Estudos da Torá
Parashá nº 31 – Emor (Fale)
Vayicrá/Levítico 21:1-24:23
Haftará (separação) Ez 44:15-31.
Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Mt 5:38-42 e Gl 3:26-29.
Shabat no sábado, será um erro?
Atualmente, depois do avanço da internet vemos muitas pessoas, pseudoestudiosos, repetirem como um mantra, que o calendário bíblico é diferente do calendário gregoriano civil, e com isso, afirmam categoricamente que o shabat não seria no sábado. Mas será que isso poderia ser verdade? Será que a diferença dos calendários bíblico e civil mudam o dia de encontro com o Eterno?
Nessa semana, na parashá Emor, temos a oportunidade de estudarmos um pouco mais sobre esse assunto, e então, compreender dentro do contexto bíblico e também histórico a influência do calendário nas moadim do Eterno. Não deixe de acompanhar esse estudo.
RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA
Ao meditarmos na Parashá Emor, somos conduzidos a um entendimento profundo de que a santidade não é algo distante, mas um chamado diário para todo aquele que deseja andar com o Eterno. A porção começa com instruções aos kohanim, mostrando que aqueles que servem mais de perto devem viver com maior cuidado, pureza e responsabilidade, pois carregam sobre si o Nome do Eterno. No entanto, esse princípio não se limita a eles, mas se estende a todo Yisra’el: quanto mais nos aproximamos do Eterno, mais nossa vida deve refletir Seus caminhos.
Em seguida, aprendemos que aquilo que oferecemos ao Eterno deve ser íntegro, sem defeitos, revelando que Ele não se agrada de entregas pela metade, mas de um coração inteiro e disposto a obedecer. A porção então nos conduz aos moadim, os tempos determinados pelo próprio Eterno — como o Shabat, Pessach, Shavuot, Yom Teruah, Yom HaKipurim e Sukkot — que não são apenas datas, mas encontros vivos entre o Eterno e Seu povo, marcando o ritmo de uma vida alinhada com Sua vontade.
Ao final, somos apresentados à luz contínua do candelabro e aos doze pães da presença, colocados constantemente diante do Eterno. A luz que nunca se apaga e os pães que nunca deixam a mesa nos ensinam que a presença do Eterno é constante, e que Seu povo está continuamente diante d’Ele. Isso aponta para uma vida de permanência, vigilância e renovação. Yeshua viveu esse princípio plenamente, andando em constante obediência e ensinando seus talmidim a fazerem o mesmo, tornando-se exemplos vivos dessa luz e desse sustento.
A porção se encerra reforçando que há uma única instrução para todos, sem distinção, mostrando que o Eterno é justo e não faz acepção de pessoas. Assim, Emor nos chama a viver uma santidade prática, a honrar os tempos do Eterno, a oferecer o melhor de nós e a permanecer diante d’Ele como luz que não se apaga e como pão sempre presente.
ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ
A Parashá Emor, dentre outros assuntos importantes, apresenta os moadim ou moedim, como “mikraei kodesh” – convocações santas, mas ela mesma faz uma distinção clara entre o Shabat semanal e os demais tempos determinados. O shabat e os tempos determinados estão subordinados ao calendário bíblico. No entanto, com o tempo os homens deixaram de segui-lo e criaram calendários de acordo com suas necessidades, mas estes também sofreram alterações.
Vamos tratar disso com cuidado e fidelidade às Escrituras e à História, entendendo o tempo como o Eterno o estabeleceu, e também como os homens organizaram seus próprios sistemas. A história da contagem do tempo é a história da tentativa humana de organizar o caos e se sintonizar com o cosmos. Para nós, no contexto nazareno, entender essa cronologia é fundamental para percebermos como o "tempo sagrado" foi, aos poucos, sendo substituído pelo "tempo civil" e se eles podem ainda assim, estarem alinhados.
Dessa forma, vamos observar um resumo da trajetória dessa evolução, entendendo como era nos tempos bíblicos e como se deu a transformação, veremos também o conceito de shabat de acordo com as Escrituras e se seu alinhamento com os dias da semana civil está errado ou não.
1 - O Calendário da Observação
Nos tempos bíblicos mais antigos, o calendário não era um papel na parede, mas uma observação direta do céu. O calendário da Torá é lunissolar. Ele não se baseia apenas no sol (como o nosso) ou apenas na lua (como o islâmico). O mês começava quando duas testemunhas viam o primeiro filete da Lua Nova (Rosh Chodesh) em Yerushalaym. Para que as moedim, geralmente chamadas de festas, não saíssem das estações próprias, como por exemplo Pessach na primavera que em hebraico é Aviv, observava-se a maturação da cevada que ocorre no primeiro mês, Aviv. Se a cevada não estivesse pronta, um 13º mês era adicionado. Era um calendário reativo e orgânico, dependente da natureza e da providência divina.
Vamos tentar entender isso:
- Meses Lunares: Cada mês começa no Rosh Chodesh (Lua Nova). Isso mantém os meses em sintonia com os ciclos biológicos e emocionais.
- Anos Solares: Como o ciclo lunar tem cerca de 354 dias e o solar 365, o calendário bíblico adiciona um mês extra (Adar II) periodicamente. Isso garante que as festas caiam sempre na mesma estação: Pesach na primavera e Sukkot no outono, na terra de Yisrael, no hemisfério norte.
- O Dia: No conceito bíblico, o dia começa ao pôr do sol. "Houve tarde e manhã, o dia primeiro" (Gênesis 1:5). O tempo de D’us começa no descanso e na escuridão, para depois florescer na luz.
O ponto de partida na Torá está em Shemot: “Este mês será para vós o princípio dos meses…” (Shemot 12:2). E também em: “Disse o Eterno: haja luminares no céu para separar o dia da noite; que eles sirvam de sinais, para tempos determinados (moadim), para dias e anos.” (Bereshit 1:14). Assim, vemos que o calendário bíblico é estabelecido por dois pilares:
- Lua (meses) – os meses começam com a lua nova, como já mencionamos.
- Sol (ciclo agrícola) – as festas devem cair em suas estações corretas, como o Pessach na primavera em Yisrael.
Por isso, ele é um calendário luni-solar, tendo um estrutura básica da seguinte forma:
- 12 meses (às vezes 13 para ajustar o ciclo).
- Dias começam ao pôr do sol, como vemos em Bereshit 1:5.
- O Shabat é contado em ciclos de 7 dias, independentes da lua ou estação, pois é um ciclo contínuo de sete dias desde a criação. Mais à frente entenderemos mais à fundo sobre o shabat.
2 – O Calendário Criado pelo Homem
O imperador Julio César achava os calendários lunares confusos para administrar um império vasto como o romano, por isso abandonou a lua e adotou um calendário puramente solar de 365 dias, ficando conhecido como “Calendário Juliano”. O ano 46 a.E.C ficou conhecido como o “ano da confusão”, pois teve 445 dias para tentar realinhar as estações.
Embora os romanos usassem ciclos de 8 dias (nundinae), a semana de 7 dias, de origem bíblica, acabou se tornando padrão no império após a influência do judaísmo e, posteriormente, do cristianismo.
Conforme visto acima, o sistema de Júlio César tinha um pequeno erro que, ao longo de 1.600 anos, acumulou 10 dias de atraso. A Igreja queria garantir que o Domingo de Páscoa (definido pelo Concílio de Niceia em 325 d.C. fosse celebrado na data "correta" estabelecida por eles, em relação ao equinócio. Por isso, o Papa Gregório XIII, corrigiu erros acumulados no calendário juliano e ajustou a regra dos anos bissextos e removeu 10 dias do calendário em outubro de 1582. Essa não foi uma correção apenas matemática, foi teológica.
Vamos observar a transição do calendário bíblico para o gregoriano. No tempo bíblico, o tempo é cíclico e nos conecta ao Eterno através dos tempos determinados como o Shabat e os Yom Tov (dias festivos ou shabat anuais). No gregoriano, o tempo é linear e focado na produtividade e na história humana. A maior parte do mundo ocidental adotou esse sistema, que é o que rege nossos bancos, voos e compromissos hoje. No calendário bíblico, os dias da semana não têm nomes (exceto o Shabat). São chamados de "Primeiro dia", "Segundo dia", preparando o caminho para o sétimo. No gregoriano, os nomes homenageiam deuses pagãos e astros (em muitas línguas, como Monday para a Lua ou Lunes, e Sunday para o Sol).
Quando olhamos para a Torá, algo chama a atenção imediatamente: Os dias da semana não possuem nomes próprios. Eles são contados assim:
- Yom Rishom: Primeiro dia ou dia um;
- Yom Sheni: Segundo dia ou dia dois;
- Yom Shlishi: Terceiro dia ou dia três;
- Yom Revi’i: Quarto dia ou dia quatro;
- Yom Chamishi: Quinto dia ou dia cinco;
- Yom Shishi: Sexto dia ou dia seis (também conhecido como Erev Shabat – véspera de shabat);
- Sétimo dia ou Shabat.
Como está escrito: E foi tarde e manhã, o primeiro dia… Bereshit 1:5) e ...Mas o sétimo dia é Shabat para HaShem… (Shemot 20:10). Vemos que apenas o Shabat recebe um nome, pois é separado pelo Eterno.
Os meses nas Escrituras também aparecem, em sua maioria, sem nomes, sendo também chamados por números:
- Primeiro mês;
- Segundo mês;
- Terceiro mês...
Como está escrito: “No primeiro mês, aos catorze dias do mês…” e em outro texto: “...No segundo mês, no dia catorze, à tarde, celebrarão; com pães asmos e ervas amargosas a comerão…” (Bamidbar/Nm 9:11 – a instituição do Peshach Sheni).
Com o passar do tempo, alguns meses passam a ser mencionados por nomes, como: Aviv (primeiro mês – Shemot 13:4), Ziv (1 Rs 6:1), Etanim (1 Reis 8:2) e Bul (1 Reis 6:38). Mais tarde no entanto, especialmente após o exílio babilônico, outros nomes foram acrescentados como: Nisan, Iyar, Sivam, Tishrei, Kislev, etc. Esses nomes não são originalmente do TaNaK, mas foram adotados no uso do povo de Yisrael ao longo do tempo. Ainda assim, na Torá, o Eterno enfatiza mais o tempo e o propósito, não os nomes.
Diferente do calendário bíblico, o sistema atual usa nomes para tudo, dias e meses, e esses nomes têm origem humana, muitas vezes ligados a culturas antigas e pagãs.
Os dias da semana em português: domingo, segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado. Curiosamente, nosso idioma preserva algo próximo do padrão bíblico, os dias numerados, com exceção do Domingo que está ligado ao “dominus day” ou “dia do Senhor” na tradição romana posterior, e o Sábado que é derivado de shabat. Em outros idiomas, muitos nomes vêm de astros ou divindades antigas, por exemplo domingo no inglês é Sunday ("Dia do Sol"), Segunda em Espanhol é Lunes ou Monday no Inglês que significa "Dia da Lua".
Ainda, de Terça a sexta, no português, usamos "feira" por influência litúrgica cristã, mas no restante do mundo ocidental, homenageiam Marte, Mercúrio, Júpiter e Vênus (ou deuses nórdicos como Tiw, Woden, Thor e Freya no inglês). Da mesma maneira os meses no calendário gregoriano têm origens históricas específicas:
Janeiro — ligado a Janus (figura romana de transições)
Fevereiro — purificação (februa)
Março — ligado a Marte
Abril — abertura (primavera)
Maio — Maia
Junho — Juno
Julho — Júlio César
Agosto — Augusto
Setembro a Dezembro — números antigos (7 a 10)
Ou seja, são nomes baseados em cultura, história e organização humana. As Escrituras não dão ênfase aos nomes dos dias ou meses, mas sim ao uso correto do tempo, conforme Vayicra 23:2. O Essencial não é como o homem chama o dia ou o mês, mas o que o Eterno determinou para esse dia ou mês.
Vamos então entender o shabat no próximo tópico.
3 – Shabat, Sábado ou Shabat no Sábado.
Depois de termos visto os fatores históricos sobre o calendário, vamos entender o shabat. Será que celebramos o shabat no dia errado? Para isso, precisamos compreender bem o que é o shabat. Vamos voltar ao fundamento, como está escrito na Torá, para entender o que é o Shabat, segundo o próprio Eterno, indo além da ideia de “dia de folga”, não como tradição de homens, mas como princípio revelado. O Shabat não é apenas um mandamento; ele é um palácio no tempo. É o único dia que foi santificado na Criação antes mesmo de existir pecado, religião ou o povo de Israel.
O Shabat aparece pela primeira vez logo no início de tudo:
“E terminou o Eterno no sétimo dia a obra que fizera; e cessou no sétimo dia de toda a Sua obra... E abençoou o Eterno o sétimo dia e o santificou…” (Bereshit 2:2-3).
Aqui está a raiz de tudo. Encontramos três pilares que definem o princípio do Shabat.
O primeiro é o princípio da cessação (“Menuhah”). A palavra Shabat vem da raiz hebraica que significa cessar, parar, interromper. Não porque o Eterno se cansou, mas porque Ele estabeleceu um padrão, um limite. Ele parou de criar para apreciar a criação. O sétimo dia foi:
Abençoado
Santificado (separado)
Definido como tempo distinto dos outros dias, o único a receber nome.
Quando paramos de produzir, estamos declarando que o mundo não depende de nós, mas de HaShem. É um antídoto contra a idolatria da eficiência e do trabalho.
O segundo princípio é a santidade e separação (“kadosh”), que significa separado, retirado do uso comum. O Shabat é um tempo que não pertence ao "comércio" ou à "luta pela sobrevivência". Na perspectiva nazarena, Yeshua ensinou que "o Shabat foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Shabat" (Marcos 2:27). Isso significa que o Shabat é um presente, uma ferramenta de restauração da alma, e não uma carga de regras pesadas. Ele serve para nos devolver a nossa humanidade.
O terceiro princípio é o da delícia e antecipação (“Oneg”). O profeta Yeshayahu nos chama a tratar o Shabat como um "deleite" (Oneg). No Êxodo, o Shabat é um memorial da saída do Egito. Escravos não têm Shabat. Portanto, guardá-lo é um exercício semanal de liberdade. Para nós, discípulos de Yeshua, o Shabat é o "ensaio geral" para o Reino Messiânico. Acreditamos que a era messiânica será um "grande Shabat" por mil anos. Quando guardamos o dia hoje, estamos experimentando antecipadamente a paz (Shalom) que o Messias trará em plenitude pelo poder e autoridade do Eterno.
Há ainda duas formas de entender o shabat na Torá, observe abaixo:
- Shabat como mandamento
Em Shemot 20:8-11, o Eterno ordena: “Lembra-te do dia de Shabat, para o santificar... o sétimo dia é Shabat para HaShem teu Elohim; não farás nenhum trabalho...”
Aqui entendemos que o Shabat é:
- Um mandamento
- Um tempo separado
- Um dia de cessar as atividades comuns
Mas não é apenas parar de trabalhar. É parar para o Eterno.
- Shabat como sinal
“Os filhos de Yisra’el guardarão o Shabat... como aliança perpétua. Entre mim e os filhos de Yisra’el é um sinal para sempre…” (Shemot 31:16-17)
O Shabat é um sinal visível. Ele declara:
Quem é o Criador.
Quem é o povo que O reconhece.
Que confiamos n’Ele mais do que no nosso próprio esforço.
Biblicamente, o Shabat é definido por duas ações principais encontradas nos Dez Mandamentos:
- Shamor (Guarda-te): O aspecto restritivo. Abster-se de melachah (trabalho criativo ou transformador). É o esforço consciente de não interferir na natureza para que possamos contemplar o Criador.
- Zachor (Lembra-te): O aspecto positivo. Acender as luzes, fazer uma refeição especial, estudar a Torá, estar em comunidade e louvar. É encher o dia com o que é eterno.
Se formos resumir o princípio bíblico, o Shabat é:
1. Cessar - Parar o trabalho comum, interromper o ritmo da semana.
2. Santificar - Separar o dia como diferente, dedicado ao Eterno.
3. Lembrar - Recordar a criação (Bereshit) e também a libertação (Devarim 5:15).
4. Confiar - Parar de produzir e reconhecer que é o Eterno quem sustenta.
Assim, fica claro que o ensino sobre este dia, precisa ser vivido. O Shabat nunca foi apenas um dia sem trabalho. Ele é um convite a voltar ao centro, a alinhar a vida com o Eterno e a restaurar o que foi desgastado durante a semana. Como está escrito: “Se contiver o teu pé no Shabat e não procurar os próprios interesses no meu dia santo; se você chamar o Shabat de delícia…” (Yeshayahu 58:13). O Shabat deve ser prazer, não peso.
Yeshua guardava o Shabat e ensinava o seu verdadeiro propósito: “O Shabat foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Shabat.” (Marcos 2:27). Ele nunca anulou o Shabat. Ele removeu distorções e mostrou que:
O Shabat não é opressão
É restauração
É vida
Conforme mencionei anteriormente o shabat não depende de mês, lua ou estação. O mandamento é claro: “Seis dias trabalharás... mas o sétimo dia é Shabat…” (Shemot 20:9-10) Ele é um ciclo contínuo de sete dias desde a criação. E a pergunta então é: Será que o dia em que celebramos o shabat está correto, já que vivemos o calendário gregoriano? E a resposta vai esclarecer e ajudar a compreender o assunto.
Apesar de parecerem que há muitas diferenças práticas nos calendários, na verdade, o que pode ser observado, é que eles se encontram através de uma técnica chamada “epacta”, que é o cálculo entre o ano solar e o lunar. Como o calendário bíblico flutua em relação ao gregoriano, as festas bíblicas nunca caem no mesmo dia "civil". Por exemplo, o Shabat pode começar numa sexta-feira às 17h em junho ou às 19h em dezembro, dependendo do pôr do sol. O Shabat é uma ilha no tempo que se move através dos dias fixos do calendário gregoriano.
Então como os calendários se encontram? Eles não são iguais, mas correm em paralelo. Observe:
O calendário bíblico define:
Meses
Festas (moadim)
Datas civis (como usamos hoje)
O calendário gregoriano define:
É importante destacar que o ciclo de 7 dias nunca foi interrompido historicamente. Isso significa que o Shabat sempre coincide com o sétimo dia contínuo, que hoje o mundo chama de sábado. Mas espere que uma coisa não é a outra. Shabat é diferente de Sábado. Há uma diferença essencial:
- Shabat (conceito bíblico)
Instituído em Bereshit 2:2-3.
Santificado pelo Eterno.
Dia de cessar, lembrar e se conectar.
Começa no pôr do sol do sexto dia.
É um mandamento, um tempo sagrado.
- Sábado (conceito moderno)
Nome vindo do latim sabbatum.
Parte do calendário gregoriano.
Apenas um rótulo civil para o sétimo dia.
É uma designação humana de calendário.
No tempo os dois coincidem, por ser no mesmo dia do ciclo semanal. O Sábado nome do calendário humano. O Shabat é o propósito do Eterno. Portanto, o erro não está no dia, ou se a sociedade não considera o calendário bíblico no dia a dia, mas em esquecermos o significado do Shabat. Como está escrito: Lembra-te do dia de Shabat, para o santificar...(Shemot 20:8). Não diz apenas “guardar um dia”, mas lembrar e santificar o Shabat.
Historicamente, o sistema romano "divorciou" o cristianismo de suas raízes judaicas. Ao fixar o domingo como dia de guarda no Concílio de Niceia e oficializar o calendário solar, criou-se uma barreira. O princípio bíblico nos ensina que o Shabat não é o sábado gregoriano. O "sábado" é um espaço no relógio; o Shabat é um encontro marcado com o Rei. Você pode estar em um sábado civil e não estar "em Shabat" se o seu coração e suas ações não cessaram de criar e transformar o mundo ao seu redor.
O Shabat é a resistência contra o tempo linear e produtivo do mundo; é o momento em que voltamos para o Jardim do Éden, mesmo que por apenas 25 horas. Como discípulos de Yeshua, vivemos em uma intersecção. Usamos o calendário gregoriano para pagar contas e marcar reuniões (o tempo do exílio), mas guardamos o calendário bíblico no coração para as nossas "Santas Convocações".
O Shabat continua sendo o nosso ponto de ancoragem: não importa se o calendário civil diz que é dia 10 ou 20, quando o sol se põe na sexta-feira gregoriana, entramos na dimensão do sétimo dia bíblico. O desafio do judeu nazareno moderno é não permitir que a tirania do relógio gregoriano roube a santidade do ritmo divino.
Concluindo nosso estudo, essa porção da Torá, a parashá Emor, nos falou literalmente, mostrando que apesar de tudo que o homem e seus sistemas fizeram na história, ainda assim, podemos servi-lo com alegria, certos de que estamos no tempo correto, pois o calendário bíblico é estabelecido pelo Eterno (lua + sol), o calendário gregoriano é uma organização humana (solar), ambos coexistem hoje, mas o ciclo semanal permaneceu contínuo. Se pararmos para pensar, o calendário gregoriano é como uma cidade cheia de estátuas de antigos imperadores e deuses esquecidos. Já o calendário bíblico é como um mapa de navegação que te lembra, a cada mês e a cada dia, onde você está em relação à sua caminhada com o Eterno.
Para um nazareno, o calendário bíblico não é "folclore"; é o ritmo da nossa respiração espiritual. Enquanto o mundo celebra "Janeiro" (olhando para trás e para frente com as faces de Jano), nós olhamos para o primeiro mês, Aviv, o mês da primavera, e lembramos que a verdadeira liberdade começou com o cordeiro, e para o sétimo mês, esperando o toque da última trombeta quando habitaremos para sempre com o Eterno. E o mais importante, o Shabat não é apenas um dia no calendário, é um encontro marcado entre o Eterno e seu povo desde a criação. Qual ciclo mais influência seu ritmo de vida hoje?
Que o Eterno lhes abençoe.
Moshê Ben Yosef

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