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sábado, 8 de agosto de 2020

Estudo da Parashá Êkev

 PARASHA ÊKEV – (Em razão de) 

PARASHA ÊKEV  – (Em razão de) Beit HaDerekh 

PARASHA ÊKEV   Em razão de…

 Dt 7:12- 11:25 Is 49:14 -51:3 Hb 11: 8:13

 Resumo da Parashá : Êkev começa com MOISÉS encorajando os filhos de Israel a confiar em D’us e nas maravilhosas recompensas que o Eterno nos dará se guardarmos a Torá. 

MOISÉS assegura-lhes que derrotarão com êxito as nações de Canaã, e deverão remover todo e qualquer vestígio de idolatria remanescente na Terra Santa. 

MOISÉS os lembra sobre o maná e as outras maravilhas com que D’us os supriu pelos quarenta anos passados, e ele adverte o seu povo para estar consciente das armadilhas da futura prosperidade e do orgulho das façanhas militares, o que poderia fazê-los esquecerem-se de D’us. 

Ele os relembra ainda de suas transgressões no deserto, recontando toda a história do bezerro de ouro, e descrevendo a abundante misericórdia de D’us. 

MOISÉS enfatiza que a geração do deserto tinha uma responsabilidade especial de permanecer leal aos mandamentos por causa dos muitos milagres que vivenciaram pessoalmente. 

Após detalhar as numerosas virtudes da Terra Prometida, MOISÉS ensina ao povo o segundo parágrafo do Shemá, que enfatiza a doutrina fundamental de recompensa e punição, baseada no cumprimento dos mandamentos. (O Shemá é composto de três trechos da Torá (Deut. 6:4-9; 11:13-21; e Núm. 15:37-41) 

Esta Porção da Torá termina com a promessa de D’us, uma vez mais, de que Ele protegerá o seu povo se eles cumprirem as Leis da Torá. Como podemos agradar a D’us? Vale a pena escolher obedecer?

 Dt 7:12 Será, pois, que, se ouvindo estes juízos, os guardardes e cumprirdes, o Senhor teu Deus te guardará a aliança e a misericórdia (Graça/ (Chesed) que jurou a teus pais; 

Hb 11:6 Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador (recompensador) dos que o buscam.·. 

1º Tem que crer em D’us. Eu acredito que Ele existe! Mas isto não é crer. Este é o conceito gregoromano, que a crença se faz pela percepção do intelecto. Isto não é o suficiente por não ser o conceito bíblico. 

Tg 2:19  Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem — e tremem! O diabo crê em D’us, mas nem por isto ele tem fé. 

Quando Jesus diz: Jo 7:38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. Crer no sentido bíblico é ter experiência com, não existe crença sem experiência, é ser fiel a. (Fé = emuná  מוּנה ָא ֱfidelidade) A palavra fé vem de Fidelis.

 A fé começa quando O Senhor se revela a você e depois desta experiência ninguém nunca mais conseguirá te convencer do contrario. Por isso não fique só estudando, busque isto na sua vida. O estudo nos leva a crer com o nosso intelecto a experiência nos leva a comprovar o que estudamos. E é esta a fé que o autor de hebreus está dizendo que agrada a D’us. Crer que D’us recompensa àqueles que o buscam. Você também tem que crer nisso. Estes são os pilares da fé que agrada a D’us. Por quê? 

Porque Ele ama recompensar aqueles que o buscam e nós amamos receber os favores de D’us, não só no mundo vindouro, mas aqui e agora. Somente quando você sabe que nosso D’us é um D’us que retribui, só assim você pode exercer o livre arbítrio.

 Lembra-se do texto quando iniciamos Hb 11:6? Ler os capítulos 7, 8, 9,10 e 11 é só benção. Todos amam esta porção da bíblia. Mas o 11:26-28 fala das maldiçoes,não podemos nos esquecer do SE, esta é a palavra mais importante SE. Quando você tem consciência destas coisas ai você tem o verdadeiro livre arbítrio. Livre arbítrio não é você chegar numa encruzilhada e escolher para qual caminho você vai. Livre arbítrio é você chegar nesta encruzilhada e ter o conhecimento prévio das consequências de cada escolha. 

Adão não tinha uma natureza pecaminosa o que ele tinha era o livre arbítrio. Porque D’us colocou a arvore do conhecimento lá? Para que ele tivesse a oportunidade de pecar, a oportunidade de desobedecer, se não; não seria livre arbítrio. 

É como se minha mãe dissesse Stella você é a nora que eu mais gosto. De que valeria este elogio pois eu sou filho único e ela não teria escolha? É o mesmo caso de D’us, Ele tinha que dar opção a Adão. E para o livre arbítrio ser completo D’us disse a Adão:  Gn 2:17  Mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”. 

Adão sabia as consequências da desobediência por isso o livre arbítrio era pleno. O povo de D’us conhece também o livre arbítrio pleno. 

Vejamos as recompensas: Dt 7:12-15 Será, pois, que, se ouvindo estes juízos, os guardardes e cumprirdes, o Senhor teu Deus te guardará a aliança e a misericórdia que jurou a teus pais; E amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vacas, e o rebanho do teu gado miúdo, na terra que jurou a teus pais dar-te. Bendito serás mais do que todos os povos; não haverá estéril entre ti, seja homem, seja mulher, nem entre os teus animais. E o Senhor de ti desviará toda a enfermidade; sobre ti não porá nenhuma das más doenças dos egípcios, que bem sabes, antes as porá sobre todos os que te odeiam. 

Dt 11:22-25 Porque se diligentemente guardardes todos estes mandamentos, que vos ordeno para os guardardes, amando ao Senhor vosso Deus, andando em todos os seus caminhos, e a ele vos achegardes,Também o Senhor, de diante de vós, lançará fora todas estas nações, e possuireis nações maiores e mais poderosas do que vós. Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso; desde o deserto, e desde o Líbano, desde o rio, o rio Eufrates, até ao mar ocidental, será o vosso termo. Ninguém resistirá diante de vós; o Senhor vosso Deus porá sobre toda a terra, que pisardes, o vosso terror e o temor de vós, como já vos tem dito. 

Busque-o enquanto é tempo você não sabe o dia de amanhã. Buscar a D’us é mandamento. Existe um caminho traçado predestinado para aqueles que resolvem obedecer a D’us.Da mesma forma que há um caminho traçado predestinado para aqueles que resolvem não obedecer a D’us. 

Dt 8: 19 -20 Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do Senhor teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis. Como as nações que o Senhor destruiu diante de vós, assim vós perecereis, porquanto não queríeis obedecer à voz do Senhor vosso Deus. 

O ser humano recebeu o poder de escolha. Tudo esta na Mão do Senhor exceto o teme-lo. (Talmud Brarrot pag. P). O poder de temer a D’us não esta nas mãos de D’us, pois Ele nos deu e está na nossa mão. 

D’us deu as cartas, conhece nosso jogo, mas decidiu não interferir. 

E como fazer se você esta na trilha da predestinação contraria a D’us? Sozinho, não há como você pular para a outra. 

Ai é que entra a obediência aos mandamentos, Sl 119:105  Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. Estudando,guardando,conhecendo e obedecendo a palavra de D’us. Isto fará com que você ande com segurança no caminho predestinado a salvação. Por isso ensinamos que a Lei não salva, a lei não te tira daqui e te passa para aqui, mas uma vez colocado aqui, é a lei que direciona os seus pés,é a lei que te guia,é a lei que te da parâmetros para que você não se desvie nem para a direita nem para a esquerda. 

A Lei não salva, mas te mantém salvo. Mas se eu tropeçar e cair? Ai você vai precisar da Graça e de um arrependimento genuíno, ai não entra lei nenhuma, é entre você e o Eterno. Só precisamos da Graça quando pecamos então viva a sua vida procurando não pecar, mas saiba que se você tropeçar precisará da Graça e ela estará  disponível a você. 

PV 7:1-3 1 Filho meu, guarda as minhas palavras, e entesoura contigo os meus mandamentos. 2 Observa os meus mandamentos e vive; guarda a minha lei, como a menina dos teus olhos.  3 Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração. João 8:31,32 Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, (ouvir guardar cumprir) verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. 

O discípulo não é aquele que estuda a Torá e sim o que guarda a palavra. 

João 14:21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. 

Temos que combater este falso evangelho, NÃO EXISTE EVANGELHO SEM LEI. 

O próprio Jesus diz: A palavra e os profetas falam a meu respeito. Por que não sabem quem eu sou?  Na parábola do rico e Lazaro o que Abraão fala é : Seus irmãos já têm Moises e os profetas, ouça-os. D’us é um só. Nós estamos seguindo o seu propósito. Aquilo que Ele anunciou aos profetas continua da mesma forma, não se desviou para lado nenhum. Jesus não veio fundar outra religião, Ele veio cumprir as Leis do Senhor. Este evangelho que prega a exclusão da Lei, o mínimo esforço, está produzindo uma geração de discípulos infrutíferos. E tornando-se infrutífero você pode ser cortado. 

Mateus 3:10 E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. 

Mateus 7:21-23 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Anomia- Falta de Lei)  

Mateus 7:24-27    Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-loei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. 

Preste atenção: É possível você ter recebido a graça de D’us, você ter nascido de novo, você ter sido colocado na predestinação dos vitoriosos, e você por causa das suas escolhas se colocar na trilha contraria a vontade de D’us. Isto é possível! 

Efésios 2:8-10  Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. 

Ezequiel 33:12-19 Tu, pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, não cairá por ela, no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo poderá viver pela sua justiça no dia em que pecar. Quando eu disser ao justo que certamente viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar a iniquidade, não virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniquidade, que pratica, ele morrerá. Quando eu também disser ao ímpio: Certamente morrerás; se ele se converter do seu pecado, e praticar juízo e justiça, Restituindo esse ímpio o penhor, indenizando o que furtou, andando nos estatutos da vida, e não praticando iniquidade, certamente viverá, não morrerá. De todos os seus pecados que cometeu não se terá memória contra ele; juízo e justiça fez, certamente viverá. Todavia os filhos do teu povo dizem: Não é justo o caminho do Senhor; mas o próprio caminho deles é que não é justo. Desviando-se o justo da sua justiça, e praticando iniquidade, morrerá nela. E, convertendo-se o ímpio da sua impiedade, e praticando juízo e justiça, ele viverá por eles.··. 

Toda profecia de juízo pode ser alterada por um coração contrito e arrependimento genuíno e com atitude. Lembre-se que Nínive não foi destruída porque o Rei se arrependeu. D’us não destruiu a cidade que havia prometido destruir. 

Arrependimento faz milagres. Arrependimento verdadeiro move o coração de D’us. A valorização dos mandamentos de D’US  é um dos pilares da fé bíblico-judaica. Esta é a missão das sinagogas judaicas messiânicas: Restaurar o evangelho e as suas origens e não judaizar a igreja. Valorizar os mandamentos de D’us. Pois este conceito eu estou na Graça e você está na Lei te torna uma pessoa medíocre. 

Portanto o que a palavra nos ensina é que as recompensas vêm depois de termos cumprido os mandamentos de D’us. 

Curiosidades: Midrash Yalcut 846

 “Se você respeitar os mandamentos que as pessoas geralmente pisoteiam com o calcanhar, então D’us abençoará”… 

A palavra Ekev tem um duplo significado:

 (a) em razão de… e 

(b) calcanhar קבֵע.ָ 

Daí o nome de Jacob “Yaacov”  קב ֹעֲי ַpois ele estava pendurado no calcanhar de Esaú quando nasceu de Rebeca. Esta Parashá também aponta para o Messias pois a primeira ocorrência da raiz da palavra Ekev aparece em Gênesis 3:15, onde D’us disse que o Calcanhar (do Messias) iria esmagar a Rosh (cabeça) da serpente (Satanás). Moisés apela para o povo, fazendo uma pergunta: ‘E agora, Israel, o que o teu Deus quer de vocês; é que tenham Temor do Senhor (Yirat Adonay), e que caminhem no caminho do Senhor que amem o Senhor de todo coração para que pratiquem os seus Mandamentos, para o seu próprio bem. 

Dt 10:12 Qual a ligação desta Parashá com HB 11: 13-16? Hebreus fala dos heróis da fé que não alcançaram as promessas Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. 

Essa experiência de cumprimento adiado, nas vidas dos patriarcas (v. 13-16) os capacitou a aprenderem a olhar para além da morte, para um cumprimento mais extenso que o de sua própria vida e experiência terrena. Assim, eles vieram a perceber que esta vida não é um fim em si mesmo, mas tão somente uma peregrinação (ver Gn 23.4; Gn 47.9) em direção a um alvo melhor (isto é, celestial), além desta vida. 

HB 11:15,16 — Os patriarcas e Sara não retornaram para Ur, embora pudessem tê-lo feito se quisessem.

Da mesma forma deveríamos seguir o exemplo dos patriarcas, recusando-nos a retornar hábitos antigos e às atrações e perdições deste mundo. 

Nós também não sabemos se vamos para a nossa terra prometida nesta geração ou vamos aguardar junto com os patriarcas o retorno do Messias, mas a mensagem aqui é que se queremos habitar na nossa terra prometida, se almejamos morar na nova Jerusalém, temos que seguir a orientação de D’us, Seguir seus mandamentos e nos esforçar para cumpri-los, pois, a Lei não salva como já vimos, mas, nos manténs salvos.  

Finalizando: Gostaria de deixar um salmo para meditarem  Salmos 19:7-10.

AUTOR DESCONHECIDO.

domingo, 17 de novembro de 2019

Estudo da Parashá Vaierá (E mostrou-se)


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Estudos da Torá

Parashá nº 4 – Vaierá (E mostrou-se)
Bereshit/Gênesis Gn.18:1-22:24
Haftará (separação) 2Rs. 4:1-37 e
B’rit Hadashah (nova aliança) Lc 17:26-37, Rm 9:6-9 e Gl 4:21-31


1 - INTRODUÇÃO
                           
    Essa semana a porção da Torá nos trás passagens muito interessantes e que nos trazem muitos aprendizados. Vemos Avraham (Abraão) recebendo a visita de três mensageiros de Adonai, a intercessão dele pelas pessoas em Sodoma e Gomorra, o livramento de Lot (Ló) e a entrega de Yitz’chak (Isaque) em sacrifício por Avraham.
    É recomendado ler os textos na porção dessa semana, pois faremos nesse estudo uma rápida análise em alguns textos de B’rit Hadasha (Nova Aliança/Novo Testamento) que estão alinhadas com a parashá em estudo, a fim de buscarmos um entendimento ampliado dos ensinos das Escrituras.
                  
2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
       Vejamos os seguintes versos:

"Assim como foi nos dias de Noé, também será nos dias do Filho do homem. O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio e os destruiu a todos. "Aconteceu a mesma coisa nos dias de Ló. O povo estava comendo e bebendo, comprando e vendendo, plantando e construindo. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu e os destruiu a todos. "Acontecerá exatamente assim no dia em que o Filho do homem for revelado. Naquele dia, quem estiver no telhado de sua casa, não desça para apanhar os seus bens dentro de casa. Semelhantemente, quem estiver no campo, não deve voltar atrás por coisa alguma. Lembrem-se da mulher de Ló! Quem tentar conservar a sua vida a perderá, e quem perder a sua vida a preservará. Eu lhes digo: naquela noite duas pessoas estarão numa cama; uma será tirada e a outra deixada. Duas mulheres estarão moendo trigo juntas; uma será tirada e a outra deixada. Duas pessoas estarão no campo; uma será tirada e a outra deixada". "Onde, Senhor? ", perguntaram eles. Ele respondeu: "Onde houver um cadáver, ali se ajuntarão os abutres". Lucas 17:26-37

          Yeshua Hamashiach (Jesus Cristo/Messias/Ungido) estava falando acerca da sua volta e do Reino de D’us, este é o mesmo assunto tratado por Mateus no capítulo 24, podemos perceber como algumas palavras estão sendo repetidas neste texto de Lucas e naquele de Mateus.

         Qual era então o contexto? Ou porque Yeshua fala sobre Noach(Noé) e Lot (Ló)?
      
      Yeshua foi interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de D’us, conforme lemos em Lc 17:20, e responde dizendo que “o Reino de D’us não vem de forma visível, pois estaria dentro de cada um”. Assim ele inicia o discurso onde fala sobre a sua vinda, pois a vida de todo servo de Adonai deve ser em prol da preparação das pessoas para a vinda do Messias, e ele compara aqueles dias com os dias de Noach e Lot, quando as pessoas viviam normalmente suas vidas na desobediência aos mandamentos, sem querer saber qual a vontade de Adonai. Por isso, o Mashiach usa os termos “comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento”, pois são coisas costumeiras em uma sociedade. Ou seja, tudo parece muito normal, em meio às transgressões dos homens aos mandamentos de D’us, mas repentinamente, como Yeshua fala, virá destruição sobre esses, e libertação para os obedientes, quando da ocasião da sua volta.
         Um dos assuntos dessa porção é a salvação de Lot da destruição das duas cidades impenitentes, é por isso que estamos ligando o que Yeshua falou com essa parashá, pois ela fala em um contexto de destruição de transgressores, mas também fala sobre livramento dos obedientes, e acima de tudo, do domínio do Eterno sobre seu Reino, pois Ele vê tudo e todos. Esse é o Reino que Yeshua falou que deve estar dentro de nós, através da obediência e do acatamento das ordenanças do Eterno em nossas vidas diárias, através de ações e atitudes que o reflitam.
         Vamos ver outro texto que também guarda uma ligação com essa parashá.

Não pensemos que a palavra de Deus falhou. Pois nem todos os descendentes de Israel são Israel. Nem por serem descendentes de Abraão passaram todos a ser filhos de Abraão. Pelo contrário: "Por meio de Isaque a sua descendência será considerada". Noutras palavras, não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão. Pois foi assim que a promessa foi feita: "no tempo devido virei novamente, e Sara terá um filho". Romanos 9:6-9

          Aqui Paulo está afirmando para alguns que se diziam judeus e descendentes de Avraham, mas seguiam apenas dogmas humanos e legalismos, no lugar da Torá verdadeira, ele estava dizendo que nem todos os que são descendentes de Israel são verdadeiramente Israelitas. Ele diz que não basta ser descendente, tem que obedecer, e isso através de Yeshua.
        Seguindo o mesmo viés do Messias a respeito de como devem viver os verdadeiros servos de Adonai, o apóstolo Sha’ul (Paulo) fala nesse texto transcrito acima sobre os filhos naturais e os filhos da promessa. Nas porções da Torá, vemos o Eterno fazer uma promessa a Abraão a respeito de sua descendência através de um filho, e por serem velhos, ele e Sara decidem, de forma manipuladora e humana, fazer com que essa promessa se cumpra, colocando a escrava Hagar para se deitar com o Patriarca. Dessa relação nasce Ishmael (Ismael), e somente mais tarde quando Deus cumpre a promessa é que nasce Yitz’chak (Isaque). O primeiro é o natural, ou seja, pelas mãos e vontade humana, e o segundo o da promessa, no tempo certo de Deus.
             Uma comparação semelhante também é feita por Paulo no seguinte texto:

Digam-me vocês, os que querem estar debaixo da lei: Acaso vocês não ouvem a lei? Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. O filho da escrava nasceu de modo natural, mas o filho da livre nasceu mediante promessa. Isso é usado aqui como uma ilustração; estas mulheres representam duas alianças. Uma aliança procede do monte Sinai e gera filhos para a escravidão: esta é Hagar. Hagar representa o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à atual cidade de Jerusalém, que está escravizada com os seus filhos. Mas a Jerusalém do alto é livre, e essa é a nossa mãe. Pois está escrito: "Regozije-se, ó estéril, você que nunca teve um filho; grite de alegria, você que nunca esteve em trabalho de parto; porque mais são os filhos da mulher abandonada do que os daquela que tem marido". Vocês, irmãos, são filhos da promessa, como Isaque. Naquele tempo, o filho nascido de modo natural perseguia o filho nascido segundo o Espírito. O mesmo acontece agora. Mas o que diz a Escritura? "Mande embora a escrava e o seu filho, porque o filho da escrava jamais será herdeiro com o filho da livre". Portanto, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da livre. Gálatas 4:21-31

           Nesse caso o apóstolo está fazendo uma alusão aos verdadeiros filhos de D’us, pela analogia dos dois filhos de Avraham. Sabemos através das Escrituras que os filhos de Abraão na carne, são os que detém a promessa, mas não basta ser filho na carne, é preciso se unir a D’us através de Yeshua e obedecer aos mandamentos do Reino, como disse acima e conforme lemos também Yeshua dizer em Jo 8:31-47 e Yohanan o Imersor (João Batista) em Mt 3:9-12 e Lc 3:7-20.
           Essa alegoria ou midrash, falando de Sara e Hagar, usada pelo rabino Sha’ul (apóstolo Paulo), de acordo com o site “Yeshua Chai.org”, é muito citada mas de forma errada, como a representação da distinção entre a “Lei” e a “Graça”, e do mesmo jeito a doutrina da “Lei versus Graça”. Infelizmente, muitos comentaristas e teólogos cristãos através dos séculos têm usado esta alegoria como um meio de rejeitar a importância do estudo e da prática da Torá para o cristão. Podemos perceber isso claramente ao ler o seguinte comentário:

“Paulo estava usando o método alegórico comum dos judeus da época para defender seu ponto de vista. Ele usou essa figura de linguagem para fazer um forte contraste entre dois concertos bíblicos divergentes nas igrejas na Galácia: a promessa abraâmica (Gn 12.1-3) e a Lei de Moisés que Deus deu a Israel no monte Sinai.” (O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais, Editora Central Gospel, 1ª Edição: janeiro/2010, página 493)

          Além de defender a contrariedade entre a Lei e a Graça em um texto que não trata desse assunto, os autores do texto mencionado ainda afirmam que Paulo usa da alegoria comum aos judeus, como se fosse para usar das mesmas ferramentas dos judeus para revidar um ensino. Mas Paulo usa da alegoria simplesmente porque ele era judeu e essa era a forma de ensinar da época, usando-se de alegorias ou midrashins.
            Perceba que o apóstolo não usa desses meios para argumentar contra a Torá e sua importância em nossas vidas, mas para instruir contra o legalismo e contra o ensino errado dos religiosos da galácia, de que a salvação só poderia ser recebida por meio da obediência aos mandamentos e pela circuncisão.
            Assim, conforme já mencionei acima e de acordo com o comentário no site “Yeshua Chai.org”, a concepção de Ishmael foi natural, ou seja, foi da carne, pois é resultado da intervenção humana, já a concepção de Yistz’chak foi sobrenatural, pois Sara já não tinha mais como ter filhos, e o resultado dessa intervenção foi divina. E de acordo com a interpretação de Paulo, as duas mães representam duas promessas distintas: Hagar a escrava, a aliança feita no Sinai, que resulta em filhos nascidos da escravidão. E Sara representa a aliança feita anteriormente com base na promessa do Eterno que resulta em filhos nascidos livres (Gl 4:24-27). O termo escravidão aqui não está ligado a Lei, mas ao fato de Hagar ser escrava, e assim a escravidão é uma alusão ao que está além da promessa, ou seja, a intervenção humana.
               A interpretação de Paulo pode se tornar mais clara para nós quando olharmos a distinção fundamental entre a ideia da Aliança e a Torá. Ainda de acordo com o mencionado no site, se observarmos o contexto geral da carta aos Gálatas, podemos compreender a alegoria como um meio de impugnar a autoridade dos “Legalistas” da época, que afirmavam serem os intérpretes exclusivos da Torá. Eles diziam que de acordo com suas interpretações da Lei, a salvação somente poderia ser conseguida por meio da circuncisão, ou seja, tornando-se judeu. E isso ocorre também hoje com o cristianismo, onde muitos dizem que somente pode-se obter a salvação se alguém se tornar cristão. Mas o que Paulo estava realmente dizendo era que, a circuncisão física (protótipo de transformas em judeu) não é um meio de salvação, e qualquer tentativa de “justificação” com base no mérito pessoal é um passo longe da justificação que vem livremente para aqueles que agarram rápido a promessa do Eterno de herança eterna. Com isso, entendemos que se alguém quer agir, como Sara e Abraão, tomando a frente, e colocando Hagar no meio, não surtirá resultado, pois ele somente pode ser conseguido por meio da esperança da promessa de Abraão e Sara pelo tempo de Deus para o cumprimento da promessa. Ou seja, agindo pela fé na promessa feita pelo Eterno através do Messias, sem tomar ação humana, que no caso do texto era a circuncisão. Assim como não se pode hoje ser salvo alguém que se torna cristão, pois ela somente se consegue pela fé na promessa de Yeshua, não pela religião ou religiosidade.
               O conceito de justificação pela “Hessed”(Graça) e pela “Emuná”(Fidelidade, fé) são fundamentalmente judaicos e perduraram por milênios, e foi amplamente demonstrado e ensinado na Torá, nos profetas e na tradição oral judaica, isso não é exclusividade dos textos do chamado Novo Testamento. Todos os atos de revelação de D’us (incluindo aí, a revelação dada no Sinai, na Cruz no monte Moriá, em Noach e sua família, em Lot e sua família, em David, em Ruth e etc) são manifestações da “Hessed”(Graça) Divina.
               Yeshua disse para a mulher samaritana que a salvação vem dos judeus (Jo 4:22) e o Eterno prometeu que sempre haveria um remanescente do seu povo que iria ser fiel às sua Palavras (Isaías 1:9; 10:21, Jer 23:3; 31:7, Jl 2:32, Rm 9:27; 11:5). Entendemos que no fim, “todo o Israel será salvo” e todas as promessas que o Eterno fez ao povo de Israel através dos profetas serão cumpridas (Rm 11:26).
               Nessa parashá (porção), que vai de Gênesis 18:1-22:24, encontramos muitos ensinamentos para nossas vidas como servos do Eterno, em Yeshua. Ao meditar nesta porção aprendemos com a hospitalidade de Abraão e com seu zeloso serviço ao Senhor, quando ele recebe os três “Malachim” (mensageiros, anjos) do Eterno que devemos primar por servir a D’us. Somos instruídos a aguardar a promessa divina com firmeza e viver intensamente a Aliança do Senhor para conosco. Também aprendemos a ser benção para as pessoas e ainda sermos intercessores pelos que estão perdidos, pois temos o Reino dentro de nós para levar até essas pessoas e prepará-las para a volta do Messias. Através da instrução da Torá, nessa porção, podemos olhar para os Textos do Novo Testamento com mais clareza e entender o que Yeshua e os apóstolos disseram a respeito do Reino de D’us e dos que são filhos desse Reino, e como eles devem agir e que a Lei de D’us é boa para o homem, não sendo fardo algum.
               Aos que se achegam a D’us através de Yeshua, e passam a também fazer parte das promessas, conforme tudo o que disse acima e de acordo com o que Paulo diz em Ef 2, é muito importante observar todo o ensinamento que foi dado aqui com cuidado. Por esse motivo, nós que antes não éramos povo, e agora passamos a ser povo, conforme Ef 2:11-13, nos tornando verdadeiros filhos de Abraão, não somente da carne, mas pela fé, devemos nos aprofundar na Torá, nos esforçar para obedecer aos mandamentos do Eterno, e a viver segundo os princípios do Senhor de acordo com Ef 2:10, pois eles são vida para nós.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/
- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/
- http://www.yeshuachai.org/forums/topic/a-alegoria-de-agar-e-sara/
- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/04_vayer_e_apareceu.pdf
- http://shemaysrael.com/parasha-vayera/
- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/771007/jewish/Resumo-da-Parash.htm

domingo, 14 de julho de 2019

Estudo da Parashá Chukát (Estatuto)

Estudos da Torá

Parashá nº 39 – Chukát (Estatuto)
Bamidbar/Números Nm 19:1-22:1,
Haftará (Separação) Jz 11:1-33; e 
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 21:1-38

1 - INTRODUÇÃO

No estudo dessa semana estaremos tratando sobre “Chukát” – Estatuto, ou seja aquele estatuto que o Eterno estabeleceu e que os judeus e nós como parte do povo, aceitamos como mandamento que transcende nossa habilidade de entender racionalmente o porquê dele. É o mandamento que quando somos perguntados qual a razão de obedecermos, respondemos que obedecemos simplesmente porque D’us disse para obedecermos, e que não precisamos de uma razão lógica para isso. Esse é um estatuto perpétuo, através das gerações.

Esta parashá “Chukát” (estatuto) fala novamente sobre a morte e a impureza, conforme já estudamos na porção “Emôr”(Fala), e sua consequente necessidade de purificação através da “Pará Adumá” (Vaca Vermelha).

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS

“E falou a Moisés e a Aarão, dizendo: “Este é o estatuto da lei (chukát hatorá) que ordenou o Eterno, dizendo: Fala aos filhos de Israel para que tomem em teu nome uma vaca vermelha, perfeita, na qual não haja defeito e que ainda não tenha levado jugo;” (Nm 16:1-2 – Torá, Ed. Sefer)

Há estatutos e decretos divinos dados sem nenhuma razão aparente. Exemplo deles é o dessa parashá, o da “PARÁ ADUMÁ”(vaca vermelha), no qual segundo a tradição nem mesmo o Rei Salomão entendeu o porquê. 

Devemos entender, antes de prosseguir, que temos três tipos de “Mitzvot” (mandamentos), vejamos cada uma delas:

- Mishpatim – Leis Civis: Os “Mishpatim” são leis Divinas que promulgam a segurança e sobrevivência da sociedade humana. Incluem nelas, por exemplo, a proibição de roubar, matar e não cobiçar as coisas do próximo.

- Edut – Testemunhos: Quando uma “mitsvá” (mandamento) dá testemunho de um evento histórico ou algum aspecto da nossa “emunah” (fé, confiança), é chamada de “Edut” (testemunho). São exemplos a mitsvá de observar o Shabat, que atesta nossa crença de que o Todo Poderoso criou o mundo em seis dias; observar os dias de Festas (Yom Tov), pois comemoram o Êxodo do Egito; as mitsvot de usar o tsitsit e tefilin que demonstram nossa crença na soberania de D’us.

- Chukim – Decretos Divinos, Estatutos: Esse é o tipo de mandamento “Chok” (o plural é Chukim), classifica-se todas as mitsvot (mandamento) cujo propósito ou significado não são compreendidos pela inteligência humana. E este é o tipo de mandamento que é mais difícil de respeitar, principalmente por aqueles que não fazem parte do povo de Adonai, seja judeus ou não. O Talmud afirma que essas são as leis que o “yetser hará” (inclinação pra o mal) e as nações do mundo sempre tentam contestar. Quando não se compreende o motivo de alguma coisa é tentador achar pretextos para não cumpri-la. O fato de um mandamento não ter um motivo óbvio torna seu cumprimento um ato de “emunah” (fé, confiança) maior. Isso vai nos indicar que estamos prontos e desejosos de obedecer às ordens de D’us, até mesmo quando não podemos justificá-las de forma racional. Todas as leis de pureza ritual pertencem à esse tipo de mandamento conhecido como “chukim”. 

Podemos entender isso de forma mais clara observando a “mitsvá” dos animais impuros (Lv 11). Nós não deixamos de comer tais animais por causa da nossa saúde, porque se for isso, o centro do mandamento seríamos nós. Deixamos, porém, de comer tais animais porque o Eterno nos mandou não comer. Não devemos racionalizar esse mandamento, pois ele é um tipo de Chuk, ou seja, D’us mandou e nós obedecemos e pronto. Dessa forma, estaremos colocando D’us acima de nosso próprio intelecto e vontade. 

Existem muitos exemplos de “chukim”, porém o Midrash (ensino, interpretação) enumera alguns sobre os quais a Torá afirma explicitamente, a exemplo do verso 2, do texto em estudo: “Este é um chok”. Uma vez que elas contém elementos aparentemente contraditórios, são passíveis de serem ridicularizados pelos que se pautam pelo pensamento racional. 

Digo aparentemente contraditórios, porque não existem contradições nas Escrituras, o que acontece é que muitas vezes os que pretendem estudar a bíblia não compreendem os métodos judaicos de interpretá-la corretamente, utilizando a hermenêutica judaica, como o “PaRDeS”.

Explicando rapidamente o que é o “PaRDeS”, para que possamos entender o assunto, a respeito de não haver contradições nas Escrituras. Na hermenêutica judaica existem quatro níveis de interpretações utilizadas pelos sábios. Essa interpretação pode chegar ao nível mais profundo que é o que mencionamos acima. Na tradução literal, “PaRDeS” significa “jardim”, no entanto esse termo é um acróstico desse método de estudo das Escrituras Sagradas, e cada um dos quatro níveis atendem a capacidade da pessoa naquele momento, em outras palavras são quatro diferentes abordagens da exegese das Escrituras no judaísmo rabínico. Vejamos os níveis do “PaRDeS” de acordo com o Rab. Joseph Shulam:

- Pshat - o entendimento “simples” e literal ou superficial do texto. Assim é ensinado para as crianças e adultos que não tem muito conhecimento das Escrituras.

- Remez - é a “dica” para um significado mais profundo saindo do literal. É buscado o contexto da passagem, onde se discerne as pistas, que o autor deixou escondidas, e ela é a indicação da direção a seguir.

- Drash - significa “pesquisa”, quando se lê um texto compreende-se o que o autor quer que o leitor entenda, acrescentando o seu conteúdo pessoal e seu sentimento para descobrir o significado através da midrash (hermenêutica), por comparação de palavras, formas e também por ocorrências semelhantes em outras partes das Escrituras.

- Sod – “segredo” ou o significado místico de uma passagem, como determinado através de inspiração ou revelação. Ela é restrita aos que são do meio ou que foram ensinados a entender a linguagem própria específica do contexto em que foi escrita. Perceba o que o autor mencionado afirma.

“Um exemplo está no texto de II Tm 2:15. Na maioria dos textos em inglês diz: [...] que divide a palavra da verdade [...], diferente do texto em português: [...] que maneja a palavra da verdade [...]. A forma tradicional que os comentaristas cristãos dizem a respeito desse texto, é que o cristão deve dividir o Antigo Testamento do Novo Testamento, porque estamos na era do Novo Testamento e que não tem necessidade de aprender nada do Antigo Testamento.
Quando Paulo estava escrevendo esse texto, no contexto do seu tempo e lugar, parece sugerir a Timóteo que ele use o PaRDêS, para que ele entenda todos os níveis de entendimento dos textos bíblicos, não só aplicando a lógica, mas também a sua experiência própria e o que o Espírito Santo quer revelar com esse texto.” (Shulam. J, p.11)

Por isso, como realmente não há contradições nas Escrituras, a Torá aconselha o servo do Eterno a dizer a si mesmo: “É um chok, não tenho direito de questioná-lo.” 

Existem outros chukim na Torá para tomarmos como exemplo:

- Yibum: Uma pessoa que se case com a esposa de seu irmão estando ele ainda vivo, ou mesmo morto, incorre em pena de caret (morte espiritual), desde que seu irmão tenha tido filhos. Mas, se a esposa do irmão não tem filhos, é mitsvá casar-se com ela (levirato, yibum). Embora a razão ache difícil de aceitar um paradoxo como este, mas o texto bíblico diz: “E vocês guardarão Meus chukim.” (Vayicrá/Levítico 18:26).

- Shaatnez: A Torá proíbe nos vestirmos com roupas que contenham mistura de lã e linho. Porém, é permitido vestir uma roupa de linho que tenha tsitsit de lã atados. Mesmo que questionemos isso a Torá nos diz: “E vocês guardarão Meus chukim.” (Vayicrá/Levitico 19:19). 

- O bode para Azazel: Um bode era enviado à morte como parte do Serviço de Yom Kipur, expiando o povo de Israel de seus pecados. Mas também, tornava impuro a pessoa que o enviava. Assim, esta lei é chamada de “um chok eterno” (Vayicrá 16:29).

Uma vez tendo entendido os tipos de “mitsvot” (mandamentos), vamos então passar para o mandamento constante nesta parashá, o Chukát, que tem haver com a Pará Adumá – Vaca Vermelha.

A Vaca Vermelha e Yeshua

Os mandamentos que têm o nome de “chuk” ou “chukát”, estão ligados de uma forma especial ao Messias. A chukát desta parashá, pode ser considerada chukát por excelência, pois há uma ligação íntima em todo este ritual, com o messias Yeshua.

A novilha citada deveria nascer com uma cor diferente das outras, e de acordo com o Midrash, se tivesse mais de um pelo que não fosse vermelho, seria desqualificada. O próprio YHWH era quem provinha o nascimento do animal, quando houvesse necessidade dele. Outras características desse animal era que a novilha deveria ter pelo menos três anos de idade e não podia ter estado sob jugo. Agora observem, os três anos apontam para os (cerca de ) 30 anos de idade que tinha o Messias Yeshua quando foi sacrificado para limpar o povo. Veja no verso 6 outros itens que apontam para a morte de Yeshua: a madeira de cedro, o hissopo e a lã carmesim, que deveriam ser queimados juntos com a novilha vermelha.

“E tomará o sacerdote um pau de cedro, hissopo e lã carmesim e os jogará no meio do fogo em que arde a vaca.” (Nm 19:6)

Esses elementos estavam presentes na morte de Yeshua, a madeira na cruz, o hissopo na hora que lhes deram vinagre a beber e a lã carmesim na túnica que o vestiram.

As cinzas da vaca vermelha eram recolhidas e reservadas, porque depois era misturada com águas vivas e serviriam para purificação daqueles que se encontravam impuros, enquanto tornavam impuro qualquer um que estivesse envolvido em sua preparação. Uma vez que isto também desafia a lógica, pois é um chukát, a Torá mais uma vez introduz o assunto com as palavras: “Este é o chukat da Torah” (19:2), por isso, devemos aceitar essa mitsvá como uma ordem Divina.

Um fato interessante a ser mencionado é que, as águas da purificação eram guardadas nas casas dos sacerdotes em todo o território de Israel, a fim de que aqueles que tivessem estado em contato com algum morto, pudessem se purificar durante sete dias, conforme prescreve a Torá. Não era necessário muita cinza para uma grande quantidade de água. Assim, as cinzas de uma novilha duravam muitos anos. De acordo com a Mishna e o Midrash, no total foram sacrificadas nove novilhas vermelhas na história de Israel. As cinzas da primeira vaca duraram até a época de Esdras. É possível que a décima novilha vermelha diga respeito à segunda vinda do Messias.

Mais paralelos entre a vaca vermelha e Yeshua

Analisemos o efeito da morte da novilha vermelha e das suas cinzas.
        Purificava:
- A pessoa que matava a novilha;
- O Sacerdote (Cohen) que salpicou o sangue;
- A pessoa que queimou a carcaça; e
- A pessoa que reuniu as cinzas.

Como já afirmamos acima as cinzas da novilha vermelha com águas vivas eram chamadas de “Águas da Separação” – Mei Nidá. Porque eram usadas na limpeza cerimonial de pessoas impuras que queriam separar-se da impureza.

Como a purificação feita pela Pará Adumá (novilha vermelha) aponta para a morte de Yeshua? Ela aponta para o seguinte:

A morte de Yeshua purificou:
- Aqueles que estiveram implicados na Sua morte;
- Aqueles que falsamente testemunharam contra Ele;
- Aqueles que o entregou aos Romanos;
- Aqueles que bateram Nele e zombaram Dele; 
- Aqueles que dirigiram os pregos em suas mãos e pés; e
- Todos os que pecaram.

O resultado deste sacrifício é o meio pelo qual cada um pode ser limpo ou purificado, esta era a razão da novilha vermelha, assim como foi a razão da morte e ressurreição de Cristo. O que as pessoas fizeram à novilha e à Yeshua, os fez impuros, mas ele produziu o poder para fazê-los puros novamente. 

A instrução da Torá para uso da novilha pode ser destinado para simbolizar o contato da nova vida daqueles que ficaram impuros pelo contato com a morte. O seu sangue que é salpicado diante do Tabernáculo sete vezes simbolizava a aceitação do sacrifício por D’us.

Tudo isso nos aponta para um paradoxo, os sacerdotes se consagravam para oferecer o sacrifício da Pará Adumá e por ter contato com a vaca vermelha se tornavam impuros, a fim de obter as cinzas para purificar os do povo de Israel que precisasse ser purificado. Da mesma forma Yeshua, como sacerdote também sendo puro se tornou impuro para purificar a todos os que tiveram contato com o momento de seu sacrifício e todos os que precisam dele para se purificar. E da mesma forma, como novilha seu sangue torna puro a todos quanto toca. Essa pureza é espiritual. E esse paradoxo tem um centro, que o move, que é o "amor" em hebraico "AHAVÁ", para entendermos isso vemos o que Yeshua diz em MT 22:34-40. O amor é o ingrediente misterioso e é o principio dessa parashá, por isso não podemos questionar. E tudo isso aponta para o tempo do Messias, quando ele voltará e estabelecerá seu Reino de pureza espiritual. 


Bibliografia:

- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.
- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/
- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/
- http://shemaysrael.com/parasha-chucat/
- http://www.yeshuachai.org/forums/topic/ חקת -chukat-estatutos-decretos/
- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/39-_chukat_estatuto_de.pdf

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A Torá Oral

 Olá, li este artigo no site da Sinagoga Beit Miklat, e achei muito interessante, por isso estou compartilhando, as devidas referências ao site estão no fim do artigo.

 A Torá Oral

-Introdução

         A Brit Chadashá (Novo Testamento) fala em muitos lugares (Mateus 15:2; Marcos 7:3; Marcos 7:5) acerca da "Tradição dos Anciãos" (מסורת הזקנים - Massoret haZekenim), e muitas pessoas desconhecem o que viriam a ser estas palavras, que em sua essência significa um dos principais códigos de leis do Judaísmo. Nosso objetivo neste estudo é descrever as divisões e explicações (como também o surgimento) àqueles que desconhecem esses pormenores.
         A maior parte do Judaísmo acredita ser o Talmud o que é chamado de "Torá Oral" (תורה שבעל פה - Torá sh'beal pê); e desde o segundo século da era comum tem sido um dos guias religiosos que norteiam a religião de Israel. Nos tempos de Yeshua a "Tradição dos Anciãos" já era a base para o culto farisaico, apesar de ainda não estar codificada em livro, coisa que só ocorreria dois séculos depois; mas, desde esse tempo já persistiam as discussões que dariam origem ao estabelecimento do Talmud. Yeshua, e seus discípulos, no decorrer dos séculos, atacaram muitas vezes algumas leis da "Tradição dos Anciãos", acusando-as de intransigentes, outras, de insensíveis; mas, sabemos que existem outras leis e ensinamentos que valem-se de muito, como o próprio Yeshua disse: "Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus. Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam" (Mateus 23:2), portanto trazemos esse estudo para que, com a ajuda dos Céus, possamos ter discernimento sobre os ensinamentos milenares do povo judeu, o qual vêm mantendo a unidade e comunhão do mesmo, e que assim seja desde agora e para sempre, amen!


-A Torá Oral no Novo Testamento

         Junto com as Escrituras Hebraicas desenvolveram-se tradições paralelas dos Anciãos de Israel. No período que vai desde a reconstrução do Templo com Ezra HaSofer (Esdras, o escriba) e Neemias, até os dias de Yeshua, a Bíblia Hebraica se cristalizou como livro sagrado dos judeus, e ganhou até traduções para o grego (Septuaginta) e o aramaico (Targum Onkelos, Yonatan, Neofiti, Yerushalmi e outros). Mas também apareceram muitos livros apócrifos outros explicativos acerca da própria Bíblia Hebraica. Dentro da comunidade judaica (dos fariseus, principalmente) permanecia um código interpretativo das palavras da Torá, a Tradição Oral. Esse corpo de tradições foi, gradativamente, moldado e trabalhado ao longo dos séculos, e isso foi o que gerou a estruturação e o conteúdo da Mishná posteriormente.
        Não obstante, vê-se a presença de tal Tradição Oral no Novo Testamento; como exemplo, citaremos Mateus 1:5, onde se lê: "e Salmon gerou de Raabe a Boaz"; ou seja, aqui está provado que os próprios autores da Brit Chadashá se valeram da Tradição dos Anciãos para redigirem seus relatos, já que em nenhum lugar das Escrituras Hebraicas está escrito que Raabe, a prostituta de Jericó, se tornou esposa do príncipe Salmon de Judá. Também Paulo cita os magos egípcios que confrontaram Moshé pelos seus nomes (Janes e Jambres), coisa que a Bíblia Hebraica não contém. E onde esses autores buscaram esse material se não na "Tradição dos Anciãos"?

-Origem da Torá Oral

       A existência da Torá Oral é baseada na própria Torá, como está escrito:


ואתנה לך את לחת האבן והתורה והמצוה

"E dar-te-ei tábuas de pedra, e a Lei, e os mandamentos" (Êxodo 24:12)

E daqui aprendemos que "a Lei", se refere à Torá Escrita, e "os mandamentos", se refere à sua explicação, ou seja a Torá Oral (Vide Mishnei Torá, em sua Introdução, em Transmissão da Torá Oral, parágrafo primeiro).
       E também, outra referência:

ויקהל משה את כל עדת ישראל ויאמר אלהם אלה הדברים אשר צוה ה׳ לעשות אתם

"E Moshé convocou (congregou) toda a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: Estas são as palavras que o Eterno ordenou que cumprísseis." (Êxodo 35:1)

        Ou seja, vemos aqui Moisés dizendo "Estas são as palavras", i.e., ele convocou os filhos de Israel para que ouvissem as palavras que o Eterno disse, e os seus entendimentos (ou seja, a compreensão) para que conseguissem cumprir.
         E outra é:

כי המצוה הזאת אשר אנכי מצוך היום לא נפלאת הוא ממך ולא רחקה הוא


"Porque este mandamento, que hoje vos ordeno, não te é difícil demais, nem tampouco está longe de ti." (Deuteronômio 30:11)

         E alguém poderia perguntar: "Mas como não me é difícil, se não consigo entendê-los, para cumprí-los? Por exemplo a mitzvá do Tsitsit, a Torá não explica como fazer os nóis, e o número de fios! Então como Moisés pode me dizer que não me é tão difícil?" A partir dessa pergunta, concluímos que para Moisés nos dizer que os mandamentos não são tão difíceis, mesmo existindo ordenanças sem explicações, é que ele as explicou!
        Em outras palavras, vêmo-nos, a partir destes versos, forçados a concluir que a Torá Escrita foi dada junto com suas explicações, que é a Torá Oral.

-Transmissão da Torá Oral

        Teoricamente, de acordo com o Rambam (רמב״ם - Rabi Moshé ben Maimon), temos a seguinte sucessão do tipo mestre-discípulo:

Moisés transmitiu as explicações a Josué, Josué aos Anciãos e Finéias. Os Anciãos e Finéias transmitiram a Eli e a sua corte. Eli e sua corte transmitiram a Samuel. Samuel e sua corte transmitiram a David. David e sua corte transmitiram a a Aías, o Silonita. Aías e sua corte transmitiram a a Elias. Elias e sua corte transmitiram a Eliseu. Eliseu e sua corte transmitiram a Jeoiada, o Sacerdote. Jeoiada e sua corte transmitiram a Zacarias. Zacarias e sua corte transmitiram a Oséias. Oséias e sua corte transmitiram a Amós. Amós e sua corte transmitiram a Isaías. Isaías e sua corte transmitiram a Miquéias. Miquéias e sua corte transmitiram a Joel. Joel e sua corte transmitiram a Naum. Naum e sua corte transmitiram a Habacuque. Habacuque e sua corte transmitiram a Sofonias. Sofonias e sua corte transmitiram a Jeremias. Jeremias e sua corte transmitiram a Baruque, filho de Neriá. Baruque e sua corte transmitiram a Esdras, o Escriba.
A corte de Esdras era chamada de "Homens da Grande Assembleia", e esta era composta por: Ageu, Zacarias, Malaquias, Daniel, Ananias, Misaías, Azarias, Neemias (filho de Chachlia), Mordecai, Zerubavel e outros grandes homens que junto com estes, somam 120 Anciãos. O último deles foi Shimon haTsadik (Simeão, o Justo) que se tornou Sumo-Sacerdote depois da geração de Esdras. Shimon haTsadik transmitiu a Antígonos de Sôco. Antígonos de Sôco e sua corte transmitiram a Yosef ben Yoezer (de Tsereda) e a Yosef ben Yochanan (de Jerusalém). Yosef de Tsereda e Yosef de Jerusalém e suas cortes transmitiram a Yehoshua ben Prachiá e a Nitai de Arbeli. Yehoshua ben Prachiá e Nitai de Arbeli e suas cortes transmitiram a Yehudá ben Tavai e a Shimon ben Shetach. Yehudá ben Tavai e Shimon ben Shetach e suas cortes transmitiram a Shemaia e Avtalion. Shemaia e Avtalion e suas cortes transmitiram a Hilel e Shamai. Hilel e Shamai e suas cortes transmitiram a Rabi Yochanan ben Zakai e a Rabi Shimon ben Hilel.
Rabi Yochanan ben Zakai tinha 5 discípulos, que eram: Rabi Eliezer HaGadol, Rabi Yehoshua, Rabi Yose haCohen, Rabi Shimon ben Netanel e Rabi Eliezer ben Arach .
Rabi Eliezer HaGadol transmitiu a Rabi Akiva ben Yosef. Rabi Akiva transmitiu a Rabi Yishmael e a Rabi Meir.
Rabi Akiva tinha 3 colegas: Rabi Tarfon, Rabi Shimon e Rabi Yochanan ben Nuri.
Rabi Shimon transmitiu a Raban Gamaliel haZaken (filho de Rabi Shimon). Raban Gamaliel transmitiu a Raban Shimon. Raban Shimon transmitiu a Rabi Yehudá haNasi. E Rabi Yehudá haNasi compôs a Mishná (em 189 a.e.c).

- Funções adicionais da Torá Oral e outros grupos no séc. I

        A Tradição servia também como um regulamento, ou seja, os mestres da época se utilizavam dela para explicarem (ou relerem) as Escrituras às pessoas, já que era tida como de difícil interpretação. O outro maior partido religioso da época de Yeshua, era os saduceus. Era mais cético, pelo fato de seus membros não reconhecerem a canonicidade sequer dos livros dos profetas e os salmos, aceitavam apenas a Lei de Moisés como realmente autêntica; e rejeitavam também as tradições dos Anciãos e as doutrinas acerca da imortalidade da alma, julgamento futuro e etc. Os samaritanos, além de serem de origem diferente, seguiam também uma religião diversa: tinham sua própria versão da Torá, e sacrificavam a sua Páscoa sobre o monte de Samaria, ou Gerizim. Esses dois grupos, saduceus e samaritanos, e outros menores, foram perdendo campo depois de guerras que atingiram a Terra Santa naqueles tempos. Os samaritanos ainda hoje existem, numa comunidade muito reduzida ao norte, e praticam seu culto tradicional que incluem os sacrifícios. Os saduceus deram origem ao movimento denominado Caraíta, que hoje também tem alguns milhares de membros tanto em Israel, como em outros países. Os fariseus formaram o grupo religioso que conseguiu furar os séculos como a maior identidade judaica; guardaram a Tradição Oral que deu origem ao texto mishnáico. Com a dispersão dos judeus pelo mundo, os rabinos se viram na iminência de muitos judeus abjurarem sua fé se a Torá Oral não fosse codificada para dar maior simplicidade à liturgia e ao culto.
        Uma reunião dos principais rabinos de Israel, comandados por Rabi Yehudá haNasi, deu origem ao grande trabalho de escrever as leis e tradições que foram a gênese da primeira parte do Talmud: a Mishná.
        Começaram-se a ser redigidos, quase que simultaneamente, dois comentários da Mishná: um em Israel (Guemará Yerushalmi), a partir do século IV; e um na Babilônia (Guemará Bavli), a partir dos séculos VI e VII. O texto de ambos é demasiado parecido, sendo o Comentário Babilônico considerado mais completo, e, consequentemente, o mais usado. Essas discussões legais (chamadas de Guemará) em torno da Mishná foram adicionadas ao texto mishnáico, formando o que se conhece hoje como Talmud.

-Biografia de Rabi Yehudá haNasi

       De acordo com o Talmud Yerushalmi Sanhedrin 5a (no comentário de Tosafot Yom Tov), ele era da descendência Davídica, da linhagem real, por isso o título de Nasi (Príncipe). Esse título "Nasi" também era usado para os presidentes do Sanhedrin na época dos Zugot (pares), por exemplo Shemaia e Avtalion; e Hilel e Shamai (um era chamado de Nasi [Presidente do Sanhedrin] e o outro de Av Beit Din [Chefe de Justiça]) (Vide Mishná Chaguigá 2:2).
       Yehudá haNasi nasceu em 135 d.e.c.. De acordo com um Midrash (Bereshit Rabá 53; Eicha Rabá 1:10), ele nasceu no mesmo dia do martírio de Rabi Akiva.
       Sua juventude passou na cidade de Usha (Oeste da Galiléia). Aprendeu a Torá e também estudos gerais (linguagens, principalmente) com seu pai (Rabi Shimon ben Gamaliel II).

-Mishná (משנה - chamada também de Shas - ש״ס)

       A Mishná é a primeira parte do Talmud, e sua compilação foi chefiada por Rabi Yehudá haNasi (135 - 217 d.e.c.), filho de Shimon ben Gamaliel II, aproximadamente no ano 189 d.e.c.. A palavra Mishná significa "repetição", e é um termo que já se encontra nas Escrituras Hebraicas.
       Esta se divide em seis Sedarim (ordens, seções): Zeraim (Sementes), Moed (Festividades), Nashim (Mulheres), Nezikin (Danos), Kodashin (Santificados), Tehorot (Purificações).
       E estas, por sua vez, são dívidas em Masechtot (Tratados), que são 63 tratados. Estes, por sua vez, dividem-se em Perakim (Capítulos), que são 525 capítulos. E estes são subdivididos em Mishnaiot (Parágrafos), que totalizam 4224 mishnaiot.

       Zeraim: 75 capítulos, com total de 683 mishnaiot;
       Moed: 88 capítulos, com total de 681 mishnaiot;
       Nashim: 71 capítulos, com total de 570 mishnaiot;
       Nezikin: 74 capítulos, com total de 685 mishnaiot;
       Kodashin: 91 capítulos, com total de 590 mishnaiot;
       Tehorot: 126 capítulos, com total de 1015 mishnaiot.

        Ordem de Especificação:

        Seder -> Masechet -> Pérek -> Mishná

- Eras dos Sábios (תקופת החכמים - Tekufat haChachamim)


1) Patriarcas (אבות - Avot)

       Período: Desde a saída de Abraão, nosso pai, de Ur dos Caldeus, até a entrada do povo de Israel na Terra de Canaã.
       Principais: Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Josué, Finéias, Aarão e etc.

2) Juízes (שופטים - Shoftim)

       Período: Desde a morte de Josué até a posse de Saul, através das mãos de Samuel (último dos juízes).
       Principais: Otniel ben Kenaz, Ehud ben Guerá, Devorá, Guideon, Avimelech, Shimshon, e Shmuel.

3) Profetas (נביאים - Neviím)

       Período: Desde a divisão do reino de Salomão, com o profeta Aías (o Silonita) até o período em que profetizou Malaquias.
       Principais: Obadias, Joel, Jonas, Amós, Oséias, Isaías, Ezequiel, Miquéias e etc.

4) Anciãos da Grande Assembleia (אנשי כנסת הגדולה - Anshei Kenesset haGuedolá)

       Período: Desde a conclusão da construção do Segundo Beit HaMikdash (Templo) até a morte de Shimon haTsadik, filho de Chonyo, filho de Yadua, filho de Yochanan, filho Eliashev, filho de Yehoshua, filho de Yehotsedek (primeiro Sumo-Sacerdote do Segundo Templo), que era sobrinho de Esdras.
       Principais: Ageu, Zacarias, Malaquias, Daniel, Ananias, Misaías, Azarias, Mardoqueu e etc.

5) Pares (זוגות - Zugot)

       Período: Desde a nomeação de Yosi ben Yoezer haCohen como Nasi, Presidente do Sanhedrin, para manter a ordem social, função que o Sumo-Sacerdote não cumpria (lembrando que nesse período já estava no domínio cultural grego, antes do Milagre de Chanucá, porém já depois da tradução da Torá para o grego com os 70 rabinos), até a morte de Hilel no ano 8 d.e.c..
       Principais:  Yosi ben Yoezer e Yosi ben Yochanan; Yehoshua ben Prachiá e Nitai haArbeli; Yehudá ben Tavai e Shimon ben Shetach; Shemaia e Avtalion; Hilel e Menachem (porém Menachem foi deposto, e Shamai o substituiu);

6) Repetidores, Professores (תנאים - Tanaim)

       Período: Desde a morte de Hilel, até o término da compilação da Mishná em 189 d.e.c..
       Principais: Yochanan ben Zakai, Yosi haGlali, Rabi Tarfon, Rabi Meir, Rabi Akiva, Rabi Yehudá haNasi, Rabi Shimon bar Yochai e etc.

7) "Aqueles que falam" (אמוראים - Amoraim)

       Período: Desde a saída de Rav (Rabi Abba Aricha) da Terra de Israel e seu estabelecimento na Babilônia no ano 219 d.e.c., até o término da compilação do Talmud Bavli quando Ravina II faleceu no ano 475 d.e.c..
       Principais: Rabi Yehoshua ben Levi, Bar Kapará, Rav Huna, Resh Lakish, Hilel ben Gamaliel III, Adda bar Ahavá, Shemuel ben Nachman, Rabba, Rav Zeira, Rav Abbahu, Hamnuna, Chanina ben Papa, Rav Shemuel bar Yehudá, Abaye, Rava, Rav Papa, Rav Kahana, Mar bar Rav Ashi, Ravina II e etc.

8) Explicadores, Pensadores (סבוראים - Savoraim)

       Período: Desde a proclamação do auto-governo judaico na Babilônia por Mar Zutra em 551 d.e.c., até a reconstituição da Metivta de Sura (Academia Talmúdica em Sura) em 609 d.e.c..
       Principais: Raban Savorai e etc (Rabinos anônimos).

9) Gênios (גאונים - Gueonim)

       Período: Desde a conquista árabe de Israel em 637 d.e.c, até a morte de Rav Hai Gaon e a decadência das Yeshivot (Escolas Rabínicas) da Babilônia em 1038 d.e.c..
       Principais: Achai Gaon, Amram Gaon, Hai Gaon, Saadia Gaon, Sherira Gaon e etc.

10) Os primeiros (ראישונים - Rishonim)

       Período: Desde o falecimento de Rabeinu Guershon ben Yehudá em Mainz (Alemanha atual) em 1040 d.e.c., até a completa compilação do Shulchan Aruch por Rabi Yosef Caro em 1563 d.e.c..
       Principais: Abba Mari (Minchat Kenaot), Don Yitzchak Abravanel, Avraham ibn Ezrah, Rabi Asher ben Yechiel (Rosh), Rabi David Kimchi (Radak), Rabi Ovadia ben Avraham (Bartenura), Rabi Levi ben Guershon (Ralbag), Rabi Yitzchak Alfasi (Rif), Rabi Yehudá haLevi, Rabi Yaakov ben Asher (Baal haturim), Rabi Moshé ben Maimon (Rambam), Rabi Moshé ben Nachman (Ramban), Rabi Shlomo ben Yitzchak (Rashi), Rabi Yitzchak Sagui Nehor (Yitzchak, o cego), Rabi Shlomo ben Aderet (Rashba), Rabi Yom Tov Asevilli (Ritva), Rabi Shmuel ben Meir (Rashbam, neto de Rashi), Rabi Yaakov ben Meir (Rabênu Tam, irmão de Rashbam, neto de Rashi) e etc.

11) Os últimos (אחרונים - Acharonim)

       Período: Desde a compilação do Shulchan Aruch em 1563 d.e.c., até os dias de hoje.
       Principais: Rabi Chaim Yosef David Azulay (Chida), Rabi Yosef Chaim de Bagdá (Ben Ish Chai), Rabi Moshé ben Yaakov Cordovero (Ramak), Rabi Yitzchak Luria (Ari), Rabi Yehudá Loew ben Betsalel (Maharal), Rabi Chaim Vital (principal discípulo do Ari), Rabi Eliezer haLevi Eidels (Maharsha), Rabi Baruch haLevi Epstein (Torá Temimá), Rabi Eliahu ben Shlomo Zalman (Vilna Gaon), Rabi Baruch Shalom haLevi Ashlag (Rabash), Rabi Moshé Chaim Luzzatto (Ramchal), Rabi Meir Leib ben Yechiel Michel (Malbim), Rabi Yisrael ben Eliezer (Baal Shem Tov), Rabi Dovber de Mezeritch (Maguid de Mezeritch, principal discípulo do Baal Shem Tov), Rabi Menachem Mendel Schneerson (Rebe), Rabi Meir Eliahu, Rabi Yisrael Abuchatsera (Baba Sali), Rabi Ovadia Yosef, Rabi Mordechai Eliahu, Rabi Eliahu Eliezer Dessler e etc.

- Descrição suscinta de todos os 63 tratados da Mishná de acordo com seus Sedarim

       1) Seder Zeraim (Ordem das sementes)

       Esta é a primeira Ordem da Mishná e é composta por 11 tratados, e se preocupa principalmente sobre a formação das bençãos, o cultivo da terra, plantação de árvores frutíferas, criação de animais, juntamente com as ofertas no serviço do Templo, e outros assuntos ligados a esses temas.


1.1) Massechet Brachot (bênçãos) (contém 9 capítulos)

       Trata-se, primeiramente, sobre a ordem das três orações diárias (Shacharit, Minchá e Arvit) e as diversas bênçãos, especialmente, o Shemá e a Amidá.


1.2) Massechet Peá (canto, ângulo) (contém 8 capítulos)

       Trata-se quase que exclusivamente sobre as leis dos cantos das colheitas que deveriam ser deixados para que os pobres e estrangeiros pudessem respigá-los.


1.3) Massechet Demai (produto duvidoso) (contém 7 capítulos)

       Aborda, principalmente, os diversos casos em que não têm-se certeza se os dízimos dos sacerdotes foram dados de uma certa produção ou não.


1.4) Massechet Kilaim (misturados) (contém 9 capítulos)

       Fala, majoritariamente, sobre os produtos (plantas) que podem ou não ser plantados juntos na agricultura. Aborda também a mitzvá de Sha'atnez e a proibição de reprodução entre animais de diferentes espécies (Levítico 19:19; Deuteronômio 22:9-11).


1.5) Massechet Sheviít (ano sabático) (contém 10 capítulos)

       Aborda as leis sobre agricultura e regulamentos de fiscalização concernentes ao ano da Shemitá (sabático) (Levítico 25:2-7).


1.6) Massechet Terumot (ofertas) (contém 11 capítulos)

        Fala sobre as leis que compõem a Terumá (oferta para os sacerdotes) (Números 18:8-20; Deuteronômio 18:4).


1.7) Massechet Ma'asserot (dízimos) (contém 5 capítulos)

       Trata das leis referentes aos dízimos que eram para os levitas (Números 18:21-24).


1.8) Massechet Ma'sser Sheni (o segundo dízimo) (contém 5 capítulos)

       Aborda as leis concernentes ao dízimo que deveria ser consumido em Jerusalém (Deuteronômio 14:22-26).


1.9) Massechet Chalá (primícias das massas) (contém 4 capítulos)

       Fala sobre as leis referentes às ofertas das primícias das massas para os cohanim (sacerdotes) (Números 15:20-21).


1.10) Massechet Orlá (incircuncisão das árvores) (contém 3 capítulos)

       Fala sobre a proibição do consumo imediato do fruto de uma árvore recém plantada na Terra de Israel (Levítico 19:23-25).


1.11) Massechet Bicurim (primeiros frutos) (contém 3 capítulos)

       Trata da primícias do campo para os cohanim (Êxodo 23:19; Deuteronômio 26:1-11).


       2) Seder Moed (Ordem das festas bíblicas e judaica)

       A segunda Ordem da Mishná apresenta 12 tratados e concentra-se em legislar sobre todas as festas da Torá e Tradição Judaica (Purim e Chanucá).


2.1) Massechet Shabat (sábado) (contém 24 capítulos)

       Trata de todas as leis pertinentes ao dia do Shabat, tanto as leis da Torá quanto as leis rabínicas, como múctse, acendimento de fogo, e também a definição de trabalho proibido.


2.2) Massechet Eruvin (campo delineado) (contém 10 capítulos)

        Aborda as regulamentações sobre as construções/delineações em que se permite carregar certos objetos no Shabat.


2.3) Massechet Pessachim (páscoa judaica) (contém 10 capítulos)

       Fala sobre as leis concernentes ao Korban Pêssach (sacrifício da páscoa judaica) e a Agadá de Pêssach.


2.4) Massechet Shekalim (meio ciclo de prata) (contém 8 capítulos)

       Trata sobre a arrecadação de meio shékel, bem como as despesas do Templo.


2.5) Massechet Yomá (Yom Kipur) (contém 8 capítulos)

       Tratado que foca na preparação do Suma-Sacerdote para o dia de Yom Kipur, incluindo o tipo de serviço feito no Templo. Juntamente a isso, aborda o jejum feito em Yom Kipur e outras proibições.


2.6) Massechet Sucá (Tabernáculos) (contém 5 capítulos)

        Ocupa-se em legislar sobre a festa de Sucót (Tabernáculos), somando-se a isso também os serviços e sacrifícios específicos dos sete dias. Aborda leis sobre a construção da Sucá (cabana).


2.7) Massechet Beitsa (ovo) (contém 5 capítulos)

        Esse nome curioso deve-se à primeira palavra do Massechet, mas originalmente era conhecido como "Yom Tov", devido a seu assunto principal tratar sobre os dias (exceto o Shabat) em que é proibido fazer trabalho.


2.8) Massechet Rosh haShaná (início do ano judaico) (contém 4 capítulos)

       Aborda certos regulamentos do Calendário luno-solar (calendário judaico), e também sobre os serviços feitos em Rosh haShaná.


2.9) Massechet Ta'anit (jejum) (contém 4 capítulos)

        Trata sobre as leis que envolvem os dias de jejum ao longo do ano judaico, como 9 de Av, 17 de Tamuz e etc.


2.10) Massechet Meguilá (rolo de Ester) (contém 4 capítulos)

        Contém prescrições com relação à leitura da Meguilat Ester (rolo de Ester) em Purim, mas também aborda sobre outras passagens da Torá e dos Profetas que também são lidos na sinagoga.


2.11) Massechet Moed Katan (pequena festa) (contém 3 capítulos)

        Fala sobre Chol hamoed (os dias intermediários das festas de Pêssach e Sucót).


2.12) Massechet Chaguigá (sacrifícios festivos) (contém 3 capítulos)

        Trata sobre as três festas de peregrinação (Pêssach, Shavuot e Sucót) e também sobre as ofertas (primícias) que eram levadas ao Templo.


        3) Seder Nashim (Ordem sobre as mulheres)

        A terceira Ordem da Mishná tem 7 tratados e atenta sobre os assuntos relacionados às mulheres, isto é, as mitzvot que as mulheres são obrigadas ou que as relacionam.


3.1) Massechet Yevamot (levirato) (contém 16 capítulos)

      Trata sobre as leis de Yibum (Levirato) como está em Deuteronômio 25:5-10. E também aborda tópicos que envolvem o status de "menor" (isto é, o indivíduo que ainda não está obrigado a cumprir as mitzvot).


3.2) Massechet Ketubot (noivado) (contém 13 capítulos)

       Fala sobre assuntos de virgindade e obrigações mútuas entre o casal.


3.3) Massechet Nedarim (votos) (contém 11 capítulos)

        Aborda os diversos tipos de votos e suas consequências legais.


3.4) Massechet Nazir (nazireu) (contém 9 capítulos)

        Fala, especificamente, do voto de Nazireu (Números 6:1-21).


3.5) Massechet Sotá (caso da mulher "adúltera") (contém 9 capítulos)

        Trata sobre todo o ritual que envolve o assunto de Sotá, como está descrito em Números 5:11, bem como outras espécies de rituais como a leitura anual que o Rei de Israel deve fazer, e o ritual em que desloca-se o pescoço de uma novilha, como está em Deuteronômio 21:1-9.


3.6) Massechet Guitin ("documentos") (contém 9 capítulos)

        Aborda as leis bíblicas e rabínicas concernentes ao divórcio, e também os detalhes do documento de divórcio.


3.7) Massechet Kidushin (noivado) (contém 4 capítulos)

         Fala sobre o estágio inicial do casamento (noivado), e detalha as leis sobre linhagem judaica.


        4) Seder Nezikin (Ordem dos danos)

       A quarta Ordem da Mishná contém 10 tratados e se ocupa com todas as leis (e seus detalhes) sobre o sistema judicial judaico, isto é, todo o tipo de procedência que o Sanhedrin (Sinédrio) deve tomar frente aos possíveis casos de danos e remunerações de acordo com a Torá.


4.1) Massechet Bava Kama ("primeira porta") (contém 10 capítulos)

        Concentra-se em questões de nível civil, que na sua maioria são danos e seus respectivos remunerações.


4.2) Massechet Bava Metsia ("porta do meio") (contém 10 capítulos)

        Esse Tratado resume-se em solucionar outras possíveis questões civis, porém sobre delitos. E também detalha as leis sobre propriedade.


4.3) Massechet Bava Batra ("último portão") (contém 10 capítulos)

        Fala das questões civis sobre propriedades de terra.


4.4) Massechet Sanhedrin (sinédrio) (contém 11 capítulos)

         Fala sobre as leis de procedência da côrte do Sanhedrin; sobre penas capitais, e sobre alguns aspectos criminais.


4.5) Massechet Macot (chicotadas) (contém 3 capítulos)

         Trata das leis relacionadas ao falso testemunho, cidades de refúgio e punição por chicotadas.


4.6) Massechet Shevuot (votos) (contém 8 capítulos)

         Aborda os vários tipos de votos e suas consequências.


4.7) Massechet Eduiot (Testemunhos) (contém 8 capítulos)

         Apresenta algumas análises com relação às disputas legais da Mishná e também apresenta algumas miscelâneas que ilustram alguns teste,unhas dos Sábios; e alguns aspectos de Halachá.


4.8) Massechet Avodá Zará ("trabalho estranho" - idolatria) (contém 5 capítulos)

        Trabalha algumas leis de interação entre judeus e idólatras (com, obviamente, a perspectiva judaica).


4.9) Massechet Avot (pais) (contém 6 capítulos)

        Um dos tratados mais conhecidos da Mishná. É uma coleção de máximas éticas dos Sábios desde os Homens da Grande Assembleia.


4.10) Massechet Horaiot (decisões) (contém 3 capítulos)

        Trabalha alguns aspectos sobre os sacrifícios de pecado necessários para expiar os erros de decisão do Sanhedrin (em alguns casos).


        5) Seder Kodashin (Ordem das coisas santificadas)

        A quinta Ordem da Mishná contém 11 tratados. Aborda todos os aspectos gerais dos serviços, rituais e purificações feitos no Templo.


5.1) Massechet Zevachim (sacrifícios) (contém 14 capítulos)

        Fala sobre os animais que eram oferecidos no Templo, bem como a natureza de cada sacrifício em si.


5.2) Massechet Menachot (ofertas de farinha) (contém 13 capítulos)

        Aborda leis sobre as várias ofertas de cereais oferecidas no Templo.


5.3) Massechet Chulin (coisas ordinárias/comuns) (contém 12 capítulos)

        Fala sobre leis de shechitá e consumo de animais (casher) que não oferecidos no Templo (isto é, para o consumo familiar).


5.4) Massechet Bechorot (primogênitos) (contém 9 capítulos)

        Aborda aspectos de santificação e resgate de primogênitos, tanto dos judeus quanto de alguns de seus animais.


5.5) Massechet Arachin (dedicações) (contém 9 capítulos)

        Trata sobre as ofertas por pessoas ao Templo, e também sobre ofertas por campos.


5.6) Massechet Temurá (substituição) (contém 7 capítulos)

        Aponta as leis sobre a substituição de um animal que seria oferecido no Templo por outro em lugar desse.


5.7) Massechet Keritot (ser cortado do povo) (contém 6 capítulos)

       Fala sobre os casos de punição que envolvem karet (banimento do povo de Israel), e também sobre quais sacrifícios deveriam ser feitos nesses casos.


5.8) Massechet Me'ilá (sacrilégio) (contém 6 capítulos)

        Trata sobre as leis de restituição por algum possível desvio (roubo) nas propriedades do Templo.


5.9) Massechet Tamid (constante, contínuo) (contém 6 capítulos)

        Aborda as leis sobre o Korban Tamid (sacrifício contínuo/diário).


5.10) Massechet Midot (medidas) (contém 4 capítulos)

        Trata sobre as medidas do Segundo Templo.


5.11) Massechet Kinim (ninho) (contém 3 capítulos)

        Apesar do seu título, em verdade, aborda algumas leis complexas sobre situações em que havia, ocasionalmente, uma mistura de ofertas de aves (rolinhas ou pombas).


        6) Seder Tehorot (Ordem de purificações)

         O sexta e última Ordem da Mishná contém 12 tratados, e ocupa-se em sua esmagadora maioria sobre os processos e os rituais de purificação tanto ocorridos no Templo, quanto no cotidiano do judeu.


6.1) Massechet Kelim (recipientes) (contém 30 capítulos)

        Este Tratado é o mais longo de toda a Mishná; e aborda leis de purificação de recipientes e outras caracterizações.


6.2) Massechet Ohalot (tendas) (contém 18 capítulos)

        Fala sobre algumas leis de impurificação de tendas onde se encontrava um cadáver e os seus métodos de purificação.


6.3) Massechet Nega'im (pragas) (contém 14 capítulos)

        Aborda todas as leis sobre Tsara'at ("lepra").


6.4) Massechet Pará (vaca) (contém 12 capítulos)

        Trata sobre as leis da Pará Adumá (vaca vermelha).


6.5) Massechet Tehorot (purificações) (contém 10 capítulos)

        Traz uma miscelânea de leis sobre casos gerais de impureza alimentícia.


6.6) Massechet Mikvaot (banhos rituais) (contém 10 capítulos)

        Fala sobre as leis de Micvê, isto é, a maneira de banhar-se, a quantidade mínima de água de um Micvê, o tipo de água apropriada para o Micvê e etc.


6.7) Massechet Nidá (separação) (contém 10 capítulos)

        Aborda assuntos sobre Nidá (ciclo mensal de separação da mulher) e leis sobre impureza pós-parto.


6.8) Massechet Machshirim (coisas preliminares à preparação da comida) (contém 6 capítulos)

        Aborda leis sobre alguns líquidos que são usados para preparar ração de alimentos que são suscetíveis à impureza ritual.


6.9) Massechet Zavim (emissão de sêmen) (contém 5 capítulos)

        Traz leis e prescrições sobre um Zav (aquele que se impurificou com sua própria emissão seminal).


6.10) Massechet Tevul Yom (imersão do dia) (contém 4 capítulos)

        Fala sobre certas impurezas em que a pessoa se purifica no pôr-do-sol do mesmo dia que se impurificou.


6.11) Massechet Yadaim (mãos) (contém 4 capítulos)

        Fala sobre prescrições rabínicas com relação à impureza das mãos, e, consequentemente, à ablução das mãos.


6.12) Massechet Uktsin (talos de fruta) (contém 3 capítulos)

        Fala sobre impurezas rabínicas com relação aos talos das frutas em geral.

- Conclusão para o leitor

Ao analisarmos os aspectos que envolvem tanto a Torá Oral, no seu conceito primitivo,(passada de geração à geração), quanto a sua base atual (Mishná), temos que ter em mente que: ao lermos e estudarmos tais textos, devemos sempre pô-los em prova com os Sagrados Escritos do Tanach (Antigo Testamento). Portanto, não podemos, prontamente, tê-los como verdades absolutas sobre nossas vidas visto que muitas dessas leis nem se aplicam aos nossos dias, como a grande maioria das leis concernentes à purificação e sacrifícios. Por conseguinte, exige-se daquele que lê tais textos um discernimento cristalino dos conceitos de leis rabínicas e leis bíblicas, e a diferença de seus pesos espirituais.
Portanto, seja da Sua vontade que possamos discernir os assuntos espirituais nos dias de hoje. Possamos estar adquirindo o "colírio" do Mashiach Yeshua, como está escrito:

"Aconselho-te que DE MIM compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e COLÍRIO, a fim de ungires os teus olhos, para que VEJAS." (Apocalipse 3:18)

Amén! Seja da Sua vontade!

........................................ Shemuel ben Avraham (Marcos)

Extraído de: http://www.sinagogabeitmiklat.com.br/2017/03/introducao-brit-chadasha-novo.html