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sábado, 26 de outubro de 2019

Estudo da Parashá Vezot HáB’rachá (E esta é a benção)


Estudos da Torá

Parashá nº 54 – Vezot HáB’rachá (E esta é a benção)
Devarim/Deuteronômio Dt 33:1-34:12
Haftará (Separação) Js 1:1-18; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Rm 7:21-25.


1 - INTRODUÇÃO
                  
               Esta foi a última porção da Torá que estudamos no ciclo 2018-2019, a “Vezot Haberachá”, que é lida na festa de “Simchat Torá (Alegria da Torá), e ela descreve as últimas palavras de Moshê ao povo de Israel. Depois de elogiar a nação por acolher a Torá, conforme afirma o site Chabad.org, Moshê concede bênçãos específicas e proféticas para cada uma das tribos, de acordo com suas responsabilidades nacionais e grandeza individual, e então abençoa a nação como um todo.
               Vejamos o que esta última porção nos ensina e o que poderemos à partir daí passar a praticar em nossas vidas.

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               Lemos no comentário da Torá, que após o cântico de “Adeus” da parashá anterior, Moshê, antes de se separar do seu povo amado, abençoou-o, como o fez o patriarca Yaacov (Jacó), fundador das tribos de Israel (Gn 49:29). Ele convocou toda a congregação e abençoou a cada tribo em separado, destacando o papel que haveriam de desempenhar ao longo dos tempos.
               Lemos mais, que essas maravilhosas palavras de despedida de Moshê são a mais significativa expressão do otimismo e da fé que define o segredo da existência e continuidade do povo de Israel. Esse homem escolhido por Adonai, estava fortalecido pela couraça de uma fé poderosa e inquebrantável, que lhe deu coragem para defrontar-se com o desastre e a morte, e mesmo assim, contemplar a Onipresença Divina. Sua alma estava impregnada, segundo esse comentário, de coragem e otimismo, porque sabia que o único refúgio da nossa vida é o Eterno. Esta foi a fé que o moveu a abençoar seu povo nas últimas horas de sua vida, e a falar-lhe cheio de confiança e fé a respeito do futuro.
               Com toda certeza a confiança que Moshê tinha em Elohim era tão grande, que esse era o motivo de sua esperança. Devemos aprender essa lição com Moshê, mesmo em momentos de dor, nada pode abalar nossa confiança no eterno. Ainda que tudo ao redor esteja direcionando para tristeza, encontre em Adonai a força para visualizar o cumprimento das promessas, pois foi isso que ele fez. Veja o que lemos em Salmos 23: “YHVH ROY LO ECHESAR” Adonai é meu pastor e não me faltará...” Quando lemos todo o salmo, podemos perceber do que está sendo falado, não fala de coisas materiais, mas fala da confiança no Eterno, mesmo que o material falte, o Eterno não faltará. Esse é o entendimento que Moshê tinha.
               O versículo 1 desse capítulo 33 de Dev/Det nos diz o seguinte: “Esta é a bênção com o qual Moisés, homem de Elohim, abençoou os israelitas antes da sua morte.”
               É muito bonito quando uma pessoa pode terminar os seus dias abençoando no lugar de amaldiçoar. Verdadeiros servos de Adonai vivem assim, como vemos com Moisés, mas também com o próprio Yeshua, que foi o profeta que o Eterno levantou como Moshê (Deut 18:15, 18), também ele terminou os seus últimos momentos na terra a abençoar os seus discípulos, como podemos ler em Lc 24:50-51:

“Tendo-os levado até as proximidades de Betânia, Jesus levantou as mãos e os abençoou. Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi elevado ao céu.”

               Vejamos o verso 2: “E disse: Adonai chegou do Sinai; de Seir ele raiou sobre seu povo, brilhou desde o monte Paran; e com ele estavam miríades de santos; escrita com sua mão direita, deu-lhes a Lei do meio do fogo.”
               De acordo com o site Emunah a fé dos santos, o talmud diz que isto ensina-nos que o Santo, Bendito seja ele, ofereceu a Torá a todas as nações e línguas, mas não a aceitaram até que chegou a Israel que a recebeu.
              A Tora foi dada como fogo, ou do meio do fogo. E isso representa para nós que, é muito importante manter o fogo da Torá do Eterno nos nossos corações para que a nossa prática, o caminhar em obediência, não se converta em algo pesado, aborrecido ou seco, conforme lemos em Lc 24:32. Quando a Torá está no coração, é um fogo interior que nos mantém inspirados no nosso amor pelo eterno. Em Rm 12:11 podemos ler: “ No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor.”
               Outra coisa que podemos notar neste verso 2, é que a Torá foi entregue por Deus a Seu povo sem intermediários. Isso porque a expressão “Sua mão direita” reflete a proximidade ímpar de Deus com o povo de Israel e indica também a força e a segurança que Israel recebeu juntamente com a Torá revelada por Deus. Vemos isso no comentário da Torá.
               Sabemos assim, com certeza dita pela própria Torá, que o Eterno a deu diretamente ao povo, e Moshê que fazia parte do povo, foi quem a recebeu e levou ao povo. Devemos com isso, entender que ela é a vontade de Deus para aqueles que se propõe a servi-lo.
              
Um olhar retrospectivo
               Quero passar a seguir um trecho do estudo dessa porção extraído do site Chabad.org, pois achei muito apropriado, para nós nesse momento.
               O texto diz que, ao chegar ao final do livro de Devarim, é hora de olharmos em retrospecto e refletir sobre o que estamos a ponto de completar. Segundo esse estudo, os rabinos referem-se a este livro como Mishnê Torá, conforme mencionamos em alguns estudos anteriores, isso é, uma explicação e revisão da Torá, pois Devarim inclui muitas mitsvot que já foram ensinadas anteriormente em outros livros da Torá. Poderíamos pensar: por que foi necessário revisar tantas coisas muitas e muitas vezes?
               Afirma-se que Rabi Samson Raphael Hirsch explica que a narrativa em Devarim ocorreu ao final da permanência de quarenta anos do povo judeu no deserto. Eles haviam testemunhado muitos milagres às claras enquanto D’us lhes fornecia tudo o era necessário: jamais tiveram de trabalhar a terra para produzir alimentos; D’us fornecia o maná diariamente. O poço de Miriam jorrava água o tempo todo, e as Nuvens de Glória os protegiam deia e noite. Às margens do Rio Jordão, o povo judeu esperava para entrar na terra de Israel onde não receberiam mais milagres tão óbvios. Não haveria mais o maná, sendo assim, teriam que plantar, arar, colher e cultivar a terra para sustentar-se. O poço e as nuvens também se foram, a vida agora seria governada pela realidade.
               Com tudo o que foi dito acima, devemos entender que esse é o momento de repensar e recapitular tudo o que aprendemos nesse ciclo que se acabou. Quantos ensinamentos para nossas vidas extraímos da Torá durante esse ano de estudos. Porém agora é o momento de parar e rever tudo, assim como Moshê fez com o povo de Israel, possa também cada um de nós fazer. Extrair dos ensinamentos teóricos a prática e viver o que aprendemos. Assim, como naquele momento, o povo de Israel iria colocar em prática todo o aprendizado no deserto, ao entrar em Canaã, pois não teriam agora a presença divina e os milagres da mesma forma. Nós também somos levados a exercer nosso aprendizado no nosso viver diário. Obedecendo e levando o ensinamento da Torá para outros.
               Como podemos ver no verso 4, a Torá é uma herança para a congregação de Israel, e quando um gentio se converte ao Elohim de Israel através de Yeshua HaMashiach, adentra a esse povo conforme já dissemos outras vezes, e por isso, também recebe por herança a Torá, como lemos em Atos 26:17b-18:

“gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.”
              
               E em Gálatas 3:29 está escrito: “e se sois do Messias, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.”
               Dessa forma, concluindo, que possamos adentrar nesse novo tempo em nossas vidas confiantes no poder do Eterno, mas obedecendo e praticando a sua vontade para nossas vidas, que é a Torá, como verdadeiros herdeiros da promessa.

Bibliografia:

- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.
- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/
- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/54-_vezot_haberach_esta__a_beno.pdf
- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/822876/jewish/Mensagem-da-Parash.htm
- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/822843/jewish/Resumo-da-Parash.htm

sábado, 20 de julho de 2019

Estudo da Parashá Balák (Balaque)


Estudos da Torá

Parashá nº 40 – Balák (Balaque)
Bamidbar/Números Nm 22:2-25:9,
Haftará (Separação) Mq 5:6-6:8; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 22:1-71


1 - INTRODUÇÃO

A parashá (porção) dessa semana interrompe o relato da caminhada dos filhos Israel no deserto para falar de dois homens que não eram israelitas, mas os seus motivos e atitudes contra o povo de D’us nos servem de instrução. A Torá nos conta a história de Balák(Balaque) e Bilam (Balaão) em sua tentativa de amaldiçoar os filhos de Israel e a relação que tudo isso tem com a vida daqueles que servem a Adonai.

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS

Tendo lido o texto de Bamidbar/Números 22:2-21, encontramos a menção do nome de quatro povos e dois homens, sendo Israel, os Amorreus, os Moabitas e os Midianitas, e também Balák e Bilam.

Com isso, cabe-nos fazer uma pergunta: Quem eram os Amorreus, os Moabitas e os Midianitas?

Os Amorreus eram descendentes de Canaã que era filho de Cam, filho de Noé (Gn 10:1, 6, 15 e 16).

Já os Moabitas são descendentes de Ló por meio da relação incestuosa com sua filha mais velha (Gn 19:36-37).

E o outro povo era os Midianitas, descendente de Midiã que era filho de Avrahan(Abraão) e Quetura (alguns historiadores e rabinos dizem que é a mesma Hagár, também mãe de Ismael – Gn 25:2; 37:28,36), e muitas vezes os nomes são mesclados entre ismaelitas e midianitas.

Balák era filho de Tsipor (Zipor), de descendência midianita.

Bilam era filho de Beor, da cidade de Petor próximo do rio Eufrates, que era próximo de Haran, de onde veio Avrahan, podendo ser descendente de Labão, sogro de Yacov (Jacó).

Entendendo o contexto e o Motivo de Balák

A porção passada termina com a vitória dos exércitos de Israel contra duas grandes nações, Seom rei dos amorreus e Ogue rei de Basã.

Ocorre que Moabe era vizinha dessas grandes nações, e quando os moabitas ouviram sobre a derrota daqueles dois reis decidiram juntar forças com uma outra nação que era seu inimigo de longa data, os midianitas. Seu intuito era unir forças contra um inimigo comum, os filhos de Israel. Com isso levantaram um novo rei, que representasse essa coalizão, seu nome era Tzur, que ao ser consagrado como rei recebeu o nome de Balák, que significa “devastador”. Ele não era de linhagem real, apenas um nobre, um conhecido herói de guerra, além de ser um feiticeiro conhecido entre seu povo.

No lugar de se preparar militarmente contra Israel, ele e seu conselho de anciãos, entendendo que D’us era com o povo de Israel, decidem contratar um outro “feiticeiro ou profeta” muito conhecido pelos povos ao redor e ainda mais poderoso, chamado Bilam (Balaão). Tenha em mente que na época os termos vidente, feiticeiro e profeta tinha uma mesma conotação.

O verdadeiro motivo por trás de tudo era o antissemitismo, ou seja, o desejo de destruir o povo de Israel, mas Balák queria fazer isso primeiro no plano espiritual, pois entendia que se quebrasse a barreira espiritual poderia investir contra o povo. Era comum naquela época e região as pessoas crerem nos poderes de palavras de bençãos e maldições. Quem sabe, aquele rei pensou que se combinasse seus poderes com o de Bilam, poderiam vencer Israel, pois se houvesse uma interferência no mundo espiritual, no mundo físico a sua vitória se manifestaria e não teria como ser derrotados pelos israelitas.

Nesta situação, o que podemos inferir e contextualizar para nossas vidas é que, em muitos momentos o inimigo planeja te destruir por meios espirituais, mas ele sabe que você é guardado pelo Eterno.

A fama de Bilam o precedia

Não foi sem motivos que Balák e os anciãos decidiram chamar Bilam, pois ele era considerado um dos maiores inimigos de Israel. Seu nome significa “destruidor de povos”, e devido à sua reputação deveria ser muito requisitado. Podemos perceber que era verdadeira a informação da fama de Bilam, quando olhamos para o verso 6, pois nos apontada: “...pois sei que, a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado.”

A benção e a maldição são opostas. Benção vem do termo hebraico “barak”, que significa “dar poder a alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo em tido o que fizer.”, vemos isso em Dt 28. Opostamente, o termo “arar” em hebraico é amaldiçoar, e significa “prender por encantamento, cercar com obstáculos, deixar sem forças para resistir.” Dessa forma, podemos entender que uma pessoa que seja abençoada pelo Eterno é difícil que seja amaldiçoada, pois a benção funciona como um escudo de proteção contra as forças do mal. No entanto, uma pessoa pode ser alcançada pela maldição se houver desobediência, porque a benção é consequência da obediência, assim como a maldição o é da desobediência. Ou seja, a benção pode operar em algumas áreas da vida, mas a maldição pode operar em outras áreas onde a Torá não tem sido respeitada.

O Eterno usa o profeta para nos instruir que devemos lembrar o que se passou com Balak e Bilam. Porque esse acontecimento é uma das coisas mais importantes na história do nosso de Israel, como está em Miqueias 6:5:

Povo meu, agora do que consultou Balaque, rei de Moabe, e o que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, e do que aconteceu desde Sitim até Gilgal, para que conheças a justiça do Eterno.”

Bilam o Profeta ou Feiticeiro?

No site “emunah a fé dos santos”, na parashá referente a esta em estudo, encontramos o seguinte: O nome hebraico Balãao (Bilam), escreve-se com as letras: bet; lamed; ayin e mem. Como o texto original não tem vogais, é possível ler o seu nome também como “bliam” que significa “sem povo”.” Ele não fazia parte do povo de Israel, poderia ter se unido a eles assim como Jetro, mas não o fez, e vivia como um profeta solitário.

Alguns dizem que o fato de Bilam receber ofertas ou pagamentos pelas profecias foi o motivo de sua queda, mas não podemos considerar o assunto dessa forma. Isso porque era comum na época, que os profetas recebessem ao serem consultados pelas pessoas. Leia o texto de 1Sam 9:6-8:

O servo, contudo, respondeu: "Nesta cidade mora um homem de Deus que é muito respeitado. Tudo o que ele diz acontece. Vamos falar com ele. Talvez ele nos aponte o caminho a seguir". Saul disse a seu servo: "Se formos, o que poderemos lhe dar? A comida de nossas sacos de viagem acabou. Não temos nenhum presente para levar ao homem de Deus. O que temos para oferecer? " O servo lhe respondeu: "Tenho três gramas de prata. Darei isto ao homem de Deus para que ele nos aponte o caminho a seguir."”

Se seguirmos pela análise acima, o profeta Samuel mencionado nesses versos também era mercenário. Contudo, olhando para o texto da porção em estudo, no capítulo 22, não encontramos nada que denigra a imagem dele como profeta, ou que diga que ele é um falso profeta. Até então, estávamos vendo o que Balák queria que ele fizesse, pois sabemos qual era a intenção dele.

Pelo texto bíblico, a respeito de Bilam, inicialmente, podemos inferir que ele era um profeta de Adonai. Podemos entender que ele conhecia o D’us de Avrahan, devido seus pais terem tido contato com Yaácov (Jacó), e portanto possa ter ouvido falar de seu D’us. Podemos entender que o YHWH possa tê-lo dotado com um dom natural para receber e transmitir palavras de profecia. E podemos também considerar, que o Eterno o tenha se revelado a ele, pela forma como Bilam se refere à Adonai, chamando-o pelo tetragrama, o nome de D’us, como lemos no verso 13. Não há motivos para considerar Bilam santo, ou honrado diante de D’us, ou mesmo que sua lealdade ao D’us de Israel era real. Mas precisamos aceitar, de acordo com o texto em estudo, que Bilam foi um gentio “profeta” usado pelo Eterno. Que ouviu diretamente de Adonai, o Senhor do Universo. Ele não foi a favor de Moabe e Midiã, e nem foi contra Israel, ele foi, na verdade, moralmente neutro. O problema é que para o Eterno não existe tal coisa, não existe “em cima do muro”. É ilusão achar que para D’us uma pessoa é neutra, pois ou ela é a favor ou é contra, não há meio termo.

Porém, no decorrer do texto podemos perceber que ele não usa o dom que recebeu para o bem comum, mas para seu benefício próprio, pois a ganância o corrompe. E com isso as Escrituras nos mostram que, o que o fez se tornar falso profeta, foi quando ele ensina a Balák a forma de destruir Israel (Nm 25:1-9; 31:16; 2Pe 2:15; Jd 11 e Ap 2:14), o que ficou conhecido como “Doutrina de Balaão”.

Bilam era um profeta, mas virou mercenário devido o amor que tinha pelas riquezas e pelo reconhecimento, a fama. Vemos Yeshua falando sobre os lobos devoradores em Jo 10.

Os rabinos de Israel afirmam que ele podia ter chegado a ser, para os gentios, o que Moisés era para os Israelitas. Ele poderia ter sido um dos personagens mais influentes no mundo gentio, devido ao dom de profecia que tinha. Mas talvez nos perguntemos, porque D’us dera-lhe o dom da “nevu’ah” - profecia? Ou porque ele tinha acesso ao D’us de Israel? Os sábios judeus afirmam que talvez, o Eterno o tenha permitido se tornar um profeta para que as nações, os gentios, não pudessem dizer que, “se D’us tivesse nos dado um profeta tão grande como Moisés, teríamos também servido a Adonai”. E com isso podemos notar o plano do Senhor através da história e das nações, de trazê-las para perto de Israel, de unir os povos em torno de sua Torá.

No entanto, sua sede de fama, honra e bens o derrubaram levando-o à ruína.

Bilam é citado nos manuscritos do Mar Morto como sendo o “homem que recebe o dom de D’us para orar e ser atendido, mas buscou seus próprios interesses, sendo tomado por Satanás” (4Q175-339).

Apesar de conhecer ao Eterno, ele tinha conceitos distorcidos, achando que poderia levar palavras malditas contra o povo, pois acreditava que D’us estava além de coisas materiais. Dessa mesma forma, muitos hoje em dia estão trilhando esse caminho, ensinando que o Eterno não se envolve em coisas materiais, que não importa o que você come, que dia você guarda, que festas você celebra, que só importa o espiritual. É por essas coisas que entram doutrinas falsas no meio do povo, como lemos em Atos 20:17-38 e 2Pe 2:1-4, doutrina de Balaão, que está aí até hoje para afastar o povo de Deus, de Israel e gerar destruição por meio de iniquidade (do grego anomia – falta de lei, de obediência).

Bilam é mencionado em outros textos nas Escrituras Sagradas, como: Dt 23:5-6; Js 13:22; 24:9-10 e Ne 13:2.

As palavras da terceira profecia de Bilam (Nm 24:5) são mencionadas diariamente nos lares dos judeus e nas sinagogas durante a oração do “Ma Tovu”. Esta é uma oração recitada quando entram da sinagoga, e é derivada da Nm 24:5; Sl 5:8; 26:8; 95:6 e 69:14. Em relação ao primeiro verso recitado na oração, os sábios interpretam as “tendas de Yaakov” como sendo tendas de aprendizado e oração. Em um sentido mais profundo, uma casa atinge o mais alto nível quando se torna um local de estudo da Palavra e oração, tal qual ocorre na sinagoga. Veja abaixo uma parte dessa oração:

Ma tovu ohalecha, Ya’akov, mishkenotecha, Yisrael Va’ani, berov chasdecha avo veitecha. Eshtachaveh el heichal kodshecha b’yiratecha.”

Quão amáveis são as suas tendas, Ó Ya’akov, e os seus tabernáculos, Ó Israel. Quanto a mim, através de sua abundante compaixão entrarei em Tua Casa.

Bibliografia:

- Torá - Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.
- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/
- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/
- http://shemaysrael.com/parasha-balaq/
- http://www.yeshuachai.org/forums/topic/%D7%91%D7%9C%D7%A7-balak-parasha-numeros-222-a-2509/
- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/921247/jewish/Os-Moabitas-Escolhem-Balac-como-Lder.htm

quarta-feira, 26 de março de 2014

A ORAÇÃO DE JABEZ

Encontrei este interessante texto sobre uma mensagem que já preguei na igreja há alguns anos, que Deus possa lhe tocar através dela.



“Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe chamou-lhe Jabez, dizendo: Porque com dores o dei à luz. Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido” (1ª Cr 4.9-10).
Quase ninguém gosta de ler o livro de Crônicas. É um livro onde conta as genealogias e descendência do povo de Deus. Mas dentro desta genealogia Deus deixou registrado e incrusta esta pérola na Bíblia que é a oração de Jabez., que na minha concepção é a mais bela oração. Uma oração que serve para todos nós fazer.
A Bíblia não fala mais sobre a vida de Jabez apenas estes dois versículos. Existe outro nome, mas é de uma cidade em Judá aparentemente próxima a Belém. Jabez Gileade.
A Bíblia só fala da vida de Jabez somente nestes versículos.
I. O SIGNIFICADO DO NOME
Jabes no hebraico Ya‘bets procedente de uma raiz não utilizada e significando “afligir”, “pesar”, “com dores dei a luz”; “aquele que causa dor”.

II. POR QUE ESTE NOME
A Bíblia diz que a mãe sofreu muito para dar a luz a este menino. Talvez nasceu contrária a natureza física e por isso ela deu este nome.

III. JABEZ UM NOME NEGATIVO
1. Jabes tinha um nome carregado de negativismo e pessimismo.
2. Um menino que nasceu sobre o estigma da dor do sofrimento.
3. Um menino que nasceu fadado ao fracasso, destinado ao insucesso.
4. Jabez era um jovem que não tinha esperança, um jovem discriminado, um jovem que não tinha mais saída e perspectiva de vida.
6. Jabes poderia se conformar com todos os tipos de sofrimentos.
7. Jabes poderia dizer: Eu não vou ser ninguém na tribo de Judá.
* Hoje existem muitas pessoas que estão como Jabes; fracassados, derrotados, tristes e amaldiçoados.
8. Jabez tinha outros irmãos. A Bíblia diz que ele era o mais ilustre do que todos os seus irmãos (v. 4).
IV. QUAL A ATITUDE QUE JABEZ TOMOU
Jabez tinha tudo para ser um fracassado um derrotado, a própria mãe colocou um nome negativo “com dores dei a luz”.
Mas um dia aquele menino cresceu e já era jovem. Mas ele não se conformou com aquela situação de dor pelo nome que carregava.
Para Jabez não tinha mais saída. Mas o que fez Jabez:

1. Invocou o Deus de Israel.
Invocar no hb. ‘qara’, que significa: [chamar, clamar, recitar, ler, gritar, proclamar].
Quando o homem se volta para Deus e invoca [chama] pelo Seu nome, situações turbulentas da nossa vida começa a mudar.
V. A ORAÇÃO DE JABEZ CONTÉM QUATRO PEDIDOS
1. Peço que me abençoe. Abençoar no hb. [barak].
Talvez o diabo já tenha te dito: “Acabou tudo para você”.
Eu quero te dizer que ele é o pai da mentira. Jesus diz: que o ladrão vem senão para roubar matar e destruir, mas eu vim para que tenham vida e vida com abundância (Jo 10.10).
A tua benção Jesus já conquistou lá na Cruz do Calvário.
Com a morte de Jesus, Ele nos deu: salvação, perdão, cura física, emocional, benção na família, no cônjuge, e vida eterna.
No evangelho de Jesus segundo João diz: “Quem crê em minha ainda que estejas morto viverá”.
A Bíblia relata mais de oito mil benção para Seu povo.
A benção esta na mão de Deus e Ele não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente!
Hoje existem muitas pessoas correndo atrás das bênçãos, mas a Bíblia diz as do Senhor nos seguiram. Basta sermos fiel e cumprir a Sua Palavra.
Precisamos estar na presenaça de Deus e somente a Ele:
“Que o Senhor me abençoe”.

Eu sei de igrejas que fazem como Balaão, estão vendendo benção. Fizeram Deus de um comerciante. Toma lá da cá. Tudo gira em torno do dinheiro. Como se Deus fosse um negociante.
Tem movimento vendendo óleo de Israel, terra de Jerusalém, água do Jordão, etc.
Jabez não negociou com Deus, apenas chegou diante de Deus e pediu: Eu quero que o Senhor me abençoe.

2. Que alargues as minhas fronteiras.
No hb. [rabah]. (Piel) alargar, aumentar, tornar-se muitos - (referindo-se a pessoas, animais, objetos).
Amplie minhas fronteiras.
Precisamos crescer em tudo:
Na igreja, no ministério, na família, na sociedade.
Jabez era um homem de visão. Amplie meus territórios Senhor.
Procure crescer, não se acomode.
Só quem cresce que trabalha:

Isaías 54.2 diz: “Alarga o espaço da tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas”.

1. Amplia, estenda, alargues e firma bem as tuas estacas.
Existem muitos ventos contrários que muitas vezes batem em nossa tenda, mas se não firmarmos bem as estacas da nossa tenda ela vai cair.
Onde eu posso firmar minhas estacas:
Na oração, na Palavra e no principal fundamento que é Cristo.

2. Que tua mão seja comigo.
A mão Deus é nossa proteção.
“O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente” (Sl 91.1).
Debaixo da mão de Deus é estar na dependência de Deus, na provisão de Deus, na benção de Deus. É estar guardado pelo todo poderoso.
Quando estamos debaixo da mão de Deus temos visão, projeto, sabedoria, graça.
O segredo do crescimento é estar debaixo da mão do El-Schadai.
Veja o pedido ousado de Moisés para o Senhor Deus: “A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar” (Êxodo 33.14-15).
Jamais chegaremos lugar algum sem a presença de Deus. No deserto a nuvem era a presença de Deus durante o dia e a noite como fogo.
Hoje o Espírito Santo é a presença real de Deus na vida do crente.

3. E me preserves do mal.
Quando Jabez viu Deus lhe abençoando, as suas fronteiras estavam aumentando e mão de Deus estava sobre ele, então Jabez compreendeu que o inimigo iria começar atacar. Por isso ele fez este último pedido dizendo: “e me preserves do mal”.
Quando Deus começa a te abençoar e alargar as tuas fronteiraras, o diabo fica feroz porque ele não gosta de perder terreno. Por isso ele envia os vendavais para derrubar a tua tenda.
Por isso Jesus na oração do Pai nosso Jesus diz: Me guarde do mal, ou seja, me preserve do mal; livra me da tentação, do mal, do pecado.
Jamais iremos receber as as bençãso do Senhor Deus num estilo ou a conjuctura religiosa, mas o caminho para recebermos as bençãos do Pai celeste depende de inteiramente de nossa intimidade através da santificação, fidelidade, oração persistente e como estamos louvando e adorando Seu nome. Através da oração temos livre acesso ao Pai. Por isso o verdo 10 diz: “E Deus lhe concedeu o que tinha pedido” (v. 10) e ele se tronou “…o mais ilustre do que todos os seus irmãos” (v. 4).
Pr. Elias Ribas
Igreja Ev. Assembléia de Deus
Blumenau - SC

Extraído do Blog: http://pastoreliasribas.blogspot.com.br/2009/07/oracao-de-jabez_7110.html