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quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Estudo da Parashá Ekev - Arrogância e ingratidão, cuidado!

 




Estudos da Torá

Parashá nº 46Ekev (Continuem)

Devarim/Deuteronômio DT 7:12-11:25,

Haftará (Separação) Is 49:14-51:3; e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mt 4:1-11; Tg 5:7-11.



Tema: Arrogância e ingratidão, cuidado!


Essa semana no estudo da Parashá Ekev, encontramos um alerta poderoso: o perigo da falta de humildade e ingratidão. Moshê, transmitindo a mensagem divina, adverte o povo sobre os riscos de se deixar levar pelo orgulho e pela arrogância, especialmente em momentos de prosperidade e sucesso iminente. Através dessa reflexão, somos lembrados de que a verdadeira grandeza reside na humildade e no reconhecimento da fonte de todas as bênçãos. Vamos explorar esses ensinamentos e descobrir como manter uma relação sincera e constante com o Eterno. E confirmaremos os entendimentos expostos pela Toráh e pelos profetas através da gematria de algumas palavras.

RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA


Êkev começa com Moshê encorajando os filhos de Israel a confiar em D’us e nas maravilhosas recompensas que Ele lhes dará se guardarem a Toráh. Moshê assegura-lhes que derrotarão com êxito as nações de Canaã, quando deverão remover todo e qualquer vestígio de idolatria remanescente na Terra Santa.

Moshê os lembra sobre o miraculoso maná e as outras maravilhas com que D’us os cumulou pelos quarenta anos passados, e ele adverte o povo judeu para estar consciente das armadilhas de sua futura prosperidade e orgulho das façanhas militares, o que pode fazê-los esquecer D’us. Ele os relembra ainda de suas transgressões no deserto, recontando toda a história do bezerro de ouro, e descrevendo a abundante misericórdia de D’us.

Moshê enfatiza que a geração do deserto tinha uma responsabilidade especial de permanecer leal às mitsvot, preceitos da Torá, por causa dos muitos milagres que vivenciaram pessoalmente. Após detalhar as numerosas virtudes da Terra Prometida, Moshê ensina ao povo o segundo parágrafo do Shemá, que enfatiza a doutrina fundamental de recompensa e punição, baseada em nosso cumprimento das mitsvot.

Esta Porção da Torá conclui com a promessa de D’us, uma vez mais, de que Ele protegerá o povo judeu se eles cumprirem as Leis da Toráh.



ESTUDO DO CONTEXTO LITERAL, PROFÉTICO E PRÁTICO


Ao lermos a passagem da parashá Ekev em que o Eterno, por meio de Moshê, adverte o povo quanto aos perigos da falta de humildade e da ingratidão, temos a oportunidade de fazer uma profunda reflexão sobre a importância de sermos humildades e agradecidos ao Eterno, diferente de atitudes negativas como arrogância e ingratidão. As Escrituras Sagradas, como nosso verdadeiro manual de instruções, nos trazem elementos importantes que podem nos ajudar a manter uma relação sincera e constante com o Eterno. Vemos no contexto histórico, no nível Pshat ou literal de interpretação judaica das Escrituras, que em um momento de grande prosperidade e sucesso iminente, pois o povo estava prestes a entrar em Kena’an, Moshê alertando o povo para não se deixarem levar pelo orgulho e pela arrogância. Este ensinamento, que ecoa através das gerações, oferece lições valiosas sobre como a verdadeira grandeza está enraizada na humildade e no reconhecimento da fonte de todas as bênçãos. Assim, veremos a seguir, alguns pontos nesse estudo da Toráh, que nos ajudarão a compreender um pouco mais este assunto, para que não venhamos cair em erros tolos como arrogância e ingratidão. E para isso, é importante conectar os ensinamentos da parashá Ekev com a haftará dos profetas e com os ensinamentos de nosso messias Yeshua, e também com os apóstolos.


A Armadilha da Arrogância

A armadilha da arrogância é um tema central. Quando o povo de Yisrael adentrasse a Terra Prometida e desfrutasse da prosperidade, haveria o risco de se exaltarem e esquecerem que todas as bênçãos vêm de D’us. Moshê adverte então, os filhos de Yisrael sobre o perigo de se deixar seduzir pela arrogância. Quando alguém alcança sucesso e prosperidade, como estava ocorrendo com o povo de Yisrael, há uma tendência natural de atribuir os feitos às próprias habilidades e esforços, esquecendo-se que todas as bênçãos vêm de HaShem. A Toráh, no entanto, adverte que toda a riqueza e sucesso vêm de D’us. Esta advertência se alinha claramente com a haftará em Yeshuayahu 49:14-51:3, Também na profecia do livro de Oséias. Este profeta Oséias faz um apelo para que Yisrael reconheça sua dependência de D’us e evite a adoração de ídolos, um reflexo do orgulho e da arrogância, veja o capítulo 3. Ele critica a tendência de atribuir as bênçãos a si mesmo em vez de reconhecer a fonte divina, vejam o capítulo 13 e capítulo 14:8.

Nos Evangelhos, Yeshua também ensina sobre a necessidade de humildade como vemos e Mt 5:5. Em Mateus 23:12, Ele diz: “Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.” A conexão aqui é clara: a humildade é valorizada e necessária para manter uma relação justa com o Eterno, e a arrogância pode levar ao afastamento espiritual e ao esquecimento de nossa dependência d'Ele, não é à toa que Sh’lomoh HaMelech (Rei salomão) disse que: “O orgulho vem antes da destruição…” Pv 16:18.

A arrogância ou orgulho, que se manifesta como uma sensação de superioridade e autossuficiência, pode rapidamente levar ao esquecimento da verdadeira fonte de nossas bênçãos. É essencial reconhecer que, por trás de cada conquista, existe uma força maior que nos guia e nos sustenta. A autossuficiência e o orgulho são, portanto, não apenas falta de caráter, mas também erros espirituais que afastam a pessoa de sua conexão com D’us. Por isso, a humildade e a gratidão são virtudes essenciais. Dessa maneira, reconhecer nossa dependência de D’us nos mantém alinhados com Sua vontade, a Toráh, e nos impede de cair na armadilha da arrogância. Assim, podemos aprender com os filhos de Yisrael, essas lições e cultivar um coração grato, lembrando que todas as bênçãos vêm do Criador.


A Gratidão Como Prática Diária

Moshê instrui o povo a bendizer ao Eterno em cada refeição e ato cotidiano, um lembrete constante de que todas as necessidades e prazeres vêm de HaShem. O texto do profeta Oséias também sublinha a importância da lealdade a D’us, chamando o povo a um retorno sincero à fé e ao agradecimento, contrastando com o comportamento idólatra, veja capítulo 5:5,13 e 7:10.

Nos ensinamentos de Yeshua, vemos uma ênfase semelhante na gratidão e na humildade. Em Lucas 17:11-19, Yeshua cura dez leprosos, mas apenas um retorna para agradecer. Yeshua destaca que o retorno e o agradecimento desse homem mostram a verdadeira fé. Este ato de gratidão não é apenas um gesto, mas uma expressão de reconhecimento da dependência de D’us. Assim, tanto a Toráh quanto os Evangelhos nos chamam a uma prática diária de gratidão que reforça nossa consciência da presença divina em nossas vidas.

A prática da gratidão deve ser um reflexo constante da nossa consciência de que nada do que possuímos é verdadeiramente nosso por direito. A gratidão, ao contrário da arrogância, reforça a nossa conexão espiritual e nos lembra de manter uma atitude de humildade. Ao reconhecer que cada momento de abundância é uma dádiva divina, cultivamos uma prática que nos mantém conscientes da presença e da generosidade de D’us em nossas vidas.

Vamos explorar como aplicar essa lição na vida diária:

- A gratidão glorifica ao Eterno, reconhecendo que tudo o que temos vem d’Ele.

- Ela nos ajuda a ver HaShem em todas as circunstâncias, trazendo paz e confiança.

- A gratidão nos coloca na vontade do Eterno, mesmo nos momentos difíceis.

Podemos destacar ainda exemplos de humildade na Bíblia, personificados nas vidas de alguns personagens, tais como:

- Yoseph, filho de Yaakov,

- Moshê; e

- O próprio Yeshua.

O Perigo do Esquecimento Espiritual

Moshê alerta sobre o esquecimento espiritual que pode ocorrer quando o povo experimentar prosperidade. Quando o povo de Yisrael entrasse na Terra Prometida e experimentasse seus frutos e riquezas, eles poderiam ser tentados a esquecer o D’us que os guiou e sustentou no deserto. Esse esquecimento não é apenas uma falha moral, mas uma forma de desconexão espiritual que pode levar à perda da verdadeira essência da nossa fé. A Toráh nos ensina que o reconhecimento contínuo da presença e da influência de D’us é essencial para uma vida de obediência equilibrada e autêntica.

Em Oséias, o profeta também adverte contra o esquecimento de D’us e o afastamento da verdadeira adoração, vejam Os 2:13 e 8:14, uma falha que leva a desastres espirituais e sociais. Nos escritos dos apóstolos, especialmente em Hebreus 2:1, há um aviso semelhante: “Por isso, convém que nos apeguemos com mais firmeza às coisas que temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas.” A mensagem é clara: a prosperidade e o sucesso podem facilmente nos distrair e nos levar ao esquecimento de nossa fé e dependência de D’us. É necessário um esforço consciente para manter a nossa conexão espiritual e a nossa fidelidade, mesmo em tempos de abundância.

Vejamos como cultivar a humildade diariamente em nossas vidas:

- Praticar a gratidão: Reconhecer nossas bênçãos e valorizar o que temos;

- Buscar sabedoria divina: Ler e estudar a Bíblia para aprender com os exemplos de humildade;

- Ouvir e valorizar os outros: Reconhecer o valor de cada pessoa e tratá-la com dignidade;

- Perdoar: Assim como D’us nos perdoa, devemos perdoar os outros;

- Evitar arrogância e vaidade: Lembrar que somos todos iguais perante D’us; e

- Servir ao próximo: Demonstrando amor e humildade.


A Responsabilidade das Bênçãos

Moshê também destaca que as bênçãos concedidas não são um reflexo da nossa perfeição moral, mas sim um cumprimento das promessas divinas. A terra de Yisrael é um presente, não um prêmio por mérito, e o povo deveria manter-se ciente de que a bondade de D’us é a base de todas as suas conquistas. Esta consciência evita o sentimento de merecimento e reforça a responsabilidade de viver de acordo com as mitsvot e os preceitos da Toráh. Ao manterem essa perspectiva, os filhos de Yisrael poderiam viver com uma verdadeira humildade e gratidão, honrando a promessa divina e as expectativas que vêm com ela.

O mesmo tema aparece no profeta Oséias, onde o povo é chamado a reconhecer que a prosperidade não é um sinal de favor especial, mas uma oportunidade para retornar à lealdade a D’us. Nos escritos dos apóstolos, especialmente em Tiago 1:17, lemos: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes.” O entendimento de que as bênçãos são dádivas e não meramente resultados de nossos próprios méritos reforça a necessidade de humildade e responsabilidade. Devemos viver de acordo com os princípios divinos e usar nossas bênçãos para servir ao Eterno e aos outros.


Algumas conexões gemátricas

Conforme muitos já sabem, a gematria é uma prática fascinante que atribui valores numéricos às letras e palavras hebraicas, revelando conexões ocultas e significados proféticos mais profundos. Vamos explorar alguns dos termos que encontramos nessa porção e suas implicações espirituais:

Ekev - עקב

O termo hebraico "Ekev" – עקב tem o valor numérico de 172, e pode ser analisado em vários contextos. Ele aparece no livro de Devarim/Dt 7:12: “E será que, por ouvirdes estes preceitos, e os guardardes, e os cumprirdes, o Senhor teu Deus guardará para contigo a aliança e a misericórdia que jurou a teus pais.”

Ekev significa “devido”, “como resultado de” ou “aquilo que segue atrás”. Sendo assim, pode representar a obediência contínua e a recompensa que vem como resultado. Este número 172 somado dá como resultado o número 10, que aponta para as dez palavras, para a letra Yud, que nos pictogramas aponta para mão, obras, e pode ser associado a conceitos de "caminho" e "resultados de ações", o que sugere a ideia de que a obediência e a prática das mitsvot levam a consequências positivas e recompensas. Se falamos em “caminho”, essa palavra em hebraico é דרך e seu valor é 224, cuja soma dá o valor de 8, que aponta para o nome do Eterno, a Torah e o nome de Yeshua, se sabemos que nome é caráter e isso aponta para a Torah, e a Torah é o caminho de justiça, a vontade de HaShem para o homem, Ekev aponta para as obras de justiça de Yeshua e dos homens que vivem segundo ele viveu. Isso é o que o Eterno espera que seu povo entenda, ao trazer a instrução nessa parashá.


Gratidão – תודה

O termo “Todah” - תודה cujo significado é "gratidão", “grato”, tem valor numérico 415, O número 415 tem somatório 10, que já disse acima seus apontamentos. No entanto, o valor 10 tem raiz 1, que aponta para a letra “Alef” – א cujo significado é força, e também aponta para o Eterno, por ser um. Isso sugere que a gratidão é um estado de reconhecimento perfeito das bênçãos divinas. A pessoa que é grata fica próxima do Eterno, por estar próximo de seus mandamentos.


Humildade - ענווה

O valor numérico de 137 para "humildade" – “anavah” - ענווה tem a soma 11, que é um duas vezes, cuja raiz é 2, apontando para a letra “Beit” – ב que nos pictogramas indica casa. Levando ao entendimento de que a pessoa humilde encontra refúgio no Eterno, através dos mandamentos ensinados por Yeshua, que veio para resgatar e unir as casas de Yisrael e Yehudah. Assim, a humildade é profundamente ligada à vida espiritual e à capacidade de reconhecer a verdadeira fonte das nossas bênçãos. A humildade não apenas preserva a nossa conexão com D’us, mas também nos mantém vivos quanto à prática da vida justa.

Finalmente, ao concluir nosso estudo, vimos que a porção Ekev da Torá oferece um poderoso lembrete sobre a importância de equilibrar a prosperidade com humildade e gratidão. Moshê ensina que o verdadeiro sucesso não deve levar ao orgulho, mas sim a um reconhecimento mais profundo da bondade e generosidade de HaShem. Conectando essas lições com a haftará de Oséias e os ensinamentos de Yeshua e dos apóstolos, vimos uma consistência clara na ênfase à humildade e à gratidão e os perigos de abandoná-los. A arrogância e o esquecimento espiritual são perigos que devem ser evitados, enquanto a prática constante de gratidão e a consciência da dependência divina são essenciais para uma vida de obediência equilibrada. Assim, percebemos a clareza de que a lição de Ekev, não é apenas um ensino antigo, mas uma verdade perene: a verdadeira grandeza e satisfação vêm do reconhecimento humilde da nossa dependência do Eterno e da prática contínua da gratidão por todas as Suas bênçãos, vivendo em obediência.


Que HaShem lhes abençoe!


Pr/Rav. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


sábado, 6 de julho de 2019

Estudo da Parashá Korach (Coré)


Estudos da Torá

Parashá nº 38Korach (Coré)
Bamidbar/Números Nm 16:1-18:32,
Haftará (Separação) 1Sm 11:14-12:22; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 19:1-30:47

1 - INTRODUÇÃO

Na parashá (porção) desta semana vamos tratar do assunto da rebeldia, rebelião e questionamento de autoridade. Veremos que isso aconteceu com Moshê e quais foram as consequências destes atos, e refletiremos sobre o resultado disso nas nossas vidas.

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS

Korach, o filho de Yitz’har, netode K’hat, bisneto de Levi, junto com Datan e Aviram, os filhos de Eli’av, e On, o filho de Pelet, descendentes de Re’uven, reuniram homens e se rebelaram contra Mosheh. Aliaram-se a eles 250 homens de Yisrael, líderes da comunidade, membros importantes do conselho, homens de bom conceito.” (Nm 16:1-2 - BJC)

O comentário da Torá nos diz o seguinte a respeito do primeiro verso dessa porção:
Esta porção semanal registra a primeira revolta contra a autoridade de Moisés e Aarão. Os interesses pessoais de Côrach motivaram a sua rebeldia. O descontentamento deste, nos diz o Midrash, surgiu porque Elitsafan, seu primo irmão, obteve um cargo ao qual Côrach se achava no direito de ocupar. Porém, Elitsafan tinha mais méritos: ele era mais apto que Côrach para as funções que lhe eram confiadas e Moisés não podia sacrificar o interesse geral em nome de idade e de família. Quanto a Datan e Abiram, a tradição nos ensina serem aqueles dois hebreus que brigaram no Egito e disseram então a Moisés: “Quem te pôs por homem, principe e juiz sobre nós?” (Ex 2:13-14) Eles eram também os mesmos homens que infringiram a prescrição de Deus relativa ao Maná (Ex 16:20). Côrach, conhecendo as más disposições destes, apoiou-se sobre essa classe de gente na sia revolta injusta.” (Torá – A Lei de Moisés, Ed. Sefer, 2001, Página 436)

Na leitura dessa porção, podemos perceber que o nome da parashá é o primeiro nome que aparece no texto, Korach (Coré), assim como também encontramos o nome de outros três. Segundo o que lemos no comentário da Torá transcrito acima, onde nos é informado o motivo pelo qual levou este homem a questionar a autoridade de Mosheh, e isso nos é confirmado mais à frente no texto, no verso 8-9.
Podemos assim, perceber que a Torá que nos apontar algo sobre o caráter deste homem chamado Korach. Embora fosse rico, estimado entre sua tribo e honrado com a tarefa de cuidar da Arca da Aliança, conforme Nm 4:15:

Quando Arão e os seus filhos terminarem de cobrir os utensílios sagrados e todos os artigos sagrados, e o acampamento estiver pronto para partir, os Coatitas virão carregá-los. Mas não tocarão nas coisas sagradas; se o fizerem, morrerão. São esses os utensílios da Tenda do Encontro que os coatitas carregarão.”

Korach não tinha sido nomeado líder dos Coatitas, mas sim Elisafã, um primo mais jovem. O avô de Korach, era Kehat (Coate), cf. Êxodo 6:18-22.

Os filhos de Coate foram Anrão, Isar, Hebrom e Uziel. Coate viveu cento e trinta e três anos. Os filhos de Merari foram Mali e Musi. Esses foram os clãs de Levi, por ordem de nascimento. Anrão tomou por mulher sua tia Joquebede, que lhe deu à luz Arão e Moisés. Anrão viveu cento e trinta e sete anos. Os filhos de Isar foram Corá, Nefegue e Zicri. Os filhos de Uziel foram Misael, Elizafã e Sitri.”

O pai de Korach era Izar, irmão de Uziel. E este era o pai de Elisafã. O pai de Korach era mais velho que o pai de Elisafã. Uziel mesmo sendo mais novo, seu filho Elisafâ foi eleito para ser o líder dos Coatitas, Conforme Nm 3:29-31.

Os clãs coatitas tinham que acampar no lado sul do tabernáculo. O líder das famílias dos clãs coatitas era Elisafã, filho de Uziel. Tinham a responsabilidade de cuidar da arca, da mesa, do candelabro, dos altares, dos utensílios do santuário com os quais ministravam, da cortina e de tudo o que estava relacionado com esse serviço.”

A inveja desses homens os levaram a dizer coisas que tinham aparência de verdade, como por exemplo o que Korach disse a Mosheh:

Vocês se valorizam em demazia! Afinal, toda a comunidade é sagrada, todas as pessoas, e Adonai está entre eles. Porque, então, vocês se elevam acima da assembléia de Adonai?”(Nm 16:3)

Toda a comunidade é santa, todas as pessoas, disse Korach, ou seja, todos poderiam exercer o ministério, mas isso contrariava a ordem de Adonai, que disse que somente os levitas poderiam servir.
Mas também disseram mentiras como Datan e Abiram:

Nós não subiremos! É algo sem importância ter-nos tirado da terra em que sobejam leite e mel para nos matar no deserto, a tal ponto que você se arroga o papel de ditador sobre nós?” (Nm 16:13)

Por acaso no Egito, para eles que eram escravos, era um lugar que emanava leite e mel? Eles eram bem tratados no Egito? Claro que não! Mas a inveja os cegou,assim como cega a todos os que vivem assim.

O tratamento do Eterno para a inveja

Alguns estudiosos defendem que Adonai deveria ter dado a Korach um cargo importante para que não se aborrecesse e assim, não se revoltaria. No entanto, com D’us não é dessa maneira que as coisas funcionam, pois o Eterno vê o coração do homem. E assim, como ele viu em Caim seu descontrole em relação a seu irmão Abel, estava olhando o coração de Korach e vendo seus reais motivos. O problema não está no cargo que D’us não deu àquele homem, mas na inveja e na falta de humildade dele. Por isso, a solução não seria dar a um homem ambicioso um cargo de responsabilidade, mas sim fazer com que ele se humilhe e aprenda a submeter-se aos líderes que YHWH instituiu sobre ele. E devemos aprender essa lição, e trazer para nossas vidas, pois não é porque entendemos que temos o direito, mais condições, ou mais conhecimento, que receberemos algum cargo ou autoridade no reino do Eterno. É ele quem planeja e estabelece quem vai usar e como vai usar, a nós cabe apenas aceitar sua vontade com humildade, e orar para que nosso irmão, que foi escolhido exerça com zelo e amor a autoridade que recebeu. Em Korach havia uma fonte insaciável, uma inveja implacável, que o levou à loucura e a autodestruição. Ele foi alcançado por sua própria inveja, arrogância e despeito.
Devemos perceber que essa escolha de outro líder que não Korach, era um tratamento de Adonai para curar a alma dele, porém ele se recusou tratar o pecado em sua alma, e desenvolveu um sentimento de revolta que cresceu de tal maneira que lhe custou a vida. Temos no entanto, nas Escrituras exemplos contrários que mostram que não houve ciúmes quando um irmão mais novo foi elevado a uma posição superior, como Moisés e Aarão; Efraim e Manassés.

Não devemos seguir os pensamentos errados

Outra coisa que devemos aprender é que, não é só porque alguém da nossa família tem um tipo de pensamento, que devemos seguir. Nessa situação de Korach, percebemos que seus filhos não estavam do lado dele, não tomaram partido, não penderam para o lado errado. Ao contrário dos filhos de Datan e Abiram, veja em Nm 16:27-32:

Eles se afastaram das tendas de Corá, Datã e Abirão. Datã e Abirão tinham saído e estavam de pé, à entrada de suas tendas, junto com suas mulheres, seus filhos e suas crianças pequenas. E disse Moisés: "Assim vocês saberão que o Senhor me enviou para fazer todas essas coisas e que isso não partiu de mim. Se estes homens tiverem morte natural e experimentarem somente aquilo que normalmente acontece aos homens, então o Senhor não me enviou. Mas, se o Senhor fizer acontecer algo totalmente novo, e a terra abrir a sua boca e os engolir, junto com tudo o que é deles, e eles descerem vivos ao Sheol, então vocês saberão que estes homens desprezaram o Senhor". Assim que Moisés acabou de dizer tudo isso, o chão debaixo deles fendeu-se e a terra abriu a sua boca e os engoliu juntamente com suas famílias, com todos os seguidores de Corá e com todos os seus bens.”

Se olharmos com cuidado as Escrituras perceberemos que a família de Datan e Abiram estavam ao lado dele quando o povo se afastou deles, mas a Torá não fala da família de Korach. Porque seus filhos não o seguiram, e por isso não tiveram o mesmo destino dos filhos de Datan e Abiram.

e os filhos de Eliabe foram Nemuel, Datã e Abirão. Estes, Datã e Abirão, foram os líderes da comunidade que se rebelaram contra Moisés e contra Arão, estando entre os seguidores de Corá quando se rebelaram contra o Senhor. A terra abriu a boca e os engoliu juntamente com Corá, cujos seguidores morreram quando o fogo devorou duzentos e cinqüenta homens, que serviram como sinal de advertência. A descendência de Corá, contudo, não desapareceu.” Nm 26:9-11


Com certeza, os filhos de Korach quiseram acabar com essa maldição familiar, tendo nomes importantes como o de Samuel, que foi um descendente de Korach, foram autores de vários Salmos como 42-49; 84 e 85; 87 e 88, e chegaram a ter cargos importantes no templo. Por isso encontramos os seus descendentes sendo mencionados em 1Cr 6:31-38:

Estes são os homens a quem Davi encarregou de dirigir os cânticos no templo do Senhor depois que a arca foi levada para lá. Eles ministravam o louvor diante do tabernáculo, da Tenda do Encontro, até quando Salomão construiu o templo do Senhor em Jerusalém. Eles exerciam suas funções de acordo com as normas estabelecidas. Estes são os que ministravam, junto com seus filhos: Dentre os coatitas: O músico Hemã, filho de Joel, filho de Samuel, filho de Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliel, filho de Toá, filho de Zufe, filho de Elcana, filho de Maate, filho de Amasai, filho de Elcana, filho de Joel, filho de Azarias, filho de Sofonias filho de Taate, filho de Assir, filho de Ebiasafe, filho de Corá, filho de Isar, filho de Coate, filho de Levi, filho de Israel.”

Quando se está feliz e fiel na posição e no chamado que o Eterno lhe colocou, no tempo certo receberá a devida recompensa. Conforme está dito pelo Apóstolo Pedro, se no humilhamos debaixo da mão poderosa do Eterno, ele nos exaltará no devido tempo, de acordo com 1Pe 5:5-6. Que tenhamos a atitude dos descendentes de Korach.

A questão da Autoridade de Yeshua

Nessa parashá, a porção referente a este assunto no Novo Testamento está em Lc 19:1-20:47. Entretanto, quero me ater a parte do capítulo 20, onde alguns sacerdotes, mestres da lei e anciãos vem questionar a Yeshua a sua autoridade. Para que se possa entender bem o contexto, leia desde o verso 45 do capítulo 19 até o verso 19 do capítulo 20, que não transcreverei aqui para poupar espaço.
Tendo lido todos os versos mencionados acima, podemos perceber que o questionamento aqui é o mesmo, de Korach, Datan e Abiram, ou seja: Quem é o escolhido de D’us? De quem é a autoridade de Yeshua?

Assim, como aqueles homens questionaram a autoridade de Mosheh sobre as decisões tomadas, os líderes religiosos hipócritas na época de Yeshua estavam questionando o que ele tinha feito no templo, ao expulsar os vendilhões da Beit Hamikdash (Casa da Santidade ou Templo Sagrado), conforme lemos em Lc 20:1-2. Ao que Yeshua responde com uma outra pergunta, sobre o batismo de Yohanan (João). Eles não respondem pois entendiam que se dissessem que o batismo era do céu, Yeshua os questionariam o porquê eles perseguiam Yohanan, mas se dissessem que era dos homens, então o povo os apedrejariam, porque era bem visto pelo povo. E, Yeshua então, diz que não lhes diria de onde vinha sua autoridade, e começa a contar uma Parábola (Agadá), sobre os lavradores maus.

Alguns detalhes dessa parábola:
- certo homem;
- uma vinha;
- arrendar;
- lavradores;
- 3 servos;
- o filho; e
- outros.

O significado de cada um deles:
- certo homem - o Eterno;
- uma vinha - Israel;
- arrendar - autoridade para cuidar (ensinar);
- lavradores - autoridades religiosas;
- 3 servos - os profetas do Eterno;
- o filho - Yeshua; e
- outros - Yeshua em sua volta.

Alguns ali que ouviram a Agadá disseram que não fosse assim, então Yeshua cita as Escrituras, fazendo um Midrash. E os religiosos entenderam que era deles que estava sendo falado.

O que podemos e devemos aprender com essa porção é que o Eterno enviou Yeshua seu filho, para receber sua porção dos lavradores a quem ele tinha arrendado a vinha, mas ele foi morto e ressuscitou, e retornará para tomar a vinha para si mesmo, e ele mesmo cuidará dela. A autoridade de Yeshua, assim como a de Mosheh no deserto, foi dada por Adonai, e aqueles que questionaram sabiam disso, mas mesmo assim, levantaram-se contra. E enquanto nós formos humildes e reconhecermos a autoridade da Torá e de Yeshua em nossas vidas, estaremos seguindo em frente em direção à vontade do Eterno.

Concluindo, devemos viver em nossas vidas de acordo com os filhos de Korach, que em detrimento de seu pai estar errado, eles tomaram a decisão de viver a verdade da vontade de Adonai. Assim como o Mashiach Yeshua, viveu de acordo com a vontade do Eterno e nos abriu o caminho para nos aproximar do Pai, e nos afastar do caminho da rebeldia e dos questionamentos. Vivamos segundo o que Adonai estabeleceu para cada um de nós, pois a cada um ele deu um talento, conforme Mt 25:14-30.

Bibliografia:

- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.
- http://shemaysrael.com/parasha-korach/
- http://www.yeshuachai.org/forums/topic/parasha-korach-cora-rebeldes/
- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/38-_korach_cor.pdf