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sábado, 15 de agosto de 2020

Estudo da Parashá Reê (Observe ou veja)

 

Estudos da Torá


Parashá nº 47 – Reê (Observe ou veja)

Devarim/Deuteronômio Dt 11:26-16:17

Haftará (Separação) Is 54:11-55:5; e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Jo 7:1-8:59; 10:9-10.


1 - INTRODUÇÃO

Desde o início do Sefer Devarim (Livro de Devarim) percebemos Moshê (Moisés) relembrar as histórias vividas pelo povo no deserto, bem como todas as leis, estatutos e mandamentos que o Eterno deu em todo o tempo vivido no deserto até aquele momento.

Na parashá (porção) desta semana temos a oportunidade de ver uma série de instruções dadas ao povo para que fossem vividas, e assim pudessem demonstrar através de suas vidas, que eram o povo de Adonay. Vejamos abaixo, um pequeno resumo antes de entrarmos no estudo.

Nessa porção Moshê continua a exortar o povo a seguir os caminhos da Torá, e a confiar em D’us, declarando que seriam abençoados se cumprissem a Torá, e amaldiçoado se não o fizer.

Ele começa então uma longa revisão de várias mitsvot, compreendendo a maior parte do livro de Devarim. Primeiro discute alguns dos mandamentos que são relevantes à iminente conquista da Terra de Israel pelo povo, conclamando-os novamente a remover qualquer vestígio de idolatria. Após ensinar-lhes certos detalhes sobre a oferenda e o consumo de corbanot (sacrifícios), a Torá ordena que o povo do Eterno se abstenha de imitar as nações que os circundam. A eles é dito que permaneçam atentos aos falsos profetas e outras pessoas que poderiam afastá-los de D’us, e ensinar-lhes as leis das cidades cananéias que tornaram-se tão corruptas, que a maioria de seus cidadãos sucumbiu à idolatria, recebendo por isso a pena de morte.

A Torá faz uma revisão sobre quais animais são casher (puros), permitidos para consumo, e quais não o são, seguida pelas leis de ma’aser sheni (o segundo "dízimo"), que é consumido por seus proprietários, mas apenas na cidade de Jerusalém.

Após ordenar que todas as dívidas sejam canceladas ao final de cada sétimo ano (Shemitah), e que devemos ser calorosos e caridosos com nossos irmãos, a Torá repete as leis relativas ao servo. Ele deve ser libertado incondicionalmente no

sétimo ano e coberto de presentes generosos por seu antigo amo.

A Parashá Reê conclui com uma breve descrição das três festas de peregrinação – Pêssach, Shavuot e Sucot – quando todos deveriam ir a Jerusalém e ao Templo com oferendas, para celebrar sua prosperidade.

Que o Eterno nos dê graça de aprendermos com mais esta porção da santa Torá e de toda a Escritura, e acima de tudo, colocarmos em prática o que aprendermos aqui.


2 - ESTUDO DO TEXTO

O significado do nome da porção

A porção dessa semana é introduzida pela palavra “רְאֵה - Re’eh ou Reê”, que significa “observa” ou “veja”. Ela é tão profunda quanto a palavra “shemá” que fala de ouvir e obedecer. Perceba que esta palavra está em modo imperativo, demonstrando pra nós a importância de obedecer o que seria dito. Ela tem relação com uma percepção mais profunda, uma visão interior, com os “olhos” do coração. Veja o texto de Devarim (Dt) 11:26-28:


“Observa(reê) que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos de YHWH, vosso Elohim, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos de YHWH, vosso Elohim, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes.”


Podemos perceber que Moshê continua sua exortação ao povo para que sigam o caminho da Torá, e confiem no Eterno. Por isso, disse antes, que ela trás uma relação mais profunda, pois para que se possa exercer emunah (confiança, firmeza, fé) é necessário que o homem olhe para dentro de si, note sua incapacidade, e tenha certeza que precisa confiar no seu criador.

A escolha que podemos e devemos fazer

“...hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos de YHWH, vosso Elohim, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos de YHWH, vosso Elohim,...”(Dt 11:26-28)


Moshê coloca os mandamentos e instruções do Eterno em perspectiva, apontando a benção como consequência da obediência, e a maldição caso não as obedeçam. Com isso, vemos Adonai apresentando, por meio de seu servo, duas opções para o homem, a fim de que ele tenha a oportunidade de escolher. O que nos mostra que o Criador permitiu ao homem usufruir do livre arbítrio, ou seja, poder de escolha. Ele pode escolher viver desligado ou ligado ao Eterno. Por isso, essa parashá inicia com a palavra “Reê” ou seja, “observa”. O que temos que observar é as opções que nos são colocadas à frente, e tomar a decisão correta. Se o homem tivesse sido criado sem o poder de escolha seria um autômato, como uma máquina, porém, cada um de nós temos o poder ou a liberdade de escolher. Ninguém é obrigado a obedecer ou a pecar (desobedecer), porque o Eterno nos criou para sermos pessoas que podem escolher servi-lo de livre e espontânea vontade. E penso, que na verdade, esse é seu maior desejo.


O homem pode optar pelo caminho da transgressão, do pecado, no entanto essa liberdade não o isenta da responsabilidade e das consequências de suas escolhas.


Os Montes Gerizim e Eival e a paciência do Eterno

“Quando, porém, YHWH, teu Elohim, te introduzir na terra a que vais para possuí-la, então, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim e a maldição sobre o monte Eival.” (Devarim11:29)


Segundo o site “Shema Ysrael.com”, os montes Gerizim e Eival serviriam como referenciais para o pronunciamento das bênçãos e maldições para que o próprio povo escolhesse o caminho por onde deveriam seguir.


É importante destacar que não podemos atribuir a benção ou a maldição à montanha, mas entender que foi uma forma de ilustrar as duas realidades.


As bençãos eram pronunciadas por aqueles que estavam no monte Gerizim, enquanto as maldições pelas pessoas que estavam no monte Eival.


Segundo o site “Emunah a fé dos santos.com”, os rabinos discutem se realmente se pode falar de uma montanha de maldição e outra de bênção. E diz também, que segundo Rashí, isso se refere ao fato da bênção e da maldição serem anunciadas sobre estes dois montes respectivamente. Nachmánides, escreve que a bênção e a maldição não estão ligados a uma montanha específica.


Assim, perceba uma coisa, o povo tinha que pronunciar a bênção numa montanha e a maldição em outro. O monte Eival, onde se pronunciaram as maldições, era mais alto que monte Gerizim. Isso é uma relação interessante, pois o fato de que o topo do monte, representa juízo sobre a pessoa a qual cai a maldição. Ou seja, a maldição é aplicada após uma jornada mais longa do que a jornada que se percorre para subir o monte Gerizim. Isso quer dizer que, possivelmente, essa relação demonstra que o Eterno espera até ao último momento para que o ímpio se arrependa. O Eterno dá-lhe o máximo de tempo possível para que possa vir a se arrepender, mas se isso não ocorrer, ao final de sua jornada, a maldição ou juízo recairá sobre ele.


Dessa forma, o mencionado site nos diz que, existe uma forma simples de entender a “montanha”, visto que a bênção e a maldição, são ambas metas de dois percursos diferentes; uma caminhada, uma subida pela montanha, que representa uma conduta de vida santa, ou uma conduta de transgressão. Ainda segundo o site, no final dessa caminhada, a pessoa alcançará a bênção, ou a maldição, consoante a escolha que fez como padrão de vida, uma vida pautada pela santificação, ou pelo pecado.


O estudo da porção “Reê” ou “ver” implica em compreender não só o aspecto da escolha, mas o que está revelado, o caminho correto para a vida, assim também, como crer e ter consciência de que, esta bem-aventurança procede de Deus.


Outra implicação, é que consiste ainda, em considerar as consequências desastrosas, conforme já mencionamos, da desobediência, como também as recompensas que o cumprimento dos mandamentos proporcionam, para que através delas o homem possa ter uma vida plena e abundante e servir melhor ao Eterno.


Yeshua fala sobre estes dois caminhos, da obediência e da rebeldia e suas consequências “Eu sou a porta, se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância;” (Yochanan/João 10:9-10). O site britolam.com.br no estudo dessa parashá diz que, estes são como dois caminhos alegóricos que se localizam no meio exterior, ao longo de toda a extensão da vida humana, onde obrigatoriamente se escolhe uma opção em detrimento da outra em meio a constante luta interior, na submissão do ser à vontade Divina.


Em nossas vidas muitas destas opções que surgem diariamente, são de fácil escolha, ou seja, podemos prever suas consequências benéficas ou maléficas com muita clareza e evidência, sem haver uma tensão, um conflito interno, pois trata-se de uma escolha que condiz com o nosso caráter ou com nossa visão de mundo, como por exemplo, a escolha entre roubar ou não roubar. Contudo algumas escolhas não são tão simples assim, e dessa forma exigem certo discernimento espiritual para saber qual é o caminho certo a seguir, a fim de estar de acordo com a justiça de D’us. Isto portanto, requer o conhecimento das Escrituras, como também um relacionamento mais íntimo com o Eterno, com o exercício das disciplinas espirituais que consta na santidade, na adoração e tefilá (oração), no estudo da Torah, e comunhão constante com o povo de D’us.


Com tudo isso, essa porção compreende em retornar à pureza da essência da Torá rompendo com as más tradições que impedem a percepção e o entendimento da vontade Divina expressa nas Escrituras. Veja Marcos 7:9.


“E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.”


Retorno à Torá

Depois de alguns assuntos já mencionados aqui, torna-se importante nesse momento, repararmos mais uma vez os primeiros versos da parashá Êkev, que estudamos semana passada, pois trás um princípio importante para todo aquele que serve ao Eterno, principalmente na atualidade. A aliança que HaShem fez com os antepassados é mantida mediante a observância das regras, estatutos que foram entregues. Repare no texto:


“Pelo fato de vocês ouvirem essas regras, e continuarem a cumprí-las, Adonai, seu Deus, manterá com vocês a aliança e misericórdia juradas por ele a seus antepassados.” (Devarim 7:12 - Bíblia Judaica Completa)


Repare que a parashá passada Ekev e a Reê, que estamos estudando, estão ligadas pelo mesmo princípio. Assim, é muito importante e urgente que retornemos a observação das prescrições da Torá, considerando que a Palavra de Deus é imutável, e nos garante tomar a opção certa, não para entrada na Aliança, que é concedida pela graça Divina mediante o sacrifício de Yeshua HaMashiach, conforme vimos no estudo passado, mas para permanecer nela, em santidade constante, como o próprio Yeshua disse em Mt 5:18-19.


“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.”


Com estes versos e com o que dissemos acima percebemos a importância que Yeshua deu ao cumprimento da Torá, e isso corrobora com o que a própria parashá nos aponta como instrução.


E sobre a importância do cumprimento da Torá, no estudo da parashá Reê do site “britolam.com.br”, encontrei algo muito interessante. Eles afirmam que a importância do cumprimento da Torá se dá em quatro níveis de obediência. Assim, vejamos cada um deles:


- O primeiro nível é a obediência plena alicerçada no amor a D’us e ao próximo. Este nível implica em um estado de subordinação onde a pessoa cumpre a mitsvá (mandamento), pois tem ciência da autoridade e majestade de HaShem e na sua obrigação de executar a Sua vontade. Desta forma, sua submissão se dá ao fato dele aceitar o jugo do Eterno, independente de sua compreensão ou apreciação de ação.


- O segundo nível está mais elevado que o anterior e consta na obediência da mitsvá tendo não somente o zelo e respeito pela autoridade Divina, mas também existe a apreciação intelectual e o envolvimento emocional com a mitsvá, bem como a compreensão das implicações ocasionadas pela observância destas mitsvot (mandamentos). Portanto, mesmo nos Chukim, os mandamentos que não sabemos plenamente seu pleno significado, estes são cumpridos com grande estima e prazer, mesmo diante da ausência da compreensão e razão.


- O terceiro nível de obediência é o nível da visão, que se refere a mensagem da Parashá. Este é o nível do discernimento espiritual que é concedido como dádiva Divina. Este consiste em não apenas ter submissão e zelo pela Palavra, entendimento e prazer no cumprimento, mas também, valendo-se da habilidade de percepção transcendental, abrangendo não somente os aspectos e consequências físicas, mas também os significados e inferências espirituais. Neste estágio o indivíduo requer maior aproximação da luz Divina, a fim de que possa alcançar maior contato e experiências sobrenaturais com as obras do Eterno.


- O quarto nível, o mais elevado, onde o cumprimento das mitsvot implica na soma de todos os níveis anteriores. Este reflete no amor que contém a entrega total, o se deixar gastar pela Obra de D’us na terra, se envolvendo totalmente com a causa do Reino de D’us por puro amor ao Eterno e as Escrituras. Esta entrega pode chegar ao seu extremo, mesmo diante do que lhe é mais precioso, a própria vida, no ato do kidush HaShem, a santificação do Nome no martírio, que muitos achim(irmãos) sofreram ao longo da história e isso expressa a maior dimensão do amor e obediência a D’us. Portanto, o maior alcance do amor é o auto sacrifício que não poupa nem a própria vida, para que o Nome de HaShem seja honrado e conhecido, esta é a prova extrema da fé.


Vemos prova que essa expressão de amor é divina, quando observamos o amor do Eterno ao entregar seu filho unigênito em resgate da humanidade. Também podemos notar Yeshua nos seus momentos finais no Getsemani nos ensinando com seu ato desprendido e supremo que devemos nos submeter à vontade de HaShem, quanto ao cumprimento de seus propósitos a fim de sermos instrumentos de sua justiça.


Dessa forma, amar a D’us compreende justamente o que essa parashá em toda a sua extensão nos ensina, ou seja, cumprir a Torá, pois é sua bendita vontade.


Conforme disse acima, Yeshua se submeteu a vontade divina em se entregar como corban (sacrifício) ao Eterno, cumprindo a determinação do Pai para que o homem fosse redimido. Veja o que diz Jo 15:9-14:


“Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.


Não devemos comer animais imundos

Nesta parashá também é tratado a respeito de quais animais podemos considerar alimento. Observe o texto abaixo:


“Não comam nada que for abominável. Estes são os animais que comereis: o boi, a ovelha, e a cabra. O veado e a corça, e o búfalo, e a cabra montês, e o texugo, e a camurça, e o gamo. Todo o animal que tem unhas fendidas, divididas em duas, que rumina, entre os animais, aquilo comereis” (Dt 14:3-6)

Aqui, o Eterno através de Moshê, repete o que é considerado comida, a fim de que seu povo se alimente. As carnes desses animais poderiam se consumidas de acordo com as demais especificações da Torá que envolvem dentre outras coisas, a forma correta de matá-los.


Disse acima que era uma repetição porque em Vaycrá/Levítico 11 a Torá apresenta esse assunto com tanta clareza quanto aqui. E nesses termos, assim como há animais que são considerados alimentos, há também animais que não são considerados alimentos, pois são imundos. Veja o texto abaixo:


“Porém estes não comereis, dos que somente ruminam, ou que têm a unha fendida: o camelo, e a lebre, e o coelho, porque ruminam mas não têm a unha fendida; imundos vos serão. Nem o porco, porque tem unha fendida, mas não rumina; imundo vos será; não comereis da carne destes, e não tocareis nos seus cadáveres” (Dt 14:7-8).


Da mesma forma, em relação aos peixes, a Torá nos instrui o seguinte: : “Isto comereis de tudo o que há nas águas; tudo o que tem barbatanas e escamas comereis. Mas tudo o que não tiver barbatanas nem escamas não o comereis; imundo vos será” (Dt 14:9-10). E é importante destacar, que em relação a isso em Lv 11, há mais especificidade, pois fala de “...todas as pequenas criaturas aquáticas...”(Lv 11:10).


Também fala a respeito das aves, e diz o seguinte:“Toda a ave limpa comereis. Porém estas são as que não comereis: a águia, e o quebrantosso, e o xofrango, e o abutre, e o falcão, e o milhafre, segundo a sua espécie. E todo o corvo, segundo a sua espécie. E o avestruz, e o mocho, e a gaivota, e o gavião, segundo a sua espécie. E o bufo, e a coruja, e a gralha, e o cisne, e o pelicano, e o corvo marinho, e a cegonha, e a garça, segundo a sua espécie, e a poupa, e o morcego. Também todo o inseto que voa, vos será imundo; não se comerá. Toda a ave limpa comereis” (Dt 14:11-20).


A Torá nos dá instruções que são corretas para nós a respeito do que comemos, e isso implica com a nossa santidade enquanto povo do Eterno. Quando comemos algo imundo, internalizamos o que é imundo, e consequentemente nos tornamos imundos, enquanto aquilo estiver em nosso ventre. Por isso além do fato de transgredirmos o mandamento, e ficarmos em estado de pecado, também nos tornamos inaptos a estar diante do eterno, por estarmos impuros. Podemos observar, como princípio, em relação ao comer coisa indevida e seus resultados, o que o Rav. Sha’ul (Apóstolo Paulo) diz em 1Co 10:14-22. Claro que o contexto ali é idolatria e comida sacrificada, mas ao comer coisa sacrificada o indivíduo também comete pecado, e faz parte da idolatria pelo que passou o animal oferecido, e consequentemente, fica inapto para servir ao Eterno, por isso o princípio é o mesmo. Devemos nos lembrar que Ele é Santo, por isso, devemos ser santos também, caso contrário não poderemos serví-lo.

3 - CONCLUSÃO

Concluindo nosso pequeno estudo, podemos aprender com a porção “observa” ou “vede” que o Eterno nos dá a liberdade de escolha sobre qual caminho seguir. E devemos ter em mente onde esse caminho nos levará, ou qual será as consequências dele. Adonai coloca para escolhermos o caminho da obediência, cuja consequência são as bençãos, e também coloca o caminho da desobediência, cuja consequência são as maldições ou juízos advindos da desobediência. Devemos saber escolher, pois quando se entra pelo caminho da desobediência, da transgressão, mesmo que depois nos arrependamos e sejamos perdoados, e retornemos para o caminho da obediência, algumas consequências de nossas escolhas erradas nos acompanharão por muitos anos em nossas vidas. Então, como diz o texto: “Cuidem de seguir todas as leis e regras que ponho hoje diante de vocês.” Dt 11:32.


Essa porção traz muito mais instruções, as quais devemos estar atentos, e com o tempo, e em próximas oportunidades poderemos abordar.


Bibliografia:


- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer

- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

- Bíblia Hebraica. Editora Sefer.

- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/

- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/parasha_47-_re.pdf

- https://www.britolam.com.br/parashat-ree

- https://www.shemaysrael.com/parasha-reeh/

- pt.chabad.org

- cip.org.br/regras-rituais-e-morais/

- https://www.cjb.org.br/malhut/ree.htm



Por: Pr. Marcelo Santos da Silva

sábado, 8 de agosto de 2020

Estudo da Parashá Êkev

 PARASHA ÊKEV – (Em razão de) 

PARASHA ÊKEV  – (Em razão de) Beit HaDerekh 

PARASHA ÊKEV   Em razão de…

 Dt 7:12- 11:25 Is 49:14 -51:3 Hb 11: 8:13

 Resumo da Parashá : Êkev começa com MOISÉS encorajando os filhos de Israel a confiar em D’us e nas maravilhosas recompensas que o Eterno nos dará se guardarmos a Torá. 

MOISÉS assegura-lhes que derrotarão com êxito as nações de Canaã, e deverão remover todo e qualquer vestígio de idolatria remanescente na Terra Santa. 

MOISÉS os lembra sobre o maná e as outras maravilhas com que D’us os supriu pelos quarenta anos passados, e ele adverte o seu povo para estar consciente das armadilhas da futura prosperidade e do orgulho das façanhas militares, o que poderia fazê-los esquecerem-se de D’us. 

Ele os relembra ainda de suas transgressões no deserto, recontando toda a história do bezerro de ouro, e descrevendo a abundante misericórdia de D’us. 

MOISÉS enfatiza que a geração do deserto tinha uma responsabilidade especial de permanecer leal aos mandamentos por causa dos muitos milagres que vivenciaram pessoalmente. 

Após detalhar as numerosas virtudes da Terra Prometida, MOISÉS ensina ao povo o segundo parágrafo do Shemá, que enfatiza a doutrina fundamental de recompensa e punição, baseada no cumprimento dos mandamentos. (O Shemá é composto de três trechos da Torá (Deut. 6:4-9; 11:13-21; e Núm. 15:37-41) 

Esta Porção da Torá termina com a promessa de D’us, uma vez mais, de que Ele protegerá o seu povo se eles cumprirem as Leis da Torá. Como podemos agradar a D’us? Vale a pena escolher obedecer?

 Dt 7:12 Será, pois, que, se ouvindo estes juízos, os guardardes e cumprirdes, o Senhor teu Deus te guardará a aliança e a misericórdia (Graça/ (Chesed) que jurou a teus pais; 

Hb 11:6 Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador (recompensador) dos que o buscam.·. 

1º Tem que crer em D’us. Eu acredito que Ele existe! Mas isto não é crer. Este é o conceito gregoromano, que a crença se faz pela percepção do intelecto. Isto não é o suficiente por não ser o conceito bíblico. 

Tg 2:19  Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem — e tremem! O diabo crê em D’us, mas nem por isto ele tem fé. 

Quando Jesus diz: Jo 7:38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. Crer no sentido bíblico é ter experiência com, não existe crença sem experiência, é ser fiel a. (Fé = emuná  מוּנה ָא ֱfidelidade) A palavra fé vem de Fidelis.

 A fé começa quando O Senhor se revela a você e depois desta experiência ninguém nunca mais conseguirá te convencer do contrario. Por isso não fique só estudando, busque isto na sua vida. O estudo nos leva a crer com o nosso intelecto a experiência nos leva a comprovar o que estudamos. E é esta a fé que o autor de hebreus está dizendo que agrada a D’us. Crer que D’us recompensa àqueles que o buscam. Você também tem que crer nisso. Estes são os pilares da fé que agrada a D’us. Por quê? 

Porque Ele ama recompensar aqueles que o buscam e nós amamos receber os favores de D’us, não só no mundo vindouro, mas aqui e agora. Somente quando você sabe que nosso D’us é um D’us que retribui, só assim você pode exercer o livre arbítrio.

 Lembra-se do texto quando iniciamos Hb 11:6? Ler os capítulos 7, 8, 9,10 e 11 é só benção. Todos amam esta porção da bíblia. Mas o 11:26-28 fala das maldiçoes,não podemos nos esquecer do SE, esta é a palavra mais importante SE. Quando você tem consciência destas coisas ai você tem o verdadeiro livre arbítrio. Livre arbítrio não é você chegar numa encruzilhada e escolher para qual caminho você vai. Livre arbítrio é você chegar nesta encruzilhada e ter o conhecimento prévio das consequências de cada escolha. 

Adão não tinha uma natureza pecaminosa o que ele tinha era o livre arbítrio. Porque D’us colocou a arvore do conhecimento lá? Para que ele tivesse a oportunidade de pecar, a oportunidade de desobedecer, se não; não seria livre arbítrio. 

É como se minha mãe dissesse Stella você é a nora que eu mais gosto. De que valeria este elogio pois eu sou filho único e ela não teria escolha? É o mesmo caso de D’us, Ele tinha que dar opção a Adão. E para o livre arbítrio ser completo D’us disse a Adão:  Gn 2:17  Mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”. 

Adão sabia as consequências da desobediência por isso o livre arbítrio era pleno. O povo de D’us conhece também o livre arbítrio pleno. 

Vejamos as recompensas: Dt 7:12-15 Será, pois, que, se ouvindo estes juízos, os guardardes e cumprirdes, o Senhor teu Deus te guardará a aliança e a misericórdia que jurou a teus pais; E amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vacas, e o rebanho do teu gado miúdo, na terra que jurou a teus pais dar-te. Bendito serás mais do que todos os povos; não haverá estéril entre ti, seja homem, seja mulher, nem entre os teus animais. E o Senhor de ti desviará toda a enfermidade; sobre ti não porá nenhuma das más doenças dos egípcios, que bem sabes, antes as porá sobre todos os que te odeiam. 

Dt 11:22-25 Porque se diligentemente guardardes todos estes mandamentos, que vos ordeno para os guardardes, amando ao Senhor vosso Deus, andando em todos os seus caminhos, e a ele vos achegardes,Também o Senhor, de diante de vós, lançará fora todas estas nações, e possuireis nações maiores e mais poderosas do que vós. Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso; desde o deserto, e desde o Líbano, desde o rio, o rio Eufrates, até ao mar ocidental, será o vosso termo. Ninguém resistirá diante de vós; o Senhor vosso Deus porá sobre toda a terra, que pisardes, o vosso terror e o temor de vós, como já vos tem dito. 

Busque-o enquanto é tempo você não sabe o dia de amanhã. Buscar a D’us é mandamento. Existe um caminho traçado predestinado para aqueles que resolvem obedecer a D’us.Da mesma forma que há um caminho traçado predestinado para aqueles que resolvem não obedecer a D’us. 

Dt 8: 19 -20 Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do Senhor teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis. Como as nações que o Senhor destruiu diante de vós, assim vós perecereis, porquanto não queríeis obedecer à voz do Senhor vosso Deus. 

O ser humano recebeu o poder de escolha. Tudo esta na Mão do Senhor exceto o teme-lo. (Talmud Brarrot pag. P). O poder de temer a D’us não esta nas mãos de D’us, pois Ele nos deu e está na nossa mão. 

D’us deu as cartas, conhece nosso jogo, mas decidiu não interferir. 

E como fazer se você esta na trilha da predestinação contraria a D’us? Sozinho, não há como você pular para a outra. 

Ai é que entra a obediência aos mandamentos, Sl 119:105  Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. Estudando,guardando,conhecendo e obedecendo a palavra de D’us. Isto fará com que você ande com segurança no caminho predestinado a salvação. Por isso ensinamos que a Lei não salva, a lei não te tira daqui e te passa para aqui, mas uma vez colocado aqui, é a lei que direciona os seus pés,é a lei que te guia,é a lei que te da parâmetros para que você não se desvie nem para a direita nem para a esquerda. 

A Lei não salva, mas te mantém salvo. Mas se eu tropeçar e cair? Ai você vai precisar da Graça e de um arrependimento genuíno, ai não entra lei nenhuma, é entre você e o Eterno. Só precisamos da Graça quando pecamos então viva a sua vida procurando não pecar, mas saiba que se você tropeçar precisará da Graça e ela estará  disponível a você. 

PV 7:1-3 1 Filho meu, guarda as minhas palavras, e entesoura contigo os meus mandamentos. 2 Observa os meus mandamentos e vive; guarda a minha lei, como a menina dos teus olhos.  3 Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração. João 8:31,32 Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, (ouvir guardar cumprir) verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. 

O discípulo não é aquele que estuda a Torá e sim o que guarda a palavra. 

João 14:21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. 

Temos que combater este falso evangelho, NÃO EXISTE EVANGELHO SEM LEI. 

O próprio Jesus diz: A palavra e os profetas falam a meu respeito. Por que não sabem quem eu sou?  Na parábola do rico e Lazaro o que Abraão fala é : Seus irmãos já têm Moises e os profetas, ouça-os. D’us é um só. Nós estamos seguindo o seu propósito. Aquilo que Ele anunciou aos profetas continua da mesma forma, não se desviou para lado nenhum. Jesus não veio fundar outra religião, Ele veio cumprir as Leis do Senhor. Este evangelho que prega a exclusão da Lei, o mínimo esforço, está produzindo uma geração de discípulos infrutíferos. E tornando-se infrutífero você pode ser cortado. 

Mateus 3:10 E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. 

Mateus 7:21-23 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Anomia- Falta de Lei)  

Mateus 7:24-27    Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-loei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. 

Preste atenção: É possível você ter recebido a graça de D’us, você ter nascido de novo, você ter sido colocado na predestinação dos vitoriosos, e você por causa das suas escolhas se colocar na trilha contraria a vontade de D’us. Isto é possível! 

Efésios 2:8-10  Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. 

Ezequiel 33:12-19 Tu, pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, não cairá por ela, no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo poderá viver pela sua justiça no dia em que pecar. Quando eu disser ao justo que certamente viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar a iniquidade, não virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniquidade, que pratica, ele morrerá. Quando eu também disser ao ímpio: Certamente morrerás; se ele se converter do seu pecado, e praticar juízo e justiça, Restituindo esse ímpio o penhor, indenizando o que furtou, andando nos estatutos da vida, e não praticando iniquidade, certamente viverá, não morrerá. De todos os seus pecados que cometeu não se terá memória contra ele; juízo e justiça fez, certamente viverá. Todavia os filhos do teu povo dizem: Não é justo o caminho do Senhor; mas o próprio caminho deles é que não é justo. Desviando-se o justo da sua justiça, e praticando iniquidade, morrerá nela. E, convertendo-se o ímpio da sua impiedade, e praticando juízo e justiça, ele viverá por eles.··. 

Toda profecia de juízo pode ser alterada por um coração contrito e arrependimento genuíno e com atitude. Lembre-se que Nínive não foi destruída porque o Rei se arrependeu. D’us não destruiu a cidade que havia prometido destruir. 

Arrependimento faz milagres. Arrependimento verdadeiro move o coração de D’us. A valorização dos mandamentos de D’US  é um dos pilares da fé bíblico-judaica. Esta é a missão das sinagogas judaicas messiânicas: Restaurar o evangelho e as suas origens e não judaizar a igreja. Valorizar os mandamentos de D’us. Pois este conceito eu estou na Graça e você está na Lei te torna uma pessoa medíocre. 

Portanto o que a palavra nos ensina é que as recompensas vêm depois de termos cumprido os mandamentos de D’us. 

Curiosidades: Midrash Yalcut 846

 “Se você respeitar os mandamentos que as pessoas geralmente pisoteiam com o calcanhar, então D’us abençoará”… 

A palavra Ekev tem um duplo significado:

 (a) em razão de… e 

(b) calcanhar קבֵע.ָ 

Daí o nome de Jacob “Yaacov”  קב ֹעֲי ַpois ele estava pendurado no calcanhar de Esaú quando nasceu de Rebeca. Esta Parashá também aponta para o Messias pois a primeira ocorrência da raiz da palavra Ekev aparece em Gênesis 3:15, onde D’us disse que o Calcanhar (do Messias) iria esmagar a Rosh (cabeça) da serpente (Satanás). Moisés apela para o povo, fazendo uma pergunta: ‘E agora, Israel, o que o teu Deus quer de vocês; é que tenham Temor do Senhor (Yirat Adonay), e que caminhem no caminho do Senhor que amem o Senhor de todo coração para que pratiquem os seus Mandamentos, para o seu próprio bem. 

Dt 10:12 Qual a ligação desta Parashá com HB 11: 13-16? Hebreus fala dos heróis da fé que não alcançaram as promessas Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. 

Essa experiência de cumprimento adiado, nas vidas dos patriarcas (v. 13-16) os capacitou a aprenderem a olhar para além da morte, para um cumprimento mais extenso que o de sua própria vida e experiência terrena. Assim, eles vieram a perceber que esta vida não é um fim em si mesmo, mas tão somente uma peregrinação (ver Gn 23.4; Gn 47.9) em direção a um alvo melhor (isto é, celestial), além desta vida. 

HB 11:15,16 — Os patriarcas e Sara não retornaram para Ur, embora pudessem tê-lo feito se quisessem.

Da mesma forma deveríamos seguir o exemplo dos patriarcas, recusando-nos a retornar hábitos antigos e às atrações e perdições deste mundo. 

Nós também não sabemos se vamos para a nossa terra prometida nesta geração ou vamos aguardar junto com os patriarcas o retorno do Messias, mas a mensagem aqui é que se queremos habitar na nossa terra prometida, se almejamos morar na nova Jerusalém, temos que seguir a orientação de D’us, Seguir seus mandamentos e nos esforçar para cumpri-los, pois, a Lei não salva como já vimos, mas, nos manténs salvos.  

Finalizando: Gostaria de deixar um salmo para meditarem  Salmos 19:7-10.

AUTOR DESCONHECIDO.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A Torá Oral

 Olá, li este artigo no site da Sinagoga Beit Miklat, e achei muito interessante, por isso estou compartilhando, as devidas referências ao site estão no fim do artigo.

 A Torá Oral

-Introdução

         A Brit Chadashá (Novo Testamento) fala em muitos lugares (Mateus 15:2; Marcos 7:3; Marcos 7:5) acerca da "Tradição dos Anciãos" (מסורת הזקנים - Massoret haZekenim), e muitas pessoas desconhecem o que viriam a ser estas palavras, que em sua essência significa um dos principais códigos de leis do Judaísmo. Nosso objetivo neste estudo é descrever as divisões e explicações (como também o surgimento) àqueles que desconhecem esses pormenores.
         A maior parte do Judaísmo acredita ser o Talmud o que é chamado de "Torá Oral" (תורה שבעל פה - Torá sh'beal pê); e desde o segundo século da era comum tem sido um dos guias religiosos que norteiam a religião de Israel. Nos tempos de Yeshua a "Tradição dos Anciãos" já era a base para o culto farisaico, apesar de ainda não estar codificada em livro, coisa que só ocorreria dois séculos depois; mas, desde esse tempo já persistiam as discussões que dariam origem ao estabelecimento do Talmud. Yeshua, e seus discípulos, no decorrer dos séculos, atacaram muitas vezes algumas leis da "Tradição dos Anciãos", acusando-as de intransigentes, outras, de insensíveis; mas, sabemos que existem outras leis e ensinamentos que valem-se de muito, como o próprio Yeshua disse: "Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus. Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam" (Mateus 23:2), portanto trazemos esse estudo para que, com a ajuda dos Céus, possamos ter discernimento sobre os ensinamentos milenares do povo judeu, o qual vêm mantendo a unidade e comunhão do mesmo, e que assim seja desde agora e para sempre, amen!


-A Torá Oral no Novo Testamento

         Junto com as Escrituras Hebraicas desenvolveram-se tradições paralelas dos Anciãos de Israel. No período que vai desde a reconstrução do Templo com Ezra HaSofer (Esdras, o escriba) e Neemias, até os dias de Yeshua, a Bíblia Hebraica se cristalizou como livro sagrado dos judeus, e ganhou até traduções para o grego (Septuaginta) e o aramaico (Targum Onkelos, Yonatan, Neofiti, Yerushalmi e outros). Mas também apareceram muitos livros apócrifos outros explicativos acerca da própria Bíblia Hebraica. Dentro da comunidade judaica (dos fariseus, principalmente) permanecia um código interpretativo das palavras da Torá, a Tradição Oral. Esse corpo de tradições foi, gradativamente, moldado e trabalhado ao longo dos séculos, e isso foi o que gerou a estruturação e o conteúdo da Mishná posteriormente.
        Não obstante, vê-se a presença de tal Tradição Oral no Novo Testamento; como exemplo, citaremos Mateus 1:5, onde se lê: "e Salmon gerou de Raabe a Boaz"; ou seja, aqui está provado que os próprios autores da Brit Chadashá se valeram da Tradição dos Anciãos para redigirem seus relatos, já que em nenhum lugar das Escrituras Hebraicas está escrito que Raabe, a prostituta de Jericó, se tornou esposa do príncipe Salmon de Judá. Também Paulo cita os magos egípcios que confrontaram Moshé pelos seus nomes (Janes e Jambres), coisa que a Bíblia Hebraica não contém. E onde esses autores buscaram esse material se não na "Tradição dos Anciãos"?

-Origem da Torá Oral

       A existência da Torá Oral é baseada na própria Torá, como está escrito:


ואתנה לך את לחת האבן והתורה והמצוה

"E dar-te-ei tábuas de pedra, e a Lei, e os mandamentos" (Êxodo 24:12)

E daqui aprendemos que "a Lei", se refere à Torá Escrita, e "os mandamentos", se refere à sua explicação, ou seja a Torá Oral (Vide Mishnei Torá, em sua Introdução, em Transmissão da Torá Oral, parágrafo primeiro).
       E também, outra referência:

ויקהל משה את כל עדת ישראל ויאמר אלהם אלה הדברים אשר צוה ה׳ לעשות אתם

"E Moshé convocou (congregou) toda a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: Estas são as palavras que o Eterno ordenou que cumprísseis." (Êxodo 35:1)

        Ou seja, vemos aqui Moisés dizendo "Estas são as palavras", i.e., ele convocou os filhos de Israel para que ouvissem as palavras que o Eterno disse, e os seus entendimentos (ou seja, a compreensão) para que conseguissem cumprir.
         E outra é:

כי המצוה הזאת אשר אנכי מצוך היום לא נפלאת הוא ממך ולא רחקה הוא


"Porque este mandamento, que hoje vos ordeno, não te é difícil demais, nem tampouco está longe de ti." (Deuteronômio 30:11)

         E alguém poderia perguntar: "Mas como não me é difícil, se não consigo entendê-los, para cumprí-los? Por exemplo a mitzvá do Tsitsit, a Torá não explica como fazer os nóis, e o número de fios! Então como Moisés pode me dizer que não me é tão difícil?" A partir dessa pergunta, concluímos que para Moisés nos dizer que os mandamentos não são tão difíceis, mesmo existindo ordenanças sem explicações, é que ele as explicou!
        Em outras palavras, vêmo-nos, a partir destes versos, forçados a concluir que a Torá Escrita foi dada junto com suas explicações, que é a Torá Oral.

-Transmissão da Torá Oral

        Teoricamente, de acordo com o Rambam (רמב״ם - Rabi Moshé ben Maimon), temos a seguinte sucessão do tipo mestre-discípulo:

Moisés transmitiu as explicações a Josué, Josué aos Anciãos e Finéias. Os Anciãos e Finéias transmitiram a Eli e a sua corte. Eli e sua corte transmitiram a Samuel. Samuel e sua corte transmitiram a David. David e sua corte transmitiram a a Aías, o Silonita. Aías e sua corte transmitiram a a Elias. Elias e sua corte transmitiram a Eliseu. Eliseu e sua corte transmitiram a Jeoiada, o Sacerdote. Jeoiada e sua corte transmitiram a Zacarias. Zacarias e sua corte transmitiram a Oséias. Oséias e sua corte transmitiram a Amós. Amós e sua corte transmitiram a Isaías. Isaías e sua corte transmitiram a Miquéias. Miquéias e sua corte transmitiram a Joel. Joel e sua corte transmitiram a Naum. Naum e sua corte transmitiram a Habacuque. Habacuque e sua corte transmitiram a Sofonias. Sofonias e sua corte transmitiram a Jeremias. Jeremias e sua corte transmitiram a Baruque, filho de Neriá. Baruque e sua corte transmitiram a Esdras, o Escriba.
A corte de Esdras era chamada de "Homens da Grande Assembleia", e esta era composta por: Ageu, Zacarias, Malaquias, Daniel, Ananias, Misaías, Azarias, Neemias (filho de Chachlia), Mordecai, Zerubavel e outros grandes homens que junto com estes, somam 120 Anciãos. O último deles foi Shimon haTsadik (Simeão, o Justo) que se tornou Sumo-Sacerdote depois da geração de Esdras. Shimon haTsadik transmitiu a Antígonos de Sôco. Antígonos de Sôco e sua corte transmitiram a Yosef ben Yoezer (de Tsereda) e a Yosef ben Yochanan (de Jerusalém). Yosef de Tsereda e Yosef de Jerusalém e suas cortes transmitiram a Yehoshua ben Prachiá e a Nitai de Arbeli. Yehoshua ben Prachiá e Nitai de Arbeli e suas cortes transmitiram a Yehudá ben Tavai e a Shimon ben Shetach. Yehudá ben Tavai e Shimon ben Shetach e suas cortes transmitiram a Shemaia e Avtalion. Shemaia e Avtalion e suas cortes transmitiram a Hilel e Shamai. Hilel e Shamai e suas cortes transmitiram a Rabi Yochanan ben Zakai e a Rabi Shimon ben Hilel.
Rabi Yochanan ben Zakai tinha 5 discípulos, que eram: Rabi Eliezer HaGadol, Rabi Yehoshua, Rabi Yose haCohen, Rabi Shimon ben Netanel e Rabi Eliezer ben Arach .
Rabi Eliezer HaGadol transmitiu a Rabi Akiva ben Yosef. Rabi Akiva transmitiu a Rabi Yishmael e a Rabi Meir.
Rabi Akiva tinha 3 colegas: Rabi Tarfon, Rabi Shimon e Rabi Yochanan ben Nuri.
Rabi Shimon transmitiu a Raban Gamaliel haZaken (filho de Rabi Shimon). Raban Gamaliel transmitiu a Raban Shimon. Raban Shimon transmitiu a Rabi Yehudá haNasi. E Rabi Yehudá haNasi compôs a Mishná (em 189 a.e.c).

- Funções adicionais da Torá Oral e outros grupos no séc. I

        A Tradição servia também como um regulamento, ou seja, os mestres da época se utilizavam dela para explicarem (ou relerem) as Escrituras às pessoas, já que era tida como de difícil interpretação. O outro maior partido religioso da época de Yeshua, era os saduceus. Era mais cético, pelo fato de seus membros não reconhecerem a canonicidade sequer dos livros dos profetas e os salmos, aceitavam apenas a Lei de Moisés como realmente autêntica; e rejeitavam também as tradições dos Anciãos e as doutrinas acerca da imortalidade da alma, julgamento futuro e etc. Os samaritanos, além de serem de origem diferente, seguiam também uma religião diversa: tinham sua própria versão da Torá, e sacrificavam a sua Páscoa sobre o monte de Samaria, ou Gerizim. Esses dois grupos, saduceus e samaritanos, e outros menores, foram perdendo campo depois de guerras que atingiram a Terra Santa naqueles tempos. Os samaritanos ainda hoje existem, numa comunidade muito reduzida ao norte, e praticam seu culto tradicional que incluem os sacrifícios. Os saduceus deram origem ao movimento denominado Caraíta, que hoje também tem alguns milhares de membros tanto em Israel, como em outros países. Os fariseus formaram o grupo religioso que conseguiu furar os séculos como a maior identidade judaica; guardaram a Tradição Oral que deu origem ao texto mishnáico. Com a dispersão dos judeus pelo mundo, os rabinos se viram na iminência de muitos judeus abjurarem sua fé se a Torá Oral não fosse codificada para dar maior simplicidade à liturgia e ao culto.
        Uma reunião dos principais rabinos de Israel, comandados por Rabi Yehudá haNasi, deu origem ao grande trabalho de escrever as leis e tradições que foram a gênese da primeira parte do Talmud: a Mishná.
        Começaram-se a ser redigidos, quase que simultaneamente, dois comentários da Mishná: um em Israel (Guemará Yerushalmi), a partir do século IV; e um na Babilônia (Guemará Bavli), a partir dos séculos VI e VII. O texto de ambos é demasiado parecido, sendo o Comentário Babilônico considerado mais completo, e, consequentemente, o mais usado. Essas discussões legais (chamadas de Guemará) em torno da Mishná foram adicionadas ao texto mishnáico, formando o que se conhece hoje como Talmud.

-Biografia de Rabi Yehudá haNasi

       De acordo com o Talmud Yerushalmi Sanhedrin 5a (no comentário de Tosafot Yom Tov), ele era da descendência Davídica, da linhagem real, por isso o título de Nasi (Príncipe). Esse título "Nasi" também era usado para os presidentes do Sanhedrin na época dos Zugot (pares), por exemplo Shemaia e Avtalion; e Hilel e Shamai (um era chamado de Nasi [Presidente do Sanhedrin] e o outro de Av Beit Din [Chefe de Justiça]) (Vide Mishná Chaguigá 2:2).
       Yehudá haNasi nasceu em 135 d.e.c.. De acordo com um Midrash (Bereshit Rabá 53; Eicha Rabá 1:10), ele nasceu no mesmo dia do martírio de Rabi Akiva.
       Sua juventude passou na cidade de Usha (Oeste da Galiléia). Aprendeu a Torá e também estudos gerais (linguagens, principalmente) com seu pai (Rabi Shimon ben Gamaliel II).

-Mishná (משנה - chamada também de Shas - ש״ס)

       A Mishná é a primeira parte do Talmud, e sua compilação foi chefiada por Rabi Yehudá haNasi (135 - 217 d.e.c.), filho de Shimon ben Gamaliel II, aproximadamente no ano 189 d.e.c.. A palavra Mishná significa "repetição", e é um termo que já se encontra nas Escrituras Hebraicas.
       Esta se divide em seis Sedarim (ordens, seções): Zeraim (Sementes), Moed (Festividades), Nashim (Mulheres), Nezikin (Danos), Kodashin (Santificados), Tehorot (Purificações).
       E estas, por sua vez, são dívidas em Masechtot (Tratados), que são 63 tratados. Estes, por sua vez, dividem-se em Perakim (Capítulos), que são 525 capítulos. E estes são subdivididos em Mishnaiot (Parágrafos), que totalizam 4224 mishnaiot.

       Zeraim: 75 capítulos, com total de 683 mishnaiot;
       Moed: 88 capítulos, com total de 681 mishnaiot;
       Nashim: 71 capítulos, com total de 570 mishnaiot;
       Nezikin: 74 capítulos, com total de 685 mishnaiot;
       Kodashin: 91 capítulos, com total de 590 mishnaiot;
       Tehorot: 126 capítulos, com total de 1015 mishnaiot.

        Ordem de Especificação:

        Seder -> Masechet -> Pérek -> Mishná

- Eras dos Sábios (תקופת החכמים - Tekufat haChachamim)


1) Patriarcas (אבות - Avot)

       Período: Desde a saída de Abraão, nosso pai, de Ur dos Caldeus, até a entrada do povo de Israel na Terra de Canaã.
       Principais: Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Josué, Finéias, Aarão e etc.

2) Juízes (שופטים - Shoftim)

       Período: Desde a morte de Josué até a posse de Saul, através das mãos de Samuel (último dos juízes).
       Principais: Otniel ben Kenaz, Ehud ben Guerá, Devorá, Guideon, Avimelech, Shimshon, e Shmuel.

3) Profetas (נביאים - Neviím)

       Período: Desde a divisão do reino de Salomão, com o profeta Aías (o Silonita) até o período em que profetizou Malaquias.
       Principais: Obadias, Joel, Jonas, Amós, Oséias, Isaías, Ezequiel, Miquéias e etc.

4) Anciãos da Grande Assembleia (אנשי כנסת הגדולה - Anshei Kenesset haGuedolá)

       Período: Desde a conclusão da construção do Segundo Beit HaMikdash (Templo) até a morte de Shimon haTsadik, filho de Chonyo, filho de Yadua, filho de Yochanan, filho Eliashev, filho de Yehoshua, filho de Yehotsedek (primeiro Sumo-Sacerdote do Segundo Templo), que era sobrinho de Esdras.
       Principais: Ageu, Zacarias, Malaquias, Daniel, Ananias, Misaías, Azarias, Mardoqueu e etc.

5) Pares (זוגות - Zugot)

       Período: Desde a nomeação de Yosi ben Yoezer haCohen como Nasi, Presidente do Sanhedrin, para manter a ordem social, função que o Sumo-Sacerdote não cumpria (lembrando que nesse período já estava no domínio cultural grego, antes do Milagre de Chanucá, porém já depois da tradução da Torá para o grego com os 70 rabinos), até a morte de Hilel no ano 8 d.e.c..
       Principais:  Yosi ben Yoezer e Yosi ben Yochanan; Yehoshua ben Prachiá e Nitai haArbeli; Yehudá ben Tavai e Shimon ben Shetach; Shemaia e Avtalion; Hilel e Menachem (porém Menachem foi deposto, e Shamai o substituiu);

6) Repetidores, Professores (תנאים - Tanaim)

       Período: Desde a morte de Hilel, até o término da compilação da Mishná em 189 d.e.c..
       Principais: Yochanan ben Zakai, Yosi haGlali, Rabi Tarfon, Rabi Meir, Rabi Akiva, Rabi Yehudá haNasi, Rabi Shimon bar Yochai e etc.

7) "Aqueles que falam" (אמוראים - Amoraim)

       Período: Desde a saída de Rav (Rabi Abba Aricha) da Terra de Israel e seu estabelecimento na Babilônia no ano 219 d.e.c., até o término da compilação do Talmud Bavli quando Ravina II faleceu no ano 475 d.e.c..
       Principais: Rabi Yehoshua ben Levi, Bar Kapará, Rav Huna, Resh Lakish, Hilel ben Gamaliel III, Adda bar Ahavá, Shemuel ben Nachman, Rabba, Rav Zeira, Rav Abbahu, Hamnuna, Chanina ben Papa, Rav Shemuel bar Yehudá, Abaye, Rava, Rav Papa, Rav Kahana, Mar bar Rav Ashi, Ravina II e etc.

8) Explicadores, Pensadores (סבוראים - Savoraim)

       Período: Desde a proclamação do auto-governo judaico na Babilônia por Mar Zutra em 551 d.e.c., até a reconstituição da Metivta de Sura (Academia Talmúdica em Sura) em 609 d.e.c..
       Principais: Raban Savorai e etc (Rabinos anônimos).

9) Gênios (גאונים - Gueonim)

       Período: Desde a conquista árabe de Israel em 637 d.e.c, até a morte de Rav Hai Gaon e a decadência das Yeshivot (Escolas Rabínicas) da Babilônia em 1038 d.e.c..
       Principais: Achai Gaon, Amram Gaon, Hai Gaon, Saadia Gaon, Sherira Gaon e etc.

10) Os primeiros (ראישונים - Rishonim)

       Período: Desde o falecimento de Rabeinu Guershon ben Yehudá em Mainz (Alemanha atual) em 1040 d.e.c., até a completa compilação do Shulchan Aruch por Rabi Yosef Caro em 1563 d.e.c..
       Principais: Abba Mari (Minchat Kenaot), Don Yitzchak Abravanel, Avraham ibn Ezrah, Rabi Asher ben Yechiel (Rosh), Rabi David Kimchi (Radak), Rabi Ovadia ben Avraham (Bartenura), Rabi Levi ben Guershon (Ralbag), Rabi Yitzchak Alfasi (Rif), Rabi Yehudá haLevi, Rabi Yaakov ben Asher (Baal haturim), Rabi Moshé ben Maimon (Rambam), Rabi Moshé ben Nachman (Ramban), Rabi Shlomo ben Yitzchak (Rashi), Rabi Yitzchak Sagui Nehor (Yitzchak, o cego), Rabi Shlomo ben Aderet (Rashba), Rabi Yom Tov Asevilli (Ritva), Rabi Shmuel ben Meir (Rashbam, neto de Rashi), Rabi Yaakov ben Meir (Rabênu Tam, irmão de Rashbam, neto de Rashi) e etc.

11) Os últimos (אחרונים - Acharonim)

       Período: Desde a compilação do Shulchan Aruch em 1563 d.e.c., até os dias de hoje.
       Principais: Rabi Chaim Yosef David Azulay (Chida), Rabi Yosef Chaim de Bagdá (Ben Ish Chai), Rabi Moshé ben Yaakov Cordovero (Ramak), Rabi Yitzchak Luria (Ari), Rabi Yehudá Loew ben Betsalel (Maharal), Rabi Chaim Vital (principal discípulo do Ari), Rabi Eliezer haLevi Eidels (Maharsha), Rabi Baruch haLevi Epstein (Torá Temimá), Rabi Eliahu ben Shlomo Zalman (Vilna Gaon), Rabi Baruch Shalom haLevi Ashlag (Rabash), Rabi Moshé Chaim Luzzatto (Ramchal), Rabi Meir Leib ben Yechiel Michel (Malbim), Rabi Yisrael ben Eliezer (Baal Shem Tov), Rabi Dovber de Mezeritch (Maguid de Mezeritch, principal discípulo do Baal Shem Tov), Rabi Menachem Mendel Schneerson (Rebe), Rabi Meir Eliahu, Rabi Yisrael Abuchatsera (Baba Sali), Rabi Ovadia Yosef, Rabi Mordechai Eliahu, Rabi Eliahu Eliezer Dessler e etc.

- Descrição suscinta de todos os 63 tratados da Mishná de acordo com seus Sedarim

       1) Seder Zeraim (Ordem das sementes)

       Esta é a primeira Ordem da Mishná e é composta por 11 tratados, e se preocupa principalmente sobre a formação das bençãos, o cultivo da terra, plantação de árvores frutíferas, criação de animais, juntamente com as ofertas no serviço do Templo, e outros assuntos ligados a esses temas.


1.1) Massechet Brachot (bênçãos) (contém 9 capítulos)

       Trata-se, primeiramente, sobre a ordem das três orações diárias (Shacharit, Minchá e Arvit) e as diversas bênçãos, especialmente, o Shemá e a Amidá.


1.2) Massechet Peá (canto, ângulo) (contém 8 capítulos)

       Trata-se quase que exclusivamente sobre as leis dos cantos das colheitas que deveriam ser deixados para que os pobres e estrangeiros pudessem respigá-los.


1.3) Massechet Demai (produto duvidoso) (contém 7 capítulos)

       Aborda, principalmente, os diversos casos em que não têm-se certeza se os dízimos dos sacerdotes foram dados de uma certa produção ou não.


1.4) Massechet Kilaim (misturados) (contém 9 capítulos)

       Fala, majoritariamente, sobre os produtos (plantas) que podem ou não ser plantados juntos na agricultura. Aborda também a mitzvá de Sha'atnez e a proibição de reprodução entre animais de diferentes espécies (Levítico 19:19; Deuteronômio 22:9-11).


1.5) Massechet Sheviít (ano sabático) (contém 10 capítulos)

       Aborda as leis sobre agricultura e regulamentos de fiscalização concernentes ao ano da Shemitá (sabático) (Levítico 25:2-7).


1.6) Massechet Terumot (ofertas) (contém 11 capítulos)

        Fala sobre as leis que compõem a Terumá (oferta para os sacerdotes) (Números 18:8-20; Deuteronômio 18:4).


1.7) Massechet Ma'asserot (dízimos) (contém 5 capítulos)

       Trata das leis referentes aos dízimos que eram para os levitas (Números 18:21-24).


1.8) Massechet Ma'sser Sheni (o segundo dízimo) (contém 5 capítulos)

       Aborda as leis concernentes ao dízimo que deveria ser consumido em Jerusalém (Deuteronômio 14:22-26).


1.9) Massechet Chalá (primícias das massas) (contém 4 capítulos)

       Fala sobre as leis referentes às ofertas das primícias das massas para os cohanim (sacerdotes) (Números 15:20-21).


1.10) Massechet Orlá (incircuncisão das árvores) (contém 3 capítulos)

       Fala sobre a proibição do consumo imediato do fruto de uma árvore recém plantada na Terra de Israel (Levítico 19:23-25).


1.11) Massechet Bicurim (primeiros frutos) (contém 3 capítulos)

       Trata da primícias do campo para os cohanim (Êxodo 23:19; Deuteronômio 26:1-11).


       2) Seder Moed (Ordem das festas bíblicas e judaica)

       A segunda Ordem da Mishná apresenta 12 tratados e concentra-se em legislar sobre todas as festas da Torá e Tradição Judaica (Purim e Chanucá).


2.1) Massechet Shabat (sábado) (contém 24 capítulos)

       Trata de todas as leis pertinentes ao dia do Shabat, tanto as leis da Torá quanto as leis rabínicas, como múctse, acendimento de fogo, e também a definição de trabalho proibido.


2.2) Massechet Eruvin (campo delineado) (contém 10 capítulos)

        Aborda as regulamentações sobre as construções/delineações em que se permite carregar certos objetos no Shabat.


2.3) Massechet Pessachim (páscoa judaica) (contém 10 capítulos)

       Fala sobre as leis concernentes ao Korban Pêssach (sacrifício da páscoa judaica) e a Agadá de Pêssach.


2.4) Massechet Shekalim (meio ciclo de prata) (contém 8 capítulos)

       Trata sobre a arrecadação de meio shékel, bem como as despesas do Templo.


2.5) Massechet Yomá (Yom Kipur) (contém 8 capítulos)

       Tratado que foca na preparação do Suma-Sacerdote para o dia de Yom Kipur, incluindo o tipo de serviço feito no Templo. Juntamente a isso, aborda o jejum feito em Yom Kipur e outras proibições.


2.6) Massechet Sucá (Tabernáculos) (contém 5 capítulos)

        Ocupa-se em legislar sobre a festa de Sucót (Tabernáculos), somando-se a isso também os serviços e sacrifícios específicos dos sete dias. Aborda leis sobre a construção da Sucá (cabana).


2.7) Massechet Beitsa (ovo) (contém 5 capítulos)

        Esse nome curioso deve-se à primeira palavra do Massechet, mas originalmente era conhecido como "Yom Tov", devido a seu assunto principal tratar sobre os dias (exceto o Shabat) em que é proibido fazer trabalho.


2.8) Massechet Rosh haShaná (início do ano judaico) (contém 4 capítulos)

       Aborda certos regulamentos do Calendário luno-solar (calendário judaico), e também sobre os serviços feitos em Rosh haShaná.


2.9) Massechet Ta'anit (jejum) (contém 4 capítulos)

        Trata sobre as leis que envolvem os dias de jejum ao longo do ano judaico, como 9 de Av, 17 de Tamuz e etc.


2.10) Massechet Meguilá (rolo de Ester) (contém 4 capítulos)

        Contém prescrições com relação à leitura da Meguilat Ester (rolo de Ester) em Purim, mas também aborda sobre outras passagens da Torá e dos Profetas que também são lidos na sinagoga.


2.11) Massechet Moed Katan (pequena festa) (contém 3 capítulos)

        Fala sobre Chol hamoed (os dias intermediários das festas de Pêssach e Sucót).


2.12) Massechet Chaguigá (sacrifícios festivos) (contém 3 capítulos)

        Trata sobre as três festas de peregrinação (Pêssach, Shavuot e Sucót) e também sobre as ofertas (primícias) que eram levadas ao Templo.


        3) Seder Nashim (Ordem sobre as mulheres)

        A terceira Ordem da Mishná tem 7 tratados e atenta sobre os assuntos relacionados às mulheres, isto é, as mitzvot que as mulheres são obrigadas ou que as relacionam.


3.1) Massechet Yevamot (levirato) (contém 16 capítulos)

      Trata sobre as leis de Yibum (Levirato) como está em Deuteronômio 25:5-10. E também aborda tópicos que envolvem o status de "menor" (isto é, o indivíduo que ainda não está obrigado a cumprir as mitzvot).


3.2) Massechet Ketubot (noivado) (contém 13 capítulos)

       Fala sobre assuntos de virgindade e obrigações mútuas entre o casal.


3.3) Massechet Nedarim (votos) (contém 11 capítulos)

        Aborda os diversos tipos de votos e suas consequências legais.


3.4) Massechet Nazir (nazireu) (contém 9 capítulos)

        Fala, especificamente, do voto de Nazireu (Números 6:1-21).


3.5) Massechet Sotá (caso da mulher "adúltera") (contém 9 capítulos)

        Trata sobre todo o ritual que envolve o assunto de Sotá, como está descrito em Números 5:11, bem como outras espécies de rituais como a leitura anual que o Rei de Israel deve fazer, e o ritual em que desloca-se o pescoço de uma novilha, como está em Deuteronômio 21:1-9.


3.6) Massechet Guitin ("documentos") (contém 9 capítulos)

        Aborda as leis bíblicas e rabínicas concernentes ao divórcio, e também os detalhes do documento de divórcio.


3.7) Massechet Kidushin (noivado) (contém 4 capítulos)

         Fala sobre o estágio inicial do casamento (noivado), e detalha as leis sobre linhagem judaica.


        4) Seder Nezikin (Ordem dos danos)

       A quarta Ordem da Mishná contém 10 tratados e se ocupa com todas as leis (e seus detalhes) sobre o sistema judicial judaico, isto é, todo o tipo de procedência que o Sanhedrin (Sinédrio) deve tomar frente aos possíveis casos de danos e remunerações de acordo com a Torá.


4.1) Massechet Bava Kama ("primeira porta") (contém 10 capítulos)

        Concentra-se em questões de nível civil, que na sua maioria são danos e seus respectivos remunerações.


4.2) Massechet Bava Metsia ("porta do meio") (contém 10 capítulos)

        Esse Tratado resume-se em solucionar outras possíveis questões civis, porém sobre delitos. E também detalha as leis sobre propriedade.


4.3) Massechet Bava Batra ("último portão") (contém 10 capítulos)

        Fala das questões civis sobre propriedades de terra.


4.4) Massechet Sanhedrin (sinédrio) (contém 11 capítulos)

         Fala sobre as leis de procedência da côrte do Sanhedrin; sobre penas capitais, e sobre alguns aspectos criminais.


4.5) Massechet Macot (chicotadas) (contém 3 capítulos)

         Trata das leis relacionadas ao falso testemunho, cidades de refúgio e punição por chicotadas.


4.6) Massechet Shevuot (votos) (contém 8 capítulos)

         Aborda os vários tipos de votos e suas consequências.


4.7) Massechet Eduiot (Testemunhos) (contém 8 capítulos)

         Apresenta algumas análises com relação às disputas legais da Mishná e também apresenta algumas miscelâneas que ilustram alguns teste,unhas dos Sábios; e alguns aspectos de Halachá.


4.8) Massechet Avodá Zará ("trabalho estranho" - idolatria) (contém 5 capítulos)

        Trabalha algumas leis de interação entre judeus e idólatras (com, obviamente, a perspectiva judaica).


4.9) Massechet Avot (pais) (contém 6 capítulos)

        Um dos tratados mais conhecidos da Mishná. É uma coleção de máximas éticas dos Sábios desde os Homens da Grande Assembleia.


4.10) Massechet Horaiot (decisões) (contém 3 capítulos)

        Trabalha alguns aspectos sobre os sacrifícios de pecado necessários para expiar os erros de decisão do Sanhedrin (em alguns casos).


        5) Seder Kodashin (Ordem das coisas santificadas)

        A quinta Ordem da Mishná contém 11 tratados. Aborda todos os aspectos gerais dos serviços, rituais e purificações feitos no Templo.


5.1) Massechet Zevachim (sacrifícios) (contém 14 capítulos)

        Fala sobre os animais que eram oferecidos no Templo, bem como a natureza de cada sacrifício em si.


5.2) Massechet Menachot (ofertas de farinha) (contém 13 capítulos)

        Aborda leis sobre as várias ofertas de cereais oferecidas no Templo.


5.3) Massechet Chulin (coisas ordinárias/comuns) (contém 12 capítulos)

        Fala sobre leis de shechitá e consumo de animais (casher) que não oferecidos no Templo (isto é, para o consumo familiar).


5.4) Massechet Bechorot (primogênitos) (contém 9 capítulos)

        Aborda aspectos de santificação e resgate de primogênitos, tanto dos judeus quanto de alguns de seus animais.


5.5) Massechet Arachin (dedicações) (contém 9 capítulos)

        Trata sobre as ofertas por pessoas ao Templo, e também sobre ofertas por campos.


5.6) Massechet Temurá (substituição) (contém 7 capítulos)

        Aponta as leis sobre a substituição de um animal que seria oferecido no Templo por outro em lugar desse.


5.7) Massechet Keritot (ser cortado do povo) (contém 6 capítulos)

       Fala sobre os casos de punição que envolvem karet (banimento do povo de Israel), e também sobre quais sacrifícios deveriam ser feitos nesses casos.


5.8) Massechet Me'ilá (sacrilégio) (contém 6 capítulos)

        Trata sobre as leis de restituição por algum possível desvio (roubo) nas propriedades do Templo.


5.9) Massechet Tamid (constante, contínuo) (contém 6 capítulos)

        Aborda as leis sobre o Korban Tamid (sacrifício contínuo/diário).


5.10) Massechet Midot (medidas) (contém 4 capítulos)

        Trata sobre as medidas do Segundo Templo.


5.11) Massechet Kinim (ninho) (contém 3 capítulos)

        Apesar do seu título, em verdade, aborda algumas leis complexas sobre situações em que havia, ocasionalmente, uma mistura de ofertas de aves (rolinhas ou pombas).


        6) Seder Tehorot (Ordem de purificações)

         O sexta e última Ordem da Mishná contém 12 tratados, e ocupa-se em sua esmagadora maioria sobre os processos e os rituais de purificação tanto ocorridos no Templo, quanto no cotidiano do judeu.


6.1) Massechet Kelim (recipientes) (contém 30 capítulos)

        Este Tratado é o mais longo de toda a Mishná; e aborda leis de purificação de recipientes e outras caracterizações.


6.2) Massechet Ohalot (tendas) (contém 18 capítulos)

        Fala sobre algumas leis de impurificação de tendas onde se encontrava um cadáver e os seus métodos de purificação.


6.3) Massechet Nega'im (pragas) (contém 14 capítulos)

        Aborda todas as leis sobre Tsara'at ("lepra").


6.4) Massechet Pará (vaca) (contém 12 capítulos)

        Trata sobre as leis da Pará Adumá (vaca vermelha).


6.5) Massechet Tehorot (purificações) (contém 10 capítulos)

        Traz uma miscelânea de leis sobre casos gerais de impureza alimentícia.


6.6) Massechet Mikvaot (banhos rituais) (contém 10 capítulos)

        Fala sobre as leis de Micvê, isto é, a maneira de banhar-se, a quantidade mínima de água de um Micvê, o tipo de água apropriada para o Micvê e etc.


6.7) Massechet Nidá (separação) (contém 10 capítulos)

        Aborda assuntos sobre Nidá (ciclo mensal de separação da mulher) e leis sobre impureza pós-parto.


6.8) Massechet Machshirim (coisas preliminares à preparação da comida) (contém 6 capítulos)

        Aborda leis sobre alguns líquidos que são usados para preparar ração de alimentos que são suscetíveis à impureza ritual.


6.9) Massechet Zavim (emissão de sêmen) (contém 5 capítulos)

        Traz leis e prescrições sobre um Zav (aquele que se impurificou com sua própria emissão seminal).


6.10) Massechet Tevul Yom (imersão do dia) (contém 4 capítulos)

        Fala sobre certas impurezas em que a pessoa se purifica no pôr-do-sol do mesmo dia que se impurificou.


6.11) Massechet Yadaim (mãos) (contém 4 capítulos)

        Fala sobre prescrições rabínicas com relação à impureza das mãos, e, consequentemente, à ablução das mãos.


6.12) Massechet Uktsin (talos de fruta) (contém 3 capítulos)

        Fala sobre impurezas rabínicas com relação aos talos das frutas em geral.

- Conclusão para o leitor

Ao analisarmos os aspectos que envolvem tanto a Torá Oral, no seu conceito primitivo,(passada de geração à geração), quanto a sua base atual (Mishná), temos que ter em mente que: ao lermos e estudarmos tais textos, devemos sempre pô-los em prova com os Sagrados Escritos do Tanach (Antigo Testamento). Portanto, não podemos, prontamente, tê-los como verdades absolutas sobre nossas vidas visto que muitas dessas leis nem se aplicam aos nossos dias, como a grande maioria das leis concernentes à purificação e sacrifícios. Por conseguinte, exige-se daquele que lê tais textos um discernimento cristalino dos conceitos de leis rabínicas e leis bíblicas, e a diferença de seus pesos espirituais.
Portanto, seja da Sua vontade que possamos discernir os assuntos espirituais nos dias de hoje. Possamos estar adquirindo o "colírio" do Mashiach Yeshua, como está escrito:

"Aconselho-te que DE MIM compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e COLÍRIO, a fim de ungires os teus olhos, para que VEJAS." (Apocalipse 3:18)

Amén! Seja da Sua vontade!

........................................ Shemuel ben Avraham (Marcos)

Extraído de: http://www.sinagogabeitmiklat.com.br/2017/03/introducao-brit-chadasha-novo.html