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terça-feira, 4 de junho de 2019

Estudo da Parashá (No Monte)


Estudos da Torá

Parashá nº 32 – Behar (No Monte)
Vayicrá/Levítico Lv 25:1-26:2,
Haftará (Separação) Jr 32:6-27; e
B’rit Hadashah (Nova Aliança) Lc 7:1-8:56

1 - INTRODUÇÃO
                  
               Na parashá “kedoshim” (Vayicrá/Levítico 19:9) aprendemos que algumas porções da colheita deveriam ser deixadas para os pobres (os cantos dos campos e o que caía ou era esquecido no campo, etc.). Nesta porção, no entanto, o Eterno pede algo mais aos fazendeiros, donos de terra e plantações, algo que para nós pode parecer impossível. Estudaremos sobre o ano de “Shemitah”(liberação).

2 – ESTUDO DAS PALAVRAS
              
“Adonai falou a Moshé no monte Sinai; ele disse: Fale ao povo de Israel: Quando entrarem na terra que eu dou a vocês, a terra deverá guardar um descanso de shabat para Adonai.”

               Como sempre fazemos vamos iniciar com o entendimento do nome da parashá, no caso a porção dessa semana é a porção “Behar”. A palavra “Monte” em hebraico é “Har”, e pode indicar “colina, outeiro, região montanhosa, monte, montanha”. O Eterno não falou com Moshé em qualquer lugar, mas no monte. Na Síria e países ao redor de Israel as montanhas eram adoradas e serviam de cultos pagãos, daí podemos entender o que o salmista quer dizer no Salmo 121.1.

“Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: de onde vem o meu socorro?”

               Adonai se apresenta em uma montanha para mostrar aos seus filhos que ele é sempre a solução para qualquer que seja o problema apresentado, mas é preciso que também os seus filhos entendam que Ele é o D’us das alturas e é justamente ali, que Ele lhes dará a vitória. Enquanto os outros achavam que a montanha era um D’us, para os israelitas D’us aparecia na montanha.
               A parashá desta semana nos dá uma visão de um assunto delicado, a fé demonstrada na prática, a fé verdadeira, a confiança no Eterno e na sua provisão. Vemos a Torá introduzir um novo conceito, o do ano sabático. Da mesma forma como há semanas de dias, também há semanas de anos. E como o sétimo dia da semana é um dia de cessar qualquer atividade, assim também o Eterno estabeleceu que cada sétimo ano seja para cessar o trabalho agrícola e dar descanso à terra de Israel.

Mas porque o Eterno mandaria o povo guardar o sétimo ano, fazendo dele um ano sabático?

               Como vimos na introdução acima, Adonai primeiro manda que os agricultores da terra de Israel deixassem os cantos e as porções caídas ou esquecidas para os pobres da terra e para os estrangeiros, isso vimos na parashá “kedoshim”, e podemos confirmar na história de Rute, em Rt 2:15-16, que as pessoas assim faziam. Porém, nesta semana vemos algo ainda mais sério, eles teriam que observar o “Shemitah”, permitindo que seu campo permanecesse sem cultivo a cada sete anos. Isto com toda certeza não deveria ser algo fácil de se praticar, claro que, olhando com olhos meramente humanos, ou seja, celebrar o Shabat e se manter casher (puro) é uma coisa, mas sacrificar o próprio meio de vida por um ano inteiro parece loucura, mas aos olhos espirituais de quem vive a fé verdadeira, isso seria diferente, seria a demonstração de confiança no Eterno.
               Muitos comentaristas da Torá fazem várias interpretações acerca do mandamento da “Shemitah”, Keli Yacar discorda de muitas delas, mas explica que Adonai teria exigido a cessação de toda atividade agrícola com o objetivo de instruir o povo a confiar exclusivamente em Deus, pois se tivessem permissão de plantar e colher à vontade poderiam pensar equivocadamente que seu meio de vida e sustento deveriam ser atribuídos ao seu próprio esforço. As pessoas poderiam erroneamente pensar que seu próprio controle sobre as forças naturais do mundo estabeleceriam seu destino e sucesso. Por isso, o Eterno institui o ciclo “Shemitah” para que o povo perceba que suas conquistas e realizações dependem completamente da graça e boa vontade Dele. Quando ficassem diante da realidade da colheita inexistente, o povo não teria outra escolha a não ser voltar-se para D’us por sustento e apoio.
               Mesmo que nós não sejamos uma sociedade agrícola, ou fazendeiros, e por isso, não possamos apreciar completamente a importância de um ano de “Shemitah”, mesmo assim podemos também tirar uma lição para nossas vidas. Muitas vezes nos tornamos presas do nosso próprio sucesso, e nos damos tapinhas nas costas e nos congratulamos por um trabalho bem feito. E acabamos deixando de perceber a verdadeira fonte de nossa prosperidade. Nos iludimos pensando que “minha força e o poder de minha mão trouxeram-me esta riqueza” (Devarim/Deuter 8:17). Adonai permite que passemos por tempos difíceis para percebermos nossa incapacidade e total dependência Dele.
               Se fizermos uma analogia com o cumprimento do Shabat poderemos entender o princípio do ano de Shemitah. O Eterno não nos manda celebrar e guardar o Shabat apenas para que possamos recordar que Ele criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou. É muito mais que isso, quando cumprimos o Shabat, demonstramos que confiamos em D’us e compreendemos Adonai cuida de nós e não deixará de cuidar. Aquele que guarda o Shabat demonstra que o D’us que ordenou descansar neste dia proverá suas necessidades. E esse princípio é ampliado para o ano de Shemitah.

Promessas de D’us para aqueles que guardassem o ano de Shemitah
              
               O Eterno fez três promessas ao povo de Israel, se eles observassem a mitsvá (mandamento) de Shemitah.
               1 - D’us prometeu que a colheita do ano anterior ao ano de Shemitá duraria três anos: “Não se preocupem. Abençoarei a terra, de modo que a colheita do sexto ano seja suficiente para o sexto, sétimo e oitavo anos.”
               2 - D’us prometeu que “Durante o ano de Shemitá ficam satisfeitos, apesar de comerem pequenas quantidades de alimento. Assim, sua produção agrícola durará.”
               3 - E a terceira promessa: “Se guardarem tanto os anos de Shemitá como os de Yovel (Jubileu), estarão seguros em Israel. Porém se não observarem nem Shemitá, nem Yovel, seus inimigos os forçarão ao exílio.”
              
Shemitah e Yovel e o exílio babilônico

               Veja o que o comentário rabínico de Rambam diz: “...o povo de Israel celebrou o primeiro ano sabático, chamado “shemitah”, no ano 21 depois do início da conquista e da distribuição da terra sob a liderança de Josué. A conquista e a distribuição da terra durou 14 anos. O ano 15 foi o primeiro ano do ciclo de sete anos, e o ano 21 foi o sétimo. Segundo um cálculo, decorreram 836 anos desde o ano 15 depois da entrada na terra até à deportação para a Babilônia. Entre estes dois períodos, os anos sabáticos e de jubileu só foram observados 400 anos, e durante os 436 anos não foram respeitados. Durante 432 anos há 62 sabáticos e 8 anos de jubileu, os quais somam 70 no total (62+8=70). O cativeiro babilônico veio quando o povo de Israel tinha deixado de guardar 70 anos sabáticos, como lemos em Vayicrá/Levítico 26:35.

“Todos os dias da assolação descansará, porque não descansou nos vosos sábados, quando habitáveis nela.”

               O cativeiro babilônico durou 70 anos, como está escrito em Yermeyahu/Jeremias 29:10.

“Porque assim diz YHWH: Certamente que, passados setenta anos na Babilônia, vos visitarei ecumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar.”

3 – RESUMO
     
         Behar, concentra-se principalmente nas mitsvot referentes à terra de Israel, começando com a ordem de cumprir Shemitá - a mitsvá de deixar o campo sem cultivo a cada sete anos, abstendo-se de plantar e colher. Da mesma forma, a terra em Israel deve permanecer não cultivada no Yovel, ou 50º ano, quando então a propriedade de todas as terras retorna automaticamente à sua herança ancestral.
D'us promete que abençoará a terra no sexto ano, para que produza alimentos suficientes para durar por todo o período de Shemitá. Após descrever este processo, pelo qual os proprietários originais da terra podem redimir sua propriedade ancestral nos anos que precedem Yovel, a porção muda para falar sobre os pobres e oprimidos. Não apenas somos ordenados a dar-lhes tsedacá e fazer atos de bondade, como o ideal seria fornecer-lhes os meios para sair de seu estado de pobreza.
Somos proibidos de receber e pagar quaisquer juros em empréstimos feitos a outros judeus. A Torá então discute os vários detalhes a respeito de servos judeus e não-judeus que trabalham para judeus, e a mitsvá de redimir judeus que são servos de não-judeus. Todos os servos judeus devem ser libertados antes do início do ano Yovel.
A porção conclui repetindo a proibição da idolatria, e as mitsvot de guardar o Shabat da profanação e reverenciar os locais santificados de D'us

Bibliografia:

- Torá – Lei de Moisés. Editora Sefer
- Bíblia Judaica Completa, Editora Vida.

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