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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Estudo da Parashá Nitzavim - Conexão Nitzavim com Escritos Nazarenos: A Escolha pela vida.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 51 – Nitzavim (Encontram-se)

Devarim/Deuteronômio 29:9-30:20

Haftará (separação) Is 61:10-63:30 e

B’rit Hadashah (Aliança Renovada) Rm 9:30-10:13 e Hb 12:14-15


Conexão Nitzavim com Escritos Nazarenos: A Escolha pela vida.


A parashá Nitzavim é mais um dos textos profundos da Torá, pois ele coloca diante de nós a decisão fundamental: vida e bênção ou morte e maldição. Essa porção nos mostra a renovação do pacto, a seriedade da idolatria, a promessa de restauração, a proximidade da Palavra do Eterno e a necessidade de escolher a vida.

Nos Escritos Nazarenos, Yeshua e seus talmidim confirmam essas mesmas verdades, revelando que o chamado de Moshe ainda ecoa para todos nós: amar o Eterno, andar em Seus caminhos e guardar os Seus mandamentos. Veremos nessa pequena reflexão a conexão que existe entre essa parashá e os Escritos Nazarenos, comprovando mais uma vez, que todo ensino de Yeshua e dos Talmidim eram alicerçados na Torá.



RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Nitzavim nos reúne diante da voz do Eterno, que chama todo o povo de Yisrael — chefes, anciãos, homens, mulheres, crianças e até mesmo o estrangeiro no meio do acampamento, a fim de reafirmar o pacto com Ele.

O Eterno renova o pacto não apenas com aqueles que estavam ali, mas também com os que ainda não tinham nascido. Ele alerta contra a idolatria, contra o coração que se afasta e segue outros deuses, trazendo maldição sobre a terra e exílio entre as nações.

Porém, o Eterno também anuncia a restauração: quando o povo se arrepender de todo coração e voltar a obedecer às Suas instruções, Ele os reunirá de todos os lugares para onde foram espalhados, circuncidará o coração deles e os abençoará novamente em sua terra.

O Eterno declara que Seus mandamentos não estão distantes, nem nos céus, nem além do mar, mas estão próximos, em nossa boca e em nosso coração, para que os cumpramos.

A parashá termina com uma escolha clara: vida e bem, ou morte e mal. O Eterno nos chama a escolher a vida — amar o Eterno, andar em Seus caminhos e guardar Seus mandamentos — para que vivamos, nós e nossos filhos, sobre a terra que Ele jurou a Avraham, Yitzchak e Yaakov.

A essência de Nitzavim é esta: “Quem ama o Eterno, segue os seus mandamentos. Devemos nos converter apenas ao Eterno!”


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

A palavra “Nitzavim” significa “estais de pé”, lembrando que todo Yisrael estava diante do Eterno para ouvir e assumir o pacto. Essa parashá mostra que a relação com o Eterno não é algo distante ou místico, mas real, presente e que exige decisão prática: servir ao Eterno com todo o coração e toda a alma.

Nos Escritos Nazarenos, encontramos a confirmação desse chamado. Yeshua e seus talmidim não trazem uma nova religião, mas reafirmam a mesma mensagem da Torá: o Eterno chama Seu povo a escolher a vida por meio da obediência aos Seus mandamentos. Vamos observar a conexão entre o que Yeshua e os talmidim ensinaram com esta parashá.


1. Todos diante do Eterno

Em Devarim 29:9-14, vemos que Moshe reuniu líderes, anciãos, homens, mulheres, crianças e até estrangeiros para o pacto. Isso revela que o chamado do Eterno é universal e inclui todos os que desejam serví-Lo. Nos Escritos Nazarenos, Yeshua declara em Yochanan 10:16: Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; também a elas é necessário que eu as conduza, e elas ouvirão a minha voz; então haverá um só rebanho e um só pastor.

Assim como Moshe, Yeshua mostra que o Eterno não limita Seu pacto a um grupo específico. O chamado é para todo aquele que se converter a Ele. O Eterno não faz acepção de pessoas.


2. Alerta contra a idolatria

No texto de Devarim 29:15-28, Moshe advertiu que quem se desviasse para servir outros deuses traria maldição sobre si e sobre a terra. A idolatria é a maior traição contra o Eterno. Assim, Shaul HaShamilach reforça essa mesma advertência, em 1 Corintiyim 10:14, dizendo: Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Ele lembra que idolatria não é apenas adorar imagens, mas colocar qualquer coisa acima da obediência ao Eterno. Assim como no deserto, a idolatria sempre leva à dispersão e à perda da bênção.


3. Promessa de restauração

Em Devarim 30:1-10, vemos que mesmo diante do exílio que permitiria que Yisrael fosse levado devido à desobediência, o Eterno prometeu reunir Seu povo e circuncidar o coração deles para que O amassem e vivessem. E também Shaul explica em Romiyim 2:29: Mas é Yisraelita o que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no ruach, não na letra. Essa circuncisão do coração é a mesma que Moshe anunciou, isto é, a transformação interior que leva à obediência verdadeira.

Yeshua confirma essa restauração quando fala do ajuntamento, em Mattityahu 24:31: E ele enviará os seus malachim com grande som de shofar, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma a outra extremidade dos shamaym. A promessa de Moshe encontra seu eco direto em Yeshua, porque o Eterno não abandona Seu povo, mas o restaura.


4. A Torá é acessível

Moshe em Devarim 30:11-14, falou algo que mostra claramente como as palavras do Eterno estão perto de nós, observe: Os mandamentos não estão distantes, nem nos shamaym nem além do mar, mas próximos, em nossa boca e em nosso coração. Rav Shaul faz um midrash citando esse texto em Romiyim 10:8, veja: “A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração.”

Note que ao contrário do que muitos dizem, ele não está anulando a Torá, mas reforçando a declaração de Moshe, pois o que o Eterno exige de nós já está acessível. Basta obedecer.

Yeshua confirma em Yochanan 14:23: Se alguém me amar, guardará a minha palavra. Ou seja, amar Yeshua é amar a Torá, pois Ele viveu e ensinou a Palavra do Eterno. Amar a Torá é obedecer as instruções nela contida, com isso amando ao Eterno.


5. Escolher a vida

Vemos em Devarim 30:15-20 o Eterno colocando diante do povo e de nós, duas opções, a vida e o bem ou morte e o mal. A vida está em amar o Eterno, andar em Seus caminhos e guardar Seus mandamentos. O nosso irmão mais velho, e messias, Yeshua ecoa esse chamado em Yochanan 14:6: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ele aponta que somente andando no caminho que Ele viveu, na obediência ao Eterno, podemos alcançar a vida.

Em Mattityahu 7:13-14, vemos: Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos entram por ela. Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos há que a encontrem. Moshe e Yeshua falam a mesma coisa, ou seja, a vida é resultado da escolha de obedecer ao Eterno com todo o coração.

Concluindo, este rápido estudo, tivemos a oportunidade de observar que a parashá Nitzavim e os Escritos Nazarenos caminham juntos no mesmo propósito. O Eterno nos chama a escolher a vida por meio da obediência aos Seus mandamentos. Por isso, Moshe apresentou diante de Yisrael a escolha fundamental, e Yeshua reafirmou essa mesma verdade, mostrando que amar o Eterno é andar em Seus caminhos.

Portanto, fazer teshuvah, e trilhar o caminho preparado pelo Eterno em obediência aos seus mandamentos é o melhor que podemos fazer, hoje, amanhã e no futuro.

Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Moshê Ben Yosef


quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Estudo da Parashá Ki Tavo - As Pedras Escritas e o Coração do Homem.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 50 – Ki Tavo (Quando vier)

Devarim/Deuteronômio 26:1-29:8

Haftará (separação) Is 60:1-22 e

B’rit Hadashah (Aliança Renovada) Mt 13:1-23, Rm 11:1-15


As Pedras Escritas e o Coração do Homem.


Nesta parashá vemos que, ao aproximar-se o momento da entrada de Yisrael na terra prometida, o Eterno ordenou algo que, à primeira vista, poderia parecer apenas simbólico: levantar pedras grandes, caiá-las com cal e nelas escrever todas as palavras da Torá. Entretanto, ao observarmos com atenção, percebemos que esse gesto não foi apenas uma lembrança externa, mas uma mensagem profunda para cada geração. Afinal, o que valem pedras com letras gravadas se o coração do homem permanece duro como rocha? Na verdade, o essas pedras representam profeticamente o coração do homem. E quando as palavras da Torá são gravadas nele a vontade do Eterno passa a ser parte da vida do homem.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Ao possuir a terra e colher seus frutos, cada homem deveria separar as primícias do campo e levá-las diante do altar do Eterno. Ali, deveria declarar a memória da nossa história: que éramos estrangeiros, que descemos ao Egito, fomos oprimidos, e o Eterno nos libertou com mão forte. Este ato era reconhecimento de que a terra e os frutos pertencem ao Eterno, e que tudo vem d’Ele.

No terceiro ano, chamado “ano do dízimo”, o povo devia separar parte da colheita para o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva, para que todos se saciassem, devendo ser repetido a cada três anos. Depois, o ofertante declarava diante do Eterno que tinha cumprido os mandamentos, pedindo bênção sobre Yisrael e sobre a terra.

Moshe lembrou que o povo tinha assumido a aliança de ouvir e obedecer ao Eterno com todo o coração e toda a alma. Em troca, o Eterno nos fez Seu povo especial, para sermos separados e exaltados entre as nações, como testemunho da Sua justiça.

Ao atravessar o Yarden, deveriam erguer grandes pedras, caiadas com cal, e nelas escrever todas as palavras da Torá. Um altar seria levantado ali para ofertas de paz, e o povo celebraria diante do Eterno.

Seis tribos ficariam no monte Gerizim para proclamar bênçãos, e seis no monte Eval para proclamar maldições. Os levitas declarariam maldições contra quem desonrasse pai e mãe, praticasse idolatria, oprimisse o necessitado, pervertesse a justiça ou transgredisse mandamentos ocultamente. O povo deveria responder: Amen!

Se Yisrael ouvisse a voz do Eterno, seriam exaltados sobre todas as nações. A bênção se estenderia às cidades, aos campos, à descendência, ao gado, às colheitas e ao trabalho das mãos. Seríamos cabeça e não cauda, abençoados em entrar e em sair, se permanecêssemos fiéis às instruções.

Mas, se rejeitássemos os mandamentos, sobre nós viriam maldições: peste, derrota diante dos inimigos, seca, fome, loucura, confusão. O povo seria disperso entre as nações, serviria a estrangeiros e passaria por sofrimento e vergonha, até que restássemos poucos em número. Esta é a parte mais longa da parashá, mostrando a gravidade da desobediência.

Moshe lembrou ao povo tudo o que o Eterno havia feito no Egito, as pragas, os sinais, o sustento no deserto. E disse: “Guardai as palavras desta aliança e cumpri-as, para que prospereis em tudo o que fizerdes”.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Em Devarim 27:1–8, as pedras erguidas e escritas eram um símbolo adiantado da aliança renovada. O povo deveria ver as pedras, lembrar e obedecer aos mandamentos. No entanto, o Tanakh já antecipava que o coração humano, muitas vezes, é mais duro do que a rocha. Por isso, o Eterno prometeu: “E vos darei coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei coração de carne” (Yechezkel 36:26).

Esse paralelo se aprofunda nos dias em que Yeshua ensinava: ele não trouxe uma “nova lei”, mas lembrou que a verdadeira obediência não está em sinais externos apenas, mas em ter a Torá viva e ativa no coração. E com isso as práticas dos homens demonstram ser a Torá. Assim como as pedras eram testemunhas em meio ao povo, o coração dos remanescentes hoje é chamado a ser testemunha viva diante do mundo.


1. As pedras erguidas: um memorial visível da Torá

As pedras em Eval e Gerizim tinham um propósito: lembrar Yisrael da aliança. Não podiam ser ignoradas, estavam diante de todos, no caminho da entrada à terra. Assim também, a Torá foi dada não para ficar escondida, mas para ser vista e vivida. Em Yehoshua 24:26–27, quando o povo renovou a aliança, novamente uma grande pedra foi erguida como testemunha, pois “ela ouviu todas as palavras que o Eterno nos falou”. Esse simbolismo mostra que o Eterno deseja testemunhas constantes, e a própria criação pode ser chamada como testemunha contra a infidelidade do homem. Por isso é importante que através de nossas práticas de justiça sejamos testemunhas do Eterno.


2. O coração como a verdadeira tábua

Em Yirmeyahu 31:33, encontramos o seguinte: “Porei a minha Torá no íntimo deles e a escreverei no seu coração”. O Eterno não queria apenas pedras com letras gravadas, mas homens e mulheres com a Sua palavra viva dentro de si. Um coração que obediente não porque é forçado, mas porque ama ao Eterno e a seus mandamentos.

Quando Yeshua ensinava sobre os mandamentos, ele os levava ao íntimo: não basta não matar, é preciso vencer o ódio; não basta não adulterar, é preciso guardar a pureza do olhar. Ele não substituiu as instruções, mas as gravou no coração de quem ouvia. Assim como as pedras estavam expostas ao povo, o coração do justo deve refletir a Torá ao mundo.


3. Os remanescentes: pedras vivas diante do Eterno

O TaNaKh mostra que sempre há um remanescente fiel, mesmo em tempos de exílio e desobediência, conforme lemos em Yesha’yahu 10:20–21:


Naquele dia, o remanescente de Yisrael, aqueles da casa de Yaakov que escaparam, não mais confiará no homem que os feriu, mas confiará no Eterno, o Santo de Yisrael. Um remanescente retornará, o remanescente de Yaakov, ao D’us poderoso.


Esses remanescentes são como pedras escolhidas, erguidas pelo Eterno para mostrar Sua fidelidade. Shaul, nos escritos nazarenos, também comparou os seguidores de Yeshua a “pedras vivas” que formam uma morada para o Eterno. Aqui está o mistério do futuro Beit Hamikdash que muitos não entendem, ele não será formado por pedras, mas por pessoas, os remanescentes justos que acordarem na primeira ressurreição.

Assim, o paralelo se fecha: as pedras erguidas no monte eram testemunhas visíveis; o coração transformado é a testemunha invisível, porém viva. O remanescente de Yisrael carrega em si a Torá, e através dos ensinos do Messias, é restaurado para viver plenamente a aliança, não de forma ritualista, mas de maneira verdadeira e obediente.

Ao concluir este estudo, devemos compreender que as pedras de Devarim não foram erguidas apenas para Yisrael do passado; elas ecoam até hoje como lembrete de que a Palavra do Eterno deve estar gravada em nós. O coração endurecido deve ser quebrado, para que o Eterno escreva nele as Suas instruções.

O remanescente fiel, sendo resgatado através dos tempos pelos ensinos de Yeshua, torna-se essa pedra viva: firme, visível e testemunha de que o Eterno é Rei Fiel. Obedecer ao Eterno não é apenas cumprir ritos, mas deixar que Sua Palavra molde cada pensamento e ação. Lembre-se que para ser parte do tempo futuro com o messias e parte do Reino do Eterno deve guardar os mandamentos por amor.

Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Moshê Ben Yosef


quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Estudo da Parashá Ki Tetse - A alegria da esposa redimida.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 49 – Ki Tetse (Quando saíres)

Devarim/Deuteronômio 21:10-25:19

Haftará (separação) Is 52:13-54:17 e

B’rit Hadashah (Aliança Renovada) Mt 19:3-12, 1Co 9:4-18


A alegria da esposa redimida.


Há cenas nas Escrituras que, à primeira vista, parecem duras, até desconfortáveis. Entre elas, encontramos o mandamento de Devarim 21:10-13, sobre a mulher cativa em tempos de guerra. O texto nos choca porque toca em um dos momentos mais sombrios da humanidade: a guerra, onde o instinto e a violência costumam governar. Mas, surpreendentemente, a Torá nos revela nesse cenário de dor um raio de luz, um princípio de dignidade, paciência e redenção.

Quando olhamos com atenção, percebemos que o Eterno está nos ensinando não apenas sobre disciplina e controle dos impulsos humanos, mas também sobre Seu próprio amor e maneira de agir com Yisrael. A mulher cativa se torna, no plano profético, a imagem da esposa redimida, Yisrael, que passou pela vergonha, pelo exílio e pela solidão, mas que é novamente acolhida pelo seu marido, o Eterno, por meio do messias, como anuncia Yeshayahu 54.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Ki Tetse reúne uma grande variedade de mandamentos que orientam a vida do povo de Yisrael em sua caminhada de obediência ao Eterno. Nela, encontramos instruções que abrangem tanto questões familiares como sociais, econômicas e até de guerra, mostrando que a santidade deve permear todas as áreas da vida.

O texto começa tratando das situações de guerra, quando um israelita deseja tomar uma mulher cativa. O Eterno ordena que até mesmo em tempos de conflito haja respeito e dignidade no tratamento dela. Em seguida, fala-se sobre os direitos de herança do primogênito, que devem ser respeitados independentemente da afeição do pai pelas esposas, e também sobre o destino do filho rebelde que não obedece à voz dos pais. Conclui-se essa seção com a instrução de que um homem executado não deve permanecer na estaca durante a noite, pois Yisrael é chamado a ser santo e não pode profanar a terra.

O Eterno também dá mandamentos que demonstram sensibilidade e cuidado para com os animais, como no caso de devolver o boi perdido ou libertar a mãe ao tomar os filhotes de um ninho. Há ainda instruções práticas para proteger a vida, como a necessidade de construir um parapeito no telhado. Outros mandamentos proíbem misturas de espécies diferentes, seja no campo, nos animais ou nos tecidos, para que Israel mantenha a ordem estabelecida pelo Criador.

A parashá também enfatiza a pureza no matrimônio e a justiça nos relacionamentos. Há leis sobre acusações de adultério, sobre divórcio e sobre a impossibilidade de o homem tornar a casar-se com sua primeira esposa após tê-la despedido. O recém-casado é lembrado de seu papel principal: alegrar sua esposa no primeiro ano de união. Além disso, o texto protege os mais frágeis da sociedade — o estrangeiro, o órfão e a viúva — ordenando que não se torça o direito deles e que as sobras da colheita sejam deixadas em favor deles.

O respeito pelo próximo se expressa também no campo econômico: proíbe-se cobrar juros do irmão, ordena-se pagar o salário do trabalhador no mesmo dia e se estabelece que os pesos e medidas devem ser justos. Até os animais são lembrados, com a ordem de não amordaçar o boi que debulha.

Outro ponto marcante é a lei do levirato (yibum), que assegura a descendência do irmão falecido através do casamento com o cunhado. Essa instrução reforça a importância da continuidade do nome dentro de Israel.

Por fim, a parashá conclui com a recordação da maldade de Amalek, que atacou Israel no caminho, e o mandamento de apagar a sua memória debaixo dos céus.

Assim, Ki Tetse mostra que a vida em obediência ao Eterno não se limita ao templo ou aos momentos de culto, mas se manifesta em cada detalhe da vida cotidiana, seja no campo, na casa, no trabalho, no casamento ou até mesmo em tempos de guerra. Como está escrito: “Agora, Israel, que é que o Eterno teu Elohim pede de ti, senão que temas ao Eterno teu Elohim, que andes em todos os seus caminhos, que o ames e o sirvas de todo o teu coração e de toda a tua alma; que guardes os mandamentos do Eterno e os seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem?” (Devarim 10:12–13).


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

No estudo que compartilhei ano passado sobre a parashá Ki Tetse, observamos como o mandamento da mulher cativa mostra a necessidade de frear o ímpeto do soldado, impondo-lhe tempo de espera, reflexão e teste de intenções. Era uma lição contra a precipitação, contra a ilusão da beleza momentânea, e a favor de um vínculo verdadeiro e duradouro. Na ocasião observamos profeticamente aquela mulher cativa se tornar noiva como representação dos remanescentes do Eterno. (Para ler o estudo acesse: https://souperegrinonaterra.blogspot.com/search?q=ki+tetse)

Hoje, queremos avançar dessa reflexão prática para uma visão profética mais profunda. O que significa essa imagem da mulher cativa para a relação do Eterno com Seu povo? Como ela se conecta com a haftará de Yeshayahu 54, onde Yisrael é descrita como a esposa abandonada que volta a ser amada?

Neste estudo, intitulado “A Alegria da Esposa Redimida”, vamos perceber que a mulher cativa é uma sombra da restauração de Yisrael e Yehudah, junto com pessoas das nações que se voltam para o Eterno. E veremos que o Mashiach, como representante do Eterno, cumpre o papel do esposo, chamando a esposa de volta ao lar da aliança, da mesma forma como o Eterno fez com Hoshea, o profeta.

Antes de qualquer coisa, vamos ler o texto de Yeshayahu 54, refletir em alguns pontos e depois damos continuidade no contexto deste estudo. A leitura é feita durante a live de comentários desse estudo.

Agora que lemos o texto do profeta, vamos entrar no estudo propriamente. Primeiro vejamos um pouco do contexto histórico do profeta Yeshayahu. De acordo com o Manual Bíblico da SBB, até este ponto do livro, este profeta se preocupou mais com a ameaça da Assíria. Tanto que o capítulo 39 faz transição para o grande período seguinte, o tempo do domínio babilônico. Há algumas discussões acerca do tempo da escrita do livro de Yeshayahu e se ele escreveu todo o livro ou mais duas pessoas posteriores teriam completado. Os profetas recebiam do Eterno visões detalhadas do futuro. Elas eram registradas de forma fragmentada, muitas vezes em códigos e sem ordem cronológica. Em 587 a.E.C, Yehudah foi devastada pela segunda vez (a primeira tinha sido em 598). O Beit Hamkdash (Templo da Santidade) foi destruído. A falsa esperança divulgada na época, de que o Eterno protegeria Yerushalaim em toda e qualquer circunstância foi desmascarada, e milhares de pessoas foram exiladas, conforme pode ser lido também em Yirmeyahu (Jr) 52:28-30. Dos capítulos 40-55 de Yeshayahu, o autor se dirige aos exilados abatidos.

Embora o Eterno os houvesse castigado pelas transgressões e idolatria, conforme haviam sido advertidos tantas vezes, ele ainda os amava. O povo podia confiar no Eterno, desde que voltassem ao caminho correto. O Eterno, diferente dos outros deuses tinha o poder de ajudá-los e sempre cumpre suas promessas. Isso é verdade até hoje! Este conjunto de capítulos onde 54 está inserido, estão repletos de esperança e consolo, por isso são conhecidos como “O Livro da Consolação de Yisrael”. Eles também vislumbram uma realidade profética que transcende ou ultrapassa em muito as circunstâncias de Yisrael do século 6 a.E.C. Os capítulos anteriores falavam de um rei que havia de vir, da descendência de David, isto é, o messias Rei. No entanto, estes capítulos falam de um “servo” futuro que realizaria os propósitos do Eterno, tendo que pagar um alto preço para isso, ou seja, fala do messias “Servo sofredor”. Sabemos que as duas partes de profecia falam do messias filho de David e do messias filho de Yosef, e sabemos que não são dois messias, mas um e apenas um que cumpre os dois papéis. O ponto de interseção entre os dois é justamente o que faz com que seja a mesma pessoa agindo em tempos diferentes, um tempo no futuro próximo da profecia, falando do messias sofredor, e outro tempo no futuro distante, com o retorno do servo sofredor como messias filho de David, o Rei.

Agora que entendemos um pouco do contexto histórico, vamos desenvolver mais o contexto profético observando a mulher cativa e a esposa abandonada no tempo.


1. A mulher cativa e a esposa abandonada

Nesta parashá, em Devarim 21, o soldado é instruído a não tomar a mulher cativa por impulso, isto é, não consumar sua união com ela sem antes observar alguns requisitos prescritos pelo Eterno, e um deles é dar-lhe um tempo de transformação e luto pela perda dos seus parentes. Somente depois que ela tivesse plena consciência de tudo a união poderia ser consumada. Isto exigia paciência da mulher para chorar sua amargura e tristeza, mas principalmente do homem, para aguardar o tempo certo da aceitação da mulher em se unir a ele.

Da mesma forma, em Yeshayahu 54, Yisrael aparece como a esposa abandonada, estéril por não ter tido filhos, ferida pela vergonha do exílio, mas que será acolhida novamente pelo seu marido. A profecia amplia a visão mostrando a complexa situação da mulher, que é um apontamento para os remanescentes da casa de Yisrael e de alguns gentios aproximados, que estavam vivendo em outros povos, mas foi recolhido pelo rei vencedor. E lhe é dito para deixar de lado a tristeza e a amargura e cantar e gritar de alegria pela restauração e aproximação com o Eterno.

Ambas as imagens revelam que o amor verdadeiro não se baseia na pressa ou no instinto, ou seja, não é no nosso tempo e nem do nosso jeito, mas respeitando o processo de transformação no tempo do Eterno. Na hora certa tudo acontecerá, e na verdade, muito já está acontecendo. Assim como a mulher cativa passa por um tempo de luto antes de ser recebida, Yisrael passa pelo exílio e pela disciplina antes de experimentar a restauração. Observe o seguinte verso: “Porque o teu Criador é o teu marido; HaShem Tzevaot é o seu nome; e o Santo de Yisrael é o teu Redentor.” Yeshayahu 54:5. O que nos leva ao segundo tópico, a respeito do messias como esposo profético.


2. O Messias como esposo profético

O Eterno é incorpóreo e indivisível, e por isso não pode ser literalmente marido no sentido humano. Mas, nas profecias, Ele tem se colocado como esposo de Yisrael para expressar resgate, intimidade, compromisso e amor eterno. O Mashiach, como representante do Eterno, por ser humano, cumpre esse papel terreno de conduzir o povo de volta à aliança.

Assim como Hoshea foi chamado pelo Eterno a viver, simbolicamente a dor e a restauração de um casamento, também o Mashiach representa esse vínculo: ele é o noivo que vem buscar a noiva desgarrada. Conforme podemos ver nos seguintes textos na visão de Yochanan conhecida como Apocalipse:


Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou. Ap 19:7.


Vi a cidade santa, a nova Yerushalaim, que descia do céu, da parte do Eterno, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. Ap 21:2


Um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas aproximou-se e me disse: “Venha, eu lhe mostrarei a noiva, a esposa do cordeiro.” Ap 21:9

Esses textos mostram que profeticamente o messias, o cordeiro, é o representante do Eterno, e que o termo noivo ou marido é um apontamento profético para o messias que o Eterno escolheu, e o que acontecerá no futuro. Ele não força, não invade, mas espera que ela faça teshuvah, que abandone os ídolos e volte ao lar. Veja: “Desposar-te-ei comigo em justiça, em juízo, em benignidade e em misericórdias.” Hoshea 2:19.

Profeticamente, isso aponta para a restauração de Yisrael e Yehudá, mas também para a inclusão de pessoas das nações que, deixando suas antigas práticas, passam a ser parte da casa do Eterno, obedecendo aos seus mandamentos e seguindo os passos do messias, como a mulher cativa que abandona seus adornos e se torna esposa dentro de Yisrael, seguindo o marido que a resgatou. E isso nos encaminha ao próximo ponto.


3. A alegria da esposa redimida

O clímax da profecia em Yeshayahu 54, conforme lemos, é a alegria da esposa que antes era estéril, solitária e rejeitada, mas agora é mãe de muitos filhos e cheia de honra. Essa é a alegria da esposa redimida: saber que a vergonha passou, que a rejeição foi temporária, e que a aliança de paz será eterna. Observe o seguinte verso: “Ainda que os montes se retirem, e os outeiros sejam abalados, contudo a minha bondade não se apartará de ti, nem o pacto da minha paz será removido, diz HaShem, que se compadece de ti.” Yeshayahu 54:10. A congregação nazarena, depois de resgatada e do tempo de espera passado, passa a ter alegria de pertencer ao povo e servir ao Eterno.

Essa alegria não é apenas para Yisrael histórico que voltou do exílio babilônico, e nem apenas para a Casa de Yisrael espalhada pelas nações desde 722 a.E.C, mas também para cada geração do povo do Eterno, inclusive para aqueles das nações que se unem ao pacto. O Messias chama todos para serem parte da noiva fiel, não por força, mas por amor, paciência e transformação, ou seja, a obediência é primordial. Assim, para que essa alegria possa ser concretizada na vida dessa mulher, isto é, das pessoas que formam a congregação nazarena, é preciso que se aproximem do Eterno através de atender o chamado do messias, o enviado do Eterno e da aceitação das condições estabelecidas. O resultado dessa aceitação é a alegria de viver a eternidade com o Eterno.

Sendo assim, concluindo nosso estudo, vimos que o mandamento da mulher cativa em Devarim 21 parecia estranho, mas, na verdade, é um retrato da sabedoria do Eterno: não basta conquistar por fora, é preciso conquistar o coração. Da mesma forma, o Eterno conquista Yisrael não pela força, mas pelo amor paciente e transformador.

Yeshayahu 54 nos mostra a esposa redimida, restaurada da vergonha para a honra, da esterilidade para a frutificação, da rejeição para a aliança eterna. Esse é o destino de Yisrael, de Yehudah e também das pessoas oriundas das nações que se unem ao Eterno por meio do testemunho do messias e fazem teshuvah.

O Mashiach, como noivo profético, convida todos a esse casamento. E nós, como esposa, somos chamados a responder com fidelidade, gratidão e alegria. Veja:

O ruach e a noiva dizem: Vem! E todo aquele que ouvir diga: Vem! Quem tiver sede, venha; e quem quiser beba de graça da água da vida (Torá). Ap 22:17.

Portanto, vivamos como a esposa redimida, com alegria, santidade e confiança firme nos mandamentos do Eterno. Quem ama o Eterno segue os seus mandamentos, e a alegria da esposa é saber que nunca mais será abandonada.

Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Moshê Ben Yosef


segunda-feira, 1 de setembro de 2025

A Bíblia, uma reflexão.

 



A Bíblia, uma reflexão. 

Enquanto terminava de ler um livro sobre escrita criativa, um dos exercícios que a autora passou para fixação do conteúdo, me levaram a pensar e comecei a refletir sobre a Bíblia. Resolvi então escrever algumas palavras sobre ela. A Bíblia é um livro formado por outros livros e também de cartas. Pensando bem, até seu próprio nome traz esse sentido, justamente por ser um conjunto de livros. A Bíblia não foi escrita de uma vez como um livro comum geralmente é escrito. Ela foi escrita durante vários anos, séculos e até milênios, por autores diferentes que viveram em localidades diferentes. Apesar de ter sido escrita por pessoas diferentes em localidades também diferentes, a língua original fora inicialmente o hebraico, a língua do povo a quem é referido seus textos, seja arcaico ou antigo, tendo sido feitas cópias posteriores em grego e aramaico. Partes dela foram escritas originalmente em placas de argila, depois em peles preparadas e outras em papiro.  Sendo no entanto, traduzido para muitas línguas e distribuídos em muitas nações. Atualmente, encontra-se diversas versões e modelos diferentes para gostos variados.


No entanto, não é porque a Bíblia está em quase todos os países do mundo, em formas múltiplas, que as pessoas dão-lhe a devida importância que deveria ter um livro tão antigo e com o valor que tem em si. Diz-se desse livro, ser a palavra de D'us e um manual de vida. Mas se isso é verdade, como tantas pessoas não absorvem e vivem seus ensinos? Como pode aqueles que a transportam em seus braços dizendo seguir seus ensinos não saberem o básico de seus textos? Pois muitos estão com ela em sua mão, contudo não em seu coração. Vários grupos de pessoas a utilizam como um guia da vida religiosa, como os judeus a quem é atribuída a origem dos textos, os cristãos, e aqui estão inclusos suas diversificadas vertentes, que se apossaram dela e absorveram mudando parte de seu entendimento para que fosse adequado à sua forma de pensar e de viver bem como também pessoas de outras religiões.  


A este livro é dado uma grande importância, cujo conteúdo gerou inúmeros filmes, séries e livros em todo o mundo. No entanto, isso não inibiu, as más interpretações que infelizmente, também geraram guerras, perseguições e até algo que em seus textos são contrários que é a idolatria. Tema que é muito recorrente em alguns meios religiosos que utilizam a Bíblia levando até mesmo a crimes, como exploração religiosa e estelionato. 


Porém, este livro pode ser a solução para muitos problemas que assolam as vidas das pessoas, mas por não ser levada a sério, fica relegada à um mero livro religioso. As instruções de vivência e práticas constantes em seu texto poderiam mudar a história de alguém que esteja passando por crises familiares ou no casamento. Alguém que esteja com problemas financeiros também poderia receber ajuda com sua leitura, pois há instruções a respeito de vida financeira em suas páginas. O problema é que nada disso se torna prático nas vidas que simplesmente deixam esse livro em algum canto da casa e às vezes no painel do carro pegando sol e poeira.


A Bíblia é uma fonte de águas cristalinas para qualquer sedento que sorva sua refrescância com tamanha sede, como a de um transeunte que encontra um oásis no deserto escaldante. Ela também serve de purificação para aquele que está sujo e deseja limpar-se. É pão e carne para o faminto. Remédio para o doente e uma lanterna para quem está caminhando na escuridão. A Bíblia, também conhecida como Escritura, só pode ser tudo isso, se as pessoas a desejarem, a estudarem e acima de tudo, a praticarem cotidianamente em suas vidas. Quando isso acontece, eles deixam de apenas possuir ou carregar a Bíblia, eles passam a ser a própria Bíblia. Como é o caso de alguém relatado em suas páginas como sendo o messias. Cuja vida foi exemplo de prática das palavras desse livro e que ensinou a viver e praticar.


A Bíblia contém a Palavra do Criador, sua vontade e orientação para o bem viver do ser humano que decide buscar a verdade. O Criador pode transformar sua vida através das palavras desse livro, dos ensinos do messias relatado neste livro. E se você está lendo este texto, pode também refletir sobre ele e perceber que o Eterno deseja que mude algo em sua vida. Estudar e praticar as palavras da Bíblia é o que pode te aproximar de D'us. Deixe de considerar esse livro como mais um livro, ou de achar que dá valor a ele, sem nunca tomar uma atitude verdadeira de praticá-la. Mude seu estado agora! Aproveite a oportunidade! Corra até ela e comece a lê-la.


Rav Moshê Ben Yosef