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sexta-feira, 5 de abril de 2024

Estudo da Parashá Shemini - A Torah não é instantânea.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 26 – Shemini (Oitavo)

Vayicrá/Levítico Lv 9:1-11:47,

Haftará (Separação) 2Sm 6:1-19, e

B’rit Hadashah (Nova Aliança) 2Co 6:14-7:1


Tema: A Torah não é instantânea.


No estudo dessa semana trataremos a respeito da situação atual vivida por muitas pessoas que, devido ao mundo atual pensam que a Torah é instantânea, ou seja, acham que pode simplesmente aprender a Torah de forma instantânea assim como o sistema religioso tem praticado. Veremos que o aprendizado e a prática de Torah é constante e leva a vida toda, pois nunca poderemos saber tudo, devido a profundidade de sabedoria contida na Lei de Deus.

RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA


No nosso resumo, vemos que a Parashá Shemini começa discutindo os eventos que ocorreram no oitavo e último dia de melu'im, o serviço de inauguração do Mishkan/tabernáculo. Após meses de preparação e antecipação, Aharon e seus filhos são finalmente instalados como cohanim/sacerdote, em um serviço elaborado.

Aharon abençoa o povo, e toda a nação se rejubila quando a presença de D’us paira sobre eles. Entretanto, o entusiasmo é interrompido abruptamente quando os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, são consumidos por um fogo celestial e morrem no Mishkan, enquanto ofereciam ketoret/incenso, sobre o altar. A Torá declara que eles morreram porque trouxeram um "fogo estranho" no santuário interior do Mishkan, cujo significado é discutido pelos comentaristas à exaustão.

Aharon recebe ordens de que os cohanim são proibidos de entrar no Mishkan enquanto impuros, e a Torá continua a relatar os eventos que ocorreram imediatamente após a morte trágica de Nadav e Avihu. A porção termina com uma lista dos animais casher/permitido e não-casher/não permitido, com detalhes a respeito do assunto com apontamentos de alguns animais, e também várias leis sobre tumá, ou seja, impureza.

ESTUDO DO CONTEXTO LITERAL, PRÁTICO E PROFÉTICO


Pretendo iniciar a reflexão desta semana com algo que o Rei Salomão escreveu que tem íntima relação com o tema que trataremos. Observe o seguinte texto:


Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todos os propósitos debaixo dos céus. Há tempo de nascer e tempo de morrer, há tempo de plantar e tempo de colher. Ec 3:1-2


O tempo é algo que se repete nas palavras do Rei, isso por que ele é muito importante, e é uma pena que muitos não percebam isso. Para falar sobre nosso tema, o tempo é uma característica importante a ser observada. No povo de Yisrael o tempo é considerado um bem muito importante, mas ao mesmo tempo finito. E há ensinos que dizem que antes da criação esse termo não tinha sentido, pois esse conceito só assumiu algum significado em relação aos eventos posteriores à criação. Segundo Bruno Summa, enquanto havia apenas o Eterno, não havia necessidade de criar o tempo. Já depois que iniciou o processo da criação e vemos que o dia se tornou um ponto muito importante em relação ao qual os eventos podem ser medidos e cronometrados. Ele diz que os conceitos de “antes” e “depois” passaram a existir desde que houve o “bereshit”, ou seja, um começo.

O termo estação, no hebraico Z’MAN, de acordo com o autor, refere-se ao tempo como uma trama geral de eventos, o termo hebraico ET - tempo, significa um período de tempop específico para acontecimentos claramente definidos. Já o termo “sob os céus” é aplicado a tudo o que ocorre em nosso universo físico, que por definição é móvel, em constante movimento.

Como no reino de HaShem não há essa variação, Rabbi Meir aconselha as pessoas a minimizar suas atividades terrenas e maximizar seu estudo de Torah, uma vez que o tempo foi concedido com o propósito de ocupar-se com o estudo de Torah. Veja o que diz o Eterno a Josué:


Não permita que a Torah saia de suas lábios, a estude noite e dia. Js 1:8


Com isso percebemos como é importante aproveitar seu tempo ao estudar a Torah. No entanto, o conhecimento que se adquire ao estudar a Torah não é instantâneo, ele leva tempo. As pessoas acreditam que podem começar a estudar a Torah e como em um passe de mágica já saber tudo, mas o conhecimento exige tempo, ele é adquirido em estágios, em níveis. O mencionado autor diz que, se alguém perguntar como é possível obter bens mundanos que exigem muito trabalho e tempo para acumular, a resposta é ser de espírito humilde diante de um homem e confiar no Eterno. Se alguém rejeitar a Torah em favor da aquisição de valores transitórios, seu próprio fim será tão finito quanto o das mercadorias as quais foram adquiridas com tempo e esforço. O contrário também se aplica; se a pessoa se concentrar na aquisição dos valores da Torah, tudo que conquistar estará desvinculado da realidade transitória humana. A cada nível que se atinge, uma gama de conhecimento e prática é desenvolvido. Isso requer paciência e dedicação no estudo das Escrituras Sagradas e na prática dos mandamentos. E a própria Torah demonstra isso nessa parashá que estamos estudando, há muito a ser dito sobre o assunto e a relação com a parashá shemini, mas selecionamos apenas alguns. Veja o texto abaixo:


E aconteceu, ao dia oitavo, que Moisés chamou a Arão e seus filhos, e os anciãos de Israel” Lv 9:1


Pergunto, ao oitavo dia depois de quê? Depois de que os sacerdotes aguardaram 7 dias à entrada da Tenda da Congregação, para iniciarem o serviço no Mishkan. Percebe como tudo nas Escrituras tem um motivo? E nesse estudo terá a oportunidade de confirmar ainda mais isso. Aharon e seus filhos tiveram que ter paciência de esperar o tempo certo para iniciarem seu trabalho de sacerdote. Não foi instantâneo! E há pessoas atualmente que pensam ser instantâneo fazer o serviço ao Eterno. Começam a teshuvah hoje e já querem ensinar as Escrituras, sem um mínimo de conhecimento básico da Torah.

O site Emunah a fé dos santos nos diz que segundo Rashi e um Midrash, este oitavo dia coincidia com o primeiro dia do primeiro mês do segundo ano, ou seja, era 1 de Aviv, conforme lemos em Ex 40:2 e 17, estava se aproximando o pessach após saírem do Egito.


No primeiro mês, no primeiro dia do mês, levantarás o tabernáculo da tenda da congregação,

E aconteceu no mês primeiro, no ano segundo, ao primeiro do mês, que o tabernáculo foi levantado;


O oitavo dia, o shemini, que se segue a um período de sete dias é um dia especial nas Escrituras, ele aponta para o reinício, o recomeço, e entre eles mencionamos alguns abaixo:

- o dia da circuncisão dos meninos;

- o oitavo dia depois da festa de Sukot, chamado Shemini Atseret (O oitavo grande dia, que inclusive Yeshua se levanta para dizer quem tem sede venha a mim e beba);

- Como um dia representa mil anos, o oitavo dia simboliza o oitavo milênio depois da criação do homem, quando ao final desse tempo, serão instituídos os novos céus e nova terra, e o Reino será entregue pelo Messias ao Pai, reiniciando tudo.

Podemos perceber que shemini, o oitavo dia, é um reinício depois de um ciclo de 7 dias, sete anos ou até sete milênios. Segundo Bruno Summa, tendo em vista que o homem tende a perder de vista a rápida passagem do tempo e a brevidade de sua estada na terra, a Torah nos ordena a contar ciclos de 7 e ciclos de cinquenta anos para nos lembrar da rapidez com que passa o tempo que nos foi concedido e para nos alertar para usar esse tempo com sabedoria. Há um dito dos sábios de Yisrael a respeito disso, veja:


O homem se preocupa com a perda de seu dinheiro, mas deixa de se preocupar com a perda de seu tempo. Enquanto ele procura ajuda de seu dinheiro, seu tempo é irremediavelmente perdido. Sefer Hachayim 10:1


Os rabinos entendem que quando a Torah legisla a contagem dos ciclos, ela diz “você deve contar para si mesmo”, ou seja, para seu próprio benefício. O já mencionado autor diz que os ciclos de sete anos simbolizam diferentes estágios de vida do homem. Assim, os setes dias de consagração que Aharon e seus filhos passaram em isolamento, longe de suas respectivas famílias antes de assumirem suas funções sacerdotais, foram para sua tarefa. Embora tivessem de permanecer no limiar, não deviam entrar no santuário nem deixar o pátio sagrado. Segundo o autor, isso demonstra claramente que esses sete dias eram preparatórios para sua tarefa sagrada, mas que até o oitavo dia seus preparativos não estariam completos. O que podemos aprender com isso?

O autor nos diz que simbolicamente, esses sete dias representam todo o ciclo da vida. Assim como a vida nesta terra é vista como uma antecâmara para o mundo vindouro, Aharon e seus filhos deveriam se ver como se dedicando ao destino de suas vidas. Assim, onde e quando encontrarmos o número sete é para nos lembrar que a perfeição pode ser alcançada ao final de um ciclo de sete, pois quando chega o shemini, o oitavo, teremos um outra chance de crescer, de melhorar, de acertar e de nos desenvolver.

Assim, a lição que podemos tirar é que realmente, não existe “Torah instantânea”. A Torah não pode ser absorvida instantaneamente, embora a observância das mitsvot possa começar repentinamente, sua compreensão somente vem como tempo. O autor mencionado diz que nos tornamos bons seguidores de Torah apenas passo a passo. Embora muitos achem que pode ser tudo muito rápido, na verdade é preciso muita paciência e persistência no estudo da Torah.


Meditarei nos teus preceitos e darei atenção às tuas veredas. Sl 119:15


Fico acordado nas vigílhas da noite, para meditar nas tuas promessas. Sl 119:148


Retornando ao primeiro verso desta parashá, observe:


E aconteceu, ao dia oitavo, que Moisés chamou a Arão e seus filhos, e os anciãos de Israel” Lv 9:1


Podemos perceber que a parashá shemini inicia relatando como foi a inauguração do Mishkan e dos serviços sacerdotais. E todo o capítulo 9 mostra como foi esse primeiro dia do Mishkan, e define esse dia como o oitavo dia. O termo shemini, oitavo no hebraico é a representação desse ciclo se iniciando, conforme vimos até aqui.

No entanto, esse é um dia muito, muito profético e falaremos um pouco sobre isso. Na manhã daquele oitavo dia, aconteceram coisas importantes, mas que uma leitura desatenta pode passar sem a devida percepção. Burno Summa diz que aconteceram naquele dia, coisas que são sentidas até os dias de hoje. Na manhã daquele dia, Moshê iniciou algumas ações que apontam para o futuro perpassando por nós e indicando ainda mais no futuro. São oito ações importantíssimas com apontamentos proféticos claros: Vejamos:

1 – Colocou as tábuas dentro da Arca da Aliança.

Ao fazer isso Moshê criou uma ponte entre o terreno e o espiritual, ou seja, o meio de obedecer ao Eterno pelos mandamentos. Isso era a oportunidade do ser humano de se tornar habitação da presença divina. À partir dali todo ser humano recebeu a oportunidade de se conectar diretamente com HaShem, de onde ele estiver.

Devemos estudar a Torah para que seus mandamentos vivam dentro de nós.

2 – Imergiu Aharon e o vestiu

Se observarmos os detalhes das vestes sacerdotais perceberemos que cada uma peça das vestes representa a expiação por um tipo diferente de pecado. Note que são oito peças e oito pecados diferentes. À partir desse dia expiações por diversos tipos de pecados passam a ser feitos, apontando para o serviço e chamado do messias.

Devemos vestir as vestimentas sacerdotais para buscar expiação pelos nossos pecados.

3 – Acendeu a Menorah

A luz da menorah representa a luz que HaShem invocou à realidade terrena durante à criação, quando disse: “Haja luz e houve luz” (Gn 1:3). Essa luz que HaShem trouxe à existência é representada profeticamente pelas luzes da Menorah é a sabedoria oculta da Torah, sabedoria a qual colocou toda a criação sob a vontade divina. O citado autor diz que no oitavo dia, essa luz que até então havia sido possuída apenas por Adam, foi colocada à disposição do homem que a deseja encontrar. A luz que está oculta na Torah, quando obtida por um hopmem, colocará todaà criação à sua disposição da mesma forma que toda a criação esteve um dia à disposição de Adam, uma oportunidade dada a nós graças ao shemini, oitavo dia.

Está percebendo o motivo da paciência no estudo da Torah?

Devemos acender a Menorah para iluminar os caminhos daqueles que estão à nossa volta através de nosso conhecimento.


4 – Ofertou o primeiro Tamid e Ok’toret

Nesse dia, Moshê ofertou a primeira oferta Tamid, a oferta que era apresentada duas vezes ao dia. Essa oferta representa a oportunidade que recebemos de HaShem, de poder buscá-lo diariamente, algo que antes não era visto. Por falar nisso, quantas vezes mesmo no mínimo devemos rezar o shemah? Duas vezes né! Está entendendo como tudo está ligado? Um homem pode buscar o Eterno sempre que desejar.

Devemos ofertar o Tamid para buscar a HaShem diariamente.

5 – Estabeleceu a contagem dos shabatot

Neste dia da inauguração do Mishkan, que está oculto nas palavras da Torah e é altamente importante, pois foi nesse dia que ficou estabelecido a contagem dos tempos estabelecido para as celebrações da Torah, em complemento ao que já tinha dado no Egito antes do primeiro Pessach. Os dias em que celebramos as data importantes da Torah, como Pessach, Shavuot e até o shabat, inclusive nos dias de hoje, foram estabelecidos no shemini, oitavo dia.

Devemos estabelecer a contagem para guardar as festas e os dias santos de HaShem, pois ele nos espera neles.

6 – Colocou os pães sobre a mesa

O pão possui representação importante nas Escrituras, sendo a mais contundente entre elas e a primeira a ser mencionada é a maldição que foi imposta a Adam. Quando Moshê coloca os pães sobrea mesa e os santificou, ele anula a maldição lançada sobre Adam, e isso afeta a todos nós que buscamos obedecer ao Eterno. Com esse ato, nos foi dado a oportunidade de não ter mais que suar o rosto para obter o pão. O homem que entende esse segredo, através da obediência à Torah receberá do Eterno as bênçãos da obediência.

Devemos colocar o pão na mesa para que venhamos fazer Tzedakah, ou seja, ajudar a quem precisa.

7 – Santificou a si mesmo

Quando Moshê se santificou, ele mostrou que todos nós podemos nos santificar, uma ação que depende apenas de nós sem que necessitemos de terceiros para nos santificar. A nossa obediência e separação do erro nos santifica.

Devemos nos santificar para continuar buscando santificação através dos mandamentos da Torah.

8 – As dez coroas

Além de cada uma dessas ações de Moshê naquele dia, dez coisas aconteceram também ali, coisas que o Sefer Olam chama de “as dez coroas”.

O shemini, oitavo dia, não foi de forma alguma um dia comum, e seu relato não pode ser considerado apenas como fato histórico. O já mencionado autor diz que nada em nossa realidade aconteceu por acaso ou de forma natural. O número oito possui enormes segredos como vimos até aqui.

Então, depois de fazermos tudo isso relatado até agora com paciência e dedicação, receberemos as dez coroas, que são sabedorias divinas dadas pelos céus aos obedientes, conforme foi mencionado por dois Apóstolos:


Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida que D’us prometeu aos que o amam. Tg 1:12


Não tenha medo do que você está prestes a sofrer. Saibam que o enganador lançará alguns de vocês na prisão para prová-los, e vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida. Ap 2:10.


Compreendamos portanto, que a Torah não é instantânea e requer de cada um de nós paciência e dedicação no estudo e na obediência. Cada dia é um dia de aprender dela, pois cada dia faz parte do ciclo de shemini, preparado pelo Eterno para nos instruir e nos guiar.


Que HaShem lhes abençoe!


Pr/Rav. Marcelo Santos da Silva (Marcelo Peregrino Silva – Moshê Ben Yosef)


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