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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Estudo da Parashá Vayechi - Vasos nas mãos do Eterno: Você foi feito para servir.

 


Estudos da Torá

Parashá nº 12 – Vayechi (E viveu)

Bereshit/Gênesis 47:28-50:26

Haftará (separação) 1Rs 2:1-12 e

Escritos Nazarenos (Novo Testamento) Hb 11:21, 22 e 1Pe 1:3-9


Vasos nas mãos do Eterno: Você foi feito para servir.


Desde o princípio, o Eterno tem buscado homens e mulheres que se deixem moldar por Suas mãos. As Escrituras revelam que a vida humana não é um fim em si mesma, mas como um vaso criado para conter e manifestar a vontade do Eterno. Quando o homem vive apenas para seus próprios desejos, ele se torna um vaso vazio, sem utilidade para o propósito para o qual foi formado.

A parashá Vayechi nos conduz ao encerramento da vida de Yaakov e nos convida a refletir sobre como um servo do Eterno termina sua caminhada, ou seja, não acumulando para si, mas transmitindo propósito, direção e promessa às próximas gerações. Siga até o final deste estudo e poderá compreender que ser vaso do Eterno não é apenas ser cheio, há algo mais a fazer.


RESUMO DA PARASHÁ DA SEMANA

A parashá Vayechi, encerra o livro de Bereshit e relata os últimos dias de Yaakov em Mitsraym (Egito). Yaakov viveu ali dezessete anos e, aproximando-se o dia de sua morte, chamou Yosef e o fez jurar que não o enterraria em Mitsraym, mas no sepulcro de seus pais, em Mearat Hamachpelá, na terra de Kena’an. Em seguida, Yosef trouxe seus filhos, Menashê e Efraym, e Yaakov os abençoou, cruzando as mãos e colocando a direita sobre Efraym, o mais novo, mostrando que a escolha do Eterno não segue a ordem humana, mas o Seu propósito.

Depois disso, Yaakov chamou todos os seus filhos e declarou sobre cada um o que lhes aconteceria nos dias vindouros. Ele repreendeu, exortou e abençoou segundo o caráter e o caminho de cada um. Falou da liderança de Yehudah, da porção de Yosef e da dispersão e futuro das demais tribos. Ao concluir suas palavras, Yaakov ordenou novamente que fosse sepultado junto de Avraham, Yitschak e Leah, e então expirou e foi recolhido ao seu povo.

Yosef chorou por seu pai, mandou embalsamá-lo segundo o costume de Mitsraym e conduziu um grande cortejo até a terra de Kena’an, onde Yaakov foi sepultado conforme havia ordenado. Após a morte do pai, os irmãos de Yosef temeram vingança, mas Yosef lhes respondeu que o que eles intentaram para o mal, o Eterno transformou em bem, para preservar muitas vidas. O livro termina com a morte de Yosef, que antes de morrer fez os filhos de Yisrael jurarem que, quando o Eterno os visitasse, levariam seus ossos consigo, pois sua esperança estava na promessa do Eterno aos pais.


ESTUDO DO TEXTO DA PARASHÁ

E Yaakov viveu dezessete anos na terra do Egito; assim, Yaakov viveu até os 147 anos de idade. Chegou o momento em que se aproximava a morte de Yisrael; por isso, ele chamou por Yosef. Seu filho, e disse: Se você me ama de verdade, por favor, ponha a mão sob minha coxa e jure que, em consideração a mim, não me sepultará no Egito. Bereshit/Gn 47:28-29.

Nessa porção da Torá, Yaakov se aproxima do fim de seus dias. Ele não fala de posses, nem de conquistas pessoais, mas de promessa, herança e futuro. Sua vida inteira foi um processo de ser moldado pelo Eterno: desde o homem que segurava o calcanhar do irmão até aquele que, ao final, abençoa seus filhos com discernimento e visão profética. Vayechi, que em hebraico significa “e viveu”, mostra que o servo do Eterno não vive para satisfazer a si mesmo, para satisfazer seus desejos pessoais, mas para cumprir aquilo que lhe foi confiado. Assim como o oleiro trabalha o barro, o Eterno trabalhou em Yaakov, em Yosef e em todos os que se colocaram em Suas mãos, e ainda hoje trabalha na vida daqueles que seguem este mesmo princípio, preparando-os como vasos para um propósito maior.

Antes de seguir para os tópicos de estudo, gostaria de transcrever na íntegra um trecho do livro SHA'AREI TORAH: Portões da Torah - BERESHIT 5, onde o autor Bruno Summa, comentando a parashá Vayechi, inicia falando sobre sermos vasos do Eterno. Achei muito pertinente ao nosso estudo, já que enquanto estudava a parashá e lia este livro, fui inspirado nesse tema. Segue então abaixo a referida transcrição na íntegra em parágrafo destacado:


COMO UM VASO 

Eu Sou Adonai, seu Elohim, que lhe tirou da terra do Egito; 
abra sua boca e Eu a encherei. Salmos 81:11 
Nossos sábios ensinam que o ser humano, quando idealizado 
por Hashem, foi idealizado como um “vaso”. Um vaso, de forma 
geral, possui apenas duas utilidades: a primeira como um 
recipiente de objetos e a segunda para embelezar o ambiente. 
Todo ser humano, sem exceção, é como um “vaso” em sua 
essência, o que o torna a única criação capaz de escolher o 
que deseja ser: ou um recipiente ou um enfeite. Hashem cria 
o ser humano e lhe diz: "ou se encha ou serás um inútil". 

Por conta de sua essência de “vaso”, todo ser humano tem a 
forte propensão a querer mais “receber” do que “doar”, dado 
que um vaso apenas serve para receber algo em seu interior. 
Tal característica intrínseca o torna egoísta, egocêntrico, 
obstinado e materialista. Todas essas características negativas 
fazem parte da essência humana, porém, ao mesmo tempo que 
as definimos como “negativas”, elas são essenciais ao homem, 
pois caso contrário, o altruísmo o destruiria. Outro motivo que a 
essência do ser humano foi criada dessa forma foi porque, 
quando Ele nos criou, fomos idealizados para recebermos Seu 
amor, Sua bondade e tudo que Ele deseja nos proporcionar. 
Caso não tivéssemos a essência de um “vaso”, que é a essência 
de receber, não seríamos capazes de suprir ao Mestre a 
satisfação que Ele busca e que O levou a nos criar. Contudo, 
junto a característica do “vaso" que nos direciona a satisfazer 
Hashem, três grandes problemas a acompanham. 

O primeiro dentre eles é que dentro de um vaso, diferentes 
coisas podem ser colocadas, desde as mais caras até os piores 
tipos de lixo. Ou guardamos em nossos vasos coisas valiosas 
que nos tornam um vaso de honra, ou guardamos todo o tipo de 
impurezas, as quais não nos farão diferentes de uma lata de lixo. 
Uma das missões que Hashem deu ao homem é justamente 
escolher que tipo de "material” ele deseja guardar; o amor de 
Hashem ou o amor do mundo?! Coisas santas ou coisas 
profanas?! Isso por si só já torna a essência de “vaso” um 
grande desafio existencial. O segundo grande problema está 
atrelado à função primordial de um vaso em receber; a tendência 
humana junto à mentalidade popular ditam que devemos visar e 
buscar aquilo que nos é primordialmente bom e conveniente. 
Somos ensinados desde pequeno que devemos pensar primeiro 
em nós mesmos, somos ensinados a buscar o que nos convém, 
ao que é melhor para nossos desejos e que, por mais caridosos 
que sejamos, em primeiro lugar sempre estará a caridade a nós 
mesmos. A essência humana, infelizmente, é egoísta e 
egocêntrica; todo ser humano, por ter sido idealizado como um 
“vaso”, é incapaz de praticar um verdadeiro ato altruísta sem que 
se destrua a si mesmo e por causa disso é impossível a qualquer 
ser humano deixar o egoísmo e o egocentrismo de lado. E por ser 
impossível “abafar" esse lado tão negativo, o que devemos nós fazer? 
Focá-los nas coisas que Hashem determina; devemos ser obstinados 
a aprender Torah, devemos ser egocêntricos com o amor do Mestre, 
devemos ser egoístas em não trocarmos o santo pelo profano e 
devemos sempre desejarmos receber cada vez mais conhecimento 
sobre o Mestre. Em outras palavras, o segundo problema da forma 
que a essência humana foi criada é que ela não pode ser remediada, 
porém, pela misericórdia de Hashem, podemos aprender a como 
direcionar nossos instintos ao que é real e eterno, e assim utilizar 
com maestria nossa essência. Alguns se enchem do amor ligado 
aos desejos da carne, outros se encheram do amor vindo do Mestre. 
O terceiro e último problema da essência de “vaso” é que ela pode 
nos tornar como meros “enfeites”, ou seja, não há meio termo, 
temos que nos encher indiferentemente se para o bem ou para mal, 
pois caso contrário, não seremos úteis ao Mestre ao nos enchermos 
com o que é bom e não seremos úteis aos justos ao nos enchermos 
com o que é mal (pois são essas pessoas que indiretamente são 
usadas por Hashem para “sustentarem” aos justos). 
Como diferenciar um homem que conhece a Torah de um 
ignorante? O sábio não pede favores a Hashem, o ignorante vive 
pedindo pela Sua bondade. Mas não está escrito que devemos 
abrir nossas bocas para pedirmos tudo que desejamos e que 
Hashem nos dará (Sl 81:11)? Esse verso se refere à 
compreensão de palavras de Torah, essa é a única coisa 
apropriada a se pedir para si mesmo. Ein Yaakov, Tratado 
Brachot 50a 

O que acontece quando a essência egoísta humana se alia à 
uma fé que a fortaleça? Essa fé cresce de forma sem 
precedentes e é aceita por um terço da população mundial. 
O segredo do sucesso, para muitos, é oferecer um deus que 
serve para encher o “vaso”; e não apenas enchê-lo, mas 
enchê-lo de acordo com aquilo que o vaso deseja receber por 
achar que sabe o que é bom para si mesmo. O que leva um 
homem a servir a um deus, seja ele qual for? A necessidade de 
receber. Nenhum ser humano necessita de muito treinamento 
para estabelecer uma conexão com Hashem, ou com seja lá 
qual deus essa pessoa sirva; o fato é, por causa de sua 
essência, ele terá a tendência de levar sua vida e apresentar 
suas necessitadas e desejos pessoais a esse deus. Ele abrirá 
sua boca com muitos pedidos e com fé absoluta que seus 
pedidos serão realizados. O homem abrirá sua boa para que 
seu “vaso” seja cheio, e cheio com aquilo que ele mesmo deseja 
e considera como propício. 

A Gemara ensina que o homem que assim age, o homem que 
ora para Hashem lhe pedindo o que necessita, que jejua a 
Hashem para receber o que quer e que busca a Hashem para 
resolver problemas pessoais, são pessoas ignorantes. Mas 
então a própria Gemara, se baseando no Salmo acima, 
questiona as palavras de Hashem quando Ele nos diz que 
podemos pedir o que quisermos que Ele nos dará, e ela mesmo 
responde dizendo que o sábio não pede nada a Hashem para si 
mesmo fora a compreensão de palavras de Torah. O que a 
Gemara nos ensina é que o verdadeiro relacionamento entre 
homem e Hashem deve ser desenvolvido de forma contrária aos 
nossos instintos. Ou seja, a oração não é uma ferramenta para 
pedirmos algo para nós, mas para engrandecermos ao Seu 
nome. O jejum não é uma ferramenta para que Hashem nos 
satisfaça, mas para mostrarmos a Ele que nos sacrificamos em 
Seu nome. A observância da Torah não é um barganha para que 
Hashem nos abençoe, mas para que tenhamos a vida conforme 
Seus decretos e vontade. 

Esse é o comportamento do homem sábio. E por que o homem 
sábio não pede nada para si sendo que sua essência é de um 
“vaso”? Pois ele entende que um relacionamento com o Mestre 
requer andar contra sua natureza e requer a compreensão de 
que o Mestre sabe suas necessidades, e por isso ele não 
necessita ficar pedindo. O homem justo, quando decide pedir 
algo, ou pede por compreensão dos mistérios da Torah ou pede 
para que seu próximo seja abençoado por Hashem. Se não 
houver necessidade de nenhum desses dois tipos de pedidos, 
o justo só abre sua boca para declarar o quão elevado é Hashem. 

A Parasha Vayechi é repleta de orações e bençãos. Nela são 
relatas todas as bençãos que Yaakov lançou sobre seus filhos 
e como elas definiram as características das diversas Tribos de 
Israel. Yaakov orou a Hashem e nada pediu para si mesmo, não 
pediu cura, não pediu voltar à terra de Israel, não pediu nada. 
Por toda a Parasha Vayechi, cada vez que Yaakov abria sua 
boca, ele elevava o nome de Hashem e pedia apenas pelos seus 
descendentes. Através de Yaakov, a Torah mostra o verdadeiro 
segredo da oração e como um relacionamento com Hashem 
deve se desenvolver. Um verdadeiro relacionamento com o 
Mestre não serve para que Ele nos encha com aquilo que 
desejamos que seja colocado em nossos “vasos”; o verdadeiro 
relacionamento serve para que andemos na contra-mão de 
nossos instintos, e com isso veremos que Ele nos encherá com 
aquilo que Ele deseja que sejamos cheios. 

HASHEM, A ORAÇÃO E A PARASHA VAYECHI 
Venha e veja, você não encontrará na linguagem dos versos da 
Parasha Vayechi nada além de falas humanas. Não há um verso 
que fale sobre o Santo, Bendito Seja; pois o espírito da sabedoria
 retorna apenas aos que vão à terra de Israel. Zohar HaKadosh 1:216a 

O Zohar chama a atenção para algo curioso da Parasha Vayechi. 
Não há um versículo sequer que fala sobre Hashem ou que reporta 
algo dito por Hashem. Tudo que há nessa Parasha trata apenas de 
assuntos concernentes aos homens. E o Zohar explica o porquê não 
há nada sobre o Mestre ao dizer que o espírito da sabedoria apenas 
retorna quando voltarem à terra de Israel. Há um mistério aqui. Na 
Parasha Vayechi, por possuir muitas orações e bençãos, Hashem se 
escondeu, e nada diz e nada sobre Ele é dito. E por que isso ocorre? 
Porque o espírito de sabedoria só retornará quando voltarem à terra 
de Israel. Terra de Israel nesse caso não deve ser compreendido de 
forma literal; a “terra de Israel” nesse caso trata de uma vida de Torah. 

Esse ensino deve ser compreendido de forma alusiva. Vemos muitas 
orações, pedidos e bençãos na Parasha Vayechi, mas não vemos 
Hashem; e por que não vemos Hashem? Porque estão fora da 
“terra de Israel”. Ou seja, o Zohar ensina que perante orações, bençãos 
e pedidos, sem uma vida de Torah, Hashem se esconderá, e todas 
essas “palavras” não passarão de “falas humanas". Para que Hashem 
não “se esconda” de uma oração, ela não pode ser feita através de 
“falas humanas", ou seja, a oração deve ser uma “fala” sem que seja 
“humana”. Como a essência “humana” é de receber, o qual a torna 
com forte propensão a visar o próprio bem estar e satisfação de 
desejos pessoais, entendemos então que toda essa forma “natural” 
de se fazer uma oração não deve ser praticada. 

O que o Zohar está ensinando é que, para que uma oração chegue 
ao Mestre, ela deve ser feita sem nosso lado humano, o qual está 
diretamente atrelado às nossas petições e necessidades pessoais. 
Quando uma oração é feita por palavras que elevam ao Mestre, que 
visam a necessidade do próximo e que não abençoem nós mesmos, 
então, essa não será uma simples “fala humana”; e a essa “fala NÃO 
humana”, o Mestre nunca se esconderá.

Summa, Bruno. SHA'AREI TORAH: Portões da Torah - BERESHIT 5 
(SHA'AREI TORAH - PORTUGUES Livro 6) (pp. 406-411). Edição do 
Kindle.


Agora, depois de termos refletido nesse texto inspirador, vamos aos pontos do nosso estudo.


1. Um vaso moldado pela jornada

Yaakov não nasceu pronto. Sua vida foi marcada por conflitos, fugas, perdas e reencontros. Cada etapa foi como a mão do oleiro pressionando o barro, retirando excessos e corrigindo imperfeições. Cada um de nós também nascemos com a necessidade de sermos moldados no decorrer de nossas vidas. O Eterno usa instrumentos para isso, primeiro nossos pais, depois os professores e então o Mashiach com a Torá do Eterno. Aos poucos, conforme vamos nos adaptando e nos aproximando mais vamos nos conformando ao modelo do Eterno.

Ao chegar ao fim de sua vida, Yaakov demonstra que foi moldado com sucesso, ele sabe onde deve ser sepultado, sabe quem é o Eterno e sabe que a promessa não termina nele. Em vez de buscar honra pessoal em Mitsraym, ele aponta para a terra prometida. O vaso útil ao Eterno é aquele que entende que sua vida não gira em torno do conforto presente, mas da fidelidade ao que o Eterno falou. Conforme o princípio que podemos ver no que o salmista escreveu:


Tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me entendimento, para que eu possa aprender tuas mitsvot. Tehilim/Sl 119:73


Devemos compreender, e o quanto antes melhor, que precisamos reconhecer a grandeza do Criador, sua misericórdia e mandamentos para nossas vida, pois nos instruções perfeitas para um viver que tem propósito desta terra. Ninguém nasceu aleatoriamente, todos temos um propósito ou missão a cumprir.


2. O vaso que não se quebrou na pressão

Yosef é a imagem do vaso colocado no forno com temperatura elevada. Rejeitado, vendido, humilhado e esquecido, ele poderia ter se tornado um vaso rachado pelo ressentimento. Contudo, Yosef reconheceu que sua vida estava nas mãos do Eterno. Na parashá Vayechi, ele declara que o mal intentado por seus irmãos foi transformado em bem para preservar vidas. E não foram apenas vidas dos filhos de Yisrael, mas de muitas outras pessoas e nações. Yosef não usou sua posição para vingança ou benefício próprio, mas para servir. Assim também foram muitos dos profetas, como Yirmeyahu, que viu o oleiro refazer o vaso conforme pareceu bem aos seus olhos (Yirmeyahu 18:1-6), mostrando que o Eterno tem poder para desmontar e refazer, desde que o barro não resista. O vaso inútil é aquele que endurece; o vaso útil é aquele que se submete. Veja o que diz outro profeta:


Mas agora, Eterno, tu és nosso pai; somos como o barro, e tu és nosso oleiro; e somos todos obras de tuas mãos. Yeshayahu/Is 64:7


3. Yeshua e nós: vasos entregues por inteiro

Yeshua viveu como um vaso completamente entregue ao Eterno. Ele não buscou glória para si, nem desviou do caminho que lhe foi determinado. Assim como os profetas, sua vida foi uma oferta contínua de obediência. Observe o princípio no TaNaK:


Consagre ao Eterno tudo o que você faz, e seus planos serão bem-sucedidos. Mishlei/Pv 16:3


Ele, o mestre da Galil, ensinou, pelo exemplo, que quem tenta preservar sua própria vida acaba perdendo seu propósito, mas quem a entrega ao Eterno encontra verdadeira utilidade. Cada um de nós é chamado a essa mesma postura. Conforme podemos ver em Kohelet 12:13 que nos mostra o propósito do homem diante do Eterno.

Quando buscamos apenas nossos interesses, tornamo-nos vasos cheios de nós mesmos, sem espaço para a vontade do Eterno. Seremos como cisternas rachadas que não retêm água, de acordo com Yirneyahu 2:13. Mas quando nos esvaziamos, Ele nos enche conforme o Seu propósito.


Concluindo, vimos que a parashá Vayechi nos ensina que o valor de uma vida não está em quanto se acumula, mas em quanto se entrega. Yaakov, Yosef, os profetas e Yeshua testemunham que o servo do Eterno é como barro nas mãos do oleiro: moldado, pressionado e, às vezes, quebrado, para finalmente cumprir sua função. O texto de Yirmeyahu nos lembra que o Eterno continua olhando para o barro, buscando vasos úteis para Sua obra. Que cada um de nós reflita se tem vivido para si ou se tem permitido que o Eterno nos molde conforme a Sua vontade.

Como estamos encerrando o Sefer Bereshit, que possamos proclamar Hazak, hazak V’nit’chazek! Seja forte, seja forte e sejamos fortalecidos!

Que o Eterno lhes abençoe.


Moshê Ben Yosef