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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Que há de Errado com o Apelo na Pregação?

 Gostei muito deste texto e resolvi compartilhá-lo aqui no Blog.

 

Extraído de http://discernimentocristao.wordpress.com/2012/02/26/o-que-ha-de-errado-com-o-apelo-na-pregacao/



 
 
 
“A simples aceitação de um ensinamento verdadeiro sobre a pessoa de Cristo, sem o coração ter sido ganho por Ele, e a vida ter sido devotada a Ele, é apenas mais outra etapa deste caminho “que ao homem parece direito”, mas cujo fim “são caminhos da morte”.  A.W. Pink
Ao contrário do que a maioria de nós crentes imagina, o apelo feito no final do culto para que o perdido entregue sua vida à Cristo, é uma prática relativamente nova, portanto completamente desconhecida dos apóstolos. Durante seus primeiros 1.800 anos, o cristianismo se desenvolveu sem a famosa ajuda do apelo, “Quem quiser aceitar Jesus, levante sua mão”. Há propósito, alguém já encontrou o termo, “Aceite a Cristo” no novo testamento?
 “Foram os Metodistas e os Evangelistas reavivalistas do século XVIII que deram luz a esta novidade no cristianismo que se chama de “apelo”. Esta prática de convidar pessoas que desejam orações a colocar-se de pé e vir à frente para recebê-las surgiu de um evangelista Metodista chamado Lorenzo Dow. Posteriormente o reverendo James Taylor foi um dos primeiros a chamar pessoas para virem à frente em sua igreja em 1785 no Tennessee. O primeiro uso do altar de que se tem registro com relação a um convite público aconteceu em 1799 em um acampamento metodista em Rio Vermelho, Kentucky, E.U.A.  [117]
Mais tarde, em 1807 na Inglaterra, os metodistas criaram o “banco de penitentes”. [118] Agora, os pecadores ansiosos tinham um local para confessar seus pecados ao serem convidados para vir à frente. Este método chegou aos Estados Unidos dentro de poucos anos. O evangelista Charles Finney (1792-1872) acatou este “banco de penitentes”. Finney começou a usar este método a partir de sua famosa cruzada de 1830 em Rochester, Nova Iorque. [119] O “banco de penitentes” localizava-se defronte ao lugar onde os pregadores se postavam no púlpito. 120[120] Ali tanto pecadores como santos carentes eram convidados a ir à frente para receber as orações do ministro. [121] Finney elevou o “apelo ao altar” ao nível de uma obra de arte. Seu método consistia em pedir àqueles que queriam ser salvos para que se levantassem e fossem à frente. Finney tornou esse método tão popular que “após 1835, chegou a ser um elemento indispensável no moderno evangelismo”. [122]
Charles Grandison Finney
Charles Finney (1792-1872)
Com o tempo, esse “banco de penitentes” dos acampamentos feito em fazendas e beira de estradas foi substituído pelo “altar” no salão da igreja. O “caminho de serragem” usado nos acampamentos deu lugar ao corredor da igreja. Assim, pois, surgiu o famoso “apelo ao altar”. [124] Talvez o elemento mais dominante proporcionado por Finney ao moderno cristianismo foi o pragmatismo. Por pragmatismo quero dizer a crença de que se algo funciona ou dá resultados, então deve ser apoiado ou aceito. Finney acreditava que o NT não ensinava nenhuma forma determinada de adoração. [125] Ele ensinava que o único propósito da pregação é ganhar almas. Qualquer mecanismo que ajudasse atingir esta meta poderia ser aceito. [126] Sob Finney, o evangelismo do século XVIII se converteu em uma ciência e foi integrado à corrente principal das igrejas. [127] O cristianismo moderno nunca se recuperou desta ideologia antiespiritual. É o pragmatismo, não a Bíblia ou a espiritualidade, que governa as atividades da maioria das igrejas modernas. (Posteriormente as igrejas atentas aos seus “índices de audiência” foram além de Finney). O pragmatismo é daninho porque ensina que “os fins justificam os meios”. Se o fim é considerado “santo”, qualquer “meio” é válido. Por estas razões Charles Finney é aclamado como “o reformador litúrgico mais influente na história da igreja americana”, [e em conseqüência, da igreja moderna]. [128] Do ponto de vista do genuíno protestantismo, é necessário que a doutrina esteja rigorosamente de acordo com as escrituras para poder ser aceita. Mas pela prática da igreja, tudo é válido desde que resulte em novas conversões! Em todos os aspectos, o Evangelismo reavivalista converteu a igreja em um ponto de pregação, restringindo a experiência da ekklesia a uma missão evangelística. [129] Isto normatizou os métodos reavivalísticos de Finney e criou personalidades do púlpito como a atração dominante. A igreja passou a ser uma questão de preferência individual em vez de ser uma questão coletiva. [130]
Em outras palavras, a meta dos reavivalistas era levar pecadores individualmente a uma decisão individual, por meio de uma fé individualista. Como resultado, a meta da Igreja Primitiva — a edificação mútua e o funcionamento de cada membro manifestando Jesus Cristo coletivamente diante dos principados e potestades — perdeu-se completamente. [131] Ironicamente, João Wesley, [a quem muito admiro],um dos primeiros reavivalistas, compreendeu os perigos do movimento reavivalista. Ele escreveu que “o cristianismo é essencialmente uma religião social [...] transformá-lo em uma religião solitária é certamente sua destruição”. [132] O último tempero que o Reavivalismo agregou à liturgia protestante foi fazer o “apelo ao altar” após um hino. Esta é a liturgia que domina o protestantismo até hoje”.
Frank A. Viola
O texto acima introduz um pouco de luz sobre o tema, nos fornecendo mais condições de entender alguns fatores pelo qual as coisas se encontram como estão. A problemática do apelo, é que numa área de extrema complexidade, a salvação do indivíduo, ele apela para um recurso extra bíblico. O apelo também não leva em consideração a necessidade de arrependimento do pecador, como condição para a sua salvação, como as escrituras determinam, “Disse Jesus: Se não se arrependerem, todos de igual modo perecerão”. Lucas 13:3. Mas alguém pode observar, “mas o que pode haver de errado em algo que é extra bíblico, se esse recurso ajuda as almas a se encontrarem com o salvador?” Realmente ajudaria se não atrapalhasse. O apelo acelera um processo que jamais poderia ser apressado. No evangelho, Jesus ensina justamente o oposto:
“Grandes multidões estavam seguindo Jesus. Então Ele fez um discurso assim: “Todo aquele que quer ser meu seguidor deve amar-Me bem mais do que ao seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos ou irmãs – sim, mais do que a própria vida; caso contrário, não pode ser meu discípulo.
E ninguém pode ser meu discípulo se não carregar sua própria cruz e seguir-Me. Mas é preciso pensar muito antes de resolver. Pois quem começaria a construção de um edifício sem primeiro fazer os cálculos e depois verificar se tem dinheiro suficiente para pagar as contas! Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, então todo mundo se riria dele! Estão vendo aquele sujeito ali diriam em tom de gozação: ‘Começou aquela construção e ficou sem dinheiro antes de terminar!’
E qual é o rei que algum dia pensou em ir à guerra sem primeiro sentar-se com os seus conselheiros e discutir se seu exército de 10.000 tem força suficiente para derrotar os 20.000 homens que vêm marchando contra ele’! Se acharem que não, enquanto as tropas inimigas ainda vêm longe, ele mandará uma comissão para combinar as condições de paz. “Assim ninguém pode ser meu discípulo se primeiro não resolver abrir mão de todas as outras coisas, por mim”.
Lucas 14: 25 a 33
Observe que apesar da missão do messias ser fundamentalmente o resgate da humanidade, em momento algum ele minimiza ou rebaixa o padrão pelo qual os homens devem recebê-lo.  Querer resolver tudo em um só evento, em algo de tamanha magnitude, é um erro crasso, é o calcanhar de Aquiles  da pregação do evangelho.  A verdadeira conversão é algo muito mais superior e complexo do que a nossa vã teologia supõe, podemos notar isso pelos termos que Jesus apresenta para aceitar alguém ao seu lado. Na verdade nós é que precisamos ser aceitos por Jesus, e não o contrário como se diz irresponsavelmente. Essa conversa de que a salvação é gratuita é verdade, mas com certas considerações, e jamais sem elas.  Oferecer a salvação como a um brinde que pode ser recebido incondicionalmente, é propaganda enganosa,  uma mentira maldosa para com os pobres ouvintes.
“É impossível alguém se arrepender [segundo os padrões de Cristo] sem ter uma profunda decepção consigo mesmo”
Com esse tipo de apresentação que nos acostumamos a fazer do evangelho, não me admiro que a maior parte dos conversos abandone o caminho após uma leve ciência dos fatos, e outra parcela gigantesca das chamadas ovelhas, estejam na igreja simplesmente interpretando o personagem do cristão, após descobrirem que foram impulsionadas a optarem precipitadamente por um salvador, do qual não conheciam absolutamente nada. E o que as mantém na congregação então? É simples, disseram a elas que a salvação eterna lhes foi oferecida em troca de um consentimento verbal e público de que Jesus era o filho de Deus, o salvador. E que após essa “promoção celestial”, o que se esperava deles seria penas uma leve freqüência nos cultos, algum dinheiro, seguido do abandono de meia dúzia de maus costumes. Como dizem alguns sóbrios homens de Deus, “Nunca ninguém ofereceu tanto, por tão pouco”.
“A natureza da salvação de Cristo é deploravelmente deturpada pelo evangelista de hoje. Eles anunciam um Salvador do inferno ao invés de um Salvador do pecado. E é por isso que muitos são fatalmente enganados, pois há multidões que desejam escapar do Lago de fogo que não têm nenhum desejo de ficarem livres de sua carnalidade e mundanismo”.    A.W. Pink
Outra questão que facilitou a introdução cega do apelo foi a má interpretação da palavra Crer. No mundo secular, a palavra crer tem um significado diferente do que há na bíblia. A igreja de um modo geral, influenciada pelos reavivalistas, pegou textos sobre o tema e os interpretou segundo o contesto humano:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16
 “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. Marcos 16:16
“Quem crê nele não é condenado”. João 3:18
Num país cristão, se você perguntar as pessoas se elas acreditam em Jesus, a maioria dirá que sim, claro! Elas entendem que estamos perguntado se elas acreditam na existência da pessoa e da obra de Jesus Cristo. Mas o problema é que o texto não está questionando isso. O que o texto está indagando é se a pessoa acredita no que Jesus fala, e não se acredita em sua existência pessoal. E isso faz alguma diferença? Claro, faz toda a diferença, porque se tratam de coisas absolutamente diferentes! Acreditar na existência de Cristo e de sua obra, não exige nada de mim. Mas acreditar em suas palavras significa o fim da minha vida como a conheço, significa a morte do meu ego, a extinção de minha independência, a renuncia das coisas que amo, mas que me fazem mal, e o montante de tudo isso é alto demais para que seja calculado em alguns minutos. É por isso que uma decisão dessas não pode levar apenas alguns momentos.  O apelo é a causa do exorbitante número de decisões por Cristo abortadas.
“Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas. É exatamente isso que as igrejas modernas estão oferecendo”
Em minha igreja jamais faço um apelo. E algumas pessoas me perguntam, “Mas como você sabe que alguém entregou sua vida à Cristo?” Eu respondo: É simples! Quando a vida da pessoa começa a mudar para de acordo com as escrituras, a conexão entre ela e Deus foi efetuada com sucesso.  “Disse Jesus: Pelos frutos os conhecereis…” Então assim está tudo resolvido? De forma alguma! Após uma possível decisão por Jesus, trato de informá-las que uma escolha por Cristo, foi apenas o início do jogo e não o final dele. Foi apenas o primeiro, de diversos passos que deverão se suceder até o fim de suas vidas. Embora isso afete o numero de candidatos a seguidores de Cristo, nem Jesus, nem os apóstolos jamais tiveram compromisso com as estatísticas, mas sim com a verdade. Eles procuravam construir nas pessoas uma fé firme, inabalável, que resistisse a tudo e a todos. Esse tipo de fé não se consegue com decisões instantâneas, de momento, nem com o rebaixamento dos padrões bíblicos, nem com a omissão das condições impostas por Deus.
“A menos que um homem seja posto no nível de sua miséria e culpa, toda nossa pregação é vã. Somente um coração contrito pode receber um [o verdadeiro] Cristo crucificado”.
             Robert Murray McCheyne
Existe um prejuízo em seguir ao Cristo escriturístico, existe algo à perder. Se formos sinceros, admitiremos que o messias claramente dificultava a adesão de novos candidatos a discípulo como ficou evidente no episódio do jovem rico. Jesus agia assim porque diferentemente de nós, acima de tudo prezava pela verdade, e a verdade nos obriga a sermos extremamente francos e transparentes, ingredientes indispensáveis para se construir relacionamentos profundos e duradouros.
A igreja evangélica moderna, pelo menos em países pobres e em desenvolvimento, continua se expandindo sob terreno arenoso e irregular, usando técnicas de engenharia extra-bíblicas. Eles visam apenas a multiplicação do empreendimento, sem atentar para a sua solides. Fundamentos duvidosos põem em risco toda a estrutura, mas isso parece não intimidar os alto-afirmados lideres da igreja moderna.
 Aos servos sinceros que ainda se preocupam com a voz do mestre, aconselho a abandonarem a fobia por novos convertidos à “sangue-frio”, e a investirem o suor em serem verdadeiros discípulos. Só assim estarão aptos para fazerem discípulos de verdade. Não confundam, a ordem do mestre não foi conseguir o maior numero de “decisões”, mas de discípulos.
 “Não procuramos enganar as pessoas para que creiam, não estamos interessados em fazer trapaça com ninguém. Nunca procuramos fazer com que alguém creia que a Bíblia ensina o que ela não ensina. Nós nos abstemos de todos esses métodos vergonhosos”.
                                                                                                                                 II Coríntios 4:2
Roberto Aguiar
Fonte:  Frank A. Viola, “Cristianismo Pagão”.
 [116] Revival and Revivalism, pp. 185-190.
[117] The Effective Invitation, pp. 94-95. Veja também  Protestant Worship: Traditions in Transition, p. 174.
[118] Finney destacou-se também por inovar em termos de apelo e por iniciar revivamentos. Empregando o que era chamado de “novas medidas”, he argüia que não havia nenhuma forma normativa do culto no NT. E tudo que tivesse êxito em trazer pecadores para Cristo seria aprovado (Christian Liturgy, p. 564; Protestant Worship: Traditions in Transition, pp. 176-177).
[119] The Effective Invitation p. 95.: O primeiro uso histórico da frase “banco de  penitente” vem de Charles Wesley .[ “Oh, aquele banco penitente santificado.” Para uma crítica completa sobre o banco de penitentes veja J.W. Nevin’s The Anxious Bench (Chamgersburg: Wipf & Stock, 1843).
[120] Protestant Worship: Traditions in Transition, p. 181; Christian History, Volume VII, No. 4, Issue 20, pp. 7, 19.
[121] Christian History, Volume VIII, No. 3, Issue 23, p. 30;  Christian History, Volume VII, No. 4, Issue 20, p. 7;  Christian Liturgy, p. 566.
 [122] Revival and Revivalism, pp. 226, 241-243, 277.
 [123] The Effective Invitation, p. 96.
[124]  Dictionary of Pentecostals and Charismatic Movements,  p. 904. Ainda sobre este tema, veja Gordon L. Hall’s  The Sawdust Trail: The Story of American Evangelism (Philadelphia: Macrae Smith Company, 1964). O “caminho da serragem” foi tido depois como uma garantia da eficácia do evangelista. Este uso (“percorrer o caminho da serragem”) foi popularizado pelo ministério de Billy Sunday (1862-1935). Veja Evangelism: A Concise History, p. 161.
[125] Protestant Worship: Traditions in Transition, p. 177.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A simplicidade do Evangelho e a sofisticação da Igreja


Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. (Apocalipse 2:4-5) 
O evangelho de Jesus Cristo é simples. Simples na forma e simples no conteúdo. A vida e o ministério de Jesus acontecem num cenário simples. Ele anunciou as boas novas do reino de Deus, demonstrou a presença do reino através de palavras, exemplos e ações. Convidou pessoas para estarem e aprenderem com ele. Sofreu as incompreensões do sistema religioso e político do seu tempo. Morreu e ressuscitou. Após a ressurreição, encontrou-se com seus discípulos e comunicou-lhes que recebera toda autoridade no céu e na terra, e que, como Rei e Senhor, enviou seus discípulos para anunciarem as boas novas, levando homens e mulheres a guardarem tudo o que ele ensinou, integrando-os numa comunidade trinitária por meio do batismo, e prometeu estar com eles todos os dias, até o fim.

Alguns dias depois, no meio da festa de Pentecostes, 120 discípulos estavam reunidos em Jerusalém, e a promessa de Jesus se cumpriu. Todos foram cheios do Espírito Santo, começaram a viver a nova realidade anunciada por Jesus, saíram alegremente, por todo canto, pregando a boa notícia de que Deus visitou seu povo e trouxe salvação, justiça e liberdade.

A história seguiu e os cristãos foram se multiplicando, organizando igrejas, criando instituições, formas e ritos. Porém, as instituições cresceram e suas estruturas se tornaram mais complexas e sofisticadas. Transformaram-se num fim em si mesma. A simplicidade do evangelho foi substituída pela complexidade institucional.

C. S. Lewis, na carta 17 do livro “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz”, aborda o tema da glutonaria e afirma que uma das grandes realizações do maligno no último século foi retirar da consciência dos homens qualquer preocupação sobre o assunto, e isso aconteceu quando ele transformou a “gula do excesso na gula da delicadeza”. Para C. S. Lewis, o problema da gula, muitas vezes, não está no excesso de comida, mas na sofisticação, na exigência de detalhes em relação ao vinho, ao ponto do filé ou ao cozimento da massa. Fica impossível atender a um paladar tão sofisticado. A simplicidade do ato de comer dá lugar à sofisticação gastronômica. Pessoas assim, segundo o autor inglês, demitem cozinheiras, destratam garçons, abandonam restaurantes, cultivam relacionamentos falsos e terminam a vida numa solidão amarga.

Como igreja, corremos o mesmo risco. A simplicidade e pureza do evangelho já não provocam prazer na maioria dos cristãos ocidentais. A sofisticação da igreja, sim. É o vaso tornando-se mais valioso que o tesouro contido nele. Se a música não estiver no volume perfeito, o ar condicionado no ponto exato, a pregação no tempo apropriado, com conteúdo que agrade a todos os paladares e com o bom uso dos aparatos tecnológicos, talvez eu não me agrade desta igreja.

Justificamos a sofisticação com expressões como “busca por excelência”, “relevância”, “qualidade”. Parece justo. O problema é que a excelência ou a relevância do evangelho está exatamente na sua simplicidade. É cada vez mais fácil encontrar cristãos que acharam a “igreja certa” do que os que simplesmente encontraram o evangelho. A sofisticação da igreja mantém o cristão num estado de espiritualidade falsa e superficial. A maior deficiência do cristianismo não está na forma, mas no conteúdo.

A verdadeira experiência espiritual requer um coração aquecido e não sentidos aguçados. Precisamos elevar nossos afetos por Cristo, seu reino, sua Palavra e seu povo, e não os níveis de sofisticação e exigências institucionais. O vaso deve ser de barro, sempre. O tesouro que ele guarda, o evangelho simples de Jesus Cristo, é que tem grande valor. A sofisticação produz queixas, impaciência, falta de caridade e egoísmo. A simplicidade sempre nos conduz a compaixão, sinceridade, devoção e autodoação.

Autor: Pr Ricardo Barbosa de Sousa
Fonte: PC Amaral

Extraído de http://gospelhomeblog.blogspot.com.br/2013/05/a-simplicidade-do-evangelho-e.html em 06/05/2013.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Deus não lhe permite voltar.

É comum, quando pensamos em Davi lembrarmos de que ele foi o homem segundo o coração de Deus. Quem nunca orou pedindo a Deus que lhe desse a benção de ser como aquele pastorzinho de Belém, que cuidava das ovelhas e tinha um contato com seu Deus. Mas isso, é exatamente o que fazia de Davi um homem tão especial. Ele tinha um contato com Deus. Talvez, o que esteja faltando em muitos na atualidade é esse contato tão singelo, mas ao mesmo tempo especial. Quando se mantém tal contato, as coisas dentro de nós e ao nosso redor mudam, e Deus por sua vez não nos permite voltar para o estado que nos encontrávamos. Porque o Senhor faz coisas novas em nossas vidas.

Posso ver isso quando leio o texto de I Sam 18.2-4: " E Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto."

Até o momento em que Davi venceu o gigante Golias, ele ia e vinha do acampamento do rei Saul, conforme I Sam 17.15. Porém, quando o gigante começou a afrontar o povo de Deus e Davi viu aquilo, ficou insatisfeito e tomou uma atitude - destruiria aquele gigante filisteu, incircunciso. Essa atitude de Davi foi tomada com base no contato que ele tinha com Deus, pois o caráter de uma pessoa é transformado quando há contato com o Senhor, que não nos permite aceitar afronta do inimigo. Em suma, o gigante foi vencido e o Rei então não permite mais a Davi voltar para casa de seu pai, ou seja, aquele garoto já não seria mais um simples pastor, estava acontecendo um evolução na sua vida. Da mesma forma que os discípulos escolhidos por Jesus, nenhum deles voltou a ser o mesmo após o encontro com o Grande Mestre.

A aliança feita entre Jônatas e Davi apontam para algo que sempre ocorre, ou seja Deus coloca alguém no nosso caminho para nos abençoar. E nesse aspecto é muito significativo essa aliança entre esses dois, pois Jônatas era um príncipe. O fato de dar sua capa, representa uma separação, uma autoridade, a espada representa o ensinamento para a batalha, que Davi seria ensinado. Daquele momento em diante ele seria ensinado, viveria como um aprendiz de Jônatas, e Davi aprendeu muito rápido, pois logo venceu batalhas épicas. As vestes que lhe fora dada representam uma mudança de situação, ou seja, vida nova. Assim como o arco   representa a distância que a influência que seria exercida por Davi alcançaria.

Com isso o que se pode entender é que quando tomamos uma atitude, com base na experiência que temos com Deus, não nos é permitido olhar para trás, não nos é permitido voltar para onde estávamos. Temos que seguir em frente e enfrentar novos desafios. Principalmente, porque ele nos municia com autoridade, uma companhia eterna, que é a presença do Espírito Santo, além de alguém que sempre é destacado para nos abençoar de várias formas, e também nos dá experiência para as batalhas. A resolução de tudo isso é que poderemos influenciar muitas pessoas. Sendo assim, vamos refletir como está o nosso contato com Deus, e tomemos a atitude compatível com a de Davi, para que recebamos do Senhor as bençãos referentes à nossa atitude.

Deus lhes abençoe.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Características dos Discípulos e o Objetivo do Ensino de Jesus





            Alguns se enganam ao pensarem que as pessoas a quem Jesus ensinava eram modelos na sociedade. Como se fossem personagens muito diferentes de pessoas comuns da atualidade. Eles eram na verdade propensos a erros como qualquer pessoa em qualquer época. As únicas diferenças eram as condições ambientais e sociais daquele período da história. O objetivo deste trabalho é demonstrar algumas características dos discípulos de Jesus, assim como o objetivo do seu ensino, apontando aspectos práticos para o cotidiano atual dos responsáveis pelo ensino na Igreja.
            O aspecto da natureza humana é muito importante na perspectiva da educação, e mais ainda pelo foco da educação religiosa. Ela é a grande responsável por muitas mazelas que se pode notar no decorrer da história da humanidade. Ao examinar um pouco mais de perto os indivíduos que foram ensinados por Jesus para serem os mestres no cristianismo, pode-se perceber que é possível aprender diversas informações curiosas e positivas. As pessoas com quem Jesus lidava eram seguidores íntimos, discípulos, críticos e indiferentes. E podem ser classificadas pelos seguintes grupos: os imaturos, os impulsivos ou impetuosos, os pecadores, os perplexos, os ignorantes, os preconceituosos e os instáveis.
            O primeiro grupo de pessoas a quem Jesus ensinava como mencionado anteriormente, não eram nem um pouco perfeitos, mas pode-se considerar que ele os observava como embriões do ideal que tinha estabelecido. Isso se percebe por causa da sua imaturidade, o que fez com que o mestre tivesse todo o zelo e paciência para ensinar-lhes a trilhar o caminho da maturidade. Daí infere-se que o professor precisa ser paciente ao vislumbrar o indivíduo ideal nos seus alunos, pois essas vidas podem ser mudadas com a influência positiva de um bom professor.
            A imaturidade não era a única de suas faltas, eram também impulsivos, como Pedro, o pior deles nesse aspecto. Esse homem era muito precipitado, reagia repentinamente e sem pensar nas conseqüências de seus atos. Da mesma maneira era João, que angustiado com a recusa dos samaritanos em dar pouso a eles, pediu a Jesus autorização para mandassem cair fogo do céu a fim de consumir aquela gente. Haviam outros fora do círculo íntimo que tinham as mesmas características, como era o caso de Simão, o zelote. Os temperamentos fortes das pessoas não podem afastar o professor de sua tarefa de ensinar, tanto que, não afastou o Senhor de ensinar aqueles indivíduos a serem pessoas melhores.
            Outro tipo de pessoas com quem Jesus teve de lidar eram as que tinham fortes tendências para o pecado. Mesmo que mais tarde elas ao se tornarem cristãs tivessem seu caráter transformado, eram pessoas com seu caráter tomado pelos instintos e impulsos do pecado, como é o caso de Judas. Com isso, inferimos que mesmo ao percebermos, enquanto professores, tendências pecaminosas e instintos malignos em nossos alunos, o poder da graça de Deus pode alcançá-los.
            Algumas pessoas que o Mestre ensinou, constantemente eram assoladas por diversas perplexidades e problemas, e elas o procuravam para que ele resolvesse. As perplexidades delas lhes traziam ambição a ponto de levá-las a perguntar quem seria o maior no reino dos céus. Outro problema que enfrentavam eram os de natureza social, pois muitas vezes tinham problemas de convivência uns com os outros, além de ter dificuldade de perdoar. Não foi à toa que Pedro perguntou a Jesus quantas vezes deveria perdoar alguém. Sendo assim, é possível como professores, que tenhamos os mesmos tipos de alunos perplexos e problemáticos de Cristo, mas ao agir como o Senhor, com esperança, fé e de forma conselheira, as pessoas podem mudar, e Deus fará coisas maravilhosas, como fez com aquelas pessoas.
            A ignorância e o preconceito era outra problemática enfrentada por Jesus e seus seguidores. Como a maioria deles vinham das camadas mais baixas da sociedade judaica, pode-se considerar que eram pessoas ignorantes. Apesar de que, a comunidade judaica ensinava seus filhos, e ainda tinha a cultura helênica, mas provavelmente não tinham a bagagem cultural que as pessoas de classe mais alta. Além do que, a própria crença e cultura judaica levava-os a tornarem-se preconceituosos. Os religiosos que seguiam a Jesus no intuito de tentar pegá-lo em erro, agiam de forma preconceituosa e desafiadora, pois não atentavam para as coisas que o Mestre ensinava. É um grande obstáculo para os professores enfrentar alunos com mentes fechadas e repletas de preconceitos. No entanto, não se deve desistir, assim como Jesus não desistiu.
            Teria sido muito bom se os discípulos mostrassem disposição para seguir de modo fiel o que aprenderam com Jesus. Entretanto, o que ocorreu foi que a perversidade contida no homem, assim como a vontade e o intelecto e até mesmo os afetos, se mostram distorcidos. Tudo isso aponta para o fato de que a parábola do semeador tinha o objetivo de atingir esse tipo de pessoa, ou seja, os instáveis. A instabilidade faz com que as pessoas não consigam se firmar em um propósito, e assim seguir na direção de cumpri-lo. É necessária a demonstração aos alunos, que eles precisam ser firmes.
            Em se tratando de firmeza e estabilidade, torna-se relevante lembrar que esses itens requer uma coisa chamada objetivo. No caso em questão, o objetivo do ensino de Jesus. Todo ensino requer pedagogicamente, objetivos claros e específicos. Quando os professores trabalham sem objetivo definido pode ocorrer de não se chegar a lugar algum. Jesus sempre agia com objetivos, ele jamais ensinava simplesmente porque foi chamado a ensinar. O objetivo principal de um professor deve ser transformar a vida dos alunos através do conhecimento e pela mudança de comportamentos, atitudes e pela contextualização das suas vivências. E para isso, portanto, torna-se necessário ter em mente que é preciso formar ideais justos, firmar convicções fortes, converter a Deus, relacionar com os outros, resolver os problemas da vida, formar pessoas de caráter maduro e preparar para o serviço cristão. 
            Inicialmente, falando sobre a formação de ideais justos, sabe-se que são forças poderosas para a construção do caráter. Durante a história, é possível perceber alguns cristãos que agiram como verdadeiros mordomos de Deus e levaram as pessoas a seguirem seus ideais, transformando assim, seu caráter. Jesus buscou formar ideais retos e justos, procurando de modo especial dar a todos uma compreensão mais clara da natureza de Deus e de sua atitude para com a humanidade.
            Dentre as responsabilidades do professor, destaca-se a de firmar convicções fortes em seus alunos. Jesus não transmitiu apenas conhecimentos a respeito de assuntos morais e espirituais. Ele foi além, demonstrando atitudes de alguém que age em concordância com o que fala. O Mestre apelava ao amor, aos sentimentos e afetos, afim de que seus alunos firmassem suas convicções. Os professores precisam seguir o exemplo de Cristo para levar seus alunos a firmarem convicções. Outra tarefa do professor é relacionar seu aluno com Deus. A conversão, embora seja um ato religioso, é o principal da vida do indivíduo, pois ele o conduz ao relacionamento com Deus. Esse foi um dos objetivos de Jesus durante seu ministério, na verdade foi para isso que ele nasceu.
            A vida do cristão, em conformidade com o que Jesus ensinou, envolve principalmente o relacionamento entre os homens. Quando o Mestre resumiu o primeiro mandamento em “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, queria enfatizar que os relacionamentos entre as pessoas é importante. Sendo assim, os professores devem também enfatizar isso de forma clara. Imediatamente afeto ao assunto do relacionamento está à resolução dos problemas da vida, pois em sua maioria eles estão ligados a problemas de convivência. Os ouvintes de Jesus tinham problemas íntimos, e o Mestre nunca esqueceu disso, buscando sempre resolvê-los para que os seguidores fossem felizes e unidos. Aprender a resolver os próprios problemas, é mais uma das responsabilidades que o professor precisa fazer com que seus alunos aprenda. Torna-se necessário às vezes se desviar da lição do dia a fim de tratar da necessidade de um aluno.
            Concomitantemente, o professor deve levar seus alunos a formar um caráter maduro, e para isso é preciso não apenas ajudá-los a resolver seus problemas, mas levá-los a romperem com vícios e fraquezas, pois assim estará sendo forjado um caráter verdadeiramente forte. Quando uma pessoa toma alguma decisão e a toma corretamente porque envolveu um sentido de juízo de valor ou mesmo de valor moral, é devido ao fato de que em algum momento seu julgamento foi feito com base em princípios morais lhe ensinados. Isso demonstra quão importante é esse ensinamento. Assim, para seguirmos o exemplo de Cristo neste caso, é preciso reconhecer que importa mais obter uma resposta genuína e sincera do que uma adesão imediata e impensada.
            O objetivo final de Jesus foi preparar seus seguidores para realizarem o serviço que se seguiria logo após sua assunção, levando a mensagem do seu amor e sacrifício por todo o mundo. Se puder observar, perceberá que todos os itens anteriores relacionados com o objetivo do ensino de Jesus, culminaram neste, pois com a mudança de caráter o indivíduo será capaz de permitir que Deus o use como um instrumento, permitindo-lhe o controle das situações.
            Finalmente, pudemos observar com as características dos discípulos, que ninguém é perfeito, entretanto, todos nós somos dependentes de Deus. E, enquanto professores e líderes, devemos trazer a responsabilidade de ensinar isso para nossos discípulos, assim como Cristo fez. Levando em consideração que também somos falhos, nunca iremos julgar e condenar ninguém. Em relação ao objetivo do ensino de Jesus, foi observado que precisamos, ao assumirmos o dever de ensinar as verdades e responsabilidades de uma vida cristã correta, devemos ter um plano estabelecido com cuidado. Elaborar um projeto com objetivo específico, a curto e á longo prazo, e principalmente, buscar atingi-los, acreditando que ao final, os resultados serão percebidos. Portanto para que isso ocorra é preciso avaliar as atitudes e as formas de ensino de maneira constante, seguindo o exemplo de Jesus, como quando perguntou o que as pessoas diziam dele, assim poderá perceber como anda o trabalho. Não a respeito de si mesmo, mas em relação às mudanças percebidas nos alunos.