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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Estudo da Parashá Bamidbar - Bamidbar, o Ômer e a arte de ser formado.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 34 – Bamidbar (No deserto)

Bamidbar/Números 1:1-4:20

Haftará (separação) Os 2:1-22.

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Lc 2:1-7 e 1Co 12:12-31.


Bamidbar, o Ômer e a arte de ser formado.


Existe uma pergunta que toda pessoa que entra no caminho de teshuvah eventualmente faz, quase sempre em voz baixa, quase sempre no meio da noite, quando está sozinho: “Por que este silêncio? Por que este vazio? Por que, justamente agora que fui liberto, tudo parece tão árido?”

A resposta, surpreendentemente, não está nos livros de autoajuda nem nas prateleiras de espiritualidade rápida. Está escrita nas areias do deserto. Está soprada pelo vento quente entre as rochas do Sinai. Está no coração de uma palavra hebraica simples e devastadoramente profunda: Bamidbar — no deserto.

Te convido a seguir por este estudo e manter sua atenção até o fim, há alguns segredos a serem revelados e você é que irá se beneficiar destas revelações. Não saia daí!


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Nesta semana estudamos a parashá Bamidbar (במדבר), a primeira porção do sefer Bamidbar. Esta porção inicia a caminhada de Yisrael rumo à terra prometida, mas antes da jornada começar, o Eterno organiza o Seu povo no deserto.

O Eterno fala a Moshê no deserto de Sinai, a partir do Ohel Moed, ordenando que seja feito o recenseamento de toda a congregação de Yisrael. Cada tribo deveria ser contada segundo suas famílias e casas paternas, registrando-se todos os homens de vinte anos para cima, aptos para sair à guerra. Isso demonstra que Yisrael não era apenas um grupo de ex-escravos libertos, mas um povo organizado, separado e preparado para cumprir os propósitos do Eterno.

Cada tribo recebe seu lugar específico no acampamento e na marcha pelo deserto. O centro de toda a organização era o Mishkan. Ao redor dele acampavam os levitas, encarregados do serviço e da guarda do santuário, e ao redor dos levitas ficavam as demais tribos, divididas em quatro grupos principais, posicionados ao norte, sul, leste e oeste.

A tribo de Levi não foi contada junto às demais, pois o Eterno a separou para o serviço do Mishkan. Os levitas foram designados para cuidar dos utensílios sagrados, desmontar e transportar o Mishkan durante as jornadas e proteger a santidade do lugar da presença do Eterno. Entre os levitas, cada família recebeu uma responsabilidade específica: os filhos de Gershon cuidariam das cortinas e coberturas; os filhos de Merari das estruturas, colunas e bases; e os filhos de Kehat dos objetos mais sagrados, como a Aron HaBrit, a Menorah e os utensílios do Mishkan.

Um dos ensinamentos mais profundos desta parashá é justamente a posição do Mishkan no centro do acampamento. Isso nos revela que o Eterno deve ser o centro da vida de Seu povo. Toda a organização de Yisrael girava ao redor da presença do Eterno. O povo marchava quando a nuvem se movia e parava quando ela repousava. Assim, aprendemos que não devemos viver segundo nossa própria vontade, mas conforme a direção do Eterno.

Também vemos nesta porção a importância da identidade e da função de cada pessoa dentro do povo. Nenhuma tribo ocupava o lugar da outra, e cada família tinha uma responsabilidade específica. Isso nos ensina que o Eterno é Elohim de ordem, propósito e santidade.

Portanto, Bamidbar não trata apenas de números e organização; trata da presença do Eterno habitando no meio de Seu povo. O deserto se torna um lugar de aprendizado, transformação e confiança. O Mishkan no centro nos lembra continuamente que o Eterno deve ocupar o lugar principal em nossa vida, acima de homens, tradições e interesses pessoais.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

O Eterno falou a Mosheh no deserto do Sinai, na tenda do encontro, no primeiro dia do segundo mês do segundo ano após a saída da terra do Egito. Nm 1:1


O deserto não é um acidente. Quando lemos que o Eterno escolheu levar o povo ao deserto, podemos entender que o deserto, pois ali seria o palco da revelação, somos tentados a imaginar que foi por falta de opção, que Moisés e o povo simplesmente estavam por ali, e HaShem aproveitou a oportunidade. Mas a teologia judaica jamais pensa assim. O Eterno não imposta. Ele escolhe.

Há algo profundamente transformador no fato de que o Eterno escolheu o deserto como lugar de revelação. Bamidbar não começa em uma cidade, nem em um palácio, nem em um centro de poder humano. Começa no vazio. No silêncio. Na vastidão aparentemente estéril do deserto. Isso não é um detalhe geográfico; é um princípio espiritual que percorre toda a Escritura.

O deserto, nas Escrituras, é o lugar onde o homem deixa de confiar nas estruturas humanas e aprende a depender inteiramente do Eterno. No deserto não há segurança natural, não há abundância produzida pelas mãos do homem, não há distrações da civilização. Ali, tudo depende do Eterno: a água, o alimento, a direção, a proteção e até mesmo o próximo passo. Por isso o sefer Bamidbar começa por essas palavras que lemos acima.

O Midrash Sifrei sobre Bamidbar observa que a Torá foi dada em três lugares "sem dono": no deserto, no fogo e na água. Nenhum deles pertence a uma nação, a um povo, a uma jurisdição humana. Esse Midrash ensina que a Torá foi dada no deserto porque o deserto pertence a todos; apesar do Eterno ter escolhido o povo de Yisrael para entregá-la, ninguém pode reivindicar posse exclusiva da Palavra do Eterno. O Rabino Shimeon bar Yohai comenta que assim como esses lugares estão disponíveis para qualquer pessoa que se aproxime, a Torá também está aberta a qualquer alma, isto é, a qualquer pessoa que venha sem a arrogância da propriedade, sem a ilusão de que já sabe o suficiente. Quem deseja recebê-la precisa aproximar-se com humildade, como alguém que entra num território vazio de si mesmo.

Os sábios de Yisrael frequentemente associaram o deserto à condição necessária para receber sabedoria. O Midrash Bamidbar Rabbah ensina que somente aquele que se torna “como o deserto”, humilde e disponível, pode verdadeiramente adquirir as palavras da Torá. Esse pensamento são um eco do que o salmista declarou: “Ensina-me a fazer a Tua vontade.” (Tehilim 143:10)

O deserto é exatamente o lugar onde o homem deixa de ensinar a si mesmo e passa a ser ensinado pelo Eterno. Há, portanto, uma pedagogia deliberada no deserto. O Eterno não envia Seu povo ao deserto para puni-los, pelo menos não no sentido primário. Ele os envia porque o deserto é a única sala de aula onde certas lições podem ser aprendidas. As paredes do Egito eram cômodas demais. As hortas de pepinos e as panelas de carne (Êx 16:3) eram anestesiantes demais. Para que um povo aprenda a depender do Eterno, ele precisa primeiro ser colocado numa situação onde não pode depender de mais nada. O profeta Hoshea/Oséias entendeu isso com uma clareza quase dolorosa. Numa das passagens mais íntimas de toda a profecia judaica, o Eterno fala sobre Yisrael como um amante fala de sua amada, e diz: "Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei ao deserto, e falarei ao seu coração." (Oséias 2:16)

Perceba o movimento: atrair, levar, falar ao coração. Não é punição. É cortejo. Deus usa o deserto como um homem apaixonado usa um lugar silencioso e afastado — para finalmente ter a atenção plena da pessoa amada, longe do barulho, longe das distrações, longe de tudo que compete com Sua voz. E tudo isso se conecta profundamente com o que estamos fazendo, a contagem do Ômer, conforme veremos no próximo tópico.


1 - A Escola que Começa em Pessach e Termina no Sinai

E aqui voltamos a falar do calendário bíblico mais uma vez, e de um dos mais ricos e densos significados que o povo de Yisrael carrega: a Contagem do Ômer. Os quarenta e nove dias ou sete semanas completas, que vai do início do segundo dia de Pessach até a véspera de Shavuot. Do agitar do sheaf (mólho) da cevada até o dom da Torá. Do momento da libertação até o momento da revelação. E o que há entre esses dois polos? O deserto.

A conexão não é poética, é histórica e litúrgica. A contagem do Ômer é, em seu fundamento, uma rememoração da caminhada pelo deserto. Cada dia contado é um passo dado. Cada semana encerrada é uma etapa da jornada entre o Egito e o Sinai. O povo que saiu da casa da escravidão não estava pronto para receber a Torá. Precisava caminhar. Precisava ser contado. Precisava aprender seu próprio nome antes de receber o Nome do Eterno gravado em tábuas de pedra.

Isso diz algo fundamental sobre a natureza da fé vivida: a libertação não é o destino, é o começo. Pessach é glorioso, com seus sinais e maravilhas, com o sangue no umbral e o mar que se abre. Mas um escravo liberto não é automaticamente um homem livre. A liberdade interna, a cherrut - חירות (liverdade, libertação) verdadeira, é forjada no deserto, dia após dia, escolha após escolha.

O Talmud Bavli, no tratado Yevamot, registra que nesse período de contagem do ômer faleceram 24.000 alunos de Rabi Akiva — uma das maiores tragédias da história rabínica. Os sábios ligam isso a uma falta de kavod, de honra e respeito mútuo entre eles. A contagem do Ômer, então, tornou-se não apenas uma contagem de dias, mas uma contagem de caráter. Cada dia da semana corresponde a um dos sete midot (medidas, proporções, normas), atributos de caráter: amor, disciplina, harmonia, resistência, humildade, conexão, dignidade. O deserto ensina que não basta sair do Egito, é preciso que o Egito saia de você.

Por isso Bamidbar e o período do Ômer possuem ligação tão profunda: ambos falam de preparação, refinamento e alinhamento. O deserto não era punição; era treinamento. O Eterno estava formando uma nação sacerdotal. O que nos leva ao próximo tópico.


2 - O Homem que Vai ao Deserto

A tradição nazarena vê em Yeshua de Natzerét a figura do Israelita perfeito, aquele que recapitula em si mesmo toda a jornada do povo. E é impossível não notar que, os autores dos evangelhos relatam que antes de qualquer palavra pública, antes de qualquer sinal ou ensinamento, Yeshua foi levado ao deserto. Como lemos: "Então Yeshua foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo adversário." (Mateus 4:1)

Quarenta. Para Yeshua foram dias e esse foi o mesmo número que Israel vagou no deserto, mas em anos. E as três tentações que Yeshua enfrenta nesses dias são exatamente as três nas quais Israel havia tropeçado: a tentação do pão (a murmuração pelo maná), a tentação de testar a D’us (as queixas no deserto), e a tentação do poder imediato (o bezerro de ouro e os ídolos das nações). Yeshua responde a cada uma delas com palavras do sefer Devarim/Deuteronômio, com as palavras que Mosheh disse ao povo depois do deserto, depois dos quarenta anos de formação.

O deserto, para Yeshua, não foi fraqueza. Foi preparação. E a lição que seu caminho nos deixa é esta: o Espírito leva ao deserto os que o Eterno quer usar. O deserto não é abandono, é investimento.

O Rav Shaul (apóstolo Paulo), formado nos pés de Gamaliel e depois radicalmente transformado em seu próprio deserto na Arábia (Gálatas 1:17), entendeu isso quando escreveu aos crentes em Roma com palavras que ressoam como o eco de Hoshea/Oséias: “E não somente isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz paciência, e a paciência, experiência, e a experiência, esperança.” (Romanos 5:3-4).

Em grego, a palavra traduzida como "experiência" é dokimé, o resultado de um processo de teste, como o ouro que passa pelo fogo. O deserto é o forno de dokimé. Ninguém sai dele como entrou.


3 - A Voz que Ecoa no Silêncio

O profeta Yeshayahu/Isaías, escrevendo para um povo que estava prestes a ser levado ao exílio, ao seu próprio deserto involuntário, anuncia com uma voz que atravessa séculos: "Eis que faço uma coisa nova; ela já está brotando, não a percebeis vós? Eis que farei um caminho no deserto e rios no ermo." (Isaías 43:19)

A pergunta mais perturbadora do versículo não é sobre o caminho ou os rios. É aquela que antecede tudo: "Não a percebeis vós?" D’us está fazendo algo novo agora, neste momento, e o povo não percebe porque está olhando para trás, lamentando o que foi. O deserto exige uma reeducação do olhar. Enquanto você estiver de costas para o horizonte, chorando a margem do Nilo que ficou para trás, não verá a nascente que brota na pedra à sua frente.

Yecheskel/Ezequiel usa a mesma imagem quando fala da restauração de Yisrael: ossos secos no deserto que recebem sopro e se levantam como um exército (Ez 37). O deserto de ossos, imagem máxima de morte e desolação, se torna o cenário do maior milagre de ressurreição coletiva da profecia judaica. E vemos aqui a profecia sobre ressurreição em dois níveis, a restauração do povo e a ressurreição futura. O Eterno tem uma preferência estranha pelos lugares mais improváveis para ensinar.


4 - Ser Contado no Deserto

Há um detalhe da parashá Bamidbar que não podemos deixar passar: o Eterno manda contar o povo no deserto. Não depois, nem quando chegarem à terra. No deserto, no meio do caminho, no meio da incerteza. Isso é fantástico! Significa que você não precisa ter chegado para ter valor. Você não precisa ter vencido para ser visto. Você não precisa ter saído do deserto para ser contado pelo Eterno. O Baal Shem Tov, famoso rabino fundador do movimento chassídico, ensinava que toda descida espiritual, todo yeridá (descida), tem como propósito uma ascensão maior. Não existe vale que HaShem não use como trampolim. E não existe deserto que Ele não transforme em escola. O pior erro que uma pessoa em teshuváh ou servo do Eterno pode cometer é interpretar o deserto como sinal de rejeição, quando na verdade é sinal de convite.

Rabi Nakhman de Breslov, que viveu seus próprios desertos interiores de dúvida e angústia, legou ao mundo uma das frases mais citadas do pensamento judaico moderno: "É proibido desesperar." — Assur lehityaesh. Não é fraqueza. É proibição. Porque desesperar no deserto é negar que HaShem ainda está falando.


5 - O Ômer que Ainda Estamos Contando

Enquanto estas palavras são lidas, o povo judeu e nazareno ao redor do mundo estão em meio à contagem do Ômer. Cada noite, a bênção sobe: "Hoje é o... dia do Ômer." Cada dia, um passo. Cada semana, uma camada de caráter sendo trabalhada. Estamos, literalmente, no deserto entre Pessach e Shavuot. Entre a libertação e a revelação. E a pergunta que Bamidbar faz a cada um de nós é a mesma que o Eterno fez a Israel há milênios: Você confia que Eu sei o que estou fazendo com você aqui?

Porque o deserto não termina com derrota. Termina com o Sinai e a entrega da Torá. Termina com a voz de D’us trovejando sobre a montanha e um povo inteiro tremendo diante da Presença. Termina com a Torá gravada, não em pedra, disse Jeremias (31:33), mas no coração. E esse coração? Foi formado no deserto.

No deserto, o Eterno fala. No deserto, o Eterno conta. No deserto, o Eterno transforma escravos em nação, e nação em sacerdotes.

Concluindo nosso estudo, podemos aprender que, quando atravessamos períodos de silêncio, espera ou incerteza, não devemos pensar que fomos abandonados. Frequentemente, estamos em nosso próprio Bamidbar. E talvez a maior lição seja esta: o deserto não é ausência do Eterno. É justamente o lugar onde Sua presença se torna mais evidente. A nuvem estava no deserto. O maná caiu no deserto. A água saiu da rocha no deserto. A Torá foi dada no deserto. O Mishkan foi erguido no deserto.

O deserto era árido, mas o Eterno estava no centro. Assim também ocorre conosco. O homem que decide caminhar com o Eterno inevitavelmente atravessará desertos. Mas são nesses lugares que somos moldados, alinhados e preparados para cumprir o propósito do Eterno. Como está escrito:

“Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Eterno teu Elohim te guiou no deserto…” (Devarim 8:2).

O caminho pelo deserto nunca foi desperdício. Era formação. Era preparação. Era aproximação.

Que o Eterno lhes abençoe.

Moshê Ben Yosef


sexta-feira, 7 de junho de 2024

Estudo da Parashá Bamidbar - Siga a sua bandeira.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 34 – Bamidbar (No deserto)

B’midbar/Números Nm 1:1-4:20,

Haftará (Separação) Os 2:1-22; e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 2:1-7; 1Co 12:12-31.


Tema: Siga a sua bandeira.


No estudo dessa semana veremos o que a Torah nos ensina sobre a distribuição das tribos ao redor do Mishkan ou tabernáculo, bem como de suas bandeiras. E qual o significado para nós hoje, de tudo o que o Eterno estabeleceu em sua Torah acerca da bandeira que é o sinal dos remanescentes das casas de Yisrael e de Yehudah, e dos gentios que se aproximam ao Eterno.

RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA


Segundo o resumo que encontramos no site Chabad, a Parashá Bamidbar, a primeira porção do quarto livro da Toráh, está principalmente envolvida com o recenseamento do povo de Yisrael feito no segundo mês de seu segundo ano no deserto. Após relacionarem os líderes das doze tribos de Yisrael, a Toráh apresenta os totais de homens entre as idades de 20 e 60 anos para cada tribo, sendo que a contagem totalizou 603.550.

A estrutura do acampamento é então descrita, com a tribo de Levi no meio, guardando o Mishkan, o Tabernáculo, e cercada pelas doze tribos de Yisrael, cada uma na área que lhe foi designada. É feita a designação da tribo de Levi como os líderes espirituais do povo de Yisrael, e seu próprio censo é realizado, à parte do restante de Yisrael.

A porção da Toráh conclui com as instruções dadas à família de Kehat, o segundo filho de Levi, pelo seu papel em lidar com as partes mais sagradas do Mishkan.


ESTUDO DO CONTEXTO LITERAL, PRÁTICO E PROFÉTICO


Iniciemos nosso estudo com o texto da parashá (porção) que nos dá a base para o entendimento.


Quando o tabernáculo seguir adiante, os l’vi’im deverão desmontá-lo e armá-lo no novo lugar, qualquer outra pessoa que tentar realizar essa tarefa será executada. O restante de Yisrael deverá acampar, grupo a grupo, cada homem com seu estandarte (bandeira). No entanto, os l’vi’im devem acampar à volta do tabernáculo do testemunho, para que a ira não recaia sobre a assembléia do povo de Yisrael. O l’vi’im serão encarregados do tabernáculo do testemunho. Isso é o que o povo de Yisrael realizou – eles fizeram tudo o que o Eterno ordenara a Mosheh. E falou o Eterno a Mosheh e Aharon dizendo: Cada um sobre o seu estandarte, com as insígnias da casa de seus pais, acamparão os filhos de Yisrael; defronte, ao redor da tenda da reunião acamparão. Nm 1:50-2:2


Este segundo capítulo do sefer B’midbar, conhecido como livro de Números, relata a ordem dos acampamentos das marchas do Povo de Ysrael, segundo o comentário de rodapé da Torah da Editora Sefer na página 389, aqui o povo é chamado de “exército de Moisés”, e isso é interessante, pois da mesma forma que o povo da época era conhecido por seu tutor, líder ou messias, atualmente os que obedecem ao Eterno também são conhecidos por seu tutor, líder ou messias, no caso, Yeshua. Somos o exército de Yeshua o messias, assim como o Yisrael na época de Mosheh foi conhecido como o exército de Mosheh. Mas vamos seguir nosso estudo.

O Midrash Ialcut 685 relata que, antes de morrer, o patriarca Yaakov deu algumas instruções aos seus filhos e as últimas instruções foram sobre seu próprio funeral, designando a cada um de seus filhos o seus lugares ao redor do ataúde ou caixão. E dessa forma, como que em honra à justiça do patriarca o Eterno manteve a mesma ordem instruída por Yaakov. Porém, se pensarmos direitinho, na verdade era o patriarca que estava seguindo a justiça (Torah oral) do Eterno de maneira profética, já que tudo está ligado à profecia geral. Siga neste estudo até o final e verá mais coisas.

O Eterno então ordena a Mosheh, levando em conta o que o patriarca havia instruído, marcando cada tribo o devido lugar de seu acampamento, bem como a ordem de início de marcha ao levantarem acampamento. O midrash citado e a própria descrição da Torah nos revelam que o centro de reunião das tropas era a tenda da reunião, que era cercada ou guardada pelos Levitas. A morada ou habitação do Eterno entre os homens simbolizava os destinos morais dos israelitas e o reino de D’us sobre a terra. E isso é bem interessante, pois profeticamente vemos que, todos os que vivem segundo as instruções da Torah ensinada pelo messias, que é a mesma Torah que Mosheh ensinou, são a morada ou habitação do Eterno entre os homens e por isso, apontam os destinos morais e o reino de D’us para as pessoas.

O citado comentário de rodapé, ainda nos diz que a dois mil cúbitos de distância da tenda da reunião, ao redor desta no lado do oriente ou à leste, flutuava o estandarte ou bandeira de Yehudah, abrigando outras duas tribos, a de Issachar e Zebulun. As cores correspondiam à cor das pedras do peitoral do sacerdote em relação a cada tribo, falaremos ainda sobre isso, ela levava a inscrição “Levanta-te, ó Eterno, e dissipem-se os Teus inimigos, e fujam de diate de Ti os que Te odeiam”, leia Nm 10:35.


As Tribos e suas Bandeiras

O restante de Yisrael deverá acampar, grupo a grupo, cada homem com seu estandarte (bandeira). Nm 1:52


No estudo dessa parashá, no site Emunah a fé dos santos, diz-se que a bandeira de cada tribo representa uma identidade. Cada pessoa identificava-se com a bandeira da sua tribo. Cada bandeira tinha uma mensagem que se relacionava com algo particular de cada tribo. Segundo o Targum Yonatán, as bandeiras foram feitas de seda, com diferentes cores que correspondiam às doze pedras do peitoral do juízo do Sumo Sacerdote. Precisamos compreender que dentro da identidade geral que cada um tem com todo o povo, é importante ter também, uma identidade tribal. Uma tribo constitui um agrupamento limitado dentro da nação, e é maior que uma família. Poderíamos comparar as tribos com as diferentes congregações ou ajuntamentos dos verdadeiros servos do Eterno existentes pelo mundo. É bom ter uma congregação física para estar juntos, mas se não tiver ainda teremos a virtual ou a geral que é o povo de Yisrael, o mais importante é justamente isso, pois nosso verdadeiro ajuntamento e organização será no futuro, quando o messias retornar e nos separar conforme o Eterno estabeleceu em seus propósitos.

Cada tribo tinha sua própria bandeira, porém D’us instruiu a Moshê que os grupos de 3 deveriam ter sua ban­deira. O povo deveria marchar sob este estandarte. Cada bandeira de grupo ti­nha três cores, representando as três tribos. Cada cor correspon­dia à cor da pedra preciosa daquela tribo no peitoral do Sumo Sa­cerdote.


A Organização do Acampamento

O restante de Yisrael deverá acampar, grupo a grupo, cada homem com seu estandarte (bandeira). No entanto, os l’vi’im devem acampar à volta do tabernáculo do testemunho, para que a ira não recaia sobre a assembléia do povo de Yisrael. O l’vi’im serão encarregados do tabernáculo do testemunho. Nm 1:52-53


Observando os textos da Torah e os ensinos dos sábios do povo, entendemos que haviam três acampamentos separados no deserto, a saber:

1 – O acampamento da Divina Presença (Machanê Shechiná)

Este era o nome dado à área do Tabernáculo. Os outros dois circun­davam este acampamento.

2 – O acampamento dos Levitas (Machanê Leviya)

Os levitas acampavam ao redor de todos os lados do Tabernáculo. A cada uma das famílias levitas era designado um local fixo. As fa­mílias de Moshê e Aharon foram honradas e acampavam à entrada do Tabernáculo. Eram como guardas postados à entrada do palácio do rei. Sendo que D’us havia ordenado: “Vocês devem guardar o Taber­náculo,” os cohanim e os leviyim tinham de montar guarda em alguns locais à volta do Tabernáculo, mesmo durante a noite.

Naturalmente, D’us não precisa de guardas para vigiar Seu local sagrado. Ele sozinho pode protegê-lo melhor que qualquer guarda humano jamais poderia. Mesmo assim ordenou que os levitas vi­giassem o Tabernáculo. Como um rei humano tem seu palácio rodeado de guardas, para prestar-lhe honras, D’us deu ao povo outra oportunidade de honrá-Lo e a Seu Tabernáculo.

3 – O acampamento dos Israelitas (Machanê Yisrael)

Este acampamento rodeava o acampamento Levita, três tribos acampavam em cada um dos quatro la­dos.

Repare que vemos nessa parashá, que no mesmo dia em que D’us ordenou a Mosheh que contasse o povo de Yisrael, disse-lhe também: “Quero que organize o acampamento exterior. Divida as tribos em quatro grupos conforme minhas instruções. Cada grupo acampará num lado diferente do Tabernáculo, sob sua própria bandeira. Uma tribo de cada grupo será a líder.” E dessa forma ficou divididos e organizados.

1 – O primeiro grupo foi denominado “Dêguel Machanê Yehuda”. Significa Bandeira do Campo de Yehudah, que ficou no lado leste. A tribo de Yehuda seria a tribo líder desta porção. Neste grupo também estariam Issachar e Zevulun.

2 – O segundo grupo foi denominado “Dêguel Machanê Reuven.” Significa Bandeira do Campo de Reuven, que ficou no lado sul. A tribo Reuven seria a tribo líder daquele lado. Neste grupo também estariam: Shimon e Gad.

3 – O terceiro grupo foi chamado de “Dêguel Machanê Efraim.” Significa Bandeira do Campo de Efraim, que acam­pou no lado oeste. A tribo Efraim seria a tribo líder desse grupo. Neste grupo também estariam: Menashê e Binyamin.

4 – O quarto grupo foi nomeado “Dêguel Machanê Dan.” Significa Bandeira do Campo de Dan, que acampou do lado norte. A tribo Dan seria a tribo à liderar aquele lado. Neste grupo também estariam: Asher e Naftali

Sabendo que o Eterno determinou a posição de cada tribo e isso batia com as instruções que o patriarca Yaakov havia instruído, temos a confirmação de que o patriarca estava seguindo instruções do Eterno, e sendo assim, nenhuma tribo poderia reclamar de onde estava, pois sabiam de onde veio a instrução.

Essas posições dizem muito a respeito do caráter de cada tribo e como o Eterno as vê. De forma profética isso indica os níveis de autoridade que cada pessoa receberá no futuro sendo Yeshua o líder, os sumo sacerdotes e sacerdotes mais próximos dele, depois os levitas distribuídos ao seu redor e mais à parte cada uma das 12 tribos divididas de 3 em 3, em cada um dos 4 lados. Note que a raiz guemátrica de 12 é 3, o exato número de tribos que foi distribuído em todos os 4 lados do tabernáculo. E 4 é igual 3 +1, mostrando que cada um dos lados compostos por 3 tribos mais a presença do Eterno formam uma parte do acampamento. Cada pessoa precisa ter a presença do Eterno consigo. O número 4 também é 2+2, que aponta para as 2 casas em 2 tempos, ou seja, as pessoas da casa de Yehudah e da casa de Yisrael durante os 2 períodos do messias. Antes e depois da primeira parte de seu ministério e durante a segunda parte do seu ministério, que é seu retorno para reinar e estabelecer a organização descrita na Torah.

É preciso entender que no ponto de vista profético essas descrições são apontamentos claros para o futuro reino do messias e como os níveis diferentes de autoridades que as pessoas receberão lhes estabelecerão a posição que ocuparão no reino. E tudo está ligado com a descrição profética que Yaakov deu sobre o caráter de de cada um de seus filhos antes de sua morte, como vemos em Gn 49. É importante destacar neste contexto a capacidade clara de fazer teshuvah que a tribo de Levi teve no decorrer dos tempos, pois depois das palavras de seu pai eles mudaram suas atitudes, foram escolhidos como tribo sacerdotal, ainda assim foram espalhados pelo mundo e continuam a cumprir a profecia, levando os remanescentes a tornarem-se parte dessa tribo. Nem sempre o que parece ser ruim em uma profecia é para o mal e esse é um caso bem claro.


Sentido prático das divisões

Isso é o que o povo de Yisrael realizou – eles fizeram tudo o que o Eterno ordenara a Mosheh. E falou o Eterno a Mosheh e Aharon dizendo: Cada um sobre o seu estandarte, com as insígnias da casa de seus pais, acamparão os filhos de Yisrael; defronte, ao redor da tenda da reunião acamparão. Nm 1:54-2:2


Vimos até agora o contexto literal e histórico da organização do acampamento do povo de Yisrael com alguns apontamentos proféticos, vejamos agora, um conceito mais prático que devemos observar. De acordo com o estudo da parashá no site Emunah a fé dos santos, podemos refletir sobre a tensão que há entre individualismo e o coletivismo.

Uma pessoa imatura espiritualmente, ou seja, em relação aos mandamentos, só pensa em si mesma. Não vê além do seu nariz. Não tem amor, só busca a própria felicidade e relaciona-se com os outros a fim de satisfazer os seus interesses. Por sua vez, uma pessoa que é espiritualmente madura, ou seja, conhece e pratica os mandamentos, busca também satisfazer as necessidades daqueles que o rodeiam porque ama o seu próximo como a si mesmo. Está disposto a sacrificar os seus próprios desejos para satisfazer as necessidades dos demais, sempre em conformidade com a Torah do Eterno.

O individualismo manifesta-se com o desejo de satisfazer o ego, mas não necessariamente como um isolamento dos demais, mas sim relacionando-se com o coletivo, mas sempre com o propósito egoísta de se satisfazer a si mesmo. O comunismo aproveitou-se de parte de um princípio da Toráh, distorcendo-o para levar a cabo a sua própria visão equivocada. É o princípio do predomínio do colectivo sobre o indivíduo, onde o colectivo é mais importante que o individuo e o indivíduo deixa de buscar o interesse próprio com o propósito de beneficiar o coletivo.

Com este princípio fortaleceu-se o movimento comunista e chegou a ter muito poder durante um tempo. Não porque a visão comunista tenha sido correta, pois é mesmo contra os princípios estabelecidos pelo Eterno, mas sim porque a forma de levar a cabo a visão baseou-se num princípio divino, mesmo deturpado. Se uma pessoa aprende a considerar o colectivo como mais importante que ela mesma, poderá chegar a formar, junto com outros que têm o mesmo pensamento, um corpo tremendamente potente. O fato de aprender a trabalhar num grupo, é algo muito importante para o desenrolar do Reino. Este princípio vemos no livro de Atos dos Apóstolos, onde fica claro que os talmidim colocaram em prática o que Yeshua ensinou da Torah e o texto diz que “todos tinham tudo em comum”.

Nesta parashá vemos o equilíbrio perfeito entre o indivíduo e o coletivo. Cada indivíduo foi contado, o que demonstra que cada pessoa é importante e digna de ser levada em conta. Assim, o site Emunah a fé dos santos diz que, o indivíduo, encontra-se num coletivo maior que é mais importante que ele. O individuo deve buscar o bem do coletivo e o coletivo deve buscar o bem do indivíduo. Para que Yisrael possa seguir adiante como povo, os indivíduos terão que aprender a levar ao coletivo tudo o que seja necessário, para que se mantenham unido e continue a prosperar. E o coletivo tem que se preocupar pelos indivíduos que o compõe, como está escrito em Atos 2:44-45:


“E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um.”


Siga a sua bandeira

Quando eu pensei no tema deste estudo da parashá olhando para o texto que fala das bandeiras de cada grupo, pensei na liderança do messias que está sobre nossas vidas. Yeshua é o único a quem pertence duas bandeiras, a bandeira do grupo de Yehudah e a bandeira da tribo de Levi, justamente por pertencer às duas tribos ao mesmo tempo, de Yehudah por parte de seu pai Yosef e de Levi por parte de Miriam, sua mãe.

Como servos do Eterno e seguidores do Messias enviado, também fazemos parte desta herança. Veja os seguintes textos de Paulo:


O próprio espírito (ruach) testemunha ao nosso espírito (ruach) que somos filhos de D’us. Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de D’us e co-herdeiros com o messias, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória. Rm 8:16 e 17


E se vocês são do messias, são descendência de Avraham e herdeiros segundo a promessa. Gl 3:29


a saber, que mediante o evangelho (boas novas da Torah do messias) os gentios são feitos co-herdeiros com Yisrael, membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa no messias Yeshua. Ef 3:6


Portanto, a bandeira ao qual seguimos é a do messias Yeshua, devemos ser fortes e persistentes. Devemos seguir em frente na teshuvah e olhar somente para essa bandeira, pois ela representa fielmente os princípios da Torah do Eterno. Vejam o texto abaixo:


Naquele dia as nações buscarão a Raiz de Jessé, que será como uma bandeira para os povos, e os seu lugar de descanso será glorioso. Is 11:10


Ele erguerá uma bandeira para as nações a fim de reunir os exilados de Yisrael; ajuntará o povo disperso de Yehudah desde os quatro cantos da terra. Is 11:12


Todos vocês habitantes do mundo, vocês que vivem na terra, quando a bandeira for erguida sobre os montes, vocês a verão, e. quando soar a trombeta, vocês a ouvirão. Is 18:3


Um pouco de guematria

Antes de finalizar nosso estudo dessa semana, vamos observar um pouco de guematria e compreender um código por trás de alguns números dessa porção.

Observe os números totais dos membros de cada tribo.

- Descendentes de Reuvem – 46.500 = 4+6+5 = 15 = 6 = ו vav = Prego, gancho, homem

- Descendentes de Shim’on – 59.300 = 5+9+3 = 17 = 8 = ח chet = cerca, separação

- Descendentes de Gad – 45.650 = 4+5+6+5 = 20 = 2 = ב beit = casa,

- Descendentes de Y’hudah – 74.600 = 7+4+6 = 17 = 8 = ח chet = cerca, separação

- Descendentes de Yissakhar – 54.400 = 5+4+4 = 13 = 4 = ד dálet = porta, caminho

- Descendentes de Z’vulun – 57.400 = 5+7+4 = 16 = 7 = ז záyin = arar, armar, cortar

- Descendentes de Efrayim - 40.500 = 4+5 = 9 = ט֑ tet = cesta, cobra

- Descendentes de M’nasheh - 32.200 = 3+2+2 = 7 = ז záyin = arar, armar

- Descendentes de Binyamin – 35.400 = 3+5+4 = 12 = 3 = ג guimel = pé, camelo

- Descendentes de Dan - 62.700 = 6+2+7 = 15 = 6 = ו vav = Prego, gancho, homem

- Descendentes de Asher - 41.500 = 4+1+5 = 10 = 1 = א aleph = boi, força

- Descendentes de Naftali - 53.400 = 5+3+4 = 12 = 3 = ג guimel = pé, camelo

Total Geral - 603.550 = 6+3+5+5 = 19 = 10 = 1 = א aleph = boi, força


Conversando com o Moré Moshê Ben Yisrael sobre esse assunto, ele me disse que se somarmos todas as raízes 6+8+2+8+4+7+9+7+3+6+1+3 , teremos uma raiz total = 64. Esse valor 64 é guematria siduri da palavra Yisrael = 10+21+20+1+12 = 64, note que 64 é 6+4 = 10 = 1. O 10 é o valor da letra Yud e 1 é o valor da letra Aleph. O 64 indica prego, gancho, cravo, ligar, adicionar também porta, caminho, entrar. E leva ao entendimento de firmeza no caminhar. O 10 é o Yud, que aponta para Yeshua e para sua obra de justiça, haja vista que essa letra nos pictogramas significa braço, mão (fechada), trabalhar, feito e ação. O Aleph é 1, que aponta para o Eterno, mas também para força e autoridade.

Se olhar também para o total geral acima poderá perceber que 603.550 = 6+3+5+5 = 19 = 10, o mesmo valor encontrado do 64 que já vimos acima, e 10 tem raiz 1, que também já vimos.

Finalmente, todo o estudo da parashá nos mostra tanto na parte literal e histórica, quanto na profética e na guematria, vemos que devemos seguir a bandeira, que o Eterno estabeleceu como marca para seu povo. Por isso, siga a sua bandeira!!!


Que HaShem lhes abençoe!


Pr/Rav. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)