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sábado, 22 de junho de 2019

Estudo da Parashá Bahaalotecha (Quando subires)


Estudos da Torá

Parashá nº 36 – Bahaalotecha (Quando subires)
Bamidbar/Números Nm 8:1-12:16,
Haftará (Separação) Zc 2:10-4:7; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 15:1-16:31

1 - INTRODUÇÃO
                  
               A parashá desta semana inicia com uma breve discussão a respeito do acendimento diário da menorá de ouro (candelabro de sete braços) no tabernáculo, aborda os fatos concernentes ao restante das obrigações sacerdotais e a consagração dos levitas, os toques dos shofarot (trombetas) e as ocasiões, e também a revolta de Mirian e Aharon contra Moshê.

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               “E falou a Moshê, dizendo: Fala a Aharon, e dize-lhe: quando acenderes as lâmpadas, as sete lâmpadas iluminarão o espaço em frente do candelabro.” (Nm 8:1 e 2)

               Encontramos no verso 2 do início desta porção o Eterno falando sobre o acendimento das lâmpadas do candelabro. A palavra “lâmpadas” em hebraico é “NIR”. Esta palavra refere-se aos pequenos objetos em forma de tigela que tinha óleo e o pavio aceso a fim de proporcionarem luz. E a palavra “candelabro” vem do termo “MENORAH”, ela é o conjunto da haste mais os sete “copinhos” onde era depositado o óleo a fim de proporcionar luz no Mishkan (tabernáculo) e depois no Beit HaMikdash (templo sagrado). Estas sete lâmpadas traziam uma conotação de algo completo, pleno.
               Assim, quando a Menorah era acendida certamente os israelitas estavam recebendo a plenitude de luz que tinha o objetivo de iluminá-los até chegarem à presença do Eterno. Isso apontava para o messias que haveria de vir, pois ele é a luz central, que ilumina o caminho dos homens, mas que ao mesmo tempo também deve ser iluminado para que os homens o vejam. Perceba o que Yeshua diz acerca dele ser a luz:

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.”(Jo 1:4)
“A luz verdadeira que ilumina a todos os homens estava vindo ao mundo.”(Jo 1:9)
“Jesus continuou a dizer à multidão: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.”(Jo 8:12)
“Então Jesus lhes disse: A luz ainda está convosco por um pouco. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem. Quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Terminando de dizer estas coisas, Jesus se retirou e ocultou-se deles.”(Jo 12:35-36)

               Devemos refletir aqui o porquê de aparecer o contexto da Menorah (candelabro) justamente após o relato das ofertas dos líderes das doze tribos? Qual a relação entre ambas?
               A tribo de Levi não tinha participado nas ofertas dos líderes de cada tribo. Por isso a Torá continua a falar do ministério de Aharon para assim incluí-lo entre os demais.
              
Sobre o Nome da Parashá

               O nome dessa parashá, “Behaalotechá”, significa literalmente “quando fizeres subir”, fazendo referência às chamas de fogo do candelabro que faziam subir, ou que ardiam. Também se entende que, quando se ia acender a Menorah, subia-se em uma plataforma com escadas para poder acender as lâmpadas, por isso, o termo quando subires.
               Aharon acende a Menorah conforme a ordem de Adonai. Podemos perceber que o conjunto que proporciona luz está aceso de acordo com a ordem daquele que é o Eterno, que deseja ser a luz para todos os homens através de seu Mashiach. Observe que a palavra “ordenar” em hebraico é “TSAW” significando “ordenar, incumbir”. A raiz dessa palavra designa a instrução de um pai para seu filho, de um fazendeiro a seus lavradores, de um rei a seus servos, ou seja, de alguém que tem autoridade sobre outro. O acendimento da Menorah era uma incumbência que fora dada pelo Eterno aos levitas, pois a eles seria dado o privilégio de trazerem a luz ao Mishkan, iluminando assim a Palavra do Eterno. E do mesmo modo que aos levitas foram designadas esta incumbência, a nós hoje como sacerdotes do Eterno em Yeshua, devemos também trazer luz à Palavra do Eterno, para que as pessoas possam vir ao conhecimento dessa Palavra que é a luz a todos os homens, conforme lemos em:

Sl 119:105 - “A tua palavra é lâmpada para os meus passos e luz que clareia o meu caminho.”
Mt 5:14-16 – “Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.”
               Voltando ao termo “Behaalotechá”, o Eterno usou esse termo, que não é muito usual no contexto de acender a Menorah, dizendo: “Behaalotechá – quando você fizer subir” em vez de “behadlicchá – ao acender”. Dentre outras implicações, este termo denota: “Você será elevado” Cumprindo a mitsvá, os servos do Eterno tornam-se espiritualmente elevados. Mas e o porquê disso?
               Segundo a tradição, Moshê não conseguia compreender porque D’us desejava que uma Menorah fosse acesa no Santuário, pois toda vez que ele entrava, encontrava o Mishkan brilhando com o esplendor da Shechiná (Presença) do Eterno. Então, como poderiam as luzes da pobre Menorah terrestre serem comparadas ao esplendor que a Shechiná irradiava? Por esse motivo Adonai disse a Moshê a palavra “Behaalotecha”, ou seja, você se tornará espiritualmente elevado acendendo a Menorah.
               Assim, nunca pense que o Eterno precisa de nossa luz! Pelo contrário, nós precisamos da luz dele. Por isso, para demonstrar isso, o Todo Poderoso, ordenou que os três braços de cada lado fosse inclinado para o centro e não para fora. Demonstrando assim, que nós dependemos dele, mas também como falamos anteriormente, que nós precisamos trazer luz sobre o Eterno para que os outros a vejam.

Sobre a separação dos Levitas

“Assim você os purificará: faça aspersão com água da purificação sobre eles, faça-os raspar todo o corpo com lâmina, lavar suas roupas e se limpar. Em seguida, eles pegarão um novilho com a oferta de grãos, que será farinha pura amassada com azeite de oliva, enquanto você pega outro novilho para a oferta pelo pecado.”(Nm 8:7-8)

               Para que os levitas pudessem exercer seu serviço ao Eterno no santuário havia uma condição, eles deveriam ser purificados. E vamos estudar um pouco sobre isso agora. A palavra “purificar” aqui, vem do hebraico “TEHAR” e significa “ser (estar) puro, limpo”. A raiz dessa palavra é “TOHAR” que significa “claridade” e também “TEHAR” que significa “limpeza”. Podemos então entender que os levitas precisavam ser e estar puros pra ser luz e revelação ao povo de Israel e esse ato dissiparia todas as trevas, trazendo então claridade ao povo, tudo isso porque eles fizeram uma limpeza em sua vida.
               Entretanto,essa limpeza deveria seguir o padrão dado pelo Eterno (v. 7-8). A limpeza deveria ser feita não através de água, mas de águas, pois a palavra que aparece no texto original é “MAYM” e ela está no plural, da mesma forma a palavra expiação ali não tem este significado, pois a palavra “HATÁ” ali no texto significa “errar, sair do caminho, pecar, tornar-se culpado, perder”. A intenção aqui é que as águas purificariam o pecado que porventura eles pudessem ter cometido. A água aqui como muitas outras coisas, aparece em um sentido profético, pois já apontava para o futuro e é descrita na Brit Hadashá (Nova Aliança) como: “Para a santificar, purificando-a com a lavagem das águas, pela palavra”(Ef 5.26). A água simboliza a Palavra do Eterno que traz limpeza à nossa vida (corpo, alma e espírito). O que foi feito com os levitas não era nada mais que um ato profético que seria executado no futuro através da Palavra, onde já começou a ser executado e finalizará como retorno do Messias Yeshua.
               Outra parte da purificação é raspar o corpo com a lâmina, ou navalha. Esta representa a Torá que passa pela nossa carne (o yetser hará, que é a nossa tendência para praticar o mal), e nos prepara a fim de podermos servir ao Eterno de forma eficaz. Deixemos que essa lâmina passe sobre nossa carne, para que venhamos a servir melhor ao Eterno em obediência. Veja o que autores da Nova Aliança falam sobre isso:

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.”(Hb 4.12)

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.”(2 Tm 3:16-17)

Sobre o segundo Pessach

               Sabemos que Pessach (páscoa) é uma festa obrigatória para todos os filhos de Israel e para aqueles que se aproximaram deles através de Yeshua. Essa festa é muito importante, pois representa libertação da escravidão no jugo de Faraó, bem como do pecado. Já estudamos sobre tudo isso, e vimos também que essa mo’ed (festa) deveria ser celebrada no primeiro mês, aos 14 dias, e tinha todo um contexto de preparação para isso, reveja o estudo especial de Pessach. Entretanto, leia o texto de Números 9:6-12.
               Podemos perceber que houve alguns que não puderam participar da festa de Pessach porque estavam impuros, por haverem tocado em um cadáver. Mas essas pessoas foram perguntar a Moshê o que fariam. E este foi perguntar ao Eterno. E o Senhor respondeu que eles poderiam celebrar essa festa em suas casas um mês depois. Porém aquele não seria um dia de shabat, como é o primeiro. Daí aprendemos que o Senhor sempre nos dá uma oportunidade de celebrarmos e obedecermos ao que Ele preescreve em sua Torá. E também confirmamos o porquê os sacerdotes no tempo de Yeshua se apressavam tanto para o matar e sepultar, por que queriam celebrar o Pessach e não queriam estar impuros. Que nós possamos ter sinceridade em nossos desejos de servir ao Eterno, não sendo hipócritas e agindo apenas de forma que os outros vejam.

3 - RESUMO

               Este é um resumo dessa porção da Torá extraído do site Chabad.org, para auxílio na compreensão do contexto geral do assunto.
               Parashá Behaalotechá inicia-se com uma breve discussão sobre o acendimento diário da menorá de ouro (candelabro de sete braços) no Tabernáculo, seguida por uma descrição do ritual de consagração dos Levitas.
               A Torá então descreve a celebração de Pêssach no segundo ano no deserto, completada com a oferenda do corban Pêssach. Aqueles que estão impuros na data regular de Pêssach e, portanto incapazes de participar na oferenda, são ordenados a celebrar Pêssach Sheni, uma celebração similar a Pêssach realizada um mês mais tarde, quando o cordeiro pascal é comido com matsá e ervas amargas.
               Após mencionar a nuvem e o fogo que pairavam alternadamente sobre o Tabernáculo, a Torá descreve o procedimento padrão pelo qual os Filhos de Israel levantavam acampamento para continuar suas viagens pelo deserto. Logo após deixar o Monte Sinai e viajar até o deserto de Paran, o povo começa uma série de amargas reclamações. Espicaçados pelo erev rav (a múltipla mistura de povos que juntou-se ao povo judeu na saída do Egito), os Filhos de Israel ficaram insatisfeitos com o maná, sua miraculosa porção diária de pão celestial.
               Quando Moshê começa a se desesperar, D'us ordena-lhe que selecione setenta anciãos para compor o Sanhedrin, a corte que o ajudaria a liderar a nação. Quase imediatamente, dois dos membros recém-eleitos anunciam uma profecia no acampamento. D'us envia um enorme bando de codornas, que o povo junta para comer; aqueles que haviam reclamado da falta de alimentos comem demais e morrem durante este fato sobrenatural.
               A porção conclui com Miriam falando lashon hará, maledicência, a Aharon sobre seu irmão Moshê. Ela é punida por D'us com lepra, e fica de quarentena fora do acampamento por sete dias.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Estudo da Parashá Nassô (Fazei uma contagem)


Estudos da Torá

Parashá nº 35 – Nassô (Fazei uma contagem)
Bamidbar/Números Nm 4:21-7:89,
Haftará (Separação) Jz 13:2-25; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 13:1-14:35

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Nessa porção você poderá perceber que é delineado as tarefas e responsabilidades das três famílias levitas, Gershon, Merari e Kehat, estabelecendo todos os levitas que estavam em idade de servir no “Mishkan”.
               Segundo o comentário da Torá, a tribo de Levi que tinha a seu cargo o serviço do Tabernáculo, era dividida em quatro partes ao redor da tenda sagrada. No ocidente, achavam-se os filhos de Gershon, que tinham a seu cargo a tenda, a sua coberta, o véu, etc. Ao sul, os filhos de Kehat, cuja missão era transportar a Arca de Deus. Ao norte, os filhos de Merari, que tinham a seu cargo as madeiras, as tábuas do Tabernáculo, as suas travessas, colunas, etc., e no lado oriental estavam Moisés, Aarão e seus filhos, como guias espirituais do povo.

2 - ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               “E falou o Eterno a Moshé, dizendo: Levanta o censo dos filhos de Gershon, também deles, pela casa de seus pais, segundo suas famílias.” (Nm 4:21 e 22)

               Na parashá desta semana, vemos o texto original hebraico no verso 22 nos dizendo o seguinte: NASSÔ ET ROSH BNEY GERSHON...” Literalmente, a tradução da parte sublinhada é “levanta a cabeça”. Isso está se referindo a um censo dos filhos de Levi, iniciando pela família de Gershon. E não era meramente para se fazer uma contagem, mas era para se estabelecer a idade que os homens dessa família iniciariam o trabalho no “Mishkan”, bem como a idade em que eles encerrariam, ou seja, de 30 a 50 anos (Nm 4:23).
               Aqui nessa porção podemos entender claramente que a tarefa dos filhos de Levi, também conhecidos por levitas, não tinha nada a ver com cantar, mas sim trabalhos de transporte, manutenção, montagem e desmontagem do “Mishkan”. Essa pequena parte de canto, começa a aparecer na época do Beit Hamikdash (Casa da Santidade/Templo Sagrado), segundo podemos ler em 1Cr 25:1-7 e 2Cr 23:13, e posteriormente durante as reformas do Rei Josias, conforme lemos em 2Cr 34:12,13; 35:15. E também na época do segundo templo, conforme lemos em Ed 2:65 e Ne 12:42.
               De acordo com o que lemos até aqui, vimos que a tarefa desse homens eram diversas e dentro do serviço a Adonai, muito diferente do que dizem por aí, que os levitas são os que cuidam da música. Conforme vimos nos textos bíblicos acima, havia sim os que cuidavam da música, mas eles eram uma parte dos levitas, e durante o período dos templos.
               Sendo assim, quando uma pessoa diz que é levita se referindo somente à área da música ela está cometendo um erro grave de entendimento das Escrituras Sagradas. Isso porque ela não está levando em consideração todas as outras atividades que essas pessoas exerciam ao servirem ao Senhor, em conformidade com o prescrito na Torá, nessa e em outras porções.
               Com relação a idade de início do serviço dos levitas devemos levar em consideração uma outra referência. Em Bamidbar (Números) 8:24 encontramos registrado que os levitas deveriam entrar no serviço aos 25 anos de idade, mas aqui diz que os levitas tinham que ser contados a partir dos 30 anos de idade. Se compararmos com o texto do verso 23 dessa porção, talvez possamos achar que há uma contradição na Torá. No entanto, devemos entender que nunca há contradições nas Escrituras. Rashi, um grande intérprete judaico, explica a aparente contradição dizendo que os levitas entravam aos 25 anos para estudar a fundo as leis e aos 30 anos iniciavam o exercício do seu serviço.
               Também encontramos nessa parashá a ordem de Adonai a Moshê para purificar o acampamento para que fosse um lar merecedor da Presença Divina, a Torá dá ordens sobre o leproso, do que sofre de fluxo e daquele que se tornou impuro por ter tocado em ossos do cadáver de uma pessoa. Além disso, descreve o processo a ser cumprido com uma “sotá”, uma esposa que dá motivos ao marido para que este pense que ela esteja em adultério. Instrui, então, que ela deve ser levada ao Cohen (sacerdote) no templo, para que se façam os procedimentos estabelecidos pela Torá. Onde se ela não admitisse a culpa teria que beber a “água amarga”, que levaria a dois resultados: ela seria inocentada e seria abençoada com filhos, ou ela morreria milagrosamente de forma grotesca.
               A Torá então descreve as leis acerca do voto de nazir, onde uma pessoa que aceitou voluntariamente adotar um estado especial de santidade em relação a seus irmãos, geralmente por trinta dias, abstendo-se de comer ou beber qualquer derivado de uva, cortar o cabelo, e de contaminar-se através do contato com o corpo de alguém que morreu. Essa parte nos instrui a respeito da importância de nos separarmos para o Eterno em determinados momentos de nossas vidas, para um propósito especial, pois separados devemos ser sempre.
               Após relatar as bênçãos pelas quais os Cohanim (sacerdotes) abençoarão o povo, a porção da Torá conclui com uma longa lista das oferendas trazidas pelos doze líderes das tribos durante a dedicação do Mishkan (tabernáculo) para uso regular. Cada príncipe faz uma oferenda comunal para ajudar a transportar o Mishkan, bem como doações idênticas de ouro, prata, animais e alimentos.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

sábado, 16 de março de 2019

Estudo da Parashá Vayicrá


Estudos da Torá

Parashá nº 24 – Vayicrá (E chamou)
Vayicrá/Levítico Lv 1:1-6:7,
Haftará (Separação) Is 43:21-44:23, e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Mc 11:1-12:44

1 - INTRODUÇÃO
                  
               O terceiro livro da Torá ou Pentateuco chama-se Vayicrá (E chamou/E Ele chamou), palavra com a qual inicia este livro e esta porção. A versão bíblica “Septuaginta” (versão dos setenta) deu-lhe o nome de Levítico. Porém, esta denominação está em desacordo com o seu conteúdo, pois o livro só trata dos Levitas esporadicamente, dedicando sua maior parte aos “Cohanim” (Sacerdotes) e ao culto em geral. Talvez tenham decidido chamá-lo assim, pelo fato de Aarão e seus filhos, os sacerdotes, pertenciam à tribo de Levi.

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
               No final da Parashá da semana passada, lemos que Moshê terminou a obra do Mishkan (tabernáculo), e logo depois a Shekinah (presença) de Adonai encheu o lugar, de forma que Moisés não podia entrar. E a parashá dessa semana começa exatamente onde a anterior termina, ou seja, Moisés não podia entrar por causa da presença de Adonai que lá estava. Porém, agora o Eterno o chama de dentro do Mishkan. Os sábios judeus dizem que D’us honrou a Moshê mais do que a qualquer outro hebreu. Apenas ele foi convidado por D’us a entrar no Mishkan e ouvir suas palavras. E a razão deste proceder é que Moshê sempre se sentiu humilde e pouco importante. Ele não era homem de perseguir honras, mas fugia de honrarias e elogios. Uma pessoa que é modesta e se sente humilde, eventualmente irá receber de D’us a honra que merece, mas aquela que está cheia de orgulho, no final não será honrada. Moshê foi muito honrado por Deus, já que nunca se considerou grandioso ou importante.
               Na porção desta semana iniciaremos o estudo no livro de Vayicrá e conheceremos um pouco sobre os sacrifícios e cada uma de suas funções no culto ao Eterno. A Torá nos diz como e por que cada um daqueles sacrifícios deveriam ser feitos e qual a finalidade deles.
               Repare que anteriormente D’us falava com Moisés no monte Sinai, não permitindo que ninguém se aproximasse, agora porém, fala da tenda da congregação, da nuvem que estava em cima do propiciatório no Santo dos Santos, permitindo que o adorador se aproxime dele por intermédio das ofertas (Korban).

Sobre o termo Vayicrá

               

Na Torá vemos a palavra  וַיִּקְרָא (Vayicrá) e significa “e chamou” no texto propriamente dito, esta palavra está escrita com a última letra o  aaaaaaaaa (Aleph) em tamanho menor que as outras letras. E segundo a hermenêutica judaica quando acontece algo assim, devemos parar e procurar mais informações sobre o texto, pois se o Eterno fez com que o escritor fizesse isso, é porque queria nos ensinar algo que está além do texto, e é preciso sair da mera letra e entrar no segundo nível de interpretação.
               Nesse sentido, os sábios de Israel, que receberam os textos e suas interpretações, e passaram de pai para filho, afirmam o seguinte:

Moshê era muito humilde. E quando D’us lhe disse para escrever “Vayicrá”. Ele respondeu: “Eu devo escrever que o Senhor chamou apenas a mim para o Mishkan? Me parece muito arrogante. Me permita retirar a letra alef do fim da palavra, assim a palavra será “vayiker, que significa que o Senhor me chamou por acaso.” D’us teria ordenado a Moshê: “Não, você deve adicionar a letra Aleph à palavra. No entanto, permitirei que você a escreva menor do que as outras letras.”

               Desta forma, podemos aprender que aquela letra menor nos lembra quão humilde era Moshê.
               Entretanto, há outra linha de entendimento a respeito dessa letra minúscula na palavra Vayicrá. No comentário da Torá, traz a seguinte informação:

Os comentaristas da Torá, que encontraram em cada palavra, às vezes em cada letra, pontos de apoio para os seus ensinamentos éticos, chamam a nossa atenção para a palavra Vayicrá com que começa este livro. Não apenas nos livros impressos, mas também na própria Torá, a última letra da primeira palavra – a letra Aleph (a) – é minúscula (pequena), dando-nos neste contexto duas belíssimas lições: 1) O prazer e a alegria de oferecer algo deve ser ensinado mesmo às crianças pequenas na mais tenra idade. Se ela é favorecida pela sorte e tem muitos livros ou brinquedos, deve aprender a dar aquilo que possui a mais ao seu amigo ou amiga e a um pobre que não tem nada ou muito pouco. 2) Que cada Aleph – e a letra Aleph vale um – cada qual, mesmo com recursos muito limitados, não se pode excluir nem esquivar de contribuir, na medida de suas posses, para objetivos nobres e caritativos...Portanto, podemos concluir que o Aleph diminuto da palavra Vayicrá indica que, para se tornar um servo de Adonai consciente de seus deveres e responsabilidades, para conhecer e para se aprofundar nos eternos valores espirituais, é necessário estudar a Torá desde pequeno, desde a tenra infância.

                   Perceba que, para que alguém possa ser consciente a ponto de ser útil em sua comunidade, a ponto de ajudar a quem precisa, sendo doador e se aproximando das pessoas, deve estudar a Torá em seus detalhes desde muito cedo. Somando as duas tradições, podemos aprender que a humildade e um caráter doador advém da observância da Torá.
                  
Sobre os sacrifícios ao Eterno

                   No verso 2, desse primeiro capítulo, lemos: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: quando algum de vós oferecer sacrifício ao Eterno...” À partir daqui, a Torá começa a enumerar as leis dos sacrifícios e a missão dos Cohanim (sacerdotes). E faz isso de forma bem explicada, oferta por oferta. No entanto, cabe ressaltar o grande erro que podemos cometer ao confundir os sacrifícios enumerados nesse livro, com os dos povos pagãos da Antiguidade, os quais faziam com os seus sacrifícios descer as suas divindades ao nível das paixões humanas atraindo-as a seu favor, e praticar algumas vezes atos abomináveis; sendo que os sacrifícios mosaicos têm como base a adoração do Eterno, agradecer Suas bondades, pedir perdão por faltas cometidas involuntariamente ou por uma falta voluntária após tê-la reparado. Os sacrifícios dos israelitas tinham que ser acompanhados pela Cavaná (intenção) de voltar ao bom caminho, e geralmente, por uma prece ou oração.
                   O Eterno inicia usando a palavra “fala”. Esta palavra em hebraico é “dabar” e significa “falar, declarar, ordenar, advertir”. Já a palavra “dizer” em hebraico é “amar” e esta palavra significa “ordenar”. Aqui o termo “amar” tem força de uma ordem dada a alguém. O termo “oferecerá” em hebraico é “qarab” e significa “aproximar, chocar-se”. E isso demonstra que devemos nos aproximar juntamente com a oferta do lugar onde será realizado o sacrifício. E sabemos que o lugar onde isso acontece é o altar! Já o termo “oferta” em hebraico é “korban” (sacrifício, imolação, oblação, oferta) e denota aquilo que é trazido para perto. Nessa porção as ofertas são divididas em:
- Olá - Holocausto/ascenção (queimadas) – Lv 1:1-17;
- Minhchá - Manjares (alimento) – Lv 2:1-16;
- Shlamim - Pacífica (paz, comunhão) – Lv 3:1-17;
- Chatat - Pelo Pecado (involuntário) – Lv 4:1-5:13;e
- Asham - Pela Culpa (voluntário) – Lv 5:15-6.7.
                   Leia com cuidado cada uma das referências acima, medite sobre elas e poderá perceber muitas minúcias da vida e obra do Messias Yeshua.
                   A oferta “Olá” e a oferta “minchá” são irmãs, assim como “chatat” e “asham” são irmãos, ou seja, são oferecidos de forma similar, seguindo as mesmas orientações, e se assemelham entre si.
                   As três primeiras são voluntárias, e as outras são obrigatórias. O texto diz que o korban (oferta) deveria ser trazida ao Senhor (Adonai). A palavra “Senhor” no texto hebraico é o tetragrama, iiiiiiiihwhy((YHVH), que é o nome que o Eterno se apresentou a Moshê no Sinai, significando “Eu sou o que sou ou eu me torno o que me torno”. E isso nos mostra que o Eterno se tornaria para os ofertantes aquilo que eles necessitassem, ou seja o perdão de seus pecados, o louvor ou o agradecimento. Podemos aprender disso que, o propósito dos sacrifícios é aproximarmo-nos do Eterno e apresentarmo-nos diante Dele. No entanto, não é possível nos aproximar do eterno sem sacrifícios. O sacrifício é necessário para nos aproximar e permanecer na sua presença, como lemos em Ex 23:15b; 34:20b e Deut 16:16b, que diz: “Ninguém se apresentará diante de mim com as mãos vazias”.

Sobre o Holocausto

                   No verso 3 lemos: Se a sua oferta for holocausto de gado, oferecerá macho sem defeito; à porta da tenda da congregação a oferecerá [qarab], de sua própria vontade, perante o IHVHO Eterno agora, através da Torá, nos fala sobre o holocausto, que em hebraico é “olá ou olâ” e significa “oferta queimada”. Esta palavra vem da raiz “alâ” e significa “subir, escalar”. O é o único meio de fazer o ofertante “subir” até a presença de D’us. A fumaça da oferta queimada é o símbolo da vida do ofertante que está sobre o altar e é queimada, devorada pelo fogo! “Olah” significa também “oferta total ou oferta inteira”. O ato de queimar é secundário em relação à entrega da criatura toda ao Senhor. O korban olâ ou holocausto é voluntário e pode ser oferecido por qualquer homem ou mulher, israelita ou não.

Sobre Qualidade versos a Quantidade

                   O Rabino Chaim Goldberger, escreveu para o site chabad.org o seguinte:
De todos os sacrifícios introduzidos na Porção desta semana da Torá, o único que não requer o sacrifício de um animal é o corban minchá, uma oferenda de farinha misturada com óleo e incenso trazido como uma alternativa de menor custo que as demais, entre as quais as oferendas de novilho ou ave. Mesmo assim, quando a Torá descreve as pessoas que levam cada uma das várias oferendas ao Templo, a única que é destacada e identificada como sendo uma "nefesh - alma" é a pessoa que traz o simples corban minchá.
O Talmud (Tratado Menachot 104b) desenvolve: "Por que o corban minchá recebe destaque e seu portador é chamado de nefesh, alma? D'us declara: 'Quem geralmente oferece corban minchá? O pobre. Considero seu ato como se ele sacrificasse sua alma por inteiro.' "
Pode-se deduzir que para alguém que está empobrecido, o ato de separar-se de boa farinha, que de outra forma poderia alimentá-lo e aplacar sua fome, é um ato de sacrifício ainda maior que aquele do homem rico doando um animal de alto preço. Para o pobre, a farinha é mais que uma grande parte de suas posses: é sua própria vida. A Torá está nos ensinando que não é o tamanho do presente que determina a importância do sacrifício; pelo contrário, a importância está nas intenções do doador e nas circunstâncias.
Quando Yaacov despachou seus filhos para encontrar o misterioso governante do Egito, enviou com eles um presente. Este tributo era de fato pequeno - "um pouco de bálsamo, cera, lótus, pistache e amêndoas" - mas a importância não estava no tamanho. Estes itens haviam sido cuidadosamente considerados e especialmente selecionados. Eram iguarias não disponíveis no Egito àquela época. Sua mensagem era de cuidadoso esmero e consciencioso interesse. E de forma bem apropriada, Yossef chamou o presente de "um minchá".
De todas as nossas preces diárias, a mais curta é Minchá, o serviço vespertino. Não contém o longo segmento de introdução nem o de encerramento do serviço matinal de Shacharit, nem as preces Shemá e Barchú do serviço noturno de Maariv.
Basicamente, é composto pelo Shemonê Esrê, mesmo assim o serviço vespertino é o único que chamamos de "Minchá". Por quê? Porque, por mais "pobre" como esse serviço possa parecer, é o único que ocorre em meio a nosso dia de trabalho; é o único que nos pede para deixarmos de lado aquilo que estamos fazendo e nos lembremos de que somos apenas súditos de nosso Mestre Todo Poderoso.
Minchá é o único serviço de prece que nos pede para desligar de nossa inclinação mundana e nos retirar para um súbito e total encontro com o Divino. Pode levar apenas quinze minutos, mas é um Minchá. Lembra-nos da motivação necessária para doações de todos os tipos, e que não é o tamanho que importa; o significado e as intenções são igualmente importantes.
                   Que possamos entregar nosso minchá ao Senhor e que cada dia possamos estar diante dele com ações de graça, mas acima de tudo confiando naquele que foi morto como korban pelas nossas vidas, nosso amado Yeshua HaMashiah!

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.
- http://emunah-fe-dos-santos.weebly.com/uploads/1/4/2/3/14238883/24-_vayikr_e_chamou.pdf
- http://shemaysrael.com/parasha-vayicra/
- https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/822844/jewish/Mensagem-da-Parash.htm