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domingo, 2 de junho de 2019

Estudo da Parashá Acharê mot (Depois da morte)


Estudos da Torá

Parashá nº 29 – Acharê mot (Depois da morte)
Vayicrá/Levítico Lv 16:1-18:30,
Haftará (Separação) Ez 22:1-19, e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Rm 3:10-28, 9:30-10:13

1 - INTRODUÇÃO
                  
               As duas últimas porções da Torá, Tazria e Metzora, discutiu as leis da Tumah (impureza) e tahanah (pureza).
               Nesta semana, a Torá começa com avisos de Deus sobre a entrada no Kedosh Hakedoshim (Santo dos Santos) após a morte (acharei mot) de Nadab e Abiú, os filhos de Arão que pereceram quando trouxeram “fogo estranho” diante de Adonai. Nesta parashá, parece que Adonai está tentando evitar mais “mortes acidentais” devido ao bem – que de acordo com o site ShemaYsrael.com, significa que os israelitas chegaram muito perto da santidade de D’us.
               Assim, veremos no estudo dessa porção o que o Eterno fez para que nós possamos nos aproximar da santidade dele, sem sermos mortos, por causa dos nossos pecados, e qual ligação tudo isso tem com Pessach (páscoa) e Yom Kipur (dia do perdão).

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
O Entendimento Profético

               O capítulo 16 de Levítico é considerado, pelos judeus, um dos capítulos mais importantes da Torá. É neste capítulo que encontramos instruções acerca do dia da expiação (Yom Kippur) ou dia do perdão, que cai no 10º dia do sétimo mês.
               Esse era o único dia de todos os dias do ano em que o sumo-sacerdote podia entrar no lugar santíssimo e apresentar incenso e sangue diante da presença do Eterno. Como já mencionei, o eterno não queria que houvesse mais mortes acidentais, por isso estabeleceu estes princípios.

O IHVH falou a Moshe após a morte dos dois filhos de Arão que morreram quando se aproximou do IHVH” O IHVH disse a Moshe: Diga a seu irmão Arão que ele não virá sempre que ele escolher o lugar mais sagrado atrás da cortina na frente da tampa da expiação na arca, ou então ele morrerá” (Lv 16:1-2).

               No verso 3 em diante lemos que Adonai estabeleceu a forma como Arão deveria entrar ante a presença do Senhor. O propósito desse ato, ou seja, entrar no lugar santíssimo, é fazer uma limpeza geral dos pecados e das impurezas dos filhos de Israel que se tinham acumulado no tabernáculo durante todo o ano.
               Apesar do Eterno ter dado instruções claras acerca de como os filhos de Israel tinham que se manter longe das impurezas rituais para não contaminar o santuário, era inevitável que o tebernáculo fosse contaminado por elas.
               Se alguém entrasse no tabernáculo estando impuro, contaminava-o. Poderiam ter entrado lá sem dar conta de que estavam impuros, ou alguém poderia ter-se esquecido que estava impuro no momento de entrar.
               Essa é uma das razões pelas quais o Eterno institui este dia de expiação para justificar o tabernáculo terreno. Este é também o dia em que o Eterno demonstra de que forma o homem pode se reconciliar com Ele.
               É o Grande dia de Reconciliação. A reconciliação entre o Eterno e o homem é o tema central de toda a Escritura e este capítulo mostra como esta reconciliação pode ser feita. A ira do Eterno está sobre o homem por causa dos seus pecados, e sabemos que pecado é transgressão da Lei (1Jo 3:4). Essa ira é mortal para o ser humano. E a única coisa que acalma essa ira é a misericórdia do Eterno. Essa misericórdia é mostrada ao homem mediante a reconciliação sobre a base dos sacrifícios sangrentos de vidas inocentes, como está escrito em Levítico 17:11

“Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.”
              
               Nos textos desta porção, podemos ver a explicação daquilo que aconteceu com o Messias Yeshua antes e depois da sua ressurreição ao ser introduzido no ministério sumo sacerdotal celestial segundo a ordem de Melquisedeque. Ele entrou no tabernáculo celestial e purificou-o com seu próprio sangue, como lemos em Hebreus 9:22-26.

“E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo-sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.”

               Com isso precisamos refletir sobre o dia da expiação, no dia 10 do sétimo mês, pois está ligado ao dia 10 do primeiro mês. Neste dia foi tomado um cordeiro para cada casa no Egito onde se ia celebrar Pêssach (Páscoa) para logo poder sair da escravidão sob o domínio do Faraó. O cordeiro de Pessach foi escolhido no dia 10 para ser sacrificado no dia 14. O décimo dia do sétimo mês tem uma conexão com o cordeiro de Pessach. Perceba: o sangue do cordeiro de Pessach protegeu os primogênitos da morte, e a carne do cordeiro produziu vitalidade e sanidade nos corpos débeis e enfermos daqueles que até então eram escravos. Semelhantemente, os sacrifícios do Yom Kippur (Dia da Expiação/Perdão) fazem expiação pelos pecados dos filhos de Israel para os salvar da morte, como está escrito em Levítico 16:30.

“Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante YHWH”.

               Pessach está intimamente ligado com o Yom Kippur. Também, a morte e a ressurreição de Yeshua, que sucede na Páscoa, cumpriu também grande parte do serviço de Yom Kippur no tabernáculo celestial. Ele entrou no lugar santíssimo no céu e se mantém lá até o dia de hoje. Da mesma forma que o sumo-sacerdote não se limitava somente a entrar no lugar santíssimo no tabernáculo terreno, mas logo saía e abençoava o povo, assim sabe-se que o Messias não permanecerá no lugar santíssimo no céu definitivamente sem sair de lá para abençoar os filhos de Israel.
               Então, de acordo com o que vimos até aqui, percebemos que o Messias cumpriu apenas metade do culto de Yom Kippur. O seu retorno à terra cumprirá o restante. Nesse dia, todo o pecado será eliminado naqueles que depositaram a sua confiança nEle, como lemos em Hebreus 9:27-28.

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, Assim também o Mashiach, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.”

O Acesso à Santidade de Deus

O IHVH disse a Moshe: Diga a seu irmão Arão que ele não virá sempre que ele escolher o lugar mais sagrado atrás da cortina na frente da tampa da expiação na arca, ou então ele morrerá” (Lv 16:1-2).

               Não apenas qualquer pessoa não poderia entrar nesta parte do santuário, apenas o sumo sacerdote (Cohen HaGadol), mas ele só poderia entrar um dia no ano, o dia da expiação (Iom Kippur). Observando este fato, podemos perceber um notável contraste com o acesso ilimitado que os crentes em Yeshua agora têm para o próprio trono do D’us todo-poderoso a nova aliança.

“Portanto, uma vez que temos um grande sumo sacerdote que ascendeu ao céu, Yeshua o filho de Elohim, vamos manter firmemente a fé que professamos. Pois não temos um sumo sacerdote que é incapaz de empatia com as nossas fraquezas, mas temos um que tem sido tentado em todos os sentidos, assim como nós somos – mas ele não pecou” (Hb 4:14–15).
               Assim, quando Yeshua morreu sem pecado como uma oferenda para o pecado, o próprio céu se colocou de luto, como é o costume judaico de um pai que perde um filho. “E Yeshua gritou novamente com uma voz alta, e rendeu o seu espírito. E eis que o véu do templo foi rasgado em dois de cima para baixo; e a terra tremeu e as rochas foram divididas.” (Mt 27:50-51)

               Agora que a libertação em pessach e parte da expiação foi feita através do sangue de Yeshua, e o véu foi rasgado, cada homem, mulher ou criança pode ter acesso contínuo a D’us. Agora nós temos acesso ilimitado à santidade de Adonai, devemos nos tornar santos, pois ele é santo.

3 – RESUMO

               Os mandamentos descritos na Parashá Acharê Mot , seguem cronologicamente as mortes trágicas dos dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, sobre as quais lemos na Parashá Shemini há algumas semanas.
               A porção desta semana começa com uma longa descrição do serviço especial de Yom Kipur, a ser realizado no Mishcan pelo Cohen Gadol. O serviço incluía a confissão do Cohen Gadol em seu próprio nome e em nome de toda a nação; a seleção por sorteio entre duas cabras, uma das quais seria a oferenda pelo pecado nacional, e a outra seria empurrada de um penhasco no deserto, como portadora dos pecados do povo; e as complicadas cerimônias de aspersão de incenso e sangue a serem realizadas no Codesh HaKedoshim (Santo dos Santos).
Seguindo a ordem de que Yom Kipur e suas leis de jejum e abstinência de trabalho seriam observadas eternamente pelo povo judeu como um dia de perdão, a Torá proíbe a oferenda de corbanot (ofertas) fora das instalações do Mishcan. O sangue não pode ser ingerido, e durante o processo da shechitá (abate ritual), uma porção do sangue derramado deve ser coberta. A porção da Torá conclui com uma lista dos relacionamentos sexuais imorais e proibidos, e a ordem de que o povo judeu mantenha e assegure a santidade da terra de Israel.

               Kedoshim inicia-se com a ordem de D’us para toda a nação de Israel para ser santa, imitando a suprema santidade do próprio Criador. A Torá prossegue delineando uma infinidade de mitsvot através das quais podemos atingir a santidade, abrangendo uma grande variedade de assuntos, tanto mandamentos positivos como inferências negativas, lidando com nosso relacionamento ímpar com D’us e com nosso próximo.
Recebemos ordens de temer nossos pais, guardar o Shabat e abstermo-nos da adoração de ídolos. D’us nos instrui a deixar vários presentes de nossa colheita para os pobres e oprimidos, incluindo o canto dos campos e os feixes que caíram por acaso ao serem juntados. Devemos manter a justiça, fazer negócios honestos com nossos vizinhos, não praticar a maledicência, e de forma geral ter pelos outros a mesma consideração que temos por nós mesmos.
               Segue-se uma descrição de várias categorias de kilayim (misturas proibidas) – hibridação de animais e plantas, e vestir shatnez (uma mistura de lã e linho em uma mesma peça de roupa) – a Torá discute orlá, a proibição de consumir frutas nos primeiros três anos após o plantio de uma árvore. A porção continua com uma lista das punições a serem impostas às pessoas que transgridem e participam das várias relações proibidas relacionadas na porção da semana anterior. A Parashá Kedoshim conclui com o mandamento, mais uma vez, para que sejamos um povo santo e distinto dentre as nações do mundo.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.


Estudo da Parashá Tazría (Conceber/Semeai)


Estudos da Torá

Parashá nº 27 – Tazría (Conceber/Semeai)
Vayicrá/Levítico Lv 12:1-13:59,
Haftará (Separação) 2Rs 4:42-5:19, e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mc 15:1-16:20

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Na parashá dessa semana estaremos estudando sobre algumas impurezas que podem afligir o ser humano, entre elas o fluxo de sangue da mulher ao dar a luz e a “tsaraát”, que foi equivocadamente traduzida como lepra. E o que essas impurezas significam nas vidas dos servos de Adonai. Poderemos ver que muito do que é falado e ensinado pela Torá é profético, e parte já se cumpriu na vida de Yeshua, e se cumprirá na vida de todos os que lhe são fiéis.

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               No início dessa porção lemos que a Torá nos fala sobre a mulher que “concebe” – “Tazría” – e dar a luz um varão ficará impura por sete dias... Perceba que conceber é diferente de dar à luz. A concepção acontece normalmente 38 semanas antes de um parto normal. O momento da concepção terá influência no futuro da criança. Os rabinos de Israel afirmam que, se os pais se relacionam intimamente em santidade e pureza, a criança é concebida em santidade e pureza. No entanto, se um dos pais tem lascívia sexual, esse espírito é transmitido ao feto no momento da concepção e no futuro é muito provável que essa criança tenha problemas para dominar os seus desejos sexuais. Observe o que está escrito em 1 Tes 4:3-5:

Porque esta é a vontade de Elohim, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Elohim.” O termo “vaso é uma referência ao corpo. E se observarmos, nesse caso, provavelmente refere-se ao corpo da esposa. É importante tratar a esposa com santidade e honra, sem lascívia sexual como os gentios que não sabem dominar os seus instintos animais.
               Depois da concepção, após as 38 semanas vêm o parto, e a mulher fica em um estado de impureza ritual, em hebraico “tamé” como no tempo da sua menstruação. A palavra hebraica que foi traduzida como separação é “nidá”, e significa “impureza”, “separação”, “menstruação” e vem da raiz “nadad” que significa “errar”, “fugir”, “afastar-se”. A ideia que a Torá nos dá é que o tempo de “nidá” (separação) é um tempo de afastamento da mulher relativamente ao seu marido, para se curar da sua ferida interna. E segundo a Torá, este período é de sete dias, conforme lemos no verso 2 dessa porção e também em Lv 15:19. Depois do período de “nidá”, ela submerge-se em águas purificadoras em uma mikvê, para se poder unir novamente ao seu marido.
               Vamos entender, então claramente, no caso do nascimento de um menino, a mãe entra num estado de “nidá” durante os primeiros sete dias depois do parto. O dia do parto é contado como o primeiro dia, ainda que falte apenas uma hora para o pôr-do-sol, o início de um novo dia. Ao final do sétimo dia submerge-se numa mikvê para se purificar. E segundo o texto passa ao estado de “Tamé”, ou seja, já não é uma separação total, como em “nida”. Nesse estado há proibições como não ser permitido tocar ou comer as coisas sagradas, não pode entrar no santuário e nem comer do cordeiro de Pessach. No verso 4 entendemos que mesmo que haja sangue nesses 33 dias de purificação, não será necessário acrescentar mais tempo, pois aqui nãos se aplica a mesma lei de Lv 15.19.
               Quando nasce uma menina o tempo de “nida” e de “tamé” são dobrados. A Torá não explica a razão pela qual isso acontece. Mas o fato de fazer com que a mulher fique mais tempo em recuperação depois do nascimento de uma menina, não é para discriminar a mulher ou o homem, mas sim por outras razões que não conhecemos. O fato é que todos os mandamentos foram dados para o bem do ser humano. No entanto, de acordo com o site “emunah a fé dos santos” encontramos o seguinte:
“Contudo, podemos encontrar algumas explicações que nos podem dar um pouco de luz sobre esta diferença. Os pediatras modernos provaram que depois do nascimento de uma menina, ela tem mais necessidade psicológica do que um menino de permanecer perto da sua mãe. Logo este mandamento foi dado, entre outras razões, para ajudar a menina a ter um bom desenvolvimento psicológico, e possivelmente, também da mãe.”
               No verso 6 lemos que após cumprir os dias de purificação, a mãe deveria levar um cordeiro para holocausto e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado. Então seriam dois sacrifícios um para ascenção (holocausto – olá) e outro para expiação de pecado (chatat).
               Para que servia o holocausto (olá)? Como vimos nas porções anteriores, esse sacrifício representa entrega total. E podemos aprender em primeiro lugar que a mãe agora tem a oportunidade de renovar sua entrega total ao eterno, através deste sacrifício. O primeiro mandamento deve ser observado em qualquer situação, ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas, mas durante sua gravidez a mulher pode vir a perder na observância desta lei, e o holocausto é a oportunidade para mostrar ao Senhor que ela ainda observa a Torá. Apesar do nascimento do filho ou da filha, ela continua a viver para YHWH (Adonai).
               Por outro lado, o sacrifício de olá, também representa a entrega da criança ao Eterno. Os filhos não pertencem aos pais, mas ao Pai dos espíritos. Os pais tem a responsabilidade de educar as crianças no caminho de Deus, porque nasceram para Ele, como lemos em Malaquias 2:15:
“E não fez ele somente um, ainda que lhe sobrava o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma descendência para Deus. Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.”
               O Eterno quer ter uma geração de muitos filhos. Os pais colaboram com Ele para que tenham muitos filhos, assim cumprem com o Seu desejo. Os filhos não são dos pais, são do Eterno. Então a olá que a mãe entrega ao Eterno representa a entrega de si mesma e também do seu filho ao Eterno.
               Uma outra pergunta pertinente é: Porque razão uma mulher teria que dar uma oferta pelo pecado depois de dar a luz? Qual teria sido o pecado da mulher? Os rabinos apontam para essas alternativas:
a. Há uma necessidade de expiar os seus pecados por causa de ter passado por uma prova. Numa prova todos cometem pecados. (Abarbanel)
b. O pecado entrou no mundo pela mulher, e mediante o sacrifício do pecado ela faz expiação por esse erro. (Bechai)
c. Todo o processo de procriação foi afectado quando o pecado entrou no mundo. Um parto doloroso é o resultado do pecado de Eva, cf. Génesis 3:16. A concepção e o parto de uma criança dão-se num mundo de pecado, como está escrito no Salmo 51:5: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.” O yetser hará (inclinação para praticar o mal) é transmitido à criança quando é formada. É uma herança pecaminosa. Por essa transmissão há uma culpa sobre a mãe e tem que apresentar um sacrifício pelo pecado.
d. Podem ser transmitidos à criança, ainda estando no ventre da sua mãe, complexos, atitudes de rejeição, inferioridade e outras atitudes originadas no pecado. A mulher não pode gerar um filho perfeito, sem pecado. Terá que apresentar a oferta, por ter trazido ao mundo um ser pecador, contrariamente aquilo que o Eterno desejou desde o princípio.

               Se fizermos uma leitura em textos do Novo Testamento, veremos que cada uma dessas observâncias da lei foram cumpridas na vida de Yeshua. Em Lucas 2:21-23 vemos sua mãe cumprindo a lei da circuncisão ao oitavo dia, também vemos sua mãe oferecendo os sacrifícios conforme determina a porção em estudo, bem como em Lucas 2:24 encontramos a entrega da oferta de quem era pobre. E nesse texto vemos também que apesar de não terem condições de darem o cordeiro, eles estavam com o cordeiro. Esse era o cordeiro que Deus tinha determinado, por isso não precisavam de outro cordeiro, apenas dos dois pássaros, que representava a entrega total da mãe e do filho ao Eterno.
               Aqui é importante frisar que Maria não passou o Yetser Hará a Yeshua, como podemos entender na leitura de Rm 8.3.
“Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, YHWH, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne;”
               Yeshua não tinha “carne de pecado”, não tinha pecado, na sua carne. Maria deu à luz um corpo que tinha a “semelhança de carne de pecado” mas não “carne de pecado”. Yeshua naquele momento não tinha o corpo glorioso como o havia tido Adão antes de cair. Apesar de Yeshua ser incorruptível, estava em carne, e essa carne que é semelhança da carne do pecado.
               Nessa porção também podemos entender que o mito da imaculada conceição de Maria se desfaz mediante o estudo da Torá. Pois Maria cumpriu a entrega do sacrifício pelos seus pecados. Podemos mencionar outros textos que mostram que a Mãe de Yeshua tinha pecados e precisava do perdão por eles:
               Em Lucas 1:47 está escrito: “E o meu espírito se alegra em Elohim meu Salvador;” Ela precisava de um salvador como qualquer outro, para que não morresse em seus pecados.
               Em Marcos 3:21, 31-35 está escrito:
“E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si. (…) Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar. E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.”
               Neste momento, Maria pensava que Yeshua estava louco, e por isso veio com os seus outros filhos para buscá-lo e resolver o problema. Por esse motivo Yeshua não a reconhece como sua mãe e diz que os seus parentes são quem faz a vontade do Pai. Fica claro que ela estava equivocada em relação ao chamado de seu filho, confirmando o que lemos em Salmos 69:8.
“Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe.”
               Isto nos mostra que num momento da vida de Yeshua, nem sua mãe, nem os seus irmãos, filhos de sua mãe, creram nele, conforme João 7:5.
“(Seus irmãos falaram desse modo porque não haviam confiado nele)”
               Depois de iniciar a porção com a questão da impureza do sangue do parto, agora todo o restante da parashá vai descrever com detalhes as manifestações de tsaráat. Embora tenha sido erroneamente traduzida como lepra, esta doença de pele tem pouca semelhança com qualquer moléstia corporal transmitida através do contato normal. Ao contrário, tsaráat é a manifestação física de uma doença espiritual, uma punição enviada por Deus, primeiro pelo pecado da maledicência, entre outras transgressões e comportamento anti-social.
               Há duas principais ideias fundamentais relativamente a esta praga. Alguns dizem que se trata de uma enfermidade extinta, mas a maioria dos analistas, pensam que é uma praga sobrenatural que o Eterno coloca sobre as pessoas que cometem certos pecados, especialmente o de lashón hará, a calúnia, a má língua. É descrita em dois largos capítulos, o que demonstra que é um assunto muito importante. Há outros textos nas Escrituras que falam desta praga. Esses textos podem ensinar algo mais sobre a sua origem.
Leia Ex 4:1-7, Nm 12:1-10, Dt 24:8-9, 2Cr 26:16-19, e 2Rs 5:1-27.

               Conhecida como “metsorá”, a pessoa afligida por uma mancha parecida com tsaráat na pele está sujeita a uma série de exames por um Cohen (sacerdote), que declara se o paciente está tahor (limpo) ou tamé (impuro). Quando uma pessoa tem esta praga não é considerada impura até que o sacerdote o comprove. Também, não se torna pura antes do sacerdote o declarar. Logo é o sacerdote que decide quando a pessoa está pura ou impura. O afetado não podia viver dentro da comunidade, mas sim fora, fora do acampamento ou fora da cidade se estivesse murada.
Segundo Maimónides, o propósito da declaração de impureza é:
§ Afastar todas as impurezas;
§ Preservar o santuário;
§ Aligeirar tão penosa carga e conseguir que o que é e não é impuro não entorpeça o homem em nenhuma das suas ocupações e que esse assunto somente diz respeito ao santuário e às coisas sagradas.
               Em Mateus 8:2-4 lemos:
“E, eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. E Yeshua, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra. Disse-lhe então Yeshua: Olha, não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.”
               Neste texto não se fala de curar uma enfermidade, mas sim, de limpar a praga de “tsaráat”. Yeshua não diz: “sê curado”; mas sim “sê limpo”. Yeshua não o curou, mas sim limpou-o. Isto leva-nos a crer que não se trata de uma enfermidade como as outras, mas sim de uma praga sobrenatural sobre aquele que não se arrepende em tempo útil.
              
Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.


segunda-feira, 22 de abril de 2019

Estudo da Parashá Semini (Oitavo)


Estudos da Torá

Parashá nº 26 – Shemini (Oitavo)
Vayicrá/Levítico Lv 9:1-11:47,
Haftará (Separação) 2Sm 6:1-7:17, e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mc 14:1-72

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Os últimos versos da porção passada nos diz o seguinte:
E da entrada da tenda da reunião não saireis sete dias, até o dia de cumprir-se os dias de vossa consagração; pois por sete dias Ele vos consagrará. Como se fez neste dia, assim ordenou o Eterno fazer, em expiação por voz. E à porta da tenda da reunião permanecereis dia e noite, sete dias, e guardareis a prescrição do Eterno, e não morrereis, pois assim me foi ordenado. E fizeram Aarão e seus filhos todas as coisas que ordenou o Eterno por meio de Moisés.” (Vayicrá/Levítico 8:33-36)
               Lendo esse texto percebemos que ainda estamos nos dias da consagração do Mishcan (tabernáculo) e dos sacerdotes. E nos primeiros sete dias de consagração, segundo a tradição judaica, Moshê montou o Mishcan e o desmontou todos os dias. A cada dia ele oferecia os corbanot (ofertas) ordenadas por D’us.
               Enfim chegou o Shemini (oitavo) e último dia de dedicação! Era Rosh Chôdesh Nissan (início do mês de Nissan). E segundo a tradição do povo do Eterno, D’us ordenou a Moshê: “Hoje deves armar o Mishcan, mas não o desmontes novamente. Também, pela primeira vez, Aharon e seus filhos oferecerão corbanot. “Enviarei um fogo do céu para consumir seus corbanot.” O fogo que Adonai enviaria para consumir as ofertas demonstraria que Ele tinha perdoado os pecados do bezerro de ouro e que Sua Shechiná (presença) repousava no meio deles novamente.
              

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               Essa porção começa Assim: “Vaihi bayon hashemini - E foi no oitavo dia...”. O comentário da Torá nos diz que, o Midrash Rabá comenta que o termo “Vaihi” “E foi”, usado neste versículo, indica aflição (enquanto que o termo “Vehaiá” prenuncia alegria). Durante todo o período de construção do Tabernáculo, os filhos de Israel viviam em constante tensão, pois não sabiam com certeza se a Shechiná (presença) de Deus repousaria entre eles, e se esta obra erguida para servir como centro espiritual do povo seria do agrado do Eterno, pois não se podiam livrar do pesadelo do abominável ato do bezerro de ouro, receando talvez não terem ainda conquistado o perdão de Deus. Apesar de Moshê os ter acalmado dizendo que a ordem de construir o Mishcan lhe fora determinada por Deus como sinal do Seu perdão, tiveram medo do que aconteceria.
               A porção dessa semana trata sobre o início do período sacerdotal, de fato, e também sobre os primeiros erros cometidos por homens que quiseram estabelecer o seu padrão ditado pelo Eterno. Tratando-se em termos proféticos, os acontecimentos dessa parashá apontam para o que ocorre após o retorno do Messias de Israel. Ou seja, o início do período em que o Sumo Sacerdote Supremo, o Rei de todas as nações iniciará seu ministério-reinado.
               De acordo com o site ShemaYsrael.com, é interessante notarmos que Moshê chama Aharon e seus filhos para fora da tenda da congregação justamente ao oitavo dia. Na hermenêutica judaica o oito é o número da ressurreição, do novo recomeço. Percebemos isso já na criação, quando o Eterno criou tudo em seis dias, ao sétimo descansou e no oitavo dia iniciou as atividades de Adão no Paraíso. Ou seja, quando o ciclo de sete fecha-se, ao oitavo tudo inicia-se novamente. É quando, após o descanso (shabat), dava-se início a uma nova caminhada em todos os aspectos da vida. E quando olhamos para isso, no sentido profético, vemos Yeshua, como o apóstolo Paulo o chama de segundo Adão, restaurando todas as coisas no início de Shemini, no oitavo milênio, após o sétimo milênio, quando ele já implantou seu reino e já derrotou todos os inimigos. Será nesse período que haverão novos céus e nova terra! No sentido espiritual, o shemini (oitavo) vai significar um início revigorado, com todas as potencialidades recuperadas no dia anterior, o shabat. A revelação, a unção e a glória já vieram, agora o novo homem se levanta e reinicia seu andar em comunhão com HaShem!
               Outra informação importante sobre o oito, na cidade de Jerusalém há oito portões, destes sete estão abertos até o dia de hoje. O portão que está fechado é chamado de “Portão Dourado”, ele esteve aberto quando o Messias Yeshua, passou por lá, hoje porém, está fechado com pedras.
 
 









               Este portão será aberto quando o Mashiach vier para reinar com seu povo! Aí teremos então um novo começo, um recomeço para a cidade de Jerusalém e também um recomeço para toda a humanidade! Isso nos demonstra que o Eterno sempre nos dá uma nova chance para recomeçarmos. Não é incrível como a Torá nos instrui em diversos aspectos? No aspecto da Palavra em si, no aspecto espiritual e também no aspecto profético.
               Depois destas informações são dadas determinações ao povo de Israel para que se preparassem com sacrifícios – santificando-se – pois o Eterno apareceria à eles naquele mesmo dia! “E disse a Aharon: Toma um bezerro, para expiação do pecado, e um carneiro para holocausto, sem defeito; e traze-os perante o IHVH. Depois falarás aos filhos de Israel, dizendo: Tomai um bode para expiação do pecado, e um bezerro, e um cordeiro de um ano, sem defeito, para holocausto; também um boi e um carneiro por sacrifício pacífico, para sacrificar perante o IHVH, e oferta de alimentos, amassada com azeite; porquanto hoje o IHVH vos aparecerá. Então trouxeram o que ordenara Moshe, diante da tenda da congregação, e chegou-se toda a congregação e se pôs perante o IHVH” (Lv 9:2-5). Moshe estava informando a Aharon e ao povo algo que aconteceria de forma extraordinária: O Eterno estaria entre eles com sua presença! Ou seja, Aquele que os guiara pelo deserto agora literalmente “desceria” para estar entre eles! Quando Moshe diz “também um boi e um carneiro por sacrifício pacífico, para sacrificar perante o IHVH, e oferta de alimentos, amassada com azeite; porquanto hoje o IHVH vos aparecerá” no original temos alguns detalhes muito importantes. O primeiro é que a palavra que define o Eterno é o tetragrama (IHVH)! Isso nos diz que o Eterno se tornará aquilo que seu povo necessita naquele momento! Um segundo detalhe muito importante é que a palavra “aparecerá” em hebraico é ra´â e significa “ver, olhar, inspecionar”. Mas o que significa isso? Significa que o Eterno estaria vendo, contemplando aquilo que seu povo faria para então liberar sua bênção sobre eles!
               Novamente seguem-se instruções exatas daquilo que deve ser feito para o povo de Israel possa então “ver a glória do Eterno”. “E disse Moshe: Esta é a coisa que o Senhor ordenou que fizésseis; e a glória do IHVH vos aparecerá” (Lv 9:6). Devemos perceber duas coisas: Novamente a palavra que define o Eterno é o tetragrama e isso significa que “Aquele que se torna o que precisamos” já havia emitido ordens que precisavam ser cumpridas;quando isso acontecesse Ele então permitiria que sua glória fosse vista entre o povo! A obediência aos mandamentos do Eterno atrai a presença d´Ele para o meio de seu povo!
               Veremos agora um outro princípio sobre os líderes. “Então Aharon se chegou ao altar, e degolou o bezerro da expiação que era por si mesmo” (Lv 9:8). Interessante notar que Aharon chega-se ao altar. Altar é lugar de sacrifício, lugar de morte. Ali ele chega com o bezerro da expiação. Em nosso texto bíblico em português faltou uma palavra que viria após o termo “expiação”. Esta palavra seria o termo “pecado”, que em hebraico é hata’ que significa “errar, sair do caminho, pecar, tornar-se culpado”. Significa ainda “errar o alvo”, “ficar aquém do padrão”. Aqui Aharon dá exemplo público de algo que já era uma realidade em sua vida. Ele e seus filhos já haviam passado sete dias diante do Senhor. Porém agora Aharon torna pública sua humanidade quando vai ao altar e leva seu sacrifício pela culpa (pecado) e o oferece ao Senhor para poder capacitá-lo à oficiar à face do povo! Mesmo os santos precisam pedir perdão!
               Quando se peca, é preciso então do sacrifício expiatório! Então, veremos que “expiação” em sua raiz tem múltiplos significados:
Kapar – Expiação – fazer expiação, fazer reconciliação, purificar.
Koper – resgate, dádiva, obter favor.
Kippur – expiação (perdão) usado na expressão IOM KIPPUR (Dia do perdão).
               Isso nos demonstra que a expiação deve ser feita em primeiro lugar pelos líderes (que com esse ato dirão ao seu povo: eu também sou pecador!), para que haja reconciliação com o Eterno, e então possa haver o resgate de si mesmo, obtendo-se assim o favor do Eterno! Disso vem o fato de alcançarmos o perdão e de termos também a obrigação de perdoarmos aqueles que nos ofenderam! Temos a confirmação deste princípio implícito aqui numa declaração explícita de Yeshua no Evangelho de Mateus: “Então Kefa, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Yeshua lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete” (Mt 18:21-22).
               A continuação deste princípio vem a seguir: “Mas a gordura, e os rins, e o redenho do fígado de expiação do pecado, queimou sobre o altar, como o IHVH ordenara a Moshe” (Lv 9:10). A gordura (que simboliza fartura, abundância) é queimada no altar! As entranhas indicam também o centro das emoções, o afeto e a mente que estavam sendo oferecidas sobre o altar do Senhor! Após a vítima ter sido morta, oferece-se então sua gordura e suas entranhas! Mas percebemos que esta entrega é puramente pessoal! A fé era ingrediente indispensável nessa ocasião! Quando isso era feito – conforme o que fora estabelecido e ordenado pelo Eterno – então novamente Ele se tornava aquilo que seu povo precisava (IHVH)! E isso continua sendo assim até o dia de hoje, e será sempre.

3 – RESUMO

               A Parashá Shemini começa discutindo os eventos que ocorreram no oitavo e último dia de melu'im, serviço de inauguração do Mishcan. Após meses de preparação e antecipação, Aharon e seus filhos são finalmente instalados como cohanim, em um serviço elaborado.
Aharon abençoa o povo, e toda a nação se rejubila quando a presença de D’us paira sobre eles. Entretanto, o entusiasmo é interrompido abruptamente quando os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, são consumidos por um fogo celestial e morrem no Mishcan, enquanto ofereciam ketoret, incenso, sobre o altar. A Torá declara que eles morreram porque trouxeram um "fogo estranho" no santuário interior do Mishcan, cujo significado é discutido pelos comentaristas à exaustão.
Aharon recebe ordens de que os cohanim são proibidos de entrar no Mishcan enquanto impuros, e a Torá continua a relatar os eventos que ocorreram imediatamente após a morte trágica de Nadav e Avihu. A porção termina com uma lista dos animais casher e não-casher, e várias leis sobre tumá, impureza.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.