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terça-feira, 4 de junho de 2019

Estudo da Parashá Bechukotai (Em meus estatutos)


Estudos da Torá

Parashá nº 33 – Bechukotai (Em meus estatutos)
Vayicrá/Levítico Lv 26:3-27:34,
Haftará (Separação) Jr 16:19-17; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 9:1-10:41

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Nesta parashá, o Sefer Vayicrá (livro de Levítico) conclui com o fragmento em que Moshé contrasta as diferentes atitudes que seguiram a obediência ou a violação dos filhos de Israel aos mandamentos de HaShem. Vamos aprender que a adesão às leis se traduzia em paz e prosperidade para o povo, e isso é assim até os dias de hoje com todos os que o seguem. E da mesma forma, o que acontecia caso o povo não obedecesse às leis.

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
“Se andares nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes;” (Lv 26:3)
               A palavra “Se”, em hebraico אִם – IM, estabelece um interdependência inevitável entre o destino de Israel e sua conduta, ou seja, apresenta uma condição para o povo de Deus, demonstrando a oportunidade de escolha entre obedecer e não obedecer, mostrando que seu livre arbítrio estava ativo, mas também as consequências das más escolhas. Apesar do relacionamento antigo e especial entre D’us e Seu povo eleito, Israel não desfruta de privilégios especiais, ao contrário do que os cristãos em geral pensam. Suas bênçãos são condicionadas ao seu comportamento e ao zelo com que obedece aos mandamentos Divinos.
               A palavra hebraica “im” começa com a primeira letra do alfabeto hebraico, o alef, já a última letra da secção das bênçãos, no versículo 13, é a última letra do mesmo alfabeto, o tav. Como tal, nestes versículos há um resumo de toda a mensagem das Escrituras, desde o princípio até ao fim, desde o alef até ao tav. Qual é a mensagem? Se formos fiéis seremos abençoados a todos os níveis. A obediência é que traz bênçãos às nossas vidas.
               Por sua vez, a desobediência traz maldições sobre a vida pessoal, familiar e nacional. Se queremos ser abençoado e usufruir da companhia do Eterno segundo as promessas destes versículos, como é que o podemos lograr?


               Não é através do estudo da Torá, tampouco é através da oração ou de sacrifícios, mas sim, através da obediência. A obediência é melhor que os sacrifícios, como lemos em 1 Samuel 15:22:

“Porém Samuel disse: Tem, porventura, YHWH tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros”.

               A obediência à Torá de Moisés é o caminho para a bênção. É esse o chamado de Yeshua, que nós, as ovelhas desgarradas, retornemos ao seu aprisco.
               Perceba que, enquanto os minuciosos aspectos das maldições são descritos em 30 versículos (14-43) e as bênçãos em apenas onze (3-13), é óbvio que o peso e a promessa das bênçãos são predominantes.
               Nestes poucos versículos iniciais, através de cada bênção a Torá descreve um modelo de vida bastante harmonioso, que podemos entender como etapas a serem galgadas:
1)    A prosperidade econômica como consequência da auto suficiência da terra, não dependendo de importações (vers. 4-5);
2)    Segurança, ausência de medo (final do ver. 5);
3)    Paz na terra (vers. 6);
4)    Força e coragem para sobrepujar os inimigos (vers. 7-8);
5)    Grande aumento populacional mediante alta taxa de natalidade (vers. 9); e
6)    A presença de D’us entre Seu povo (vers. 11-13).

               Voltando para as palavras do primeiro verso dessa porção, temos a palavra hebraica que foi traduzida como “meus estatutos” é “chukotai”. Um mandamento que é denominado “chuk” é um tipo de mandamento que não tem uma explicação lógica e compreensível à primeira vista. É o tipo de mandamento mais difícil para o homem (não é por causa do peso dele, mas devido ao Yetser Hará – inclinação natural que o homem tem para o pecado.), porque não têm apenas que se esforçar para os cumprir, mas também têm que travar uma batalha na sua mente na hora de os obedecer.
               Como o homem não entende bem a razão pela qual tem que cumprir esse tipo de mandamento, a mente natural tende a rebelar-se e a desprezar o chuk, cf. v. 15, 43. Por essa razão, a mente que não foi transformada pela Palavra Divina, não ajuda o homem a colocar em prática os mandamentos de caráter chuk.
               Os sábios de Israel dizem que este é o mandamento que mais eleva o homem espiritualmente, porque incute no homem uma obediência que desafia as leis da lógica, sem que a mente o apoie e assim obriga-o a subir a um nível espiritual mais alto. A obediência ao chuk está relacionada com a relação pai/filho. O filho não entende por que razão o pai lhe ordena algo, mas obedece simplesmente porque o pai lhe diz, não porque haja uma explicação para que tenha que fazer isto ou aquilo. Por isso, nossa obediência a esse mandamento cria uma relação de obediência num nível mais profundo no espírito e no amor. Ainda que não entendamos, obedecemos simplesmente porque o Pai nos disse. E não devemos entender isso como uma confiança cega, mas é uma confiança plena naquele que tudo sabe o que é o melhor para os seus filhos. Sendo assim, o chuk nos eleva acima do natural, do lógico, do que é óbvio, segundo a racionalidade humana, e aprofunda a nossa relação com o Pai celestial.
               Com a entrega da Torá, o homem não é mais escravo, é livre. Tem a liberdade para escolher entre a bênção e a maldição, tem o poder na sua boca e nas suas mãos para escolher entre a vida e a morte. Esta autoridade foi dada ao povo de Israel através do pacto no Sinai. Por isso, aprendemos que cada um de nós tem a capacidade de mudar o rumo das nossas vidas. Mas esse poder não o temos por nós mesmos, mas foi-nos dado pelo Eterno.
               Através da entrega da Torá e do pacto a Israel, recebemos a autoridade para dirigir as nossas vidas e as vidas dos nossos filhos. E através do Messias, os gentios podem entrar em Israel (deixando assim de ser gentios para ser como os naturais da terra) e obter os mesmos privilégios. Nós podemos escolher como queremos que seja o nosso futuro, e tudo dependerá das nossas escolhas. Se escolhemos servir ao Eterno ou ao mundo.
               Tanto a obediência como a desobediência de um indivíduo pode mudar o destino de uma nação inteira. Não é por todos os demais pecarem, que nós também temos que pecar. O propósito é lutar contra a corrente, e ser diferentes, ser santos, ser luz e sal, e por essa razão é que o Eterno separou um povo para si.
               Como já dissemos no início desta aula, a obediência aos mandamentos que se encontram na Torá (instrução) que é nada mais nada menos que Genesis, Êxodo Levítico, Números e Deuteronômio é o caminho para a prosperidade, como está escrito em Josué 1:7-8:

“Tão somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a Torá que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares. Não cesses de falar deste Livro da Torá; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem sucedido”.

               Muitos utilizarão vários textos bíblicos para fazer afirmações do tipo: “é impossível cumprir todos os mandamentos”; “Deus não deu a Lei para que fosse cumprida porque o homem não é capaz de o fazer”.
               Então daí surge uma pergunta; por que razão o Pai celestial deu uma Torá ao homem que é impossível de cumprir? Não diz a mesma Torá que o mandamento não é difícil? (Deuteronômio 30:11-16). Se fosse impossível cumprir a Torá, como é possível que David dissesse de si mesmo que era justo? (2 Samuel 22:21-25).

“Retribuiu-me YHWH segundo a minha justiça, recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos. Pois tenho guardado os caminhos de YHWH e não me apartei perversamente do meu Elohim. Porque todos os seus juízos me estão presentes, e dos seus estatutos não me desviei. Também fui inculpável para com ele e me guardei da iniquidade. Daí, retribuir-me YHWH segundo a minha justiça, segundo a minha pureza diante dos seus olhos”.

               Se fosse impossível cumprir a Torá, como é possível que os pais de João Batista o tenham feito? Conforme o texto de Lucas 1:6:

“Ambos eram justos diante de Elohim, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Eterno”. 

                   Outros dirão: “A Torá é só para o povo judeu, não para os gentios”.

               Se assim fosse, então não havia pecadores entre os gentios, uma vez que o pecado é a transgressão da Torá, e se não há Torá não há pecado, cf. 1 João 3:4; 1 Coríntios 15:56; 1 Timóteo 1:8-11. Se a Torá realmente não é para os gentios, tampouco há pecado entre os gentios, e se não há pecado entre os gentios, os gentios não precisam ser salvos e o Messias morreu em vão por eles. Há que refletir bem antes de tirar conclusões precipitadas, pois nenhum juiz dá indulto a um criminoso para que ele continue a pecar.
               O propósito do perdão é que a pessoa adote uma nova conduta. Se o pecado é a transgressão da Lei/Torá segundo a Bíblia, então para uma pessoa deixar de pecar deve viver segundo os preceitos estipulados na Lei/Torá. Não com o intuito de ser salvo, porque ninguém se salva por cumprir a Lei (mas sim pela incomensurável graça divina), mas como uma consequência do ter sido salvo dos trilhos do pecado.

3 – RESUMO
     
       Observe um resumo dos principais aspectos desta parashá:
- Relação entre as bênçãos e a obediência das Mitsvôt – 26:3 e ss;
- Relação entre as vitórias e a obediência das Mitsvôt – 26:6 e ss;
- 5 obedientes derrotam 100 inimigos - 26:8;
- 100 obedientes derrotam 10 mil - 26:8;
- O Eterno manterá a Aliança para com os obedientes – 26: 9;
- Relação entre o Eterno e seu povo – 26:11 e ss;
- Relação entre Força moral e desfazimento das “cadeias” egípcias – 26:13;
- Relação entre maldições e o desprezo e desobediência das Mitsvôt – 26:14-26;
- Relação entre destruição e a desobediência das Mitsvôt – 26:27 até 39;
- O tempo da TESHUVÁ (retorno) – 26:41 até 46;
- Doações/votos particulares por pessoas variadas – 27:1 e ss;
- Coisas animais e imóveis doados ao Eterno se tornam consagradas – 27:9 e ss;
- Dízimos (maaser) pertencentes ao Eterno – 27:30 e ss.

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

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