Caldeus e deu-lhe o nome de Avraham.” Ne 9:7


Note que o próprio Eterno diz que o havia tirado de Ur dos Caldeus. Assim também como Yehoshua-Josué, diz que o Eterno falou que Terah e Nachor, pai e tio de Avram, viviam além do Eufrates e viviam na idolatria. É importante destacar ainda a fala de Josué sobre eles viverem além do Eufrates, ou seja, próximo a Ur e não a Haran, confirmando assim, que Avram foi chamado ainda estando em Ur, conforme dissemos antes. Como disse antes, as informações a esse respeito foram passando de pai para filho oralmente.

E com tudo isso, podemos ver que o Eterno havia chamado Avram a sair da terra do meio dos parentes, que eram idólatras, enquanto ele ainda estava em Ur, porém ele não atendeu de imediato permanecendo em sua nação, e seguindo a seu pai, que resolvera sair mas acabou parando em Haran, conforme já sabemos. E isso é algo bem comum, o Eterno chama a muitas pessoas para seguir suas palavras, mas acabam não atendendo ao chamado devido aos laços com a família e com o sistema religioso. Atualmente, muitas pessoas já ouviram o chamado do Eterno para fazer teshuvah e seguir o caminho, mas acabam não tendo coragem de largar tudo.

O Eterno sempre procura pessoas que possam viver de forma justa e seguir a seus mandamentos fazendo parte de uma nação separada e obediente. No “El Midrash Dice” diz que O Eterno encontrou Avram depois de aguardar dez gerações desde Shem. Este filho de Noach, foi fiel a D’us em toda a sua vida, mas alguns de seus descendentes não, até que veio Avram, mesmo vivendo em uma terra e no meio de um povo pagão, não se misturava com os costumes daquelas pessoas. O mencionado midrash também diz que, quando Adam e Chavah pecaram, eles fizeram com que a shekhinah se afastasse do primeiro céu, mas Avram trouxe a shekhinah de volta a terra. Adam trouxe morte para a humanidade, mas Avram deu vida ao mundo ao ser hospitaleiro e ao por as pessoas debaixo dessa shekhinah.

O que podemos ver com o midrash é que a vida de Avram tinha propósito, ao ser chamado pelo Eterno, viver uma vida de justiça e mostrar às pessoas que ele servia ao único D’us. E ele sabia o que isso significava, já que ele viveu em uma terra muito idólatra e padeceu por viver de forma justa naquele lugar. O citado midrash mostra as provas que o Eterno permitiu que Avram passasse, a fim de provar sua fidelidade. Algumas dessas provas aconteceram enquanto ele ainda vivia em Ur dos caldeus, esse patriarca foi contemporâneo de Ninrod, e dentre as provas que passou estava o fato de Avram ser jogado em uma fornalha, ser preso, entre outras.

Com isso, devemos entender que quando o Eterno chama Avram pela segunda vez em Bereshit 12, ele havia passado por várias provas, mas ainda não todas. E depois de sua saída de Haran de vez, deixando tudo para trás, apesar de ainda levar seu sobrinho Lot, o que lhe custou alguns momentos de problemas e a necessidade de enfrentar uma batalha para salvá-lo, Avram continuou a ser provado pelo Eterno, pois isso o faria crescer em justiça.

Então, devemos aqui nos lembrar que cada um de nós também um dia ouvimos o Eterno nos chamando, mas assim como Avram, não atendemos imediatamente, e continuamos presos à tradição familiar, presos à tradição religiosa, ou seja, presos aos sistemas. Por não darmos ouvidos ao chamado, permanecemos crendo em algo que contrariava a vontade do Eterno, e isso era devido à falta de sabedoria gerada por não atender a vontade do Eterno expressa em sua Torá. Acaba que com tudo isso, nosso desejo ardente de viver segundo a vontade do Eterno, e ele sabendo de nossas intenções, acabou nos chamando outra vez, assim como fez com Avram.

Cada pessoa que assim como Avram ouve o chamado de HaShem e abandona a idolatria, foi provado antes e continuará a ser provado, pois elas servem para fazer o indivíduo crescer. E talvez você se pergunte: Eu sirvo a D’us, como posso viver em idolatria?

O grande problema é que as pessoas vivem debaixo da religião, e ela foi criada para afastar o homem da verdade, usando de meias verdades tirado de textos bíblicos isolados e mal interpretados, bem como de sofismas. O sistema religioso criou um personagem extraído da vida de Yeshua, tornando-o divino e totalmente contra os mandamentos de HaShem. E criou dogmas dizendo que ele deveria ser adorado, pois sua concepção foi divina, que antes de nascer ele estava com D’us por ser o próprio D’us, entre tantas outras coisas. E esses dogmas prenderam as pessoas, pois as Escrituras deixaram de ser ensinadas de forma correta. Somente consegue se libertar desse sistema aqueles que buscam a verdade e permitem o Eterno falar ao seus corações. Veja:


“Assim saberemos que somos da verdade; e tranquilizaremos o nosso coração diante dele quando o nosso coração nos condenar. Porque D’us é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas.” 1Jo 3:19-20


Apesar de muitos acharem que estão servindo a D’us, estão na verdade contrariando-o, ao adorar a uma divindade criada como se ela fosse o Eterno. Desagradam a D’us quando se deixa de obedecer aos mandamentos expressos em sua palavra ou quando se afirma que eles são apenas para Yisrael e não para si também, ou quando se afirma que podem comer qualquer coisa que o Eterno disse que não poderia, entre outros. Mas assim como fez com Avram, o Eterno faz com cada um. Ele chama dizendo “lech lechá” ou seja, sai por ti mesmo, sai pela tua vida, e complementa dizendo “… vai à terra que te mostrarei.”. Isso nos demonstra que devemos ter confiança no Eterno e no caminho que ele nos mostrará, da mesma maneira de Avram confiou e isso lhe foi imputado como justiça. Conforme vemos:


“Abrão creu no Eterno, e isso lhe foi creditado como justiça.” Gn 15:6


“Que diz a Escritura? Avraham creu em D’us, e isso lhe foi creditado como justiça.” Rm 4:3


“Considerem o exemplo de Avraham: Ele creu em D’us, e isso lhe foi creditado como justiça.” Gl 3:6


Entendendo que profeticamente, caminho é um apontamento para Yeshua e sua vida justa. E se vivemos conforme a vontade de HaShem, ou seja, cumprindo seus mandamentos, e dentre eles não cometer idolatria. Adorar a JC como se ele fosse D’us, colocá-lo no lugar de D’us, infringe diretamente aos mandamentos do próprio Eterno, que diz que é único e não há outro.


“Tudo isso foi mostrado a vocês para que soubessem que o Eterno é D’us; e que não há outro além dele.” Dt 4:35


“Declarem o que deve ser, apresentem provas. Que eles juntamente se aconselhem. Quem há muito predisse isto, quem o declarou desde o passado distante? Não fui eu, o Eterno? E não há outro D’us além de mim, um D’us justo e salvador; não há outro além de mim.” Is 45:21


E para finalizar, devemos entender que o Eterno nos chama a viver segundo seus mandamentos com um propósito, ou seja, viver a prática dos mandamentos para que isso como justiça venha ser testemunho para outras pessoas. E esse chamado para sair da idolatria continua ecoando desde Avraham, passando por Yirmeyahu (Jeremias) e chegando à ilha de Patmos, veja:


“Saia dela, meu povo! Cada um salve a sua própria vida, da ardente ira do Eterno.” Jr 51:45


“Então ouvi outra voz do céu que dizia: Siam dela, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam!” Ap 18:4


O Eterno chama “lech lechá”, se alguém der ouvidos e sair obedecendo sua voz encontrará o caminho, trilhará esse caminho vivendo em justiça, entenda que há uma diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho, tem um vídeo no meu canal no YouTube, Sou Peregrino da Terra, com esse título que eu recomendo você assistir. Viver em justiça pode nos levar a justificação e consequentemente à vida eterna com HaShem no Olam Habáh.

Se ainda não saiu pela sua vida, ouça a voz do Eterno e abandone o sistema e a idolatria. Se já saiu e está no caminho, obedeça aos mandamentos e nunca volte atrás, nunca desista, mesmo que provas difíceis venham sobre sua vida, elas servirão para te fazer mais forte. Siga em frente e pratique a justiça, algumas pessoas te verão e seguirão.


Que possamos aprender com essa parashá a viver de acordo com os decretos do Eterno.


Que HaShem lhes abençoe!


Pr. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


Bibliografia:


- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer

- El Midrash Dice Bereshit – O Midrash disse

- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/

- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/771006/jewish/Resumo-da-Parash.htm