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quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Estudo da Parashá Vayetse - Gerando filhos para o Eterno.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 7 – Vayetse (E saiu)

Bereshit/Gênesis 28:10-32:3

Haftará (separação) Os 12:12-14:10 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Jo 1:43-51


Tema: Gerando filhos para o Eterno.


“Dá-me filhos, ou morrerei” Bereshit/Gn 30:1.Você já parou para pensar nesse clamor de Rachel? As palavras desse clamor ecoam não apenas a angústia de uma mulher estéril, mas também um profundo anseio, que é o desejo de continuidade, de propósito e de ver a promessa do Eterno se cumprindo. Essa história tão antiga fala diretamente aos corações de cada um de nós que buscamos viver para algo maior, a participação do plano divino de redenção e restauração.

O que significa, afinal, desejar “gerar filhos para o Eterno”? Como esse clamor de Rachel se conecta ao povo de Yisrael, à missão de Yeshua e à tarefa de seus talmidim? E mais importante ainda, como isso reflete a obra do Eterno de reunir e restaurar Seu povo, a casa de Yisrael, preparando o mundo para a plenitude do Seu Reino? Neste estudo pretendo levar você a explorar essas questões com um pouco mais de profundidade, mergulhando na relação entre a dor de Rachel, as promessas proféticas e o papel de Yeshua como instrumento de multiplicação e restauração. Percorreremos os relatos de Moshê em Bereshit, as vozes dos profetas, os ensinamentos de Yeshua e a obra dos talmidim, descobrindo assim, como o desejo de Rachel aponta para algo muito maior do que sua própria história.

Junte-se a mim nessa jornada reflexiva e instrutiva pelas Escrituras, conectando o passado, o presente e o futuro, iluminando como o clamor de uma mulher representa uma profecia, e como essa promessa nos inclui. Que este estudo inspire seu coração e renove sua esperança na fidelidade do Eterno, que sempre cumpre o que promete. Vamos desvendar as riquezas dessa profunda história e entender como ela pode transformar a maneira como vemos nosso papel como agentes no plano divino.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Vayêtse relata uma das jornadas mais significantes das Escrituras, a marcante história da vida de Yaakov, destacada por desafios, revelações e promessas do Eterno. O relato começa com Yaakov, fugindo de seu irmão Esav, deixando a casa dos pais e partindo em direção a Charan, onde residiria com seu tio Lavan. No caminho, ele passa a noite em um lugar especial, onde tem um sonho impactante. Ele vê uma escada que conecta os céus à terra, com malachim/anjos subindo e descendo. Do topo, o Eterno reafirma a aliança feita com Avraham e Yitschak, prometendo a Yaakov que sua descendência herdará a terra de Kena'an e será numerosa como o pó da terra.

Ao chegar em Charan, Yaakov encontra Rachel junto a um poço, logo se apaixona e se oferece para trabalhar para Lavan durante sete anos em troca de sua mão em casamento. No entanto, Lavan engana Yaakov, substituindo Rachel por Lea na noite do casamento. Após uma semana, Yaakov casa-se também com Rachel, mas em troca de mais sete anos de serviço.

A narrativa continua e mostra a rivalidade entre Lea e Rachel. Lea dá à luz seis filhos e uma filha, enquanto Rachel, inicialmente estéril, recorre à sua criada Bilá para ter filhos através dela. Zilpá, criada de Lea, também gerou filhos de Yaakov. Eventualmente, o Eterno se lembra de Rachel curando-a, e ela dá à luz a Yossef.

Durante seus vinte anos na casa de Lavan, Yaakov enfrentou diversas tentativas de engano, mas o Eterno o abençoa fazendo-o prosperar com grandes rebanhos e riquezas. Por fim, depois desses vinte anos, após consultar suas esposas, Yaakov decide fugir de Lavan. Este, indignado, persegue-os alegando de roubar seus ídolos, que Rachel havia escondido sem o conhecimento de Yaakov. Após uma busca infrutífera e uma discussão, eles firmam um pacto de paz e seguem caminhos separados.

Vayêtse é uma parashá que destaca a fidelidade do Eterno às suas promessas, a luta de Yaakov para superar os desafios e a construção de sua família, que se torna o alicerce das doze tribos de Yisrael.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

A fala de Rachel, “Dá-me filhos, ou morrerei” em Bereshit 30:1, é um clamor, uma oração ou intercessão que transcende o contexto pessoal de sua dor. Esse clamor toca em uma dimensão espiritual profunda, o anseio pela continuidade e pelo cumprimento das promessas do Eterno à casa de Yisrael. A angústia da matriarca reflete o desejo de frutificação e crescimento, mas também restauração, ecoando o propósito do Eterno de restaurar os dispersos e formar um povo santo que guarde Seus mandamentos e seja luz para as nações. O comentário de rodapé da Torah da Editora Sefer nos fala que:


Quatro pessoas consideram-se como mortas, disse-nos Rabi Shemuel Bar Nachmani: o cego, o leproso, quem não tem filhos e o pobre. Os três primeiros vivem em constante sofrimento físico e moral, e o quarto é realmente como se não existisse (Ialcut 117). O exegeta Rashi comenta que Elifaz, filho de Esav, foi enviado por seu pai para matar Yaakov. Este disse então ao sobrinho: Toma tudo que eu possuo e poderás dizer a teu pai que já cumpriste a sua ordem. Sendo pobre, serei considerado como um morto, mesmo estando vivo. (página 83)


Esse comentário nos mostra que viver longe dos propósitos do Eterno é o mesmo que estar morto. Se observarmos, Rachel tinha esse pensamento, pois sabia que para o propósito ser cumprido na vida dela era preciso ter filhos. E isso é verdade e vai além dos filhos naturais, a conexão com as profecias de restauração pode ser amplamente explorada através das Escrituras Sagradas e dos textos dos Escritos Nazarenos.


1 – O anseio por filhos e o plano do Eterno

Rachel reflete o desejo ardente pela frutificação, que também é o chamado da casa de Yisrael. O Eterno ordenou em Bereshit/Gn 1:28:


"Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra".


Este mandamento não é apenas físico, mas também profético, isto é, chamar a casa de Yisrael de volta ao caminho e também gerar "filhos para o Eterno", ou seja, pessoas que O sirvam e caminhem em Suas instruções, obedecendo aos seus mandamentos. Esse anseio reflete o papel profético do messias e da congregação em atrair pessoas das nações para o Eterno, conforme Yeshayahu 49:6:


"ele diz: É coisa pequena demais para você ser meu servo para restaurar as tribos de Yaakov e trazer de volta aqueles de Yisrael que eu guardei. Também te farei luz para os gentios, para seres a Minha salvação até os confins da terra".


Rachel representa Yisrael ou a congregação desobediente, que muitas vezes esteve estéril espiritualmente falando, pois afastou-se do Eterno. O clamor da matriarca pode ser comparado à situação espiritual de Yisrael ao longo da história, especialmente em tempos de exílio e dispersão. Os profetas frequentemente comparavam a nação à mulher estéril que ansiava por filhos, o que comprova o uso pelo povo judeu, da palavra chave mulher em se tratando de congregação, como em Yeshayahu/Is 54:1: “Canta, ó estéril... porque mais são os filhos da desolada do que os filhos da casada.” Essa promessa de restauração foi reafirmada pelo Eterno em Yirmeyahu/Jr 31:15-17, onde Rachel chora por seus filhos perdidos, mas está confortada com a garantia de que eles voltarão. Assim, a dor de Rachel antecipa o destino de Yisrael que, mesmo em esterilidade aparente, seria restaurada e multiplicada pela graça do Eterno.

Há outras profecias, como lemos por exemplo, em Oséias 14:4-7, falam da cura dessa esterilidade, prometendo que Yisrael florescerá novamente:


"Curarei a sua rebeldia e os amarei espontaneamente...eles florescerão como a videira, e a sua fama será como o vinho do Líbano".


2 – Yosef como símbolo de crescimento e restauração

Depois de um tempo, o Eterno atende ao clamor de Rachel, e cura-a da esterilidade fazendo-a conceber um filho. E ela lhe dá o nome de Yosef, que significa “que ele acrescente”, em Bereshit/Gn 30:24, profetizando assim, não apenas o nascimento de outro filho que viria ser chamado de Binyamin, mas também a multiplicação e a restauração do povo. Yosef e o significado de seu nome são apontamentos claros para o messias Yeshua e seu propósito messianico de resgatar as ovelhas perdidas de Yisrael. Isso reflete a promessa feita a Avraham, reiterada a Yitzchak e Yaakov, de que a descendência de Yisrael seria como as estrelas dos céus e a areia do mar. Assim como Yossef preservou sua família durante a fome, Yeshua trouxe sustento da Torah para a casa de Yisrael em tempos de aridez e desobediência. Ele ensinou que o Reino do Eterno é como uma semente que cresce e se multiplica, como lemos em MatityahuMt 13:31-32, simbolizando o aumento prometido pelo Eterno.

E vemos que no decorrer da história do povo a dor de Rachel ecoa as palavras de Yirmeyahu 31:15-17, ao falar do choro de Rachel por seus filhos perdidos, simbolizando o exílio e a dispersão de Yisrael.


Isto é o que Adonai diz: Uma voz é ouvida em Ramah, lamento e choro amargo. É Rachel chorando por seus filhos, recusando ser confortada, porque seus filhos não vivem mais. Isto é o que Adonai diz: Cessem seu lamento e sequem seus olhos, porque seu trabalho será recompensado, dia Adonai. Eles retornarão da terra dos inimigos, de modo que há esperança para seu futuro, diz: Seus filhos retornarão a seu próprio território.


No entanto, reparem que a profecia garante: "Há esperança para o teu futuro, diz o Eterno, e os teus filhos voltarão à sua própria terra". Assim, o desejo de Rachel por filhos aponta para o anseio do Eterno de restaurar toda a casa de Yisrael, reunindo as tribos dispersas. Quando correlacionada ao ministério de Yeshua e aos ensinamentos de seus talmidim, essa história aponta para o papel de Yisrael na redenção e a importância da geração de “filhos espirituais” que andem segundo as instruções divinas.


3 – O ministério de Yeshua como restauração de Yisrael

Os ensinamentos de Yeshua e o ministério de seus talmidim depois dele, refletem claramente o cumprimento e a aplicação prática das profecias relacionadas à restauração da casa de Yisrael e o anseio por "filhos para o Eterno". A fala de Rachel e o nome dado a Yosef conectam-se diretamente ao chamado de Yeshua e à missão dada aos seus seguidores, mostrando como o Eterno trabalha para reunir e restaurar Seu povo.

Yeshua em seus ensinos enfatizava a necessidade de frutificar no Reino do Eterno, isso quer dizer, gerar frutos ou filhos para o reino. Em Yohanan/Jo 15:8, Yeshua ensina: "Nisto é glorificado o meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus talmidim". Assim como Rachel ansiava pelos filhos, os talmidim como integrantes da congregação, são chamados a multiplicar o povo do Eterno por meio da obediência e do ensino da Palavra. Yeshua instruiu seus talmidim em Matityahu 28:19-20: "Portanto, ide e fazei talmidim de todas as nações, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado". Esse "fazer talmidim" é o equivalente profético do anseio de Raquel por filhos que sigam os passos do messias e andem em nas instruções do Eterno.

O próprio Yeshua afirmou que veio para "as ovelhas perdidas da casa de Yisrael" em Matityahu/Mt 15:24. Isso reforça a promessa do Eterno de restaurar a descendência dispersa de Yaakov, como profetizado em Yirmeyahu/Jr 31:10: "Aquele que incluiu Yisrael o reunirá". Yeshua, isto é, sua missão, é a escada que conecta os céus e a terra, conforme o sonho de Yaakov Bereshit/Gn 28:12 e Yohanan 1:51, apontando para o papel central de sua missão na reconciliação entre o Eterno e Yisrael. Dessa forma, podemos perceber que o ministério de Yeshua também inclui a incorporação de pessoas das nações, que desejam se aproximar, ao povo do Eterno, como parte do cumprimento das promessas feitas a Avraham de que sua descendência seria uma bênção para "todas as famílias da terra" (Bereshit 12:3). Rav Shaul explica em Efésios 2:11-19 que os gentios que estavam "longe" foram trazidos "para perto" e feitos "concidadãos dos santos", participando das promessas da aliança.

Esse acréscimo de pessoas das nações restauradas aponta para o cumprimento do papel da casa de Yisrael como luz para as nações, um tema central das profecias em Yeshayahu/Is 49:6.

Os talmidim de Yeshua continuaram esse trabalho de multiplicação e geração de filhos. Shaul/Paulo, por exemplo, descreve a si mesmo como "gerando filhos" espiritualmente, como em 1 Coríntios 4:15: "Pois ainda que tivésseis muitos mestres em Mashiach, não tende muitos pais; porque eu vos gerei no Mashiach Yeshua por meio do anúncio das Boas Novas".

Assim como Rachel ansiava por filhos, os talmidim deveriam ansiar por gerar discípulos, ou seja, pessoas que andam nos caminhos do Eterno e se tornam parte da casa restaurada de Yisrael. Rav Shaul escreveu aos Romanos 9:2-3 sobre sua grande tristeza pelo estado de seus irmãos segundo a carne, Yisrael, mostrando como esse anseio por restauração e multiplicação continua nos seguidores de Yeshua.


4 – O Papel da congregação nazarena

A congregação nazarena, composta pela casa de Yehudah, casa de Yisrael, e ex-gentios aproximados ao Eterno, ou seja, por aqueles que seguem as instruções do Eterno e o testemunho de Yeshua, é chamada a gerar "filhos" para o Eterno, pessoas que retornam à aliança e obedecem aos mandamentos. Como Rachel, essa congregação não pode descansar enquanto não houver frutificação. Em Yeshayahu 54:1, lemos:


"Canta, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto e clama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da desolada do que os filhos da casada, diz o Eterno".


Essa passagem conecta a esperança de Rachel ao papel da congregação em reunir as nações ao Eterno. Rachel esperou por muitos anos até que o Eterno a atendesse e lhe desse um filho. Isso nos ensina que o crescimento e a frutificação vêm no tempo do Eterno, conforme Sua vontade e promessa. Este é um lembrete para a congregação nazarena de que deve permanecer firme, mesmo em tempos de aparente esterilidade, sempre devemos confiar no Eterno seguindo sua Torah, ensinando-a para trazer os filhos.

Em resumo, a fala de Rachel, o nascimento de Yossef e as profecias sobre a restauração de Yisrael se conectam profundamente. Eles nos apontam para o plano do Eterno: gerar um povo santo e fiel, que viva segundo Suas instruções e seja luz para as nações. Esse anseio por "filhos" é o anseio pela plenitude do Reino do Eterno, em que todas as tribos serão reunidas e a Terra estará cheia do conhecimento do Eterno, como as águas cobrem o mar (Yeshayahu 11:9). Em Apocalipse 7:4-10, vemos os representantes das doze tribos de Yisrael e uma grande multidão de todas as nações diante do Eterno, uma realização plena do desejo expresso por Raquel e da promessa dada a Avraham, Yitzchak e Yaakov.

No futuro, veremos o cumprimento pleno dessa restauração, conforme profetizado em Yirmeyahu 31:31-34, com a nova aliança escrita no coração de todos os membros da casa de Yisrael. O clamor de Raquel, se realizará plenamente quando todos os seus "filhos" retornarem à Terra Prometida e ao Eterno, conforme descrito em Yechezkel 37:21-22: “Eu os tomarei dentre as nações... e os trarei para a sua terra, e farei deles uma só nação.” Esse cenário final será o testemunho do trabalho iniciado por Yeshua e seus talmidim, concluindo o ciclo da redenção e trazendo a plenitude ao Reino do Eterno.

Concluindo nosso estudo, o clamor de Rachel é o clamor do povo do Eterno por restauração, frutificação e cumprimento das promessas. O ministério de Yeshua e a missão de seus talmidim refletem esse mesmo anseio, trazendo uma dimensão profética à geração de filhos para o Eterno, multiplicando e ampliando Yisrael e reunindo tanto os dispersos da casa de Yisrael quanto das nações para o Eterno. O trabalho continua, pois o Eterno deseja "muitos filhos" que andem em Suas instruções e sejam luz para o mundo, até que Sua vontade seja feita plenamente na terra.


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Estudo da Parashá Vayêtse (E partiu) - A sabedoria do obediente

 



Estudos da Torá


Parashá nº 7 – Vaiêtse (E partiu)

Bereshit/Gênesis Gn. 28:10-32:2

Haftará (separação) Os 11:7-14:9 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Mt 12:1-50


Tema: A sabedoria do obediente


RELEMBRANDO


No estudo passado vimos a história da vida de Yitschac e falamos sobre o verdadeiro conceito de bênção, conforme podemos encontrá-lo no TaNaK.


A PARASHÁ DA SEMANA


A parashá Vayêtse começa com Yaacov fugindo de Esav e deixando a casa dos pais para viajar a Charan, onde seu tio Lavan (Labão) habita. Ao passar a noite no local onde no futuro seria construído o Templo Sagrado, D'us aparece a Yaacov no sonho de uma escada que descia do céu até a terra, na qual anjos sobiam e desciam. Do topo da escada, D'us promete a Yaacov que seus descendentes herdarão a Terra de Israel e seriam tão numerosos quanto os grãos de areia da terra.

Na sua chegada em Charan, após rolar uma imensa pedra da boca do poço da cidade para que os pastores do lugar pudessem dar água aos rebanhos, Yaacov encontra a filha de Lavan, Rachel, e concorda em trabalhar para seu pai por sete anos a fim de conseguir sua mão em casamento. Porém, quando finalmente chega a noite do casamento, Lavan engana Yaacov, substituindo Rachel pela sua filha mais velha, Lea. Após esperar uma semana, Yaacov casa-se também com Rachel, mas não antes de ser forçado a prometer cumprir mais sete anos de trabalho.

No tempo que se segue Rachel percebe que é estéril, enquanto os anos passam, Lea dá à luz a seis filhos e uma filha, e Bilá e Zilpá (as criadas de Rachel e Lea, respectivamente) cada uma tem dois filhos de Yaacov.

Até que, o Eterno a abençoa e finalmente Rachel tem um filho, Yossef. Yaacov torna-se muito rico durante sua estadia com Lavan, amealhando um grande rebanho, mesmo enquanto Lavan continuamente tenta enganá-lo por todos os vinte anos de sua permanência.

Depois de aconselhar-se com suas esposas, Yaacov e a família fogem de Lavan, que o persegue e o enfrenta, aborrecido por Yaacov ter ido embora sem se despedir, e arrogantemente afirma que Yaacov roubou seus ídolos. Após Lavan procurar os ídolos (que Rachel escondeu, sem que Yaacov soubesse, para impedir o pai de adorá-los), sem sucesso, discute com Yaacov. Finalmente assinam um acordo, prometendo permanecer em paz, e a porção se encerra quando eles se separam.

Estudo do Texto da Parashá


Essa semana, falaremos sobre algo que vemos em Yaakov e que notadamente é o resultado da obediência às ordenanças do Eterno aprendidas com seu pai. Isso o norteou em sua caminhada e vida em Charan, na casa de seu tio Lavan.

Vemos claramente o caráter de Yaakov, quando foi enganado por seu tio diversas vezes, e mesmo assim, manteve sua integridade e fidelidade ao Eterno, agindo com a sabedoria que HaShem lhe havia dado. Falaremos sobre essa sabedoria que o Eterno dá ao que obedece seus preceitos.

Iniciemos nosso estudo pelo seguinte texto:


“E aconteceu que, como Rachel deu à luz a Yosef, disse Yaacov a Lavan: Deixa-me ir, que me vá ao meu lugar, e à minha terra. Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e ir-me-ei; pois tu sabes o serviço que te tenho feito. Então lhe disse Lavan: Se agora tenho achado graça em teus olhos, fica comigo. Tenho experimentado que o Eterno me abençoou por amor de ti.” Gn 30:25-27

Os nascimentos dos filhos do patriarca tinham terminado, e agora Yaacov queria partir com sua família da casa de Lavan e da terra de onde seu avô havia saído. Já havia chegado a hora de voltar para a casa de seu pai e para a terra que o Eterno havia prometido dar-lhe e a seus descendentes. Por isso, ele pede autorização ao seu sogro para partir com suas esposas e filhos. Mas Lavan pede-lhe que fique, pois para ele, aquela ideia de Yaacov não era boa, uma vez que entendia que havia sido muito abençoado e tinha enriquecido por causa das bênçãos do Eterno à Yaacov. Ou seja, ele se aproveitou muito, recebendo por tabela das bênçãos de Yaacov. E vemos o sogro do patriarca tentando defender seus interesses pessoais e egoísta à todo custo, providenciando um meio de prendê-lo mais um tempo com ele, a fim de não perder esta “fonte” de bênçãos que estavam em suas terras, com o simples objetivo de continuar obtendo lucro.

Então Lavan oferece um salário a Yaacov, para que ele continue a trabalhar. Segundo o site Shema Ysrael, as palavras de Lavan refletem aquilo que ele tem experimentado, reconhecendo que o toda a sua conquista foi através de Yaacov, que recebia de D’us a recompensa por sua justiça. Porém, o patriarca dá a entender que pretendia trabalhar para si mesmo, conforme lemos no texto abaixo:


E acrescentou: "Diga o seu salário, e eu lhe pagarei". Jacó lhe respondeu: "Você sabe quanto trabalhei para você e como os seus rebanhos cresceram sob os meus cuidados. O pouco que você possuía antes da minha chegada aumentou muito, pois o Senhor o abençoou depois que vim para cá. Contudo, quando farei algo em favor da minha própria família?" Gênesis 30:28-30


A conversa a respeito daquele contrato avança e Yaacov explicita o seu valor, dizendo que gostaria de receber como salário, o resultado de uma seleção entre o gado de Labão, ao que este aceita e separa dos seus rebanhos todos os que não são brancos, e deixa-os ao cuidado dos seus filhos, conforme podemos ler no vs. 35. Yaacov então, fica com o restante, e assim, toma varas de três classes de árvores e descasca-as descobrindo a brancura que nas varas havia conforme o vs. 37, e coloca-as em frente aos rebanhos onde eles iam beber. Veja o texto:


Então Lavan perguntou: "Que você quer que eu lhe dê?" "Não me dê coisa alguma", respondeu Yaacov. "Voltarei a cuidar dos seus rebanhos se você concordar com o seguinte: Hoje passarei por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pintadas, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário. E a minha honestidade dará testemunho de mim no futuro, toda vez que você resolver verificar o meu salário. Se estiver em meu poder alguma cabra que não seja salpicada ou pintada, e algum cordeiro que não seja preto, poderá considerá-los roubados. " E disse Lavan: "De acordo. Seja como você disse". Naquele mesmo dia Lavan separou todos os bodes que tinham listras ou manchas brancas, todas as cabras que tinham pintas ou manchas brancas, e todos os cordeiros pretos e os colocou aos cuidados de seus filhos. Afastou-se então de Yaacov, à distância equivalente a três dias de viagem, e Yaacov continuou a apascentar o resto dos rebanhos de Lavan. Yaacov pegou galhos verdes de estoraque, amendoeira e plátano e neles fez listras brancas, descascando-os parcialmente e expondo assim a parte branca interna dos galhos. Depois fixou os galhos descascados junto aos bebedouros, na frente dos rebanhos, no lugar onde costumavam beber água. Na época do cio, os rebanhos vinham beber e se acasalavam diante dos galhos. E geravam filhotes listrados, salpicados e pintados. Gênesis 30:31-39


Sabemos muito bem que a Torá não é um livro de biologia. Então qual o motivo de falar sobre a concepção dos animais depois de citar o que Yaacov fez com os galhos? Apesar de a Torá não ser um livro de biologia, este texto está escrito para nos ensinar algo sobre a genética. Pela ciência, a genética dos rebanhos não muda segundo este tipo de estímulos exteriores. Segundo o site Emunah a fé dos santos, a Torá neste trecho, está nos dando uma lição de como o sobrenatural se introduz no natural mediante a colaboração entre o homem e o Eterno. Essa colaboração se dá através da relação de obediência do homem aos mandamentos do Eterno, ou seja, um relacionamento real entre o homem e o Eterno.

O homem faz um ato natural e o Eterno corresponde com um ato sobrenatural, ou seja, miraculoso. Vemos este princípio em toda a Escritura e também nos Escritos Nazarenos. Podemos ver alguns versos:


E o Anjo de Deus lhe disse: "Apanhe a carne e os pães sem fermento, ponha-os sobre esta rocha e derrame o caldo". Gideão assim o fez. Com a ponta do cajado que estava em sua mão, o Anjo do Senhor tocou a carne e os pães sem fermento. Fogo subiu da rocha, consumindo a carne e os pães. E o Anjo do Senhor desapareceu. Juízes 6:20,21

Gideão depois de ouvir o que o mensageiro do Eterno havia lhe falado, disse para ele esperar, correu e fez uma comida e trouxe ao mensageiro, que o mandou colocar sobre a pedra, e tocou com o cajado fazendo com que fogo consumisse toda a comida. Algo natural ou normal trazido pelo homem de D’us, e a resposta sobrenatural sobre aquilo.

Yaacov agiu de acordo com a visão celestial que lhe fora dada, ou seja, a sabedoria que recebera do Eterno ao viver em obediência. É isso que acontece quando se vive a vida conforme a vontade do Eterno, somos inundados, cobertos com a sabedoria que vem de HaShem. E essa sabedoria serve de orientação para os seus servos em diversos momentos das vida. Assim, entendemos que não podemos liberar o poder sobrenatural do Eterno se não nos for revelado, ou se a sabedoria não nos for dada para isso, conforme vemos escrito no evangelho segundo escreveu Yochanan/João 5:19:


“Yeshua tomou a palavra e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: o Filho de si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só faz o que vê fazer o Pai; e tudo o que o Pai faz, o faz também semelhantemente o Filho.”


Podemos reconhecer que o que ocorreu com os animais que o patriarca cuidava em relação aos gravetos era um milagre. E para que haja milagres deve haver uma íntima relação com o Eterno, nosso Pai, demonstrada através de nossa prática de justiça, que nos traz a revelação ou sabedoria daquilo que Ele faz. A pessoa que tem esse tipo de relação com o Eterno tem êxito em tudo, e isso é uma promessa de HaShem, conforme vemos em Dt 28:1:


Se vocês obedecerem fielmente ao Senhor, ao seu Deus, e seguirem cuidadosamente todos os seus mandamentos que hoje lhes dou, o Senhor, o seu Deus, os colocará muito acima de todas as nações da terra.


Há aqueles que podem até realizar coisas mirabolantes, espetaculares e espantosas, mas se o faz sem ter uma real relação com o Eterno, se não vive em justiça amando-o verdadeiramente, demonstrando isso diariamente em suas práticas, será reprovado pelo Eterno e seu Rei-Messias, e vemos Yeshua falando sobre isso em um de seus discursos proféticos:


Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em teu nome, e não foi em teu nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” Mt 7:22-23


Estamos falando desde o início do estudo sobre sabedoria, e como encontramos este termo nas Escrituras, ou seja, no TaNaK? Vejamos ainda um pouco mais sobre esse assunto.

O que você entende de sabedoria? Será que sabedoria é aquilo que nos agrada ouvir? Se isto é o que entendemos ser sabedoria, então precisamos rever com urgência as Escrituras Sagradas, para compreender e definir a partir dela o nosso padrão para reconhecermos o que é sabedoria. Vejamos dois textos que expressam o que já viemos falando.


"Tens visto o homem que é sábio a seus próprios olhos? Pode-se esperar mais do tolo do que dele." Mish'lê/Provérbios 26.12


"Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos!" Yeshayahu/Isaías 5.21


A palavra sabedoria em hebraico é חָכְמָה - chokhmah, e sua raíz é חָכַם – chakham, que significa “sábio”. O termo chokhmah além de ser traduzido como “sabedoria”, também em alguns casos pode ser traduzido como “habilidade”, mas não uma mera habilidade natural, algo dado pelo Eterno.

Temos um exemplo do termo sendo usado no sentido de “habilidade”, veja:


"E eis que aí tens as turmas dos sacerdotes e dos levitas para todo o ministério da casa de Elohim; estão também contigo, para toda a obra, voluntários com sabedoria (בַּֽחָכְמָה֙ – bachackemah) de toda a espécie para todo o ministério; como também todos os príncipes, e todo o povo, para todos os teus mandados." 1 Crônicas 28.21


Segundo o site Yeshua Melekh, a tradução da “Almeida Corrigida, Revisada e Fiel” trouxe uma tradução mais literal, mas pelo contexto vemos claramente que os voluntários para toda a obra são pessoas habilidosas, não a toa, as versões como “Bíblia de Jerusalém – Paulus 2002” e as versões em inglês trazem uma tradução usando o termo “hábil”.

Claramente o conceito de sabedoria aplicado à habilidades tem um escopo bastante limitado. Certamente os antigos judeus não iriam à um ferreiro pedir conselhos sobre estratégias de batalha por exemplo, só porque o ferreiro tem a sabedoria de manipular o ferro. Eles entendiam que habilidade era semelhante à sabedoria, pois, para um ferreiro ser tão habilidoso, ele deveria ter bastante conhecimento. Portanto, temos aqui um exemplo, de que sábio não é aquele que sabe responder a todas as perguntas, mas sim, aquele que pode aplicar um conhecimento recebido a determinado assunto. Vejamos outro texto:


"E eis que eu tenho posto com ele a Aoliabe, o filho de Aisamaque, da tribo de Dã, e tenho dado sabedoria (חֲכַם – khacham) ao coração de todos aqueles que são hábeis (חָכְמָ֑ה - chakhmah), para que façam tudo o que te tenho ordenado." Shemoth/Êxodo 31.6

Reparou como está ligado ao que o Eterno dá. Poderíamos ainda desenvolver mais o entendimento sobre a sabedoria, mas nosso tempo não é tão longo, quanto seria preciso.

O que tentei demonstrar é que Yaacov utiliza a sabedoria que o Eterno lhe deu para realizar o trabalho que o garantiria a condição para se libertar de seu sogro que se aproveitou dele.

Os sábios do povo de Yisrael dizem que as varas que o patriarca usou eram de três tipos diferentes de árvores: álamo, aveleira e castanheira. E segundo o site Yeshua Melekh, devemos considerar que Yaacov descobriu a brancura das varas. E no original está escrito que Yaacov expôs a Lavan – branco – das varas. E podemos aprender que isso significa que Lavan estava sendo exposto diante do rebanho, que retirou-se dele aquilo que o ocultava. Dessa forma, sua personalidade ficou visível à todos os animais do rebanho! Sua falta de ética e sua ganância. Quando Yaacov fez isso, ele estava realmente deixando Lavan enfraquecido por estar lhe tirando sua cobertura em que confiava, ou seja, sua capa de homem bom e sincero, pois havia sido descoberto.

As varas dentro de um contexto profético, representam aspectos da vida de Yaacov, que vivia em justiça e por isso revelava a verdadeira face de Lavan, vejamos o que o citado site fala sobre as três árvores:

- Álamo – tem um tronco alto e pode crescer até a altura de aproximadamente 33 metros. Tem uma resina branca que produz uma fragrância agradável na primavera.

- Aveleira (ou amendoeira) – é uma planta de copa grande e fechada e produz flores brancas e ricas em néctar. Produz uma resina cheirosa e era usada para fazer o incenso.

- Castanheira (armon) – é uma árvore alta e se apoia num tronco largo – de aproximadamente 3 metros de diâmetro e possui uma resina escamada. Pode ser encontrada nas florestas de altitude do Monte Carmelo.

Essas árvores que mencionamos acima, nos falam sobre aquilo que o patriarca estava profetizando através de sua atitude. Nossas vidas quando estão de acordo com a vontade de HaShem, podem tanto trazer luz para quem deseja viver corretamente, como traz escuridão para os que não desejam viver segundo os propósitos divinos. A sabedoria recebida a cada mandamento obedecido, a cada shabat celebrado, a cada festa cumprida, não pode se comparar com o que as pessoas pensam. Por isso, sempre estamos na posição de bem aventurança que o Eterno nos coloca.

Pratique a cada dia, receba mais sabedoria todos os dias e seja luz.


Que HaShem lhes abençoe!


Pr. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


Bibliografia:


- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer

- El Midrash Dice Bereshit – O Midrash disse

- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/07_vayetz_e_partiu.pdf

- https://shemaysrael.com/parasha-vayetse-ele-sai/

- https://www.yeshuamelekh.com.br/o_conceito_tanaico_de_sabedoria