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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Estudo da Parashá Shemot - De Yaakov a Yisrael, quem estamos nos tornando?

 


Estudos da Torá

Parashá nº 13 – Shemot (Nomes)

Shemot/Êxodo 1:1-6:1

Haftará (separação) Is 27:6-28:13 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mt 22:23-33, 41-46


De Yaakov a Yisrael, quem estamos nos tornando?


A Parashá Shemot não começa com sofrimento, decretos ou escravidão. Ela começa com nomes. O texto no primeiro verso declara: “E estes são os nomes dos filhos de Yisrael que desceram ao Egito com Yaakov” (Shemot 1:1). Essa escolha de palavras aqui não é casual. O Eterno poderia dizer apenas “os filhos de Yaakov”, ou apenas “os filhos de Yisrael”. Mas Ele une os dois nomes do patriarca em uma mesma frase, revelando um princípio profundo sobre identidade, processo e escolha. Aqui não estamos diante apenas de uma história antiga, mas de um espelho que reflete o caminho de todo aquele que deseja servir ao Eterno de forma íntegra. Fique nesse estudo até o final e não perca nada!


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

Na Parashá Shemot, somos conduzidos ao início de um tempo de grande dor, mas também de preparação para a redenção. O texto começa lembrando os nomes dos filhos de Yisrael que desceram ao Egito com Yaakov. Aquela família pequena se torna um povo numeroso, forte e visível. Esse crescimento desperta o temor de um novo Faraó, que não reconhece Yosef nem tudo o que havia sido feito por meio dele. O medo leva à opressão, e a opressão se transforma em escravidão dura, planejada para quebrar o corpo e apagar a identidade dos filhos de Yisrael.

Mesmo assim, quanto mais eram oprimidos, mais se multiplicavam. O Eterno mostra que nenhum decreto humano pode impedir aquilo que Ele determinou. Faraó então avança em sua crueldade e ordena a morte dos meninos hebreus, mas mulheres simples e tementes ao Eterno, como as parteiras, escolhem obedecer ao que é correto diante d’Ele, e não às palavras de um rei humano. Nesse cenário de morte e medo, nasce Moshe. Sua mãe o esconde, depois o coloca no rio, e o Eterno conduz cada detalhe para que o menino seja preservado, criado dentro do palácio do próprio opressor, sem perder sua ligação com seu povo.

Moshe cresce dividido entre dois mundos. Ele vê a aflição dos seus irmãos e não consegue permanecer indiferente. Ao tentar agir por conta própria, acaba fugindo para Midyan, onde passa anos no anonimato, cuidando de rebanhos. É ali, longe do poder e da pressa, que o Eterno o chama. A sarça que arde e não se consome revela que o sofrimento de Yisrael não passou despercebido. O Eterno declara que viu, ouviu e desceu para libertar o Seu povo, lembrando-se da aliança feita com Avraham, Yitzchak e Yaakov.

A Parashá Shemot nos mostra que a redenção não começa com sinais grandiosos, mas com o clamor do povo e com a decisão do Eterno de agir no tempo certo. Moshe não se vê capaz, questiona, teme, mas aprende que não é pela força humana que Yisrael será liberto, e sim pela fidelidade do Eterno às Suas promessas. A porção termina com Moshe e Aharon retornando ao Egito, levando a palavra do Eterno a um povo cansado e a um Faraó endurecido, dando início a um confronto que não é apenas político, mas profundamente ligado à obediência e ao reconhecimento de quem governa sobre tudo.

Shemot nos ensina que a escravidão tenta apagar nomes, histórias e identidade, mas o Eterno chama cada um pelo nome e jamais abandona a aliança que fez.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

E estes são os nomes dos filhos de Yisrael que desceram ao Egito com Yaakov”. Shemot 1:1

Quando a parashá Shemot inicia com o verso que lemos acima, o texto não está apenas localizando pessoas no tempo e no espaço. Ele está nos convidando a refletir sobre quem é Yaakov, quem é Yisrael, e por que o Eterno faz questão de usar ambos os nomes juntos.

Shemot marca o nascimento de um povo dentro do exílio. Os filhos ou descendentes são chamados de filhos de Yisrael, mas descem ao Egito acompanhando Yaakov. Isso revela uma tensão intencional: a identidade prometida já existe, mas a formação ainda está em curso. Observe que a Torá nos apresenta Yaakov, um homem marcado pela caminhada, pela fragilidade e pelo processo. Desde o ventre, Yaakov é descrito como aquele que segura o calcanhar, aquele que segue, aprende, cai, levanta e persevera. Sua vida é marcada por conflitos, fugas, enganos, medo e amadurecimento. Em Bereshit, vemos Yaakov lidando com Lavan, com Esav, com perdas e com responsabilidades. E isso não é diferente de muitas pessoas na atualidade. Yaakov representa o servo do Eterno em formação, que ainda luta consigo mesmo e com as circunstâncias, mas que não abandona o caminho. Está vendo algo em comum com sua vida?

Agora vejamos um pouco sobre o outro nome, Yisrael, que por outro lado, é o nome que o Eterno concede após Yaakov “lutar” a noite inteira e não desistir, como está escrito: “Não se chamará mais o teu nome Yaakov, mas Yisrael, pois lutaste com Elohim e com homens e prevaleceste” (Bereshit 32:28). Yisrael não substitui Yaakov, mas revela o propósito final da caminhada, uma identidade transformada. Yisrael indica aquele que permanece firme, que não solta o Eterno, mesmo quando manca, mesmo quando sai marcado. É o nome da identidade alinhada à missão, não à perfeição.

Então, podemos entender que, Yaakov representa o homem em processo, moldado pela disciplina do Eterno; Yisrael representa o resultado desse processo, aquele que permanece, resiste e carrega uma missão. Esse contraste é essencial para entendermos por que o Eterno escolhe, disciplina e conduz Seu povo antes de libertá-lo. Não há redenção sem formação, e não há Yisrael sem o caminho de Yaakov, como resultado não pode haver “filhos de Yisrael” sem a devida disciplina do Eterno. Não pode haver um povo de D’us, sem o processo, a instrução que vem antes.


1. Yaakov: o homem da disciplina e do processo

De acordo com o que já vimos, Yaakov é aquele que aprende por meio de confronto, correção e perseverança. Sua vida não é marcada por facilidade, mas por formação. Ele foge, trabalha duramente, é enganado, luta e sai mancando, mas não solta o Eterno. Em Bereshit 32, Yaakov luta durante a noite inteira e diz: “Não te deixarei ir, se não me abençoares”. Aqui está o fundamento da disciplina: permanecer mesmo quando dói. Como está escrito: “Porque o Eterno repreende a quem ama” (Mishlei 3:12). Em Sha’arei Torá Shemot 1, Bruno Summa acerta ao afirmar que a disciplina é parte da expressão de amor. Yaakov não é rejeitado por suas falhas; ele é trabalhado por causa do chamado que carrega. Esse princípio é sério e ainda hoje ele deve ser seguido.

Esse princípio ecoa nos escritos nazarenos quando está menciona: “A quem o Eterno ama, Ele disciplina” (Ivrim/Hb 12:6). Não se trata de punição vazia, mas de preparo e instrução. Yaakov é o homem que aceita ser moldado. Por isso ele pode gerar filhos que atravessam o Egito sem perder sua identidade.


2. Yisrael: identidade formada, não apenas herdada

Yisrael não é apenas um novo nome, é uma nova responsabilidade. “Porque lutaste com Elohim e com homens e prevaleceste” (Bereshit 32:28). Yisrael é aquele que permanece fiel mesmo em ambientes hostis. É por isso que os filhos de Yaakov, educados sob disciplina, não se dissolvem no Egito. Como apontado no livro Sha’arei Torah, eles evitam imoralidade, idolatria e assimilação total. Isso não acontece por acaso, mas por educação transmitida de pai para filho, conforme Devarim 6:7.

A brit milah e o Shabat aparecem como sinais visíveis dessa identidade. O Eterno diz: “O Meu Shabat guardareis, porque é sinal entre Mim e vós” (Shemot 31:13). Esses sinais não tornam alguém especial por si mesmos, eles revelam uma vida submetida à vontade do Eterno. É por isso que o texto de Shemot enfatiza os nomes, pois representam missão, memória e promessa. Yisrael não é um título honorífico, mas o resultado de uma vida disciplinada.


3. De número contado a valor reconhecido

Bruno Summa, no livro já citado, destaca um ponto essencial: há diferença entre ser apenas contado e ser digno de ser contado. O Egito transforma pessoas em números, o Eterno chama cada um pelo nome. “Não temas, porque Eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és Meu” (Yeshayahu 43:1). Os filhos de Yisrael entram no Egito como Yaakov, vulneráveis, em processo, mas saem como Yisrael, um povo formado pela disciplina e pela confiança na instrução do Eterno. Lembre-se que já ensinei antes que nem todos que saíram do Egito eram filhos de Yisrael, mesmo os que eram hebreus, isso ocorre justamente, por alguns não aceitarem a disciplina do Eterno.

Nos escritos nazarenos, isso ecoa quando Yeshua diz: “Se permanecerdes na Minha palavra, sois verdadeiramente Meus discípulos” (Yochanan 8:31). Permanecer é o sinal do Yisrael. Não é o início do caminho, mas a constância nele. O Egito revela quem foi educado apenas para conforto e quem foi formado para permanecer fiel.

Por isso, o fato de Shemot dizer que os filhos são de Yisrael, mas descem ao Egito com Yaakov, é profundamente significativo. Eles carregam a promessa, o nome e a identidade de Yisrael, mas entram no exílio acompanhando Yaakov, o homem do processo. O Egito não é o lugar do Yisrael plenamente revelado, é o lugar onde Yaakov ainda é trabalhado, agora em escala coletiva. Nunca deixamos de ser moldados por HaShem. O Eterno permite que Yisrael nasça como povo justamente dentro da opressão, para que aprendam que não é a força, o número ou o poder humano que os define, mas a fidelidade do Eterno à Sua palavra.

O paralelo com todos que servem ao Eterno é claro. Todos começam como Yaakov, isto é, em crescimento, em conflitos internos, aprendendo a confiar e a obedecer. O Eterno não chama os prontos, Ele chama os dispostos. Ele chama aqueles que mesmo em meio a dificuldade, quando todos costumam perder a identidade, o fiel se mantém íntegro. Ao longo da caminhada, por meio de lutas, quedas e dependência, o Eterno nos conduz ao lugar de Yisrael, não como título, mas como responsabilidade. Servir ao Eterno é aceitar o processo de Yaakov sem rejeitar o chamado de Yisrael.

Assim, Shemot começa nos lembrando que a redenção não começa quando somos Yisrael em plenitude, mas quando, mesmo ainda sendo Yaakov, seguimos descendo, caminhando e confiando no Eterno. Ele é fiel para transformar o Yaakov que anda em exílio no Yisrael que sai liberto.

Concluindo assim nosso estudo, devemos entender que ser Yaakov, é aceitar o processo. Ser Yisrael é carregar a identidade que nasce desse processo. A Parashá Shemot nos ensina que o Eterno não liberta um povo sem antes formá-lo, e não chama Yisrael sem antes permitir o caminho de Yaakov. Todos os que servem ao Eterno passam por esse mesmo percurso, disciplina antes da libertação, formação antes da promessa manifesta. A pergunta que fica não é apenas “quem somos”, mas quem estamos nos tornando.


Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef