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terça-feira, 4 de junho de 2019

Estudo da Parashá Kedoshim


Estudos da Torá

Parashá nº 30 – K’doshím (Santos)
Vayicrá/Levítico Lv 19:1-20:27,
Haftará (Separação) Ez 20:2-20; 22:1-19; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 3:1-4:44

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Daniel Lasar, em seu texto entitulado “Valores que perpetuamos”, no site Chabad.org, afirma que há uma importante correlação entre a porção kedoshim e a anterior, a Acharei Mot. Na porção anterior, D’us ordena ao povo de Israel: “Não use a prática da terra do Egito na qual você habitou, e não use a prática da terra de Canaã à qual Eu o trouxe, e não siga as tradições deles” (Vayicrá/Levítico 18:3). Já na porção atual, a porção kedoshim, o Eterno se dirige ao povo hebreu: “Sereis santos, pois Eu Sou Santo, HaShem, vosso Deus” (Vayicrá/Levítico 19:2). Estes dois versículos fornecem uma ênfase esclarecedora sobre não apenas como vivemos como servos de Adonai, mas do modo que vivemos no contexto de onde vivemos.
               Nesta parashá abordaremos alguns fatos que demonstram-nos que a qualidade de vida tem a ver com a santidade do homem. E sendo assim, poderemos perceber que há vários mandamentos que, quando obedecidos, conduzem-nos a um padrão de santidade cada vez maior. E teremos a oportunidade de entender que viver segundo os mandamentos do Eterno é melhor para nós, não apenas no âmbito físico, mas também no âmbito da Santidade.
               Ainda, poderemos ver também nessa porção a questão do amor ao próximo, que muitos pensam ser algo apenas do Novo Testamento.

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               Leiamos o seguinte texto da Torá:

“Adonai disse a Moshe: “Fale a toda a comunidade de Israel; diga-lhes: Sejam santos, pois eu, Adonai, o Deus de vocês, sou santo.” (Lv 19:1,2)
                    Iniciando nosso estudo desta porção, a porção “kedoshim”, que significa literalmente santos, o plural de “kadosh” (santo), observe que Adonai manda Moisés dizer estas palavras a toda a congregação dos filhos de Israel.
               A palavra “congregação” no hebraico pode ser:
               - עֵדָה edah - comunidade, público, congregação, assembleia;
               - קָהָל qahal - público, povo, comunidade, congregação, multidão, assembleia, igreja.
               No verso em questão, o termo que aparece no texto em hebraico é “edah”, e o que a diferenciará das outras é o seu contexto, ou seja, a mensagem que o texto deseja transmitir. Aqui, ela está indicando “comunidade ou congregação”, e no Novo Testamento a traduziram como “sinagoga”. Sendo assim, fica claro, através do texto e de seu contexto, que o povo de Israel deveria receber e encarar estas instruções como algo que lhes conduziria à santidade, pois o Eterno aqui declara sua santidade e convoca seu povo para ser santo como Ele é! A congregação, a assembleia, o povo estava recebendo as instruções ou mandamentos do Eterno como um conjunto, como uma unidade. Estes versículos também nos ensinam que a santidade não é apenas para os sacerdotes e levitas, mas sim para toda a congregação dos filhos de Israel. A santidade consiste em ser separado dos costumes que são praticados pelos povos que estão afastados do Eterno, e dedicar-se a Ele em obediência à Sua instrução (mandamentos e estatutos).

O Mandamento sobre os pais e mães e sobre o sábado

“Cada um respeitará a sua mãe e o seu pai e guardará os meus sábados. Eu sou YHWH vosso Elohim.” (Lv 19.3)

               À santidade estão ligados dois fatores importantes, que já tinham sido apresentados aos israelitas nas “Dez Palavras” (Dez Mandamentos Ex 20). O primeiro fator é o que fala sobre reverenciar os pais. Embora isso possa parecer um pouco antiquado na modernidade, mas este mandamento está ligado à uma vida longa nesta terra. Honrar aos pais refere-se ao respeito e ao cuidado que devemos ter à eles como autoridades sobre nossas vidas.
               A palavra hebraica que foi traduzida como “respeitará” é “yaré” e ela significa também “temer e reverenciar”. Há uma diferença entre este mandamento e o de Ex 20:12 onde está escrito: “Honra a teu pai e tua mãe para que se prolonguem o seus dias na terra que YHWH teu Elohim te dá.” Aqui está escrito que devemos honrar o nosso pai e a nossa mãe, e em Levítico 19 está escrito “temer”, “reverenciar” o pai e a mãe. Observe que honrar e temer são conceitos diferentes. Honrar aos pais tem a ver com o suprir a suas necessidades, como lemos em Mt 15:3-6:

“Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? Porque Elohim ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: É oferta a YHWH aquilo que poderias aproveitar de mim; esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Elohim por causa da vossa tradição.”
               Veja que a honra aos pais passa pela ajuda econômica, principalmente na velhice, mas também implica em obediência, conforme lemos em Ef 6:1-3.

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa) para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.”
              
               Em Êxodo aparece primeiro o pai e depois a mãe relativamente ao honrar, mas no texto de Levítico aparece primeiro a mãe e depois o pai relativamente ao temor e reverência. Será que há uma razão para isso?
               De acordo com os rabinos, geralmente é mais fácil temer, no sentido de respeitar e reverenciar o pai, por se uma figura masculina, pois a criança tem tendências para se aproveitar da doçura de sua mãe e do seu caráter suave. Por isso, é mais fácil faltar com respeito à mãe do que ao pai, e talvez seja por isso que a Torá põe a mãe em primeiro lugar, para que não deixemos de mostrar respeito às nossas mães, e respeitemos o pai e a mãe de forma igual.
               No estudo desta parashá do site “emunah a fé dos santos”, encontramos o seguinte sobre esse assunto:
“ao olharmos para o contexto, vemos que há uma escala de reverência, mãe, pai e YHWH. É uma escala invertida de autoridade. Segundo esta ordem, o menino vai aprender durante o crescimento quem está acima dele. Primeiro aprende a temer a mãe, que é quem passa a maior parte do tempo consigo durante os primeiros anos de vida. Logo aprende a reverenciar o seu pai, e finalmente aprende a reverenciar ao Eterno.
               O segundo fator em relação à santidade, e que também está ligado à obediência aos pais é a guarda do sábado. Ele é a primeira das datas santas! O termo hebraico para “guardar” é “shamar” e significa “guardar, vigiar, observar, cumprir, esperar, cuidar, prestar atenção”. A guarda deste mandamento, deste dia, é um fator fundamental para a manutenção da unidade e da pureza na vida familiar. É o tempo em que os judeus e os que servem à Adonai se reúnem em família para celebrarem o shabat, e em obediência ao Eterno gozarem dos benefícios deste mandamento.

O Mandamento de amar o próximo

               Dentre tantos outros mandamentos nesta parashá, ainda podemos nos ater ao que está escrito no verso 18: "veahavtá lereachá camocha – ame a seu companheiro como a ti mesmo".
               Muitos pensam que este mandamento foi dado por Yeshua pela primeira vez quando ele pregava o Reino de Deus, e está registrado no evangelho de Marcos 12:28-31. Ou, para muitos, é conhecido como um bom slogan, que devem decorar paredes. No entanto, é um mitsvá, um mandamento, que exige a observância de cada pessoa, assim como todos os outros.
               No tempo de Yeshua, havia uma discussão sobre a quem se estava a referir a Torá quando fala sobre o próximo. Em Levítico 19:18 parece que a expressão “teu próximo” somente faz referência aos “filhos de Israel”, ou seja, está limitado somente aos israelitas. Será que um membro da nação de Israel só está obrigado a amar os seus conterrâneos? E quanto a nós, será que devemos amar somente os nossos domésticos da fé?
               Neste caso poderíamos aplicar a regra de interpretação número 5 do Rav Ishmael que diz que um preceito particular, “os filhos do teu povo”, é ampliado por um preceito geral que o segue, “teu próximo”. Yeshua também diz algo sobre isso no texto de Lucas 10:29:37, a parábola do bom samaritano.
              
               Por isso, descobrimos que a expressão “o próximo” não se limita somente aos filhos de Israel, mas também aos estrangeiros, aos estranhos. No entanto, o amor deve ser demonstrado em primeiro lugar aos que estão mais perto. Aquele que não ama a seu irmão que vive com ele não pode amar o forasteiro que não conhece. O amor inicia com aqueles que estão próximos, se estende aos resto dos homens, conforme lemos em 2 Pe 1:5-7. Esse mesmo princípio deve se aplicar ao verso 34 de Levítico 19, onde se introduz a palavra hebraica “guer”, estrangeiro. Um “guer” pode ser um prosélito ou um estrangeiro que vive com os judeus. Veja parte do verso: “amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito”. Lembre-se que os filhos de Israel não foram convertidos no Egito, eram estrangeiros residentes. Assim, não se aplica a este mandamento, afirmar que “guer” se refere especificamente ao convertido, mas sim a todo o residente em Israel, e na sua extensão, no ensina também que temos que amar a todos os homens na terra. E isso se confirma com o que vimos no texto de Lucas 10:29-36, Yeshua demonstra que devemos interpretar a palavra “guer” no contexto da Torá, alinhado a esta porção.
               Portanto, para concluir, o nosso próximo é aquele que está à nossa frente, não importa se é israelita ou estrangeiro, porque o amor não se limita somente aos que nos tratam bem, como podemos ler em Rm 5:6-10.

3 – RESUMO

               Kedoshim inicia-se com a ordem de D’us para toda a nação de Israel para ser santa, imitando a suprema santidade do próprio Criador. A Torá prossegue delineando uma infinidade de mitsvot através das quais podemos atingir a santidade, abrangendo uma grande variedade de assuntos, tanto mandamentos positivos como inferências negativas, lidando com nosso relacionamento ímpar com D’us e com nosso próximo.
Recebemos ordens de temer nossos pais, guardar o Shabat e abstermo-nos da adoração de ídolos. D’us nos instrui a deixar vários presentes de nossa colheita para os pobres e oprimidos, incluindo o canto dos campos e os feixes que caíram por acaso ao serem juntados. Devemos manter a justiça, fazer negócios honestos com nossos vizinhos, não praticar a maledicência, e de forma geral ter pelos outros a mesma consideração que temos por nós mesmos.
               Segue-se uma descrição de várias categorias de kilayim (misturas proibidas) – hibridação de animais e plantas, e vestir shatnez (uma mistura de lã e linho em uma mesma peça de roupa) – a Torá discute orlá, a proibição de consumir frutas nos primeiros três anos após o plantio de uma árvore. A porção continua com uma lista das punições a serem impostas às pessoas que transgridem e participam das várias relações proibidas relacionadas na porção da semana anterior. A Parashá Kedoshim conclui com o mandamento, mais uma vez, para que sejamos um povo santo e distinto dentre as nações do mundo.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

domingo, 2 de junho de 2019

Estudo da Parashá Acharê mot (Depois da morte)


Estudos da Torá

Parashá nº 29 – Acharê mot (Depois da morte)
Vayicrá/Levítico Lv 16:1-18:30,
Haftará (Separação) Ez 22:1-19, e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Rm 3:10-28, 9:30-10:13

1 - INTRODUÇÃO
                  
               As duas últimas porções da Torá, Tazria e Metzora, discutiu as leis da Tumah (impureza) e tahanah (pureza).
               Nesta semana, a Torá começa com avisos de Deus sobre a entrada no Kedosh Hakedoshim (Santo dos Santos) após a morte (acharei mot) de Nadab e Abiú, os filhos de Arão que pereceram quando trouxeram “fogo estranho” diante de Adonai. Nesta parashá, parece que Adonai está tentando evitar mais “mortes acidentais” devido ao bem – que de acordo com o site ShemaYsrael.com, significa que os israelitas chegaram muito perto da santidade de D’us.
               Assim, veremos no estudo dessa porção o que o Eterno fez para que nós possamos nos aproximar da santidade dele, sem sermos mortos, por causa dos nossos pecados, e qual ligação tudo isso tem com Pessach (páscoa) e Yom Kipur (dia do perdão).

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
O Entendimento Profético

               O capítulo 16 de Levítico é considerado, pelos judeus, um dos capítulos mais importantes da Torá. É neste capítulo que encontramos instruções acerca do dia da expiação (Yom Kippur) ou dia do perdão, que cai no 10º dia do sétimo mês.
               Esse era o único dia de todos os dias do ano em que o sumo-sacerdote podia entrar no lugar santíssimo e apresentar incenso e sangue diante da presença do Eterno. Como já mencionei, o eterno não queria que houvesse mais mortes acidentais, por isso estabeleceu estes princípios.

“O IHVH falou a Moshe após a morte dos dois filhos de Arão que morreram quando se aproximou do IHVH” O IHVH disse a Moshe: Diga a seu irmão Arão que ele não virá sempre que ele escolher o lugar mais sagrado atrás da cortina na frente da tampa da expiação na arca, ou então ele morrerá” (Lv 16:1-2).

               No verso 3 em diante lemos que Adonai estabeleceu a forma como Arão deveria entrar ante a presença do Senhor. O propósito desse ato, ou seja, entrar no lugar santíssimo, é fazer uma limpeza geral dos pecados e das impurezas dos filhos de Israel que se tinham acumulado no tabernáculo durante todo o ano.
               Apesar do Eterno ter dado instruções claras acerca de como os filhos de Israel tinham que se manter longe das impurezas rituais para não contaminar o santuário, era inevitável que o tebernáculo fosse contaminado por elas.
               Se alguém entrasse no tabernáculo estando impuro, contaminava-o. Poderiam ter entrado lá sem dar conta de que estavam impuros, ou alguém poderia ter-se esquecido que estava impuro no momento de entrar.
               Essa é uma das razões pelas quais o Eterno institui este dia de expiação para justificar o tabernáculo terreno. Este é também o dia em que o Eterno demonstra de que forma o homem pode se reconciliar com Ele.
               É o Grande dia de Reconciliação. A reconciliação entre o Eterno e o homem é o tema central de toda a Escritura e este capítulo mostra como esta reconciliação pode ser feita. A ira do Eterno está sobre o homem por causa dos seus pecados, e sabemos que pecado é transgressão da Lei (1Jo 3:4). Essa ira é mortal para o ser humano. E a única coisa que acalma essa ira é a misericórdia do Eterno. Essa misericórdia é mostrada ao homem mediante a reconciliação sobre a base dos sacrifícios sangrentos de vidas inocentes, como está escrito em Levítico 17:11

“Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.”
              
               Nos textos desta porção, podemos ver a explicação daquilo que aconteceu com o Messias Yeshua antes e depois da sua ressurreição ao ser introduzido no ministério sumo sacerdotal celestial segundo a ordem de Melquisedeque. Ele entrou no tabernáculo celestial e purificou-o com seu próprio sangue, como lemos em Hebreus 9:22-26.

“E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo-sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.”

               Com isso precisamos refletir sobre o dia da expiação, no dia 10 do sétimo mês, pois está ligado ao dia 10 do primeiro mês. Neste dia foi tomado um cordeiro para cada casa no Egito onde se ia celebrar Pêssach (Páscoa) para logo poder sair da escravidão sob o domínio do Faraó. O cordeiro de Pessach foi escolhido no dia 10 para ser sacrificado no dia 14. O décimo dia do sétimo mês tem uma conexão com o cordeiro de Pessach. Perceba: o sangue do cordeiro de Pessach protegeu os primogênitos da morte, e a carne do cordeiro produziu vitalidade e sanidade nos corpos débeis e enfermos daqueles que até então eram escravos. Semelhantemente, os sacrifícios do Yom Kippur (Dia da Expiação/Perdão) fazem expiação pelos pecados dos filhos de Israel para os salvar da morte, como está escrito em Levítico 16:30.

“Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante YHWH”.

               Pessach está intimamente ligado com o Yom Kippur. Também, a morte e a ressurreição de Yeshua, que sucede na Páscoa, cumpriu também grande parte do serviço de Yom Kippur no tabernáculo celestial. Ele entrou no lugar santíssimo no céu e se mantém lá até o dia de hoje. Da mesma forma que o sumo-sacerdote não se limitava somente a entrar no lugar santíssimo no tabernáculo terreno, mas logo saía e abençoava o povo, assim sabe-se que o Messias não permanecerá no lugar santíssimo no céu definitivamente sem sair de lá para abençoar os filhos de Israel.
               Então, de acordo com o que vimos até aqui, percebemos que o Messias cumpriu apenas metade do culto de Yom Kippur. O seu retorno à terra cumprirá o restante. Nesse dia, todo o pecado será eliminado naqueles que depositaram a sua confiança nEle, como lemos em Hebreus 9:27-28.

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, Assim também o Mashiach, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.”

O Acesso à Santidade de Deus

“O IHVH disse a Moshe: Diga a seu irmão Arão que ele não virá sempre que ele escolher o lugar mais sagrado atrás da cortina na frente da tampa da expiação na arca, ou então ele morrerá” (Lv 16:1-2).

               Não apenas qualquer pessoa não poderia entrar nesta parte do santuário, apenas o sumo sacerdote (Cohen HaGadol), mas ele só poderia entrar um dia no ano, o dia da expiação (Iom Kippur). Observando este fato, podemos perceber um notável contraste com o acesso ilimitado que os crentes em Yeshua agora têm para o próprio trono do D’us todo-poderoso a nova aliança.

“Portanto, uma vez que temos um grande sumo sacerdote que ascendeu ao céu, Yeshua o filho de Elohim, vamos manter firmemente a fé que professamos. Pois não temos um sumo sacerdote que é incapaz de empatia com as nossas fraquezas, mas temos um que tem sido tentado em todos os sentidos, assim como nós somos – mas ele não pecou” (Hb 4:14–15).
               Assim, quando Yeshua morreu sem pecado como uma oferenda para o pecado, o próprio céu se colocou de luto, como é o costume judaico de um pai que perde um filho. “E Yeshua gritou novamente com uma voz alta, e rendeu o seu espírito. E eis que o véu do templo foi rasgado em dois de cima para baixo; e a terra tremeu e as rochas foram divididas.” (Mt 27:50-51)

               Agora que a libertação em pessach e parte da expiação foi feita através do sangue de Yeshua, e o véu foi rasgado, cada homem, mulher ou criança pode ter acesso contínuo a D’us. Agora nós temos acesso ilimitado à santidade de Adonai, devemos nos tornar santos, pois ele é santo.

3 – RESUMO

               Os mandamentos descritos na Parashá Acharê Mot , seguem cronologicamente as mortes trágicas dos dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, sobre as quais lemos na Parashá Shemini há algumas semanas.
               A porção desta semana começa com uma longa descrição do serviço especial de Yom Kipur, a ser realizado no Mishcan pelo Cohen Gadol. O serviço incluía a confissão do Cohen Gadol em seu próprio nome e em nome de toda a nação; a seleção por sorteio entre duas cabras, uma das quais seria a oferenda pelo pecado nacional, e a outra seria empurrada de um penhasco no deserto, como portadora dos pecados do povo; e as complicadas cerimônias de aspersão de incenso e sangue a serem realizadas no Codesh HaKedoshim (Santo dos Santos).
Seguindo a ordem de que Yom Kipur e suas leis de jejum e abstinência de trabalho seriam observadas eternamente pelo povo judeu como um dia de perdão, a Torá proíbe a oferenda de corbanot (ofertas) fora das instalações do Mishcan. O sangue não pode ser ingerido, e durante o processo da shechitá (abate ritual), uma porção do sangue derramado deve ser coberta. A porção da Torá conclui com uma lista dos relacionamentos sexuais imorais e proibidos, e a ordem de que o povo judeu mantenha e assegure a santidade da terra de Israel.

               Kedoshim inicia-se com a ordem de D’us para toda a nação de Israel para ser santa, imitando a suprema santidade do próprio Criador. A Torá prossegue delineando uma infinidade de mitsvot através das quais podemos atingir a santidade, abrangendo uma grande variedade de assuntos, tanto mandamentos positivos como inferências negativas, lidando com nosso relacionamento ímpar com D’us e com nosso próximo.
Recebemos ordens de temer nossos pais, guardar o Shabat e abstermo-nos da adoração de ídolos. D’us nos instrui a deixar vários presentes de nossa colheita para os pobres e oprimidos, incluindo o canto dos campos e os feixes que caíram por acaso ao serem juntados. Devemos manter a justiça, fazer negócios honestos com nossos vizinhos, não praticar a maledicência, e de forma geral ter pelos outros a mesma consideração que temos por nós mesmos.
               Segue-se uma descrição de várias categorias de kilayim (misturas proibidas) – hibridação de animais e plantas, e vestir shatnez (uma mistura de lã e linho em uma mesma peça de roupa) – a Torá discute orlá, a proibição de consumir frutas nos primeiros três anos após o plantio de uma árvore. A porção continua com uma lista das punições a serem impostas às pessoas que transgridem e participam das várias relações proibidas relacionadas na porção da semana anterior. A Parashá Kedoshim conclui com o mandamento, mais uma vez, para que sejamos um povo santo e distinto dentre as nações do mundo.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.


Estudo da Parashá Tazría (Conceber/Semeai)


Estudos da Torá

Parashá nº 27 – Tazría (Conceber/Semeai)
Vayicrá/Levítico Lv 12:1-13:59,
Haftará (Separação) 2Rs 4:42-5:19, e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mc 15:1-16:20

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Na parashá dessa semana estaremos estudando sobre algumas impurezas que podem afligir o ser humano, entre elas o fluxo de sangue da mulher ao dar a luz e a “tsaraát”, que foi equivocadamente traduzida como lepra. E o que essas impurezas significam nas vidas dos servos de Adonai. Poderemos ver que muito do que é falado e ensinado pela Torá é profético, e parte já se cumpriu na vida de Yeshua, e se cumprirá na vida de todos os que lhe são fiéis.

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               No início dessa porção lemos que a Torá nos fala sobre a mulher que “concebe” – “Tazría” – e dar a luz um varão ficará impura por sete dias... Perceba que conceber é diferente de dar à luz. A concepção acontece normalmente 38 semanas antes de um parto normal. O momento da concepção terá influência no futuro da criança. Os rabinos de Israel afirmam que, se os pais se relacionam intimamente em santidade e pureza, a criança é concebida em santidade e pureza. No entanto, se um dos pais tem lascívia sexual, esse espírito é transmitido ao feto no momento da concepção e no futuro é muito provável que essa criança tenha problemas para dominar os seus desejos sexuais. Observe o que está escrito em 1 Tes 4:3-5:

“Porque esta é a vontade de Elohim, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Elohim.” O termo “vaso é uma referência ao corpo. E se observarmos, nesse caso, provavelmente refere-se ao corpo da esposa. É importante tratar a esposa com santidade e honra, sem lascívia sexual como os gentios que não sabem dominar os seus instintos animais.
               Depois da concepção, após as 38 semanas vêm o parto, e a mulher fica em um estado de impureza ritual, em hebraico “tamé” como no tempo da sua menstruação. A palavra hebraica que foi traduzida como separação é “nidá”, e significa “impureza”, “separação”, “menstruação” e vem da raiz “nadad” que significa “errar”, “fugir”, “afastar-se”. A ideia que a Torá nos dá é que o tempo de “nidá” (separação) é um tempo de afastamento da mulher relativamente ao seu marido, para se curar da sua ferida interna. E segundo a Torá, este período é de sete dias, conforme lemos no verso 2 dessa porção e também em Lv 15:19. Depois do período de “nidá”, ela submerge-se em águas purificadoras em uma mikvê, para se poder unir novamente ao seu marido.
               Vamos entender, então claramente, no caso do nascimento de um menino, a mãe entra num estado de “nidá” durante os primeiros sete dias depois do parto. O dia do parto é contado como o primeiro dia, ainda que falte apenas uma hora para o pôr-do-sol, o início de um novo dia. Ao final do sétimo dia submerge-se numa mikvê para se purificar. E segundo o texto passa ao estado de “Tamé”, ou seja, já não é uma separação total, como em “nida”. Nesse estado há proibições como não ser permitido tocar ou comer as coisas sagradas, não pode entrar no santuário e nem comer do cordeiro de Pessach. No verso 4 entendemos que mesmo que haja sangue nesses 33 dias de purificação, não será necessário acrescentar mais tempo, pois aqui nãos se aplica a mesma lei de Lv 15.19.
               Quando nasce uma menina o tempo de “nida” e de “tamé” são dobrados. A Torá não explica a razão pela qual isso acontece. Mas o fato de fazer com que a mulher fique mais tempo em recuperação depois do nascimento de uma menina, não é para discriminar a mulher ou o homem, mas sim por outras razões que não conhecemos. O fato é que todos os mandamentos foram dados para o bem do ser humano. No entanto, de acordo com o site “emunah a fé dos santos” encontramos o seguinte:
“Contudo, podemos encontrar algumas explicações que nos podem dar um pouco de luz sobre esta diferença. Os pediatras modernos provaram que depois do nascimento de uma menina, ela tem mais necessidade psicológica do que um menino de permanecer perto da sua mãe. Logo este mandamento foi dado, entre outras razões, para ajudar a menina a ter um bom desenvolvimento psicológico, e possivelmente, também da mãe.”
               No verso 6 lemos que após cumprir os dias de purificação, a mãe deveria levar um cordeiro para holocausto e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado. Então seriam dois sacrifícios um para ascenção (holocausto – olá) e outro para expiação de pecado (chatat).
               Para que servia o holocausto (olá)? Como vimos nas porções anteriores, esse sacrifício representa entrega total. E podemos aprender em primeiro lugar que a mãe agora tem a oportunidade de renovar sua entrega total ao eterno, através deste sacrifício. O primeiro mandamento deve ser observado em qualquer situação, ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas, mas durante sua gravidez a mulher pode vir a perder na observância desta lei, e o holocausto é a oportunidade para mostrar ao Senhor que ela ainda observa a Torá. Apesar do nascimento do filho ou da filha, ela continua a viver para YHWH (Adonai).
               Por outro lado, o sacrifício de olá, também representa a entrega da criança ao Eterno. Os filhos não pertencem aos pais, mas ao Pai dos espíritos. Os pais tem a responsabilidade de educar as crianças no caminho de Deus, porque nasceram para Ele, como lemos em Malaquias 2:15:
“E não fez ele somente um, ainda que lhe sobrava o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma descendência para Deus. Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.”
               O Eterno quer ter uma geração de muitos filhos. Os pais colaboram com Ele para que tenham muitos filhos, assim cumprem com o Seu desejo. Os filhos não são dos pais, são do Eterno. Então a olá que a mãe entrega ao Eterno representa a entrega de si mesma e também do seu filho ao Eterno.
               Uma outra pergunta pertinente é: Porque razão uma mulher teria que dar uma oferta pelo pecado depois de dar a luz? Qual teria sido o pecado da mulher? Os rabinos apontam para essas alternativas:
a. Há uma necessidade de expiar os seus pecados por causa de ter passado por uma prova. Numa prova todos cometem pecados. (Abarbanel)
b. O pecado entrou no mundo pela mulher, e mediante o sacrifício do pecado ela faz expiação por esse erro. (Bechai)
c. Todo o processo de procriação foi afectado quando o pecado entrou no mundo. Um parto doloroso é o resultado do pecado de Eva, cf. Génesis 3:16. A concepção e o parto de uma criança dão-se num mundo de pecado, como está escrito no Salmo 51:5: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.” O yetser hará (inclinação para praticar o mal) é transmitido à criança quando é formada. É uma herança pecaminosa. Por essa transmissão há uma culpa sobre a mãe e tem que apresentar um sacrifício pelo pecado.
d. Podem ser transmitidos à criança, ainda estando no ventre da sua mãe, complexos, atitudes de rejeição, inferioridade e outras atitudes originadas no pecado. A mulher não pode gerar um filho perfeito, sem pecado. Terá que apresentar a oferta, por ter trazido ao mundo um ser pecador, contrariamente aquilo que o Eterno desejou desde o princípio.

               Se fizermos uma leitura em textos do Novo Testamento, veremos que cada uma dessas observâncias da lei foram cumpridas na vida de Yeshua. Em Lucas 2:21-23 vemos sua mãe cumprindo a lei da circuncisão ao oitavo dia, também vemos sua mãe oferecendo os sacrifícios conforme determina a porção em estudo, bem como em Lucas 2:24 encontramos a entrega da oferta de quem era pobre. E nesse texto vemos também que apesar de não terem condições de darem o cordeiro, eles estavam com o cordeiro. Esse era o cordeiro que Deus tinha determinado, por isso não precisavam de outro cordeiro, apenas dos dois pássaros, que representava a entrega total da mãe e do filho ao Eterno.
               Aqui é importante frisar que Maria não passou o Yetser Hará a Yeshua, como podemos entender na leitura de Rm 8.3.
“Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, YHWH, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne;”
               Yeshua não tinha “carne de pecado”, não tinha pecado, na sua carne. Maria deu à luz um corpo que tinha a “semelhança de carne de pecado” mas não “carne de pecado”. Yeshua naquele momento não tinha o corpo glorioso como o havia tido Adão antes de cair. Apesar de Yeshua ser incorruptível, estava em carne, e essa carne que é semelhança da carne do pecado.
               Nessa porção também podemos entender que o mito da imaculada conceição de Maria se desfaz mediante o estudo da Torá. Pois Maria cumpriu a entrega do sacrifício pelos seus pecados. Podemos mencionar outros textos que mostram que a Mãe de Yeshua tinha pecados e precisava do perdão por eles:
               Em Lucas 1:47 está escrito: “E o meu espírito se alegra em Elohim meu Salvador;” Ela precisava de um salvador como qualquer outro, para que não morresse em seus pecados.
               Em Marcos 3:21, 31-35 está escrito:
“E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si. (…) Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar. E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.”
               Neste momento, Maria pensava que Yeshua estava louco, e por isso veio com os seus outros filhos para buscá-lo e resolver o problema. Por esse motivo Yeshua não a reconhece como sua mãe e diz que os seus parentes são quem faz a vontade do Pai. Fica claro que ela estava equivocada em relação ao chamado de seu filho, confirmando o que lemos em Salmos 69:8.
“Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe.”
               Isto nos mostra que num momento da vida de Yeshua, nem sua mãe, nem os seus irmãos, filhos de sua mãe, creram nele, conforme João 7:5.
“(Seus irmãos falaram desse modo porque não haviam confiado nele)”
               Depois de iniciar a porção com a questão da impureza do sangue do parto, agora todo o restante da parashá vai descrever com detalhes as manifestações de tsaráat. Embora tenha sido erroneamente traduzida como lepra, esta doença de pele tem pouca semelhança com qualquer moléstia corporal transmitida através do contato normal. Ao contrário, tsaráat é a manifestação física de uma doença espiritual, uma punição enviada por Deus, primeiro pelo pecado da maledicência, entre outras transgressões e comportamento anti-social.
               Há duas principais ideias fundamentais relativamente a esta praga. Alguns dizem que se trata de uma enfermidade extinta, mas a maioria dos analistas, pensam que é uma praga sobrenatural que o Eterno coloca sobre as pessoas que cometem certos pecados, especialmente o de lashón hará, a calúnia, a má língua. É descrita em dois largos capítulos, o que demonstra que é um assunto muito importante. Há outros textos nas Escrituras que falam desta praga. Esses textos podem ensinar algo mais sobre a sua origem.
Leia Ex 4:1-7, Nm 12:1-10, Dt 24:8-9, 2Cr 26:16-19, e 2Rs 5:1-27.

               Conhecida como “metsorá”, a pessoa afligida por uma mancha parecida com tsaráat na pele está sujeita a uma série de exames por um Cohen (sacerdote), que declara se o paciente está tahor (limpo) ou tamé (impuro). Quando uma pessoa tem esta praga não é considerada impura até que o sacerdote o comprove. Também, não se torna pura antes do sacerdote o declarar. Logo é o sacerdote que decide quando a pessoa está pura ou impura. O afetado não podia viver dentro da comunidade, mas sim fora, fora do acampamento ou fora da cidade se estivesse murada.
Segundo Maimónides, o propósito da declaração de impureza é:
§ Afastar todas as impurezas;
§ Preservar o santuário;
§ Aligeirar tão penosa carga e conseguir que o que é e não é impuro não entorpeça o homem em nenhuma das suas ocupações e que esse assunto somente diz respeito ao santuário e às coisas sagradas.
               Em Mateus 8:2-4 lemos:
“E, eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. E Yeshua, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra. Disse-lhe então Yeshua: Olha, não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.”
               Neste texto não se fala de curar uma enfermidade, mas sim, de limpar a praga de “tsaráat”. Yeshua não diz: “sê curado”; mas sim “sê limpo”. Yeshua não o curou, mas sim limpou-o. Isto leva-nos a crer que não se trata de uma enfermidade como as outras, mas sim de uma praga sobrenatural sobre aquele que não se arrepende em tempo útil.
              
Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.