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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Estudo da Parashá Mishpatim - Mandamentos que não geram recompensas.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 18 – Mishpatim (Regras)

Shemot/Êxodo 21:1 – 24:18

Haftará (separação) Jr 34:8-22; 33:25,26 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Mt 5:38-42; 15:1-20; Hb 9:15-22.


Tema: Mandamentos que não geram recompensas.


Quando pensamos nos mandamentos do Eterno, geralmente acreditamos que todos eles foram dados para trazer bênçãos e recompensas àquelas pessoas que os cumprem. Na verdade, há mandamentos na Torá que prometem prosperidade, proteção e uma conexão mais profunda com o Criador. No entanto, há um grupo específico de mandamentos que não existem para premiar quem os obedece, mas sim para impedir a destruição do próprio homem e da sociedade em que vive.

Esses são os Mishpatim, as leis de justiça e moralidade que regulam as relações humanas, garantindo a ordem, a dignidade e a equidade entre os povos. Diferente dos Chukim, que encaminham à submissão a vontade do Eterno mesmo sem explicação lógica aparente, e dos Edut, que servem como testemunhos espirituais da aliança entre o Criador e Yisrael, os Mishpatim são mandamentos racionais e universais, compreensíveis até por aqueles que não seguem a Torá.

Mas se essas disposições não trazem recompensas diretas para quem os cumpre, por que eles são tão essenciais? A resposta é simples: sem justiça, sem honestidade e sem integridade, a sociedade se derrota. O propósito dos Mishpatim não é elevar espiritualmente quem os pratica, mas evitar que a corrupção, a opressão e a ganância tomem conta do mundo.

Neste estudo, exploraremos o papel dos Mishpatim na Torá, sua importância para toda a humanidade e como os profetas e os emissários de Yeshua fortaleceram essa verdade ao longo da história. Veremos que, mais do que uma escolha, a justiça é uma necessidade para a sobrevivência da civilização.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá desta semana é chamada de Mishpatim. Nela, o Eterno revela ao povo de Yisrael diversas instruções sobre justiça, relações sociais, escravidão, compensações, danos, empréstimos, honestidade e a observância do Shabat e das festas anuais.

O Eterno estabelece regras sobre a servidão, determinando que um hebreu que sirva a um senhor deve ser libertado no sétimo ano, a menos que a escolha permaneça voluntariamente. São estabelecidos punições para o homicídio, agressão e danos físicos.

O Eterno determina que, se um boi ferir alguém e isso resultar em morte, o dono do animal pode ser responsabilizado, especialmente se houver negligência prévia.

Quem roubou deverá restituir com acréscimos. Existem diferentes regras para furto de animais e destruição de propriedade alheia.

O Eterno condena a opressão contra o estrangeiro, a viúva e a órfão. Também proíbe a prática de feitiçaria e idolatria. Ordena que a justiça seja aplicada de forma imparcial, sem aceitar suborno ou distorcer o direito dos necessitados.

São reafirmadas as instruções sobre o descanso no sétimo dia e a observância de três festas: Chag HaMatzot (Pães Ázimos), Chag Shavuot (Festa de início da Colheita/Shavuot) e Chag Sucot (Festa da Colheita Final/Sucot).

O Eterno envia um malach (mensageiro) para guiar Yisrael à terra prometida, anunciando sobre a importância de obedecer Suas instruções. E Moshê sobe ao Monte Sinai, onde permanece por 40 dias e 40 noites para receber as tábuas da aliança.

Mishpatim nos ensina que servir ao Eterno não se limita à fé, mas se manifesta nas nossas ações diárias, na justiça social e na honestidade com o próximo. Como está escrito: “E farás o que é reto e bom aos olhos do Eterno” (Devarim 6:18).


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

Esses são os mishpatim que lhes deve apresentar. Ex 21:1


Conforme comecei a dizer na introdução acima os Mishpatim (regras)são instruções do Eterno que regem a justiça social, a moralidade e as relações humanas. Diferente dos Edut (testemunhos) e Chukim (decretos), que muitas vezes transcendem a lógica humana e visam conectar o homem ao Eterno de maneira mais profunda, os Mishpatim são leis racionais e universais. Eles não existem para trazer mérito ou recompensa, mas, na verdade, seu propósito é impedir a autodestruição do homem e da sociedade, já que eles são regras de bem conviver.

HaShem ao estabelecer essas leis, está ensinando à humanidade que sem justiça, sem honestidade e sem respeito mútuo, uma civilização cairá na corrupção e na destruição. Vejamos então, um pouco mais de perto o que a Torá quer nos ensinar com essas regras e qual seu propósito.


1. Proteção, não recompensa.

Os Mishpatim ou regras que o Eterno estabeleceu lidam com questões como justiça social, honestidade, responsabilidade e relações humanas. São leis que regulam o comércio, as deliberações por crimes, a proteção aos mais vulneráveis ​​e a importância da verdade nos julgamentos, como já disse antes. A grande diferença entre eles e outros mandamentos da Torá é que ninguém recebe um “prêmio” por cumpri-los. Você não ganha méritos espirituais por não roubar, por não mentir em tribunal ou por pagar um trabalhador em dia. Você simplesmente está impedindo que a sociedade entre em colapso pela injustiça.

Bruno Summa fala sobre isso, em seu comentário dessa parashá em Sha’arei Torah – Portões da Torah – Shemot 3. Ele diz que nos Mishpatim estão inclusos os mandamentos que são lógicos ao homem e que permitem ao ser humano viver em uma sociedade harmoniosa. Os mandamentos que compõem esse terceiro grupo não são mandamentos que visam recompensar o homem que os observa como visam os mandamentos inclusos nos dois primeiros grupos, os Edut e os Chukim, mas seus reais objetivos são para que o homem não seja condenado e destruído pela sua própria corrupção e ganância.

O autor ainda diz que, essa parashá apresenta inúmeros mandamentos lógicos e que devem ser observados para que todos os seres humanos possam conviver em sociedade, como por exemplo a proibição do assassinato, roubo, leis monetárias e financeiras, posses e propriedades, direitos cíveis e todo tipo de ordenança que possam ser julgadas e revistas por juízes terrenos. Ele também diz que diversas leis inclusas nessa porção da Torá formam a base cível da vasta maioria das sociedades modernas e são elas as leis básicas do direito. Pelo motivo de serem leis que visam o bem social e são baseadas no bom senso humano, observá-las não garante bênçãos e benesses do Eterno, no entanto, se não observá-las, por conta de seu caráter lógico, trará ao homem punições extremamente catastróficas, segundo o autor. As leis de Mishpatim estão diretamente associadas à continuidade da vida de um homem sobre a terra. Observe o que o profeta diz:


E Tsion será salva pelo mishpat, e os que se arrependem pela tsedakah. Is 1:27


Há um segredo aqui nesse verso, ele menciona salvação, associando dois pontos, mishpat e tsedakah, e isso nos revela que na verdade o profeta fala de salvação no plural, duas salvações. A primeira ligada a mishpat trata de salvação física e a segunda, ligada à tsedakah trata de vida eterna. Veja que o homem que se arrepende e faz teshuvah se engajando na tsedakah inevitavelmente irá se apegar aos mandamentos dos outros dois grupos. Estes mandamentos da Torah não visam apenas bons e longos dias na terra, no ponto de vista físico, mas também visam garantir o mundo vindouro. Já os ligados ao mishpat estão ligados à vida terrena, coisas ligadas à vida antes do mundo vindouro. Observe o que fala o profeta Yechezkel 18:5-9 e veja como está conectado com esse assunto, mostrando que a justiça não é uma virtude opcional, mas uma base para a sobrevivência de uma nação. Este trecho demonstra claramente que a verdadeira retidão se manifesta na aplicação prática da justiça e da bondade. Aquele que age de maneira correta segundo os Mishpatim não apenas evita a condenação, mas também contribui para um mundo mais harmonioso.

Rambam (Maimônides), no Mishneh Torá, escreve que os mandamentos racionais, os Mishpatim são necessários para que o mundo funcione com ordem e harmonia. Ele argumenta que mesmo sem uma revelação divina, qualquer sociedade bem estruturada naturalmente adotaria leis contra roubo, assassinato e suborno.

Mishneh Torá, Hilchot Melachim 9:1 "Se os povos do mundo não seguirem as leis básicas de justiça, suas sociedades se corrompem e se autodestruirão, pois um governo sem juízo e retidão não pode subsistir." Ou seja, os Mishpatim não são uma questão religiosa, mas sim de sobrevivência humana.


2. O Quebrar dos Mishpatim traz Destruição

Os profetas do Eterno sempre alertaram que ignorar os Mishpatim levaria à destruição da sociedade. Diferente dos princípios que conectam o homem ao Eterno por meio de práticas de obediência às classes de mandamentos anteriores aos Mishpatim, esses princípios mantêm a ordem moral e impedem que a corrupção e a injustiça destruam o povo, conforme já mencionamos.

O Eterno, por meio do profeta Yeshayahu/Isaías demonstra o entendimento de que fazer o bem é obedecer aos mandamentos da Torah e praticar o que é reto é uma especificação clara dos Mishpatim, pois ele dá exemplos ligados a essa classe de mandamentos, veja:


Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Is 1:17


Quando Yisrael abandonou os Mishpatim permitindo suborno, opressão e exploração dos mais fracos, os profetas anunciaram que isso levaria ao exílio e à destruição. Não porque o Eterno fosse puní-los arbitrariamente, mas porque um povo que abandona a justiça derrota a si mesmo.


Assim diz o Eterno: Praticai o juízo e a justiça, livrai o espoliado das mãos do opressor; não oprimas o estrangeiro, nem o órfão, nem a viúva, nem derrameis sangue inocente neste lugar. Jr 22:3


Olhando para esse verso e os anteriores, vemos o Eterno através do profeta Yirmeyahu/Jeremias leva uma repreensão ao povo de Yehudah, pois estavam distantes dos mandamentos do Eterno, o profeta deixa claro que os Mishpatim são as bases para uma sociedade funcional e justa. Quando essas leis são quebradas, os mais fracos são explorados, ganância cresce e, fatalmente, surge o colapso social.


O profeta Amós também denuncia que quando os Mishpatim são ignorados, a sociedade se torna corrupta e os pobres são explorados pelos poderosos. Mas há um caminho de restauração, fazer teshuvah, ou seja, arrependimento, buscar o bem, praticar a justiça e garantir que o direito dos necessitados seja defendido.


Porque sei que são muitas as vossas transgressões, e enormes os vossos pecados; Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei o juízo na porta da cidade; talvez o Eterno tenha misericórdia do remanescente de Yisrael. Amós 5:12-15


O Ramban explica que os Mishpatim são mandamentos que até mesmo um homem sem conhecimento da Torá pode compreender e praticar. Diferentemente dos Chukim (estatutos que não têm uma lógica aparente, como as restrições alimentares ou as leis de pureza), os Mishpatim são compreensíveis e fundamentais para qualquer sociedade.

No seu comentário sobre Shemot 21:1, Rambam diz: Os Mishpatim são leis que a mente humana naturalmente reconhece como justas. Mesmo sem uma ordem divina explícita, a sociedade não pode existir sem elas. Diferente dos Chukim, que exigem a submissão à vontade do Eterno sem explicação racional, os Mishpatim são compreendidos até pelas sadias das nações. O citado rabino reforça que essas leis são universais, ou seja, não é apenas para Yisrael, mas para toda a humanidade.

O Talmud Bavli, no tratado Avodá Zará 4b, ensina que quando os governantes abandonam a justiça a destruição é inevitável. Observe:


Quando há corrupção na justiça, o castigo não vem apenas sobre os juízes, mas sobre toda a nação. Pois quando os justos se calam e não corrigem os caminhos, são considerados considerados considerados particularmente com os perversos.


Isso ecoa os ensinos dos profetas, como Yeshayahu e Amós, como vimos acima, que anunciam que a injustiça social leva ao colapso nacional.


3. A justiça como Base da Vida

Conforme estamos vendo, e pudemos perceber também pelas palavras dos profetas e de rabinos, os Mishpatim não foram dados para trazer méritos ou recompensas a quem os observar, mas para evitar que a humanidade se destrua pela sua própria ganância e corrupção. Eles garantem que uma sociedade permaneça justa, equilibrada e digna para todos. Conforme vimos, os profetas alertaram repetidamente que a injustiça leva à ruína, e Yeshua ao ensinar sobre justiça e retidão, reforçou o papel papel dos Mishpatim como parte essencial da Torá. Ele condenou fortemente aqueles que distorciam a justiça para benefício próprio.


Ai de vós, escribas e perushim, hipócritas! Porque dais o dízimo da mente, do endro e do cominho, mas tendes negligenciado os aspectos mais importantes da Torá: o juízo, a misericórdia e a confiança! Estas coisas devíeis fazer, sem omitir essas. Mt 23:33


Também os emissários de Yeshua reforçaram essa mensagem, vejamos o que eles disseram.


Se vocês de fato mantiverem o objetivo da Torá do Reino, em conformidade com a passagem que diz: “Ame o seu próximo como a si mesmo”, estarão agindo bem. Yaakov/Tiago 2:8


Porque os olhos do Eterno estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos às suas orações; mas o rosto do Eterno é contra os que fazem o mal. 1Pe 3:12


A justiça não é uma opção, mas uma necessidade. Conforme viemos repetindo, os Mishpatim são universais e aplicáveis a toda a humanidade, pois garantem que cada ser humano seja capaz de obedecer e permitir uma sociedade mais equilibrada. Shaul/Paulo em suas cartas também revelou que a justiça e a retidão são esperadas até mesmo daqueles que não receberam diretamente a Torá, pois os princípios morais dos Mishpatim estão gravados na consciência humana. Observe o que ele disse em sua carta aos Romanos.


Porque, quando os gentios, que não têm a Torá, fazem naturalmente as coisas que são da Torá, não tendo eles a Torá, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da Torá escrita em seus corações, testificando adicionalmente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os. Rm 2:14-15


Aqui, Rav Shaul ensina que os Mishpatim são universais e que mesmo os povos que não receberam a Torá de forma direta conseguem compreender a importância da justiça, da honestidade e da equidade. Isso reforça que esses mandamentos não são apenas instruções para Yisrael, mas fundamentos essenciais para toda a humanidade. E é por isso, que muitas sociedade atuais se utilizam de muitos desses mandamentos em suas bases de leis cíveis.

Assim, tanto os profetas quanto os emissários de Yeshua ensinaram que praticar os Mishpatim não é uma questão de escolha, mas uma necessidade para que a civilização continue a se desenvolver sem correr o risco de se destruir.

Concluindo nosso estudo, percebemos que os Mishpatim não são apenas um conjunto de leis para Yisrael, mas um modelo de justiça para toda a humanidade. Por isso, eles não prometem recompensas espirituais, ou advindas de sua obediência, como os Edut e Chukim, mas garantem que o homem não se destruirá pela sua própria corrupção e ganância. Quando um povo abandona os Mishpatim, ele acaba caindo na violência, na opressão e na desordem. Mas quando a justiça, a honestidade e o respeito ao próximo são aplicados, a sociedade prospera e o Eterno se agrada.

Que possamos aprender com a Torah, com os profetas e com os emissários de Yeshua a viver uma vida de retidão, justiça e misericórdia, pois como foi dito pelo profeta Mikhá/Miqueias:


Ele te declarou, ó homem, o que é bom e o que o Eterno pede de ti: que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Elohim. Mikhá 6:8


Andemos nos caminhos da justiça do Eterno, sem esperar recompensa, mas por amor.


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)

domingo, 14 de julho de 2019

Estudo da Parashá Chukát (Estatuto)

Estudos da Torá

Parashá nº 39 – Chukát (Estatuto)
Bamidbar/Números Nm 19:1-22:1,
Haftará (Separação) Jz 11:1-33; e 
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 21:1-38

1 - INTRODUÇÃO

No estudo dessa semana estaremos tratando sobre “Chukát” – Estatuto, ou seja aquele estatuto que o Eterno estabeleceu e que os judeus e nós como parte do povo, aceitamos como mandamento que transcende nossa habilidade de entender racionalmente o porquê dele. É o mandamento que quando somos perguntados qual a razão de obedecermos, respondemos que obedecemos simplesmente porque D’us disse para obedecermos, e que não precisamos de uma razão lógica para isso. Esse é um estatuto perpétuo, através das gerações.

Esta parashá “Chukát” (estatuto) fala novamente sobre a morte e a impureza, conforme já estudamos na porção “Emôr”(Fala), e sua consequente necessidade de purificação através da “Pará Adumá” (Vaca Vermelha).

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS

“E falou a Moisés e a Aarão, dizendo: “Este é o estatuto da lei (chukát hatorá) que ordenou o Eterno, dizendo: Fala aos filhos de Israel para que tomem em teu nome uma vaca vermelha, perfeita, na qual não haja defeito e que ainda não tenha levado jugo;” (Nm 16:1-2 – Torá, Ed. Sefer)

Há estatutos e decretos divinos dados sem nenhuma razão aparente. Exemplo deles é o dessa parashá, o da “PARÁ ADUMÁ”(vaca vermelha), no qual segundo a tradição nem mesmo o Rei Salomão entendeu o porquê. 

Devemos entender, antes de prosseguir, que temos três tipos de “Mitzvot” (mandamentos), vejamos cada uma delas:

- Mishpatim – Leis Civis: Os “Mishpatim” são leis Divinas que promulgam a segurança e sobrevivência da sociedade humana. Incluem nelas, por exemplo, a proibição de roubar, matar e não cobiçar as coisas do próximo.

- Edut – Testemunhos: Quando uma “mitsvá” (mandamento) dá testemunho de um evento histórico ou algum aspecto da nossa “emunah” (fé, confiança), é chamada de “Edut” (testemunho). São exemplos a mitsvá de observar o Shabat, que atesta nossa crença de que o Todo Poderoso criou o mundo em seis dias; observar os dias de Festas (Yom Tov), pois comemoram o Êxodo do Egito; as mitsvot de usar o tsitsit e tefilin que demonstram nossa crença na soberania de D’us.

- Chukim – Decretos Divinos, Estatutos: Esse é o tipo de mandamento “Chok” (o plural é Chukim), classifica-se todas as mitsvot (mandamento) cujo propósito ou significado não são compreendidos pela inteligência humana. E este é o tipo de mandamento que é mais difícil de respeitar, principalmente por aqueles que não fazem parte do povo de Adonai, seja judeus ou não. O Talmud afirma que essas são as leis que o “yetser hará” (inclinação pra o mal) e as nações do mundo sempre tentam contestar. Quando não se compreende o motivo de alguma coisa é tentador achar pretextos para não cumpri-la. O fato de um mandamento não ter um motivo óbvio torna seu cumprimento um ato de “emunah” (fé, confiança) maior. Isso vai nos indicar que estamos prontos e desejosos de obedecer às ordens de D’us, até mesmo quando não podemos justificá-las de forma racional. Todas as leis de pureza ritual pertencem à esse tipo de mandamento conhecido como “chukim”. 

Podemos entender isso de forma mais clara observando a “mitsvá” dos animais impuros (Lv 11). Nós não deixamos de comer tais animais por causa da nossa saúde, porque se for isso, o centro do mandamento seríamos nós. Deixamos, porém, de comer tais animais porque o Eterno nos mandou não comer. Não devemos racionalizar esse mandamento, pois ele é um tipo de Chuk, ou seja, D’us mandou e nós obedecemos e pronto. Dessa forma, estaremos colocando D’us acima de nosso próprio intelecto e vontade. 

Existem muitos exemplos de “chukim”, porém o Midrash (ensino, interpretação) enumera alguns sobre os quais a Torá afirma explicitamente, a exemplo do verso 2, do texto em estudo: “Este é um chok”. Uma vez que elas contém elementos aparentemente contraditórios, são passíveis de serem ridicularizados pelos que se pautam pelo pensamento racional. 

Digo aparentemente contraditórios, porque não existem contradições nas Escrituras, o que acontece é que muitas vezes os que pretendem estudar a bíblia não compreendem os métodos judaicos de interpretá-la corretamente, utilizando a hermenêutica judaica, como o “PaRDeS”.

Explicando rapidamente o que é o “PaRDeS”, para que possamos entender o assunto, a respeito de não haver contradições nas Escrituras. Na hermenêutica judaica existem quatro níveis de interpretações utilizadas pelos sábios. Essa interpretação pode chegar ao nível mais profundo que é o que mencionamos acima. Na tradução literal, “PaRDeS” significa “jardim”, no entanto esse termo é um acróstico desse método de estudo das Escrituras Sagradas, e cada um dos quatro níveis atendem a capacidade da pessoa naquele momento, em outras palavras são quatro diferentes abordagens da exegese das Escrituras no judaísmo rabínico. Vejamos os níveis do “PaRDeS” de acordo com o Rab. Joseph Shulam:

- Pshat - o entendimento “simples” e literal ou superficial do texto. Assim é ensinado para as crianças e adultos que não tem muito conhecimento das Escrituras.

- Remez - é a “dica” para um significado mais profundo saindo do literal. É buscado o contexto da passagem, onde se discerne as pistas, que o autor deixou escondidas, e ela é a indicação da direção a seguir.

- Drash - significa “pesquisa”, quando se lê um texto compreende-se o que o autor quer que o leitor entenda, acrescentando o seu conteúdo pessoal e seu sentimento para descobrir o significado através da midrash (hermenêutica), por comparação de palavras, formas e também por ocorrências semelhantes em outras partes das Escrituras.

- Sod – “segredo” ou o significado místico de uma passagem, como determinado através de inspiração ou revelação. Ela é restrita aos que são do meio ou que foram ensinados a entender a linguagem própria específica do contexto em que foi escrita. Perceba o que o autor mencionado afirma.

“Um exemplo está no texto de II Tm 2:15. Na maioria dos textos em inglês diz: [...] que divide a palavra da verdade [...], diferente do texto em português: [...] que maneja a palavra da verdade [...]. A forma tradicional que os comentaristas cristãos dizem a respeito desse texto, é que o cristão deve dividir o Antigo Testamento do Novo Testamento, porque estamos na era do Novo Testamento e que não tem necessidade de aprender nada do Antigo Testamento.
Quando Paulo estava escrevendo esse texto, no contexto do seu tempo e lugar, parece sugerir a Timóteo que ele use o PaRDêS, para que ele entenda todos os níveis de entendimento dos textos bíblicos, não só aplicando a lógica, mas também a sua experiência própria e o que o Espírito Santo quer revelar com esse texto.” (Shulam. J, p.11)

Por isso, como realmente não há contradições nas Escrituras, a Torá aconselha o servo do Eterno a dizer a si mesmo: “É um chok, não tenho direito de questioná-lo.” 

Existem outros chukim na Torá para tomarmos como exemplo:

- Yibum: Uma pessoa que se case com a esposa de seu irmão estando ele ainda vivo, ou mesmo morto, incorre em pena de caret (morte espiritual), desde que seu irmão tenha tido filhos. Mas, se a esposa do irmão não tem filhos, é mitsvá casar-se com ela (levirato, yibum). Embora a razão ache difícil de aceitar um paradoxo como este, mas o texto bíblico diz: “E vocês guardarão Meus chukim.” (Vayicrá/Levítico 18:26).

- Shaatnez: A Torá proíbe nos vestirmos com roupas que contenham mistura de lã e linho. Porém, é permitido vestir uma roupa de linho que tenha tsitsit de lã atados. Mesmo que questionemos isso a Torá nos diz: “E vocês guardarão Meus chukim.” (Vayicrá/Levitico 19:19). 

- O bode para Azazel: Um bode era enviado à morte como parte do Serviço de Yom Kipur, expiando o povo de Israel de seus pecados. Mas também, tornava impuro a pessoa que o enviava. Assim, esta lei é chamada de “um chok eterno” (Vayicrá 16:29).

Uma vez tendo entendido os tipos de “mitsvot” (mandamentos), vamos então passar para o mandamento constante nesta parashá, o Chukát, que tem haver com a Pará Adumá – Vaca Vermelha.

A Vaca Vermelha e Yeshua

Os mandamentos que têm o nome de “chuk” ou “chukát”, estão ligados de uma forma especial ao Messias. A chukát desta parashá, pode ser considerada chukát por excelência, pois há uma ligação íntima em todo este ritual, com o messias Yeshua.

A novilha citada deveria nascer com uma cor diferente das outras, e de acordo com o Midrash, se tivesse mais de um pelo que não fosse vermelho, seria desqualificada. O próprio YHWH era quem provinha o nascimento do animal, quando houvesse necessidade dele. Outras características desse animal era que a novilha deveria ter pelo menos três anos de idade e não podia ter estado sob jugo. Agora observem, os três anos apontam para os (cerca de ) 30 anos de idade que tinha o Messias Yeshua quando foi sacrificado para limpar o povo. Veja no verso 6 outros itens que apontam para a morte de Yeshua: a madeira de cedro, o hissopo e a lã carmesim, que deveriam ser queimados juntos com a novilha vermelha.

“E tomará o sacerdote um pau de cedro, hissopo e lã carmesim e os jogará no meio do fogo em que arde a vaca.” (Nm 19:6)

Esses elementos estavam presentes na morte de Yeshua, a madeira na cruz, o hissopo na hora que lhes deram vinagre a beber e a lã carmesim na túnica que o vestiram.

As cinzas da vaca vermelha eram recolhidas e reservadas, porque depois era misturada com águas vivas e serviriam para purificação daqueles que se encontravam impuros, enquanto tornavam impuro qualquer um que estivesse envolvido em sua preparação. Uma vez que isto também desafia a lógica, pois é um chukát, a Torá mais uma vez introduz o assunto com as palavras: “Este é o chukat da Torah” (19:2), por isso, devemos aceitar essa mitsvá como uma ordem Divina.

Um fato interessante a ser mencionado é que, as águas da purificação eram guardadas nas casas dos sacerdotes em todo o território de Israel, a fim de que aqueles que tivessem estado em contato com algum morto, pudessem se purificar durante sete dias, conforme prescreve a Torá. Não era necessário muita cinza para uma grande quantidade de água. Assim, as cinzas de uma novilha duravam muitos anos. De acordo com a Mishna e o Midrash, no total foram sacrificadas nove novilhas vermelhas na história de Israel. As cinzas da primeira vaca duraram até a época de Esdras. É possível que a décima novilha vermelha diga respeito à segunda vinda do Messias.

Mais paralelos entre a vaca vermelha e Yeshua

Analisemos o efeito da morte da novilha vermelha e das suas cinzas.
        Purificava:
- A pessoa que matava a novilha;
- O Sacerdote (Cohen) que salpicou o sangue;
- A pessoa que queimou a carcaça; e
- A pessoa que reuniu as cinzas.

Como já afirmamos acima as cinzas da novilha vermelha com águas vivas eram chamadas de “Águas da Separação” – Mei Nidá. Porque eram usadas na limpeza cerimonial de pessoas impuras que queriam separar-se da impureza.

Como a purificação feita pela Pará Adumá (novilha vermelha) aponta para a morte de Yeshua? Ela aponta para o seguinte:

A morte de Yeshua purificou:
- Aqueles que estiveram implicados na Sua morte;
- Aqueles que falsamente testemunharam contra Ele;
- Aqueles que o entregou aos Romanos;
- Aqueles que bateram Nele e zombaram Dele; 
- Aqueles que dirigiram os pregos em suas mãos e pés; e
- Todos os que pecaram.

O resultado deste sacrifício é o meio pelo qual cada um pode ser limpo ou purificado, esta era a razão da novilha vermelha, assim como foi a razão da morte e ressurreição de Cristo. O que as pessoas fizeram à novilha e à Yeshua, os fez impuros, mas ele produziu o poder para fazê-los puros novamente. 

A instrução da Torá para uso da novilha pode ser destinado para simbolizar o contato da nova vida daqueles que ficaram impuros pelo contato com a morte. O seu sangue que é salpicado diante do Tabernáculo sete vezes simbolizava a aceitação do sacrifício por D’us.

Tudo isso nos aponta para um paradoxo, os sacerdotes se consagravam para oferecer o sacrifício da Pará Adumá e por ter contato com a vaca vermelha se tornavam impuros, a fim de obter as cinzas para purificar os do povo de Israel que precisasse ser purificado. Da mesma forma Yeshua, como sacerdote também sendo puro se tornou impuro para purificar a todos os que tiveram contato com o momento de seu sacrifício e todos os que precisam dele para se purificar. E da mesma forma, como novilha seu sangue torna puro a todos quanto toca. Essa pureza é espiritual. E esse paradoxo tem um centro, que o move, que é o "amor" em hebraico "AHAVÁ", para entendermos isso vemos o que Yeshua diz em MT 22:34-40. O amor é o ingrediente misterioso e é o principio dessa parashá, por isso não podemos questionar. E tudo isso aponta para o tempo do Messias, quando ele voltará e estabelecerá seu Reino de pureza espiritual. 


Bibliografia:

- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.
- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/
- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/
- http://shemaysrael.com/parasha-chucat/
- http://www.yeshuachai.org/forums/topic/ חקת -chukat-estatutos-decretos/
- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/39-_chukat_estatuto_de.pdf

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A Torá Oral

 Olá, li este artigo no site da Sinagoga Beit Miklat, e achei muito interessante, por isso estou compartilhando, as devidas referências ao site estão no fim do artigo.

 A Torá Oral

-Introdução

         A Brit Chadashá (Novo Testamento) fala em muitos lugares (Mateus 15:2; Marcos 7:3; Marcos 7:5) acerca da "Tradição dos Anciãos" (מסורת הזקנים - Massoret haZekenim), e muitas pessoas desconhecem o que viriam a ser estas palavras, que em sua essência significa um dos principais códigos de leis do Judaísmo. Nosso objetivo neste estudo é descrever as divisões e explicações (como também o surgimento) àqueles que desconhecem esses pormenores.
         A maior parte do Judaísmo acredita ser o Talmud o que é chamado de "Torá Oral" (תורה שבעל פה - Torá sh'beal pê); e desde o segundo século da era comum tem sido um dos guias religiosos que norteiam a religião de Israel. Nos tempos de Yeshua a "Tradição dos Anciãos" já era a base para o culto farisaico, apesar de ainda não estar codificada em livro, coisa que só ocorreria dois séculos depois; mas, desde esse tempo já persistiam as discussões que dariam origem ao estabelecimento do Talmud. Yeshua, e seus discípulos, no decorrer dos séculos, atacaram muitas vezes algumas leis da "Tradição dos Anciãos", acusando-as de intransigentes, outras, de insensíveis; mas, sabemos que existem outras leis e ensinamentos que valem-se de muito, como o próprio Yeshua disse: "Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus. Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam" (Mateus 23:2), portanto trazemos esse estudo para que, com a ajuda dos Céus, possamos ter discernimento sobre os ensinamentos milenares do povo judeu, o qual vêm mantendo a unidade e comunhão do mesmo, e que assim seja desde agora e para sempre, amen!


-A Torá Oral no Novo Testamento

         Junto com as Escrituras Hebraicas desenvolveram-se tradições paralelas dos Anciãos de Israel. No período que vai desde a reconstrução do Templo com Ezra HaSofer (Esdras, o escriba) e Neemias, até os dias de Yeshua, a Bíblia Hebraica se cristalizou como livro sagrado dos judeus, e ganhou até traduções para o grego (Septuaginta) e o aramaico (Targum Onkelos, Yonatan, Neofiti, Yerushalmi e outros). Mas também apareceram muitos livros apócrifos outros explicativos acerca da própria Bíblia Hebraica. Dentro da comunidade judaica (dos fariseus, principalmente) permanecia um código interpretativo das palavras da Torá, a Tradição Oral. Esse corpo de tradições foi, gradativamente, moldado e trabalhado ao longo dos séculos, e isso foi o que gerou a estruturação e o conteúdo da Mishná posteriormente.
        Não obstante, vê-se a presença de tal Tradição Oral no Novo Testamento; como exemplo, citaremos Mateus 1:5, onde se lê: "e Salmon gerou de Raabe a Boaz"; ou seja, aqui está provado que os próprios autores da Brit Chadashá se valeram da Tradição dos Anciãos para redigirem seus relatos, já que em nenhum lugar das Escrituras Hebraicas está escrito que Raabe, a prostituta de Jericó, se tornou esposa do príncipe Salmon de Judá. Também Paulo cita os magos egípcios que confrontaram Moshé pelos seus nomes (Janes e Jambres), coisa que a Bíblia Hebraica não contém. E onde esses autores buscaram esse material se não na "Tradição dos Anciãos"?

-Origem da Torá Oral

       A existência da Torá Oral é baseada na própria Torá, como está escrito:


ואתנה לך את לחת האבן והתורה והמצוה

"E dar-te-ei tábuas de pedra, e a Lei, e os mandamentos" (Êxodo 24:12)

E daqui aprendemos que "a Lei", se refere à Torá Escrita, e "os mandamentos", se refere à sua explicação, ou seja a Torá Oral (Vide Mishnei Torá, em sua Introdução, em Transmissão da Torá Oral, parágrafo primeiro).
       E também, outra referência:

ויקהל משה את כל עדת ישראל ויאמר אלהם אלה הדברים אשר צוה ה׳ לעשות אתם

"E Moshé convocou (congregou) toda a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: Estas são as palavras que o Eterno ordenou que cumprísseis." (Êxodo 35:1)

        Ou seja, vemos aqui Moisés dizendo "Estas são as palavras", i.e., ele convocou os filhos de Israel para que ouvissem as palavras que o Eterno disse, e os seus entendimentos (ou seja, a compreensão) para que conseguissem cumprir.
         E outra é:

כי המצוה הזאת אשר אנכי מצוך היום לא נפלאת הוא ממך ולא רחקה הוא


"Porque este mandamento, que hoje vos ordeno, não te é difícil demais, nem tampouco está longe de ti." (Deuteronômio 30:11)

         E alguém poderia perguntar: "Mas como não me é difícil, se não consigo entendê-los, para cumprí-los? Por exemplo a mitzvá do Tsitsit, a Torá não explica como fazer os nóis, e o número de fios! Então como Moisés pode me dizer que não me é tão difícil?" A partir dessa pergunta, concluímos que para Moisés nos dizer que os mandamentos não são tão difíceis, mesmo existindo ordenanças sem explicações, é que ele as explicou!
        Em outras palavras, vêmo-nos, a partir destes versos, forçados a concluir que a Torá Escrita foi dada junto com suas explicações, que é a Torá Oral.

-Transmissão da Torá Oral

        Teoricamente, de acordo com o Rambam (רמב״ם - Rabi Moshé ben Maimon), temos a seguinte sucessão do tipo mestre-discípulo:

Moisés transmitiu as explicações a Josué, Josué aos Anciãos e Finéias. Os Anciãos e Finéias transmitiram a Eli e a sua corte. Eli e sua corte transmitiram a Samuel. Samuel e sua corte transmitiram a David. David e sua corte transmitiram a a Aías, o Silonita. Aías e sua corte transmitiram a a Elias. Elias e sua corte transmitiram a Eliseu. Eliseu e sua corte transmitiram a Jeoiada, o Sacerdote. Jeoiada e sua corte transmitiram a Zacarias. Zacarias e sua corte transmitiram a Oséias. Oséias e sua corte transmitiram a Amós. Amós e sua corte transmitiram a Isaías. Isaías e sua corte transmitiram a Miquéias. Miquéias e sua corte transmitiram a Joel. Joel e sua corte transmitiram a Naum. Naum e sua corte transmitiram a Habacuque. Habacuque e sua corte transmitiram a Sofonias. Sofonias e sua corte transmitiram a Jeremias. Jeremias e sua corte transmitiram a Baruque, filho de Neriá. Baruque e sua corte transmitiram a Esdras, o Escriba.
A corte de Esdras era chamada de "Homens da Grande Assembleia", e esta era composta por: Ageu, Zacarias, Malaquias, Daniel, Ananias, Misaías, Azarias, Neemias (filho de Chachlia), Mordecai, Zerubavel e outros grandes homens que junto com estes, somam 120 Anciãos. O último deles foi Shimon haTsadik (Simeão, o Justo) que se tornou Sumo-Sacerdote depois da geração de Esdras. Shimon haTsadik transmitiu a Antígonos de Sôco. Antígonos de Sôco e sua corte transmitiram a Yosef ben Yoezer (de Tsereda) e a Yosef ben Yochanan (de Jerusalém). Yosef de Tsereda e Yosef de Jerusalém e suas cortes transmitiram a Yehoshua ben Prachiá e a Nitai de Arbeli. Yehoshua ben Prachiá e Nitai de Arbeli e suas cortes transmitiram a Yehudá ben Tavai e a Shimon ben Shetach. Yehudá ben Tavai e Shimon ben Shetach e suas cortes transmitiram a Shemaia e Avtalion. Shemaia e Avtalion e suas cortes transmitiram a Hilel e Shamai. Hilel e Shamai e suas cortes transmitiram a Rabi Yochanan ben Zakai e a Rabi Shimon ben Hilel.
Rabi Yochanan ben Zakai tinha 5 discípulos, que eram: Rabi Eliezer HaGadol, Rabi Yehoshua, Rabi Yose haCohen, Rabi Shimon ben Netanel e Rabi Eliezer ben Arach .
Rabi Eliezer HaGadol transmitiu a Rabi Akiva ben Yosef. Rabi Akiva transmitiu a Rabi Yishmael e a Rabi Meir.
Rabi Akiva tinha 3 colegas: Rabi Tarfon, Rabi Shimon e Rabi Yochanan ben Nuri.
Rabi Shimon transmitiu a Raban Gamaliel haZaken (filho de Rabi Shimon). Raban Gamaliel transmitiu a Raban Shimon. Raban Shimon transmitiu a Rabi Yehudá haNasi. E Rabi Yehudá haNasi compôs a Mishná (em 189 a.e.c).

- Funções adicionais da Torá Oral e outros grupos no séc. I

        A Tradição servia também como um regulamento, ou seja, os mestres da época se utilizavam dela para explicarem (ou relerem) as Escrituras às pessoas, já que era tida como de difícil interpretação. O outro maior partido religioso da época de Yeshua, era os saduceus. Era mais cético, pelo fato de seus membros não reconhecerem a canonicidade sequer dos livros dos profetas e os salmos, aceitavam apenas a Lei de Moisés como realmente autêntica; e rejeitavam também as tradições dos Anciãos e as doutrinas acerca da imortalidade da alma, julgamento futuro e etc. Os samaritanos, além de serem de origem diferente, seguiam também uma religião diversa: tinham sua própria versão da Torá, e sacrificavam a sua Páscoa sobre o monte de Samaria, ou Gerizim. Esses dois grupos, saduceus e samaritanos, e outros menores, foram perdendo campo depois de guerras que atingiram a Terra Santa naqueles tempos. Os samaritanos ainda hoje existem, numa comunidade muito reduzida ao norte, e praticam seu culto tradicional que incluem os sacrifícios. Os saduceus deram origem ao movimento denominado Caraíta, que hoje também tem alguns milhares de membros tanto em Israel, como em outros países. Os fariseus formaram o grupo religioso que conseguiu furar os séculos como a maior identidade judaica; guardaram a Tradição Oral que deu origem ao texto mishnáico. Com a dispersão dos judeus pelo mundo, os rabinos se viram na iminência de muitos judeus abjurarem sua fé se a Torá Oral não fosse codificada para dar maior simplicidade à liturgia e ao culto.
        Uma reunião dos principais rabinos de Israel, comandados por Rabi Yehudá haNasi, deu origem ao grande trabalho de escrever as leis e tradições que foram a gênese da primeira parte do Talmud: a Mishná.
        Começaram-se a ser redigidos, quase que simultaneamente, dois comentários da Mishná: um em Israel (Guemará Yerushalmi), a partir do século IV; e um na Babilônia (Guemará Bavli), a partir dos séculos VI e VII. O texto de ambos é demasiado parecido, sendo o Comentário Babilônico considerado mais completo, e, consequentemente, o mais usado. Essas discussões legais (chamadas de Guemará) em torno da Mishná foram adicionadas ao texto mishnáico, formando o que se conhece hoje como Talmud.

-Biografia de Rabi Yehudá haNasi

       De acordo com o Talmud Yerushalmi Sanhedrin 5a (no comentário de Tosafot Yom Tov), ele era da descendência Davídica, da linhagem real, por isso o título de Nasi (Príncipe). Esse título "Nasi" também era usado para os presidentes do Sanhedrin na época dos Zugot (pares), por exemplo Shemaia e Avtalion; e Hilel e Shamai (um era chamado de Nasi [Presidente do Sanhedrin] e o outro de Av Beit Din [Chefe de Justiça]) (Vide Mishná Chaguigá 2:2).
       Yehudá haNasi nasceu em 135 d.e.c.. De acordo com um Midrash (Bereshit Rabá 53; Eicha Rabá 1:10), ele nasceu no mesmo dia do martírio de Rabi Akiva.
       Sua juventude passou na cidade de Usha (Oeste da Galiléia). Aprendeu a Torá e também estudos gerais (linguagens, principalmente) com seu pai (Rabi Shimon ben Gamaliel II).

-Mishná (משנה - chamada também de Shas - ש״ס)

       A Mishná é a primeira parte do Talmud, e sua compilação foi chefiada por Rabi Yehudá haNasi (135 - 217 d.e.c.), filho de Shimon ben Gamaliel II, aproximadamente no ano 189 d.e.c.. A palavra Mishná significa "repetição", e é um termo que já se encontra nas Escrituras Hebraicas.
       Esta se divide em seis Sedarim (ordens, seções): Zeraim (Sementes), Moed (Festividades), Nashim (Mulheres), Nezikin (Danos), Kodashin (Santificados), Tehorot (Purificações).
       E estas, por sua vez, são dívidas em Masechtot (Tratados), que são 63 tratados. Estes, por sua vez, dividem-se em Perakim (Capítulos), que são 525 capítulos. E estes são subdivididos em Mishnaiot (Parágrafos), que totalizam 4224 mishnaiot.

       Zeraim: 75 capítulos, com total de 683 mishnaiot;
       Moed: 88 capítulos, com total de 681 mishnaiot;
       Nashim: 71 capítulos, com total de 570 mishnaiot;
       Nezikin: 74 capítulos, com total de 685 mishnaiot;
       Kodashin: 91 capítulos, com total de 590 mishnaiot;
       Tehorot: 126 capítulos, com total de 1015 mishnaiot.

        Ordem de Especificação:

        Seder -> Masechet -> Pérek -> Mishná

- Eras dos Sábios (תקופת החכמים - Tekufat haChachamim)


1) Patriarcas (אבות - Avot)

       Período: Desde a saída de Abraão, nosso pai, de Ur dos Caldeus, até a entrada do povo de Israel na Terra de Canaã.
       Principais: Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Josué, Finéias, Aarão e etc.

2) Juízes (שופטים - Shoftim)

       Período: Desde a morte de Josué até a posse de Saul, através das mãos de Samuel (último dos juízes).
       Principais: Otniel ben Kenaz, Ehud ben Guerá, Devorá, Guideon, Avimelech, Shimshon, e Shmuel.

3) Profetas (נביאים - Neviím)

       Período: Desde a divisão do reino de Salomão, com o profeta Aías (o Silonita) até o período em que profetizou Malaquias.
       Principais: Obadias, Joel, Jonas, Amós, Oséias, Isaías, Ezequiel, Miquéias e etc.

4) Anciãos da Grande Assembleia (אנשי כנסת הגדולה - Anshei Kenesset haGuedolá)

       Período: Desde a conclusão da construção do Segundo Beit HaMikdash (Templo) até a morte de Shimon haTsadik, filho de Chonyo, filho de Yadua, filho de Yochanan, filho Eliashev, filho de Yehoshua, filho de Yehotsedek (primeiro Sumo-Sacerdote do Segundo Templo), que era sobrinho de Esdras.
       Principais: Ageu, Zacarias, Malaquias, Daniel, Ananias, Misaías, Azarias, Mardoqueu e etc.

5) Pares (זוגות - Zugot)

       Período: Desde a nomeação de Yosi ben Yoezer haCohen como Nasi, Presidente do Sanhedrin, para manter a ordem social, função que o Sumo-Sacerdote não cumpria (lembrando que nesse período já estava no domínio cultural grego, antes do Milagre de Chanucá, porém já depois da tradução da Torá para o grego com os 70 rabinos), até a morte de Hilel no ano 8 d.e.c..
       Principais:  Yosi ben Yoezer e Yosi ben Yochanan; Yehoshua ben Prachiá e Nitai haArbeli; Yehudá ben Tavai e Shimon ben Shetach; Shemaia e Avtalion; Hilel e Menachem (porém Menachem foi deposto, e Shamai o substituiu);

6) Repetidores, Professores (תנאים - Tanaim)

       Período: Desde a morte de Hilel, até o término da compilação da Mishná em 189 d.e.c..
       Principais: Yochanan ben Zakai, Yosi haGlali, Rabi Tarfon, Rabi Meir, Rabi Akiva, Rabi Yehudá haNasi, Rabi Shimon bar Yochai e etc.

7) "Aqueles que falam" (אמוראים - Amoraim)

       Período: Desde a saída de Rav (Rabi Abba Aricha) da Terra de Israel e seu estabelecimento na Babilônia no ano 219 d.e.c., até o término da compilação do Talmud Bavli quando Ravina II faleceu no ano 475 d.e.c..
       Principais: Rabi Yehoshua ben Levi, Bar Kapará, Rav Huna, Resh Lakish, Hilel ben Gamaliel III, Adda bar Ahavá, Shemuel ben Nachman, Rabba, Rav Zeira, Rav Abbahu, Hamnuna, Chanina ben Papa, Rav Shemuel bar Yehudá, Abaye, Rava, Rav Papa, Rav Kahana, Mar bar Rav Ashi, Ravina II e etc.

8) Explicadores, Pensadores (סבוראים - Savoraim)

       Período: Desde a proclamação do auto-governo judaico na Babilônia por Mar Zutra em 551 d.e.c., até a reconstituição da Metivta de Sura (Academia Talmúdica em Sura) em 609 d.e.c..
       Principais: Raban Savorai e etc (Rabinos anônimos).

9) Gênios (גאונים - Gueonim)

       Período: Desde a conquista árabe de Israel em 637 d.e.c, até a morte de Rav Hai Gaon e a decadência das Yeshivot (Escolas Rabínicas) da Babilônia em 1038 d.e.c..
       Principais: Achai Gaon, Amram Gaon, Hai Gaon, Saadia Gaon, Sherira Gaon e etc.

10) Os primeiros (ראישונים - Rishonim)

       Período: Desde o falecimento de Rabeinu Guershon ben Yehudá em Mainz (Alemanha atual) em 1040 d.e.c., até a completa compilação do Shulchan Aruch por Rabi Yosef Caro em 1563 d.e.c..
       Principais: Abba Mari (Minchat Kenaot), Don Yitzchak Abravanel, Avraham ibn Ezrah, Rabi Asher ben Yechiel (Rosh), Rabi David Kimchi (Radak), Rabi Ovadia ben Avraham (Bartenura), Rabi Levi ben Guershon (Ralbag), Rabi Yitzchak Alfasi (Rif), Rabi Yehudá haLevi, Rabi Yaakov ben Asher (Baal haturim), Rabi Moshé ben Maimon (Rambam), Rabi Moshé ben Nachman (Ramban), Rabi Shlomo ben Yitzchak (Rashi), Rabi Yitzchak Sagui Nehor (Yitzchak, o cego), Rabi Shlomo ben Aderet (Rashba), Rabi Yom Tov Asevilli (Ritva), Rabi Shmuel ben Meir (Rashbam, neto de Rashi), Rabi Yaakov ben Meir (Rabênu Tam, irmão de Rashbam, neto de Rashi) e etc.

11) Os últimos (אחרונים - Acharonim)

       Período: Desde a compilação do Shulchan Aruch em 1563 d.e.c., até os dias de hoje.
       Principais: Rabi Chaim Yosef David Azulay (Chida), Rabi Yosef Chaim de Bagdá (Ben Ish Chai), Rabi Moshé ben Yaakov Cordovero (Ramak), Rabi Yitzchak Luria (Ari), Rabi Yehudá Loew ben Betsalel (Maharal), Rabi Chaim Vital (principal discípulo do Ari), Rabi Eliezer haLevi Eidels (Maharsha), Rabi Baruch haLevi Epstein (Torá Temimá), Rabi Eliahu ben Shlomo Zalman (Vilna Gaon), Rabi Baruch Shalom haLevi Ashlag (Rabash), Rabi Moshé Chaim Luzzatto (Ramchal), Rabi Meir Leib ben Yechiel Michel (Malbim), Rabi Yisrael ben Eliezer (Baal Shem Tov), Rabi Dovber de Mezeritch (Maguid de Mezeritch, principal discípulo do Baal Shem Tov), Rabi Menachem Mendel Schneerson (Rebe), Rabi Meir Eliahu, Rabi Yisrael Abuchatsera (Baba Sali), Rabi Ovadia Yosef, Rabi Mordechai Eliahu, Rabi Eliahu Eliezer Dessler e etc.

- Descrição suscinta de todos os 63 tratados da Mishná de acordo com seus Sedarim

       1) Seder Zeraim (Ordem das sementes)

       Esta é a primeira Ordem da Mishná e é composta por 11 tratados, e se preocupa principalmente sobre a formação das bençãos, o cultivo da terra, plantação de árvores frutíferas, criação de animais, juntamente com as ofertas no serviço do Templo, e outros assuntos ligados a esses temas.


1.1) Massechet Brachot (bênçãos) (contém 9 capítulos)

       Trata-se, primeiramente, sobre a ordem das três orações diárias (Shacharit, Minchá e Arvit) e as diversas bênçãos, especialmente, o Shemá e a Amidá.


1.2) Massechet Peá (canto, ângulo) (contém 8 capítulos)

       Trata-se quase que exclusivamente sobre as leis dos cantos das colheitas que deveriam ser deixados para que os pobres e estrangeiros pudessem respigá-los.


1.3) Massechet Demai (produto duvidoso) (contém 7 capítulos)

       Aborda, principalmente, os diversos casos em que não têm-se certeza se os dízimos dos sacerdotes foram dados de uma certa produção ou não.


1.4) Massechet Kilaim (misturados) (contém 9 capítulos)

       Fala, majoritariamente, sobre os produtos (plantas) que podem ou não ser plantados juntos na agricultura. Aborda também a mitzvá de Sha'atnez e a proibição de reprodução entre animais de diferentes espécies (Levítico 19:19; Deuteronômio 22:9-11).


1.5) Massechet Sheviít (ano sabático) (contém 10 capítulos)

       Aborda as leis sobre agricultura e regulamentos de fiscalização concernentes ao ano da Shemitá (sabático) (Levítico 25:2-7).


1.6) Massechet Terumot (ofertas) (contém 11 capítulos)

        Fala sobre as leis que compõem a Terumá (oferta para os sacerdotes) (Números 18:8-20; Deuteronômio 18:4).


1.7) Massechet Ma'asserot (dízimos) (contém 5 capítulos)

       Trata das leis referentes aos dízimos que eram para os levitas (Números 18:21-24).


1.8) Massechet Ma'sser Sheni (o segundo dízimo) (contém 5 capítulos)

       Aborda as leis concernentes ao dízimo que deveria ser consumido em Jerusalém (Deuteronômio 14:22-26).


1.9) Massechet Chalá (primícias das massas) (contém 4 capítulos)

       Fala sobre as leis referentes às ofertas das primícias das massas para os cohanim (sacerdotes) (Números 15:20-21).


1.10) Massechet Orlá (incircuncisão das árvores) (contém 3 capítulos)

       Fala sobre a proibição do consumo imediato do fruto de uma árvore recém plantada na Terra de Israel (Levítico 19:23-25).


1.11) Massechet Bicurim (primeiros frutos) (contém 3 capítulos)

       Trata da primícias do campo para os cohanim (Êxodo 23:19; Deuteronômio 26:1-11).


       2) Seder Moed (Ordem das festas bíblicas e judaica)

       A segunda Ordem da Mishná apresenta 12 tratados e concentra-se em legislar sobre todas as festas da Torá e Tradição Judaica (Purim e Chanucá).


2.1) Massechet Shabat (sábado) (contém 24 capítulos)

       Trata de todas as leis pertinentes ao dia do Shabat, tanto as leis da Torá quanto as leis rabínicas, como múctse, acendimento de fogo, e também a definição de trabalho proibido.


2.2) Massechet Eruvin (campo delineado) (contém 10 capítulos)

        Aborda as regulamentações sobre as construções/delineações em que se permite carregar certos objetos no Shabat.


2.3) Massechet Pessachim (páscoa judaica) (contém 10 capítulos)

       Fala sobre as leis concernentes ao Korban Pêssach (sacrifício da páscoa judaica) e a Agadá de Pêssach.


2.4) Massechet Shekalim (meio ciclo de prata) (contém 8 capítulos)

       Trata sobre a arrecadação de meio shékel, bem como as despesas do Templo.


2.5) Massechet Yomá (Yom Kipur) (contém 8 capítulos)

       Tratado que foca na preparação do Suma-Sacerdote para o dia de Yom Kipur, incluindo o tipo de serviço feito no Templo. Juntamente a isso, aborda o jejum feito em Yom Kipur e outras proibições.


2.6) Massechet Sucá (Tabernáculos) (contém 5 capítulos)

        Ocupa-se em legislar sobre a festa de Sucót (Tabernáculos), somando-se a isso também os serviços e sacrifícios específicos dos sete dias. Aborda leis sobre a construção da Sucá (cabana).


2.7) Massechet Beitsa (ovo) (contém 5 capítulos)

        Esse nome curioso deve-se à primeira palavra do Massechet, mas originalmente era conhecido como "Yom Tov", devido a seu assunto principal tratar sobre os dias (exceto o Shabat) em que é proibido fazer trabalho.


2.8) Massechet Rosh haShaná (início do ano judaico) (contém 4 capítulos)

       Aborda certos regulamentos do Calendário luno-solar (calendário judaico), e também sobre os serviços feitos em Rosh haShaná.


2.9) Massechet Ta'anit (jejum) (contém 4 capítulos)

        Trata sobre as leis que envolvem os dias de jejum ao longo do ano judaico, como 9 de Av, 17 de Tamuz e etc.


2.10) Massechet Meguilá (rolo de Ester) (contém 4 capítulos)

        Contém prescrições com relação à leitura da Meguilat Ester (rolo de Ester) em Purim, mas também aborda sobre outras passagens da Torá e dos Profetas que também são lidos na sinagoga.


2.11) Massechet Moed Katan (pequena festa) (contém 3 capítulos)

        Fala sobre Chol hamoed (os dias intermediários das festas de Pêssach e Sucót).


2.12) Massechet Chaguigá (sacrifícios festivos) (contém 3 capítulos)

        Trata sobre as três festas de peregrinação (Pêssach, Shavuot e Sucót) e também sobre as ofertas (primícias) que eram levadas ao Templo.


        3) Seder Nashim (Ordem sobre as mulheres)

        A terceira Ordem da Mishná tem 7 tratados e atenta sobre os assuntos relacionados às mulheres, isto é, as mitzvot que as mulheres são obrigadas ou que as relacionam.


3.1) Massechet Yevamot (levirato) (contém 16 capítulos)

      Trata sobre as leis de Yibum (Levirato) como está em Deuteronômio 25:5-10. E também aborda tópicos que envolvem o status de "menor" (isto é, o indivíduo que ainda não está obrigado a cumprir as mitzvot).


3.2) Massechet Ketubot (noivado) (contém 13 capítulos)

       Fala sobre assuntos de virgindade e obrigações mútuas entre o casal.


3.3) Massechet Nedarim (votos) (contém 11 capítulos)

        Aborda os diversos tipos de votos e suas consequências legais.


3.4) Massechet Nazir (nazireu) (contém 9 capítulos)

        Fala, especificamente, do voto de Nazireu (Números 6:1-21).


3.5) Massechet Sotá (caso da mulher "adúltera") (contém 9 capítulos)

        Trata sobre todo o ritual que envolve o assunto de Sotá, como está descrito em Números 5:11, bem como outras espécies de rituais como a leitura anual que o Rei de Israel deve fazer, e o ritual em que desloca-se o pescoço de uma novilha, como está em Deuteronômio 21:1-9.


3.6) Massechet Guitin ("documentos") (contém 9 capítulos)

        Aborda as leis bíblicas e rabínicas concernentes ao divórcio, e também os detalhes do documento de divórcio.


3.7) Massechet Kidushin (noivado) (contém 4 capítulos)

         Fala sobre o estágio inicial do casamento (noivado), e detalha as leis sobre linhagem judaica.


        4) Seder Nezikin (Ordem dos danos)

       A quarta Ordem da Mishná contém 10 tratados e se ocupa com todas as leis (e seus detalhes) sobre o sistema judicial judaico, isto é, todo o tipo de procedência que o Sanhedrin (Sinédrio) deve tomar frente aos possíveis casos de danos e remunerações de acordo com a Torá.


4.1) Massechet Bava Kama ("primeira porta") (contém 10 capítulos)

        Concentra-se em questões de nível civil, que na sua maioria são danos e seus respectivos remunerações.


4.2) Massechet Bava Metsia ("porta do meio") (contém 10 capítulos)

        Esse Tratado resume-se em solucionar outras possíveis questões civis, porém sobre delitos. E também detalha as leis sobre propriedade.


4.3) Massechet Bava Batra ("último portão") (contém 10 capítulos)

        Fala das questões civis sobre propriedades de terra.


4.4) Massechet Sanhedrin (sinédrio) (contém 11 capítulos)

         Fala sobre as leis de procedência da côrte do Sanhedrin; sobre penas capitais, e sobre alguns aspectos criminais.


4.5) Massechet Macot (chicotadas) (contém 3 capítulos)

         Trata das leis relacionadas ao falso testemunho, cidades de refúgio e punição por chicotadas.


4.6) Massechet Shevuot (votos) (contém 8 capítulos)

         Aborda os vários tipos de votos e suas consequências.


4.7) Massechet Eduiot (Testemunhos) (contém 8 capítulos)

         Apresenta algumas análises com relação às disputas legais da Mishná e também apresenta algumas miscelâneas que ilustram alguns teste,unhas dos Sábios; e alguns aspectos de Halachá.


4.8) Massechet Avodá Zará ("trabalho estranho" - idolatria) (contém 5 capítulos)

        Trabalha algumas leis de interação entre judeus e idólatras (com, obviamente, a perspectiva judaica).


4.9) Massechet Avot (pais) (contém 6 capítulos)

        Um dos tratados mais conhecidos da Mishná. É uma coleção de máximas éticas dos Sábios desde os Homens da Grande Assembleia.


4.10) Massechet Horaiot (decisões) (contém 3 capítulos)

        Trabalha alguns aspectos sobre os sacrifícios de pecado necessários para expiar os erros de decisão do Sanhedrin (em alguns casos).


        5) Seder Kodashin (Ordem das coisas santificadas)

        A quinta Ordem da Mishná contém 11 tratados. Aborda todos os aspectos gerais dos serviços, rituais e purificações feitos no Templo.


5.1) Massechet Zevachim (sacrifícios) (contém 14 capítulos)

        Fala sobre os animais que eram oferecidos no Templo, bem como a natureza de cada sacrifício em si.


5.2) Massechet Menachot (ofertas de farinha) (contém 13 capítulos)

        Aborda leis sobre as várias ofertas de cereais oferecidas no Templo.


5.3) Massechet Chulin (coisas ordinárias/comuns) (contém 12 capítulos)

        Fala sobre leis de shechitá e consumo de animais (casher) que não oferecidos no Templo (isto é, para o consumo familiar).


5.4) Massechet Bechorot (primogênitos) (contém 9 capítulos)

        Aborda aspectos de santificação e resgate de primogênitos, tanto dos judeus quanto de alguns de seus animais.


5.5) Massechet Arachin (dedicações) (contém 9 capítulos)

        Trata sobre as ofertas por pessoas ao Templo, e também sobre ofertas por campos.


5.6) Massechet Temurá (substituição) (contém 7 capítulos)

        Aponta as leis sobre a substituição de um animal que seria oferecido no Templo por outro em lugar desse.


5.7) Massechet Keritot (ser cortado do povo) (contém 6 capítulos)

       Fala sobre os casos de punição que envolvem karet (banimento do povo de Israel), e também sobre quais sacrifícios deveriam ser feitos nesses casos.


5.8) Massechet Me'ilá (sacrilégio) (contém 6 capítulos)

        Trata sobre as leis de restituição por algum possível desvio (roubo) nas propriedades do Templo.


5.9) Massechet Tamid (constante, contínuo) (contém 6 capítulos)

        Aborda as leis sobre o Korban Tamid (sacrifício contínuo/diário).


5.10) Massechet Midot (medidas) (contém 4 capítulos)

        Trata sobre as medidas do Segundo Templo.


5.11) Massechet Kinim (ninho) (contém 3 capítulos)

        Apesar do seu título, em verdade, aborda algumas leis complexas sobre situações em que havia, ocasionalmente, uma mistura de ofertas de aves (rolinhas ou pombas).


        6) Seder Tehorot (Ordem de purificações)

         O sexta e última Ordem da Mishná contém 12 tratados, e ocupa-se em sua esmagadora maioria sobre os processos e os rituais de purificação tanto ocorridos no Templo, quanto no cotidiano do judeu.


6.1) Massechet Kelim (recipientes) (contém 30 capítulos)

        Este Tratado é o mais longo de toda a Mishná; e aborda leis de purificação de recipientes e outras caracterizações.


6.2) Massechet Ohalot (tendas) (contém 18 capítulos)

        Fala sobre algumas leis de impurificação de tendas onde se encontrava um cadáver e os seus métodos de purificação.


6.3) Massechet Nega'im (pragas) (contém 14 capítulos)

        Aborda todas as leis sobre Tsara'at ("lepra").


6.4) Massechet Pará (vaca) (contém 12 capítulos)

        Trata sobre as leis da Pará Adumá (vaca vermelha).


6.5) Massechet Tehorot (purificações) (contém 10 capítulos)

        Traz uma miscelânea de leis sobre casos gerais de impureza alimentícia.


6.6) Massechet Mikvaot (banhos rituais) (contém 10 capítulos)

        Fala sobre as leis de Micvê, isto é, a maneira de banhar-se, a quantidade mínima de água de um Micvê, o tipo de água apropriada para o Micvê e etc.


6.7) Massechet Nidá (separação) (contém 10 capítulos)

        Aborda assuntos sobre Nidá (ciclo mensal de separação da mulher) e leis sobre impureza pós-parto.


6.8) Massechet Machshirim (coisas preliminares à preparação da comida) (contém 6 capítulos)

        Aborda leis sobre alguns líquidos que são usados para preparar ração de alimentos que são suscetíveis à impureza ritual.


6.9) Massechet Zavim (emissão de sêmen) (contém 5 capítulos)

        Traz leis e prescrições sobre um Zav (aquele que se impurificou com sua própria emissão seminal).


6.10) Massechet Tevul Yom (imersão do dia) (contém 4 capítulos)

        Fala sobre certas impurezas em que a pessoa se purifica no pôr-do-sol do mesmo dia que se impurificou.


6.11) Massechet Yadaim (mãos) (contém 4 capítulos)

        Fala sobre prescrições rabínicas com relação à impureza das mãos, e, consequentemente, à ablução das mãos.


6.12) Massechet Uktsin (talos de fruta) (contém 3 capítulos)

        Fala sobre impurezas rabínicas com relação aos talos das frutas em geral.

- Conclusão para o leitor

Ao analisarmos os aspectos que envolvem tanto a Torá Oral, no seu conceito primitivo,(passada de geração à geração), quanto a sua base atual (Mishná), temos que ter em mente que: ao lermos e estudarmos tais textos, devemos sempre pô-los em prova com os Sagrados Escritos do Tanach (Antigo Testamento). Portanto, não podemos, prontamente, tê-los como verdades absolutas sobre nossas vidas visto que muitas dessas leis nem se aplicam aos nossos dias, como a grande maioria das leis concernentes à purificação e sacrifícios. Por conseguinte, exige-se daquele que lê tais textos um discernimento cristalino dos conceitos de leis rabínicas e leis bíblicas, e a diferença de seus pesos espirituais.
Portanto, seja da Sua vontade que possamos discernir os assuntos espirituais nos dias de hoje. Possamos estar adquirindo o "colírio" do Mashiach Yeshua, como está escrito:

"Aconselho-te que DE MIM compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e COLÍRIO, a fim de ungires os teus olhos, para que VEJAS." (Apocalipse 3:18)

Amén! Seja da Sua vontade!

........................................ Shemuel ben Avraham (Marcos)

Extraído de: http://www.sinagogabeitmiklat.com.br/2017/03/introducao-brit-chadasha-novo.html