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quinta-feira, 24 de abril de 2025

Estudo da Parashá Shemini - O Silêncio que Fala

 


Estudos da Torá

Parashá nº 26 – Shemini (Oitavo)

Vayikra/Levítico 9:1-11:47

Haftará (separação) 2Sm 6:1-19 e

B’rit Hadashah (nova aliança) Mc 7:1-23, Atos 5:1-11, e 2Co 6:14-7:1.


Tema: O Silêncio que Fala


Na parashá dessa semana vemos que em um mundo onde palavras muitas vezes transbordam antes que o coração compreenda, o silêncio pode parecer estranho, até incômodo. Mas há silêncios que falam mais alto do que qualquer discurso. Um desses silêncios ecoa das Escrituras, na parashá Shemini, quando Aharon, o sacerdote escolhido, vê dois de seus filhos — Nadav e Avihu — serem consumidos por fogo que saiu de diante do Eterno. Ele vê, ouve as palavras de Moshê... e se cala. Um silêncio que não brota da apatia, mas da reverência. Um silêncio que não é vazio, mas cheio de temor diante da santidade. Eu mesmo me senti muito tocado ao me atentar para esse fato de uma forma mais específica. Este texto e todo seu contexto periférico mexeram comigo de uma forma profunda, não pelo fato de eu ser um murmurador contumaz, mas pôr as vezes, não conseguir ficar calado em determinadas situações. Dependendo do momento acabo falando e, nem sempre isso é bom, ainda mais se for na hora errada. Aprendo com Aharon e com Yeshua nessa parashá, que o silêncio é uma atitude sábia de reconhecimento do poder, da sabedoria e da justiça do Eterno, além de em muitos momentos em nossas vidas, evitar problemas. Abra seu coração e vamos entender que o silêncio pode falar.

RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Shemini, encontrada em Vayicrá 9 a 11, é um poderoso ensinamento sobre a santidade, a obediência e o discernimento que o Eterno exige do Seu povo. Ela marca o início do serviço sacerdotal por Aharon e seus filhos, revelando que a presença do Eterno se manifesta quando Suas instruções são seguidas com precisão e reverência. No entanto, também demonstra, com severidade, as consequências da desobediência, como no caso de Nadav e Avihu, que ofereceram “fogo estranho” e foram consumidos por um fogo vindo de diante do Eterno. Esse episódio ilustra que não se pode buscar intimidade com o Eterno segundo a própria vontade, mas unicamente conforme Suas palavras.

Além disso, a porção Shemini introduz a distinção entre os alimentos puros e impuros, revelando que até no comer e no beber, o povo de Yisrael deve ser separado. A dieta estabelecida pelo Eterno não é apenas uma questão de saúde ou tradição, mas um mandamento que expressa a identidade de um povo santo. Ao listar detalhadamente os animais que podem ou não ser consumidos, o Eterno ensina que tudo na vida deve ser discernido segundo os Seus critérios, não segundo o coração do homem. Assim, essa separação entre o que é tahor (limpo) e tamê (impuro) não é arbitrária, mas uma expressão de santidade.

Por fim, a parashá enfatiza que a santidade não é uma opção, mas uma exigência para todos os que se aproximam do Eterno. Como está escrito: “Sede santos, porque Eu sou santo” (Vayicrá 11:44). A obediência aos mandamentos do Eterno é o caminho da vida, da comunhão e da bênção. O povo de Yisrael foi chamado para ser distinto entre as nações, e isso começa pela fidelidade aos mandamentos, inclusive naquilo que parece cotidiano, como o alimento. A parashá Shemini, portanto, é um chamado claro: quem ama o Eterno deve obedecer com temor, com discernimento e com um coração dedicado a Ele.

ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

No entanto, Nadav e Avihu, filhos de Aharon, pegando cada um seu incensário, acenderam-lhe o fogo, colocaram incenso nele e ofereceram um fogo não autorizado diante do Eterno, algo que ele não lhes ordenara fazer. Por causa disso, saiu um fogo da presença do Eterno e os consumiu, para que morressem na presença do Eterno. Moshê disse a Aharon: Isto é o que o Eterno disse: Eu serei consagrado por meio de quem está perto de mim, e serei glorificado na presença de todo o povo. Aharon ficou em silêncio. Vayicra 10:1-3


Segundo o comentário de rodapé do Chumash Plaut, Nadav e Avihu não estavam apresentando a oferta regular de incenso da manhã, de acordo com Ex 30:7, pois ela não teria exigido dois incensários. Evidentemente eles estavam tentando algo original, algo diferente do que tinha sido estabelecido pelo Eterno. O fogo estranho é o fogo que não vem do altar de sacrifícios.

De acordo com o comentário de rodapé da Torá da Editora Sefer, nesse capítulo é relatado a trágica morte de Nadav e Avihu, os filhos de Aharon. Segundo o versículo, o pecado deles foi haver oferecido um fogo estranho perante o Eterno, pois apesar Dele recomendar em Vayicrá 1:7 aos filhos de Aharon pôr o fogo sobre o altar, Moshê e todo o povo esperavam que viesse fogo do céu, como de fato aconteceu em Vayicrá 9:24, como também mais tarde, com o profeta Eliahu em 1Rs 18:38, e assim o nome do Eterno seria santificado.

No entanto, vamos nos voltar agora para Aharon e sua atitude. O verso 3 diz: “...Aharon ficou em silêncio.” Nos comentários das duas edições da Torá citadas anteriormente, fica claro que essa atitude foi um reconhecimento da justiça do Eterno. O Chumash Plaut diz que “ele absteve-se de lamentar e de se queixar contra o Eterno. Na formulação rabínica, “reconheceu a justiça do decreto”.” E na Torá da Sefer diz: “Como sinal de justificação da suprema justiça de D’us.”

Humanamente falando, nos colocando no lugar de Aharon, não deve ter sido fácil ver aquilo ocorrer, principalmente em um momento alegre como aquele, de inauguração do Mishkan, a presença do Eterno estava ali, e fogo tinha vindo do céu para queimar a oferta que estava no altar. Por isso, precisamos reconhecer que esse é um momento profundamente marcante da parashá Shemini. O silêncio de Aharon diante da morte de seus filhos Nadav e Avihu é um dos momentos mais densos e significativos das Escrituras.

Esse silêncio não é um silêncio de indiferença, nem de fraqueza. É o silêncio de quem compreende, com temor, a santidade do Eterno. É o silêncio de quem reconhece que o juízo do Eterno é justo, ainda que seja profundamente doloroso. Aharon, como pai, sentiu a dor da perda. Mas como servo do Eterno, entendeu que seus filhos agiram em desobediência, trazendo algo que o Eterno não ordenou. Ele não tentou justificar, nem protestar. Ele se calou. Provavelmente será como agiremos no futuro, depois do milênio, quando os da segunda ressurreição tiverem que se decidir se servirão ao Eterno ou não, se for uma decisão negativa, ao serem destruídos junto com os ímpios, vamos ficar em silêncio ao ver a justiça do Eterno em ação. Talvez com nossos parentes e amigos, que não quiserem servir ao Eterno, ou mesmo com outras pessoas, estaremos em silêncio.

Esse silêncio é um testemunho. Ele revela o reconhecimento de que o serviço ao Eterno exige santidade absoluta e obediência plena. O fogo que consumiu os filhos de Aharon não foi apenas punição, mas também uma lição pública de que não se pode misturar o santo com o profano, nem inventar formas próprias de adorar ao Eterno. Não é como queremos, mas como o Eterno estabeleceu em sua palavra.

O silêncio de Aharon também nos ensina sobre humildade diante da justiça do Eterno. Em vez de murmurar, ele se curva ao juízo divino. Em vez de se rebelar, ele se cala. E, nesse silêncio, há reverência, temor e aceitação. O verdadeiro servo do Eterno não é aquele que entende tudo, mas aquele que se submete a tudo o que o Eterno determina, confiando que Suas decisões são santas e justas. Como está escrito:


O Eterno é justo em todos os seus caminhos e bondoso em todas as suas obras. Tehilim /Sl 145:17


Portanto, o silêncio de Aharon é uma lição eterna para todos que se aproximam do Eterno: temor, obediência e reverência são a base de toda verdadeira adoração. Vamos ampliar essa reflexão, olhando também para os nevi'im (profetas) e para os ensinos de Yeshua e seus shlichim (enviados), e também para os sábios do povo de Yisrael, sempre à luz das Escrituras e com base nos mandamentos do Eterno, como Ele mesmo nos instrui.


1. A Santidade que Consome

Em um mundo onde palavras muitas vezes transbordam antes que o coração compreenda, o silêncio pode parecer estranho, até incômodo. Mas há silêncios que falam mais alto do que qualquer discurso. Um desses silêncios ecoa das Escrituras, nesta parashá, quando Aharon, o sacerdote escolhido, vê dois de seus filhos — Nadav e Avihu — serem consumidos por fogo que saiu de diante do Eterno. Ele vê, ouve as palavras de Moshê... e se cala. Um silêncio que não brota da apatia, mas da reverência. Um silêncio que não é vazio, mas cheio de temor diante da santidade. Aharon, como pai, certamente sentiu uma dor indescritível. Seus filhos, que haviam sido ungidos para o serviço no Mishkan, foram fulminados por trazerem “fogo estranho” — algo que o Eterno não havia ordenado (Vayicrá 10:1). Mas Aharon, o kohen gadol, não se revolta, não questiona. Está escrito: “E Aharon calou-se” (Vayicrá 10:3). Esse silêncio é uma declaração de submissão à vontade do Eterno, de aceitação do fato de que a proximidade com Ele exige santidade absoluta. Ele compreendeu o peso do chamado e respondeu com reverência.

Moshê reconhece isso quando diz: “Serei santificado naqueles que se aproximam de Mim, e diante de todo o povo serei glorificado”. Assim, a tragédia torna-se também uma lição: diante da santidade do Eterno, não há espaço para iniciativas próprias. Tudo deve ser feito conforme Suas instruções. Precisamos compreender que não posso fazer as coisas do jeito que eu quero dizendo que para D’us o que vale é o coração, ou que ele não é um D’us de regras, que isso era para o passado. O Eterno não muda, e o que ele estabeleceu e como estabeleceu ainda valem. Veja:


Porque eu, o Eterno, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Yaakov, não foram destruídos. Ml 3:6


A santidade do Eterno em nós, quando vivemos de acordo com seus mandamentos, nos consome, e nos leva a viver cada vez mais conforme sua vontade. Nos faz querer sempre acertar, e quando erramos só pode ser por acidente, pois nossa kavanah sempre será de fazer o certo.


2. O Silêncio nos Profetas: Um Eco de Submissão

Esse padrão não se limita a Aharon podemos perceber ele se repetindo em outras parte do TaNaK, por exemplo em Yechezkel 24:15-17. Neste relato o profeta perde a esposa por determinação do Eterno, e recebe a ordem de não lamentar publicamente. Ele obedece em silêncio, como sinal ao povo. Já em Chavakuk 2:20, lemos:


O Eterno está em Seu santo templo; cale-se diante dEle toda a terra.

Silêncio, aqui, não é ausência de fé, é a mais pura expressão dela. É o reconhecimento de que o Eterno é justo em todos os Seus caminhos, como lemos em Tehilim/Sl 145:17:


Justo é o Eterno em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras.


3. Yeshua: Silêncio que Redime

Nos escritos dos emissários ou apóstolos, o mestre Yeshua também revela esse mesmo padrão ficando em silêncio durante seu julgamento e condenação pelos religiosos hipócritas, cumprindo assim, o que fora dito pelo profeta Yesha’yahu 53:7:


Foi oprimido, mas não abriu a boca...


Quando falsamente acusado, ele não se defendeu. Seu silêncio não era fraqueza, mas confiança firme no Eterno, como ovelha levada ao matadouro, não por covardia, mas por obediência. Ele compreendeu que, mesmo na injustiça humana, o Eterno reina.


4. Os Sábios de Yisrael e a Sabedoria do Silêncio

Os sábios do povo de Yisrael também comentam essa passagem e seu ensino para nossas vidas. O Midrash Rabá sobre Vayicrá 10 revela que Aharon foi recompensado por seu silêncio, pois o Eterno, logo em seguida, dirige-Se diretamente a ele, algo raro e precioso. O Talmud (Eruvin 63a) ensina que Nadav e Avihu erraram ao agir por conta própria diante de Moshê, mostrando que nem mesmo boas intenções justificam a desobediência às instruções divinas.

Rashi, comentando Vayicrá 10:3, observa que o silêncio de Aharon foi aceito como expressão de fé e honra ao Eterno. Esse foi o único momento em que o Eterno se dirige diretamente a Aharon, sem intermediários, indicando uma recompensa por sua submissão e aceitação da vontade divina. E o Midrash Pliah destaca que, mesmo no “oitavo dia”, o dia da plenitude e consagração, Aharon se curva à vontade divina sem murmurar.

O silêncio de Aharon é um exemplo profundo de submissão à vontade do Eterno. Ele nos ensina que, diante da santidade e dos juízos divinos, a resposta apropriada é a reverência e a aceitação. Como está escrito:​


Sede santos, porque Eu sou santo. Vayicrá 11:44


Aharon nos ensina que, diante da santidade do Eterno, a melhor resposta pode ser o silêncio. Não um silêncio vazio, mas cheio de temor, de humildade, de confiança. É um silêncio que reconhece que o Eterno é rei, justo e santo. É o silêncio dos que conhecem o valor da obediência, mesmo quando o coração sangra. Nós, que desejamos nos achegar ao Eterno, devemos refletir: será que estamos nos aproximando com temor? Ou estamos oferecendo “fogo estranho” — ideias, vontades, práticas que Ele não ordenou?

Aharon não questionou, não reclamou. Ele se calou… e esse silêncio ecoa até hoje como um louvor à santidade do Eterno. Quem ama o Eterno, segue os Seus mandamentos. E quem O reverencia, sabe que há momentos em que calar-se é a mais profunda forma de dizer: "אָמֵן - Elohim Melech Neeman/O Eterno é Rei fiel, que significa Amen!" Estamos prontos para nos calar diante do Eterno, como fez Aharon, e confiar que Ele é justo em todos os seus caminhos?


Que o Eterno os abençoe e até o próximo estudo!


Moshê Ben Yosef


sexta-feira, 26 de julho de 2019

Estudo da Parashá Pinchás (Fineias)


Estudos da Torá

Parashá nº 41 – Pinchás (Finéias)
Bamidbar/Números Nm 25:10-29:40,
Haftará (Separação) 1Rs 18:46-19:21; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 23:1-24:53

1 - INTRODUÇÃO
                  
               A porção passada nos mostrou que Bilam, um profeta, foi solicitado a amaldiçoar o povo de Israel, porém o Eterno não permitiu, e todas as vezes que ele ia proferir uma maldição, de sua boca saíam bençãos para o povo de Adonai. E no final, com o propósito de ficar com os presentes que havia recebido, ensinou a Balák a maneira de fazer o povo se afastar das Leis e consequentemente do Eterno, levando-os a uma praga que matara vinte e quatro mil pessoas, conforme lemos em Nm 25:1-9, o que ficou conhecido como a “Doutrina de Balaão”.
               Nessa porção que fala sobre muitos assuntos, iremos focar em um deles, trataremos a respeito de Pinchás (Finéias), o homem cujo nome da título a essa Parashá (porção). Veremos qual sua atitude em relação à transgressão (pecado) do povo e como o Eterno viu tudo isso.

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS
                  
               Quase quarenta anos havia se passado desde que o povo murmurara e havia sido punido pelo Eterno a viverem no deserto até que todos os murmuradores tivessem caído. Próximo estavam agora de entrar na terra, quando se aproximam de Moabe e acontece o que estudamos na porção passada, no caso de Balák e Bilam, que tentaram amaldiçoar o povo. Mas como foi visto, essa estratégia não deu certo, e Bilam ensinou uma forma de fazer o povo cair.
               A tradição oral dos judeus, na “Mishná”, diz que Bilam não desiste por ter perdido a guerra ao tentar amaldiçoar Israel, e diz: “já que Israel não pode ser amaldiçoado de fora, vamos amaldiçoá-lo de dentro.” (Sanhedrim 81b-82b).
               Isso combina com o que está registrado em Nm 31:16-17. Ele fez com que as mulheres de Moab/Midian seduzissem os Israelitas sexualmente, levando-os posteriormente a adorarem à Baal-Peor. De acordo com fontes rabínicas, essa divindade adorada no Monte Peor era cultuada expondo-se as partes do corpo que geralmente ficam tampadas, ou seja, ficavam nus. Era um culto à base de sexo, luxúria, sensualidade, lascívia, mas também à base de muita comida consagrada. Naquela época muitas divindades eram adoradas em montes, por isso o salmista se pergunta, “Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro?” (Sl 121:1) e também o profeta Isaías nos diz que nos últimos dias o Monte Sião, o monte da Casa de D’us será o principal (Is 2:2), pois em muitos montes se adoravam a esses baalins.
               A estratégia de Bilam, uma vez que o povo era guardado por Elohim, foi fazer o povo se contaminar com a idolatria (Nm 25:2), pois ele bem sabia que o Eterno odeia idolatria, a tal ponto de considerar isso um adultério, uma vez que considera Israel sua noiva e esposa, conforme podemos ver em Is 62:5, Jr 2:2 e Os 2:2, e a Torá é sua Ketubá (contrato de casamento) que será totalmente formalizado com a vinda do esposo, conforme Mt 25:6. E por considerar Israel, o povo escolhido, como sua noiva, ele diz que tem ciúmes. Falaremos sobre isso mais adiante nesse estudo.
               A idolatria não é apenas se dobrar diante de um ídolo ou imagem, mas também comer coisas sacrificadas, conforme lemos em Sl 141:4; Pv 23:1; 1Co 10:20-21. Também é idolatria dar ouvidos à vozes que se contrariam às Escrituras, como hoje muitos estão se contaminando com o que alguns dizem em detrimento do que a Palavra de Adonai nos instrui.
               Essa parashá inicia com o Eterno concedendo a benção de Shalom (paz) e sacerdócio a Pinchás, neto de Aharon.

Quem era Pinchás e o que ele fez?
               “Finéias, filho de Eleazar, neto do sacerdote Arão, desviou a minha ira de sobre os israelitas, pois foi zeloso, com o mesmo zelo que tenho por eles, para que em meu zelo eu não os consumisse.”Nm 25:11

Quem era Pinchás?
               Esse é o texto mais comum encontrado em quase todas as Bíblias. E ele diz que Pinchás (Finéias) era filho de Eleazar, neto de Aharon, o sacerdote. E olhando assim parece simples considerar que ele já fosse um dos sacerdotes, pois vemos que o Eterno havia concedido o sacerdócio a Aharon e seus filhos Eleazar e Itamar (Nm 3:3-4). No entanto, a mãe de Pinchás era midianita filha de Yitro (Jetro), conforme lemos em Ex 6:25.
“Eleazar, filho de Arão, tomou para si por mulher uma das filhas de Putiel, e ela lhe deu a Fineias. São estes os chefes de suas famílias, segundo os seus clãs.”
               Putiel era mais uma forma como Jetro era conhecido, assim como Reuel e Hobabe (Ex 2:18; 3:1; 4:18; 18:1,12 e Nm 10:29). O comentário de rodapé da Torá diz o seguinte sobre este homem:
“O sogro de Moisés tinha sete nomes: Reuel, Iéter, Yitró, Chobab, Chéber, Keni e Putiel, mas o seu nome original era Iéter. Depois de se converter ao judaísmo chamou-se Yitró (Jetró). Os outros nomes são qualificativos atribuídos pelas sua qualidades, como por exemplo: Reuel, porque se tornou amigo de Deus; Chobab, porque amou a Torá, etc. … a Torá o chamou de Chobab, filho de Reuel, pois o pai de Jetró chamava-se também Reuel.” (Torá, Editora Sefer; pág. 417)

               O sogro de Moisés fora um sacerdote de Midian quando o conheceu e ele se casou com sua filha mais velha. Agora Eleazar toma outra de suas filhas.
               Então, Pinchás era neto de Arão, um sacerdote, mas também era neto de Jetro, um ex-sacerdote pagão. Então com certeza ele não deveria ser bem aceito no meio do povo, pois não era totalmente israelita. As pessoa poderiam dizer: “Jetro costumava ser um sacerdote de ídolos antes de tornar-se parte do nosso povo.” Ele foi desprezado por causa de sua origem.
               Pinchás também pode ser lido como Pinechás devido sua forma hebraica פִּינְחָס .

O que Pinchás fez?
               “Um israelita trouxe para casa uma mulher midianita, na presença de Moisés e de toda a comunidade de Israel, que choravam à entrada da Tenda do Encontro. Quando Finéias, filho de Eleazar, neto do sacerdote Arão, viu isso, apanhou uma lança, seguiu o israelita até o interior da tenda e atravessou os dois com a lança; atravessou o corpo do israelita e o da mulher. Então cessou a praga contra os israelitas. Mas os que morreram por causa da praga foram vinte e quatro mil.” Nm 25:6-9
               “Finéias, filho de Eleazar, neto do sacerdote Arão, desviou a minha ira de sobre os israelitas, pois foi zeloso, com o mesmo zelo que tenho por eles, para que em meu zelo eu não os consumisse.”Nm 25:11
               Pinchás tinha pegado uma lança e com ela matou um israelita da tribo de Rúbem chamado Zinri, e uma princesa midianita de nome Cozbi, que segundo alguns comentaristas judeus, andaram no meio de todo o povo de mãos dadas e foram para a tenda da congregação para praticarem relação sexual. Ele agiu como um agente de YHWH, com autoridade delegada, obedecendo ao mandamento de 25:4. O Zelo de Pinchás recebeu elogio por parte de Adonai, e lhe rendeu uma recompensa com uma aliança especial entre ele e seus descendentes. Se Pinchás não tivesse feito o que fez, a ira de Adonai teria destruído todos os filhos de Israel. O Ato de Pinchás gerou remissão para o povo.
O zelo de Adonai
               “Finéias, filho de Eleazar, neto do sacerdote Arão, desviou a minha ira de sobre os israelitas, pois foi zeloso, com o mesmo zelo que tenho por eles, para que em meu zelo eu não os consumisse.”Nm 25:11
               Pinchás agiu com zelo, o mesmo zelo que o Eterno tem pelos filhos de Israel. O termo que foi traduzido para zelo em nossas Bíblias, originalmente em hebraico vem da raiz “qaná” significa “ciumento”. A palavra no texto em estudo é “beqaneo” uma variação de “qaná”. Talvez você se pergunte: Mas ciúmes é um sentimento humano, como D’us pode ter ciúmes? Leia os seguintes textos: Ex 20:1-5; Dt 32:15-16, 21; Zc 8:2; Sl 78:58; Jo 2:17; 2Co 11:2; Rm 10:2; Gl 1:14 e Tg 4:5 entre outros.
               O Eterno se utiliza desse termo para que possamos entender, caso contrário não poderíamos entender, como Ele quer que sejamos fiéis. E Pinchás agiu com o ciúmes de D’us, não foi com o dele próprio. Se ele agisse com o zelo/ciúmes dele não teria expiado o pecado, pois somos falhos.
               Pense no que você faria no lugar de Pinchás? Se afastaria daquela congregação perversa e pecadora? Formaria um novo povo só com pessoas santas? Qual seria a sua reação?
               Devemos ser contaminados com o zelo/ciúmes de D’us e não com o nosso. Precisamos gerar uma geração de Finéias, que se preocupa com o zelo de D’us (Rm 12)


Bibliografia:

- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.
- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/
- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/
- http://shemaysrael.com/parasha-pinehas/
- http://www.yeshuachai.org/forums/topic/%D7%A4%D7%A0%D7%97%D7%A1-pinchas-numero2510-301-29-40/
- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/41-_pinchas.pdf
- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/921292/jewish/Dus-Recompensa-Pinechas.htm

sábado, 30 de março de 2019

Estudo da Parashá Tsav (ordena)


Estudos da Torá

Parashá nº 25 – Tsav (Ordena!)
Vayicrá/Levítico Lv 6:8-8:36,
Haftará (Separação) Jr 7:21-8:3, 9:23-24, e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mc 13:1-37

1 - INTRODUÇÃO
                  
               A parashá da semana Vayicrá, que estudamos na última semana, nos mostrou cinco grupos de corbanot (ofertas), que são:
- Olá - Holocausto/ascenção (queimadas) – Lv 1:1-17;
- Minhchá - Manjares (alimento) – Lv 2:1-16;
- Shlamim - Pacífica (paz, comunhão) – Lv 3:1-17;
- Chatat - Pelo Pecado (involuntário) – Lv 4:1-5:13;e
- Asham - Pela Culpa (voluntário) – Lv 5:15-6.7.
                   Na parashá desta semana a Torá aborda o tema das leis pelos sacrifícios pelas diversas modalidades de pecados, e começa pelos cohanim (sacerdotes).

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               Esta porção semanal, Tsav (ordena), inicia com as palavras: “Ordene a Aharon (Arão) e seus filhos” (Vayicrá/Levítico 6:2), pois os mandamentos desta parashá são especificamente endereçados aos cohanim (sacerdotes).
               “Dá ordem a Aharon e a seus filhos, dizendo: Esta é a lei do holocausto; o holocausto será queimado sobre o altar toda a noite até pela manhã, e o fogo do altar arderá nele” (Lv 6:9).
               O Eterno fala sobre a ordem que deveria ser dada a Aharon (Arão) e seus filhos. A palavra “ordem” em hebraico é “tsawa” significando “ordenar, incumbir”. Isso nos mostra que essa seria a incumbência deles acerca do holocausto, ou seja, Aharon e seus filhos deveriam ter tal prática diária e deveriam cumpri-la de forma obrigatória. Não era opcional!
               Tsav (ordena) indica a urgência e a importância do assunto sobre o corban (oferta) olá (holocausto). Rashi cita o Midrash (ensino), enfatizando que a palavra “TSAV” denota urgência na ação no presente e no futuro. Qual a razão a mitsvá (mandamento) requer linguagem tão forte para assegurar seu cumprimento pelas futuras gerações, enquanto tal ênfase não é utilizada para a maioria das mitsvot (mandamentos) da Torá?
               Observe mais uma vez o que diz Rashi: “a Torá usa a palavra “tsav” quando uma perda monetária está envolvida no cumprimento da mitsvá. Em nosso caso, é uma obrigação financeira para a nação judaica oferecer o corban (oferta) duas vezes ao dia. Portanto, a Torá usa a palavra “tsav” para cobrar-nos fortemente o cumprimento desta mitsvá, apesar da perda monetária. Mas será o prejuízo financeiro realmente tão grande? Afinal, toda a nação judaica compartilha da obrigação de trazer as oferendas diárias. Não existem outras mitsvot que resultem em uma perda financeira ainda maior?
               Um outro conhecido Rabino chamado Shimon Schwab traz uma análise esclarecedora do relacionamento da nação judaica com os corbanot. Há dois aspectos relativos aos sacrifícios: o primeiro é o animal físico que está sendo oferecido a D’us, enquanto que o segundo é a intenção da pessoa que traz o corban.
               Os dois aspectos não possuem valor igual. Aos olhos de D’us, o aspecto fundamental de um sacrifício é a cavanáh (intenção, o motivo, e a atitude) da pessoa que o oferece; o componente físico é de importância secundária. Através da história tem sido um desafio para o homem combinar adequadamente estes dois aspectos.
               É por esse motivo, ou seja, pela falta desse equilíbrio entre os dois aspectos, que o escritor da epístola aos Hebreus nos diz: “A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a realidade dos mesmos. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar.” (Hb 10.1) Perceba como ele usa os termos “aproximar” junto de “adorar”, pois o corban tinha esse objetivo, como já foi falado. E ele diz também que a Lei traz apenas a sombra dos benefícios, ou seja, se toda a descrição feita no Sefer Vayicrá (Livro de Levítico) é sombra de algo real, que é o sacrifício de Mashiach, então podemos entender que os benefícios viriam nele. E é por isso também que no decorrer do texto desse capítulo de Hebreus poderemos ler que o sacrifício de Yeshua é superior, pois é a realidade daquilo que era apenas sombra. Para cada sacrifício mencionado nessa porção podemos ver o Messias claramente, basta apenas ler nas entrelinhas do texto, repare nas minúcias.
               Note que muito se fala também sobre fogo, pois deveria haver fogo sobre o altar. Os rabinos não concordam relativamente à quantidade de fogos que havia no altar. Falam-se de dois a quatro fogos diferentes. Um deles mantinha-se aceso todo o tempo, como lemos no trecho que se segue, dos versículos 12 e 13. “O fogo que está sobre o altar arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele cada manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto e sobre ele queimará a gordura das ofertas pacíficas. O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.”
               A Torá enfatiza três vezes a importância de não deixar que o fogo se apague sobre o altar. Um fogo necessita de três ingredientes para poder existir: combustível, oxigénio e calor. Se falta algum destes três, o fogo não arde.
               O fogo que estava no altar do tabernáculo tinha descido desde o céu e aos sacerdotes é incumbida a tarefa de manter vivo esse fogo constantemente. O calor mantinha-se nas chamas, e o oxigênio vinha do ar natural, como tal, só era necessário acrescentar a “lenha”.
               Isto ensina-nos sobre a importância de manter o fogo celestial aceso sobre o altar espiritual que cada um de nós tem no seu interior. Cada manhã há que colocar mais lenha sobre o fogo. Que lenha? A lenha é o produto da vida e a morte de uma árvore. Está escrito que a Torá é uma árvore de vida, cf. Provérbios 3:18.
               Também o Messias compara-se a si mesmo com uma árvore, cf. Lucas 23:31; João 15:1. Logo, o combustível que alimenta o fogo do nosso coração é a Torá e o Messias, e estes dois têm uma mesma função, já que a Torá é a instrução dada pela boca do Eterno, e o Messias é o verbo do Eterno, isto é, o Messias é aquele através do qual o Eterno nos fala.
               A vida e a morte do Messias proporcionaram lenha suficiente para que possamos arder eternamente diante do Eterno. Cada manhã há que colocar mais lenha no nosso coração para arder continuamente diante dEle. A lenha é acrescentada através da oração e do estudo da Palavra que cada crente leva a cabo diariamente.

3 – RESUMO

               A Parashá Tsav começa com D'us continuando a ensinar Moshê muitas das várias leis relativas ao serviço no Mishcan, Santuário. Entretanto, enquanto a Porção da semana passada descreveu os corbanot, sacrifícios, da perspectiva do doador, nesta semana a Torá concentra-se mais diretamente nos Cohanim, fornecendo mais detalhes sobre seu serviço.
Após descrever primeiro a manutenção do fogo que ardia sobre o altar, a Torá discute em detalhes os vários tipos de corbanot que Aharon, seus filhos e as gerações seguintes de Cohanim estariam oferecendo. As oferendas deveriam ser trazidas com as intenções apropriadas, e comidas em um estado de pureza espiritual.
Finalmente, Moshê realiza os prolongados melu'im, serviço de consagração do Mishcan , e Moshê unge e introduz Aharon e seus filhos para o serviço deles no Mishcan, em frente de toda a congregação de Israel.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.