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sábado, 20 de agosto de 2022

Estudo da Parashá Êkev (Pois que)

 


Estudos da Torá


Parashá nº 46 – Êkev (Pois que)

Devarim/Deuteronômio Dt 7:12-11:25

Haftará (Separação) Is 54:11-55:5; e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Jo 7:1-8:59.


1 - INTRODUÇÃO

Encontramos no site Chabad um interessante resumo dessa porção, ao qual menciono abaixo.

A parashá Êkev começa com Moshê encorajando os filhos de Israel a confiar em D’us e nas maravilhosas recompensas que Ele lhes dará se guardarem a Torá. Moshê assegura-lhes que derrotarão com êxito as nações de Canaã, quando deverão remover todo e qualquer vestígio de idolatria remanescente na Terra Santa.

Moshê os lembra sobre o milagroso maná e as outras maravilhas com que D’us os cumulou pelos quarenta anos passados, e ele adverte o povo de Yisrael, mais uma vez, para estar consciente das armadilhas de sua futura prosperidade e também do orgulho das façanhas militares, o que pode fazê-los esquecer a D’us. Ele continua os relembrando de suas transgressões no deserto, recontando toda a história do bezerro de ouro, e descrevendo a abundante misericórdia de D’us.

Moshê enfatiza que a geração do deserto tinha uma responsabilidade especial de permanecer leal às mitsvot, preceitos da Torá, por causa dos muitos milagres que vivenciaram pessoalmente. Após detalhar as numerosas virtudes da Terra Prometida, Moshê ensina ao povo o segundo parágrafo do Shemá, que enfatiza a doutrina fundamental de recompensa e punição, baseada em nosso cumprimento das mitsvot.

Esta Porção da Torá conclui com a promessa de D’us, uma vez mais, de que Ele protegerá o povo se eles cumprirem as Leis da Torá.


2 - ESTUDO DAS PALAVRAS

Em primeiro lugar vejamos o que significa a palavra Êkev, que dá nome a esta porção. Segundo o comentarista da Torá a palavra Êkev, em hebraico, que significa nesse versículo “por causa, pois que”, tem uma grande semelhança com a palavra Akêv, cuja tradução literal é “calcanhar do pé”. De acordo com o Midrash (Ialcut 846), se guardamos os preceitos que nos parecem insignificantes, e aos quais pisamos, por assim dizer, com os calcanhares, o Eterno, nosso Deus, também guardará a aliança e a bondade prometida sob juramento a nossos pais. Ainda de acordo como o comentário da Torá, toda essa parashá é uma vibrante e veemente elocução de Moshê ao povo de Israel.

Segundo o site Chabad, à primeira vista, a pessoa poderia dizer instintivamente que o Midrash significa que se você for tão cuidadoso em cumprir até mesmo as minúcias da Torá, então as recompensas ilimitadas de D’us serão suas. No entanto, observando mais atentamente poderemos ver o que realmente isso quer dizer: A recompensa vem por cumprir as "menores" mitsvot e por não fazer distinção entre elas e aquelas consideradas mais "sérias". Isso levanta vários questionamentos. Por que não deveríamos distinguir entre elas? É justo determinar que a recompensa vem por realizar as "menores" mitsvot da mesma forma que ocorre com o cumprimento das mais 'sérias"? Além disso, qual é a definição de uma mitsvá que alguém "esmagaria sob o calcanhar"? Finalmente, por que nossos sábios selecionam o calcanhar como oposto a nomear todo o pé como o culpado que tão impiedosamente pisoteia a palavra de D'us?

Os rabinos explicam que as mitsvot que tendem a ser pisoteadas são aquelas que entendemos como não merecedoras de grande recompensa. Se nossa atitude para com a Torá é meramente utilitária, que temos o direito de escolher o que é melhor para nós e portanto escolhemos a Torá, pode-se prontamente entender como aquelas mitsvot que não proporcionam os maiores benefícios possam ser “varridas para debaixo do tapete” em favor das “grandes mitsvot”. Porque eu deveria escolher o que é melhor par mim?

Entretanto, segundo o mencionado site, podemos entender que, não temos qualquer direito de escolher de quais mitsvot gostamos ou não, e reconhecemos que o Eterno nos abençoou com a oportunidade de servi-lo quando guardamos Sua Torá e que Sua vontade é correta não importando aquilo que pensamos, assim devemos nos agarrar a oportunidade de cumprir qualquer mitsvá, independente de seu “valor” percebido.

Por isso, o que fica evidente é que as mitsvot tidas como as "menores" tornam-se o teste crucial, através do qual demonstramos nossa verdadeira atitude em relação à Torá.

Segundo o site da singoga Shaarei Shalom, esta parashá contém alguns paradoxos. Veja, que a palavra “Êkev” tem um significado muito elevado, pois fala das “Recompensas” que recebemos quando seguimos a Torá. Ao mesmo tempo, conforme vimos “Êkev” também significa “Calcanhar”, que é o nível mais baixo do corpo de uma pessoa. Assim, para que possamos receber as mais altas recompensas prometidas por D’us, devemos ser humildes como um calcanhar, percebendo que tudo o que temos é realmente um presente.

Leiamos os seguintes versos:


Será, pois, que, se ouvindo estes juízos, os guardardes e cumprirdes, o Eterno teu Elohim te guardará a aliança e a misericórdia que jurou a teus pais; e amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vacas, e o rebanho do teu gado miúdo, na terra que jurou a teus pais dar-te. Bendito serás mais do que todos os povos; não haverá estéril entre ti, seja homem, seja mulher, nem entre os teus animais. E o Eterno de ti desviará toda a enfermidade; sobre ti não porá nenhuma das más doenças dos egípcios, que bem sabes, antes as porá sobre todos os que te odeiam. Pois consumirás a todos os povos que te der o Eterno teu Elohim; os teus olhos não os poupará; e não servirás a seus deuses, pois isto te seria por laço. Se disseres no teu coração: Estas nações são mais numerosas do que eu; como as poderei lançar fora? Delas não tenhas temor; não deixes de te lembrar do que o Eterno teu Elohim fez a Faraó e a todos os egípcios” Dt 7:12-18.


O texto dessa parashá, além de mandamentos traz ainda promessas que alimentam as esperanças do povo de Yisrael naquele período de conquistas. Ele se inicia falando sobre o ouvir e obedecer aos juízos do Eterno. Note que a palavra “juízos”, segundo o site Shema Ysrael, vem do termo hebraico mishpat que guarda o significado de “justiça, ordenança, costume, maneira” e nos fala ainda, sobre determinações práticas que o Eterno deu ao seu povo para que tivessem conhecimento e as cumprissem. Vemos assim, que Moshê está mostrando ao povo que o Eterno é aquele que está envolvido diretamente na concessão destes juízos ao seu povo.

É importante destacar ainda, que o texto dos versos iniciais dessa porção, nos diz que quando o povo de D’us obedece guardando a aliança, o Eterno também guarda a aliança e a misericórdia que jurou aos patriarcas. Quando Moshê menciona a “aliança” a palavra é berith”, que significa “pacto com derramamento de sangue”, e a palavra misericórdia vem o hebraico “hesed”, que significa “bondade amorosa, misericórdia”.

A aliança que foi feita pelo Eterno com Avraham é um reflexo do grande amor que ele mesmo manifesta ao seu povo, pois nós sabemos que numa aliança ou pacto estão envolvidas duas partes, e que o rompimento desta aliança se dá quando uma das partes “fere” os termos contratados, e isso nunca foi feito pelo Eterno! Perceba ainda que, historicamente, quando Yisrael “rompia” o contrato, o Eterno sempre aguardou que houvesse arrependimento para conceder-lhes o perdão e consequentemente o reatamento da aliança! É isso que costumamos chamar de “misericórdia”, que é a bondade amorosa do Eterno, que entra em ação.

Em todo esse fervoroso discurso, ele acentua a relação existente entre a Torá, como doutrina de vida, e o estilo de viver toraísta; entre a felicidade humana e as boas ações; entre a obediência aos ensinamentos da Torá como filosofia de vida e a recusa à inércia, e tudo isso serve para cada um de nós.

Os versos de Devarim/Deutronômio 7:12-18, que lemos acima, ensinam que há condições para que o Eterno mantenha a aliança que jurou aos patriarcas e aos filhos de Yisrael. Eles também falam sobre as consequências da fidelidade à aliança, ou seja, as bençãos relacionadas à obediência.

Então devemos entender que existem condições e consequências. Vejamos então as condições:

- ouvir e obedecer aos mishpatim (juízos, regras -leis sociais);

- guardar os mishpatim; e

- cumprir os mishpatim.


Vejamos também as consequências:

- O Eterno guardará a sua aliança com Yisrael;

- O Eterno guardará a sua misericórdia com Yisrael;

- O Eterno amará Yisrael;

- O Eterno abençoará Yisrael;

- O Eterno multiplicará Yisrael;

- O Eterno abençoará os filhos de Yisrael;

- O Eterno abençoará os produtos agrícolas;

- O Eterno abençoará a produção de animais dos israelitas;

- Os israelitas usufruirão mais do bem estar que os outros povos;

- Não haverá esterilidade em israelitas ou nos seus animais;

- Não haverá enfermidades entre o povo;

- Doenças vão atingir os inimigos de Israel; e

- Os israelitas serão capazes de exterminar as sete nações.


Ainda nos versos que mencionamos anteriormente, o verso 13 diz:


e amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vacas, e o rebanho do teu gado miúdo, na terra que jurou a teus pais dar-te.”


Podemos notar que neste verso há mais consequências da misericórdia ou bondade amorosa do Eterno, que resultando da obediência trazem bênçãos. A palavra traduzida para abençoar vem do termo hebraico “barak” e significa “dar poder a alguém para ser próspero, bem-sucedido e fecundo”, conforme vimos no estudo da parashá “Lech Lechá - Sai por ti mesmo”. A palavra “multiplicar” foi traduzida do termo hebraico “rabâb” que significa “ser numeroso, tornar-se numeroso”. Com isso, podemos comprovar algo que sempre dizemos, que a obediência traz consigo uma espécie de “unção” que nos dá condições de sermos prósperos e fecundos em várias áreas de nossas vidas, nos tornando capazes de gerar outros como nós.

Acho importante pontuar também que o Eterno afirma que desviaria do povo de Yisrael as enfermidades. E a palavra que foi traduzida para “enfermidades” vem do hebraico “holî” e significa “doença, enfermidade”. E ela aponta para doenças com origem física, por exemplo, gerada por uma queda, ou de origem patológicas, que são geradas mentalmente, mas que podem ser percebidas no físico.

O afastamento das enfermidades é uma consequência da obediência às leis sociais, os mishpatim. A promessa mencionada manteve-se vigente por causa da vida justa de Yeshua, mas só será plenamente efetivada quando ele retornar. Assim, a consequência final e certa para os obedientes é a ressurreição para viver com Yeshua na terra, pois hoje esta terra está muito contaminada.

O Eterno promete a cura divina, entre outras coisas, mas Yisrael foi infiel à aliança. É por isso que mesmo os verdadeiros servos do Eterno adoecem hoje, pois sempre há algo que ainda transgredimos mesmo sem perceber, além de que tudo isso também tem a ver com o bom trato que devemos ter com nosso corpo, ao obedecer os mandamentos de purificação e alimentação que o Eterno ordenou para o bem de seu povo.

Entendamos que ao ler os textos dessa porção vemos que as condições de obtenção dos benefícios da aliança, primeiramente, tem a ver com a fidelidade às leis que envolvem o amor ao próximo, ou seja, as leis sociais. A obediência aos mishpatim que são leis sociais, é uma condição para receber o amor de HaShem. E assim, temos a oportunidade de aprender que o amor que o Eterno nos demonstra está relacionado com o amor que demonstramos ao próximo.

Esse mesmo princípio pode ser encontrado em textos apostólicos na B’rit Hadashá, conhecido como Novo Testamento, onde vemos que o amor que mostramos ao próximo é um reflexo do amor que temos para com o Pai, conforme lemos nos versos abaixo:


Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte.” 1Jo 3:14


Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte.” 1Jo 3:23


Quem não ama não conhece a D’us, porque D’us é amor...

...Ninguém jamais viu a D’us; se nos amarmos uns aos outros, D’us permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós...

...Se alguém afirmar: "Eu amo a D’us", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a D’us, a quem não vê.” 1Jo 4:8,12, 20.


A relação entre cada um de nós e nosso próximo determina como é o nosso relacionamento com o Pai. Não é possível servir ao Eterno, sem amar os irmãos, os nossos semelhantes. É impossível obter os benefícios da aliança sem estar bem uns com os outros.

Estamos falando de obediência, de agradar ao Eterno com nossas vidas e de escolher obedecer. Mas como podemos agradar ao Eterno? Vale à pena escolher obedecer?

Ainda no verso 12 de Devarim/Dt 7 lemos o seguinte:


Será, pois, que, se ouvindo estes juízos, os guardardes e cumprirdes, o Eterno teu D’us te guardará a aliança e a misericórdia (Graça/(Chesed) que jurou a teus pais;”


E também em Hb 11:6, lemos:


Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de D’us creia que ele existe, e que é galardoador (recompensador) dos que o buscam.”


É importante salientar a importância de crer em D’us. E talvez você diga: Eu acredito que Ele existe! No entanto, eu sou obrigado a lhe dizer que isto não é crer. Essa forma que a maioria das pessoas pensam, ou seja, que crer é acreditar na sua existência, é um conceito greco-romano, onde a crença se faz pela percepção do intelecto. Isto não é suficiente por não ser o conceito bíblico de crer. Veja o que Yakov/Tiago diz sobre isso em sua epístola:


Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem — e tremem!” Tg 2:19


A crença, ou crer em D’us, está relacionado com confiança, obediência, firmeza de propósitos e podemos confirmar isso com o que Yeshua diz em Yochanan/Jo 7:38:


Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”


Crer no sentido das Escrituras é ter experiência com o Eterno, e isso só é possível mediante a obediência às suas Palavras, a Torá. Não existe crença em experiência. É preciso ser fiel ao Eterno, e para isso é necessário a fidelidade à sua vontade, expressa na Torá. Já estudamos que o conceito original de fé é “emunáh”, palavra hebraica, que denota fidelidade, firmeza confiança.

A emunáh começa quando o Eterno se revela a pessoa e depois desta experiência ninguém conseguirá convencer a pessoa do contrário, e o próximo passo será o reconhecimento de que é necessário obedecer ao Eterno. É isso que Moshê está orientando aos Israelitas nessa porção, a serem firmes ouvindo, guardando e cumprindo as mitsvot.

O ensino dessa parashá está nos mostrando que não podemos ficar só estudando, é importante buscar a prática. O estudo pode nos levar a crer com o intelecto, já a prática nos leva a comprovar e testemunhar o que estudamos. Esta é a fé que o autor aos Hebreus está dizendo que agrada a D’us.

Vamos falar um pouco sobre o “amor”. A palavra hebraica que foi traduzida para amar é “ahav”, que trás os seguintes significados “amar, desejar, querer, apaixonar-se, sentir carinho, afeto e afeição, sentir paixão, gostar, entre outras.” De acordo com o site Emunah a fé dos santos, existem dois tipos gerais de amor:

1 – Amor condicional – é quele que ama dependendo das atitudes, do modo de ser ou do comportamento de outro. Um exemplo disso são as palavras de Yeshua em Yochanan/Jo 14:23, que trás:


Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará...”


2 – Amor incondicional – é aquele que ama independente das atitudes, do modo de ser ou do comportamento do outro. Podemos ver um exemplo desse amor em Dt 7:7 e 8, que diz:


O Eterno não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos, mas porque o Eterno vos amava; e, para guardar o juramento que jurara a vossos pais, o Eterno vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito.”


Ainda outro exemplo encontramos na epístola ao Romanos 5:6-10:


Porque Yeshua estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas o Eterno prova o seu amor para conosco em que Yeshua morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue (vida justa), seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com o Eterno pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida”.


No texto de Devarim/Deuteronômio, que lemos acima, é da porção passada da Torá, e vemos nele que o pacto é condicional, de maneira que o Povo tem de cumprir os mandamentos para se manter dentro da aliança. E o mesmo se repete nessa parashá que estamos estudando. A idolatria quebra a aliança entre o Eterno e Yisrael tal como o adultério rompe a aliança matrimonial entre os conjuges. Aquele que comete o adultério quebra a aliança do matrimônio, assim como, aquele que comete idolatria quebra a aliança com o Eterno. Por isso, aquele que não cumpre o mandamento da circuncisão está fora da aliança da circuncisão e não pode tirar proveito dos seus benefícios. Uma aliança tem condições para ambas as partes.

A aliança que o Eterno fez com Avraham conforme vemos em Gn 15 é incondicional. Poderíamos até dizer que através desta aliança o Eterno colocou a própria existência em jogo. Se ele não cumprir as suas promessas feitas no pacto deixará de Ser. Embora saibamos que isso não é possível, mas é uma forma de ver a situação da aliança. Por isso, que o próprio Eterno toma a iniciativa de mudar o coração do povo de Yisrael para que guardem os Seus mandamentos, para que as promessas feitas na aliança possam ser aplicadas, como lemos em Ezequiel 36:22-27:


Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o Eterno: Não é por vosso respeito que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanaste entre as nações para onde vós fostes. E eu santificarei o meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; e as nações saberão que eu sou o Eterno, diz o Eterno, quando eu for santificado aos seus olhos. E vos tomarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Então, espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu espírito e farei que andeis nos meus estatutos [chukim], e guardeis os meus juízos [mishpatim], e os observeis”.


Em Deuteronômio 7:9, também da porção passada, está escrito:


Saberás, pois, que o Eterno, teu Elohim, é Elohim, o Elohim fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos;”


Podemos ver com isso que os textos nos ensinam que a aliança do Sinai é condicional. Por outro lado, há uma profecia que diz que Israel continuará a ser um povo enquanto existam as leis naturais, como está escrito em Jeremias 31:35-36, conforme lemos:


Assim diz o Eterno, que dá o sol para luz do dia e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que fende o mar e faz bramir as suas ondas; o Eterno dos Exércitos é o seu nome. Se se desviarem estas ordenanças de diante de mim, diz o Eterno, deixará também a semente de Israel de ser uma nação diante de mim, para sempre.”


Será que Yisrael não deixou de ser fiel à aliança? Se a existência de Yisrael depende da sua fidelidade ao pacto, como pode o Eterno prometer que Yisrael nunca deixará de existir? A resposta é: por causa do remanescente. O que fez com que estas promessas pudessem ser estabelecidas é a existência de um remanescente fiel, um pequeno grupo dentro de Yisrael. Sabemos que sempre houve, e sempre haverá, um remanescente fiel ao pacto, à aliança. Este remanescente tem sido, e continua a ser, a salvação para o resto do povo. Sem esse remanescente, Yisrael teria sido destruído como Sodoma, de acordo com Isaías 1:9, onde está escrito:


Se o Eterno dos Exércitos nos não deixara algum remanescente, já como Sodoma seríamos e semelhantes a Gomorra”


Também lemos na epístola aos Romanos 11:1-6:


Digo, pois: porventura, rejeitou o Eterno o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. D’us não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala o Eterno contra Israel, dizendo: o Eterno, mataram os teus profetas e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também agora neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça. Mas, se é por graça, já não é pelas obras legalista; de outra maneira, a graça já não é graça”


Devemos entender que o amor ao Eterno, e principalmente, do Eterno, é que geraram o remanescente que existiu e que continua a existir em Yisrael, e isso é o que faz com que as alianças possam continuar em vigor e que o Eterno cumpra as suas promessas, a restauração para Yisrael nos últimos tempos.

Concluindo nosso estudo quero te fazer uma pergunta: Você faz parte desse remanescente? E o que tem feito para cumprir sua parte na aliança? E tem resgatado outros remanescentes que ainda estão precisando fazer teshuváh?

Que possamos ser parte desse remanescente hoje e principalmente, no futuro, quando o messias vier e implantar o Reino do Eterno.

Que o Eterno os abençoe!


Pr. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yossef)


Bibliografia:

- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer

- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/

- http://www.chabad.org.br

- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/parasha_46-_ekev_consequncia.pdf

- http://sinagogashaarei.org/recompensa-parashat-ekev/

- https://caminhosdatorah.org.br/parasha-ekev-em-razao-de/


sábado, 2 de outubro de 2021

Parashá nº 1 - Bereshit - 2021-2022

 

Estudos da Torá

Parashá nº 1 – Bereshit (No Princípio)

Bereshit/Gênesis 1.1-6.8

Haftará (separação) Is 42.5-43.10 e B’rit Hadashah (nova aliança) Mt 1:1-23 e Jo 1:1-2


1 - INTRODUÇÃO

Na semana que passou reiniciamos o ciclo de estudos da Torá, juntamente com nossos irmãos judeus, judeus messiânicos, judeus nazarenos e crentes em Yeshua que guardam os mandamentos em todo o mundo.

Este é o livro dos começos. Podemos aprender muita coisa ao estudarmos a Torá com singeleza de coração, amor e dedicação, pois é a revelação da vontade do Eterno ao ser humano. E como vocês já sabem, Torá é o nome dos cinco primeiros livros da Bíblia, também chamado de pentateuco, quando foi traduzido para o grego.

Bereshit é o nome hebraico do primeiro livro da Torá, que significa “no princípio”, e Gênesis nas Bíblias traduzidas para português, significando “origem”. Bereshit também é o nome dessa primeira porção ou parashá, assim como é a primeira palavra que aparece no texto em hebraico. Estes significados, segundo a introdução da Torá da Editora Sefer, são bem adequados a um livro que trata da criação do mundo, das origens do gênero humano e da iniciação história do povo hebreu.

Podemos dividir o livro em três partes: a primeira trata do princípio do mundo e da humanidade, nos capítulos 1 a 11; a segunda parte trata da vida dos patriarcas, nos capítulos 12 a 36; e a terceira e última parte desse livro, trata da história de Yossef/José, do capítulo 37 até o último capítulo do livro.

Sempre tentou-se desmembrar esse livro, no sentido de diminuir sua importância, porém de acordo com o texto na introdução da Torá da Editora Sefer, o professor Humberto Casuto, da Universidade de Jerusalém, demonstrou claramente em seu livro La Questione Della Genesi, com documentos e amplas explicações, a unidade do Genesis/Bereshit, e demonstrando que a tradição judaica que atribui a autoria do livro a Moshé/Moisés, permanece inalterável.

Veremos que as primeiras palavras deste livro, tratando da criação de todas as coisas, são repletas de solene majestade. Isenta de adornos e fantasias inúteis nos impressiona por sua clareza. Suas palavras nos mostram que apenas o Eterno existia naquele tempo, com a sua onipotência e a sua vontade de criar o mundo, e este elevado conceito da realidade está expresso de forma simples e sem nenhum esclarecimento sobre tal feito maravilhoso, que é a criação, ou seja, a Torá não se preocupa em dar detalhes do ato criativo de HaShem.

Como infelizmente não temos como estudar a fundo toda a parashá e esgotar o estudo da Torá, e Bendito seja o Eterno por isso, ano que vem se o Eterno permitir recomeçaremos novamente. Neste estudo falaremos um pouco sobre a criação do homem e veremos o que a Torá quer nos instruir com esse relato que é também profético.

Ainda como introdução, devemos compreender que a história Bíblica da Criação do Mundo é causa de um dos debates mais acirrados entre os que acreditam na Bíblia e aqueles que seguem as teorias científicas. E verdadeiramente há discrepâncias entre o que a ciência diz e o que a Bíblia diz a esse respeito. No entanto, precisamos ter em mente que o texto da Torá, no livro de בְּרֵאשִׁית Bereshit/Gênesis não foi escrito com a intenção de trazer uma explicação científica para o ato da Criação do Mundo pelo Eterno, conforme vimos no parágrafo anterior.

Na época de Moshé/Moisés, haviam alguns relatos míticos da criação do mundo contado por outros povos de culturas pagãs, como:

- A Enuma Elish – Conto mítico Babilônico da Criação;

- O Épico do Gilgamesh – Conto mítico Mesopotâmico; e

- A crença Egípcia no deus Amon-ra como criador.

Dessa forma, podemos entender também, que o relato bíblico da criação pode ter sido escrito para refutar esses relatos míticos, apesar de que, muito do que foi escrito era passado de pai para filho pela Torá oral. Assim, ler Gênesis com o propósito de encontrar explicações que se adaptem às teorias científicas da atualidade não é adequado, pois o texto não tinha esse propósito quando foi escrito.

Esses contos míticos, apesar de serem muito diferentes, trazem elementos que se aproximam do relato da Criação contida em Bereshit. É como se todos tivessem sido tirados de uma mesma fonte, porém com inserções posteriores de componentes próprios de cada religião. Por exemplo, a Enuma Elish (conto mítico babilônico) fala da existência de um oceano (face das águas) e caos primitivos, que seriam na verdade corpos dos vários deuses mesopotâmicos. E da batalha entre esses deuses os demais elementos e o ser humano teriam sido criados. Já os egípcios acreditavam que o deus Amon-ra era o ordenador do caos e das trevas primitivas (havia trevas sobre a face do abismo). Por isso, no seu templo em Karnak, a imagem de Amon-ra ficava em um santuário totalmente escuro (onde somente o Faraó e o Sumo Sacerdote podiam entrar, e com o auxílio da luz de uma tocha).

No entanto, mais do que ficarmos examinando as teorias científicas e/ou os contos míticos para a Criação, neste estudo da Parashá Bereshit, devemos nos focar nas palavras do texto, principalmente no seu contexto original hebraico e aramaico, a fim de extraírmos mais de cada uma das palavras do Eterno. Você terá também a oportunidade de ter contato com o hebraico bíblico.

Que possamos a partir de hoje, nos programar para estudar as Escrituras, durante os dias da semana, através de leitura sistemática, meditação e principalmente oração.


2 – ESTUDO DAS PALAVRAS

A Escritura inicia seu texto com uma frase interessante: “No princípio criou Deus os céus e a terra.”.

Em hebraico a frase é (leitura da direita para a esquerda):

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ


Bereshit bará Elohim et hashamayim veêt haarets


A palavra Bereshit, que dá nome ao livro e à parashá, conforme mencionamos na introdução, aparece somente em mais outro lugar em toda a Escritura, que é no evangelho segundo escreveu Yochanan/João.

Outro fato interessante é que o primeiro verso da Torá em hebraico possui sete palavras, e se somarmos as letras dessas palavras dá o total de 28 letras que é igual 7+7+7+7=28. Reparem em mais algumas curiosidades sobre o número sete no primeiro verso de Bereshit. A frase é formada por um sujeito, um predicado e dois objetos. O sujeito e o predicado da frase somam 14 letras, ou seja 2x7, veja:

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים bereshit bará Elohim” ou “no princípio criou Elohim”

O 1º objeto אֵת הַשָּׁמַיִם "et hashamayim” ou “os céus”, tem sete letras. O segundo objeto וְאֵת הָאָרֶץveet haarets” ou “e a terra”, também tem sete letras.

Cada letra no alfabeto hebraico tem um valor numérico, sendo assim, veja:






E mais:




Perceba que nada disso é coincidência, são mistérios ocultos nos textos da Torá, esperando para serem revelados a quem buscar, através do estudo das Escrituras. Vejamos mais algumas informações:

De Bereshit capítulo 1 ao capítulo 2:4, que é o texto que retrata a criação, a palavra D’us ou Elohim aparece 35 vezes, que é 5x7.

E também:



Mas o que tem o número 7, e qual a relação com o texto?

O número sete é o número que significa perfeição. E com tudo que vimos até agora percebemos que o primeiro verso já nos revela um senso de organização e perfeição da parte do criador, e isso nos mostra que os atos do Eterno foram planejados, organizados e realizados de forma lógica e precisa, com o fim de atingir um objetivo: uma criação que glorificasse o Nome do D’us Eterno!

Na tradição judaica há midrashim que contam como por parábolas como o Eterno teria escolhido as letras para iniciar a Torá, com o sentido de nos mostrar que HaShem planejou tudo com muito cuidado, pois cada coisa na Torá tem um sentido profético.

Vejamos ainda mais uma coisa curiosa para aprendermos nesse primeiro verso, ou mais um apontamento profético. A Torá inicia com a letra “Beit” ב. Entrando um pouco nos méritos da kabalá, esta letra tem uma abertura para a esquerda, diferentemente das outras letras do alfabeto hebraico. E o que isso pode significar? Segundo os rabinos, isso significa que o processo de revelação tem início a partir de agora, ou seja, quando a Escritura começou a ser revelada e escrita, e ao homem é dado conhecer somente aquilo que lhe é revelado a partir da palavra “Bereshit”, seja escrita ou via oral. A língua hebraica é escrita da direita para a esquerda, significando então que ao homem foi dado conhecer o que o Criador lhe revelou a partir de agora! O que ficou para trás, como quando o Eterno criou os anjos? Ou o que aconteceu antes de se ouvir o haja luz? Essas coisas não estão reveladas e, portanto, ao homem é vedado o direito de “especular” o que aconteceu antes da criação.

A palavra Bereshit é uma palavra formada por prefixo e radical, por isso, alguns rabinos argumentam também, que a letra “Beit”, como preposição do radical “reshit” funciona como um construto indicando o tempo em que a ação foi realizada. Então seria traduzido por “para”. A palavra “reshit” significa “primeiro, princípio, melhor”. Em sua raiz temos vários outros significados como “ro’sh”, que significa “cabeça, pico, cume, parte superior”, também “ri’shâ” que significa “princípio, tempo remoto”. Outra interpretação para todos esses dados na palavra “Bereshit”, é que se traduziria para “na cabeça”, uma vez que o “beit” é uma preposição e um dos significados de “reshit” é cabeça, e essa interpretação somada ao que está escrito em Jo 1.1 e 2 amplia muito o entendimento, porque se na cabeça criou D’us os céus e a terra, o verbo ou palavra de D’us criou na ação, e sem ele (o verbo ou palavra) nada do que foi feito se fez. Mas compreenda que esse verbo não é Yeshua, como a teologia dogmática da religião ensina. O verbo é o poder criador de HaShem, por meio de sua vontade e palavra, esse verbo esteve com os profetas antes de Yeshua. Basta conferirmos o que Moshé/Moisés disse em Devarim/Deut 18:18


Levantarei do meio dos seus irmãos um profeta como você; porei minhas palavras na sua boca, e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar” Deuteronômio 18:18


Bem, ninguém diz que algum dos profetas esteve com o Eterno no momento da criação, e se a situação é a mesma, e Moisés esteve falando do messias, então Yeshua não pode ser o verbo, mas o verbo veio sobre ele. Assim, o verbo ou palavra, o poder do Eterno, a luz criada no primeiro dia, apontam para Yeshua, mas não era ele.

Voltando para a parashá, vejamos alguns comentários que podem ser encontrados no rodapé da Torá da Editora Sefer a respeito desse primeiro versículo de Gênesis:


No princípio - Os primeiros capítulos do Gênesis narram os primórdios da Criação. Por serem muito profundos, é difícil compreender todo seu conteúdo sem um conhecimento prévio dos ensinamentos da Torá, conforme foram revelados no Talmud e na Cabalá.

No princípio – Bereshit (por causa de Reshit): O Talmud proclama que o Universo não teria sido criado se não fosse pelo mundo espiritual, pela palavra Divina, pela Torá, chamada Reshit, princípio de tudo (Pessachim 68).

Criou D’us – Elohim (D’us) tem, em hebraico, a forma plural, para indicar que D’us compreende e unifica todas as forças infinitas e eternas. E para que não se pense que são muitos deuses, o verbo Bará (criou) foi empregado no singular, imediatamente depois de Elohim. O exegeta Abraham Ibn Ezra (1089-c.1164) argumenta que esta palavra não é nada além de um plural majestático concebido pelo homem devido às múltiplas e ilimitadas manifestações de D’us.

Os céus e a terra – No primeiro versículo do Gênesis, vemos a intenção evidente de dar ao homem a consciência de que tudo se deve à Criação Divina. Os mitos antigos atribuem a existência do mundo ao resultado das lutas dos múltiplos deuses, ou como nascido da casualidade e do capricho. Porém, a Torá quer nos mostrar o Universo como expressão da vontade Divina; a Criação como princípio de tudo, e não a Criação em si, mas a Providência – isto é, D’us – como Criador, Legislador e Condutor do Universo.”


Ao estudar essa porção da Torá, nos deparamos com o início de tudo o que foi criado no âmbito material e toda a organização que o Eterno estabeleceu. O Eterno cria todas as coisas do nada, por isso o texto usa a palavra “bará”, e a cada dia da criação, o criador fez pela sua palavra, que as coisas fossem criadas, tudo o que existe, desde a escuridão e a luz, o dia e a noite, os animais, a terra e o mar, e etc, até que no sexto dia o Eterno Elohim cria ser humano. E o mais interessante e profético, é que Ele cria, no sexto dia, o ser humano e logo depois descansa, ou seja, cria o shabat, o sétimo dia. D’us cessa o trabalho no sétimo dia, e o santifica, separa, como um dia de descanso, repouso.

Vamos refletir um pouco sobre a criação do homem. Vejamos o texto bíblico.


“E disse Elohim: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Elohim o homem à sua imagem; à imagem de Elohim o criou; homem e mulher os criou.”Gn 1:26-27


Naquele sexto dia, conforme o relato de Gn 1.26-27, HaShem formou o corpo humano do pó da terra, e sopra em suas narinas o ruach (espírito, sopro) fazendo que ele se torne um ser vivo, ou alma vivente.

De acordo com o site Yeshuachai.org, a primeira palavra pronunciada por D’us, “haja luz”(vaihi ohr) em Gn 1:3, foi proferida na intenção de todos os que desejam contemplar Sua Glória, como podemos ler no profeta Isaías:


Levanta-te, e ilumine, porque vem a tua luz” Is 60:1

A criação da luz por si, já é um apontamento profético e culmina em Apocalipse, ou seja no final de todas as coisas. O Eterno deu uma ordem, “haja luz”, e a partir de Yeshua está havendo luz no mundo. E essa ordem será cumprida plenamente no shabat milenial, início do Olam Habáh, conforme lemos em Ap 21:24 e 22:5


“As nações andarão em sua luz, e os reis da terra lhe trarão a sua glória.” Ap 21:24


“Não haverá mais noite. Eles não precisarão de luz de candeia nem da luz do sol, pois o Senhor D’us os iluminará; e eles reinarão para todo o sempre.” Ap 22:5

Dessa forma, podemos ver que quando Adam/Adão abriu os olhos pela primeira vez, e sua consciência humana nasceu, ele compreendeu imediatamente, que o Eterno criou todas as coisas, incluindo eles próprios. De acordo com um Midrash (comentário ou ensino dos rabinos), as primeiras palavras deste Adão (ser humano) consciente foram: “Adonai melech olam Vaed” - Adonai é o Rei por toda a eternidade. E Hashem disse: “Agora todos saberão que Eu Sou Rei”, e se contentou muito, e esse teria sido o momento “Tov Me’od” (muito bom) da criação, quando D’us viu tudo o que tinha feito “e viu que era muito bom” (Gn 1:31). Por isso, o nome para o ser humano, ou seja, Adam, אָדָם, está relacionado com a palavra “muito” – me’od” מְאד. Perceba que duas letras se repetem, o Alef e o Dálet. Isso aponta para importância do homem na criação.

Essa importância se dá pelo fato do ser humano ser aquele que ao cumprir a vontade do Eterno, leva a restauração das coisas a cabo. Por isso, vemos Yeshua dar orientação de como os filhos do reino deve se comportar no mundo, em Mt 5:16 falando sobre ser luz, uma luz que brilha diante dos homens, para que eles possam glorificar a D’us.

Sobre esse assunto da importância do homem na criação, o site judeu.org diz que, Gn 1 começa com uma premissa anterior de que os seres humanos são os seres mais importantes no mundo, e trabalham dali pra trás desde a criação o que precisaria existir antes deles, para que pudessem prosperar, no sentido de conseguirem viver no mundo. Observe que o objetivo disso é óbvio, ou seja, demonstrar que o homem, que fora criado à imagem e semelhança do Eterno, é um elemento muito importante da Criação. No entanto, o Eterno está no comando de tudo, suprindo o homem no que for necessário. Bastando apenas que este homem o obedeça e tenha fé/confiança para andar em seus caminhos.


A Criação do Homem e o Shabat

Como vimos até aqui, Adonai cria o homem, e dá tudo o que ele precisa pra existir, inclusive sua própria vida, conforme pode ser confirmado pelo profeta Isaías:


“Assim diz Elohim, o YHVH, que criou os céus e os desenrolou, e estendeu a terra e o que dela procede; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela...”


Depois de criar todas as coisas e também o homem, como mencionamos acima, o Eterno Elohim, cria uma última coisa, o Shabat, o descanso. Quando lemos o texto parece algo estranho vermos um D’us criador descansando ao final de sua obra criadora.

Perceba que esse ato de Elohim descansar foi também a primeira coisa que o homem fez depois de ser criado. Observe o texto bíblico:


“E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia.” Gênesis 1:31


“Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há. No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação.” Gênesis 2:1-3


Note que em Gn 1:31, assim como nos textos anteriores, referentes aos dias da criação, a Torá nos diz sobre “a tarde e a manhã”, um dia. No sexto dia, após fazer o homem, novamente aparece o texto “a tarde e a manhã”, e finaliza o texto, mostrando-nos que também acabou o sexto dia. Isso porque no calendário bíblico um dia começa com o final da tarde, ao pôr do sol. Assim, ao final do sexto dia, inicia o sétimo (hasheviy), o dia do descanso (shabat).

E o ser humano que havia acabado de ser criado inicia o dia de descanso com o seu criador. Isso nos mostra algo especial e profético, pois o shabat além de ser dia de descanso, é também dia de comunhão com o Eterno e com sua família. Por isso, esse momento nos aponta para o desejo de Elohim em ter comunhão com o homem. Aquele fora o primeiro momento de comunhão de D’us com o ser humano, nos indicando que novamente esse tempo de comunhão íntima será restaurado no Olam habáh (mundo vindouro), através da volta do messias Yeshua, ao findar o sexto milênio.

Então, o fato de o Eterno ter descansado, além de ter servido para dar o exemplo ao homem, ele também o fez para anunciar um apontamento profético para a o futuro.

O shabat é um dia especial para o Eterno, conforme demonstramos acima. O texto nos diz que Adonai abençoou o dia sétimo, e o santificou (separou). Na criação este é o único dia que recebe um nome, “há sheviy” (o sétimo), denominado de shabat”. A palavra santificar vem do hebraico “kadosh” que significa “ser consagrado, ser santo, ser separado”. E como já disse, o fato de o Eterno criador descansar no sétimo dia, nos mostra que Adonai estava dando exemplo ao homem daquilo que ele deveria fazer. Com isso, podemos facilmente entender a atitude do homem, guardar o shabat, juntamente com o Eterno, seu criador. E segundo o site Shemaysrael.com, Elohim diz ao homem que a importância maior na vida seria a comunhão entre a criatura e o Criador. Nada substituiria este momento entre os dois e justamente por isso Adonai estabelece que o shabat será separado, santificado, consagrado para o homem e para Ele. E de forma profética, apontando para o futuro, quando a nossa comunhão com o Eterno será plena, e com a presença de Yeshua que o representará. Hoje temos vários elementos no shabat que representam Yeshua, no futuro ele estará conosco, nós estaremos com ele e com o Eterno, e Jo 17 se cumprirá.

Ainda se tratando da criação do homem, podemos perceber que o ser humano é a forma visível daquilo que até então era invisível. De acordo com o entendimento das Escrituras Sagradas o homem físico é feito à imagem e semelhança do Eterno. Os sábios de Israel afirmam que essa imagem e semelhança também vem dos seres espirituais (anjos), bem como dos elementos do mundo material. E esse homem perfeito e recém criado é um apontamento para o messias, que seria perfeito porque obedeceria totalmente a Torá de HaShem. Este homem criado e colocado no Édem, tem um corpo físico. Ele é espiritual e carnal, ao contrário dos seres celestiais que não tem corpo físico.

Por isso devemos concluir, que o ser humano teria que refletir a forma de ser do Eterno no mundo físico, da mesma forma que os anjos refletem no mundo espiritual.

Com isso, entendemos que o homem foi criado para ser a coroa da criação, porque o messias seria aquele que governaria no reino do Eterno, que será no sétimo milênio, assim como o homem foi criado para celebrar ao Eterno no shabat.

Veja Romanos 5:14b: “Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir”


Até o próximo estudo!


Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer

- Biblia Judaica Completa de David H. Stern

- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/771004/jewish/Resumo-da-Torá

- https://www.acruzhebraica.com.br/blog/a-criacao-do-mundo-parasha-bereshit/

- http://shemaysrael.com/parasha-bereshit/

- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/quadros.asp

- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/

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- https://judeu.org/bereshit/

- https://www.acruzhebraica.com.br/blog/a-criacao-do-mundo-parasha-bereshit/

- http://shemaysrael.com/parasha-bereshit/

- http://www.yeshuachai.org/forums/topic/parasha-bereshit-genesis-11-68/

- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/01_bereshit.pdf