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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

YESHUA TEVE PECADOS OU O NOVO TESTAMENTO ESTÁ ERRADO ?

 


Este estudo é do Rav Yochanan Ben Yaakov da Kahal Teshuvah Brasil, foi postado originalmente no grupo do Facebook da Kahal Teshuvah Brasil.


YESHUA TEVE PECADOS OU O NOVO TESTAMENTO ESTÁ ERRADO ?
Como um único verso é capaz de derrubar alguns dos principais pilares da fé cristã.
Sem dúvida nenhuma, todas as linhas cristãs, incluindo os chamados judeus messiânicos ex-cristãos que ainda carregam dogmas do Cristianismo, ambos acreditam como fundamentais dois pontos que iremos estudar hoje.
Após aprendermos um pouco sobre esses pontos iremos analisá-los à luz das Escrituras, ou seja, da Bíblia Hebraica. Afinal de contas, o Judaísmo Messiânico e Nazareno, e o Cristianismo concordam que a Bíblia Hebraica é a palavra de D'us e que tudo que ela contém é verdadeiro.
O primeiro ponto que iremos estudar é muito conhecido. Cristãos acreditam que Yeshua era livre de qualquer pecado. Nasceu sem pecado e nunca pecou. Encontramos esses argumentos em algumas passagens do Novo Testamento. Observe abaixo:
"Visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Yeshua, o filho de D'us, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado." (Hebreus 4:14-15)
"Àquele (Yeshua) que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de D'us." (2 Coríntios 5:21)
O segundo ponto está diretamente ligado ao primeiro e constitui o fundamento principal do cristianismo: Yeshua morreu como um sacrifício pelos pecados da humanidade. De acordo com o cristianismo somente alguém sem pecados poderia realizar um feito desses, da mesma forma que os sacrifícios no Templo não podiam ter defeito algum. Como conclusão, uma vez que Yeshua morreu pelos pecados da humanidade, sua morte anulou por completo a necessidade de qualquer outro sacrifício.
"Porque morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas..." (Romanos 6:10)
"Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção." (Hebreus 9:12)
"Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados, por meio do sacrifício do corpo de Yeshua o Messias, oferecido uma vez por todas...Onde essas coisas foram perdoadas, não há mais necessidade de sacrifício pelo pecado." (Hebreus 10:10-18)
É importante ressaltar, que esses princípios são fundamentais no cristianismo, e aceito por absolutamente todas as denominações cristãs. É simplesmente impossível ser um cristão e não acreditar nesses pontos.
Tendo dito isso, levantamos a seguinte questão: O que a Bíblia Hebraica (Torah e Profetas) tem a dizer a respeito disso?????
Obviamente quando digo Bíblia me refiro à Bíblia Hebraica, conhecida pelos cristãos como Velho Testamento. Leve em consideração que no primeiro século do cristianismo, o Novo Testamento não tinha sido ainda canonizado, e para convencer um Judeu a se converter eles precisavam se basear na nossa Bíblia. Vamos entender agora porque não tiveram sucesso.
Se estamos falando sobre o Messias, nada melhor que observamos uma das principais passagens da Bíblia sobre ele. Essa passagem começa no capítulo 34 do livro do profeta Ezequiel. Do capítulo 34 até o final do livro (cap. 48), o profeta descreve a Era Messiânica. Após lamentar a terrível situação do povo Judeu no exílio, o profeta começa a apresentar uma mensagem de conforto e introduz o principal personagem dessa história.
וְהוֹשַׁעְתִּי לְצֹאנִי וְלֹא תִהְיֶינָה עוֹד לָבַז וְשָׁפַטְתִּי בֵּין שֶׂה לָשֶׂה. וַהֲקִמֹתִי עֲלֵיהֶם רֹעֶה אֶחָד וְרָעָה אֶתְהֶן אֵת עַבְדִּי דָוִיד הוּא
יִרְעֶה אוֹתָם וְהוּא יִהְיֶה לָהֶן לְרֹעֶה. וַאֲנִי יְהֹוָה אֶהְיֶה לָהֶם לֵאלֹהִים וְעַבְדִּי דָוִד נָשִׂיא בְתוֹכָם אֲנִי יְהֹוָה דִּבַּרְתִּי
"Portanto hei de salvar o Meu rebanho (povo Judeu), para que não sirvam mais de presa, e julgarei entre uma ovelha e outra. E sobre elas porei um pastor, e ele as apascentará; o Meu servo David é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor. E Eu, o Eterno serei seu D'us, e o Meu servo David será príncipe no meio delas; Eu, o Eterno, o disse." (Ezequiel 34:22-24)
Aqui encontramos uma promessa de D'us ao povo Judeu. D'us vai nos resgatar e nos enviar alguém para nos liderar. Esse alguém é chamado de "Meu servo David" e ele será "Um príncipe" entre nós. Judeus e cristãos concordam que o verso se trata do Messias e é chamado aqui de David pois existe uma promessa que o Messias seria um descendente de David e seu filho Salomão (2 Samuel 7:12-14; 1 Crônicas 22:9-10).
Só para confirmar que essa também é a interpretação cristã, vejamos como o teólogo Charles Ryre comenta o verso acima:
"Meu servo Davi: Não se trata do rei Davi ressurreto, mas do Descendente maior de Davi, o Messias." (Charles C. Ryre, Bíblia Anotada, comentário em Ezequiel 34:23, página 1049)
Reparem que além de se referir ao Messias como "Meu servo David", D'us também o apresenta com outro título: "Meu servo David será um príncipe no meio delas". Logo vamos entender porque é importante lembrar disso.
No capítulos seguintes o profeta começa a escrever belíssimas passagens sobre a restauração de Israel, a reconstrução do Templo (em Jerusalém), e destaca a liderança do Messias entre nós.
"E Meu servo David será Rei sobre eles, e todos eles terão um só pastor; e andarão nos Meus juízos e guardarão os Meus estatutos, e os observarão." (Ezequiel 37:24)
"E habitarão na terra que Dei a Meu servo Jacó, em que habitaram vossos pais; e habitarão nela, eles e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre, e David, Meu servo, será seu príncipe eternamente." (Ezequiel 37:25)
"E os gentios saberão que Eu, o Eterno que santifico a Israel, quando estiver o Meu santuário no meio deles para sempre." (Ezequiel 37:28)
Como o melhor sempre fica para o final, vamos analisar o verso prometido. Vimos que uma das promessas transmitidas pelo profeta Ezequiel é que David será nosso "príncipe" eternamente. Já entendemos que se trata de uma referencia ao Messias que reinará em Israel no fim dos tempos. Mas, de acordo com Ezequiel, o príncipe fará algo que entrará em conflito direto com os dois fundamentos da fé cristã apontados acima.
Após a descrição em detalhes sobre o Terceiro Templo, o profeta começa a descrever os procedimentos para sua inauguração. Entre esses procedimentos teremos sacrífcios realizados para purificação do Templo. Presta bem atenção em cada palavra do verso a seguir e veja o sacrifício que será trazido pelo Príncipe nesse dia.
.וְעָשָׂה הַנָּשִׂיא בַּיּוֹם הַהוּא בַּעֲדוֹ וּבְעַד כָּל עַם הָאָרֶץ פַּר חַטָּאת
"E trará o Príncipe, nesse dia, por ele e por todo o povo da terra, um bezerro como sacrifício de pecado." (Ezequiel 45:22)
Apesar de estar claro, quero tentar deixar ainda mais explícito. Pelo que vemos no verso acima, a Bíblia nos diz que o Messias trará um sacrífcio para expiar os seus pecados e também o pecado de todo o povo. De acordo com o cristianismo isso é impossível. Se Yeshua é o Messias, não tinha pecado algum e sua morte encerrou qualquer necessidade de sacrifícios, como explicar esse verso?
E tem mais. Se continuarmos a leitura veremos que nos capítulos que seguem, o profeta nos mostra que o Messias seguirá os mandamentos da Torá, cumprirá Shabat (não domingo) e as festas Bíblicas (e não as católicas), oferecerá sacrifícios no Templo e terá filhos (Ez. 45:16-18). Alguma semelhança com o messias cristão com seus ensinamentos? Parece que não.
Missionários em uma tentativa desesperada de encontrar uma resposta, alegam que esses sacrifícios são simbólicos, lembranças do sacrifício feito por Yeshua. Mas voltando para a Bíblia vemos que nossos profetas não dizem isso e sim que os sacrifícios serão ofertas reais, agradáveis e aceitas por D'us como eram no passado.
"Então as ofertas de Judá e de Jerusalém serão agradáveis ao Eterno, como nos dias passados, como nos tempos antigos." (Malaquias 3:4)
Se o Sumo Sacerdote fazia sacrifícios por si mesmo primeiro para depois pelo povo Yeshua HaMashiach não faria o mesmo?
Yochanan Ben Yaakov יוחנן בן יעקוב

sábado, 15 de agosto de 2020

Estudo da Parashá Reê (Observe ou veja)

 

Estudos da Torá


Parashá nº 47 – Reê (Observe ou veja)

Devarim/Deuteronômio Dt 11:26-16:17

Haftará (Separação) Is 54:11-55:5; e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Jo 7:1-8:59; 10:9-10.


1 - INTRODUÇÃO

Desde o início do Sefer Devarim (Livro de Devarim) percebemos Moshê (Moisés) relembrar as histórias vividas pelo povo no deserto, bem como todas as leis, estatutos e mandamentos que o Eterno deu em todo o tempo vivido no deserto até aquele momento.

Na parashá (porção) desta semana temos a oportunidade de ver uma série de instruções dadas ao povo para que fossem vividas, e assim pudessem demonstrar através de suas vidas, que eram o povo de Adonay. Vejamos abaixo, um pequeno resumo antes de entrarmos no estudo.

Nessa porção Moshê continua a exortar o povo a seguir os caminhos da Torá, e a confiar em D’us, declarando que seriam abençoados se cumprissem a Torá, e amaldiçoado se não o fizer.

Ele começa então uma longa revisão de várias mitsvot, compreendendo a maior parte do livro de Devarim. Primeiro discute alguns dos mandamentos que são relevantes à iminente conquista da Terra de Israel pelo povo, conclamando-os novamente a remover qualquer vestígio de idolatria. Após ensinar-lhes certos detalhes sobre a oferenda e o consumo de corbanot (sacrifícios), a Torá ordena que o povo do Eterno se abstenha de imitar as nações que os circundam. A eles é dito que permaneçam atentos aos falsos profetas e outras pessoas que poderiam afastá-los de D’us, e ensinar-lhes as leis das cidades cananéias que tornaram-se tão corruptas, que a maioria de seus cidadãos sucumbiu à idolatria, recebendo por isso a pena de morte.

A Torá faz uma revisão sobre quais animais são casher (puros), permitidos para consumo, e quais não o são, seguida pelas leis de ma’aser sheni (o segundo "dízimo"), que é consumido por seus proprietários, mas apenas na cidade de Jerusalém.

Após ordenar que todas as dívidas sejam canceladas ao final de cada sétimo ano (Shemitah), e que devemos ser calorosos e caridosos com nossos irmãos, a Torá repete as leis relativas ao servo. Ele deve ser libertado incondicionalmente no

sétimo ano e coberto de presentes generosos por seu antigo amo.

A Parashá Reê conclui com uma breve descrição das três festas de peregrinação – Pêssach, Shavuot e Sucot – quando todos deveriam ir a Jerusalém e ao Templo com oferendas, para celebrar sua prosperidade.

Que o Eterno nos dê graça de aprendermos com mais esta porção da santa Torá e de toda a Escritura, e acima de tudo, colocarmos em prática o que aprendermos aqui.


2 - ESTUDO DO TEXTO

O significado do nome da porção

A porção dessa semana é introduzida pela palavra “רְאֵה - Re’eh ou Reê”, que significa “observa” ou “veja”. Ela é tão profunda quanto a palavra “shemá” que fala de ouvir e obedecer. Perceba que esta palavra está em modo imperativo, demonstrando pra nós a importância de obedecer o que seria dito. Ela tem relação com uma percepção mais profunda, uma visão interior, com os “olhos” do coração. Veja o texto de Devarim (Dt) 11:26-28:


“Observa(reê) que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos de YHWH, vosso Elohim, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos de YHWH, vosso Elohim, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes.”


Podemos perceber que Moshê continua sua exortação ao povo para que sigam o caminho da Torá, e confiem no Eterno. Por isso, disse antes, que ela trás uma relação mais profunda, pois para que se possa exercer emunah (confiança, firmeza, fé) é necessário que o homem olhe para dentro de si, note sua incapacidade, e tenha certeza que precisa confiar no seu criador.

A escolha que podemos e devemos fazer

“...hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos de YHWH, vosso Elohim, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos de YHWH, vosso Elohim,...”(Dt 11:26-28)


Moshê coloca os mandamentos e instruções do Eterno em perspectiva, apontando a benção como consequência da obediência, e a maldição caso não as obedeçam. Com isso, vemos Adonai apresentando, por meio de seu servo, duas opções para o homem, a fim de que ele tenha a oportunidade de escolher. O que nos mostra que o Criador permitiu ao homem usufruir do livre arbítrio, ou seja, poder de escolha. Ele pode escolher viver desligado ou ligado ao Eterno. Por isso, essa parashá inicia com a palavra “Reê” ou seja, “observa”. O que temos que observar é as opções que nos são colocadas à frente, e tomar a decisão correta. Se o homem tivesse sido criado sem o poder de escolha seria um autômato, como uma máquina, porém, cada um de nós temos o poder ou a liberdade de escolher. Ninguém é obrigado a obedecer ou a pecar (desobedecer), porque o Eterno nos criou para sermos pessoas que podem escolher servi-lo de livre e espontânea vontade. E penso, que na verdade, esse é seu maior desejo.


O homem pode optar pelo caminho da transgressão, do pecado, no entanto essa liberdade não o isenta da responsabilidade e das consequências de suas escolhas.


Os Montes Gerizim e Eival e a paciência do Eterno

“Quando, porém, YHWH, teu Elohim, te introduzir na terra a que vais para possuí-la, então, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim e a maldição sobre o monte Eival.” (Devarim11:29)


Segundo o site “Shema Ysrael.com”, os montes Gerizim e Eival serviriam como referenciais para o pronunciamento das bênçãos e maldições para que o próprio povo escolhesse o caminho por onde deveriam seguir.


É importante destacar que não podemos atribuir a benção ou a maldição à montanha, mas entender que foi uma forma de ilustrar as duas realidades.


As bençãos eram pronunciadas por aqueles que estavam no monte Gerizim, enquanto as maldições pelas pessoas que estavam no monte Eival.


Segundo o site “Emunah a fé dos santos.com”, os rabinos discutem se realmente se pode falar de uma montanha de maldição e outra de bênção. E diz também, que segundo Rashí, isso se refere ao fato da bênção e da maldição serem anunciadas sobre estes dois montes respectivamente. Nachmánides, escreve que a bênção e a maldição não estão ligados a uma montanha específica.


Assim, perceba uma coisa, o povo tinha que pronunciar a bênção numa montanha e a maldição em outro. O monte Eival, onde se pronunciaram as maldições, era mais alto que monte Gerizim. Isso é uma relação interessante, pois o fato de que o topo do monte, representa juízo sobre a pessoa a qual cai a maldição. Ou seja, a maldição é aplicada após uma jornada mais longa do que a jornada que se percorre para subir o monte Gerizim. Isso quer dizer que, possivelmente, essa relação demonstra que o Eterno espera até ao último momento para que o ímpio se arrependa. O Eterno dá-lhe o máximo de tempo possível para que possa vir a se arrepender, mas se isso não ocorrer, ao final de sua jornada, a maldição ou juízo recairá sobre ele.


Dessa forma, o mencionado site nos diz que, existe uma forma simples de entender a “montanha”, visto que a bênção e a maldição, são ambas metas de dois percursos diferentes; uma caminhada, uma subida pela montanha, que representa uma conduta de vida santa, ou uma conduta de transgressão. Ainda segundo o site, no final dessa caminhada, a pessoa alcançará a bênção, ou a maldição, consoante a escolha que fez como padrão de vida, uma vida pautada pela santificação, ou pelo pecado.


O estudo da porção “Reê” ou “ver” implica em compreender não só o aspecto da escolha, mas o que está revelado, o caminho correto para a vida, assim também, como crer e ter consciência de que, esta bem-aventurança procede de Deus.


Outra implicação, é que consiste ainda, em considerar as consequências desastrosas, conforme já mencionamos, da desobediência, como também as recompensas que o cumprimento dos mandamentos proporcionam, para que através delas o homem possa ter uma vida plena e abundante e servir melhor ao Eterno.


Yeshua fala sobre estes dois caminhos, da obediência e da rebeldia e suas consequências “Eu sou a porta, se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância;” (Yochanan/João 10:9-10). O site britolam.com.br no estudo dessa parashá diz que, estes são como dois caminhos alegóricos que se localizam no meio exterior, ao longo de toda a extensão da vida humana, onde obrigatoriamente se escolhe uma opção em detrimento da outra em meio a constante luta interior, na submissão do ser à vontade Divina.


Em nossas vidas muitas destas opções que surgem diariamente, são de fácil escolha, ou seja, podemos prever suas consequências benéficas ou maléficas com muita clareza e evidência, sem haver uma tensão, um conflito interno, pois trata-se de uma escolha que condiz com o nosso caráter ou com nossa visão de mundo, como por exemplo, a escolha entre roubar ou não roubar. Contudo algumas escolhas não são tão simples assim, e dessa forma exigem certo discernimento espiritual para saber qual é o caminho certo a seguir, a fim de estar de acordo com a justiça de D’us. Isto portanto, requer o conhecimento das Escrituras, como também um relacionamento mais íntimo com o Eterno, com o exercício das disciplinas espirituais que consta na santidade, na adoração e tefilá (oração), no estudo da Torah, e comunhão constante com o povo de D’us.


Com tudo isso, essa porção compreende em retornar à pureza da essência da Torá rompendo com as más tradições que impedem a percepção e o entendimento da vontade Divina expressa nas Escrituras. Veja Marcos 7:9.


“E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.”


Retorno à Torá

Depois de alguns assuntos já mencionados aqui, torna-se importante nesse momento, repararmos mais uma vez os primeiros versos da parashá Êkev, que estudamos semana passada, pois trás um princípio importante para todo aquele que serve ao Eterno, principalmente na atualidade. A aliança que HaShem fez com os antepassados é mantida mediante a observância das regras, estatutos que foram entregues. Repare no texto:


“Pelo fato de vocês ouvirem essas regras, e continuarem a cumprí-las, Adonai, seu Deus, manterá com vocês a aliança e misericórdia juradas por ele a seus antepassados.” (Devarim 7:12 - Bíblia Judaica Completa)


Repare que a parashá passada Ekev e a Reê, que estamos estudando, estão ligadas pelo mesmo princípio. Assim, é muito importante e urgente que retornemos a observação das prescrições da Torá, considerando que a Palavra de Deus é imutável, e nos garante tomar a opção certa, não para entrada na Aliança, que é concedida pela graça Divina mediante o sacrifício de Yeshua HaMashiach, conforme vimos no estudo passado, mas para permanecer nela, em santidade constante, como o próprio Yeshua disse em Mt 5:18-19.


“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.”


Com estes versos e com o que dissemos acima percebemos a importância que Yeshua deu ao cumprimento da Torá, e isso corrobora com o que a própria parashá nos aponta como instrução.


E sobre a importância do cumprimento da Torá, no estudo da parashá Reê do site “britolam.com.br”, encontrei algo muito interessante. Eles afirmam que a importância do cumprimento da Torá se dá em quatro níveis de obediência. Assim, vejamos cada um deles:


- O primeiro nível é a obediência plena alicerçada no amor a D’us e ao próximo. Este nível implica em um estado de subordinação onde a pessoa cumpre a mitsvá (mandamento), pois tem ciência da autoridade e majestade de HaShem e na sua obrigação de executar a Sua vontade. Desta forma, sua submissão se dá ao fato dele aceitar o jugo do Eterno, independente de sua compreensão ou apreciação de ação.


- O segundo nível está mais elevado que o anterior e consta na obediência da mitsvá tendo não somente o zelo e respeito pela autoridade Divina, mas também existe a apreciação intelectual e o envolvimento emocional com a mitsvá, bem como a compreensão das implicações ocasionadas pela observância destas mitsvot (mandamentos). Portanto, mesmo nos Chukim, os mandamentos que não sabemos plenamente seu pleno significado, estes são cumpridos com grande estima e prazer, mesmo diante da ausência da compreensão e razão.


- O terceiro nível de obediência é o nível da visão, que se refere a mensagem da Parashá. Este é o nível do discernimento espiritual que é concedido como dádiva Divina. Este consiste em não apenas ter submissão e zelo pela Palavra, entendimento e prazer no cumprimento, mas também, valendo-se da habilidade de percepção transcendental, abrangendo não somente os aspectos e consequências físicas, mas também os significados e inferências espirituais. Neste estágio o indivíduo requer maior aproximação da luz Divina, a fim de que possa alcançar maior contato e experiências sobrenaturais com as obras do Eterno.


- O quarto nível, o mais elevado, onde o cumprimento das mitsvot implica na soma de todos os níveis anteriores. Este reflete no amor que contém a entrega total, o se deixar gastar pela Obra de D’us na terra, se envolvendo totalmente com a causa do Reino de D’us por puro amor ao Eterno e as Escrituras. Esta entrega pode chegar ao seu extremo, mesmo diante do que lhe é mais precioso, a própria vida, no ato do kidush HaShem, a santificação do Nome no martírio, que muitos achim(irmãos) sofreram ao longo da história e isso expressa a maior dimensão do amor e obediência a D’us. Portanto, o maior alcance do amor é o auto sacrifício que não poupa nem a própria vida, para que o Nome de HaShem seja honrado e conhecido, esta é a prova extrema da fé.


Vemos prova que essa expressão de amor é divina, quando observamos o amor do Eterno ao entregar seu filho unigênito em resgate da humanidade. Também podemos notar Yeshua nos seus momentos finais no Getsemani nos ensinando com seu ato desprendido e supremo que devemos nos submeter à vontade de HaShem, quanto ao cumprimento de seus propósitos a fim de sermos instrumentos de sua justiça.


Dessa forma, amar a D’us compreende justamente o que essa parashá em toda a sua extensão nos ensina, ou seja, cumprir a Torá, pois é sua bendita vontade.


Conforme disse acima, Yeshua se submeteu a vontade divina em se entregar como corban (sacrifício) ao Eterno, cumprindo a determinação do Pai para que o homem fosse redimido. Veja o que diz Jo 15:9-14:


“Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.


Não devemos comer animais imundos

Nesta parashá também é tratado a respeito de quais animais podemos considerar alimento. Observe o texto abaixo:


“Não comam nada que for abominável. Estes são os animais que comereis: o boi, a ovelha, e a cabra. O veado e a corça, e o búfalo, e a cabra montês, e o texugo, e a camurça, e o gamo. Todo o animal que tem unhas fendidas, divididas em duas, que rumina, entre os animais, aquilo comereis” (Dt 14:3-6)

Aqui, o Eterno através de Moshê, repete o que é considerado comida, a fim de que seu povo se alimente. As carnes desses animais poderiam se consumidas de acordo com as demais especificações da Torá que envolvem dentre outras coisas, a forma correta de matá-los.


Disse acima que era uma repetição porque em Vaycrá/Levítico 11 a Torá apresenta esse assunto com tanta clareza quanto aqui. E nesses termos, assim como há animais que são considerados alimentos, há também animais que não são considerados alimentos, pois são imundos. Veja o texto abaixo:


“Porém estes não comereis, dos que somente ruminam, ou que têm a unha fendida: o camelo, e a lebre, e o coelho, porque ruminam mas não têm a unha fendida; imundos vos serão. Nem o porco, porque tem unha fendida, mas não rumina; imundo vos será; não comereis da carne destes, e não tocareis nos seus cadáveres” (Dt 14:7-8).


Da mesma forma, em relação aos peixes, a Torá nos instrui o seguinte: : “Isto comereis de tudo o que há nas águas; tudo o que tem barbatanas e escamas comereis. Mas tudo o que não tiver barbatanas nem escamas não o comereis; imundo vos será” (Dt 14:9-10). E é importante destacar, que em relação a isso em Lv 11, há mais especificidade, pois fala de “...todas as pequenas criaturas aquáticas...”(Lv 11:10).


Também fala a respeito das aves, e diz o seguinte:“Toda a ave limpa comereis. Porém estas são as que não comereis: a águia, e o quebrantosso, e o xofrango, e o abutre, e o falcão, e o milhafre, segundo a sua espécie. E todo o corvo, segundo a sua espécie. E o avestruz, e o mocho, e a gaivota, e o gavião, segundo a sua espécie. E o bufo, e a coruja, e a gralha, e o cisne, e o pelicano, e o corvo marinho, e a cegonha, e a garça, segundo a sua espécie, e a poupa, e o morcego. Também todo o inseto que voa, vos será imundo; não se comerá. Toda a ave limpa comereis” (Dt 14:11-20).


A Torá nos dá instruções que são corretas para nós a respeito do que comemos, e isso implica com a nossa santidade enquanto povo do Eterno. Quando comemos algo imundo, internalizamos o que é imundo, e consequentemente nos tornamos imundos, enquanto aquilo estiver em nosso ventre. Por isso além do fato de transgredirmos o mandamento, e ficarmos em estado de pecado, também nos tornamos inaptos a estar diante do eterno, por estarmos impuros. Podemos observar, como princípio, em relação ao comer coisa indevida e seus resultados, o que o Rav. Sha’ul (Apóstolo Paulo) diz em 1Co 10:14-22. Claro que o contexto ali é idolatria e comida sacrificada, mas ao comer coisa sacrificada o indivíduo também comete pecado, e faz parte da idolatria pelo que passou o animal oferecido, e consequentemente, fica inapto para servir ao Eterno, por isso o princípio é o mesmo. Devemos nos lembrar que Ele é Santo, por isso, devemos ser santos também, caso contrário não poderemos serví-lo.

3 - CONCLUSÃO

Concluindo nosso pequeno estudo, podemos aprender com a porção “observa” ou “vede” que o Eterno nos dá a liberdade de escolha sobre qual caminho seguir. E devemos ter em mente onde esse caminho nos levará, ou qual será as consequências dele. Adonai coloca para escolhermos o caminho da obediência, cuja consequência são as bençãos, e também coloca o caminho da desobediência, cuja consequência são as maldições ou juízos advindos da desobediência. Devemos saber escolher, pois quando se entra pelo caminho da desobediência, da transgressão, mesmo que depois nos arrependamos e sejamos perdoados, e retornemos para o caminho da obediência, algumas consequências de nossas escolhas erradas nos acompanharão por muitos anos em nossas vidas. Então, como diz o texto: “Cuidem de seguir todas as leis e regras que ponho hoje diante de vocês.” Dt 11:32.


Essa porção traz muito mais instruções, as quais devemos estar atentos, e com o tempo, e em próximas oportunidades poderemos abordar.


Bibliografia:


- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer

- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

- Bíblia Hebraica. Editora Sefer.

- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/

- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/parasha_47-_re.pdf

- https://www.britolam.com.br/parashat-ree

- https://www.shemaysrael.com/parasha-reeh/

- pt.chabad.org

- cip.org.br/regras-rituais-e-morais/

- https://www.cjb.org.br/malhut/ree.htm



Por: Pr. Marcelo Santos da Silva

terça-feira, 20 de março de 2018

Estudo sobre as Parábolas de Yeshua (Jesus)





Este estudo é feito dentro do contexto original das Escrituras, como é o nosso propósito, conforme os ensinos do Rab. Joseph Shulam, um judeu messiânico e um dos co-fundadores do Ministério Ensinando de Sião, que tem ensinado as raízes da fé às pessoas que dentre as nações têm crido no testemunho do Messias de Israel, e se convertido assim, ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó. E também, conforme aprendi nas aulas do professor Rab. Matheus Zandona Guimarães, no site da TV Sião.

Nosso objetivo com este estudo é estarmos aptos a entender as parábolas de Yeshua e o que ele queria ensinar ao seu povo. E estaremos vendo inicialmente o conceito de parábola no judaísmo, e então, veremos algumas parábolas dentro do seu contexto.

1. Conceito do termo parábola

A palavra “parábola” é um termo grego traduzido do aramaico (agadá - אגדה),  “parábolas” no plural “agadôt”, elas representam um poderoso e eficaz método de ensino, apesar de ser muito simples. Os sábios de Israel utilizaram muito das agadôt, e ainda utilizam, para ensinar ao povo os conceitos divinos.

2. Características

A Parábola ou Agadá, refere-se aos textos homiléticos e exegéticos não-legalistas na literatura rabínica clássica do judaísmo, particularmente como registrado no Talmud e nos Midrashim. Em geral, a agadá é um compêndio de homilias rabínicas, que incorporam o folclore, anedotas históricas, exortações morais e conselhos práticos em várias esferas da vida das pessoas, de negócios a cuidados médicos.

Então a Parábola é uma forma de ensino, onde serão utilizados elementos típicos da cultura, e elas não são verídicas, pois o que importa é o princípio que elas trazem, os fatos são apenas ferramentas.

Ao longo história de Israel as pessoas usavam Parábolas para expressarem um conceito de forma não ofensiva, geralmente OCULTO na composição da Parábola. Muitas vezes também, devido a razões políticas, as parábolas representavam um método seguro de exortação e crítica. “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”

Apesar de muitos pensarem que parábolas são coisas do Novo Testamento, no Antigo Testamento (Tanak), também podem ser encontradas, como por exemplo as mencionadas abaixo:

- Jotão e as Árvores do Campo – Jz 9:7-21; e
- Natã e a cordeirinha – 2Sm 12:1-12.

Yeshua se utilizava muito dessas Agadôt em seus ensinos, a fim de mostrar os mistérios do Reino de Deus, através dos princípios nelas expresso, e se isentar de afrontar os romanos, porque ele não tinha intenção de afrontá-los diretamente. Todos os seus ensinos proferidos através de parábolas possuem um segredo, uma mensagem importante e ao mesmo tempo oculta do entendimento comum. Somente os atentos à vontade de Deus entendem, por isso ele falava “quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.” (Mt 13:1-11).

O Mestre não somente criou várias parábolas, mas também utilizou-se do conhecimento prévio de parábolas rabínicas de sua época para ensinar e exortar. (Mc 4.34). Um exemplo de como Yeshua usou uma parábola da época dele, para dar um determinado ensino pode ser encontrado em Mt 11:7-9.

3. A Parábola da Semente de Mostarda (Mt 13.31,32)

Esta parábola apresenta uma falsa simplicidade, pois se analisada mais cuidadosamente, revela uma aparente contradição.
Será que Yeshua realmente estava se referindo à semente de mostarda, ou seu objetivo era algo mais profundo? A semente de mostarda é realmente a menor das sementes? Será que existem árvores de mostarda, de forma que seus ramos suportem ninhos? Será que Yeshua sendo um bom judeu, e um bom rabino, não sabia nada de semente e de agricultura?

Na interpretação comum da teologia cristã, devido à passagem de Mt 17.20, o assunto da parábola seria a fé. No entanto, Ele não está falando nem de mostarda e nem de fé, e é por isso que o contexto original deve ser observado.

Perceba que a maioria das vezes que aparece nas Escrituras o termo semente não se refere a fé, mas sim à semente (descendência) de Abraão, à nação de Israel.

זרע (zéra) = semente, descendência. (Gn 12:7; 13:15-16; 15:18; 17:7; Jr 31:36). E isto também demonstra o erro da teologia da substituição.

“...a menor de todas as sementes...” Israel a menor das nações (Dt 7.7).

A “arvore” de mostarda não cresce tanto, e não poderia jamais abrigar um ninho. Isso era uma alegoria, e ele queria lembrar a Israel do legado de seu povo, e o que o Eterno havia prometido por todos os profetas. Eles deveriam ser lembrados do seu legado como nação sacerdotal desde Abraão, ... “ser benção para as nações...”.

Porque mostarda? A mostarda não é doce, ela é um condimento com gosto forte e marcante. Assim como são os judeus também não são nada doces, mas são fortes e marcantes, como diz o Rabino Shulam.

Quanto à árvore que gera galhos para que os pássaros façam ninhos, Yeshua estava fazendo uma MIDRASH (modo de interpretação bíblica milenar, utilizada pelo judeus) com Ezequiel 17:22-24. Ele queria mostrar que naquela ocasião eles estavam tomados pelos romanos, mas que chegaria o tempo em que eles seriam uma grande nação, em que outros viriam a se juntar a eles. Assim, como nós hoje que fomos enxertados no troco de Israel. E tem também Is 2.2-5, que também faz referência ao futuro. A nação de Israel possui a promessa de ser benção para as nações da terra (Gn 12:3; Is 62:2; 65:10-12; Jr 4:1-2; Ez 37:28). O mistério de Rm 11:25, a entrada da plenitude dos gentios, quando nós podemos nos achegar a Israel, pela fé no Messias.

Estas promessas apontam para o dia onde o Deus Israel será o Deus de toda a terra, e Yeshua será o Rei de todas as nações.



4. A parábola dos trabalhadores da Vinha

A teologia cristã tradicional ensina que esta parábola fala de recompensa, de privilégios e não de méritos. Falam das atitudes erradas dos trabalhadores que questionaram o dono da vinha. Falam do anseio de Deus em oferecer a graça a todos e também, evitar a inveja. Embora muitos se preocupem com coisas desnecessárias, como o significado dos horários. Tudo isto é muito bom, ajuda na manutenção do caráter cristão, mas não é o sentido principal da parábola, que está oculto em seu contexto.

Vamos contextualizar o assunto da parábola.
Em Hb 11.6 nos mostra conceitos fundamentais em qualquer religião monoteísta: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”.

- Quem busca a Deus deve crer em Deus, mas não conforme o conceito Greco-romano de acreditar, e sim no sentido de conhecer e ter experiência com ele, é saber que ele é real.
- Sobre recompensa ou galardão, vejamos algumas passagens da “Mishná”, a lei oral, que começou a ser compilada antes de Yeshua:
“Antigono de Sôcho, recebeu de Shimon o Justo. Ele costumava dizer: Não sejam como os servos que servem a seu amo apenas com o intuito de receber a recompensa; mas sim, sejam como os servos que servem a seu amo sem o intuito de serem recompensados; e que o temor dos Céus paire sobre vocês”. (Pikei Avot, cap 1.3)

“Rabino Elazar disse: a)Seja diligente no estudo da Torá e tenha uma resposta pronta para o herege; b) saiba diante de Quem você se esforça; e c) saiba que seu empregador lhe pagará a recompensa por seu trabalho.”

“Rabino Tarfon, que viveu cerca de 100 anos antes de Yeshua, disse: O tempo passa, o trabalho é abundante, os operários são preguiçosos, o salário é alto, o Chefe da casa é exigente.”

“Ele costumava dizer: Não lhe é exigido que complete a tarefa, mas não é livre para dela escapar. Se você estudou bastante Torá, eles lhe darão grande recompensa; e pode confiar que seu Empregador lhe pagará a recompensa por seu trabalho, mas saiba que o prêmio do justo será dada no Mundo Vindouro.” (Cap 2.16-18)

A) Compreendendo os elementos da parábola(Mt 20.1-16)
Pontos a serem observados:
- Um Pai de Família tinha uma Vinha (a necessidade de trabalhadores);
- O contrato com os primeiros trabalhadores, ou trabalhadores da primeira hora;
- A necessidade de mais trabalhadores em outros horários;
- Os trabalhadores da décima primeira hora; e
- A ordem e valor dos pagamentos.

B) Compreendendo o contexto da parábola
O que está oculto nessa parábola? Vamos observar:
- Yeshua não está falando de uma vinha comum. (Isaías 5.1-7) A vinha representa Israel e Judá. O mestre estava fazendo uma midrash, correlacionando a textos do Tanack em sua parábola.
- O segredo da parábola está no fato do dono da vinha ter pago primeiro os últimos, a ordem do pagamento. Por que colocar justamente os últimos trabalhadores para receberem primeiramente? Yeshua tinha algo a ensinar com isso. Vejamos:
·        Quem foram os únicos que receberam um CONTRATO (ACORDO) com o dono da vinha? Os primeiros e todos os outros entraram à partir do contrato dos primeiros.
·        No entanto, para que o trabalho fosse finalizado, foi necessário recrutar outros trabalhadores para que JUNTOS com os primeiros trabalhadores, terminassem a colheita à tempo.
Aí está o segredo desta parábola, agora vamos ver o ensino que Yeshua queria passar com ele, através de outros textos das Escrituras, aos quais ele estava se referindo.
- Um contrato foi feito com os primeiros trabalhadores e JAMAIS foi invalidado. (Ex 6.6; Jr 31.31; Jo 4.22, Rm 1.16; 3.1-2; 9.4-5; 11.2) Os primeiros trabalhadores são o povo de Israel e Judá.
- Porém, para cumprir a missão, o povo de Israel, os primeiros trabalhadores, receberão ajuda. O trabalho só poderá ser completado com a ajuda dos últimos trabalhadores. Quem são os últimos trabalhadores? As nações (Goyn/gentios). (Is 2.2; 56.6-8)
- Os últimos trabalhadores recebem o MESMO GALARDÃO dos primeiros, sendo co-herdeiros e co-participantes com eles. Eles são devedores aos primeiros, pois sem estes não haveria trabalho prestes a ser completado. (Rm 9.4; 15.27; Ef 2.12-13; 3.6) Nós como gentios conectados a Israel, somos devedores a eles. E eles dependem de nós para concluir o trabalho para o qual foram contratatos desde Abraão.
- Os primeiros trabalhadores receberam o acordo, e os últimos COMPARTILHAM deste acordo. O acordo não muda, ou seja a Aliança não foi revogada.
- Para o dono da vinha, não houve diferença no tratamento entre trabalhadores, apesar de haver diferença no tempo de trabalho e na existência de um acordo. (Gl 3.28 x Rm 3.1-2)
- Sem a presença de AMBOS os trabalhadores, a colheita na vinha não poderá ser finalizada. Judeus e Gentios, juntos anunciando o Reino de Deus sobre a Terra.
“A Seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”. (Mt 9.37-38)

Conclusão
Yeshua estava falando por meio desta parábola que o Pai estaria chamando outros trabalhadores para que juntamente com eles realizassem o trabalho de ser povo de Deus na terra. E fez isso, fazendo relação com a Torá e os profetas. Que nós possamos ser verdadeiramente esses trabalhadores da última hora, ou os últimos trabalhadores, levando o Reino de Deus aos povos e também à Israel que ainda não reconhecem Yeshua como Messias.