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quinta-feira, 23 de junho de 2022

Estudo da Parashá Shelach Lechá(envie para você)

 



Estudos da Torá


Parashá nº 37 – Shelach Lechá (Envie para você)

Bamidbar/Números Nm 13:1-15:41,

Haftará (Separação) Js 2:1-24; e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 17:1-18:43


1 - INTRODUÇÃO

Iniciando com o resumo da parashá da semana conforme sempre fazemos, mais uma vez busquei este no site do Chabad. A parashá Shelach Lechá começa com o incidente principal do mau relatório dos espiões sobre a Terra de Israel. Enquanto o povo hebreu se preparava para entrar na Terra de Canaã, doze importantes líderes são enviados para pesquisar a Terra Prometida, dos quais dez retornam e fazem um relatório muito negativo ao povo, dizendo que seria impossível conquistar as poderosas nações que lá viviam.

Recusando-se a dar ouvidos ao relatório positivo de Calev e Yehoshua, a nação inteira chora e reclama por toda uma noite em uma total histeria. O Eterno ameaça o povo de extermínio, quando então Moshê suplica com sucesso para que não sejam totalmente aniquilados. Mesmo assim, D'us declara que serão punidos com quarenta anos vagando pelo deserto, e durante este tempo toda aquela geração morrerá. Percebendo seu grave erro, um grupo insiste em avançar imediatamente na direção do país, contra a vontade do Eterno, sendo completamente aniquilado pelas famosas nações de Amalec e Canaã.

A Torá então muda para a descrição das libações de vinho que acompanhavam muitas das oferendas levadas ao Mishkan (Tabernáculo), conforme lemos no livro de Vayicrá/Levítico. Após ensinar os detalhes da chalá (não confundir com o pão que comemos no Shabat), esta refere-se à porção a ser separada de cada fornada de massa e doada a um Cohen. A Torá menciona ainda, várias leis tratando da proibição de adoração de ídolos, e o infeliz caso do homem que recebeu a pena de morte por profanar o Shabat.

A Parashá Shelach termina com o terceiro parágrafo da prece do Shemá, contendo a mitsvá de colocar tsitsit, que serve como um constante lembrete para nós, de D'us e Seus mandamentos.

Esta parashá trás uma carga emocional muito forte, pelo menos ao meu ver. Aqui a Torá já nos mostrou tudo o que o Eterno Criador dos céus e da terra, o Libertador, fez por este povo e agora prestes a entrar na terra a qual herdariam cometem algo que os impedem de seguir em frente e conquistar a vitória. O que me deixa emocionado nessa porção são os motivos do povo de Israel para agirem da forma que agiram, e ainda a suas atitudes após o que fizeram. Vamos seguir neste estudo pois ele é maravilhoso!

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS

Adonai D’us disse a Mosheh: “Envie alguns homens para fazer o reconhecimento da terra de kena’an, que dou ao povo de Yisrael. De cada tribo ancestral, envie alguém que seja líder da tribo”. Mosheh enviou-os do deserto de Pa’ran, como Adonai lhe tinha ordenado; todos eles eram homens da liderança dentre o povo de Yisrael.” (Nm 13:1-3 - BJC)

A porção anterior da Torá finaliza no verso 16 com o Eterno guiando o povo até o deserto de Paran, onde acampam mais uma vez. E ali, no deserto de Paran, o Eterno manda que Moisés envie doze homens para espiarem, ou melhor observarem a terra, conforme lemos nos versos acima, o termo espiar não é muito correto aqui, conforme é tradicionalmente entendido e veremos mais adiante. Veremos também, que a idéia inicial de enviar homens até a terra de Canaãn não vem originalmente de D’us, como o texto parece mostrar. Também poderemos entender que o objetivo destes doze homens era trazer um relatório de suas observações e explorações.


Sobre o Nome da Parashá e o de Yehoshua (Josué)


Em primeiro lugar, vejamos as palavras iniciais que dão nome a nossa porção da semana.

VAY’DABER HASHEM EL-MOSHEH LEMOR: SHELACH-LECHAH...”

Falou o Eterno a Moshe dizendo: “Envia para ti...”

Repare que a palavra que traduziram meramente para o português como “envia”, no original hebraico significa mais que isso. O original é “shelach lechah” que significa “envia para ti”, apontando para o fato de que o Eterno não queria ou não desejava enviar, ou não via necessidade de enviar, mas estava mandando eles enviarem por eles mesmos.

Entenda uma coisa importante, a tradição judaica diz que há um Midrash (comentário rabínico, ensino) sobre essa questão. Tal Midrash sugere que os filhos de Israel ficaram temerosos com a possibilidade de deixar o Sinai para a conquista da Terra Prometida. Isso porque as sete nações que haviam em Canaã tinham uma reputação de serem muito violentas, maléficas e extremamente depravadas.

Sendo assim, de acordo com o referido Midrash, foram os filhos de Israel quem pediram a Mosheh que enviassem os homens para observarem, a fim de que pudessem avaliar a terra e a resistência do inimigo, mas também podemos ler sobre isso na própria Torá em Dt 1:21 e 22:

Vejam: Adonai, seu D’us, pôs a terra diante de vocês. Subam, tomem posse, como o Eterno, o D’us de seus antepassados, disse a vocês. Não temam, não se assustem. Vocês se aproximaram de mim, cada um, e disseram: Vamos enviar homens à nossa frente para explorar a terra por nós e nos trazer uma palavra sobre a rota a ser usada para subirmos até lá e nos revelar como são as cidades que encontraremos.”


Por isso o Eterno usa a palavra “shelach lechá” - envia por ti ou por sua conta. Outros sábios judeus também dizem que este termo significava “enviá-los para seu próprio benefício”.

Uma coisa que fica bem clara nisso tudo é que podemos ver Mosheh indo até o Santo e Bendito, para perguntar sobre a solicitação, e assim temos o texto dos versos que estamos analisando, onde Ele manda enviar por eles mesmos.

Agora, a respeito do nome de Josué, que foi mudado por Mosheh, ao ser escolhido para ser um dos doze homens que seriam enviados para explorar a terra. O nome dele antes de ser escolhido era “Hoshea - הושׁע(Oseias), que significa “Salvação”. Ao seu nome, Mosheh acrescentou no início, a letra “Yud” (י), a fim de fazer com que o nome de Josué começasse com parte do nome de D’us, sendo assim, ficou “Yehoshua - יהושׁע(Josué), que significa “O Eterno Salva”.

Dessa forma, vemos que o nome de Josué/Yehoshua é forma completa e a forma abreviada desse nome é “Yeshua”. Essa forma surge tanto nos textos hebraicos antigos como nos escritos aramaicos do Tanach, conhecido como Antigo Testamento. Também é importante mencionar que o nome Yeshua, também significa “O Eterno Salva”, uma vez que é abreviação de Yehoshua.

De acordo com o Talmud (a tradição oral compilada em livros), os rabinos de Israel ensinaram que Mosheh previa a infidelidade e falta de fé dos homens que foram escolhidos para explorar a terra, por isso mudou o nome de Hoshea para Yeshoshua para lembrar-lhes que o Eterno deve sempre vir em primeiro lugar (Talmud Sotah 34b).

Espias ou Exploradores?


Quando olhamos para o texto de Nm 13:1-2 lemos o seguinte:


Adonai Deus disse a Mosheh: “Envie alguns homens para fazer o reconhecimento da terra de kena’an, que dou ao povo de Yisrael. De cada tribo ancestral, envie alguém que seja líder da tribo.”


Nesse trecho a Torá utiliza o verbo raiz “TAR”, pois a palavra que aparece no texto em hebraico é “VEYATURU”. Essa palavra significa “Excursionar, observar, viajar com um propósito, explorar, examinar e investigar. O verbo “TAR” ocorre 12 vezes neste capítulo e mais 10 vezes em todo o TaNaCh (Escrituras Sagradas).

Podemos então perceber através da observação dessa palavra no original, que o objetivo dos homens não era o de espiar, mas sim de explorar, observar. Repare que a palavra hebraica para “Espião” é “Ragel – רגל", e ela não aparece em nenhuma parte do texto desta parashá (porção), no entanto, a raiz “TAR”, conforme já mencionamos, é encontrada 10 vezes. Sendo assim, os homens enviados por Mosheh devem ser compreendidos ou chamados de Exploradores, e não de espiões; as duas palavras não são idênticas.

A primeira vez que a palavra “Ragel” (Espião ou espionar) é usada nas Escrituras, foi uns 40 anos mais tarde já na história de Josué e na preparação da batalha de Jericó, quando espiões são enviados. A diferença está na natureza e propósito da viagem. No caso em que estamos estudando o propósito era saber como eram as terras que receberiam, como eram os povos e as cidades. Já em Josué o propósito era estritamente militar, pois estavam se preparando para a batalha.


Fatos a entender sobre os doze exploradores:

Antes que Israel entrasse na terra, houve dois tipos de informações:

- A natureza da terra; e

- A praticabilidade de conquista militar.

Este não era um trabalho a ser feito por espiões militares, pois os espiões são enviados somente depois que uma nação decidiu iniciar a guerra. Os espiões são enviados para das informações de como atacar o inimigo, mostrando seus pontos vulneráveis, e relatariam somente ao seu líder militar. Já no caso dos nossos doze homens, os exploradores ou observadores, se fossem espiões militares, não haveria razão para publicar seus nomes e Mosheh para isso não escolheria líderes ou pessoas importantes de cada tribo, conforme Nm 13:1-3.

A missão dos doze:

Sua missão era recolher a informação, de acordo com o texto, em seis categorias:

- Como o lugar era?

- Como eram os povos do lugar?

- A terra era apropriada para agricultura?

- Que tipo de vegetação está no lugar?

- Quais os fatos sobre as cidades?

- Trazer algumas amostras dos produtos da terra.

Daí percebemos a necessidade de que tinham que ser representantes influentes de cada tribo, e porque relataram tudo a nação inteira e não somente a Mosheh.

Os observadores foram enviados e quarenta dias depois retornam, no dia 9 de Av, carregando um enorme aglomerado de uvas, uma romã gigante no tamanho e um enorme figo. Segundo o Midrash Rabínico, os frutos eram tão grandes que necessitavam de um homem para carregar a romã, outro para levar o figo e de oito homens para levar o cacho de uvas.

Podemos aprender com esta passagem que os filhos de Israel cometeram dois erros muito comuns:

- Não conseguiram ver que possuir a terra era um ato de fé (emunah – confiança, fidelidade em D’us). Os 10 observadores foram pessimistas (realistas). O pessimismo deles contagiou todo o povo, cegando-os para a realidade da aliança, e os mantendo na realidade do que os homens estavam dizendo.

- Não apreciaram as bênçãos que D’us tinha prometido se obedecessem a seus mandamentos (Mitsvot).

Devemos reconhecer que as dificuldades eram reais na terra, haviam gigantes, cidades fortificadas e tantas outras coisas, os 10 observadores eram realistas, mas eles também esqueceram de serem realistas em relação ao Eterno, pois não olharam para a realidade de que o Eterno já havia feito por eles e o que já havia prometido fazer por eles.

Portanto, entendamos que eles cometeram Lashom Hará (maledicência) ao reportar o pessimismo em relação a Terra, na verdade contra o próprio D-us, pois era como se tivessem reportado que o povo da terra era maior do que as promessas de D’us. O pessimismo é uma das grandes barreiras construídas por nós mesmos que nos impendem de caminhar nas bençãos e nas promessas de D’us. (Nm 14:2) A fé move-se adiante na base da fidelidade de D’us, não em nossas próprias forças e habilidades, ou na ‘realidade’.

A realidade depende do ponto de vista do observador, então a Fé do observador muda a perspectiva da realidade ou a realidade em si. Além disso, nós nunca podemos dizer que acreditamos ou temos fé em D’us, se não nos submetemos a Sua Torá, ou seja, aos seus mandamentos. Ela reflete nossa condição interna, para que possamos fazer os reajustes, a Teshuvá (arrependimento, retorno, conversão). Vejamos os textos abaixo:


Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha...” Mt 7:24


Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele.” Jo 14:21


Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes meus mandamentos será chamado grande no Reino dos céus.” Mt 5:19-20


Como vimos acima, a Torá são os mandamentos do Eterno, e a ela aponta para o Messias, é por isto que a rejeição aos ensinos do Messias é considerada a mais alta traição, para todos os mandamentos de D’us. Uma vez que o messias Yeshua ensinava a Torá, pura e limpa de chalachot ou dogmas. Rejeitar a Torá de HaShem é rejeitar o Seu Messias, que por fim, é rejeitar a D’us, aquele que o enviou, conforme lemos em Lc 10:16:


Aquele que lhes dá ouvidos, está me dando ouvidos; aquele que os rejeita, está me rejeitando; mas aquele que me rejeita, está rejeitando aquele que me enviou.”


Sobre Kalev, filho de Yefuneh


Calebe foi um dos doze observadores que foram enviados a Canaã, conforme Nm 13:6. Seu nome em hebraico “Kalev” pode significar “cachorro” que é “Kelev”, mas também pode aludir a “coração” que é “Lev”. Ele foi líder da tribo de Judá, ou pelo menos uma pessoa muito influente ali.

Entretanto, perceba que Calebe não era um israelita. Ele era um, “Ex Goy” (gentio) convertido ao D’us de Israel, e tornou-se um membro influente em Judá. Jefuneh, nome de seu pai, não era um nome propriamente hebreu, o Tanach (Escrituras) nos aponta o caminho para compreendermos isso. Veja o que diz o texto de Josué 14:6:


Então, os filhos de Judá chegaram a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes o que o Senhor falou a Moisés, homem de Deus, em Cades-Barnéia, por causa de mim e de ti.”


De onde a tribo Quenezeu veio? As Escrituras nos dizem: das tribos Cananitas. Veja o que diz Gênesis 15:18-21:


Nessa mesma ocasião o SENHOR D’us fez uma aliança com Abrão. Ele disse: Prometo dar aos seus descendentes esta terra, desde a fronteira com o Egito até o rio Eufrates, incluindo as terras dos Queneus, dos Quenezeus, dos Cadmoneus, dos Heteus, dos Perizeus, dos Refains, dos Amorreus, dos Cananeus, dos Girgaseus e dos Jebuseus.”

Jefoné (Yefuneh) que pode significar “virou-se”, nos sugere o porquê Calebe se afastou dos esquemas pessimistas dos outros observadores. Podemos pensar que a família de Calebe vivia no Egito há anos e se juntaram aos filhos de Israel. E isso é mais uma prova de que uma multidão de povos saiu do Egito com Israel. Na verdade, Calebe era descendente de Esaú, de um dos filhos dele. Jefoné era possivelmente, descendente de Quenaz filho de Elifaz, filho mais velho de Esaú (Gn 36:15; 40-42). Há ainda outro texto que menciona Jefoné como “Quenezeu”, leia Nm 32:12.

Talvez alguém possa se perguntar: “Se ele não era hebreu, como veio a ser tão importante na tribo de Judá, a ponto de ser escolhido para ir observar a terra?” ou “Como veio a ser contado como um dos membros da casa de Judá?”

As Escrituras nos mostram como ele entrou na tribo de Judá. Leia 1Cr 2:3-5; 18.


Estes foram os filhos de Judá: Er, Onã e Selá. Ele teve esses três filhos com uma mulher cananéia, a filha de Suá. Mas o Senhor reprovou a conduta perversa de Er, filho mais velho de Judá, e por isso o matou. Tamar, nora de Judá, deu-lhe os filhos Perez e Zerá. A Judá nasceram ao todo cinco filhos. Estes foram os filhos de Perez: Hezrom e Hamul.” 1Cr 2:3-5


Calebe, filho de Hezrom, teve uma filha chamada Jeriote com sua mulher Azuba. Estes foram os filhos de Azuba: Jeser, Sobabe e Ardom.” 1Cr 2:5


Estes textos nos mostram duas possibilidades. A primeira é que esse pode não ser o mesmo Calebe que estamos estudando, e a segunda é que Calebe teria sido recebido como filho por Hesrom, filho de Perez, que era filho de Judá. Esse é meu palpite, principalmente, levando-se em consideração o tempo decorrido entre as gerações e a grande possibilidade disso ter acontecido e seguindo os textos das Escrituras.

Agora quanto a pergunta: “Se ele não era hebreu, como veio a ser tão importante na tribo de Judá? Podemos responder entendendo o texto de Nm 14:24, que diz:


Mas o meu servo Calebe, porque nele houve outro espírito, e porque ele perseverou em seguir-me, eu o introduzirei na terra em que entrou, e a sua posteridade a possuirá.”


Devemos observar que, se houve alguma vez um caráter de um ex-gentio nas Escrituras que expôs uma atitude positiva em relação ao Eterno ou inspiração diferente em direção ao Eterno e a sua Palavra, deveria ser Calebe. Na Torá encontramos três pessoas sendo definidas pelo Eterno como seus servos, e são eles: Abraão, Moisés e Calebe. Isso nos aponta o caráter de Calebe, e nos indica a direção para entendermos como ele havia sido transformado por haShem e assim, veio a fazer parte do povo de D’us e da tribo de Judá. E isso deve ser um exemplo para cada um de nós que somos seguidores de Yeshua, vindos das nações.

Em relação a esse assunto é importante lembrar que, por meio desse fato a Torá quer nos mostrar o “mistério” que Paulo (Rav. Shaul) diz em Efésios 3, ou seja, a entrada dos Gentios ao povo de Adonai, através do Messias e da obediência à Palavra.

Que haja em cada um de nós um mover do Eterno para confiar nas palavras da Torá, sem questionarmos ou duvidarmos. Que possamos viver segundo as instruções de vida de HaShem.


Pr. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva)


Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer

- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

- http://www.hebraico.pro.br/r/biblia/

- http://hebraico.top/biblia-hebraica-online-transliterada/

- http://www.yeshuachai.org/forums/topic/ שלח-לך -shlach-lecha-parasha-numeros-131-1541/

- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com

- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/771044/jewish/Resumo-da-Parash.htm

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Estudo da Parashá Nassô (Fazei uma contagem)


Estudos da Torá

Parashá nº 35 – Nassô (Fazei uma contagem)
Bamidbar/Números Nm 4:21-7:89,
Haftará (Separação) Jz 13:2-25; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 13:1-14:35

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Nessa porção você poderá perceber que é delineado as tarefas e responsabilidades das três famílias levitas, Gershon, Merari e Kehat, estabelecendo todos os levitas que estavam em idade de servir no “Mishkan”.
               Segundo o comentário da Torá, a tribo de Levi que tinha a seu cargo o serviço do Tabernáculo, era dividida em quatro partes ao redor da tenda sagrada. No ocidente, achavam-se os filhos de Gershon, que tinham a seu cargo a tenda, a sua coberta, o véu, etc. Ao sul, os filhos de Kehat, cuja missão era transportar a Arca de Deus. Ao norte, os filhos de Merari, que tinham a seu cargo as madeiras, as tábuas do Tabernáculo, as suas travessas, colunas, etc., e no lado oriental estavam Moisés, Aarão e seus filhos, como guias espirituais do povo.

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               “E falou o Eterno a Moshé, dizendo: Levanta o censo dos filhos de Gershon, também deles, pela casa de seus pais, segundo suas famílias.” (Nm 4:21 e 22)

               Na parashá desta semana, vemos o texto original hebraico no verso 22 nos dizendo o seguinte: NASSÔ ET ROSH BNEY GERSHON...” Literalmente, a tradução da parte sublinhada é “levanta a cabeça”. Isso está se referindo a um censo dos filhos de Levi, iniciando pela família de Gershon. E não era meramente para se fazer uma contagem, mas era para se estabelecer a idade que os homens dessa família iniciariam o trabalho no “Mishkan”, bem como a idade em que eles encerrariam, ou seja, de 30 a 50 anos (Nm 4:23).
               Aqui nessa porção podemos entender claramente que a tarefa dos filhos de Levi, também conhecidos por levitas, não tinha nada a ver com cantar, mas sim trabalhos de transporte, manutenção, montagem e desmontagem do “Mishkan”. Essa pequena parte de canto, começa a aparecer na época do Beit Hamikdash (Casa da Santidade/Templo Sagrado), segundo podemos ler em 1Cr 25:1-7 e 2Cr 23:13, e posteriormente durante as reformas do Rei Josias, conforme lemos em 2Cr 34:12,13; 35:15. E também na época do segundo templo, conforme lemos em Ed 2:65 e Ne 12:42.
               De acordo com o que lemos até aqui, vimos que a tarefa desse homens eram diversas e dentro do serviço a Adonai, muito diferente do que dizem por aí, que os levitas são os que cuidam da música. Conforme vimos nos textos bíblicos acima, havia sim os que cuidavam da música, mas eles eram uma parte dos levitas, e durante o período dos templos.
               Sendo assim, quando uma pessoa diz que é levita se referindo somente à área da música ela está cometendo um erro grave de entendimento das Escrituras Sagradas. Isso porque ela não está levando em consideração todas as outras atividades que essas pessoas exerciam ao servirem ao Senhor, em conformidade com o prescrito na Torá, nessa e em outras porções.
               Com relação a idade de início do serviço dos levitas devemos levar em consideração uma outra referência. Em Bamidbar (Números) 8:24 encontramos registrado que os levitas deveriam entrar no serviço aos 25 anos de idade, mas aqui diz que os levitas tinham que ser contados a partir dos 30 anos de idade. Se compararmos com o texto do verso 23 dessa porção, talvez possamos achar que há uma contradição na Torá. No entanto, devemos entender que nunca há contradições nas Escrituras. Rashi, um grande intérprete judaico, explica a aparente contradição dizendo que os levitas entravam aos 25 anos para estudar a fundo as leis e aos 30 anos iniciavam o exercício do seu serviço.
               Também encontramos nessa parashá a ordem de Adonai a Moshê para purificar o acampamento para que fosse um lar merecedor da Presença Divina, a Torá dá ordens sobre o leproso, do que sofre de fluxo e daquele que se tornou impuro por ter tocado em ossos do cadáver de uma pessoa. Além disso, descreve o processo a ser cumprido com uma “sotá”, uma esposa que dá motivos ao marido para que este pense que ela esteja em adultério. Instrui, então, que ela deve ser levada ao Cohen (sacerdote) no templo, para que se façam os procedimentos estabelecidos pela Torá. Onde se ela não admitisse a culpa teria que beber a “água amarga”, que levaria a dois resultados: ela seria inocentada e seria abençoada com filhos, ou ela morreria milagrosamente de forma grotesca.
               A Torá então descreve as leis acerca do voto de nazir, onde uma pessoa que aceitou voluntariamente adotar um estado especial de santidade em relação a seus irmãos, geralmente por trinta dias, abstendo-se de comer ou beber qualquer derivado de uva, cortar o cabelo, e de contaminar-se através do contato com o corpo de alguém que morreu. Essa parte nos instrui a respeito da importância de nos separarmos para o Eterno em determinados momentos de nossas vidas, para um propósito especial, pois separados devemos ser sempre.
               Após relatar as bênçãos pelas quais os Cohanim (sacerdotes) abençoarão o povo, a porção da Torá conclui com uma longa lista das oferendas trazidas pelos doze líderes das tribos durante a dedicação do Mishkan (tabernáculo) para uso regular. Cada príncipe faz uma oferenda comunal para ajudar a transportar o Mishkan, bem como doações idênticas de ouro, prata, animais e alimentos.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

domingo, 9 de junho de 2019

Estudo da Parashá Bamidbar (No deserto)


Estudos da Torá

Parashá nº 34 – Bamidbar (No deserto)
Bamidbar/Números Nm 1:1-4:20,
Haftará (Separação) Os 2:1-22; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 1:1-12:59

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Nesta semana iniciamos o estudo no livro de Bamidbar - rbdmb (No deserto), o quarto livro da Torá foi assim intitulado em hebraico, porque nele é narrada a história dos israelitas em sua longa jornada no deserto. Um outro nome que o povo de Israel dá a esse livro é “Chumash Hapecudim” (Livro dos Censos), pelos diversos censos incluídos em seus primeiros capítulos. A bíblia na “Versão dos Setenta” chamou este livro de “Aritmói”, palavra grega que significa Números.

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
“E falou o Eterno a Moshé no deserto de Sinai, na tenda da reunião, no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, dizendo:” (Nm 1:1)

               Nessa parashá (porção) estaremos iniciando o livro de Bamidbar (Números) e as lições que serão aprendidas com o povo de Israel durante sua estadia no deserto. Na verdade esse é o motivo do nome desse livro, o povo estava no deserto recebendo as instruções de Adonai. Podemos perceber nesse primeiro verso que Israel serve a um D’us vivo, pois diz que Ele “falou a Moshe”. Neste período de caminhada do povo pelo deserto do Sinai esta é uma característica fundamental do Eterno, pois Ele como o Criador de todas as coisas poderá guiar o seu povo através de caminhos que Ele mesmo traçou e conhece. Enquanto o povo obedecê-lo não haverá erros.

               A palavra que foi traduzida como deserto é “midbar”, e vem da raiz “davar”, que por sua vez significa “falar”. Porém “midbar” não significa somente “deserto” em todo o seu sentido literal da palavra em português, pois ela denota “uma área árida, geralmente cheia de areia e com muito pouca ou nenhuma vegetação”. A palavra original pode apontar para um sítio deserto no sentido de desabitado, e isso fará mais sentido na medida em que o povo de Israel trouxe muito gado consigo quando saiu do Egito.          

               Observe que a Torá não nos diz que os animais comeram o maná no deserto. Logo podemos inferir que haveria pasto suficiente para eles durante os 40 anos naquele lugar, conforme Números 32:1.

“E muito gado tinham os filhos de Rubem e os filhos de Gad, e era em grande quantidade; e viram a terra de Ya’zêr e a terra de Guilead, e eis que o lugar era lugar de gado.”

               Como o “midbar” se encontra fora da civilização, constitui-se como um lugar adequado para falar em privado, sem ter que correr o risco de ser ouvido pelos outros povos. Portanto, este lugar,onde se pode falar em privado, chegou a ser chamado midbar que literalmente significa “conversação”. O midbar é o lugar onde se pode falar de coisas íntimas sem ser molestado por outros, como lemos em Oseias 2:14:

“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.”

               Veja como o plano de Adonai de tomar uma noiva, Israel, segue desde a Torá, passando pelos profetas, como lemos em Oseias acima, e finaliza em Apocalipse 12:6:

“E ela fugiu para o deserto, para um lugar que lhe havia sido preparado por Deus, para que ali fosse cuidada durante 1.260 dias.”

               Então porque razão o Eterno levou Israel ao deserto? Para falar pessoalmente com a sua noiva, entrar no pacto matrimonial com ela e ali entregar-lhe o contrato de casamento (ketubah), a Torá. É um excelente momento para lembrar que a outorga da Torá foi no deserto, na festividade de Shavuot (semanas), cinquenta dias depois de Pessach, e considerando tudo o que aconteceu nessa ocasião, conforme lemos em Ex 19:16-19; e 20:18, podemos perceber os mesmos sinais no que aconteceu em Atos 2.
               Esse contrato de casamento (ketubáh), a Torá, não foi entregue na terra de qualquer um, mas sim na terra de ninguém, para mostrar que não pertence somente ao povo de Israel, mas sim a todos os homens da terra.
               Em nossas vidas, quando passamos por um deserto, não devemos encarar isso como algo negativo, mas como uma possibilidade de podermos nos aproximar do Eterno, e receber as palavras e instruções do Pai que nos ama e cuida de nós. Nesses lugares, onde aprendemos a depender de D’us e não de nossas próprias forças e capacidades é onde temos mais contato íntimo com nosso Elohim.

Um Midrash na Parashá

               De acordo com o site Chabad.org, na parashá desta semana, encontramos um Midrash (Ensino) fascinante no primeiro versículo: "E D'us falou a Moshê no deserto do Sinai.". Esse Midrash explica que a Torá foi outorgada em associação com três coisas - fogo, água e no deserto.
               Esse site ainda diz que, Rabi Meir Shapiro dá uma bela explicação sobre a importância destas três coisas. Segundo ele, o traço de caráter que destacou o povo judeu desde o início é o espírito de auto-sacrifício. Isso tem sido sempre evidente no cumprimento das leis da Torá e em nossa aderência à sua fé.
               Avraham, o primeiro dos Patriarcas, segundo a tradição judaica, permitiu-se ser atirado a uma fornalha ardente por ter quebrado os ídolos de seu pai, e foi salvo apenas por um verdadeiro milagre de D'us. Por este ato, ele conferiu a todas as gerações futuras a vontade e a força de morrer por seu judaísmo. Algumas pessoas poderiam argumentar que este foi um ato de heroísmo isolado de um indivíduo notável. Deveriam então considerar um segundo exemplo envolvendo todo o povo de Israel. Quando o Mar Vermelho foi dividido, o povo marchou como uma só nação para as águas enraivecidas, a um comando do Criador.
               É claro que alguém poderia argumentar ainda que este teste ocorreu em um período de tempo relativamente curto. Deixemos então que considerem o terceiro exemplo, o fato de toda a nação israelita voluntariamente entrar no deserto sem comida ou bebida, não sabendo quanto tempo teriam de lá permanecer. Fizeram isso apenas por amor e lealdade a D'us, como está escrito em Yirmiyáhu/Jeremias "Lembro-Me da afeição de tua juventude... como seguiram-Me no deserto, numa terra que não era semeada" (2:1).
               Foi em virtude destes três testes - pelo fogo, água e deserto - que a Torá foi outorgada ao povo judeu como sua possessão eterna. A disposição para desistir de suas vidas pela sua crença em D'us, assegurou nossa sobrevivência até os dias de hoje.
               A passagem pelo deserto durante os 40 anos teve como um dos propósitos, preparar o povo para entrar na terra prometida, moldar e transformar os seus corações. Cada um de nós em algum momento da nossa vida, após reconhecermos Yeshua como Nosso Único e Suficiente Salvador, passamos pelo deserto, onde experienciamos o processo de santificação, de Teshuvá, isto é, o retorno ao caminho que nos leva ao Pai, caminho esse que foi reaberto pelo sangue derramado pelo Seu Filho, Yeshua.

3 – RESUMO
     
                   Segue abaixo um resumo da parashá extraído do site “pt.Chabad.org”.
         A Parashá Bamidbar, a primeira porção do quarto livro da Torá, está principalmente envolvida com o recenseamento do povo judeu feito no segundo mês de seu segundo ano no deserto. Após relacionarem os líderes das doze tribos de Israel, a Torá apresenta os totais de homens entre as idades de 20 e 60 anos para cada tribo, sendo que a contagem totalizou 603.550.
               A estrutura do acampamento é então descrita, com a tribo de Levi no meio, guardando o Mishcan, Tabernáculo, e cercada pelas doze tribos de Israel, cada uma na área que lhe foi designada. É feita a designação da tribo de Levi como os líderes espirituais do povo judeu, e seu próprio censo é realizado, à parte do restante de Israel.
               A porção da Torá conclui com as instruções dadas à família de Kehat, o segundo filho de Levi, pelo seu papel em lidar com as partes mais sagradas do Mishcan.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.