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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Paralelos entre os Samaritanos e a Igreja




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Texto: Jo 4.6-29

Havia ali o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isto se deu por volta do meio-dia.
Nisso veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: "Dê-me um pouco de água". (Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.)
A mulher samaritana lhe perguntou: "Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?" (Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos.)
Jesus lhe respondeu: "Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva".
Disse a mulher: "O senhor não tem com que tirar a água, e o poço é fundo. Onde pode conseguir essa água viva?
Acaso o senhor é maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, bem como seus filhos e seu gado? "
Jesus respondeu: "Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna".
A mulher lhe disse: "Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água". Ele lhe disse: "Vá, chame o seu marido e volte".
"Não tenho marido", respondeu ela. Disse-lhe Jesus: "Você falou corretamente, dizendo que não tem marido.
O fato é que você já teve cinco; e o homem com quem agora vive não é seu marido. O que você acabou de dizer é verdade". Disse a mulher: "Senhor, vejo que é profeta.
Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar".
Jesus declarou: "Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém.
Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.
No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura.
Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade".
Disse a mulher: "Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós".
Então Jesus declarou: "Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você".
Naquele momento os seus discípulos voltaram e ficaram surpresos ao encontrá-lo conversando com uma mulher. Mas ninguém perguntou: "Que queres saber? " ou: "Por que estás conversando com ela? "
Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo:
"Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo? "

         Em uma conversa com um irmão chamado Anderson de Carvalho, este também servo do Eterno no messias Yeshua, falávamos sobre essa passagem da mulher samaritana, e sobre os aspectos e paralelos que há com a igreja cristã. Daí a motivação para este pequeno artigo, pois se nos atentarmos bem naquela mulher, poderemos tirar algumas lições importantes a respeito da igreja cristã.

         Quando lemos essa passagem do evangelho segundo escreveu João, temos uma bela oportunidade de aprender mais a respeito de nós mesmos, enquanto gentios pertencentes à comunidade dos que crêem no Messias Yeshua. Bem como perceber os paralelos que existem entre a igreja ou cristianismo atual e aquela mulher samaritana, que se encontrou com Yeshua naquele poço.

         Em primeiro lugar devemos nos localizar historicamente e geograficamente. Aquele poço encontrava-se na região onde habitavam os samaritanos, próximo à cidade de Samaria. Essa era a região ao norte, onde dez das doze tribos de Israel habitavam desde que tomaram posse da terra. A animosidade entre os dois povos, no entanto, já vinha de muito tempo, devido à divisão que houve já desde a época de Jeroboão (IRs 11), que acabou dividindo a nação em duas partes, Israel formada por dez tribos ao norte e Judá com duas tribos ao sul. E mais tarde com a derrota de Israel para Senaqueribe, rei da Assíria, que enviou muitos israelitas para diversas regiões sob seus domínios e permitiu que pessoas de outros povos passassem a habitar ali, gerando uma população mista. Por sua vez, este povo passa a se voltar sempre contra o povo de Judá, em diversos momentos da história os encontramos aliando-se a diversos inimigos de Judá, constatamos a esse respeito nos textos de Flávio Josefo, o historiador judeu. Tudo isso, somente aumentou a rivalidade entre os dois povos até a época de Yeshua. Hoje em dia eles são poucos, sim, eles ainda existem, e devido a rigidez de suas tradições em relação ao casamento com pessoas de outras culturas e religiões estiveram à beira da extinção, a liderança está mudando isso a fim de evitar seu desaparecimento.

         Entretanto, é muito interessante quando estudamos a história, pois verificamos que a igreja dita cristã, desde sua “fundação” no século IV, pelo imperador romano Constantino, está sempre indo contra o povo Judeu, assim como os samaritanos daquela época mais antiga. Podemos notar isso em um artigo do Rabino Messiânico Matheus Zandona Guimarães, entitulado “O terceiro templo”[1], onde em um dos parágrafos menciona que, devido à falsa “teologia da substituição”, muitos líderes cristãos foram contra a criação do estado de Israel, em 1948, pois estavam convencidos que o Israel não poderia mais existir, uma vez que a Igreja agora representa o “Israel espiritual” de Deus. Esse autor ainda menciona em outro parágrafo do mesmo artigo que, “no final do século XIX, enquanto judeus de toda Europa se reuniam sob a liderança de Theodor Herzl para decidirem sobre a criação do Estado de Israel, muitos cristãos entenderam que a criação de um estado judacio seria algo profético e, … Por outro lado, grandes foram as manifestações cristãs contra a criação do Estado de Israel. Muitos pastores evangélicos, padres católicos e outros, se aliaram aos árabes nas campanhas anti-Israel,...”. Apesar de tudo o Eterno cumpriu sua Palavra e Israel tornou-se novamente uma nação. Porém, vimos e veremos mais à frente essa contrariedade contra o povo judeu por parte também do cristianismo. Mas há algo misterioso nas Escrituras, a respeito dos samaritanos. Encontramos nos escritos do Novo Testamento, além dessa mulher, a menção a dois outros samaritanos, o da parábola do bom samaritano e o samaritano leproso que foi curado e voltou para agradecer.

         Com relação à parábola do bom samaritano (Lc 10.29-36), Yeshua quis ilustrar para um doutor da Lei sobre quem é o próximo de alguém. E para isso utilizou-se de algo comum em sua época, uma parábola. Em específico, nessa contada pelo Mestre, o samaritano representava alguém de bom coração e que tinha amor, demonstrando isso ao ajudar um judeu caído à beira do caminho. Aqui, Yeshua apresenta uma característica que, bem poucas pessoas poderiam perceber em um samaritano. Temos também o encontro do Messias com dez leprosos(Lc 17.12-19), que clamaram por cura e a receberam, mas apenas um voltou para agradecer a Yeshua, e este era samaritano. Essas três passagens são muito peculiares, e têm representações importantes para nós, mas vamos nos ater aqui neste texto, àquela mulher que Yeshua encontrou no poço.

         A samaritana falou com Yeshua de forma questionadora, talvez estranhando o fato de um rabino judeu dirigir a palavra a ela, o que não era nem um pouco comum devido à mencionada richa. E isso provavelmente a levou ao questionamento, fazendo com que sua pergunta fosse muito pertinente ao momento, como se ela falasse por todo o povo samaritano. Yeshua percebendo isso leva a conversa também de forma generalizada, falando a respeito do povo judeu e da salvação.

         Tendo essas coisas sem mente, tracemos um paralelo entre os samaritanos e a igreja cristã, sendo assim vejamos:

         1 - O povo samaritano, conforme pontuei no início deste texto era um povo misturado. E atualmente, a igreja cristã também está assim, devido às várias denominações, tradições e seguimentos. Atualmente vemos tantas “inovações” na igreja, que às vezes não temos como discernir se é igreja ou mundo. Há igrejas que no intuito de “evangelizar” fazem cada coisa que pode espantar. Colocam nos templos rings de MMA, fazem bailes e festas diversas, promovem desfiles de moda e muito mais. Está uma mistura generalizada;

         2 - Samaritanos tinham e ainda tem sua própria Toráh, e a forma de interpretá-la. A igreja cristã têm a Escritura, e diversas formas de interpretá-la. Hoje há Bíblias para todos os gostos, de todos os formatos e tamanhos. Até aí nenhum problema, a coisa estreita mesmo é com as diversas interpretações. Há ainda Bíblias de “Vitória Financeira”, Bíblia “Inclusiva”, onde ensinam sobre a inclusão dos homossexuais no meio cristão sem precisar se arrepender de seus pecados e onde os textos referentes relações sexuais ilícitas foram deturpados, e muitas outras;

         3 - Os samaritanos eram independentes de Israel e do povo judeu, e a igreja cristã é independente de Israel e do povo judeu. Muitos cristãos, se não a maioria está totalmente distantes de Israel. Ensinam que a Aliança de Deus agora é com a Igreja e por isso o povo judeu não significa mais nada. Ensinam que a igreja é o Israel agora. Essa linha de pensamento e interpretação vem da “Teologia da Substituição”, que ensina a substituição de Israel pela Igreja por Deus, devido à rejeição deles ao messias;

         4 - Eles se consideravam melhores do que os judeus, e a igreja nutre um sentimento triunfalista em relação aos judeus. Por causa de doutrinas dispensacionalistas e substitucionalistas o cristianismo se vê acima de Israel;

         5 - Aquele povo pensava que serviam a D`us da forma correta, e a igreja pensa que é a detentora da Verdade. Por interpretarem as Escrituras distantes do contexto judaico, a igreja vê a Bíblia de forma diferente e por isso, anula tudo que diz respeito a Israel e sua forma de adoração. E isso leva a um entendimento diferenciado, fazendo-os pensar que sua forma de adoração é a correta;

         6 - Os samaritanos negligenciavam a origem de sua fé, que vinha de Israel e o povo judeu; da mesma forma a igreja negligencia a origem da sua fé, que vem de Israel e o povo judeu. Com isso negligenciam também a origem judaica do messias, dos profetas e dos apóstolos, consequentemente aos escritos deles (Rm 9.4,5);

         7 - Eles não tinham comunhão com os judeus, assim como a igreja não tem comunhão com os judeus. Quase não vemos judeus e cristãos juntos, mesmo em se tratando de judeus messiânicos, e isso é devido aos dogmas cristãos que atrapalham o relacionamento entre ambos;

         8 - Os samaritanos adoravam a quem não conheciam, e a igreja cristã adora a quem não conhece. Isso parece estranho, mas devido aos fatos já mencionados, os cristãos acabam por adorar a um Deus que eles não conhecem. Se o cristianismo conhecesse mesmo a quem adoram não distorceriam tanto a interpretação das Escrituras, colocando seus dogmas e pensamentos totalmente diferentes do que se pode encontrar nas Escrituras. As interpretações seriam de acordo com o pensamento judaico que é o contexto correto; e

         9 - Eles pensavam que a salvação pudesse vir deles, a igreja também  pensa que a salvação vem dela mesma. Ou seja, a igreja entende que somente se tornando cristão alguém pode ser salvo, mas a Escritura afirma que encontram salvação aqueles que confiam no messias e obedecem a sua palavra. Não basta somente pertencer à religião, é preciso viver o que o mestre ensinou.

         Dessa forma, concluindo esse texto, convido você a rever sua forma de pensar sua crença em Yeshua(Jesus). Convido a você a observar com atenção a conversa de Yeshua com aquela mulher de Samaria, e o que ele quis que ela entendesse. Que possamos viver a salvação que vem dos judeus através do Messias Yeshua, o filho de Deus. Que nós deixemos de lado os dogmas e tradições criados ao longo dos séculos pela igreja, nos afastando da verdadeira forma de agradar a Deus. Que possamos contextualizar a Bíblia do jeito correto, ou seja, como um livro judaico, escrita para judeus e seguidores do Messias, para que venhamos ter o entendimento correto acerca do que é o Reino de Deus. Restauremos as raízes da fé no Eterno e no Messias Yeshua, a mesma fé que os apóstolos e discípulos seguiam no princípio da comunidade dos seguidores de Yeshua.

         Restauração já



[1]http://ensinandodesiao.org.br/artigos-e-estudos/o-terceiro-templo/

terça-feira, 29 de março de 2016

BEM VINDO AO MUNDO REAL







“Bem vindo ao mundo real” é o que o personagem chamado Morpheu fala para Neo, no filme Matrix, quando este acorda depois de ser despertado do sono letárgico em que vivia, acreditando ser a vida real. A realidade era muito diferente do que Neo pensava ser, pois muita coisa tinha mudado e ele nem tinha ideia. Esta frase e até mesmo o tema do filme pode servir de contexto para a situação vivida por muitos cristãos na atualidade brasileira e também de alguns países do mundo.

Na ficção, as pessoas estão plugadas inconscientes a algo como uma rede de computadores, chamada matrix, a fim de servir de baterias humanas para as máquinas. E estes seres humanos permanecem como se estivessem sonhando, e em seus sonhos, onde todos estão interligados, eles vivem suas vidas, até que morrem ou são desplugados. Já na realidade em que vivemos atualmente, infelizmente, muitos cristãos parecem estar conectados à matrix, vivendo em um mundo de ilusão, onde tudo está perfeito, vivendo suas teologias da prosperidade, da confissão positiva, bem como tantos modismos que foram sendo inventados. Cantores lançam músicas que em nada louvam a Deus, mas a massa plugada na matrix gospel canta com toda força de seus pulmões, certos de que estão louvando. E repetem palavras de ordem, durante as ministrações repetindo os mesmos jargões usados por seus ídolos.

Porém a coisa só fica pior, enquanto tudo isso acontece, ainda existem aqueles que estão em cima dos altares cantando, pregando ou dirigindo, mas que mentem sem temer ao que Deus pode lhes fazer, acreditando e fazendo-se acreditar que tudo está certo, e que Deus está falando. Alguns enganam a fim de realizar seus intentos, outros agem com tremenda hipocrisia para com os irmãos. Vale tudo para se manter a frente de algum trabalho. E assim, a vida segue com as pessoas plugadas a matrix gospel.

No entanto, como na ficção, existem aqueles que estão desplugados, pois conheceram a verdade da vida. Entenderam que se permanecessem ligados à máquina seriam simplesmente massa de manobra. Sabem que os seus irmãos estão vivendo em um mundo de fantasia, e que nada é real, estão somente sendo usados. Porém, quando tentam acordar essas pessoas avisando-as da realidade, são atacados e desacreditados por que só conhecem a mentira em que vivem. Para que elas possam ser desplugadas da matrix é necessário que façam uma escolha. Essa escolha é pessoal e exige renúncia do indivíduo. As Escrituras nos sinalizam a respeito disso quando dizem: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Rm 12.2. Não se pode estar conformado com este mundo, ou seja, com a matrix gospel, é necessário ser tranformado pela renovação do entendimento, mas isso só acontece quando permitimos que Deus faça isso em nós, por meio da ação do Espírito Santo. Para isso, portanto, é preciso acordar e renunciar a tantas as coisas que acontecem ao redor, e isso é uma decisão dolorosa. Saber que esteve errado e vivendo uma mentira durante tanto tempo é muito doloroso para o indivíduo. Assim como, na ficção, o personagem viu-se em um mundo diferente e sem muitas cores, mas que, porém, era real, levando certo tempo para adaptar-se. Na vida real, não é diferente, leva-se um tempo para nos acostumar com a verdade da vida com Deus.

Essa renovação do entendimento e o posterior desplugamento da matrix, se dará quando o indivíduo acordar para a realidade, renunciando a vida de mentira que vivia. Dessa forma, o Espírito de Deus poderá iniciar o processo de limpeza e adaptação do indivíduo à vida real. Por mais doloroso que possa ser, pois Jesus Cristo nos disse que “teríamos aflições neste mundo”, ainda é melhor ter o nome escrito no Livro da Vida do que viver pensando estar servindo e agradando a Deus, e depois ser expulso da sua presença por nunca tê-lo conhecido.

Para aqueles que se desligam da matrix a promessa divina citada por Paulo é experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. E isso por si só, é muito melhor do que parecer usufruir de tais coisas sem nunca saber o que elas significam verdadeiramente. Vamos acordar, o Espírito Santo está nos chamando, ouçamos a voz que tem nos falado ao coração para abandonar a mentira, a fim de vivermos a verdade. Ore a Deus, cria uma rotina de oração e leitura da Palavra de Deus. Leia livros devocionais, livros teológicos bons e de responsabilidade, adore em verdade, com louvores que sejam cristocêntricos. Atualmente o antropocentrismo tem invadido as igrejas e temos esquecido de quem merece ser adorado. Posso te garantir, de cadeira, ou seja, de experiência própria, que quando começar a agir dessa forma os seus olhos se abrirão e quando menos perceber você terá saído da matrix. Aí, ouvirá uma voz lhe dizer: Bem vindo ao mundo real!

Pense nisso.

Marcelo Santos da Silva

terça-feira, 17 de novembro de 2015

NÃO MORRA NO DESERTO








Você está passando pelo deserto? Você acha que sua vida está passando por um grande deserto espiritual?

Pretendo ensinar a você leitor, a aprender com o Espírito Santo de Deus, alguns princípios espirituais para não morrermos no deserto.

Texto Bíblico Base: 1Co 10.1-13

Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar.
E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar,
E todos comeram de uma mesma comida espiritual,
E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.
Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto.
E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.
Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar.
E não nos forniquemos, como alguns deles fizeram; e caíram num dia vinte e três mil.
E não tentemos a Cristo, como alguns deles também tentaram, e pereceram pelas serpentes.
E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor.
Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.
Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.
Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.
1 Coríntios 10:1-13

Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. 
E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar,E todos comeram de uma mesma comida espiritual, E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo. 
Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto. 
E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. 
E não nos forniquemos, como alguns deles fizeram; e caíram num dia vinte e três mil. 
E não tentemos a Cristo, como alguns deles também tentaram, e pereceram pelas serpentes. 
E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. 
Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. 
Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. 
Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. 



Introdução:  
Primeiramente vejamos algo a respeito do texto da nossa reflexão. Esta epístola foi escrita por Paulo para uma igreja, a qual vemos seu início em Atos 18.1-17, na sua segunda viagem missionária. Essa porém, foi provavelmente, sua congregação mais problemática. Depois que o apóstolo seguiu viagem sua comunicação com ela era feita por meio de cartas (epístolas). Primeiro ele mandou uma carta admoestando os novos crentes para se afastarem da prostituição, conforme percebemos sua menção em 1Co 5.9. No entanto, não temos essa referida carta, apenas a menção dela na referência mencionada anteriormente. Depois os coríntios enviaram uma carta para Paulo pedindo orientação sobre os problemas na igreja, de acordo com o que consta em 1Co 7.1. Várias pessoas dessa igreja foram visitar Paulo na Ásia e levavam notícias daquela comunidade eclesiástica. Algumas dessas pessoas eram os servos da casa de Cloé, que mencionaram sobre a divisão que havia entre os irmãos, conforme podemos ler em 1Co 1.11. Outras pessoas foram, três irmãos registrados em 1Co 16.17,18. Então, o apóstolo escreveu sua segunda carta, que é a nossa Primeira aos Coríntios, respondendo aos questionamentos feitos pelos crentes. Depois ele volta àquela igreja em uma segunda visita, ficando pouco tempo, pois a situação não estava boa ali. Ocasião em que ele escreve a terceira carta, que é a nossa Segunda aos Coríntios. 

Tendo observado esse pequeno resumo, passemos ao texto que estamos fazendo menção como base para nosso estudo. Ele está falando sobre a desobediência, a falta de fé e a idolatria, entre outros assuntos, e menciona o povo de Israel, enquanto estavam no deserto, caminhando para a terra de Canaã, que é o nosso alvo de estudo no momento.

Deus tirou o povo do Egito com mão forte, conforme lemos em Ex 13.3.


     E Moisés disse ao povo: Lembrai-vos deste mesmo dia, em que saístes do Egito, da casa da servidão; pois com mão forte o Senhor vos tirou daqui; portanto não comereis pão levedado.


Ao chegarem na península do Sinai, ao pé do monte onde Deus falou com Moisés, o povo acampou, pois receberiam as Leis da Aliança com o Senhor, e aprenderem a viver como uma nação livre, isso levou mais ou menos dois anos. Nesse período, a Aliança é quebrada, pois ao descer do monte com as tábuas da Lei, depois de quarenta dias, o povo estava adorando a uma imagem de um bezerro de ouro que tinham feito. Então, Deus os corrige, e Moisés sobe ao monte novamente para receber do Senhor outras tábuas, pois as tinha jogado ao chão quebrando-as, em representação a Aliança que tinha sido quebrada.

Depois reiniciam a marcha até o momento em que Moisés envia espiões até a terra que teriam que conquistar. Porém quando eles voltaram, suas afirmações temerosas a respeito dos exércitos inimigos e dos gigantes que haviam na terra fizeram o povo sentir medo e não confiarem no Senhor. Apenas Josué e Calebe, dos doze espiões enviados, permaneceram firmes na confiança de que Deus daria a terra se eles se esforçassem.

No entanto, por causa da falta de fé e das murmurações dos espiões e do povo, todos daquela geração iriam perecer no deserto. Ou seja, não veriam o cumprimento da promessa, não tomariam posse da terra, e por quarenta anos viveriam ali, andando no deserto, até que o último deles tivesse perecido ali. E pior do que isso, lemos em Amós 5.25-27, que aquela geração não se arrependeu dos seus erros e adoraram a outros Deuses.

Oferecestes-me vós sacrifícios e oblações no deserto por quarenta anos, ó casa de Israel?
Antes levastes a tenda de vosso
Moloque, e a estátua das vossas imagens, a estrela do vosso deus, que fizestes para vós mesmos.
Portanto vos levarei cativos, para além de Damasco, diz o Senhor, cujo nome é o Deus dos Exércitos.


E isso pode ser confirmado em Atos 7.42,43.
Mas Deus se afastou, e os abandonou a que servissem ao exército do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura me oferecestes vítimas e sacrifícios no deserto por quarenta anos, ó casa de Israel? Antes tomastes o tabernáculo e Moloque, e a estrela do vosso deus Renfã, figuras que vós fizestes para as adorar. Transportar-vos-ei, pois, para além da Babilônia.

Fazemos uma pausa aqui, a fim de refletirmos em alguns pontos importantes antes de continuarmos nosso pequeno estudo. Precisamos entender algo a respeito de Deserto, pois estamos vendo muito este termo nos versículos já mencionados. O que é o Deserto? A resposta que pode ser encontrada na maioria dos dicionários é algo parecido com o que segue: "Lugar geralmente desabitado, onde quase não chove, com pouca ou nenhuma vegetação." Entretanto, em sentido espiritual e bíblico, é um lugar também muito árido, onde há muitas dificuldades e escassez, servindo para passagem, provação, treinamento e preparação dos servos de Deus. 

Sendo assim, vamos dar continuidade ao estudo vendo a importância do deserto na vida do cristão e o como devemos viver para não morrermos no deserto, da forma como os hebreus morreram.


I – TODOS NÓS TEMOS QUE PASSAR PELO DESERTO

Em primeiro lugar, precisamos ter em mente, de forma muito clara, que todos os servos
de Deus necessariamente passam pelo deserto. Porque é no deserto que o cristão vai aprender, com a escassez e as dificuldades, a depender totalmente de Deus, em detrimento de qualquer situação. Passar pelo deserto prepara o cristão para vencer as lutas e tentações que lhe sobre virão na caminhada com Deus. E devemos olhar para os exemplos bíblicos, de servos do Senhor que passaram pelo deserto, como os que seguem abaixo: 
A)    O povo de Israel passou quando foi liberto do Egito.
      Conforme já dissemos anteriormente, Deus libertou o povo do Egito e os levou para o deserto, a fim de aprenderem a ser uma nação livre, com leis e estatutos, mas também para os livrar de terem que enfrentar um inimigo, estando ainda despreparados para isso.
B)     Josué e Calebe passaram pelo deserto, mesmo demonstrando sua fé em Deus.
      Esses dois homens foram os únicos que acreditaram que Deus poderia lhes dar a posse da terra, mesmo havendo tantos problemas a serem enfrentados. Porém isso não impediu que caminhassem durante os quarenta anos no deserto, enquanto todos os outros caiam. O fato de acreditarem, de terem fé, não lhes levou mais rápido para Canaã.
C)     Davi passou pelo deserto quando teve que fugir de Saul.
      Esse homem, que era segundo o coração de Deus, viveu muito tempo em cavernas e em lugares desertos, escondendo-se do rei que o queria morto, por causa da inveja e cobiça. No deserto Davi aprendeu com Deus e se preparou para assumir sua posição que já lhe tinha sido prometida.
D)  Elias passou depois de anunciar a escassez de chuva e depois que matou os profetas de BAAL e de Astarot.
E)     Jeremias passou pelo deserto quando anunciou os juízos de Deus ao povo de Judá.
F)      Ester passou pelo deserto quando foi levada para ser concubina do Rei da Pérsia e quando descobriu o plano de Hamã para destruir o seu povo.
G)    Daniel passou pelo deserto ao ser jogado na cova dos leões por ser fiel a Deus.
H)    João Batista passou pelo deserto para ser a voz que clama, preparando o caminho do Rei.
I)     O próprio Senhor Jesus passou pelo deserto desde antes de começar seu ministério, quando foi levado ao deserto para se consagrar e ali foi tentado, até sua traição e morte, toda a sua vida foi um deserto.
J)       O apóstolo Paulo passou pelo deserto quando caiu do cavalo e Jesus se identificou a ele e desde então passou a ser perseguido e sofreu diversos perigos (2Co 11.26,27).
Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos;
Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez.
K)    E cada um dos apóstolos e discípulos de Jesus passaram pelo deserto ao serem perseguidos e mortos por causa do nome do Senhor.

 Precisamos entender uma coisa muito importante. Ninguém recebe nada de Deus sem antes ser moldado para isso. A conquista das promessas de Deus não estão incluídas no kit benção! Precisamos ser moldados, preparados, e não há escola melhor para isso do que o deserto. Onde vamos estar na dependência de Deus, se não morremos, como veremos mais adiante.

II – O DESERTO É O CAMINHO PARA O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

   Quando estamos passando pelo deserto a tendência, como seres humanos, é nos sentirmos fracos, sem esperanças e sozinhos.
    É pelo deserto que se pode chegar até o cumprimento da promessa. Na caminhada com Deus não existem atalhos, nem elevadores. É necessário percorrer o caminho completo, e este passa pelo deserto. Quem pega atalhos morre no caminho, pois está desprotegido, por pior que seja o caminho a ser percorrido há a garantia da presença do Senhor a nos guardar e a nos ajudar a chegar em segurança ao lugar da promessa.
    A Bíblia nos mostra que Deus está sempre com quem está passando pelo deserto, como em Nm 10.34-36.
Vejamos mais uma vez com os exemplos da bíblia. 
A)  O povo de Israel tinha que passar pelo deserto para chegar à Canaã.
     Aquele tinha sido o caminho que Deus escolhera e orientara a Moisés para guiar o povo, embora fosse mais longe, era mais seguro e levava ao monte do encontro com o Senhor, onde Ele se revelaria ao povo.
B)   Josué e Calebe tinham que ir pelo deserto para receberem suas heranças.
     Após os quarenta anos, os dois homens de Deus, ainda fortes e robustos estavam em condições de receberem suas promessas, mesmo tendo que lutar para conquista-las.
C)   Davi tinha que esperar o tempo certo para subir ao trono.
D)  Ester estava indo para o lugar onde Deus a queria, para que no momento certo ela fosse um instrumento para ajudar o povo em todos os lugares do reino.
E)   Daniel depois da cova dos leões tornou-se ainda mais influente no reino ultrapassando gerações.
F)    Jesus, o nosso Mestre e Senhor, só iniciou seu ministério depois do deserto e através de sua vida estamos aqui hoje.

III – MUITOS PREFEREM ESTAR NO DESERTO DO QUE CONQUISTAR A PROMESSA DE DEUS
O texto bíblico que lemos como base desta mensagem é mais um dos textos quem mostram o motivo do povo ter perecido no deserto, o outro é no capítulo 3 da epístola aos Hebreus.
Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto. Onde vossos pais me tentaram, me provocaram, e viram por quarenta anos as minhas obras. Hb  3.8,9
Daniel e Isabela Mastral, em seu livro Voz que Clama no Deserto, volume 2, dizem o seguinte:
“Se o nosso prêmio é chegar a uma Terra que mana leite e mel (e usamos dessa analogia Bíblica para simbolizar o Centro Perfeito da Vontade de Deus, onde todas as Promessas Dele se realizam), o contrário disso é viver e perecer no Deserto. Por que, então, a maioria vive no Deserto? Repare que no Deserto o Senhor também nos acompanha e sustenta: as vestes não desgastam... o maná não falta... mas é só. Não existe plenitude nem abundância e não haverá até que a decisão de conquistar penetre com entendimento em nosso coração. Deixar de entrar em Canaã significa que jamais haverá a terra fértil, o lar estruturado, os celeiros cheios, as oportunidades de vida, alegria, conforto, saúde, bem estar, paz e tranquilidade que a Promessa sob Juramento encerrava em si mesma. Viver no deserto significa conhecer teoricamente um Deus Vivo e Poderoso que pode grandes coisas, mas na prática a pequenez da fé humana e o mal uso do livre arbítrio acabaram determinando consequências desastrosas.”
A)  Não se conforme com a sua situação (Rm 12.2, 1Pe 1.14).
    Muitas pessoas se conformam com a vida que estão vivendo, mesmo estando no deserto. O deserto é somente um lugar de passagem, não é um lugar de morada. Não podemos nos conformar, pelo contrário temos que nos renovar e seguir em frente, para o alvo da nossa soberana vocação, conforme afirma Paulo.
B)   O deserto é para nos preparar para tomarmos posse da promessa.
   Depois que passarmos pelo deserto estaremos habilitados a tomar posse da promessa. Ninguém assume um cargo público sem passar em um concurso. Ninguém ganha uma corrida se não se preparar. Precisamos nos preparar e Deus nos leva ao deserto para isso.
C)   Logo depois do deserto vem o cumprimento da promessa.
     Depois de se passar pelo deserto vem o local da promessa. A herança é recebida depois de se realizar o inventário. Quando tudo estiver preparado vem a promessa.
D)  Não podemos morrer no deserto, temos que fazer a diferença.
Os autores já citados afirmam que, “Só faz diferença quem está no Centro da Vontade do Pai. Só faz diferença quem conquista. Que Povo construiu a primeira Nação de Israel afinal? A primeira Geração de cativos, ou a segunda? A primeira pereceu no deserto e não fez diferença alguma. Somente seus filhos, aqueles que conquistaram a Terra junto com Josué, foram os precursores da Nação que atingiu o apogeu no reinado de Salomão.”
De nada adianta estarmos na igreja e vivermos uma vida mais ou menos. Vimos que aquele povo tinha a presença de Deus por meio do fogo e da nuvem, tinham a benção com o maná diário, e suas roupas não se estragavam, mas ainda assim estavam sem Deus, pois adoravam a outros deuses.

CONCLUSÃO
Sendo assim, devemos estar atentos ao que a Palavra de Deus nos transmite em relação a isso. Não morra no deserto, seja firme e constante, busque conquistar o que Deus te prometeu. O deserto é somente um lugar para treinamento, não é lugar para permanecer. Levante os olhos e veja logo à frente, a vitória está logo ali, mas precisamos lutar. Precisamos buscar ao Senhor para termos força pra caminhar, precisamos nos santificar para termos condições de combater o nosso inimigo que tão de perto nos rodeia. Ore, se consagre, frequente a igreja, lute, estenda as mãos, ame o seu irmão, sirva ao Senhor de coração e quando menos perceber estará conquistando sua vitória. O Senhor requer de cada um de nós mais disciplina, e principalmente, intimidade, pois Ele é um Deus que tem ciúmes de nós, pois nos ama.