Páginas

Boas Vindas

Seja Bem Vindo e Aproveite ao Máximo!
Curta, Divulgue, Compartilhe e se desejar comente.
Que o Eterno o abençoe!!

Mostrando postagens com marcador filhos de yisrael. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filhos de yisrael. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

 


Estudos da Torá

Parashá nº 16Beshalach (Depois de ter deixado)

Shemot/Êxodo Ex 13:17 – 17:16

Haftará (separação) Jr 4:4 – 5:31 e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 2:22-24; Jo 6:25-35; Ap 15:1-4


Tema: Você é povo ou filho?


No estudo dessa parashá veremos que a Toráh define grupos diferentes de pessoas que saíram do Egito e poderemos aprender com essa descrição e verificar se estamos sendo povo ou se estamos sendo filhos de Yisrael. Teremos a oportunidade de aprender que nesses grupos de pessoas descritos na Toráh, ainda hoje muitos estão se encaixando na descrição. Dessa forma, devemos fazer a escolha de que tipo de pessoa classificada na Toráh queremos ser.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

O povo hebreu é libertado do Egito e D’us os conduz pelo deserto, não pelo caminho mais curto que cruza a terra dos filisteus, mas pelo mais longo para que não tivessem que lutar contra inimigos imediatamente, e desta forma desejarem retornar ao Egito, arrependidos e amedrontados de terem que enfrentar a imprevisível jornada. D’us os protegia através de nuvens durante o dia andavam à sua frente e uma coluna de fogo para iluminar o caminho à noite. O faraó arrepende-se de ter enviado o povo judeu em liberdade e segue à frente de seu exército a fim de persegui-los e aniquilá-los. O povo reclama a Moshê porque ele os tirou do Egito? Para perecerem agora no deserto?

Moshê fala que nada devem temer. D’us comanda a Moshê que levante a vara e fenda o mar. Ocorre um grande milagre e as águas do Yam Suf (mar de juncos) abrem caminho seco no meio do mar, formando paredes imensas em ambos lados, totalizando doze caminhos por onde passam as doze tribos. E as águas se fecharam castigando e trazendo a morte sobre os egípcios. E Miriam apanha um pandeiro e as mulheres saem atrás dela dançando. Após a travessia o povo judeu não encontra água por três dias, apenas águas amargas em Mará. D’us realiza novamente um milagre transformando as águas amargas em potável.

O povo continua reclamando, desta vez é por fome, D’us então envia alimento dos céus, o maná, na exata porção para cada um, sem sobras e sem poder ser guardado ou armazenado, pois apodrecia. Apenas Erev Shabat o man (maná) caia em porções duplas e estes deveriam ser guardados para o dia seguinte, pois era Shabat. Moshê reserva um man em um frasco a mando de D’us para ser descoberto por gerações futuras como testemunho da grandeza do Criador. E após recomeçarem nova jornada, há falta de água, mas Moshê bate na rocha e todos podem beber da fonte que jorra dela. A parashá termina com a luta entre Amalêc e Yehoshua com a vitória de Yehoshua e a promessa de D’us de que a memória de Amalêc será extinta.


ESTUDO DO CONTEXTO LITERAL, PRÁTICO E PROFÉTICO

E foi ao enviar o faraó ao povo, o Eterno não os guiou pela estrada principal que atravessa a terra dos P’ilishtim, por causa de sua proximidade – Elohim pensou que, ao ver a guerra, o povo poderia mudar de idéia e voltar ao Egito. Em vez disso, Elohim guiou o povo por uma rota indireta, através do deserto junto ao mar de Suf. Os filhos de Yisrael subiram armados da terra do Egito. Shemot/Ex 13:17 e 18


O texto nesta porção nos mostra várias coisas interessantes. Dentro do aspecto literal e histórico podemos verificar alguns fatos. O Eterno não conduz o povo pelo caminho dos filisteus que era mais acessível e mais rápido também, com o intuito de protegê-los evitando que vissem os horrores da guerra. Guardem este fato! Falaremos sobre ele mais adiante. E no lugar disso, faz com que o povo dê a volta pelo deserto até ao mar de juncos.

A Toráh nos citados versos ainda diz que os filhos de Yisrael saem do Egito armados. O site Emunah a fé dos santos, no comentário dessa parashá diz que o Faraó deixou ir o povo com a condição de que não voltassem mais, conforme pode ser visto em Ex 11:11 e 14:5. O Eterno não faz nada ilegal ou injusto, e por isso era muito importante que a saída deles fosse feita com o consentimento do Faraó, pois se não fosse assim, teria sido um furto, um ato ilegal. O Eterno não iria quebrar a sua própria Torah, pois ela é a expressão do seu caráter, é seu nome.

Essas coisas que mencionei acima são apenas uma pincelada nos fatos históricos a respeito dos versos, entretanto há mais coisas que podemos e devemos observar nestes versos, e que muitas vezes acabam passando desapercebidos em nossa leitura. Repare neles abaixo, agora com algumas palavras em negrito.



17 וַיְהִ֗י בְּשַׁלַּ֣ח פַּרְעֹה֮ אֶת־הָעָם֒ וְלֹא־נָחָ֣ם אֱלֹהִ֗ים ֚דֶּרֶךְ אֶ֣רֶץ פְּלִשְׁתִּ֔ים כִּ֥י קָרֹ֖וב ה֑וּא כִּ֣י׀ אָמַ֣ר אֱלֹהִ֗ים פֶּֽן־יִנָּחֵ֥ם הָעָ֛ם בִּרְאֹתָ֥ם מִלְחָמָ֖ה וְשָׁ֥בוּ מִצְרָֽיְמָה׃

18 וַיַּסֵּ֨ב אֱלֹהִ֧ים׀ אֶת־הָעָ֛ם דֶּ֥רֶךְ הַמִּדְבָּ֖ר יַם־ס֑וּף וַחֲמֻשִׁ֛ים עָל֥וּ בְנֵי־יִשְׂרָאֵ֖ל מֵאֶ֥רֶץ מִצְרָֽיִם׃


17 VAYEHY BESHALACH PAROH ET-HAAM VELO-NACHAM ELOHIM DEREKH ERETS PELISHTYM KY QAROV HU KY AMAR ELOHIM PEN-YNACHEM HAAM BIREOTAM MILECHAMAH VESHAVU MITSERAYEMAH:

18 VAYASEV ELOHIM ET-HAAM DEREKH HAMIDBAR YAM-SUF VACHAMUSHIM ALU BNEY-YISRAEL MEERETS MITSERAYM:


E foi ao enviar o faraó ao povo, o Eterno não os guiou pela estrada principal que atravessa a terra dos P’ilishtim, por causa de sua proximidade – Elohim pensou que, ao ver a guerra, o povo poderia mudar de idéia e voltar ao Egito.

Em vez disso, Elohim guiou o povo por uma rota indireta, através do deserto junto ao mar de Suf. Os filhos de Yisrael subiram armados da terra do Egito.


Já falei em outros estudos que a Toráh deve ser estudada com atenção e observação, pois sempre há coisas mais profundas em sua páginas que as meras letras no papel. Por exemplo, quando a Toráh repete palavras, escreve algo aparentemente errado, etc, devemos nos ater a estes detalhes para encontrar alguma coisa mais que o Eterno quer nos passar.

Nos versos que citamos acima no texto hebraico, transliterado e traduzido, é possível reparar algumas coisas. Vemos a palavra “povo” repetir três vezes e no final vemos o termo “filhos de Yisrael”. E com certeza isso tem um motivo!! Nada na Toráh é por acaso. E é nessa observação que entraremos no tema do nosso estudo.

Então vimos que “povo” repete três vezes, e com um pouco de guematria podemos entender que o número 3 aqui pode remeter aos 3 milênios depois que mashiach exerceu a primeira parte de seu ministério, onde neles pessoas tem libertas da escravidão do pecado e passam a servir ao Eterno através da obediência à Toráh. Guardem esse número, pois voltaremos a falar nele.

O autor Bruno Summa, em seu comentário da parashá Beshalach, no livro Sha’arei Torah, afirma que a Toráh faz diversas distinções entre os homens, inclusive dentre o Povo de Yisrael, o qual é separado em três classes: israelitas, levitas e sacerdotes. Segundo o autor, da mesma maneira, a Toráh também distingue os seres humanos, as pessoas, em três classes: homens que são criaturas de HaShem, homens que são povo de HaShem e homens que são chamados filhos de HaShem, e aqui sugiro guardar a palavra “filho”.


As classes de pessoas

Há diferenças claras entre essas classes de pessoas. A diferença encontrada entre o homem que é criatura de HaShem e o que é povo de HaShem é nítida, o primeiro é um homem comum, um simples vivente, que não reconhece o criador ou que o define através de conceitos idólatras. Já o que é povo de HaShem é aquele que de alguma forma está ligado ao Eterno através da Torah, mas falta algo nessa ligação. No entanto, o que muitos não conseguem compreender é a diferença que há entre ser povo de HaShem e ser filho de HaShem. Porque muitos acreditam que desde o momento em que um homem passa a fazer parte do povo do Eterno ele já é considerado filho. E aí está o engano que leva muitos ao legalismo, pois é preciso bem mais do que isso. Já dissemos em estudos anteriores que nem todos os que saíram do Egito eram hebreus, e nem todos os hebreus eram verdadeiramente filhos de Yisrael. Aqueles que se misturaram ou foram assimilados ao Egito e conseguiram sair com os demais, com certeza não era tratado pelo Eterno da mesma forma que os membros da tribo de Levi que não se contaminaram com o sistema egípcio, eles eram os remanescentes verdadeiros.

O mencionado autor diz que os versos lidos não apenas ensinam a diferença entre “povo” e “filho”, como também ensina que ser povo não significa necessariamente ser filho de HaShem. Cabe-nos então fazer uma pergunta: Quem são os filhos de HaShem?

A Toráh, nestes versos 17 e 18, se refere a Yisrael de uma forma genérica, como Haam - הָעָ֛ם - povo - durante 3 vezes consecutivas, no entanto, no final do verso 18, ao falar que estavam armados, ela os chama de Bney - בְנֵיfilhos. Vamos responder a pergunta, mas antes, outra pergunta: por que o Eterno na Toráh muda a forma de tratá-los? É aqui que está um Sod, um segredo! O Autor Bruno Summa, ainda faz outras perguntas: porque eles só são chamados de filhos quando é dito que estão armados? E como poderia uma nação que era escrava sair armada? E se estavam armados porque não poderiam lutar contra os filisteus e seguir pelo caminho mais curto? Essas perguntas mostram as dificuldades, e estas mostram o que o Eterno busca dos homens e como eles se diferenciam perante os olhos do Criador.


Uma Torah para cada tribo

Para chegarmos na resposta da nossa pergunta sobre quem são os filhos, devemos seguir por um caminho e buscar o entendimento sobre a própria Toráh. Ela também é chamada dentre o povo de CHUMASH - חומשׁ - é um termo derivado de CHAMESH - חמשׁ - que é o nome do numeral 5, é uma alusão direta aos 5 livros que a compõe. Outro fato importante a respeito da Torah que muitos não conhecem é que o livro de B’midbar/Números é um compêndio de 3 livros, e se fossem separados, a Toráh seria composta de 7 livros. Está atento? Vai prestando atenção! Vemos aqui, profeticamente, um livro da Torah para cada dia da semana e para cada um dos 7 milênios. Segundo o Rav Yochanan Ben Yaakov, da Kahal Teshuvah Brasil, o livro de Devarim/Deuteronômio é um compêndio de 5 livros. Então temos Bereshit, Shemot, 3 em Bamidbar, Vayicrá e 5 em Devariam, que fazem 11 livros, mais a Toráh oral, que faria com que a Toráh ficasse com 12 livros. E dentro dos códigos seria um livro da Toráh para cada uma das tribos. E pensem, qual tribo ficaria com a Toráh oral? Se você pensou tribo de Levi, acertou!!

Essas informações são muito importantes para entendermos o que é dito no verso 18, e para compreendermos quem é chamado de filho. Esse verso diz que os filhos de Yisrael saíram armados, e a palavra hebraica que a Torá utiliza é CHAMUSHIM - חֲמֻשִׁ֛ים – e repare que tanto CHUMASH quanto CHAMUSHIM são da mesma raíz hebraica e possuem a mesma origem, e como CHUMASH é um dos nomes da Toráh, podemos entender claramente que as “armas” que os filhos de Yisrael possuíam, profeticamente falando, quando saíram do Egito não eram meras espadas e lanças, mas sim a Toráh. Os filhos de Yisrael saíram do Egito armados com a Toráh. Mas como poderia ser isso, se eles ainda não tinham chegado ao Sinai e a Toráh ainda não lhes tinha sido dada?

Segundo Bruno Summa, “armados” em hebraico é CHAMUSHIM - חֲמֻושִׁ֛ים, porém nesse verso está escrito CHAMUSHIM - חֲמֻשִׁ֛ים, sem a letra Vav (ו). E essa palavra escrita dessa forma pode também ser lida como CHAMASHIM, que significa 50, que vai dar a raíz guemátrica de 5, que é uma alusão à Toráh. Ou seja, eles tinham a Toráh oral recebida dos descendentes de Shem, e mesmo sem terem a Toráh escrita ainda eles já tinham atingido alguns níveis de sabedoria apenas através da observância de alguns mandamentos específicos. Atingiram certos níveis de justiça, com uma vida de obediência.

Assim, podemos entender sobre o sentido real e profético das “armas” dos filhos de Yisrael e o que significa estar armados com a Toráh. Não significa carregá-la embaixo do braço, decorá-la ou praticar por praticar, mas estar armado com a Toráh significa obter sabedoria verdadeira, que só pode ser conquistada por aqueles que a estudam e aprendem a aplicar suas instruções nos momentos certos. Quando Yisrael juntou a sabedoria da Toráh à oração e ao louvor que é citado por David no Samos 119:164, que diz: Sete vezes por dia eu te louvo. Nada poderia ficar em seu caminho, nada nesse mundo pode impedir de seguir em frente. E isso é verdadeiro em nossos dias também.


Os filhos de Yisrael

Agora vamos responder à pergunta. Depois de tudo o que dissemos até aqui, fica mais fácil compreender o motivo de a Toráh se referir às pessoas que saíram do Egito como povo por 3 vezes e depois como filhos de Yisrael. Veja, povo é uma alusão às pessoas egípcias e de outras nações que saíram com os hebreus, e também é uma referência aos hebreus que não eram os remanescentes obedientes da tribo de Levi. E filhos de Yisrael é um apontamento para os remanescentes da tribo de Levi que obedeciam a Toráh, ou seja, que realmente estavam armados, conforme vimos acima.

Aquela multidão formada por diversas pessoas chamada de povo não podem ser filhos até que ajam como tal, até que a Toráh seja parte de sua vida e lhes dê sabedoria como deu aos levitas, pois perante os olhos de HaShem, filhos são os que adquirem sabedoria da Toráh e se armam com ela. O autor Bruno Summa diz que, dentre as pessoas que servem ao Eterno e tentam ser parte de Yisrael, existem pessoas e pessoas, ou seja, haverá os que servem ao Eterno por tradição, por legalismo ou como meio de conseguir uma vida melhor, e até mesmo pela salvação. E esses são considerados por HaShem como seu povo. Entretanto, no meio dessas pessoas há os poucos que observarão a Toráh por amor, sem expectativas de recompensas pelo que fazem, sem barganhar com o Eterno e vislumbrando mais a vontade do criador do que os seus próprios desejos pessoais. Esses não serão apenas povo, eles serão chamados de Filhos, são os que estarão mais próximos ao messias fazendo parte do sacerdócio, da mesma forma que os que foram chamados de filhos de Yisrael ao sair do Egito.


Os filhos de Efraim

Retornando ao número 3, que eu falei para guardarem no início. Há um midrash em Shemot Rabbah 20:11 afirmando que parte da tribo de Efraim cometeu um erro ao calcular a contagem dos 400 anos de escravidão no Egito. Isso fez com que essas pessoas resolvessem se levantar, tomarem suas coisas e partirem por conta própria, deixando a terra do Egito. Isso ocorreu antes do Faraó da época de Moshê decidir escravizar o povo. Eles saíram na mesma época que Yóv, Yitróh e Bilam. O citado midrash, diz que ao saírem, no meio do caminho, havia a terra dos filisteus que ao verem trezentos mil homens atravessando suas terras, os atacaram e os mataram em um massacre deixaram seus cadáveres à vista. Os hebreus que permaneceram no Egito souberam disso e ficaram com medo.

Agora vamos a alguns apontamentos proféticos. A tribo de Efraim era de pessoas justas, mas resolveram deixar seus irmãos e sair do Egito. Sua justiça serviu de expiação para os hebreus que no futuro deixariam o Egito. Note, que 3 milhões de pessoas saíram do Egito com Moshê, e as vidas justas dos 300 mil ajudou a expiar seus pecados. Repare ainda no número de 300 mil homens, essa é uma raiz 3, que aponta para os 3 milênios em que pessoas tem sido retiradas dos sistemas religiosos através da obra de mashiach. Esses que saem das nações através da obra de mashiach também são conhecidos nas profecias como filhos de Efraim, casa de Efraim ou Casa de Yisrael. Eles são os remanescentes!

Outra coisa que é importante destacar, é que através do citado midrash entendemos o possível motivo de o Eterno não querer levar os hebreus pelo caminho dos filisteus, conforme vemos n verso 17. Eles se lembrariam do que aconteceu com os da tribo de Efraim e sentiriam medo e desejariam voltar ao Egito. Por isso o Eterno sabendo de seus temores os poupa e leva-os pelo deserto, onde tratariam seus medos e aprenderiam a depender do Eterno.

Encerrando então o estudo, podemos mais uma vez comprovar que nada que está escrito nos textos sagrados é por acaso, e é por isso que são sagrados, pois nada nessa terra se compara às palavras do Eterno. E você precisa refletir: tu és povo ou filho? Espero que depois desse estudo, se tinha alguma dúvida, possa decidir em que classe de pessoas está e viver como filho.

Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Pr/Rav Marcelo Peregrino Silva (Marcelo Santos da Silva - Moshê Ben Yosef)


sábado, 15 de julho de 2023

Estudo da Parashá Matot e Masei - 2022-2023 - Na jornada com Yisrael

 


Estudos da Torá

Parashá nº 42 e 43 – Matôt/Mas’ei (Tribos/Partidas)

Bamidbar/Números Nm 30:1-32:42/33:1-36:13,

Haftará (Separação) Jr 1:1-2:3/2:4-28. 3:4, 4:1-2; e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mt 5:33-37; Tg 4:1-12.


Tema: Na jornada com Yisrael


Essa semana falaremos sobre a jornada do povo de Yisrael pelo deserto antes de entrar em Kenaan, junto com os que se ligaram a eles na saída do Egito. E veremos a ligação profética que essa jornada tem com o caminho de teshuvah que os nazarenos trilham a partir dos ensinos do mestre Yeshua, o nosso Mashiach e irmão mais velho. Traremos através da visão do profeta Yirmeyahu/Jeremias a ligação profética do Yisrael do deserto com o Yisrael nazareno cumpridor de Torá que vem caminhando nessa jornada desde o 4º milênio.


A PARASHÁ DA SEMANA


Estudamos duas porções juntas essa semana, a porção Matôt e a Masei, e assim finalizaremos o livro de Bamidbar/Números.

A parashá Matôt (Tribos) inicia com um tratado a respeito das leis de nedarim (votos). Passando após para a descrição da batalha do povo de Israel contra os Midianitas e a consequente vitória, bem como a narrativa detalhada da distribuição dos despojos de guerra. Relata ainda o pedido das tribos de Reuven (Rubem) e Gad de assumir a possessão de sua herança daquele lado do rio, pois seria melhor para eles criarem seus gados. Após alguma discussão, Moshê concorda, mas apenas sob a condição de que ajudassem o restante da nação a conquistar toda a Terra, antes de retornarem para estabelecer-se no seu legado.

Já na parashá Mase’i (Partidas), inicia-se com um resumo de toda a rota viajada pelo povo de Israel durante os quarenta anos no deserto, desde a saída do Egito até a chegada às margens do Jordão. O Eterno ordena que retirem todos os cananitas da terra e dá os limites das fronteiras exatas da terra de Israel. Já que os levitas não receberiam uma porção como os demais, cidades especiais foram separadas para eles. Alguns destes locais serviriam também como cidades de refúgio para alguém que, sem intenção, tenha matado uma pessoa, e então fugiria para uma destas cidades para buscar abrigo e evitar a vingança de um parente próximo da vítima, lá permanecendo até a morte do atual Cohen Gadol. Determina várias instruções e parâmetros para as diversas situações em que seriam sujeitas acontecer assassinatos e encerra assim, com mais informações sobre as filhas de Tslofchad e as leis sobre herança.

Sendo assim, como sempre fazemos vamos pinçar um dos temas da parashá ou porção para comentar, e nesse estudo daremos ênfase especial à questão dos votos, e o que eles têm a ensinar para as nossas vidas a respeito de autoridade.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ


Apesar de termos estudado essa semana duas porções. Em nosso estudo de hoje, veremos parte da porção Masei, e vamos falar sobre as jornadas dos b’ney Yisrael/filhos de Yisrael pelo deserto, antes de tomarem posse da terra. Essa parashá faz um resumo dessa jornada. Vamos ao texto da Torá que tomaremos por base.


Estas são as jornadas dos filhos de Yisrael, que saíram da terra do Egito, segundo os seus exércitos, sob a direção de Moshê e Aharon. E escreveu Moshê as suas saídas, segundo as suas jornadas, conforme ao mandado do Eterno; e estas são as suas jornadas, segundo as suas saídas. Partiram, pois, de Ramessés no primeiro mês, no dia quinze do primeiro mês; no dia seguinte da páscoa saíram os filhos de Yisrael por alta mão, aos olhos de todos os egípcios, enquanto os egípcios enterravam os que o Eterno tinha ferido entre eles, a todo o primogênito, e havendo o Eterno executado juízos também contra os seus deusesNm 33:1-4.


Primeiramente, o que podemos perceber na leitura destes versos é que Moshê vai fazer uma retrospectiva das jornadas do povo de Yisrael. Mas note que o texto diz que o Eterno mandou ele escrever, então ele começa a recapitular a relembrar as partes da jornada.

Vejamos um pouco do conceito da palavra que dá nome a essa parashá. Mas antes, vou pedir para você guardar bem o a primeira frase do texto da Torá, pois retornaremos a ela no final do estudo.


O significado de Masei

O povo de Yisrael ao estudar essa parashá geralmente utilizam três traduções possíveis para a palavra מַסְעֵיmasei, usam “jornadas”, “partidas” e “caminhadas”. No entanto, a palavra masei é uma forma plural possessiva da raiz masah que traz os seguintes significados: saída, ponto de partida, viagem e marcha. Mas dependendo do contexto também pode significar: levantamento (de estacas ao desmontar tendas), ação de levantar acampamento, jornada, estação ou parada. Assim, o termo masei aqui nesta porção parece implicar não somente os lugares onde acamparam os filhos de Yisrael, mas também as jornadas que se fizeram entre esses lugares.

E por jornadas podemos refletir nas várias coisas que aconteceram no deserto por onde eles passaram. Cada coisa sejam trágicas com os teimosos e rebeldes ou abençoadoras com os fiéis e obedientes ao Eterno. Tudo fez parte da jornada, do aprendizado daquele povo ao sair do Egito, depois de tanto tempo de dura escravidão.

Segundo o site Shema Ysrael, outra informação importante, diz respeito aos que “saíram da terra do Egito, segundo seus exércitos”. Essas pessoas já saíram do Egito como guerreiros que viriam a compor os exércitos de Yisrael, apesar de nada saberem sobre guerra. Aqui a palavra “exércitos” vem do termo hebraico tsaba’ e significa “guerra, exército”. Significa um amplo emprego no sentido de prestar serviço. É usado também com respeito aos levitas e seu trabalho na tenda da congregação. Isso é interessante! Porque já sabemos que os levitas era quem verdadeiramente carregavam o título de filhos de Yisrael, já que seguiam desde o Egito em obediência ao Eterno, em detrimento de seus irmãos de outras tribos que muitos acabaram assimilando os costumes pecaminosos daquela terra. Um outro detalhe interessante é que a Torá considera que a caminhada do povo de Yisrael pelo deserto não foi um ato isolado, mas sim uma determinação do Eterno para que este povo fosse ali tratado! O deserto seria o tempo de tratamento e ensino para os que ainda não viviam de acordo com a vontade de HaShem. Inclusive, os “guerreiros” que são aqueles que serviriam para “defender” o povo, quando o Eterno ordenasse, e até mesmo os levitas eram considerados como “guerreiros” do Senhor – pelo menos a nível espiritual, ou seja, de vida de obediência – enquanto serviam no Tabernáculo! Ainda um outro aspecto interessante é que a roupa dos sacerdotes tem uma configuração semelhante à da armadura que Paulo descreve em Efésios 6, conforme já vimos em parashiot passadas, quando falamos das vestes sacerdotais.

Então, o entendimento que podemos tirar até aqui é que masei, jornadas, estágios, partida, viagem e todas as demais palavras que podem ser usadas aponta para um povo que se levanta em uma jornada ou viagem, prontos para enfrentar qualquer coisa nesse caminho pelo qual trilharão, verdadeiramente como um exército. Esses são representados pela casa de Yisrael que tem se levantado ao longo dos milênios desde Yeshua, e tem caminhado em direção à plena vontade de HaShem e para o cumprimento das promessas. Mas não pare por aqui. Ainda temos mais a aprender.


O Eterno manda escrever

E escreveu Moshê as suas saídas, segundo as suas jornadas, conforme ao mandado do Eterno; e estas são as suas jornadas, segundo as suas saídas. Nm 33:2


Neste verso Moshê registra ou escreve a respeito dessas jornadas pelo deserto e seus vários pontos e paradas, e cada uma delas carregadas de lembranças dos 40 anos de caminhada. As palavras “E escreveu” foram traduzidas do termo hebraico וַיִּכְתֹּבvaykhetov, que provém das raízes כָּתַב - katav – escrever, registrar ou alistar e כִּתֵּב -kitov – talhar, inscrever ou gravar.

Podemos entender que talvez a intenção do Eterno ao mandar Moshê escrever, relatar ou registrar as jornadas seria realmente, fazer com que aqueles acontecimentos não se perdessem no passado, sendo esquecidos, registrando assim, para a posteridade, tamanha a sua importância! Um outro detalhe muito importante é que estas “jornadas” aconteciam conforme ao “mandado do Eterno”. Aqui a palavra que define o Eterno no texto em hebraico é o tetragrama, e isso significa que o Eterno estaria, mais uma vez, se tornando aquilo que seu povo necessitava d´Ele enquanto caminhava pelo deserto!

Outro detalhe é que o relato nos informa que tal registro vem desde a saída do Egito, quando o Eterno feriu aos egípcios e fez Yisrael passar pelo Mar dos Juncos. A palavra “ferir” em hebraico vem do termo naka e significa “ferir, golpear, bater, atingir, abater, matar”. Pelo contexto, sabemos que esta palavra nos fala sobre abater, matar, pois os egípcios tiveram de “enterrar” seus mortos após a passagem do povo por aquele local! E a palavra ainda nos fala sobre o juízo que o Senhor fez aos deuses egípcios. Uma coisa a notarmos aqui é que a palavra traduzida em muitas bíblias como Senhor, é no hebraico o tetragrama! Que trocamos por HaShem, Eterno entre outros. Isso significa que o Eterno se tornou aquilo que os deuses egípcios precisavam que Ele se tornasse para eles, ou seja, juízo! Inclusive, esta palavra “juízo” vem do termo hebraico shepet e significa “julgamento”; porém esta palavra aparece sempre no plural e tem o sentido de julgamento penal, condenação, ou seja, castigo! Os deuses egípcios foram julgados pelo Eterno a fim de serem punidos e nada puderam fazer contra Ele! Isso ocorreu para mostrar aos pagãos egípcios da época que as divindades que eles idolatravam nada eram. Com toda a força que seus adoradores achavam que eles tinham, não puderam impedir que a manifestação do Eterno fosse detida e não os derrotasse!

Com isso, deve ficar claro para nós, que é impossível deter as poderosas manifestações de juízos ou castigos que o Eterno lança contra os inimigos de seu povo. Pode até parecer por um momento que há vitória para eles ao fazerem o povo de HaShem sofrer, mas como diz o Salmo 92:6-7: O homem brutal não conhece, nem o louco entende isto. Quando o ímpio cresce como erva e quando florescem todos os que praticam a iniquidade, é que serão estruídos perpetuamente. Quando o Eterno determina que o juízo aconteça, ninguém poderá deter seu intento, e se não ocorre hoje, com certeza ocorrerá no futuro.

Podemos refletir um pouco sobre o fato de Moshê ter escrito as viagens dos filhos de Yisrael, seguindo a ordem do Eterno, e percebemos que ele cita com alguns detalhes esses lugares, mencionando os nomes, ora os nomes de antes deles passarem, ora os nomes que receberam ao passar. Mas isso demonstra que há vários propósitos para essas citações. Vejamos então, de acordo com o site Emunah a fé dos santos, alguns dos propósitos:

1 - Para mostrar às gerações futuras, que a saída do Egito de milhares de pessoas não é uma lenda. Há datas específicas de lugares conhecidos, mostrando que realmente estiveram ali. A maioria dos desertos descritos neste relato eram inóspitos. Um grande número de pessoas, homens, mulheres e crianças, jamais poderia ter sobrevivido em condições normais. Somente a intervenção divina podia suprir as suas necessidades naqueles lugares tão insalubres.

2 - Também, para dar a conhecer a bondade do Eterno. Muitos pensam que eles ficaram andando pelo deserto desordenadamente, mas nada é por acaso. Em 40 anos, viajaram 42 vezes. Como tal, não estiveram a vaguear de um lado para o outro a todo o momento, visto que em vários lugares ficaram acampados a longo prazo. Rashí menciona que só houve 20 viagens em 38 anos, porque se fizeram 14 viagens durante o primeiro ano, oito viagens depois da morte de Arão no quadragésimo ano. Além disso estiveram em Kadesh durante 19 anos. Durante o resto do tempo estiveram em 19 acampamentos durante 19 anos, que corresponde a uma média de uma viagem por ano.

3 - Outro propósito, que podemos observar, de acordo com o mencionado site, foram escritas para que os filhos de Yisrael soubesse que as suas peregrinações foram ditadas por um plano definido pelo Eterno.

4 - Ainda consideramos, que foram escritas para que nos lembremos da viagem no deserto. Quando vivemos na prosperidade, há que lembrar os momentos difíceis que nos levaram até ali. Assim nos manteremos humildes e gratos. Se não tivesse sido pela provisão dada pelo Eterno, nunca poderíamos ter chegado tão longe.

5 - E por último, devemos considerar como propósito, os apontamentos proféticos, que são os mistérios que o Eterno revela aos seus servos obedientes.

Com tudo o que vimos até aqui, podemos entender que HaShem se utiliza dessas informações de lugares e situações que aconteceram, para ensinar valiosas lições ao seu povo. E também com a onisciência do Eterno, que conhece tudo no passado, presente e futuro, pois para ele não existe a limitação do tempo, usou os erros do povo para deixar importantes ensinos aos descendentes dos filhos de Yisrael, e a todos os que se aproximam do Eterno.


O caminho de obediência

Eis as jornadas dos filhos de Yisrael...eles viajaram...e eles acampara...e eles viajaram...e eles acamparam…”.


A Torá nos indica os locais em que os filhos de Yisrael acamparam no deserto. Está claramente descrito no início do texto desta parashá, conforme temos visto neste estudo. Agora podemos refletir mais um pouco e nos perguntar o seguinte: Por quê a Torá diz “...estas são as jornadas dos filhos de Yisrael…” e não estes são os acampamentos dos filhos de Yisrael…”?

É óbvio que para cada parada houve um jornada. Porém Moshê escolheu contar também os acampamentos. Além disso, se Moshê quer nos contar a viagem dos filhos de Yisrael pelo deserto, ele poderia ter dito “esta é a jornada, a viagem”, no singular, mas ele fala no plural, “estas são as jornadas”. Por quê ele escolhe falar no plural?

Aqui temos algo muito importante a aprender com a Torá. Vejamos duas coisas:

- “as jornadas” – um filho de Yisrael deve sempre seguir em frente. Quando cumprimos a vontade de D’us não devemos nunca no deter. É preciso que sempre progredir e crescer, tanto no entendimento da Torá, quanto no relacionamento com HaShem. A Torá não nos fala de uma só jornada, mas de numerosas. Existiram diversas situações no cotidiano da vida dos filhos de Yisrael durante esse tempo. Claro que nem todas foram escritas, apenas as mais importantes. Porém, todas elas fizeram parte das jornadas deles, pequenas e grandes situações, problemas, dificuldades, e muitas vitórias. O crescimento e elevação de muitos deles fizeram parte dessas jornadas. Da mesma forma podemos falar a respeito da nossa, uma vez que cada uma das coisas mencionadas na Torá são apontamentos proféticos que visam revelar o futuro, nós também fazemos parte disso, já que estamos no futuro daqueles israelitas, assim como, os que vierem depois de nós. Nossas jornadas na Teshuvah são muitas! Nosso dia a dia na caminhada, nossas lutas internas e externas, dificuldades enfrentadas pela falta de compreensão de parentes, amigos e alguns ex-irmãos de onde congregávamos. Tudo isso faz parte de nossas jornadas, e tudo tem nos ensinado, nos feito crescer e nos elevado diante do Eterno. Cada decisão que tomamos em direção ao Eterno representa um nível de crescimento nestas jornadas. Por isso, sempre e em qualquer situação é preciso avançar, seguir em frente.

- “as jornadas” – são um ensinamento para cada filho de Yisrael, e para cada judeu. Para aquele que está longe da Torá, que não cumpre as Mitsvot/mandamentos, ele não deve se desesperar. Mas também, não deve permanecer neste estado. “Masei - as jornadas” vem ensinar que ele deve progredir, avançar cada vez mais, conforme disse acima. Porém, principalmente para o que está longe da Torá, que precisa se decidir e começar a fazer teshuvah o quanto antes. Começar a trilhar o caminho agora, enquanto dá tempo de se arrepender e começar a se elevar. E para aquele que respeita a vontade de HaShem, que já cumpre os mandamentos que lhe são cabíveis, que não tem costume de pecar, ou seja, o pecado é apenas um acidente em sua vida. Para aquele que ajuda outros a se aproximarem da Torá, ele não tem o direito de se deter, precisa realmente seguir em frente. Uma vez que está sendo observado por outros. “Massei - as jornadas” vem nos ensinar que precisamos avançar sempre! Para fazer a vontade do Eterno, não devemos nunca contentar-nos com o que já fizemos. Não temos o direito de achar que pelo fato de já obedecer, podemos nos tranquilizar e estabilizar, estagnar. Isso seria uma séria transgressão! Não podemos parar em uma zona de conforto. É preciso praticar os mandamentos apendidos todos os dias, acrescentar boas ações e continuar progredindo sempre, melhorando nossa obediência na forma de cumprir, por exemplo, o shabat, as moedim, olhar se as mezuzot de minhas portas estão com bom aspecto, se estou usando os tsitsiot como deveria e se estão em bom estado. Aumentar nosso critério na observação dos alimentos que compramos, e como estamos vivendo em casa com a família e no nosso trabalho, dentre tantas outras coisas. Avançar no caminho da teshuvah cumprindo a Torá da forma que o mashiach Yeshua ensinou deve ser nosso propósito, a fim de aguardarmos a redenção e retorno de Yeshua para acordar os da primeira ressurreição.

Essas jornadas que vemos nessa parashá Masei, nos explicam ainda que para atravessar o “exílio”, como os judeus dizem por estarem longe da terra, precisamos imitar alguns comportamentos dos filhos de Yisrael que estavam no deserto ao se dirigirem do Egito a erets/terras Yisrael. Vemos na Torá que eles atravessaram por 42 jornadas ou etapas. Da mesma forma todo judeu e remanescente deve atravessar este exílio por 42 etapas a serem superadas, a fim de conseguirem entrar em erets Yisrael quando se der o retorno de Mashiach. Note que no deserto os dois últimos preparativos para entrarem nas terras de Yisrael foram a casherização dos utensílios e a pureza pessoal. O mesmo deve acontecer conosco na atualidade. Um esforço particular cada vez maior é necessário para tudo que se refere à pureza e santificação de nossas vidas, como nossa alimentação e à pureza familiar. Isso quer dizer, que tudo o que comemos, seja literalmente, no sentido de alimentos, ou no sentido metafórico, em se tratando do que aprendemos, deve ser puro. Precisa passar pelo crivo da Torá. Em relação à pureza familiar, devemos nos esforçar juntos aos da nossa casa para obedecer aos mandamentos, e levar isso à outras famílias. Mas se você ainda está só nas jornadas, se mantenha firme, pois sua vida de justiça servirá de esteio e de amparo para a revelação da verdade para seus entes queridos. Continue caminhando e logo o Eterno providenciará essa purificação para os seus. E se de todo isso não ocorrer nesse período de nossas jornadas, no futuro reino do messias eles terão a oportunidade de aprender a verdade, através de toda sua obediência de hoje. Eis aí, a importância de se obedecer aos mandamentos hoje, e que muitos não entendem. Porém, a existência desses mandamentos nos permitem nos preparar para a entrada nas terras de Yisrael, quando a libertação plena prometida se cumprir com o retorno de nosso mashiach Yeshua.


Os segredos por trás das jornadas dos filhos de Yisrael

Antes de concluir nosso estudo, vejamos ainda mais algumas coisas importantes para nossas jornadas. Estamos aprendendo vários apontamentos nessa parashá que indicam nossa caminhada com o Eterno. Mas quero ainda, mostrar um segredo dentro do texto em hebraico que indica de forma clara o caminho dos remanescentes descritos em código.


Estas são as jornadas que os Filhos de Israel... Nm 33:1


Por que foi necessário repetir na Torá a jornada de Yisrael, aqui? O rabino Baal Shem Tov explica que essa jornada física pelo deserto é um reflexo da jornada espiritual, ou seja, das jornadas proféticas ou de obediência à Torá, que cada pessoa irá encontrar desde o dia que nascem até sua morte.

O Midrash explica que neste discurso de adeus de Moshé para o povo de Israel, que continuará no próximo sêfer/livro, ele lembrou os eventos que eles passaram juntos. É também para nos lembrar que cada lugar e situação nos deixam uma marca, até mesmo se a marca for invisível. Também, nós tentamos deixar marcas nos lugares que visitamos.

Mas o Eterno deixou marcas para que pudéssemos perceber essas jornadas e aprender com elas, conforme viemos aprendendo hoje. E nessa frase inicial da parashá Masei, há um código escondido que veremos agora.

A frase “Estas são as jornadas que os filhos de Yisrael...” aqui esconde uma pista para Galut /Exílio que os filhos de Israel iriam passar no futuro, observe o texto em hebraico abaixo:


אֵ֜לֶּה מַסְעֵ֣י בְנֵֽי־יִשְׂרָאֵ֗ל

Eleh masei bney Yisrael


Essas letras em vermelho iniciando as palavras apontam para onde os filhos de Yisrael no decorrer de sua história seriam levados ao exílio. Vejamos:

- אֵ֜לֶּה – Eleh – Estas – A palavra em hebraico mostra o exílio para Edom;

- מַסְעֵ֣י - masei – jornadas – A palavra mostra o exílio para Midiã;

- בְנֵֽי – bney – A palavra mostra o exílio para Bavel;

- Yisrael – Yon - A palavra mostra o exílio para a Grécia, ou seja, para as nações. Onde muitos da casa de Yisrael e de Yehudah estão ainda hoje.

Assim, concluindo nosso estudo vimos que o Eterno tem estabelecido em sua Palavra os apontamentos dentro do tempo e das jornadas do povo para que em cada geração os remanescentes fiéis possam descobrir e entender como caminhar em meio aos desertos e exílios.

Que possamos ao compreender essas coisas, que o Eterno tem nos chamado e devemos a cada dia trilhar essas jornadas com os filhos de Yisrael e como filhos de Yisrael.

Hazak, hazak, v’nit’chazek! Seja forte, seja forte, e sejamos fortalecidos!


Que HaShem lhes abençoe!


Pr./Rav Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)