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sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Estudo da Parashá Ha'azinu - 2022-2023 - Yisrael ainda existe, segue a profecia.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 53 - Ha’azinu (Dêem ouvidos!)

Devarim/Deuteronômio Dt 32:1-52

Haftará (Separação) 2Sm 22:1-51 e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Rm 10:14-21; Hb 12:28-39


Tema: Yisrael ainda existe, segue a profecia.


No estudo desta penúltima parashá desse ciclo veremos o cântico com as palavras que HaShem mandou Moshê passar aos filhos de Yisrael. Esse cântico é um mandamento para o povo se lembrar da aliança que tem com o Eterno. E nessa porção temos a oportunidade de confirmar como o Eterno cumpre as profecias a respeito de seu povo escolhido.


A PARASHÁ DA SEMANA


Haazínu compreende basicamente a "canção" de Moshê sobre as horríveis tragédias e suprema alegria que constituirá a futura história do povo Yisrael. Embora não seja uma obra clássica em rima e música, a "canção" de Moshê mescla o que seriam idéias disparatadas numa bela sinfonia de pensamento. Ela expressa o reconhecimento de cada aspecto da criação e tudo aquilo que D’us faz – passado, presente e futuro – de alguma forma se integra em perfeita harmonia, embora com nosso limitado entendimento humano nem sempre a reconheçamos como tal.

Moshê clama aos céus e à terra para que sejam testemunhas de que, se o povo de Yisrael pecar e mostrar ingratidão para com D’us pelos muitos favores maravilhosos que nos concedeu, seremos punidos, ao passo que se permanecermos fiel à Torá e a D’us, receberemos as maiores bênçãos. Mesmo que o povo Yisrael se disperse, D’us garante a sobrevivência e redenção ao final.


Esta Porção conclui com D’us ordenando a Moshê que suba ao Monte Nebo, de onde terá uma vista da Terra de Yisrael e então morrerá.


2 - ESTUDO DAS PALAVRAS


No estudo dessa parashá do ano passado, mostrei que o significado do termo hebraico “Ha’azínu” é “ouvi, ouça ou deem ouvidos”. É a primeira palavra que aparece no texto hebraico.

Disse anteriormente, que essa porção era a continuação da parashá “Vayelech”, isso porque nela Moshê introduz a canção Ha’azínu informando ao povo a principal função dele veja:

"E disse o Eterno a Moshê: Eis que tu estás para jazer com os teus pais, e levantar-se-á este povo, e errarás atrás de deuses estranhos...e violará a aliança que fiz com ele. Então crescerá o Meu furor contra ele, naquele dia; e o abandonarei, e ESCONDEREI o meu rosto dele...E agora, escreverei para vós este cântico, e tu ensina-o aos filhos de Yisrael...para que este cântico Me seja por testemunha contra os filhos de Yisrael..." Dt 31:16-19

O propósito do poema é guiar o povo durante os tempos difíceis e nas provações, em que se pudesse pensar que D’us os tenha deixado, para que se lembrem de que no momento em que se arrependessem e fizessem teshuvá (retorno/conversão) o Eterno os livraria.

Este cântico de Moshê revela toda a história de Yisrael, desde o princípio até ao final. Ou seja, a canção Ha’azinu descreve poeticamente o que acontecerá ao povo até o fim dos dias. Prevê seu castigo por transgredir o pacto com D’us, e descreve como, por fim, D’us punirá aqueles que erraram contra eles no exílio.


A palavra hebraica para canção é “Shira” e no plural “Shirot”, e segundo o midrash, o ensino dos antigos, há dez shirot, ou canções proféticas, das quais Ha’azinu é a quarta, no estudo do ano passado demos alguns exemplos, procure no blog e nos nossos canais no Youtube.


A realidade da existência de Yisrael

Temos a oportunidade de confirmar, ao estudar essa parashá, o quanto Yisrael está ligado com as profecias das Escrituras, em contrariedade ao que o sistema religioso afirma quando dizem que o Eterno o substituiu pela igreja. Essa confirmação é vista na realidade da existência de Yisrael e perpassa por toda a Escritura Sagrada e também na Brit Hadasháh através das palavras do messias Yeshua, e também em midrashim dos sábios.

Infelizmente, por não observarem o contexto original das Escrituras e desconhecerem a cultura do povo de Yisrael, os teólogos interpretam errado o contexto dessa parashá alegando que o Eterno substituiu o povo que ele mesmo escolheu, mas esquecem de reparar que no final dessa canção que Moshê estava ensinando ao povo para que pudessem lembrar da aliança, está dito que o Eterno irá se lembrar dos escolhidos onde estiverem.


Primeiro, para começarmos a compreender esse contexto vejamos os versos anteriores ao da parashá, veja Dt 31:19-30.

Agora, entremos no texto da parashá Dt 32:1-52.


Vamos observar alguns apontamentos proféticos:

- Versos 1 e 2 - vejam que nesses versos o verbo está falando pela boca de Moshê. Sempre falamos que o verbo falava pela boca de Yeshua, e ele falou sobre isso. Note seu ensino registrado em Jo 12:47 e 48.


Se alguém ouve as minhas palavras, e não as guarda, eu não o julgo. Pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Há um juiz para quem me rejeita e não aceita as minhas palavras; a própria palavra que proferi o condenará no último dia.”


Repare que Yeshua fala de um juiz para quem rejeita a ele e a seus ensinos, que juiz é esse?

O juiz a que o mestre cita é a Torah, pois a palavra que ele falava era a Torah. O messias estava dizendo que as pessoas que não seguem seus ensinos da Toráh serão julgados com base na Toráh. E o povo que segue a Toráh é Yisrael, este mesmo que é composto pelos remanescentes espalhados pelo mundo e pelos judeus discípulos de Yeshua.


- Versos 3 e 4 - agora o contexto muda e quem está falando é Moshê. Ele está falando de Yeshua, ou seja, mostrando as características do messias em sua justiça e retidão. Veja Jo 7:16 e Jo 14:24.

- No verso 5 vemos Moshê denunciando os erros do povo, os que rejeitam a Torah ensinada pelo messias.


Vejamos mais alguns versos dessa parashá, enquanto comentamos na live.

Essa parashá é muito clara na intenção de mostrar como o Eterno age no meio dos anos, mesmo sabendo dos erros e falhas que o povo possa vir a cometer, todo remanescente que desejar retornar para o caminho da Toráh receberá do Eterno a oportunidade de se arrepender e de receber o perdão.


Yisrael nos profetas e nas palavras de Yeshua – a vinha do Eterno.

Como a parashá Ha’azinu mostra o Eterno trata com Yisrael no decorrer da história, falei no presente porque desde que este texto foi escrito o povo passou por várias coisas, mas mesmo assim, ele sobrevive. E os profetas mostram como HaShem vem tratando com o povo, e nos mostra que ele o compara a uma preciosa vinha. Vejamos nos texto abaixo:

- Is 1:8 -
- Is 3:14 -
- Is 5:1-7 -
- Jr 5:9-11 -
- Jr 12:10 -
- Lc 20:9:-19 -


Yisrael nunca deixará de ser povo


- Jr 31:31-40 – O universo e a natureza comprovam que Yisrael é o povo do Eterno.

Vemos no texto que nada no universo mudou, por isso Yisrael continua sendo o povo do Eterno, e quem desejar ter o Eterno como seu D’us deverá se unir a este povo, vivendo conforme os mandamentos e estatutos que o Eterno os deu.


Que o Eterno lhes abençoe!


Por: Pr/Rav Marcelo S Silva (Moshê Ben Yossef)


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

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sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Estudo Parashá Nitsavim-Vayelech - 2022-2023 - Não quebre a sua Aliança com o D'us de Yisrael

 


Estudos da Torá

Parashá nº 51 e 52 - Nitsavím (De pé)/Vayêlech (E ele vai/ Ele foi)

Devarim/Deuteronômio Dt 29:9-30:20 e Dt 31:1-30

Haftará (Separação) Is 61:10-63:9; Is 55:6-56:8; Os 14:2-10 e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Rm 3:9-20/2Co 5:1-10


Tema: Não quebre a sua Aliança com o D'us de Yisrael


No estudo desta parashá continuaremos vendo as recomendações de Moshê ao povo para que permanecessem na aliança com o Eterno, também trataremos acercado apontamento profético para Yeshua e a congregação nazarena.


A PARASHÁ DA SEMANA

Na leitura desta semana, Nitzavim-Vayelech , Moshê reúne os israelitas no dia de sua morte para inscrevê-los em uma aliança com D'us. Ele adverte sobre o exílio e a desolação da Terra que resultará quando Israel abandonar as leis de D'us, mas assegura-lhes que eventualmente se arrependerão, e D'us então retornará Seu povo para a Terra Santa.

Esta porção também fala sobre liberdade de escolha e a mitsvá da teshuvá (arrependimento).

Moshê transferiu a liderança para Yehoshua e escreveu um rolo da Torá que entregou aos levitas. Moshê ordenou que os israelitas se reunissem após cada ano sabático. (Resumo extraído do site Chabad)


2 - ESTUDO DAS PALAVRAS


1. - Entrar na Aliança do Eterno; (29.12)

2. - Se estabeleça por Seu povo e Ele te seja por D'us; (29.13)

3. - Aliança feita ao povo de Yisrael de todas as gerações; (29.14,15)

4. - Saber de como habitamos no Egito e passamos pelas nações; (29.16)

5. - Não haja entre vós quem se desvie do Eterno, servindo aos deuses das nações; (29.18)

6. - Não haja entre vós raiz que produza erva venenosa e amarga; (29.18c)

7. - O Eterno não perdoará, mas fumegará a Sua ira, apagará o nome debaixo do céu e excluirá do Seu povo, àqueles que, com o seu coração perverso,

8. - presumir ser abençoado, ciente das palavras de maldição; (29.19-21)

9. - Todas as nações saberão o motivo da Ira do Eterno sobre Yisrael; (29.24-28)

10. - As coisas reveladas pertencem ao povo de Yisrael; (29.29)

11. - O Eterno promete mudar a sorte, se compadecer, ajuntar entre todos os povos, aos que retornarem ao Eterno em obediência aos Seus mandamentos.(30.1-4)

12. - Promessa de possuir a terra de Yisrael, recebendo o bem e a multiplicação.(30.5)

13. - Promessa de circuncidar o seu coração e viver. Todas as maldições porá sobre os inimigos, aos que obedecem ao Eterno; (30.6-8)

14. - Os mandamentos do Eterno não são difíceis e estão acessíveis a todos os que desejarem servir ao Eterno; (30.10-14)

15. - O Eterno propõe a vida e o bem, a morte e o mal e está condicionada a obedecer ou não, às leis do Eterno; (30.15-20)

16. - Promessa de sucesso, de conquista e ter a proteção do Eterno; (31.1-8)

17. - O dever de ler a Torah diante de todo o Yisrael, ao fim de sete anos, na Festa dos Tabernáculos; (31.9-13)

18. - Mosheh é avisado pelo Eterno, a respeito da quebra da Aliança pelo povo, bem como as consequências decorrentes dessa desobediência;(31.14-18)

19. - O Cântico de Mosheh; (31.19-30)


Um Apontamento Profético

No primeiro verso da parashá Nitsavim encontramos o seguinte texto:


אַתֶּ֨ם נִצָּבִ֤ים הַיּוֹם֙ כֻּלְּכֶ֔ם

Atem nitsavim hayom kulcham

Vós todos estais hoje presentes


Observem que interessante, primeiro o contexto literal, segundo o comentário de rodapé na Torá da Sêfer, Moshê reuniu todo o povo de Yisrael no dia de sua morte para introduzi-lo na aliança diante do Eterno. Esta concepção de aliança, chamada Berit, é da ênfase na Torá e no judaísmo. Aqueles que são fiéis à Torá são chamados “Bnei Berit”, que significa “Filhos de Mandamento”. Esta aliança do Eterno com os descendentes dos patriarcas foi feita para que eles ensinassem o caminho do Eterno, o direito, a justiça e a caridade às outras famílias da terra.

Veja que é claramente o contexto de aliança que estamos falando hoje, e na ocasião, era o último dia de Moshê, segundo os sábios do povo de Yisrael. Ele estava lembrando o povo a manter esta aliança com o Eterno.

Agora observe algo que podemos encontrar quando procuramos um pouco mais a fundo. Nestas palavras acima em hebraico podemos encontrar um apontamento para o homem Yeshua, o messias e para seu ministério ou propósito como enviado pelo Eterno. Encontramos esse código com a informação ao verificarmos a guematria das palavras. Observe abaixo:


אַתֶּ֨ם נִצָּבִ֤ים הַיּוֹם֙ כֻּלְּכֶ֔ם

Essas quatro palavras formam um valor total de 804, acompanhe comigo o raciocínio.

- אַ = 1 תֶּ֨ = 400 ם = 40 = אַתֶּ֨ם = 441

- נִ = 50 צָּ = 90 בִ֤ = 2 י = 10 ם = 40 = נִצָּבִ֤ים = 192

- הַ = 5 יּ = 10 וֹ = 6 ם֙ = 40 = הַיּוֹם֙ = 61

- כֻּ = 20 לְּ = 30 כֶ֔ = 20 ם = 40 = כֻּלְּכֶ֔ם = 110

Total = 804 = 8 + 4 = 12


O número 12 é a raiz das 4 palavras acima, e é um apontamento para governo, para as tribos de Yisrael e para os apóstolos, ou seja, é um apontamento profético para o Reino do Eterno liderado por Yeshua. E até isso tem outro apontamento, observe abaixo:

A raiz de 12 é 3, pois 1+2 = 3, esse número é um apontamento para o terceiro milênio, ou seja, para 3 milênios após o ministério de Yeshua, que é o sétimo milênio. O messias veio no quarto milênio e seu retorno deverá ser três milênios depois, assim completam 7 milênios, cumprindo as profecias, e o próprio apontamento do Shabat, que indica o descanso no sétimo milênio, assim como o shabat vem depois de seis dias comuns, o sétimo milênio vem após seis milênios comuns.

A raiz 12 também é o resultado da soma do número 6. O número 6 aponta para homem, uma congregação que vivia no engano e também aponta para o ו - Vav, cujo pictograma e um prego. Ou seja, estas primeiras 4 palavras que dentro do contexto da Toráh e dos sábios do povo diz respeito ao último dia de Moshê e a aliança que estava sendo firmada entre Yisrael e o Eterno naquele dia. E que eles são por isso chamados de “bnei berit” filhos da aliança. Também aponta para Yeshua que veio renovar essa aliança com o Eterno. E que é um homem que recebe pregos em seu ultimo dia de vida e ministério.

Veja, falamos de 2 homens, Moshê e Yeshua, ou seja, 6 e 6. Moshê em vários momentos é o apontamento para Yeshua. E Yeshua por sua vez em vários momento cita Moshê ligando-o à Toráh. Isso é em si a indicação para o governo do messias, que é indicado pelo número 12, a raíz das palavras indicadas acima.

Ainda mais, quando mostrei essas análises ao Rav Yochanan, ele ainda complementou, informando que nessa análise guemátrica, Moshê indica o Povo de Yisrael, Yeshua indica os Remanescentes, são dois representantes com a mesma missão, a de levar os perdidos a serem encontrados. O homem, indicado pelo número 6, conforme mencionei antes, indica a congregação desobediente. Os dois homens indicam 2 povos com culturas diferentes, Moshê e Yeshua como disse acima, porém o mesmo propósito tornando-se um só povo. Afinal, sabemos que o Eterno tem apenas um povo, não dois ou vários.

Mais uma vez, vimos através dos textos hebraicos e de seus estudo correto as indicações de que Yeshua e o Reino do Eterno está sendo apontado na Torá.

Que o Eterno lhes abençoe!

Por: Moshê Ben Yisrael e Pr/Rav Marcelo S Silva (Moshê Ben Yossef)



sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Estudo da Parashá Ki Tavo - 2022-2023 - A identidade de povo de D'us

 


Estudos da Torá

Parashá nº 50 – Ki Tavo (Quando entrares)

Devarim/Deuteronômio Dt 26:1-29:9

Haftará (Separação) Is 60:1-22; e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) Jo 13:1-15:27; Lc 21:1-4.


Tema: A identidade de Povo de D’us


No estudo desta parashá teremos a oportunidade de estudar acerca da identidade de povo de D’us que os israelitas receberam e que não poderia e ainda não pode ser ignorada. Essa identidade demonstra algumas coisas a respeito do povo, e principalmente, a responsabilidade e o compromisso que tem diante do Eterno.


A PARASHÁ DA SEMANA

No estudo da parashá dessa semana veremos mais uma parte do discurso de Moshê ensinando e fazendo o povo relembrar as leis e mandamentos do Eterno, para que vivessem segundo sua vontade. Nessa porção estudaremos sobre a mitsvá (mandamento) anual aos fazendeiros de Israel para que trouxessem seus bikurim (primícias/primeiros frutos) ao sacerdote no templo, reconhecendo o importante papel do Eterno na provisão de seu sustento, e qual a importância desses mandamentos para cada um de nós.

Após novamente exortar o povo de Yisrael a permanecer fiel a D’us, que os elegeu especificamente como Seu povo escolhido dentre todas as nações do mundo, Moshê ensina duas mitsvot especiais que eles deverão cumprir ao entrar na Terra de Yisrael para reafirmar seu compromisso com a Torá. Primeiro deverão escrever toda a Torá em doze grandes pedras, e então deverão recitar bênçãos e maldições no vale entre Monte Gerizim e Monte Eival, as quais se aplicarão respectivamente àqueles que cumprem e àqueles que afrontam a Torá. Seguindo-se uma recontagem das maravilhosas bênçãos que D’us concederá ao povo judeu por permanecer fiel, Moshê faz uma assustadora profecia do que se abaterá sobre o povo por não cumprir a Torá. Conhecido como admoestação, Moshê descreve com detalhes a horrível destruição que infelizmente acontecerá quando nos desviarmos das mitsvot.

A Porção da Torá conclui quando Moshê contempla em retrospecto os maravilhosos milagres que D’us realizou pelos quarenta anos anteriores, lembrando o povo da enorme dívida de gratidão que tem com D’us por Seu carinhoso amor.


2 - ESTUDO DAS PALAVRAS

Antes de iniciar propriamente este estudo gostaria de trazer uma curiosidade a respeito da relação que há entre a parashá passada e a parashá atual. Na semana passada estudamos a parashá “ki tetse”, cujo termo significa “quando saíres”, e nesta semana estudamos a parashá “ki tavo” que significa “quando entrares”. Você percebeu que o tema de uma é o oposto da outra, e ainda por cima na ordem inversa? De maneira lógica, o raciocínio correto seria entrar para depois sair, no entanto em se tratando da terra de k’naan a visão e o entendimento precisa ser outro. Não podemos usar a lógica humana, mas buscar no Eterno o entendimento. Nada é por acaso na Torah do Eterno. Na parashá “ki tetse” – “quando saíres” é tratado situações de quando o povo fosse sair para a guerra, como deveriam agir, como tratar as mulheres entre outros assuntos de cunho social entre o povo. Já na parashá “ki tavo” – “quando entrares” o assunto é sobre as primícias da terra, sobre obedecer aos mandamentos do Eterno e como ser gratos.

Estas duas parashiot que são aparentemente contraditórias pelos seus nomes tem um apontamento profético lindo, e nada opostos, muito pelo contrário, eles são altamente complementares. Este apontamento diz respeito aos remanescentes e aos talmidim enxertados ao povo durante o tempo antes do início do Reino Milenial, pois exige que os servos do Eterno “saiam” à guerra, ou seja, combatam contra o pecado e a ignorância a respeito da Toráh por parte das pessoas. E portanto, cumprindo essa saída, de acordo com a vontade do Eterno, seguindo seus preceitos estabelecidos em sua Torah, que é a Palavra do Eterno, os remanescentes e enxertados poderão “Entrar” no Reino e fazer parte do pequeno rebanho de Yeshua.

Também podemos observar outro entendimento profético nesses dois termos que nos leva ao entendimento de “quando saíres” do sistema e “quando entrares” no povo. Claro que há muitos outros apontamentos proféticos, mas vamos devagar e com calma, aprendendo aos poucos.

Assumir a Identidade

Agora sim, iniciando o estudo, vamos ao texto que estaremos estudando desta porção da Torah.


Em seguida, Moshê e os kohanim, que são l’vi’im, falaram a todo o Yisrael. Eles disseram: Permaneça em silêncio e ouça, Yisrael! Hoje você se tornou o povo do Eterno, seu Elohim. Portanto, ouça o que o Eterno, seu Elohim, diz e obedeça às suas mitzvot e às leis que dou a você hoje. Dt 27:9-10


Quando olhamos para a primeira parte desses dois versos encontramos um conceito importante que desejo destacar aqui e trazer para nosso estudo. Vejam: “Hoje você se tornou o povo do Eterno, seu Elohim.” Precisamos nos atentar que aqui, estamos vendo Moshê destacar a identidade dos filhos de Yisrael como “povo do Eterno”, e isso se aplica a todos que, independentemente de quem descenda, se de Avraham ou de gentios, os que se achegam ao Eterno têm sua identidade transformada e é recebido como povo de D’us. Por esse motivo estamos sempre afirmando que o Eterno tem apenas um povo, e este povo de Yisrael é formado por judeus, os remanescentes da Casa de Yisrael e por gentios que adentram à aliança.

No início desse ciclo, durante o estudo da parashá Vayigash, e você pode buscar nos nossos canais no YouTube e no meu blog, eu disse que pelo entendimento dos diversos textos do TaNaK, as dez tribos do norte foram espalhadas pelas nações do mundo, e muitos acabaram se misturando com os povos e perdendo a identidade, tornando-se gentios. Por isso, o Eterno, pela boca do profeta fala de duas nações, os judeus das tribos do sul, que apesar de muitas perseguições e diáspora (ser espalhados) conseguiram sempre se manter com identidade de povo, e os israelitas das tribos do norte que foram espalhados entre as nações, muitos acabaram perdendo a identidade. Podemos também observar nesse contexto, a descrição de algumas tarefas do messias em relação ao povo de Yisrael (judeus e israelitas) e os gentios das nações.

Note também o capítulo 26, do verso 5 em diante e perceba como está conectado com o que estamos falando a respeito da identidade. Veja como o texto repete a expressão, o Eterno seu Elohim...

Percebemos tudo isso que mencionei acima através de alguns exemplos na Torah e também em outros livros do TaNaK. Na Torah encontramos Kalev, o filho de Yefuneh o Quenezeu, que foi recebido como povo por suas atitudes justas, mas também por seu pai, que provavelmente, casou-se com uma mulher da tribo de Yehudah, e para isso precisou viver uma vida de obediência a Torah. Temos também a moabita Ruth, que se apegou ao D’us de Yisrael de tal forma que declarou para sua sogra:


Não insistas comigo que te deixe e que não mais te acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!” Rt 1:16

Vimos que estes personagens citados e muitos outros ao longo das Escrituras assumiram sua identidade de povo do Eterno.


O Resultado da Identidade

Na próxima parte do texto que lemos acima temos:


Portanto, ouça o que o Eterno, seu Elohim, diz e obedeça às suas mitzvot e às leis que dou a você hoje. Dt 27:10


Vemos então, mais uma vez, que a manutenção da aliança com o Eterno requer a obediência que vem como um resultado claro dessa identidade.

De acordo com o cometário dessa parashá no site Emunah a fé dos santos, um dos passos mais difíceis para um “cristão”, que verdadeiramente nasceu de novo, ou seja, iniciou a teshuvah, e que abriu os seus olhos relativamente à verdade, de que foi cortado de um zambujeiro e enxertado na oliveira cultivada (Yisrael), é deixar a sua identidade cristã-gentia. Isso dá trabalho, exige tempo, paciência e muito estudo da Torah e oração. Uma das razões é a doutrina católica que ensina que a salvação só se encontra dentro da igreja e que os que dela saem vão para o inferno. Essa doutrina atinge também os evangélicos de qualquer denominação. O cristão criou uma identidade fictícia que desafia o único povo eleito, segundo as Escrituras. Portanto, a identidade como cristão tem que ser substituída por uma identidade verdadeira, segundo as Escrituras, a identidade israelita. Isso se dá porque, enquanto uma pessoas continuar se identificando como cristão, irá sempre se sentir fora do povo de Yisrael, e consequentemente, fora do povo do Eterno conforme estamos vendo nessa parashá.

Sendo assim, de acordo com o já mencionado site, podemos ver que só a verdadeira revelação daquilo que somos através do Messias quando nascemos de novo, juntamente com a humildade que é capaz de reconhecer aquilo que o Eterno nos diz em sua Torah, além de um temor verdadeiro ao Eterno que impede que o indivíduo deixe-se levar pela opinião dos demais, pode libertar verdadeiramente o cristão do sistema da Babilônia – a prostituta. Aqueles que nasceram de novo e ainda se identificam como cristãos precisam sair do sistema ao qual faziam parte e voltem a casa ao qual pertenciam os discípulos de Yeshua, ao povo eleito, ao qual verdadeiramente pertencem, apesar de terem sido enganados para crerem noutra verdade (mentira).

Se nascemos de novo, então não somos mais cristãos, mas sim israelitas. A igreja cristã foi sim nossa madrasta, mas a nossa verdadeira mãe é Jerusalém, conforme lemos Rav Sha’ul dizer em Gálatas 4:26.


A segunda, Sara, representa a Jerusalém celestial. Ela é a mulher livre, e é nossa mãe. Gálatas 4:26


Escutemos o que ela diz em Isaías 49:21:


E dirás contigo mesma: Quem me gerou estes, pois eu estava desfilhada e estéril, em exílio e repelida? Quem, pois, me criou estes? Fui deixada sozinha; estes, onde estavam?


Agora temos a oportunidade de ser um dos que voltam à mãe nos últimos tempos e ser uma parte importante para o cumprimento desta profecia! A única maneira para essas pessoas se libertarem para verdadeiramente servir ao Eterno, o único Elohim de Yisrael, é deixando a falsa identidade recebida nos sistemas a que pertencem e viver segundo os decretos do Eterno, para então receber a identidade de povo.

A identidade judaica e israelita, é algo que o Eterno incute no seu povo consequentemente. Vários dos mandamentos foram dados precisamente para dar ao povo de Yisrael uma identidade que está separada dos demais povos da terra. Por isso, o judeu é muito agressivo contra tudo o que tenta tirar a sua identidade.


O Compromisso com a Identidade

Veremos agora dentro da parashá mais alguns aspectos desse compromisso com a identidade de povo do Eterno. E aproveitaremos para, através dos comentários durante o estudo on line, fazer alguns apontamentos proféticos.

1. Compromisso com as bênçãos e com as maldições – É preciso entender o que é bênção e maldição no contexto. (27:11-13)

2. O compromisso dos levitas – fazer o anúncio ao povo. (27:14)

3. As declarações das maldições e as respostas do povo – Para cada palavra de julgamento, havia a resposta de Amén. Entenda o significado dessa palavra e essa passagem faz ainda mais sentido. (27:15-26).

4. A condição para ser estabelecido acima das nações (28:1)

5. As bênçãos para os que obedecem (28:2-14)

6. As ausências das bênçãos para os que desobedecem (28:15-69)


Que o Eterno lhes abençoe!

Pr. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yossef)