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domingo, 21 de outubro de 2012




O Movimento Profético e o Cativeiro Babilônico

            Este é um assunto interessante, cujo conteúdo para uma boa compreensão deve ser iniciada remontando os tempos remotos do povo Hebreu. Também, há a necessidade de dar uma boa observada na sua história política-cultural e acima de tudo sua história religiosa, devido ao movimento em questão.
            O que sabe-se sobre o povo Hebreu[1] deve-se, sobretudo às informações da Bíblia, principalmente do Antigo testamento; mas pesquisas arqueológicas e obras de historiadores judeus muito têm esclarecido os estudos sobre os Hebreus.
            Inicialmente pode-se verificar a história do Patriarca deste povo, um homem chamada Abraão. Segundo o livro Gênesis do Antigo testamento, Tera, juntamente com sua família, abandonou a cidade de Ur, na Mesopotâmia, e desceu em direção ao sul, pelas margens do Eufrates. Tera era membro de uma tribo semita, grupo étnico descendente de Sem (filho do lendário Noé, do Dilúvio). Hoje, os semitas compreendem dois importantes povos: os Hebreus ou Judeus e os árabes. Com a morte de Tera, a liderança dessa tribo nômade ficou com Abraão, que, segundo a tradição, recebeu inspirações divinas para ir com seu povo até Canaã ( região da Palestina), a Terra prometida.
Entre 1700 e 1500 a.C., mais povos penetraram na região adaptando-se às condições sócio-econômicas locais. A ocupação da região pelos hebreus foi sistematizada por Jacó, que depois veio a se chamar Israel. O povo hebreu, ainda segundo a tradição, descende desses patriarcas. No entanto, depois de algum tempo, segundo as narrativas bíblicas, houve fome na terra e Jacó precisava procurar melhores condições para seu povo. O Egito oferecia tais condições de sobrevivência do que a Palestina. Para lá rumou Jacó (Israel), com parte da população dos hebreus. No Egito eles permaneceram longos anos, trabalhando para o faraó. Segundo alguns historiadores, não eram escravos, pois podiam viver juntos, criar seus filhos e preservar sua língua e seus costumes. Além disso, alguns ocupavam importantes posições no governo. Sua permanência ali coincidiu com o período de invasão dos Hicsos. Após a expulsão destes sob a liderança de Moisés, os hebreus iniciaram a sua "retirada" em direção à palestina (1270 a 1220 a.C.) Esse foi o lendário Êxodo. A partir daí, guiados pelas iluminações e visões de Moisés, os hebreus passaram a adorar um só deus, Jeová (ou Iavé), dando os primeiros passos em direção ao monoteísmo.
Após a morte de Moisés, os hebreus retornaram à palestina e, sob a liderança de Josué, conquistaram parte de Canaã. Nessa época, o povo hebreu estava dividido em 12 tribos ("os dozes filhos de Israel"). Viviam em clãs compostos pelos patriarcas, seus filhos, mulheres e trabalhadores não livres. O poder e o prestígio desses clãs eram personificados pelo patriarca, e os laços entre esses clãs eram muito frágeis. Essa divisão em tribos dificultava a melhor condução das lutas contra os antigos habitantes da região, que resistiam à penetração dos israelitas. Com a invasão dos filisteus, a situação tornou-se ainda mais difícil. Surgindo então, chefes de sensíveis qualidades militares que ficaram conhecidos como juízes, cujos principais foram: Otoniel, Débora, Gideão, Sansão, e Samuel. Esses juizes, além de combater os filisteus, tiveram que lutar contra os amonitas, povos que se estabeleceram na Transjordânia.
Por meio dos juízes o povo foi encaminhado ao sistema monárquico, levando ao surgimento dos primeiros reis. O juiz e primeiro profeta Samuel unificou as tribos pelo monoteísmo e consagrou o primeiro rei, um homem chamado Saul, aproximadamente em 1010 a.C. Após a morte desse rei um outro assume o trono, Davi, que marca seu período com um grande expansionismo, sendo mais tarde, depois de sua morte substituído por seu filho Salomão. Esse rei promoveu um grande desenvolvimento nesta nação, mas para isso aumentou muito os impostos levando o empobrecimento dos trabalhadores, levando a um clima de insatisfação. Depois do reinado de Salomão e por conta dos fatos mencionados acima entre outros, temos o seguinte quadro; Israel fica sem sucessor direto ao trono e é nessa época que Roboão induz o povo à rebelião. Entre as doze tribos de Israel, dez ficam sob a dinastia do Reino do Norte ou ainda, a Tribo de Israel com capital em Samaria; duas tribos, Judá e Benjamim, passam a ser comandadas pela dinastia do trono de Davi e são chamadas a partir daí de Reino do Sul, ou ainda Tribo de Judá, com capital em Jerusalém.
            Toda essa divisão de poderes, gerou em Israel um quadro político conturbado. Levando a uma sucessão infinita de reis e seus reinados que intercalavam entre bons e maus governos. A liderança sacerdotal estava totalmente falida desde o final do reinado de Salomão e como nos diz as Escrituras Sagradas, não havendo profecia o povo se corrompe. Os lideres hereditários da tribo dos levitas, não cumprindo com a sua parte espiritual importante, que compunha um quadro de tarefas que ia desde a pregação da Lei, até a manutenção do Templo e etc, deixando o povo abandonado à sua própria sorte. A decadência moral e espiritual que mergulhou a nação judaica a partir desse momento, provocou um movimento nunca visto antes; a ascenção do movimento profético[2], com homens levantados por Deus para combater e para se manter totalmente refratários a essa situação de destruição.
            Tendo observado um resumo dos contextos histórico-sociais e religiosos que culminaram com o surgimento do movimento profético, deve-se verificar um pouco mais especificamente este movimento. Entretanto é necessário a compreensão do conceito de profeta[3]. Os nomes aplicados para o profeta são importantes: rô’eh, hôzêh e especialmente nãvî. Os dois primeiros significam “alguém que tem uma visão ou uma controlada adivinhação”. É muito claro que os primeiros fossem mais adivinhadores que aprenderam indiretamente suas técnicas na mesopotâmia ou em outras origens pagãs.
A palavra nabî ou nãvî (profeta) deva ser um derivado de uma palavra que aparece no idioma acádio que é naba’um. Um nabî era alguém que tenha recebido um chamado de Deus ou alguém que acreditasse ter esse chamado. Ele era um líder religioso carismático, não ligado a partido político sem direito de hereditariedade. Ele era por vocação autorizado a falar e agir por Yahweh. Em Genesis capítulo 20 versículo 7 “ele tem um chamado meu, e rogará por ti, para que vivas” e não “ele é um profeta” Vemos esse contraste com Moises em números 12: 6-8 e Êxodo 7:1, Moises aparece diante de faraó como “Deus” enquanto Arão vai como seu representante (nabî). No período de juízes, a o termo homem de Deus é um sinônimo criado no começo da monarquia de Israel.
            Sendo assim, observa-se que a história do povo hebreu não pode ser analisada totalmente separada da história da sua religião, pois há uma ligação íntima entre elas. É importante notar que nem sempre os hebreu foram monoteístas. De acordo com o texto da referência 1, no início de sua história, Iavé (Jeová) era um deus entre muitos, entretanto, com o desenvolvimento histórico, foi se sobrepondo às demais divindades cultuadas pelos povos antigos daquela região. Os hebreus foram um dos primeiros povos a sistematizar o monoteísmo.
            Conforme mencionado anteriormente, devido a tantos conflitos que houve nesta nação, com o passar do tempo, ela entrou em um processo de declínio, tanto político-social como religioso. Isso encaminhou a nação a diversas crises políticas e a sofrer ataques de nações vizinhas levando a desestabilização total do povo. A situação piorou muito em aproximadamente 842 a.C, quando Jehu apoiado pela população oprimida, deram um golpe de Estado e foi ungido rei por Elias. Depois de um período conturbado, a ordem foi restabelecida, porém em 723-722 a.C, o rei assírio Sargão II invadiu Israel e destruiu a capital Samaria. Dentre muitos avisos do profeta Amós, a profecia se cumpre e Israel fora destruída tornado-se província assíria, e grande parte de seus habitantes foram transportados para a mesopotâmia. Enquanto isso, o reino de Judá, composto por duas tribos, cuja capital era Jerusalém, permaneceu fiel ao monoteísmo. Até que em meados do século VII a.C., o rei Ezequias (725 a 697 a.C.) aliou-se ao Egito, buscando evitar a invasão assíria, mesmo assim, grande parte do território de Judá foi tomada pelos assírios. Aproximadamente entre 639 a 609 a.C, o rei Josias conseguiu recuperar parte da independência do reino de Judá. Porém a região passou a ser disputada pelos impérios egípcios e babilônicos. O rei Nabucodonozor II, da Babilônia, invadiu o reino de Judá e destruiu Jerusalém e o templo, transferindo o rei e os mais ilustres habitantes da região para a Babilônia. Este episódio é chamado de cativeiro babilônico pela Bíblia, pois ali os hebreus permaneceram durante cerca de 70 anos. Quando este império foi vencido por Ciro, reis dos persas, os hebreus foram libertados e voltaram à região da antiga Jerusalém. Ali ergueram novamente o templo. Paulatinamente foram eliminadas as diferenciações entre os filhos de Israel e os de Judá, que ficaram conhecidos, após esse período, como Judeus.
            Ao observarmos os aspectos que levaram a nação ao cativeiro de forma meramente histórica, perceberemos que houve uma série de situações políticas, sociais e religiosas naquele povo, que culminaram neste evento. Entretanto, quando fazemos uma análise teológica, e percebemos que aquele povo por não obedecer aos mandamentos deixados por Deus, e não ouvir a voz do Senhor pelos profetas, foram induzidos por causa de seus próprios erros a chegarem onde naquele ponto. A obediência não somente às leis de Deus, mas dar ouvidos à voz do Senhor por intermédio do ministério profético, poderia ter levado aquele povo por outros caminhos. No entanto, ao estudarmos tais acontecimentos, devemos em primeiro lugar nos lembrar de que Deus é soberano e sabe todas as coisas, em segundo, precisamos aprender com os erros do povo, cuja história a Bíblia registra, a fim de que não venhamos cair nas mesmas falhas.


[1] Hebreus. Disponível em < http://www.oocities.org/br/achouwebpage/historia/hebreus.htm> Acessado em 27 de SET2012.
[2] Os Profetas. Disponível em < http://igrejacenaculodafeeabiblia.com/os profetas.html> Acessado em 27 de Set2012.
[3] O movimento profético em Israel. Disponível em < http://jesusrockstar.blogspot.com.br/2011/07/o-movimento-profetico-em-israel.html> Acesso em 27 de Set2012.

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